Ontem à noite, estávamos com um grupo de amigos quando os meus filhos começaram a correr pelo quintal. Um deles estava com um par de sapos na mão, que tinham acabado de encontrar no chão. O outro estava de tronco nu (o que acontece frequentemente), e empunhava uma espada de plástico. O meu filho mais novo corria atrás dos irmãos e rodava os braços como se estivesse a tentar voar. A cena foi bastante cómica, e até “estranha”, mas eu acho que nossos filhos poderiam abusar mais dessa qualidade a “estranheza”

Deixem-me explicar… Existe uma pressão cultural muito grande sobre os pais e as crianças para obedecer a um padrão de “normalidade” que nem sempre é saudável. Eu acredito que precisamos urgentemente de repensar as nossas filosofias parentais, e fugir à pressão imposta pela sociedade..

Aqui estão cinco razões pelas quais eu realmente prefiro que meus filhos sejam considerados “estranhos.

1. Quem define o “Normal” ?
Há uns anos atrás, um pastor chamado Craig Groeschel escreveu um livro chamado “Weird” (Estranho), e a premissa era de que os valores ditos “normais” da nossa cultura são: Dívida, divórcio, depressão, materialismo, promiscuidade, egoísmo e uma série de outras coisas (muito)  pouco saudáveis. Craig Groeschel desafiava-nos no seu blog a criar novas tendências que pudessem ir contra a corrente, mas que acabariam por criar vidas mais saudáveis, felizes e sagradas. (Vale a pena pensar nisto)

2. As crianças são únicas, não uma cópia de alguém
Todas as pessoas são diferentes. Devemos ajudar os nossos filhos a descobrir quem eles são, ao invés de tentar torná-los em alguém com quem eles não se identifiquem. Devemos deixá-los criar a sua própria identidade.

3. Ser uma boa pessoa é muito mais importante do que parecer uma boa pessoa
Uma das lições mais perigosas e tóxicas que podemos ensinar aos nossos filhos é que a aparência é mais importante do que a realidade. Caráter, passa por ser, em público, a mesma pessoa que se é quando se está sozinho. Ou seja, agir corretamente  mesmo que ninguém esteja a ver. Se atribuirmos muita importância às aparências ou a “fazer parte”  sem desenvolver questões  como integridade e autenticidade, não estaremos a ajudar, em nada, os nossos filhos (e consequentemente, a sociedade em geral).

4. Os nossos filhos são muito mais importantes que os nossos egos
Sejamos honestos, a maioria das vezes em que eu fico frustrado por um dos meus filhos por fazer algo “estranho”, é simplesmente porque o tenho “medo” do que as pessoas possam pensar sobre eles, ou sobre a minha competência  enquanto pai. Obviamente, é importante ensinar a boa educação aos miúdos, mas também precisamos engolir o nosso orgulho quando sua auto-expressão se manifesta de formas mais “estranhas”, aliás, criativas!

5. Na verdade TODOS somos um bocado estranhos
Conhece alguma pessoa dita “normal”? Eu não. Seria tão chato e triste. Vamos parar de nos envergonhar dos pormenores e características que nos tornam (e aos nossos filhos) tão maravilhosamente únicos.
Pessoas ditas “normais” nunca mudaram, nem vão mudar o mundo!
Deixe as crianças crescer na sua liberdade e criatividade de ser.
Por Dave Willis, no blog Patheos.com
traduzido e adaptado por Up To Kids®

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Um dos meus filhos é extremamente criativo. A sério, ele nem sequer chega a ser mentiroso, é mesmo criativo. Próprio da idade, os amigos, por vezes, chamam-lhe mentiroso. É já um clássico eu chegar ao colégio e virem confirmar comigo as histórias que  lhes conta. “É verdade que o João vai ter um gato?”. “- Sim, é verdade”, confirmo. “E que o gato vai ter uma mochila cósmica e vão viajar juntos no tempo?” ” – Hum… Ora então vamos lá saber: Existem mochilas cósmicas que nos permitem viajar no tempo?” – “Não!” ” – Então esqueçam essa parte!”

Acho graça que não tenham a capacidade de distinguir o que é inventado daquilo que é real. Receio até, que o meu filho também acredite nas suas próprias histórias!

Já quando era mais novo, os desenhos realizados no colégio sobre o fim de semana, nunca correspondiam à verdade, mas sim a algo bastante mais interessante do que aquilo que tinha feito. Ou era uma pesca em alto mar, ou tinha ido a uma corrida de cavalos, ou até a um concerto de musica Rock aos 4 anos! E o mais engraçado é que a Educadora achava de facto que tínhamos fins de semana muito preenchidos!

A pesquisar sobre o tema, e a tentar perceber o porquê desta necessidade ou vontade de desancorar da realidade, encontrei este texto na Revista Crescer , que me deixou bastante mais descansada.

Criativo, mas com memória de elefante! Deixa-lo crescer fora da caixa. Tem tempo para ser quadrado o resto da vida!

“Seu filho é desses que vivem inventando histórias? Diz que foi a lugares que não foi, que comeu coisas que não comeu, que passeou por lugares onde, na verdade, nunca esteve? Ela conta que leu livros que nunca nem tocou?

Sim, é natural que os pais se preocupem quando surpreendem a criança contando uma mentira. Mas pesquisas apontam que esse “talento” para inventar  lorotas não é, de todo, ruim. Um estudo publicado no Journal of Experimental Child Psychologyconstatou que crianças que são boas em mentir tem uma melhor memória de curto prazo, principalmente sob o aspecto verbal. Isso porque é preciso ter certa habilidade para inventar histórias, sustentá-las sem cair em contradição e ainda convencer seu interlocutor pelos detalhes.

Os pesquisadores chegaram a essa conclusão ao realizarem um teste com crianças entre 6 e 7 anos. Eles propuseram aos pequenos um jogo de perguntas e respostas. Havia três cartas, cada uma com uma pergunta de um lado e a resposta no verso, ilustrada por um desenho. Os pesquisadores faziam a pergunta e as crianças deveriam respondê-la, se soubessem. Na última carta, a questão se referia ao nome de um personagem de um determinado desenho que… nunca existiu. Ou, seja as crianças jamais poderiam acertar a resposta. No entanto, antes de os pequenos terem a chance de contestar essa última questão, o pesquisador saía da sala por um momento – enquanto isso, as crianças eram gravadas.

Foram avaliadas as respostas de todas essas crianças que espiaram a carta enquanto o pesquisador não estava na sala e, portanto, responderam corretamente à questão. A qualidade da mentira foi avaliada pela riqueza de detalhes que cada criança deu. Alguns até disseram coisas como: “Esse é o meu personagem favorito, assisto todo sábado, então, conheço os personagens”.

Essas crianças que mentiram melhor também alcançaram notas mais altas nos testes de memória. Para os pesquisadores essa vantagem ficou evidente pela forma desenvolta com que os melhores mentirosos responderam. “É preciso muito esforço mental para manter em mente o que você sabe que disse, o que você acha que o pesquisador sabe e planejar uma maneira de não ser pego”, comentou a autora do estudo Tracy Alloway.” in Crescer

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