Família e a escola – Espaço de relação e de afetos

Não basta a uma criança ter uma inteligência suficiente e uma saúde satisfatória para que se possa desenvolver e adaptar.

Necessita também de uma sensibilidade desenvolvida e de capacidades relacionais que lhe permitam servir-se das suas capacidades físicas e intelectuais.

Um grande número de desadaptações sociais e escolares e de perturbações no comportamento têm origem em dificuldades afetivas. Começamos a compreender que, ao lado da idade cronológica e da idade mental, há uma idade afetiva que é a função do grau de maturação da sensibilidade e que essa maturação é intimamente solidária da maturação da líbido, ou seja, da vida relacional sexualizada, feminina ou masculina.

Se existe um meio onde a sensibilidade relacional desempenha um papel essencial, é a família e a escola. Os laços afetivos que se estabelecem entre pais e filhos são simultaneamente os mais profundos e os mais duradouros. O amor e o ódio, a ternura e a agressividade podem desenvolver-se nesse meio, excluírem-se ou coexistirem, com uma força muitas vezes insuspeitada.

Relações Humanas

Nenhuma relação humana compromete o indivíduo de uma maneira tão total e tão profunda. A relação conjugal dos pais confronta o homem e a mulher na sua mais íntima sensibilidade, ao mesmo tempo, corporal e psíquica. Põe à prova o seu grau de maturidade viril ou feminina. A paternidade e a maternidade põem em jogo os mais poderosos sentimentos. São eles que mais comprometem o indivíduo na afirmação de si mesmo.

A criança imatura, mergulhada no meio familiar e formada por ele, constrói-se interiormente em função das reações afetivas dos pais. Fraca e maleável, a criança é frequentemente tratada como uma “coisa” pelo adulto. Com o pretexto de que não passa ainda de uma criança é sobrecarregada com juízos e apreciações, fala-se dela sem reserva na sua presença como se ainda não existisse como ser humano, quando devíamos tratá-la com o mesmo respeito que se pode ter pela personalidade de um adulto.

A escola, constitui o lugar da primeira aprendizagem relacional no plano social. Conhece-se bem a importância educativa das relações afetivas alunos-professores e dos alunos entre si.

Mas o que não se sabe tão bem é que essas influências afetivas recíprocas não se desenrolam unicamente num plano consciente; elas atuam em profundidade, de um modo inconsciente e sem que os indivíduos o saibam. Essa influência, manifesta-se por vezes num sentido inverso ao do comportamento consciente.

Certa mãe escrupulosa e aparentemente bem intencionada dissimula uma agressividade não menos real que o seu aparente desejo de ajudar a criança.

Determinado pai aparentemente autoritário disfarça a ansiedade e a dúvida de si mesmo.

Determinada criança agressiva e com espírito de oposição busca  inconscientemente auxílio e carinho.

Determinado professor obedece a receios ou a agressividades que alimentam tensões e conflitos, angústia ou indisciplina entre os alunos.

Sensibilidade consciente e inconsciente

Entre o que a criança representa no inconsciente do adulto e o que este pode experimentar conscientemente, há muitas vezes uma considerável diferença. A criança no inconsciente é muitas vezes um símbolo revestido de agressividade, de angústia, de líbido ou de culpabilidade, sem que o educador tenha consciência disso. Destes dois modos de expressão –consciente e inconsciente – da sensibilidade, o mais atuante nem sempre é a sensibilidade consciente. A sensibilidade consciente de si mesma, dominada e elaborada pelo psiquismo do indivíduo, é menos exigente do que a sensibilidade inconsciente.

Esta última, devido à sua natureza profunda e inacessível ao domínio do indivíduo, continua compulsional e tirânica.  Pode ser recalcada, mas não dominada. Mantêm a sua intensidade e o seu poder animal. O inconsciente só conhece a lei da satisfação imediata. E essa violência instintual do inconsciente mantém-se enquanto não tiver sofrido, por intermédio da relação com o outro e pela mediação da palavra, o freio da realidade exterior. O poder absoluto enlouquece, dizia Platão.

O mesmo é dizer que o poder absoluto dos educadores não deve estar subordinado às exigências dos seus desejos inconscientes.

Por Paula Norte, psicóloga, para Up To Kids®

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Bullying – O que é já eu sei! Quero é saber… o que posso fazer!

São cada vez mais os pais que nos chegam assustados, sem saberem o que fazer e como ajudar os seus filhos perante situações de bullying. Em primeiro lugar precisamos saber sobre o conceito para conseguir distingui-lo das desavenças e zaragatas normais entre as crianças e adolescentes. Só assim é possível estar atento e agir eficazmente.

Estamos a falar de bullying quando uma criança é exposta a ações negativas por parte da mesma pessoa ou grupo, de forma intencional, repetida e contínua ao longo do tempo. O bullying pode assumir diversas formas, tais como, violência física, emocional, cultural, do tipo racista, ciberbullying. Os estudos dizem-nos que os rapazes tendem a utilizar com maior frequência a agressão física como método. Já as raparigas frequentemente optam por a agressão sob forma indireta, através da humilhação, “maldizeres”, boatos.

É importante não esquecer que os desentendimentos entre crianças são conflitos normais no desenvolvimento sendo que por norma resolvem-se rapidamente. O bullying não faz parte do desenvolvimento normal das crianças, é uma forma grave, intencional e continuada da agressão! Ser vítima pode deixar marcas na vida de uma criança. Pode levar ao desenvolvimento de medos, sentimentos de inferioridade, ansiedade. Em casos mais graves pode até levar a autoagressões ou até mesmo ao suicídio.

Deixo-vos alguns sinais, podem estar associados a situações de bullying: esteja atento a alterações de humor; a maior dificuldade na atenção/concentração; medos; pesadelos e dificuldades em dormir; baixa autoestima; recusa em ir para a escola (constantes dores de cabeça, de barriga….); roupa e material perdido ou estragado; nódoas negras, hematomas.

O que se pode, então, fazer?

Na realidade cada pessoa pode fazer a sua parte. Eis algumas dicas sobre o que podem e devem fazer com os vossos filhos:

  • Conversar abertamente com os filhos sobre o bullying incentivá-los a contarem os problemas sem julgamentos ou criticas;
  • Conhecer os amigos dos filhos, saber o que estão a fazer, onde e com quem estão;
  • Evitar os programas e jogos que apelem à violência;
  • Conversar com os professores, diretores de turma e conhecerem a situação escolar dos filhos (rendimento escolar, amizades, comportamento…);
  • Estar informado sobre o regulamento da escola aquando situações de violência;
  • Promover atividades, do interesse dos filhos e que fomentem a cooperação, solidariedade, partilha;
  • Ensinar as regras sociais e promover a resolução de conflitos sem violência ou agressão.

Na escola pode ser igualmente importante refletir em conjunto com os alunos sobre o bullying, criando dinâmicas que promovam a valorização de si e dos outros, desenvolvimento do autoconceito, assertividade, trabalho ao nível das competências pessoais e sociais.

Não podemos esquecer que se a criança estiver a ser vítima de bullying temos por obrigação protege-la. E por isso, deve sempre denunciar ao conselho executivo da escola! Escola e pais devem enfrentar o problema juntos. A situação denunciada deve ser acompanhada e o agressor deve sofrer uma consequência disciplinar adequada, de forma  a que a segurança da vítima seja garantida. As consequências têm de ser justas, adequadas à idade, imediatas e de fácil monitorização (ex.: serviço comunitário dentro da escola…). Não se esqueça, nunca desvalorize a queixa nem a considere exagerada! Deve-se averiguar a veracidade e agir em conformidade. A criança deve ser ouvida e apoiada pelo adulto. Tente manter-se calmo e paciente. Não a culpe por ela não se defender, opte por elogiar a coragem que teve em denunciar.

Escola e pais devem estar atentos e intervir de forma imediata! Diariamente monitorize para perceber se as agressões terminaram (não faça um questionário…apenas 2 ou 3 questões). Não incentive a retaliação. A criança deve enfrentar o agressor sem utilizar os mesmos comportamentos de que foi alvo. Agressor e vítima devem ser referenciados para apoio psicológico e/ou outros adequados à situação (exemplo: comissão de proteção de crianças e jovens em risco, polícia…).

Quer na escola quer na família podem ser desenvolvidas algumas dinâmicas e/ou tarefas anti-bullying:

  • divulgação do bullying (cartazes, teatros, trabalhos de grupo, filmes);
  • transmitir, ensinar e refletir sobre a resolução de conflitos (manter a calma, descrever a situação – antes e depois, identificar sentimentos, procurar soluções, escolher a solução adequada);
  • ajudar as crianças a identificar os agressores, a quem recorrer, trabalhar os sentimentos e emoções;
  • realizar atividades sobre a amizade (exemplo: o que é um amigo? Como podemos ser amigos? Como demostras?)

Lembre-se que não podemos mudar o mundo nem solucionar todos os casos mas podemos e devemos ter um papel ativo. Saber e nada fazer é uma forma errada de ajudar. Mudar simplesmente o aluno (seja ele a vítima ou o agressor) de escola não é solução! Existem caraterísticas que (sem serem trabalhadas) se irão manter no aluno/a mesmo que mude de escola.

Tenha presente que maltratar o agressor não resolve a situação e, na maior parte das vezes, apenas serve para fomentar ainda mais a violência ou para que o agressor desenvolva estratégias ainda mais elaboradas. Embora não seja fácil criar empatia com os agressores, é possível ajudá-los a lidar com os seus sentimentos e a alterarem os seus comportamentos. O bullying é um comportamento aprendido e por isso pode ser alterado!

Estou disponível para qualquer dúvida e/ou questão.

Por Ana Filipa Ricardo, Psicóloga para Up To Kids®

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Quando Procurar um terapeuta da fala?

Ao contrário do que muitas vezes é sugerido podemos recorrer a um terapeuta da fala, mesmo quando ainda não sabemos falar. Por diversas vezes ouvimos como é prematuro iniciar terapia da fala antes dos 3 anos de idade, mas a idade não é o factor determinante para procurar ou não a opinião de um Terapeuta da Fala, mas sim as dificuldades que a criança poderá apresentar. A intervenção precoce ajuda a prevenir problemas que podem comprometer uma aprendizagem saudável e um normal desenvolvimento.

Sempre que se verifiquem alterações no domínio da comunicação, linguagem (oral ou escrita), articulação, fluência, voz, audição, motricidade orofacial, sucção, mastigação e deglutição, deve-se recorrer à avaliação de um especialista.

É importante que os pais estejam atentos a variados sinais de alerta ao longo do crescimento da criança, permitindo diagnosticar precocemente possíveis patologias e intervir adequadamente.

 

Sinais de alerta no desenvolvimento da comunicação e linguagem*

Idade

Sinais de alerta

0-2 m

– Não reage aos sons e ao meio.- É demasiado irritável e sonolento

2-4 m

– Não sorri- Não discrimina vozes familiares- Chora ou grita sempre que se lhe toca

4-6 m

– Tem falta de interesse pelas pessoas e pelos objectos- Não localiza ou deteta um som- Não vocaliza ou deixa de emitir sons

6-8 m

– Não faz trocas de diálogos, conversas- Não faz balbucio ou vocaliza de modo monótono- Não faz ou não mantém contacto ocular

8-12 m

– Apenas compreende linguagem acompanhada de gestos- Não entende “adeus” para ir embora- Não responde ao nome

– Não olha para a mãe ou pai em resposta a um pedido

– Não imita acções e sons familiares

– Vocaliza pouco e não faz um pedido de forma clara

12-18 m

– Compreende poucas palavras ou frases- Não usa palavras ou deixou de usar- Não imita e não balbucia

– Não aponta

– Não olha quando o chamam

18-24 m

– Não sabe o nome de objectos familiares- Não responde a ordens simples- Não faz pedidos

– Tem vocabulário reduzido

– produz poucas consoantes

2-3 anos

– Não responde a perguntas fechadas (“sim” e “não”)- Não aponta para partes do corpo a pedido- Só usa palavras simples e não combina duas palavras

– Não tem intenção de comunicar

– Repete o que os outros dizem, mas não responde ou interage com o outro.

3-4 a

– Tem uma compreensão fraca e não executa ordens de duas ideias- Não responde ou não faz perguntas- Tem dificiculdade em exprimir-se e fá-lo essencialmente por gestos

– Usa apenas frases simples e curtas

– O discurso é imperceptível para estranhos

4-5 a

– Não diz o nome das cores primárias- Não responde a perguntas: “O que é?”, “Porquê?”, “Como?” e “Quanto?”- Não usa a linguagem socialmente

– Não faz diálogos

5-6 a

– Pronuncia mal as palavras- Não conta o seu dia a dia, nem histórias- Não usa Frases complexas e não compreende noções de tempo e espaço

– Não usa pronomes possessivos

>6 anos

– Não mantém o tópico de uma conversa ou responde fora do contexto- Precisa de repetição constante quando se pede algo- Tem dificuldades na rima e nos sons das palavras

*Adaptado de: “O gato comeu-te a língua?” de Joana Rombert

 

Para além destes sinais de alerta é de ter em atenção também se a criança:

não faz sucção; tem dificuldades em engolir e/ou engasga-se com muita frequência; baba-se muito e tal não é justificado pelo surgir da dentição; não mastiga, prefere tudo passado a sólidos; gagueja há 6 meses de modo persistente ou cada vez de modo mais acentuado.

Se observar alguns destes sinais de alerta existem razões para pedir uma avaliação ao Pediatra ou Terapeuta da Fala. É importante detectar alguma alteração no desenvolvimento da criança o mais cedo possível , uma vez que a intervenção terapêutica apresenta um prognóstico tanto mais favorável quando mais precocemente for iniciada.

No entanto, a deteção mais tardia das dificuldades não impede uma intervenção bem sucedida. Esta poderá ser mais demorada, uma vez que a criança terá que reaprender novos comportamentos linguísticos, comunicativos e/ou musculares, tendo que substituí-los pelos padrões que entretanto foi automatizando.

 

Marta Nunes, Terapeuta da Fala na Psicomindcare

para Up To Kids®

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Os T.P.C. são um tema sensível e que tem vindo a ser a razão de muitos ataques de nervos não só dos filhos, mas também dos pais.

“Não temos tempo”, “Para além dos T.P.C ainda traz as tarefas que não concluiu nas aulas”, “O meu filho tem tantos trabalhos!”, “Chegamos tão tarde…tomar banho, jantar…e os T.P.C. ..!”, “Nós não sabemos como ajudar, na nossa altura não era nada assim”, “O meu filho distrai-se com tudo… é angustiante a altura de fazer os T.P.C.!”, “A professora do meu filho manda muitos trabalhos”.

É provável que muitos se identifiquem com estas afirmações. As preocupações são imensas, e por muito que queiramos por vezes torna-se difícil de gerir. São raras as crianças e os jovens que aderem facilmente à realização dos T.P.C  sem que se oponham ou façam birras. Querem outras coisas – jogos, televisão – que nos dias de hoje são elementos que competem com a realização dos trabalhos de casa.

Não menos importante é facto de depois de um longo dia de trabalho certamente pais e filhos quererão aproveitar os momentos em família com algum prazer e qualidade, pelo que em muitos casos os trabalhos de casa surgem como uma enorme dificuldade ao tão desejado bem-estar familiar. Muitas famílias têm de facto dificuldade em gerir os trabalhos de casa. Alguns pais apresentam um nível de escolarização inferior aos dos filhos, outros têm por vezes expectativas baixas sobre as suas capacidades pois vêem-se confrontados com programas escolares diferentes dos do seu tempo, e porque de facto se apercebem de que as aprendizagens e a forma como os professores actualmente dão a matéria, são de facto diferentes. No entanto, o acompanhamento dos pais na realização dos trabalhos de casa é fundamental sendo por isso importante organizar o estudo em casa.

Os trabalhos de casa são uma boa oportunidade para os alunos aprenderem e por outro lado, uma forma de os pais se envolverem na educação dos filhos. A verdade é que o interesse que os pais demonstrem pelos trabalhos da escola pode promover o entusiasmo das crianças pela escola e pela aprendizagem, desenvolvendo expectativas positivas e fomentando a aprendizagem, tornando-a divertida e para a qual o esforço valerá a pena.

É importante por isso perceber porquê que os professores enviam trabalhos de casa.

Na verdade, o trabalho realizado em casa pode ser muito útil para as crianças, de diversas formas:

  • Ajudá-las na aprendizagem de recursos (enciclopédias, bibliotecas…);
  • Ajudá-las a explorarem temas para os quais não tiveram tanto tempo em sala de aula;
  • Prepará-las para as matérias que serão dadas no dia seguinte;
  • Praticarem e reverem as aprendizagens das aulas;
  • Promover o trabalho de forma independente;
  • Promover a responsabilidade pessoal e a auto-disciplina;
  • Promover a gerir o tempo e a cumprir prazos;
  • Estimular o gosto pela aprendizagem.

Os T.P.C. não devem ser usados como um castigo. Devem ser uma experiência positiva e que contribua para as aprendizagens realizadas na escola, quando os exercícios são significativos e concluídos com êxito, apresentados ao professor e lhe sejam realizados comentários construtivos.

Não existe um número fixo de trabalhos a enviar para casa. Nos primeiros três anos de escola, podem ajudar as crianças a desenvolver hábitos e atitudes positivas face à escola e às aprendizagens e por isso é importante que não excedam os 20 minutos por dia. Do quarto ao sexto ano, podem servir como apoio ao desempenho académico, em pequenas quantidades de trabalhos que aumentem gradualmente em cada ano e que devem ser realizados entre 20 a 40 minutos por dia. Nos anos mais avançados os alunos que realizam trabalhos de casa são os que têm melhores resultados académicos, podendo a sua realização chegar até às 2 horas diárias.

Mas como já referi não existe um número exacto que deva ser estabelecido, até porque o tempo despendido dependerá também, entre outras coisas, das dificuldades da criança e do seu ritmo. Se por algum motivo estiver preocupado com a quantidade seja ela muita ou pouca deverá conversar com o professor e expor a sua questão para que em conjunto consigam encontrar estratégias que se adequem a cada problema.

Apesar das dificuldades que surgem como podem os pais ajudar na realização dos trabalhos de casa?

  • Valorizar os trabalhos de casa – as crianças devem saber que quer os pais quer os adultos que a rodeiam consideram os trabalhos de casa importantes, pois esta pode ser uma boa razão para que os façam com interesse;
  • Local onde se estuda – fica ao critério de cada família, não são precisos muitos recursos, não importa se é na sala, no quarto, na cozinha. Certifique-se apenas de que tem muita luz e silêncio. Tente evitar factores que possam distrair (televisão, telemóvel);
  • Definição de um horário – estabeleça um horário regular e que possa estar visível a todos, para evitar esquecimentos. A sua definição dependerá de cada família, das suas rotinas, da idade da criança. Se há actividades (natação, música…) poderá ser um horário mais flexível de acordo com as actividades e os dias da semana;
  • Materiais – identifique e forneça os materiais necessários ao estudo (lápis, caderno, dicionário…), que devem estar arrumados de forma a evitar que a criança perca tempo à procura deles. Por vezes, o computador pode ser um óptimo recurso à aprendizagem. Se não tiver poderá recorrer a uma biblioteca pública local ou até mesmo à biblioteca da escola;
  • Negociar o tempo para trabalhos de casa e por exemplo para ver televisão ou jogar;
  • Demonstre interesse pela escola, o que aprenderam, o que foi discutido. Peça-lhe que leia uma historia em voz alta ou que fale sobre alguma visita de estudo na qual participou;
  • Participar em actividades da escola (reuniões de pais, eventos) pode ser uma boa forma de criar uma rede entre a família e a escola;
  • Não substitua o seu filho na realização dos trabalhos – permita que trabalhem sozinhos com os seus problemas e erros;
  • Observe o seu filho e tente perceber de que forma aprende melhor, se prefere estudar sozinho ou acompanhado. Pode por exemplo realizar os T.P.C. com um irmão ou colega. Se aprende melhor a ouvir a matéria para fixar melhor, se a visualizar imagens ou desenhos.
  • Em conjunto com o seu filho pode apoia-lo a estruturar o trabalho – seleccionar conteúdos, fazer rascunhos, pesquisas, rever e completar um trabalho;
  • Conversar sobre os trabalhos ou testes – peça-lhe que repita por palavras suas instruções que tenha lido, questione se existem palavras que não tenha percebido, de que forma poderá ele descobrir o seu significado, o que irá fazer após terminar o trabalho;
  • Reforce positivamente o trabalho – as crianças (e todos nós) sentem necessidade de saber se o que fazem está ou não bem feito. Quando errar, opte por pedir-lhe que repita e elogie a seguir, é preferível do que dizer que ele fez tudo mal.

Se sentir que existe muita tensão e que de facto a realização dos trabalhos de casa está a causar muitos aborrecimentos, converse com o professor. Por vezes existem dias em que há muitos trabalhos e noutros não há nenhuns. A melhor forma é abordar a escola e em conjunto definir estratégias que melhor se adequem a cada caso. Os professores não conseguem ter tempo para adaptar os t.p.c. às necessidades de cada um dos seus alunos, todos os dias. Opte por conversar com o professor valorizando o trabalho e permita que se encontrem soluções adequadas.

Quando as dificuldades persistem e as estratégias não são suficientes, não hesite e peça ajuda a um técnico especializado.

Espero que vos tenha sido útil!

Boas Leituras!

Ana Filipa Ricardo, Psicóloga Educacional PsicoMindCare – Associação de Psicologia, para Up to Kids®

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