Quando decidi escrever sobre o Bernardo Pinto Coelho pensei, “é tão fácil escrever sobre uma pessoa como o Bernardo”. Quando abri uma página do Word para começar a escrever, bloqueei! Não é fácil escrever sobre alguém que admiramos…

O Bernardo é uma daquelas pessoas que conheço desde sempre aqui da minha terra, Cascais.Todos os nossos amigos falam do Bernardo como um grande amigo, uma excelente pessoa e portador de um coração do tamanho do mundo. Vejo-o sempre de sorriso na cara e com muito boa onda!

Foi através dele que fiquei a conhecer melhor a sua doença, Esclerose Lateral Amiotrófica e também o “Ice Bucket Challenge”, o desafio que veio contribuir para uma causa, até então, tão pouco divulgada a APELA (Associação Portuguesa de Esclerose Lateral Amiotrófica)

O desafio consistia em despejar um balde de água gelada pela cabeça abaixo (analogia ao sentimento de quem recebe a noticia desta doença). Depois, a pessoa que aceita o desafio transferia aquilo que podia para o NIB da APELA e, com as visualizações do seu vídeo, conseguiria divulgar esta causa. Uma forma de marketing sem custos para a causa!

Foi também nesta altura que fui ler sobre a doença… e engoli em seco:
A esclerose lateral amiotrófica (ELA), é uma doença neuro degenerativa progressiva e fatal, caracterizada pela degeneração dos neurónios motores das células do sistema nervoso central que controlam os movimentos voluntários dos músculos. Sem cura…

“Oh que caraças! Mas que porcaria de doença esta que tinha que aparecer a uma pessoa tão impecável como o Bernardo?!”

Fiz o desafio do balde, apesar de naquela altura haver já muita gente a pôr em causa o objetivo do mesmo, dizendo que eram apenas modas… bem, há de tudo na vida. Mas mais grave, na minha opinião, é quando não temos capacidade de assumir de que afinal até nos enganamos de vez em quando …
Facto: Ficámos todos a conhecer a doença e entraram algumas ajudas monetárias para as associações da ELA, tanto em Portugal como a nível mundial. Objectivo atingido!

O Bernardo tem sido uma enorme excepção àquilo que costuma acontecer a quem tem esta doença. Os médicos estão impressionados com os resultados das suas mudanças no estilo de vida: Treina diariamente durante algumas horas, mudou a sua alimentação… e agora até escreveu um livro muito especial no qual conta a sua vida com ELA:

“O que EU aprendi com ELA”:
“A Bernardo Pinto Coelho foi-lhe diagnosticada Esclerose Lateral Amiotrófica (E.L.A.). Sendo uma doença neurológica degenerativa, progressiva e rara, sem cura prevista pela medicina, os tratamentos são escassos e o processo de aceitação interior difícil. No rescaldo da batalha que travou consigo mesmo, Bernardo percebeu que o segredo está em aceitar o que de bom e mau acontece na vida, em acreditar que se se entregar a Deus com um sorriso interior, o retorno será bem melhor do que se continuar revoltado e queixoso e, em lutar muito porque nunca foi de desistir. «Parar é morrer!» Com uma força capaz de mover montanhas, Bernardo com a ajuda de seu pai, o médico Manuel Pinto Coelho, do psicólogo Carlos Fugas, do neurologista Mamede de Carvalho, da médica anestesista Maria Francisca Almeida, da terapeuta Filipa Pinto Cardoso, da fisioterapeuta Catarina Guedes e de toda a família, amigos e namorada, segue uma estratégia para si delineada que assenta em cinco pilares fundamentais – mente, alimentação, exercício físico, suplementação e psicoterapia – com a cura e a perspetiva de poder voltar a correr um dia no Guincho como meta.”

O livro é muito bom de se ler e tem uma escrita fluída que nos prende do princípio ao fim. A lição de vida serve para todos nós com ou sem ELA! Lembra-nos da importância de aproveitar a vida respeitando SEMPRE o veículo que nos é atribuído desde o início, o nosso corpo!
Ouvi-o há pouco tempo numa entrevista e uma das frases que reti e vou tentar lembrar-me todos os dias: “Amar como se não tivéssemos sofrido”

O Bernardo é uma força da natureza e a energia que o move é sem dúvida o AMOR… Eu vou correr no Guincho com o meu amigo Bernardo! E VOCÊS?!

Inês de Santar,
para Up To Kids@

 

Todos os direitos reservados

Reparei que estava outra vez com aquela tosse nervosa. Olhava para o infinito. Dois sinais de que algo a preocupa bastante. Fiquei a olhá-la pensativa, o que é que se passa naquela cabecinha que ainda nem uma década tem? Antes de lhe poder perguntar alguma coisa, ela quebra o silêncio e fixa os olhos nos meus. -… e se eu tiver negativa, o que é que me acontece? Nunca valorizei ou fiz parte deste “movimento” excessivo relativo a estes meses anteriores aos exames nacionais. Agir com naturalidade é, a meu ver, uma boa maneira de descomplicar. É, é um exame, mas é tão importante como qualquer outro teste durante o ano lectivo. E ponto final! Se a coisa não correu bem o ano todo, não será agora que vai brilhar e vice-versa. Também não concordo com este “método” de não os chumbar. Não conseguiram aprender a matéria indicada e passam para o ano seguinte sem a saberem?
Não acontece nada de especial querida!
-Não?!
-então porque é que haveria de acontecer alguma coisa de diferente?
-Mas a Mãe fica triste?
-Não querida, claro que não. Tu és aplicada, dás o teu melhor.

São tantas páginas e só temos 90 minutos...
O exame foi preparado de propósito para que fosse possível acabá-lo nesse tempo. Por isso não tens de te preocupar com isso.
-Ok!
Fui premiada com um sorriso aliviado. Sossego. Hoje em dia, a necessidade de que as crianças sejam os melhores a “tudo” ultrapassa, em larga escala, o limite do razoável. São como cavalos de corrida nos quais se aposta em grande: Escolas bem posicionadas no ranking nacional (só ouvi falar dos “rankings” há pouco tempo); conservatórios bem conceituados; aos 6 anos já são federados em qualquer coisa; andam em centros de explicações (mesmo quando não há necessidade disso). É bom que sejam bons alunos, mas não é obrigatório. Aliás, se o intuito é serem super-inteligentes, há que notar que os “maiores cérebros” não são/não foram alunos brilhantes. Não querendo comparar, mas comparando, com o meu tempo (é fácil cair nesta tentação), nós não éramos bons a tudo! Havia os que tinham mais jeito para as “letras” ou “matemáticas”, desporto e por aí fora. Mas acima de tudo, havia sempre tempo para brincadeira. Brincávamos imenso! Hoje em dia brincam no recreio (ainda no contexto escolar) e depois já não há mais tempo para brincar porque se metem as actividades e os estudos até ficarem esgotados. Quando chegam a casa, já só querem uma actividade na qual estejam sentados ( tablets, computadores, televisões e consolas). Não contentes ainda os pressionamos no que diz respeito aos exames (?). E quando crescerem, como é que vamos reagir quando nos apercebermos que são adultos infelizes e que nunca se souberam divertir? Que se continuam a esforçar imenso, e até sofrem com isso, para conseguirem ser bons a tudo em vez de se concentrarem naquilo em que são naturalmente bons? Como é que vamos reagir se só forem bons em profissões que não exijam uma formação superior? E quando concluirmos que andámos a apostar rios de dinheiro “no cavalo errado”? “No meu tempo” (e caio de novo na tentação) aprendíamos a ser crianças … porque essa é a aprendizagem que carregamos connosco a vida toda, que nos ensina a rir de nós próprios, que nos faz sentir uns jovens aos 80 e que nos ajuda a levar a vida de uma forma mais alegre e descontraída. Saber brincar é ter sempre um lado de criança dentro de nós, mas ser levado a sério mesmo quando passamos a vida a rir!

 

Imagem capa@asbeiras.pt/

Hoje é assim que vos escrevo, como filha-da-Mãe!
Tive a sorte de me calhar na rifa uma Mãe super-especial.
Desde que não andássemos ao estalo e que não gritássemos muito (até era bem tolerante a nível de decibéis), não se chateava. Atenção que nós somos cinco galinhas e um galo, o mais novo, que ainda hoje encolhe os ombros e franze o sobrolho quando começa a confusão. Sim, nós ainda somos e seremos para sempre, uns grandessíssimos filhos-da-Mãe! Uma vez filho-da-Mãe, para sempre filho-da-Mãe.

Em criança: estraguei bonecas acabadinhas de receber, para as ver por dentro; parti muita loiça; preguei várias chapadas nos meus irmãos; parti a cabeça a uma das minhas irmãs; fiz umas pinturas rupestres no sótão lá de casa; cuspi do primeiro andar da casa para quem fosse a passar na rua; alinhei com a maluca da minha irmã mais velha em telefonemas ao calhas para dizer coisas parvas; empoleirei-me em sítios bem altos, etc.

Como adolescente: avisei os meus pais que aos 18 anos me pirava de casa; roubei o carro da minha Mãe (várias vezes) e fui até ao guincho com amigas, para além de ter sido apanhada a guiar sem carta e de um dia ter tido a lata de pedir a uns polícias que me ajudassem a pegar o carro; achei que os meus pais estavam contra mim; o meu Pai dizia-me para estar em casa às 22h00 e eu entrava pela porta de entrada e, quase de imediato, saía pela porta da cozinha; andava de mota e de jipe pela serra e na areia, tantas vezes que me perdi…

Como jovem adulta: achei que ia conseguir alugar uma casa e enganei-me; apaixonei-me e desapaixonei-me; chorei muito; fui hipocondríaca; fiz retiros; apanhei aviões para perder o medo de voar; comprei um carro e viajei pelo país; fiz directas atrás de directas; desisti de estudar porque quis ser instrutora de fitness (eu sei, não faz sentido, mas também cheguei a essa conclusão); voltei a estudar porque afinal era preciso; apaixonei-me outra vez e em 6 meses fui viver com o meu príncipe encantado, para os EUA; liguei de Las Vegas a avisar que me tinha casado…

Como adulta, pergunto: Mãe, como é que conseguiu ser mãe-desta-filha sem ter que ser internada numa instituição, ligada a calmantes e anti-depressivos para todo sempre?

Ser Mãe é ser MUITO LOUCA!

OBRIGADA A TODAS AS MÃES!

 

Passamos a vida a criticar o método (de vida) do vizinho. A facilidade com que se entra no bullying apenas com o intuito de ficar a olhar de “CIMA”, e de nos sentirmos seres todos poderosos. Há mesmo quem só tenha graça a falar mal dos outros.

As redes sociais vieram aumentar fenómenos de grupo perigosos. As pessoas unem-se para apontar o dedo a um pobre coitado que errou. Errou na cor das cuecas, ou na quantidade de sopa que dá aos filhos, errou porque gasta o dinheiro onde bem lhe apetece. ERROU! O estúpido ERROU!!!

E merece que todos os outros que “nunca erraram”, demonstrem desagrado e até que aproveitem para achincalhar a pessoa em questão. Depois de o verem espezinhado e completamente nu, aparecem as vozes protectoras com o intuito de demonstrar que também sabem ser bons samaritanos. No dia seguinte já ninguém se lembra de nada. Passou! Aquilo que parecia ser algo de extrema importância, deixou de ser assunto de conversa. ACABOU!

Mas, o ciclo começa de novo e repete-se vezes sem conta. Atenção! Por vezes não houve erro da parte da “vítima”, só não fez aquilo que toda a gente faz: leva os miúdos ao colégio no seu desconfortável topo de gama da ferrari; dorme em lençóis de seda de tal forma bons que quando entra na cama sai a escorregar pelos pés; convida a Madonna ou o Tony para animar a festa do filho de 3 anos; passa a vida a partilhar fotografias dos pés cheios de calos, em praias paradisíacas; não sabe andar de saltos agulha, mas anda; expôs-se demais; porque lhe pedimos a opinião e não ia de encontro à nossa… Discutir este tipo de coisas é importante! E leva-nos a … quer dizer… é bom para???? Ahhh! Exactamente! NADA! Enche-se o ego, vomita-se umas palavras lindas de morrer (muito convincentes) e dá-se umas sovas em pessoas que não são como nós. Sim, inteligente! Quando tantas vezes se escondem atrás de um ecrã, de um perfil falso ou de uma religião (que me perdoem esta da religião, mas ultimamente é com cada beata sonsa, achei que esta geração era mais evoluída neste aspecto). Apenas para poderem deitar cá para fora e inundar o mundo com toda a sua raiva e inveja. Única e exclusivamente por não conseguirem viver as suas aborrecidas vidas.

Meus amigos, não me estou a excluir… também eu já caí nesta estupidez! Partilhei a minha opinião, igual à de outras 20 pessoas… como se a minha opinião trouxesse algo de novo. Neste caso é apenas mais uma pedra que se atira! Todos temos alguma maldade dentro de nós …. é verdade. Mas também temos um lado bom que nos leva a ser auto-críticos e a descobrir estes erros que vamos cometendo.

Exigimos dos outros aquilo que nunca poderíamos exigir de nós próprios? Qual o objectivo?

“A primeira página do jornal de hoje embrulha o peixe de amanhã”

 

Imagem capa@shifter.pt

“Que o teu remédio seja o teu alimento, e que o teu alimento seja o teu remédio”

Já dizia Hipócrates, o conhecido pai da medicina. E este senhor já viveu há tantos, tantos anos! Deixou-nos ferramentas que nós teimamos em só nos lembrar quando a desgraça bate à porta.

Em que século é que vivemos afinal?

  • Temos à disposição todas as informações necessárias para evitarmos gravidezes e doenças venéreas na adolescência (e não só), mas continuam a acontecer aos pontapés.
  • Vamos muito mais ao médico, mas a obesidade/tensão alta/colesterol alto/diabetes e afins, são cada vez mais frequentes nas CRIANÇAS.
  • Sabemos o que nos faz mal à saúde mas ficamos admiradíssimos quando finalmente chegam os resultados das asneiras.
    ( – A senhora está com obesidade mórbida. – Obesidade mórbida? Mas eu nem como muito… – Esta é uma clássica que todos os nutricionistas bem conhecem )

TEMOS A INFORMAÇÃO DEBAIXO DO NARIZ MAS NÃO A SEGUIMOS.

Afinal somos burros ou não estamos, nem queremos estar, atentos?

A educação alimentar faz parte daquilo que é suposto transmitirmos aos nossos filhos. É mais fácil dar-lhes um bolo numa pastelaria do que pedir uma sanduiche? Ok, eles ficam mais contentes com uma bola de berlim com creme ou outra porcaria qualquer. Mas as maiores provas de amor que lhes damos na vida é não lhes dar tudo e educá-los não só para serem felizes mas também para serem saudáveis… porque sem saúde não há pessoas felizes e com “tudo” a vida deixa de ser um desafio.

Precisamos de um programa sobre os perigos do açúcar para realizar que não nos faz falta porque está presente nos produtos naturais?

Há quem culpe os media e a forma como as marcas apresentam os produtos, muitas vezes “sem açúcar”/ “sem gordura”. Lá caímos nós nas tentações das promoções e embalagens bonitas! E porque é que há cada vez mais variedade de sumos, ice teas, iogurtes e cereais? Porque nós os compramos em barda. Por isso, não vale pôr as culpas nos “outros”! Há vários culpados, mas é um bocado como a história do ovo e da galinha, afinal quem é que foi o primeiro?

TUDO, com conta peso e medida, não faz mal! – E nós já sabíamos disso!- Não vão já cortar com tudo, até porque mudanças radicais são como as dietas altamente restritivas, de curta duração. A mudança não pode ser temporária, por isso tem que ser feita de uma forma progressiva. Fazendo pequenas mudanças e arranjando alternativas saudáveis.

A minha Mãe dava-nos um bolo à nossa escolha quando íamos às vacinas. Era um momento especial e, assim, ir às vacinas era (quase) um programa bom. Tínhamos “mummy” time e uma espécie de recompensa no fim.
Vou dar um exemplo do que se passa aqui em casa:

  1. Levam um peça de fruta para comer ao lanche e, se vier de volta, vão ter que a comer assim que chegam a casa;
  2. Levam água e/ou leite nas lancheiras. Sumos só ao fim de semana e com controlo;
  3. Já não eram muito de cereais, comem pão de mistura, fruta (faço um sumo natural com uma laranja e acrescento água, ao pequeno-almoço);
  4. Não gosto de coisas a boiar na sopa!” ou o “Não como verdes!” passou à história há algum tempo. Comem a sopa e os legumes que lhes ponho no prato.

Persistência , perseverança e paciência são qualidades obrigatórias nos pais. E caso haja alguma duvida, explicamos tudo muito bem explicadinho… sendo que no limite: AQUI QUEM MANDA SOU EU! E não me venham com os traumas e “coitadinhos que passam tanto tempo longe dos pais“.

Pela saúde dos nossos filhos! Se têm dúvidas quanto à alimentação, consultem um NUTRICIONISTA.

Por Inês de Santar, autora do livro Amar-te-ei no Douro
para Up To  Kids®

Todos os direitos reservados

Imagem capa@ciamaterna.com.br

“Vamos ver a Annie!”

Eles não iam felizes da vida. Estão naquela fase “gira” que dura alguns anos: “...se a Mãe gosta tanto, deve ser uma ‘ganda’ seca!”

Um filme que trouxe de volta tantas lembranças maravilhosas.

Há uns anos atrás, tinha eu 10 anos, li num jornal que procuravam alguém com as minhas características (achava eu! Ahahahahah! Auto-estima do caneco!) para fazer de Annie na peça de teatro na qual o actor Nicolau Breyner seria o “homem rico”. Inscrevi-me.

Lembro-me, como se fosse hoje, de subir ao palco e mesmo antes de começar a cantar, com a voz que sei hoje que não tenho, deixar logo ali decidido que não gostava de palcos. As pernas não tremiam tanto como a voz, mas os joelhos pareciam bater um no outro… ai a voz!

Mas cantei… já não me lembro quem era o pianista que me acompanhava, mas era um compositor conhecido e muito querido. Percebeu os meus nervos e disse-me que não fazia mal depois, deu-me uma festinha na cabeça. Percebi logo que não ia passar à fase seguinte e se passasse era porque precisavam de alguém para “avacalhar” a peça!

Ter subido ao palco, ter sido seleccionada para o casting, a espera pela minha vez e o sonho de participar numa coisa destas, mesmo com toda a vergonha e falta de jeito, mesmo não tendo sido seleccionada, são boas recordações da minha infância. Recordações de uma infância feliz e sonhadora (ainda sou). Obrigada aos meus pais e aos meus irmãos por me apoiarem sempre, mesmo sabendo que seria assim que iria descobrir que não tenho jeito nenhum para falar em público, muito menos para estar num palco a cantar e a actuar!

Agora vamos à nova e actualizada versão da Annie.

Não sou crítica de cinema nem nada que se pareça. Ao que parece a crítica de quem-percebe-disto, não é muito boa. E eu vou dar a minha crítica de-quem-não-percebe-nada-disto-mas-paga-bilhete-para-ver.

Um filme passado numa das minhas cidades preferidas: Nova Iorque, onde podem ver as melhores cores e vistas da cidade que nos transportam ao imaginário de uma criança órfã que nunca desiste de procurar os seus pais biológicos. Ensina-nos um pouco a todos nós que a vida é boa de se viver quando não nos entregamos, quando lutamos pelos nossos objectivos. Não desistir leva-nos a traçar e descobrir novos caminhos, tantas vezes, diferentes daqueles que imaginámos serem os melhores para nós. Annie procura os pais, mas em vez disso, encontra um Pai adoptivo completamente improvável que também acaba por encontrar em si um sentimento antigo: o AMOR …

O actor principal (que faz de homem rico) Jamie Fox é dos actores mais giros e cómicos que para aí andam; a miúda que faz de Annie é a coisa mais querida e tem uma voz de sonho, coisa mais querida –ahhh já tinha dito isto!; a Cameron Diaz, como sempre, uma actriz muito versátil e “estupidamente” fantástica, até com as sobrancelhas pretas e grossas! ; todos os actores e crianças que cantam e dançam nos captam a atenção, não há secas neste filme!

O que eu vos digo, sem vergonhas:
Este é mais um dos meus musicais preferidos!

Se ainda não foram ver, CORRAM a comprar os bilhetes para o fim de semana! É bom para TODA a família. Um filme que nos faz bem, faz-nos sentir (ainda mais) miúdos… para além de ser filmado numa cidade liiiiiiiiiiiiinda!

Tem um final feliz muito hollywoodesco, mas eu gosto de finais felizes! E cheira-me que os críticos devem querer tragédias Franciscanas ou algo mais real… como se a Bela Adormecida fosse real! Pffff…

DEIXEM SONHAR!!! QUE CHATOS!

Ahhhhhh! E eles adoraram… também é importante salientar… eheheheh!

(Quero lá saber! Nunca vou crescer!)

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=3xLQeyVh3k4]

Imagem capa@deviantart.net

Regresso à educação | A Crise do Não

Dizer NÃO é dar um beijinho no coração”, Isabel Branco

 

Descobri, nos últimos tempos, que o NÃO está a sofrer uma enorme crise. A Crise do Não! Também já fiz parte desta crise, mas aprendi!

Agora digo que NÃO, mas custa-me utilizá-lo e isso é, de imediato, a prova de que me sinto pressionada a não o usar tanto. Ufaaaa, tantos NÃO, devo estar quase curada!

Os meus filhos (aposto que os vossos também), utilizam muito a frase típica “Mas ele também tem/pode/faz” ou perguntam com cara de cão abandonado “Porque é que TODOS têm/podem/fazem, menos eu?”... e garanto-vos que é aqui que vacilo. Mas não cedo. Não podemos ceder nos nossos NÃO, por isso, também há que escolhê-los bem!

Sei o difícil que é dizer NÃO quando se tem um filho teimoso e persistente que mesmo sabendo que não volto atrás no NÃO, pica-me os miolos até à inconsciência. Aí passo do NÃO ao castigo. Depois do castigo, ainda oiço sobre a injustiça que estou a cometer … Mas, o NÃO vence…

“Não” é “Não”, não é “Se Calhar!”

Lembro-me de um texto, que subscrevo, escrito por um pediatra conhecido que dizia que devemos frustrar as crianças.

Parece um bocado violento, mas não é nada, longe disso. Há um medo estúpido de traumatizar as crianças com o NÃO ou de ter de as ouvir aos berros depois da aplicação do mesmo. Será que se perdeu a paciência ou o “jeito” para educar?

Percebo que nesta sociedade em que todos temos de trabalhar, muitas vezes com horários impróprios, não seja fácil chegar ao fim do dia e termos de nos chatear com o mais velho porque aos 11 anos quer ir para a escola com uma t-shirt com um desenho obsceno e já recebeu dois avisos da escola acerca da mesma (sendo que ao terceiro será suspenso); é complicado dizer à miúda de 12 anos que se for para a escola com as cuecas à mostra e de top no pico do inverno, para além de se constipar também poderá ter outro tipo de situações mais complicadas e com as quais poderá não saber lidar…

Não é fácil, mas é a nossa obrigação dizer-lhes que NÃO! E, como é óbvio, explicar-lhes porquê… apesar de nestas idades não ser fácil ouvirem-nos. Somos sempre burros, antiquados e histéricos. Mas, em nossa casa mandamos nós! E há que respeitar o conceito das hierarquias.

Estas crianças são o futuro deste mundo, logo, não podem fazer parte de nenhuma sociedade se crescerem sem o NÃO porque estariam constantemente de baixas muito bem justificadas com depressões nervosas ou presas numa instituição qualquer.

Tínhamos de “salvar”algumas para poderem ser psiquiatras e psicólogos ou então temos que começar já a clonar uma data de gente para o efeito e depois testar o NÃO nelas.

Desculpem se estou a exagerar (não me parece que esteja), mas já pensaram bem nas consequências?

Como é que vão acatar um NÃO de um chefe? Depois de alguns NÃO em adultos, que não levaram enquanto cresciam, correm o risco de desistir e, aí sim, vem a frustração!

Eu queria sair à noite e havia vezes que NÃO me deixavam;

Queria ir jantar fora com os meus amigos e NÃO me deram sempre dinheiro para isso;

Gostava de umas botas e NÃO as podia ter sempre;

E, enquanto vivi em casa dos meus Pais, NÃO era eu que mandava!

Estamos a educar para o futuro, mas acima de tudo, estamos a protegê-los desse futuro com as ferramentas que lhes proporcionamos.

O NÃO, sem hesitações e bem utilizado, é a salvação! Nossa e deles…

Nada de radicalizar o NÃO e passar para o extremo oposto, vamos só experimentar dizê-lo mais vezes aos nossos filhos. Tendo em conta que o NÃO, não é apenas uma palavra que lhes dizemos, é também uma acção!

E só o utilizamos quando sabemos que NÃO vamos voltar atrás”

“Sempre houve bullying, agora atribuiram-lhe um nome!”.

Sim, em parte, é verdade, mas agora também nos apercebemos o quanto afecta as crianças. Sabemos que a taxa de suicidio entre jovens e adolescentes aumentou no nosso país. Também sabemos que há cada vez mais crianças com depressões ou estados depressivos… e por fim, sabemos o mais importante: podemos evitá-lo!

O bullying é um termo que foi introduzido por Dan Olweus quando pesquisava sobre tendências suicidas em jovens adolescentes. As suas investigações levaram-no a concluir que a maioria dos jovens que cometiam estes actos, tinham sofrido algum tipo de ameaça.

É fácil encolher os ombros e fingir que não nos apercebemos que os nossos filhos estão a ser injustos para com outras crianças. Ouvi uma mãe dizer, em defesa da filha, depois de saber que havia um miúdo vitima de bullying na sala da mesma: “Mas atenção que o miúdo é mesmo irritante”… o bullying começa aqui!

Será que esta mãe acorda para a vida quando o prato se virar ao contrário?
Quando a sua rica filha, que sempre foi a gozona da turma, passar a ser alvo do encolher dos ombros dos outros pais?

Pasmem-se, acontece muito! E são esses miúdos que nunca foram “gozados” que não aguentam a pressão…

«O mundo é um lugar perigoso de se viver, não por causa daqueles que fazem o mal, mas sim por causa daqueles que observam e deixam o mal acontecer.»
Albert Einstein

Lembro-me sempre de um grupo, mais popular, que eram conhecidos pelos bonzões ( nunca aceitei esta palavra e nunca a utilizei). Andar com eles era cool, muit’a nice, até se crescia em altura e perdia-se o medo! Grupo esse que fazia o tal bullying a todos os “tótós”. Não foi preciso chegar aos dias de hoje para realizar que:

Os rapazes e raparigas populares (aka bonzões/zonas) são quase todos uns loosers e não fizeram nada da vida porque já naquela altura não demonstravam inteligência. Os Tótós que sobreviveram a este bullying, não dão emprego aos loosers da vida e estão, com certeza, melhor na vida!

Não podemos comparar os tempos, até porque nós andavamos sozinhos na rua desde muito cedo, enquanto os nossos filhos, aos dez anos, para irem ali à mercearia comprar pão quase que vão embrulhados em arame farpado! E nós, ficamos à janela a ver cada passo, trememos quando atravessam a rua e ainda contamos o tempo que demoram lá dentro… já para não falar dos trezentos telefonemas que lhes fazemos para saber se “está tudo bem, querido?”.

São realmente crianças mais protegidas, temos que os libertar um pouco para que venham a ser adultos responsáveis, mas não é tarefa fácil quando todos os dias somos metralhados com tragédias Franciscanas!

ARTIGO RELACIONADO | O QUE UM FILHO ENSINOU À MÃE SOBRE BULLYING E CORAGEM

O bullying de hoje é como o cancro: não escolhe inteligência, raça, credo, tótós ou bonzões, nada!

Não é preciso ser psicóloga para saber que é tão mau ser vítima de bullying como ser agressor. Todos têm uma história por detrás.

Uma “razão”, fraqueza ou até uma tristeza…

A violência existe, vai existir sempre, faz parte da vida! Mas é nosso dever, enquanto educadores, ensinar os nossos filhos a geri-la, canalizá-la e controlá-la. Nunca fechar os olhos! Porque fechar os olhos é adiar o inadiável.Todos temos que aprender a gerir esta violência, ou isso ou também faremos parte dela. E se acham que a violência fisica é muito grave e, se é isso que vos leva a ir falar com a escola, desenganem-se! Porque a violência psicológica e o cyberbullying, que são muito mais faceís de se esconder, deixam outro tipo de nódoas negras, muitas delas mais perigosas e que não saram se não as “tratarmos” atempadamente.

Assusta-me a leveza com que se fala de um assunto destes, tantas vezes tentando compará-lo com os “tempos antigos”.
“No meu tempo tinha que me safar sozinha, não tinha lá os meus pais!”.

A leveza acaba quando o bullying lhe toca à porta … aí vai mesmo tratá-lo pelo nome.

NÃO DEIXE QUE O ASSUNTO PASSE, NÃO FECHE OS OLHOS. ACABE COM O BULLYING, UM DIA, PODERÁ TÊ-LO AO SEU COLO…

Links importantes: http://www.provedor-jus.pt/?idc=54http://www.portalbullying.com.pt/

Musica escrita por Leondre, um miúdo de 13 anos, que foi vítima de Bullying na primária. Este rap espelha a agressão física e psicológica que ele sofria. Com o seu amigo de 15 anos foram ao Britain’s got talent e chegaram à final. Atenta à letra da musica.
[youtube https://www.youtube.com/watch?v=fSfsUw_6sko]

 

Lembro-me perfeitamente dos Natais de quando era miúda, nos quais a minha Mãe construía de raiz uma casa de bonecas, acendia as velas na árvore de Natal, desenhava e costurava os nossos vestidos. Não havia corridas às grandes superfícies (para nós as grandes superfícies, como família numerosa, eram os armazéns da Matinha. Não havia mais nada…), nem encontrões para os 50, 60, 70% de desconto, tudo era comprado com antecedência e sem grandes exageros: à conta e dentro do orçamento.

O reboliço era apenas: na organização dos lugares na mesa; na cozinha que começava a funcionar dois dias antes; nos telefonemas à família para se decidir quem trazia o quê; e na nossa expectativa no que é que íamos receber desta vez. Sabíamos que não era a boneca “XPTO” da moda ou algo de muito caro, mas o factor surpresa aliado à criatividade da nossa Mãe (que é a melhor Mãe do mundo ), eram tudo! Ahhhh aqueles momentos nos quais sonhávamos e tentávamos imaginar o que é que estava por debaixo daquele enorme embrulho cheio de cores. O cheiro a pinheiro, a luz morna das velas e a música de Natal que tocava baixinho faziam parte do pano de fundo. Entre primos e irmãos, fazíamos uma fila por ordem de idades, à porta da sala azul, onde os pais e tios nos esperavam contentes. Só nos deixavam entrar quando finalmente nos conseguíamos acalmar um pouco, o que não era tarefa fácil. Por vezes ainda havia chapada à porta! Todos bem vestidos com as fatiotas feitas pela Mãe, muito cheirosos e penteados, entrávamos envergonhados, de coração aos saltos de tanta emoção. A Mãe fazia a distribuição dos presentes por ordem de idades, dos mais pequenos para os mais velhos. Eu era das últimas a receber, adorava sentir aquela adrenalina, enquanto festejava os presentes com os mais novos.

Estas são as minhas recordações de Natal. Guardo estes cheiros e estas sensações e passo-as da mesma forma para os meus filhos. Continuamos a fazer o mesmo, só que agora quase não cabemos na sala azul. Entre pais, filhos, genros, nora e netos, adoptámos o amigo oculto e tornámos isso numa tradição de Natal. Fazemos uma espécie de jogo e todos se divertem sem que tenham 20 presentes de Natal e NADA para brincar! As velas acesas quase incendeiam a árvore sintética, a Mãe teima em queimar um bocadinho de pinheiro para aromatizar a sala e a música de Natal quase não se ouve. As crianças entram em fila indiana e por ordem crescente, não antes de andarem ao estalo e acabarem com os laços na testa… a tradição não mudou muito, lá por casa.

O Natal não é esta loucura de consumo no qual as crianças fazem listas intermináveis (faz parte!) e os pais, em vez de fazerem uma triagem daquele exagero, correm a comprar cada um desses items. Para quê? para que nada lhes falte? E quantas vezes é que vejo pais e avós a comprarem os presentes em frente aos miúdos e a dizerem-lhes que só podem abrir no dia de Natal?! Onde está aquela magia saudável? Onde estão as histórias que se contam O ANO INTEIRO sobre a necessidade de se poupar, de se ajudar o próximo, etc?

Ter tudo não é saudável! É como a plenitude… se se atingiu, provavelmente, é porque se morreu.

Como é que estas crianças vão valorizar aquilo que têm se não há nada, material, que não tenham?

Fica a reflexão para esta quadra maravilhosa.

BOM NATAL MEUS QUERIDOS!

Por Inês de Santar, autora do livro Amar-te-ei no Douro
para Up To Lisbon Kids®

Todos os direitos reservados

Li algures sobre o egoísmo de quem não quer ter filhos ou mais do que um filho, porque não quer abdicar da vida que tem e de todos os “luxos”.
Ter filhos não é uma decisão que deva ser tomada de ânimo leve… ter porque todos têm é quase como escolher um carro topo de gama quando se vive debaixo da ponte.
Sim, se o problema é dinheiro:

    • podemos não ir de férias para o algarve porque somos muitos ou ir com um budget apertado e dormirmos todos uns em cima dos outros;
    • podemos tirar os mais velhos do colégio e por todos em escolas públicas;
    • podemos comer mais porco e menos peixe;
    • podemos andar mais a pé e arranjar um apartamento mais central para não ter que usar carro e despesas inerentes;
    • podemos ir só a hospitais públicos e poupar nos seguros;
    • podemos não ter empregada doméstica;
    • podemos TUDO isto e muito mais se quisermos ter muitos

Os meus pais escolheram ter muitos filhos e eu não me imagino de outra forma.

ARTIGO RELACIONADO |
FILHOS ÚNICOS A QUEDA DE UM MITO

Mas não me venham dizer que quantos mais filhos mais felizes, porque há famílias grandes completamente destruídas e infelizes, da mesma forma que há famílias pequenas, muito unidas e felizes! Os meus pais, através do amor e da educação que nos deram, ensinaram-nos a união e consequentemente a felicidade.

Whatever You Do

A grandeza de uma família não se mede pelo volume da mesma…

Tantas pessoas que nunca deveriam ter tido um filho e têm aos magotes e tantas que mereciam ter dez de enfiada e não conseguem ter um (não estou a ser irónica!). Eu podia ter tido mais dois ou três, mas perderia a minha sanidade porque me conheço minimamente. Passei algumas situações inesperadas, relacionadas com saúde, no que diz respeito às crianças e, sabendo o que sei hoje, por tudo o que aconteceu, escolho não ter mais filhos. Esta é a minha explicação, chamem-lhe desculpa se quiserem. Mas, se a minha explicação, se a quisesse dar, fosse outra qualquer, também seria válida. Porque posso escolher e só me critica quem não olha por si!

Faço já a ressalva: se amanhã vier aqui dizer, toda contente, que estou à espera de outro filho, dêem-me os parabéns e não digam mais nada… se calhar mudei de ideias!

A beleza da cabeça de uma mulher…

imagem capa@tufamiliassobreruedas