A leitura recreativa é um tipo de leitura que visa o ler pelo prazer de ler, abrindo as portas da criança para a imensidão a que se pode aceder.

A toda a leitura preside, por mais inibida que seja, o prazer de ler, e pela sua própria natureza – este prazer dos alquimistas – o prazer de ler não receia qualquer imagem, mesmo a da televisão e mesmo sob a forma de avalanches quotidianas. (…) Mas é preciso saber que caminho se deve seguir para o encontrar… – Daniel Pennac

A leitura recreativa é um tipo de leitura que visa o ler pelo prazer de ler, abrindo as portas da criança para a imensidão a que se pode aceder.

Promover hábitos de leitura recreativa é um dos caminhos a seguir para alcançar uma leitura prazerosa, em família.

Com as férias de verão a chegar estão criadas condições propícias à leitura recreativa.

Os pais poderão começar por solicitar à criança que escolha um livro do seu agrado, dando-lhe a conhecer os “Direitos Inalienáveis do Leitor” (extraídos da obra de Daniel Pennac), como estratégia para a motivar para este tipo de leitura:

1. O direito de não ler.
2. O direito de saltar páginas.
3. O direito de não acabar um livro.
4. O direito de reler.
5. O direito de ler não importa o quê.
6. O direito de amar os heróis dos romances.
7. O direito de ler não importa onde.
8. O direito de saltar de livro em livro.
9. O direito de ler em voz alta.
10.O direito de não falar do que leu.

A leitura recreativa implica manusear o livro enquanto objeto, folheá-lo, observar a capa e a contracapa, ler os títulos, ver as imagens, consultar os índices.

Deve também promover a interação da criança com o texto, levando-a a imaginar o que se vai passar a seguir, a comentar o comportamento das personagens, a inventar outros fins e, sobretudo, a manifestar o seu gosto pessoal pelo livro que escolheu.

Por último, os pais, em conjunto com a criança, poderão criar a sua própria Carta de Direitos, e desfrutar de agradáveis momentos de leitura em família durante o verão!

O Velho mais velho do mundo | Editora: Máquina de Voar | de César Madureira e Catarina Correia Marques

SINOPSE

Quem será o velho mais velho do mundo? O que terá feito ao longo da sua vida? O que terá aprendido? Será que sabe tudo ou ainda tem coisas por aprender? Que recordações terá e que bocados de vida nos poderá contar? Terá tido mais felicidades ou tristezas no percurso da sua longa vida? Dúvidas e incertezas, continuará a tê-las?

Será que existe mesmo este Velho mais velho do mundo?

 

FICHA TÉCNICA

Titulo:O Velho mais velho do mundo
de César Madureira e Catarina Correia Marques
Editor: Máquina de Voar
Idioma: Português
Dimensões: 200 x 235 x 7 mm
Encadernação: Capa dura
Páginas: 32
Tipo de Produto: Livro

 

Para encomendas escreva para editora@maquinadevoar.com, indique o(s) livro(s) desejado(s), nome, morada e o número de contribuinte*.
Receberá uma resposta com a descrição e o valor total da encomenda.

Com que idade deve a criança aprender a ler?

A propósito de um artigo partilhado recentemente sobre a alfabetização precoce e a pressão que os pais, educadores e muitas escolas exercem sobre as crianças, partilhamos este artigo publicado no DN on-line, em dez. 2015, que reforça a necessidade de respeitar o ritmo de cada uma, adequando o ensino das competências de acordo com a idade e maturidade de cada criança.

«Pediatras defendem que não se deve forçar o desenvolvimento das crianças. Educadores dizem que seguem o ritmo de cada um. Sair do pré-escolar a ler não é uma meta, asseguram, mas estudo americano indica o contrário

Tal como brincar, pintar ou cantar, a leitura tem um papel cada vez mais importante no pré-escolar. De acordo com um estudo feito pela Universidade de Virgínia, nos EUA, que comparou as mudanças entre 1998 e 2010, a percentagem de educadores que esperam que os alunos que vão para o primeiro ciclo saibam ler subiu de 30% para 80%. A mesma pesquisa diz que gastam cada vez mais tempo com fichas de exercícios e cada vez menos com música e arte. Por cá, os três pediatras ouvidos pelo DN dizem que também há uma tendência para a sobrecarga das crianças no pré-escolar, quer por pressão da escola quer dos pais, o que não tem qualquer benefício para os mais novos.

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De acordo com o estudo “O jardim-de-infância é o novo primeiro ano?“, citado pela revista The Atlantic, aquilo que se esperava das crianças de 6 anos é hoje pedido às mais jovens. Tal como nos EUA, em Portugal o pré-escolar também mudou, tornando-se mais exigente. Para tal, explica o pediatra Mário Cordeiro, contribuiu “a ciência pediátrica, educativa e psicológica, e também a neurofisiologia”, mas também existem razões “menos boas” para a mudança. Segundo o pediatra, “é querer fazer das crianças “cavalos de corrida” a partir de idades muito precoces, “querendo forçar conceitos abstratos e simbólicos cedo de mais e a aquisição de competências que não são adequadas à maioria dessa idade“. Com base nisso está “a pressão dos pais e um certo show off das escolas (que prometem aulas de inglês aos 2 anos ou mandarim aos 3, por exemplo), impedindo muitas crianças de… serem crianças“.

Essa é também a opinião da pediatra Júlia Guimarães. “Isto também acontece em Portugal, sobretudo no ensino particular. E é uma tendência perfeitamente errada.” Antes do ingresso no 1º. ciclo, “não se deve academizar”. Os educadores “devem estimular as crianças, através da arte, da música, das brincadeiras e atividades orientadas“, mas o início da leitura e da escrita “deve ficar para o 1º ano“. Na opinião do pediatra Hugo Rodrigues, “é notório que, cada vez mais, o pré-escolar tenta investir na escolarização das crianças, o que é um disparate“. Se o 1º ciclo tem início aos 6 anos, “é porque é nessa idade que é suposto começaram a aprender a ler“. Mas, além da pressão da sociedade, “há demasiada competitividade entre os pais e as próprias escolas“. Claro que, ressalva, “se a criança tem vontade de ir mais além, deve corresponder-se, mas sem impor“.

pre-escolar

Embora as crianças possam corresponder do ponto de vista cognitivo, Hugo Rodrigues lembra que “não têm maturidade para lidar com as diferenças relativamente aos outros meninos, nem com as diferenças nos métodos de ensino“. Mário Cordeiro explica que “quando as exigências são disparatadas ou desfasadas relativamente ao que é capaz de dar, ou quando é intensivo e faz gastar tempo que poderia estar a ser usado noutras coisas, a criança vive ainda mais em stress, é menos feliz, sente-se pressionada e, mesmo que aprenda muitas coisas, terá mais hipóteses de se desinteressar“.

Antes de receber o telefonema do DN, Mariana Miranda, educadora de infância há 34 anos, tinha estado a falar com a mãe de uma criança de 5 anos que já lê algumas palavras. Não é um caso único. “Quando chegam já trazem imensos saberes. Nós fazemos diagnóstico e conduzimos, introduzindo coisas novas”, explica a coordenadora do pré-escolar do Agrupamento de Escolas Dr. Costa Matos, em Gaia. No entanto, “não existe pressão para que adquiram essas competências“. Trabalham, sim, “para que desenvolvam o gosto pela leitura e pela escrita“. Cristina Madureira, do jardim-de-infância do Centro Escolar de Cinfães, reforça que “não se espera que as crianças saiam do pré-escolar a ler ou a escrever“. Cada uma tem o seu ritmo “e é com base nele que se trabalha“. No 1º. ciclo “chegam facilmente à leitura e à escrita“.» – DN, dez ’15

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imagemCapa@Kalendar2017.ru
imagens@revistacrescer

Passamos tanto tempo a receber e a transmitir informações através da linguagem escrita que esta nos parece quase tão espontânea como a comunicação oral. No entanto, não há nada de natural na leitura. Não existe no cérebro nenhuma região especialmente dedicada à descodificação de símbolos que representem palavras. Trata-se de uma habilidade tão complexa que o nosso cérebro tem de se adaptar, criando um circuito que envolve as áreas – visual, auditiva e de linguagem.

A maior parte dos adultos não se lembram de como foi lento e trabalhoso o processo de aquisição da capacidade de leitura.

O facto é que essa transformação no cérebro não acontece e nem pode acontecer de um momento para o outro. É um trabalho de desenvolvimento e aquisição de conhecimentos por etapas que, por ansiedade dos pais e muitas vezes incentivo dos educadores, tem vindo a ser antecipado.

Não seria lógico concluir que, por se tratar de algo complexo, quanto mais cedo aprendessemos a linguagem escrita, melhor e mais fácil seria?

Sim e não: se considerarmos que o contacto com os livros, as brincadeiras de consciência fonológica, as histórias e as rimas recitadas e cantadas criam ligações no cérebro que serão importantes para a aquisição da capacidade de leitura, então este processo deveria começar cedo. Mas seria só mesmo esta fase em que se desenvolvem as conexões necessárias para que a leitura possa ser entendida com maior facilidade.

Já a alfabetização propriamente dita, para acontecer com tranquilidade e sucesso, deve esperar que as etapas anteriores estejam muito bem construídas e assimiladas. No entanto, grande parte das escolas (e muitos pais) esperam que as crianças cheguem aos 6 anos a saber ler e escrever.

Nessa idade, regra geral, as crianças ainda não estão neurologicamente prontas para começar a ler. Há áreas do cérebro envolvidas na leitura, como o giro angular, que não estão suficientemente desenvolvidas para que a descodificação faça algum sentido.

Por volta dos 4 anos muitas crianças memorizam letras e sílabas, reproduzem palavras inteiras e escrevem o seu nome – o que não significa que estejam a compreender o processo de leitura. Trata-se de memorização simples. Na verdade, nessa idade elas têm uma memória excelente, mas regra geral, não estão maduras para entender a linguagem escrita.

Maturidade da criança

Estudos mostram que essa maturidade, geralmente, ocorre entre os seis e os sete anos, quando acontece o que o neurocientista cognitivo Stanislas Dehaene chama de “revolução mental” no seu livro Os Neurónios da Leitura , da Penso Editora.

A “Revolução mental” é a fase em que a criança começa a perceber que a palavra pode ser dividida em diferentes fonemas. No entanto, não existem dois cérebros iguais, e haverá sempre variações na facilidade com que cada um se familiariza com a linguagem escrita, o que traz à escola o desafio de conhecer e respeitar o ritmo de cada aluno.

Assim, antes de estabelecer a chamada consciência fonológica, forçar a alfabetização é uma perda de tempo.

Este período de tempo pode ser muito bem aproveitado – as crianças em idade pré-escolar estão em pleno desenvolvimento da consciência metalinguística e ampliam diariamente o seu vocabulário.

Estudos mostram que, aos 3 anos de idade, as crianças têm a capacidade de absorver  a até 20 palavras novas por dia, enquanto assimilam naturalmente as complexas regras gramaticais. Em vez de forçar um cérebro ainda imaturo a relacionar letras a sons, estes miúdos podem (e devem) exercitar a linguagem oral e suas habilidades metalinguísticas de forma a familiarizarem-se com a complexidade das construções sintáticas que o seu idioma oferece.

Muito mais importante do que começar a ler cedo, é começar a associar a leitura a algo agradável e prazeroso e não a um desafio penoso. Para isso, é necessário que os pais e educadores respeitem o ritmo e a maturidade de cada criança para que possam então, iniciar a alfabetização com sucesso.

 

Artigo de Michele Müller, Jornalista especialista em neurociências e neuropsicologia, publicado em Brasilpost

 

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Um grupo de investigadores da Universidade de Uppsala, na Suécia concluíram que existe um método capaz de estimular a capacidade intelectual das crianças desde tenra idade.  Trata-se de uma plataforma realmente amigável e intuitiva, de baixo custo e fácil acesso para a grande maioria das pessoas.

A pesquisa demonstrou que crianças ou bebés que utilizam esta plataforma, desenvolvem não só a parte intelectual, cognitiva, mas também a capacidade criativa, além de criarem vínculos afetivos mais sólidos.

Em geral, os pais demonstram-se preocupados em encontrar estratégias para desenvolver o potencial dos filhos. Vale tudo: desde passar música clássica enquanto o bebé ainda está na barriga da mãe, até a aquisição de mobiles que se propõem a desenvolver aptidões matemáticas nas crianças.

Os especialistas suecos destacam este método como primordial para alavancar o potencial dos nossos filhos desde criança até à idade adulta.

Mas, nem tudo é perfeito. Este método exige, no mínimo, a aquisição da plataforma e um adulto com tempo e vontade de utilizá-la com a criança. A partir de uma certa idade, a própria criança será capaz de manusear a plataforma, mas mesmo nessa fase, a presença de um adulto, participativo, potencializa os benefícios da metodologia.

A partir dos 6/7 anos, a maioria das crianças deve conseguir utilizar o método de forma autónoma.

Trata-se de Lições Interativas de Visualização e Relacionamento de Ordem afetiva. 
Mas em que consta este método inigualável de estimulação intelectual e emocional da criança?

Ora vejamos as primeiras letras do método: LIVRO!

Daqui, ouço um óhhh de decepção, vindo de um grupo de pais mais tecnológicos, para quem o progresso terá sempre uma
solução melhor do que o passado. Também vejo um sorriso amarelo de alguns pais que esperavam algo mais do que um livro!

O meu lado otimista (que não é muito desenvolvido) consegue supor alguns sorrisos de pais que por experiência própria (são leitores) conhecem o poder que os livros possuem no desenvolvimento do ser humano.

Brincadeiras à parte, há um consenso entre diferentes profissionais de saúde que, se fossemos escolher apenas um método  para desenvolver a capacidade cognitiva das crianças este seria a leitura de livros, já a partir dos 6 meses de idade.

Claro que não é o único e todos são complementares. O brincar criativo e as brincadeiras ao ar livre como saltar, girar, pedalar, nadar, de forma a desenvolver de forma lúdica as capacidades motoras, seria outro.

Obviamente, nenhum método  funciona sem o amor incondicional dos pais!

Repare-se que os gadgets não constam no topo da lista. Isso porque, à partida, sugerem mais passividade e menos criatividade, embora também maior capacidade de reação e reflexos. E convém reforçar que programas muito acelerados, podem desenvolver nas crianças pequenas uma “necessidade” de hiperestimulação. Se não forem hiperestimuladas, sentirão tédio o que pode gerar dificuldades no momento da alfabetização que é, obrigatoriamente, lenta.

Voltando ao LIVRO:  o livro estimula a criatividade na medida em que o leitor (ou, no caso da criança- ouvinte), cria a história na sua cabeça. Serão sempre 3 porquinhos e um lobo, mas cada um cria os seus 3 porquinhos e o seu lobo! Além disso, a proximidade física com quem conta a história cria um momento de vínculo afetivo com contato corporal.

A leitura pode contribuir para a implantação de determinadas rotinas, como dormir ou jantar.  Sinaliza mudanças de ritmo (da brincadeira mais agitada, para um momento mais calmo). Um aspeto pouco lembrado é o de que nós adoramos contar histórias!

Ao contarmos histórias usando os livros unimos a fala com a escrita e podemos desenvolver nos nossos filhos o hábito da leitura. Um hábito que, por não ser natural, precisa ser desenvolvido de forma gradual e prazerosa.

Aliás, hoje em dia, embora haja um grande desenvolvimento nos media, a capacidade analítica e crítica de um indivíduo, o entendimento de complexidades como a vida em sociedade, economia, medicina, engenharia, astronomia, cultura, arte etc. vai depender da capacidade de leitura da pessoa.

Num mundo competitivo essa competência pode fazer a diferença. Além de ser um hábito que produz prazer a quem o desenvolveu.

Se alguém ficou chateado com a brincadeira dos pesquisadores de Uppsala, peço desculpas.
Só queria chamar a atenção, de forma provocadora, para a importância do livro.
E boa leitura com seus filhos!

Texto de Dr. Roberto Cooper, adaptado por Up to Kids®