“Boa tarde, é da escola do pequeno catita. É a mãe dele?” “Sim…” digo eu já a pensar em “n” razões, nada positivas, porque me estão a telefonar, sendo que a maioria delas incluí algo digno de um episódio da Guerra dos Tronos“Era para avisar que amanhã há visita de estudo.” O meu batimento cardíaco volta ao normal, e o meu cérebro larga a historinha que estava a imaginar, focando-se agora na visita de estudo, cheia de material novo por onde elaborar. Nunca vos aconteceu?

E já repararam que quando perguntamos a alguém “Então, como estás?” abrimos a porta para uma corrente de coisas negativas? E que estas, levam-nos logo a pensar em outras tantas negativas que estão a acontecer na nossa vida? Mas quando alguém diz “Estou óptima e super feliz!”, pensamos “Hum, deve andar a fazer meditação ou qualquer coisa new age!”

Porque raio parece que o nosso cérebro está sempre atento ao que pode correr mal?

Esta caraterística humana que leva o homem moderno ao esgotamento e ao stress, salvou-nos a vida enquanto caminhávamos pela natureza sem fim, rodeados de animais selvagens. O cérebro, funciona como um radar ligado que detecta perigo, e exagera a sua importância para nos deixar física e mentalmente preparados para a ação. Perante um estímulo, se não tivermos conscientes dos nossos pensamentos, entramos num ápice numa espiral de nuvens negras umas atrás das outras que montam um cenário dantesco. Ironicamente, no fim do turbilhão, o estímulo inicial nem aparece na equação.

Na parentalidade, o nosso cérebro está assim, biologicamente ligado ao que pode correr mal. Normalmente vemos o quadro bem mais negro do que parece (negativity bias), e temos bastante dificuldade em aproximarmo-nos de qualquer situação de um ponto de vista neutro, meramente de observador.

Há poucos dias, na reunião de pais do primeiro ano, os pensamentos negativos saltitavam aceleradamente de cabeça em cabeça. As preocupações dos primeiros trabalhos de casa, saltavam para a necessidade de irem para a sala de estudo para fazerem tudo bem, para passarem de ano com distinção, terem boas médias, irem para uma boa faculdade, terem um bom emprego. Ufa. Os pais saíram de lá esgotados, stressados e rodeados de pensamentos-nuvem, apenas com as historinhas que iam sendo inventadas nas suas cabeças.

Mas como posso contrariar esta espiral de nuvens negras?

Está cientificamente provado que para anularmos um pensamento negativo temos de ter 3 positivos. Se o nosso radar está sempre virado para o mau, nunca damos oportunidade para o bom crescer. Por isso, se eu apenas me foco no que corre mal na minha relação com o meu filho, no seu comportamento mais desafiante, nas lutas do trabalho de casa, nunca dou oportunidade para o positivo crescer, nem nele e nem em mim.

Ao alimentar o que não funciona, contribuo para que ele se sinta incapaz, errado, incompetente e sem espaço ou vontade para se focar no que pode fazer bem. Pelo contrário, quando nos sentimos bem connosco próprios, isso naturalmente reflete-se no nosso comportamento e na nossa produtividade.

É igualmente importante perceber que pensamentos, não são factos, e que antes de os aceitarmos como tal, devemos olhar para eles com consciência e distanciamento.

Para treinares o teu cérebro a não ir automaticamente para o dark side, tenho um TPC só para ti! Quando surgir um pensamento negativo, repara nele com curiosidade “Olha eu a pensar nisto!” e compensa com 3 positivos. Vais ver como o pensamento-nuvem desaparece mais depressa do que uma estrela cadente.

Experimenta, e como dizia o Obi-Wan Kenobi “MAY THE FORCE BE WITH YOU.”

 

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Alguém parece ter inventado uma lista de qualidades e habilidades que se deve ter para ser uma ”boa mãe”. Nesta lista infindável, para além de saber cozinhar paleo-chic-bio-gourmet, costurar, fazer os mais variados DIY dignos de uma revista de decoração. Ir ao ginásio com regularidade, ensinar os filhos a serem extremamente precoces numa área qualquer. Levar os miúdos à piscina e sair de lá maravilhosa, e não como alguém que acabou de sair vestida da sauna. Ser capaz de apanhar todas as promoções da história versão “extreme couponing”. Encadernar primorosamente os livros da escola. Identificar TODO o material com dezenas e dezenas de etiquetas, repetindo dezenas e dezenas de vezes o nome dos pequenos catitas… (depois desta leva do regresso às aulas em que perdi a conta das vezes em que escrevi ”Guilherme”, pensei seriamente que era bem mais fácil ter-lhe chamado “Ivo”).

Ser fabulosa a ajudar as crianças com os trabalhos de casa, brincar pelo menos 30 minutos por dia com eles, enquanto se faz uma tarte veggie e meia dúzia de agachamentos. Ou seja, resumindo a “lista” é fundamental trabalhar, ser bem sucedida, uma inspiração para tudo e para todos, dormir no máximo umas 5 horas e acordar cheia de energia. Basicamente, é ser um daqueles copos da minha infância, um sempre em pé.

Quando não são os outros que nos avaliam com tamanha exigência, somos nós. Aliás, nós somos a nossa maior crítica, sempre na primeira fila a apontar o dedo. No entanto, parecemos ignorar o importante facto de todos os dias estarmos lá, a dar o nosso melhor.

Quando mães exaustas me perguntam “Estou a fazer tudo bem?” só me apetece… dar-lhes colo. Somos tão pouco tolerantes connosco. Exigimos tanto. Carregamos um peso tão grande. Queremos tanto fazer a coisa certa. Sempre.

A parentalidade é um caminho. Não há escolhas certas ou erradas. Existem as que nos levam mais perto de onde queremos chegar, e as que nos fazem dar umas voltas à rotunda.

Cada um faz o seu caminho, tal como na vida. Se o meu filho não é igual ao teu, porque é que a minha forma de lidar com ele deveria ser igual à tua? Não haverá uma forma só nossa de sermos felizes? Não haverá uma forma só nossa de sermos mães?

São esses caminhos que cada um tem de descobrir. Quando largamos a lista, o peso, a expectativa, o caminho abre-se, passo a passo, lágrima a lágrima, sorriso a sorriso.

Temos todas muitas dúvidas e medos, desde o primeiro momento. Achamos todas que a mãe que está ao nosso lado, é melhor do que nós, sabe mais do que nós, vale mais do que nós. Mas sabes, aos olhos do teu filho tu és a melhor mãe que ele poderia ter, só pelo simples facto de seres TU a mãe dele.

Em férias, e não só, um dos passeios mais comuns de todos os pais, são as visitas ao supermercado. Todos temos a mesma ideia, ou a mesma necessidade, e os supermercados junto aos locais invadidos nas férias enchemmmmm.

Eu e o pequeno catita fomos à aventura e entrámos num deles. Não tinha hipótese. Eu tinha MESMO de comprar uma série de coisas.
Assim que as portas automáticas abriram, o frenesim começou. Pareciam piranhas que devoravam as montanhas de pão, as paletes de leite, os caixotes de frescos e as frutas empilhadas. Sentia-se uma excitação no ar. Uma urgência. Uma vontade de comprar.

O motor do pequeno catita começou a aquecer. A aquecer. As perninhas a ganhar velocidade… o dedo apontador a esticar… Ui cá vamos nós. “Mãeeeeeee! Eu quero isto! Eu quero aquilo! E bolachas. Estas bolachas. Este sumo! Eu querooooooo!” A minha cabeça rodopiava com tanto pedido.

Quem me conhece, sabe como valorizo uma alimentação equilibrada. As comidas processadas e os refrigerantes não são visitas normais na nossa casa. Tudo para que ele apontava, eram “alimentos” que não me sinto nada confortável em comprar. Enquanto ele apontava e pedia, cada vez com mais insistência, o meu motor também aumentava as rotações. Ou eu começava a disparar “NÃOS!” à velocidade da luz, o que certamente iria acelerar ainda mais o motor do pequeno catita, ou tinha de pensar noutra coisa qualquer. Rapidamente. Tinha de o ajudar a passar do cérebro reactivo para a parte que consegue pensar, equacionar e tomar decisões.

Comecei a pensar em mim. Porque razão é que eu não gosto de comprar aquelas coisas? O que me faz tomar a decisão de comprar ou não? Os ingredientes! Leio sempre os ingredientes e com base nisso, tomo a minha decisão. Decidi dar ao pequeno catita a mesma opção, num jogo acabadinho de inventar, chamado “O incrível jogo do adivinha se isto é bom para a saúde”. As regras eram simples (tinham de ser, foram inventadas ao pé dos congelados e eu já estava cheiiinha de frio). Pegar em cada uma das coisas que o pequeno catita queria comprar, ler cada um dos ingredientes, e deixar a ele a tarefa de, com o polegar para cima, ou para baixo, definir se era um ingrediente fixe, ou nada-fixe.
“3, 2, 1, começar!” Pegou num pacote de bolachas e lá fomos nós: “Farinha de trigo!” E um polegarzinho para cima, apareceu do outro lado. (Este é discutível mas achei que tinha de manter as coisas simples). “Açúcar!” Polegarzinho para baixo. “Butil-hidroxianisol butilado e hidroxitolueno!” Baixou o polegar e largou o pacote. “Não quero isto!” No meio de vários polegares para cima, e muitos polegares para baixo, todos os pacotes ficaram pelo caminho.
Agora com a ajuda dele, voltei às minhas compras. Num instante estávamos de volta ao nosso carro com a bagageira recheada de alimentos avaliados pelo pequeno catita, ao pormenor. MÃE, EU QUERO IR PARA CASA! gritou do banco de trás. “EU TAMBÉM QUEROOOOOOOOOOOOOO!” gritei alegremente do banco da frente.

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Na semana passada o medo invadiu a nossa casa. O pequeno catita tinha medo de fazer cocó e eu tinha medo que ele não fizesse. Depois de uma semana doente, o intestino não estava a funcionar como de costume. Após uma ida à casa de banho mais difícil, o medo instalou-se para ficar.

Desde aí, por muitas explicações conscientes que desse, por mil e uma dicas médicas e outras tantas mézinhas variadas, nada funcionava. Ele não queria ir à casa de banho. Ponto.

A cada dia que passava o medo crescia dentro dele. A cada dia que passava, o medo crescia dentro de nós. Eu conseguia sentir como ele estava sempre assustado, como se sentia sempre encurralado, e isso, estava a dar cabo de mim.

Para nos ajudar neste processo, tentei descobrir mais sobre o medo. Uma das coisas que já sabia, é que deve ser ouvido e respeitado. Mesmo que nos pareça um medo idiota e sem sentido, tal como qualquer emoção, deve ter espaço para existir. É fundamental aceitar o que está a ser vivido do outro lado, ouvir sem tentar mudar nada. Dar tempo para o medo, ao seu ritmo, dar lugar à ação.

Várias vezes engoli o meu medo. Lembro-me que não tinha espaço para ele. Ficava presa nos olhos cheios de expectativas dos outros e enfrentava o que lá vinha. Mas a força motora não vinha de mim, vinha do outro. Eu não estava a utilizar os meus próprios recursos para lidar com a situação, e esta dependência externa apenas aumenta o nosso medo e o nosso sentimento de incapacidade.

O medo é uma antecipação negativa de alguma coisa, só o próprio a pode transformar numa antecipação positiva. Só o próprio pode dar o primeiro passo, de dentro para fora.

Tinha de ser o pequeno catita a decidir que estava preparado e munido dos recursos necessários para enfrentar o que o assustava.

Muitas pessoas encaram o medo como algo muito negativo, mas ter medo é saudável e natural. Coloca o nosso corpo em alerta para quando temos de dar uma resposta rápida a nível físico e mental. Também existem os outros medos que nos limitam, congelam e aterrorizam. Estes devem ser igualmente respeitados, e devem ser olhados como mensagens ou pedidos de ajuda dos nossos filhos.

Segundo a Isabelle Filliozat, é importante dar as informações necessárias à criança sobre o que se está a passar. No meu caso, expliquei ao pequeno catita o processo digestivo de uma forma simples e divertida. Mostrei-lhe como funcionavam todos estes “canos” dentro de nós. Também lhe perguntei o que poderíamos fazer para ele se sentir mais seguro na ida à casa de banho.  Do que é que ele precisava? Surgiu uma lista de coisas: os vários octonautas na beira da banheira a olhar para ele, a música do Despacito a tocar em loope um banquinho colorido para ele colocar os pés enquanto estava sentado na sanita. Segundo ele, este era um “plano perfeito”.

Por vezes, quando confrontado com a iminência de ter de ir à casa de banho a raiva subia-lhe à ponta do nariz. Eu ficava lá, com ele. Presente. O medo e a raiva andam muitas vezes de mão dada. O medo engolido gera raiva. Para transformar o medo, a raiva tem de conseguir vir cá para fora e tem de ter espaço para o fazer.

Filliozat refere algumas das fases fundamentais nesta viagem através do medo onde devemos respeitar sempre o ritmo dos nossos filhos (e o nosso); Primeiro, é essencial aceitar o medo. O que é, como é, sem tentar mudá-lo. Apenas compreender e receber o medo que o nosso filho tem.

Depois, ajudar a criança a aceder aos seus recursos internos. Para isso, contei-lhe de outras vezes em que ele tinha ido à casa de banho, uma delas até tinha sido num avião em pleno voo! Juntos tivemos a tentar adivinhar quantas vezes fez cocó desde que nasceu e descobrimos que, na verdade, ele era um grande especialista no assunto. Relembrámos também outras situações em que ele também teve medo, as ferramentas que usou na altura, e como se sentiu orgulhoso no final com a sua conquista.

Mais tarde, falei de mim. Das coisas que me assustaram e principalmente das vitórias e aprendizagens a que estas deram origem. A nossa experiência com o medo acolhe a deles. Inspira-os e ajuda-os a não se sentirem sozinhos ou tontos com as suas inseguranças. Somos todos iguais. Temos TODOS medo de alguma coisa.

A regra mais importante? Não devemos insistir. A não ser que seja uma situação de vida ou de morte. E não era. Ele tinha de decidir fazê-lo por ele, e não para me fazer a vontade. Ele tinha de se sentir livre para fazer essa escolha. Aí está o poder. Aí reside a nossa força. Aí o medo que inibe transforma-se no medo que estimula à ação.

Um dia, estava na sala e comecei a ouvi-lo cantarolar o Despacito. A música vinha da casa de banho. Alguns minutos mais tarde chamou-me. Quando cheguei estava sentado, olhou-me determinado e disse “Mãe quero tentar. Vou confiar em mim e em ti e vou fazer força.” Estava pronto. Era agora.

Alguns segundos depois, puxávamos o autoclismo em tom de celebração. Se eu tivesse “confetti” tinha feito um pequeno carnaval naquele instante. É muito importante que a criança sinta orgulho na sua vitória de forma a fortalecer e consolidar a sua confiança na vida, e em si mesmo.

E foi assim… tal como apareceu, o medo do meu pequeno catita desapareceu pelo cano.

 

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“Muitas vezes perco a paciência e…grito.”; “Leio os artigos todos e adoro, mas quando estou zangada não consigo aplicar nada.”; Adorava ser uma mãe perfeita como tu!”;  “Sinto-me culpada por não conseguir fazer as coisas de outra forma.”; “ Sinto-me uma mãe-amígdala. Sempre em modo reativo.”

Estes são alguns dos desabafos sinceros que me chegam todos os dias. Muitos pais sentem que não são o suficiente, que não fazem o suficiente e que há sempre uma mãe por aí, que para além de ser maravilhosamente consciente, ainda cozinha comida super-bio-saudável-sem-glúten enquanto faz agachamentos de uma forma mindful e que nunca na vida se zanga ou fica despenteada. Pois. É apenas um mito urbano. Queridas Mães e Pais que me seguem de uma forma muito catita, tenho uma coisa muito, MUITO importante para vos dizer. Preparados? Aqui vai: eu faço muitas, tremendas, idiotas, compridas, peludas e gritantes ASNEIRAS.

Eu não sou uma mãe perfeita, sou uma mãe perfeitamente real

Nos dias em que não as faço para fora, posso fazê-las para dentro, na forma de julgamentos não-foste-uma-mãe-maravilha-hoje.

Cada passo que dou no sentido de ser uma mãe mais consciente, só é dado porque uma asneira se transformou numa aprendizagem. Errar é o primeiro passo para aprender. E na parentalidade o mais importante é o que aprendemos com a relação, com o nosso filho e principalmente connosco próprios.

Se eu fosse uma mãe monstruosamente perfeita iria perder a maravilhosa oportunidade de ser uma mãe real. De mostrar todos os dias ao meu filho como aprendo com os erros, como peço desculpa, como não sei tudo, como preciso de ajuda, como perco a paciência, como resmungo quando tenho sono e… como sou humana.

Aqui não há notas, quadros de honra ou autocolantes por sermos “bons” pais. Há a Vida. Há o dia a dia, onde todos damos o nosso melhor com as ferramentas que temos ao nosso dispor. Se sentirmos que não são suficientes, podemos sempre fazer um upgrade das nossas ferramentas. Vai ser muito útil ao longo do caminho.

A parentalidade não é limpinha, é feita de muitos momentos enrolados num gigantesco novelo com nódoas de comida, lama do jardim e óleo da bicicleta.

É um grande caminho a ser percorrido para dentro e para fora. Passo a passo, asneira a asneira que nos leva, com consciência, aos pais que queremos ser.

Este caminho não é uma autoestrada. É um caminho de terra, com paisagens maravilhosas, zonas áridas e outras mais pantanosas. Em cada pedacinho temos a oportunidade única, se tivermos disponíveis para isso, para aprender. Para nos desmancharmos como uma torre de lego e começarmos tudo outra vez. Mas há peças… ai… que nos custam tanto a largar. Comportamentos e pensamentos que teimam em ficar agarrados. Ainda bem que temos um caminho comprido pela frente, assim temos tempo, de nos dar tempo, para ir largando o que já não faz sentido. E tempo para aprendermos a ser tolerantes e compassivos connosco.

Lembras-te quando o teu filho começou a tentar andar? Quantas vezes foi de rabo ao chão? Quantas vezes se levantou e tentou outra vez? Sabes o que o movia? Era o potencial que ele tinha dentro dele para andar. E, sabes o que vejo em ti? Potencial. Muito. Potencial para crescer. Potencial para caminhar.

Tens agora um caminho aberto à tua frente. Anda, eu ajudo no primeiro passo. Diz-me, que mãe/ pai queres ser?

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O pequeno catita estava esparramado no chão. Rodeado de tudo e mais alguma coisa, estava a inventar mais uma das suas fabulosas máquinas.

Ele imagina máquinas para tudo. Já inventou uma máquina-come-tudo, para levar a comida à boca de forma a não cansar os braços. Uma maquineta-diz-diz que fala por nós quando não estamos para aí virados. E uma, que tem um lugar especial no meu coração, a maquineta-toma-lá-mais-um-fim-de-semana, que produz fins-de-semana à vontade do freguês.

Ele estava tão inventivamente concentrado na sua nova construção que ao receber um “Hora de dormir!” retribuiu em tom metálico e zangado “Nem penses. Não é nada hora de dormir.” Não era bem isso que eu queria ouvir. Era mais um imediato “Claro que sim, mamã!”  Pois, mas é claro que isso não ia acontecer. Ainda mais com a rapidez que eu gostaria.

Voltei a referir que estava na hora de ir dormir e expliquei o quanto era importante para o nosso corpo descansar e dormir várias horas seguidas. Outra tacada do outro lado: “Não faz mal. Amanhã chego à escola várias horas depois.” Já referi que o pequeno catita prima pela capacidade de argumentação?

Após alguns segundos de silêncio, seguiu-se uma explosão de raiva acompanhada por peças voadoras. Como estava tudo dentro das normas de segurança europeias, assisti pacientemente. “Nunca mais vou construir nenhuma máquina. NUNCA MAIS!” gritou. À medida que as peças começavam a cair no chão, as lágrimas começavam a cair também. Baixei-me. Respirei fundo e abracei-o. “Chora. Chorar faz bem. Chora tudo o que precisares” sussurrei ao seu pequeno ouvido.

Alguns minutos mais tarde, sem mais nem menos, levantou-se e foi lavar os dentes.

“Hora da história!!!” gritou feliz da cama. Totalmente admirada com tal mudança repentina, fiquei momentaneamente colada ao chão da sala.

Espera aí. Mas ele não estava danado e preferia arrancar um dente a ir para a cama? Senti-me como se tivesse a fazer zapping. Carreguei no botão e imediatamente mudei de história.

Afinal o que aconteceu? O que mudou o chip dele?

Não foi certamente nenhuma maquineta-maravilha-vai-já-para-a-cama. Na verdade, percebi depois, foi algo bem mais simples. T-E-M-P-O. Eu esperei e dei tempo ao pequeno catita para digerir a frustração que surgiu por ter de largar a sua maquineta. Dei tempo para percorrer os caminhos, puxar as alavancas, rodar as roldanas, até estar pronto para passar do modo inventar para o modo descansar.

O processo é igual para nós. Sempre que algo nos surpreende, aparece em forma de obstáculo, frustração, má notícia, revés ou simplesmente não acontece como gostaríamos, precisamos de nos dar tempo. Precisamos de passar pelo “Não, isto não está a acontecer”, pelo “Porque é que isto me aconteceu a MIM?”. Pela fase de tentar arranjar uma solução de meio termo “E se eu..” até estarmos preparados para receber a tristeza, que estava desde o início à espera para entrar.

Ai. Quando ela chega… Quando nos bate em cheio no peito e a aceitamos. Só aí, aceitamos o que aconteceu. É daqui que tudo cresce. Deste pequeno grande passo. Mas só cresce se o caminho da frustração à aceitação for percorrido, passo a passo, emoção a emoção.

Foi esse caminho que o pequeno catita teve tempo para percorrer. Tempo para a negação (“não são horas de dormir”) e para a raiva. Tempo para a negociação (“amanhã chego mais tarde à escola”) e para a tristeza. Todas essenciais no caminho da aceitação, no corpo e no coração.

A ordem porque passam por nós não interessa. Interessa deixá-las passar. Interessa dar-lhes tempo e, acima de tudo dar-nos tempo, para a seu tempo, estarmos preparados para dar o passo que precisamos.

 

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Era uma festa. Para um pequeno catita de 5 anos, uma das suas coisas preferidas (tirando comer uma banana, claro). Ele adora ver gente junta, feliz e de preferência rodeada de comida. Se no meio conhecer meia dúzia de pessoas novas, aí fica mesmo eufórico.

No meio de toda aquela alegria, apareceu na sala a chorar profundamente. Corri para ele e abracei-o. Estava a tentar perceber o que lhe tinha acontecido. Enquanto ele soluçava sem parar, entre meias palavras, consegui perceber que o seu chapéu colorido tinha voado para qualquer lado. Ele estava triste, mesmo triste. Do nada, apareceu uma senhora, cheia de boas intenções “Não precisas ficar assim! É só um chapéu. Vá, já chega de chorar. Deixa-me ver o teu lindo sorriso!” disse-lhe.

O pequeno catita ainda chorou mais. Ao ouvido dele, enquanto o abraçava, sussurrei “Chora. Chora tudo o que precisares. Eu percebo que estás mesmo triste, era o teu chapéu das aventuras, não era?” Ele chorou mais um bocadinho e quando estava preparado, fomos procurar o chapéu no jardim.

Ver alguém chorar faz disparar algum alarme bem profundo dentro de nós. Só queremos que pare. Mas chorar é um mecanismo que temos para libertar a emoção que estamos a sentir. É uma espécie de cura, de transformação do que nos aconteceu. É quando a emoção está a sair do corpo. O que a senhora lhe disse foi, de certa forma, que a emoção que ele estava a sentir não era adequada à situação. Era uma espécie de “o que estás a sentir não está certo”. É assim tão desconfortável para nós assistirmos às emoções “menos sorridentes” dos outros?

Os pensamentos, emoções e comportamentos da criança devem ser reconhecidos e, não engolidos. Devem ter espaço para existir. Porque eles estão lá na mesma. Se não vêm para fora…vão para dentro. Ficam lá, paradinhos à espera de uma nova oportunidade, mais segura, para saírem cá para fora.

Porque é que acham que muitos pais ouvem que os filhos são fabulosos na escola e em casa só fazem pilharias? Eles estão a exprimir todas as emoções que durante o dia tiveram de ficar escondidas. Estão a trazê-las cá para fora para serem transformadas.

E sabes porque o fazem apenas contigo?

Porque se sentem seguros. Porque sabem, bem lá no fundo, que gostas deles da pontinha das unhas dos pés ao cabelo mais comprido.

Sabem que não precisam de usar a máscara da menina bem comportada ou do melhor aluno da primeira fila. Podem ser simplesmente eles, com tudo o que vai lá dentro.

Como as pessoas falam pouco dos seus sentimentos, muitas vezes sentimos que somos os únicos que temos emoções que nos deixam assoberbados. Sentimos que estamos sós nisto tudo e, que talvez não seja certo sentirmos o que sentimos.

Se permitirmos aos nossos filhos sentir e comunicar o que vai lá dentro, damos-lhes a possibilidade de gostarem de cada cantinho seu, do mais escuro ao mais luminoso. Só assim podemos fazer crescer a sua autoestima, a sua capacidade de empatia e a inteligência emocional.

Ao não negar o que sentimos, tomamos consciência de que não somos as nossas emoções. Elas apenas ficam um pouco, e vão. Como uma nuvem que passa ou uma chuvada que dura apenas alguns minutos antes do sol brilhar de novo.

Se tivermos curiosidade em descobrir o que os nossos filhos estão a sentir, sem tentar resolver o problema, julgar ou controlar, apenas deixando que eles se exprimam, estamos a dar-lhes a oportunidade única de compreender e aceitar o seu mundo interior.

Tu tens um papel MESMO muito importante aqui. Sabes, quando eles são pequeninos, o seu cérebro ainda não está totalmente desenvolvido. As zonas do cérebro correspondentes à relativização das emoções e ao colocar os acontecimentos em perspectiva ainda estão no início da construção. O que domina é a parte do cérebro reptiliana, essa sim, totalmente desenvolvida, responsável pelas emoções mais cruas, como o medo, a raiva, a alegria e o choro.

Nós, pais, somos o sistema nervoso externo dos nossos filhos enquanto o outro ainda está em construção. Eles precisam de nós para os ajudarmos a lidar com os grandes sentimentos que os invadem. Somos nós que temos de lhes dar a mão e os ajudar a passar de um overload emocional para uma zona mais calma.

Passo a passo, enquanto ouvimos com empatia o que está acontecer com eles, vamos criando a ponte entre uma zona e outra. Uma ponte que um dia eles vão, finalmente, ser capazes de atravessar sozinhos.

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Pequeno catita está de molho na banheira. Este é um dos momentos altos do nosso dia, é aqui que conversamos sobre tudo e mais alguma coisa até os dedos ficarem “cozidos” (o sinal secreto de que está na hora de sair).

Numa dessas conversas, ele explicava-me como as pessoas são diferentes. Como umas gritam e outras não. Umas comem bananas, outras ele não percebe porque não comem bananas. Ia explicando que há pessoas grandes, pequeninas, peludas e carecas. E há as zangadas, são as que não estão lá muito felizes no coração, na opinião dele porque não comem bananas suficientes.

No meio de tudo isto decidiu nomear as pessoas de que ele gostava mais de todo o Universo e arredores: “Gosto da mamã… gosto do pai. Gosto de mim… gosto do PUK (é o nosso gato, tivemos uma que se chamava PIN e depois veio o PUK para desbloquear a coisa). Gosto da avó e do avô. Gosto de toda a gente! Gosto de todas as pessoas do planeta!”

Do planeta é muito fofinho e tal, mas aquele “Gosto de mim!” foi qualquer coisa de F-A-B-U-L-O-S-O. Gostar de nós é difícil que se farta. E demora… Temos de escavar, procurar, limpar, trabalhar, dançar, chorar, rir e abraçar tudo o que fomos descobrindo pelo caminho. Agora com os meus 38 anos posso dizer que gosto de mim. Que me conheço, que me descobri, que me aceitei. Sabes, eu era uma maçã vermelhinha, bonitinha, envernizada igual a tantas outras numa caixa do supermercado. Era a criança boazinha, nota 20, quadro de honra. Era assim por fora, reluzente. Mas quando chegamos a casa e abrimos a nossa maçã perfeita, ela está magoada, tem mazelas e toques, tem feridas que nunca mostrou a ninguém, nem a si própria. Gostar de nós é aceitar tudo o que somos. Aceitar de braços abertos as nossas maiores qualidades e defeitos. É sentir que temos espaço para os ter. Saber que somos perfeitos e dignos de amor só por estarmos vivos. É aceitar a raiva, o medo, a frustração. O “eu não sou capaz”, o “eu falhei” e o “eu consegui”. Dar-nos colo como damos ao nosso melhor amigo. É sermos tolerantes connosco como somos com uma criança que dá os primeiros passos. É ser reluzente de dentro para fora.

Quando gostamos de nós, há um peso que nos sai das costas. Um ar inspirador que nos enche os pulmões e nos faz abraçar a vida. Quando gostamos de nós inspiramos os outros a fazer o mesmo. Miúdo, estou tão feliz que gostes de ti. Esse é o passo mais importante para gostares da Vida.  

 

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P A R A B É N S!

Já temos vencedor!

Teresa Apolónia

Por favor envie um e-mail para reclamar o prémio para
uptokids@gmail.com

Obrigada a todos os que participaram, e fiquem atentos aos próximos passatempo!

Up To Kids®

GIVE AWAY | WORKSHOP “O Segredo do Comportamento: O que o teu filho quer dizer-te e não consegue”

 

A Up To Kids® em parceria com a Mãe Catita, vão oferecer uma oportunidade única de estar presente, no dia 13 de Maio, no Workshop “O Segredo do Comportamento: O que o teu filho quer dizer-te e não consegue” e descobrir finalmente o que os nossos filhos nos querem dizer.

São 3h30 de curso, em Lisboa, onde vão ser exploradas as necessidades escondidas nos comportamentos das crianças e como aceder verdadeiramente a elas.

Trata-se de uma ferramenta essencial para todos os pais conhecerem melhor os seus filhos e, a si próprios, o que vai permitir transformar de uma forma consciente toda a dinâmica familiar.

Mais informações sobre o curso: maecatita@gmail.com

 

COMO PARTICIPAR

1. Fazer like nas seguintes páginas de Facebook

Up To Lisbon Kids  e  Mãe Catita

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(Nota: o post está marcado no topo na página de FB, por isso não se vê a partir de telemóvel. Terá de aceder pelo computador, ou clique nos links dos pontos 2 e 3, ou aqui ⇓ nos comentários e vai lá diretamente!)

 

 

(Nota: o post está marcado no topo na página de FB, por isso não se vê a partir de telemóvel. Terá de aceder pelo computador, ou seguir o link )

REGULAMENTO

O passatempo termina às 23h59 do dia 28 de Abril de 2017.

O vencedor será sorteado aleatoriamente através do programa Random.org, será anunciado tanto no site como no post do passatempo no facebook.

Não existe um número limite de participações, no entanto será apurado apenas uma participação vencedora por cada participante.

Este passatempo não é patrocinado, aprovado, administrado ou associado ao Facebook, sendo da exclusiva responsabilidade da entidade promotora. O Facebook exonera-se de qualquer responsabilidade relativamente ao passatempo.

Up To Kids®

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Quando a nossa voz interior nos dá cabo da cabeça

Hoje dei por mim a pensar que a viagem da parentalidade é semelhante a comer um saco de amêndoas deliciosas. Uma a uma sentimos o sabor, valorizamos a experiência, queremos mais. Ficamos tão envolvidos que sem reparar comemos uma atrás da outra, até que, aparece uma bem amarga BLERGHHH!!!  Então o único sabor que fica na boca é mesmo esse, amargo. Um amargo que invade, ofuscando todos os momentos doces e as conquistas que fizemos. Daí a criar um pensamento crítico sobre nós, é um saltinho“Sou uma péssima mãe”; “Nunca estou com os meus filhos”; “A culpa é minha”; “Estou sempre a gritar”.

Estas generalizações ocupam muito espaço e sugam muita energia. São fruto de uma vozinha crítica que vive a tempo inteiro na nossa cabeça. Sabem qual é? Aquela que quando nos baldamos ao ginásio diz “És sempre a mesma coisa, não levas nada até ao fim.” Pode também usar alguma ironia, se tiver uma pontinha de humor britânico “Uauu pelo menos faltas com regularidade, isso deve queimar algumas calorias!”

Mas de onde é que ela apareceu? É que desde que me lembro, ela fala comigo. De uma forma crítica e levemente ácida diz-me que não vou conseguir, que não sou suficientemente boa ou que “isso nunca vai resultar”. O seu tom preocupado ilude, parecendo que até está ali para me ajudar.

Esta voz parece ter superpoderes visionários, muitas vezes usados pelas pais, “Olha, olha que ainda vais cair!” PUM! Criança estatelada no chão. “Vês? Eu avisei-te” sai imediatamente em tom vitorioso.

Este sabotador interno, que acha que não somos merecedores de sucesso, mesmo quando estamos a caminho do êxito dispara um “Hum, isto não vai durar”. É uma espécie de balão gigante cheio de frases desmotivadoras disparadas nas alturas em que precisamos é de compaixão e força.

Se prestarmos bem atenção vamos reconhecer essas frases. Vamos reconhecê-las nas pessoas que fizeram parte do nosso crescimento. Vamos reconhecê-las em momentos da nossa vida em que foram ditas por alguém e as tomámos como verdades. São assimiladas e transformadas na nossa voz interior. A Peggy O’Mara, resume o processo na seguinte frase The way we talk to our children becomes their inner voice.” Ena.

Mas como posso quebrar este ciclo crítico e dar ao meu filho a possibilidade de ter uma voz interior que o apoia, compreende e aceita tal como é?

1- Notando o que digo e quando o digo.
Em que situações o meu crítico está mais ativo? Perceber que triggers despoletam estes pensamentos negativos em mim e conscientemente olhar para eles com carinho. O crítico é desarmado com a compaixão.

2- Questionando.
“Porque é que eu estou a dizer isto?”; “De onde é que isto vem?”; “Acredito mesmo nisto?” Este processo permite tirar-nos do piloto automático negativo e finalmente começar a ter noção e poder sobre os nossos pensamentos.

3- Trocando pensamentos negativos por pensamentos compassivos.
Sê objectivo no que estás a ver à tua frente. Não uses julgamento mas observação isenta. “Reparei que esta semana fui ao ginásio uma vez.” É bastante diferente do “és uma baldas”. Em qual das situações ficam mais motivados para ir ao ginásio? Ah pois é. O mesmo se passa quando falamos com os nossos filhos com uma voz profundamente crítica que sublinha o erro e o falhanço. “Nunca arrumas o teu quarto. És mesmo desarrumado.”

Quando mudo a forma como falo comigo, mudo a forma como falo com o meu filho e dou-lhe a possibilidade única de ter uma voz interior que apoia o seu interior a vir cá para fora brilhar.

Uma voz interior que o recebe de braços abertos e lhe diz “Anda vamos ser felizes! Tu mereces.”

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