Bullying em alunos com NEE (necessidades educativas especiais)

O bullying é um fenómeno preocupante, cada vez mais frequente no meio escolar. O bullying define-se como todos os comportamentos agressivos (físicos e/ou verbais) de intimidação, aplicados de forma regular e frequente, traduzindo-se em práticas violentas exercidas por um indivíduo ou por pequenos grupos (Costa, 1995).

Sabe-se que, os alunos com deficiência e/ou NEE, são menos aceites que os seus colegas, e são mais suscetíveis de sofrer de bullying, devido às suas limitações tanto físicas como mentais.

Habitualmente, os alunos com NEE que sofrem de bullying não o partilham com os adultos, contudo existem alguns sintomas presentes nas vítimas de bullying aos quais se poderá estar atento: enurese noturna, alterações do sono, cefaleia, desmaios, vómitos, paralisias, hiperventilação, queixas visuais, síndrome do cólon irritável, anorexia, bulimia, isolamento, tentativas de suicídio, irritabilidade, agressividade, ansiedade, perda de memória, depressão, pânico, relatos de medo, resistência em ir à escola, insegurança por estar na escola, mau rendimento escolar e autoagressão.

O conceito de Escola Inclusiva, tem como objetivo perspetivar a criança/adolescente como um tudo, ou seja, tendo em conta o seu ritmo de aprendizagem escolar, desenvolvimento pessoal, social e emocional, de forma a que também tenha acesso ao ensino, de acordo com a suas competências e capacidades (Correia, 2008).

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Apesar da redefinição do conceito de NEE com a Declaração de Salamanca e de se terem verificado benefícios para estes alunos, como a melhoria do seu comportamento pró-social, auto-estima, autoconceito e também o sucesso académico, têm-se verificado igualmente algumas barreiras na aplicação de uma Escola Inclusiva. Nomeadamente, a falta de competência dos professores em relação aos alunos com NEE, falta de tempo, valorização excessiva nos resultados académicos, falta de iniciativas de interações sociais e o bullying.

De acordo com a minha experiência profissional enquanto Psicóloga Clínica numa Equipa CRI, tenho vindo a constatar a frequência de fenómenos de bullying junto de alunos com NEE, e a sua influência nas relações interpessoais e aproveitamento/motivação escolares. São alunos com poucos recursos ao nível das competências sociais, pessoais e emocionais, tornando-se urgente o acompanhamento e/ou uma atuação preventiva, de forma a estimular o treino destas competências e torná-los mais autónomos e integrados socialmente. Tal poderá ser trabalhado através da aplicação de projetos de desenvolvimento de competências sociais, pessoais e emocional, ao nível individual e/ou grupal.

É importante que o meio escolar não tenha apenas como foco principal o aproveitamento escolar do aluno, mas também estar atento à sua conduta social e relacionamentos interpessoais, uma vez que o estabelecimento de amizades nos alunos com NEE, contribuem para o desenvolvimento interpessoal e emocional (auto-estima e auto-conceito).

O Bullying tem implicações não só em toda a comunidade escolar, como também nos alunos e seus familiares, neste sentido, torna-se essencial uma abordagem multidisciplinar, mobilizando todos os agentes educativos para uma resolução mais eficaz.

Os profissionais de saúde são agentes fundamentais, estes devem clarificar o impacto do bullying nas crianças/adolescentes e escolas, promovendo ambientes de amizade, respeito face à diversidade e de solidariedade.

Também os auxiliares de ação educativa e alunos, devem ser sensibilizados a supervisionar e intervir nas situações de bullying. Sendo conhecido os benefícios da amizade nos alunos NEE, é importante sensibilizar/estimular o aluno a estabelecer relações com um colega ou colegas com quem se sinta bem e aceite.

Para prevenção de futuros incidentes, podem ser trabalhadas junto dos alunos algumas estratégias como forma de proteção; Ignorar os apelidos; fazer amizades com colegas não agressivos; evitar locais de maior risco; informar professores ou funcionários sobre o bullying sofrido.

Por último, podem ser aplicadas técnicas de dramatização e ou grupos de apoio, para os alunos adquiram estratégias para lidar com as diferentes situações.

A Escola Inclusiva não deve apenas ser visto como um conceito ou utopia, é importante que seja trabalhada continuamente e concretizada. O bullying apresenta-se como uma das suas principais barreiras pelo que deverão ser tomadas medidas urgentes de forma a prevenir, eliminar ou diminuir a sua frequência. Tornemos a escola um espaço saudável e seguro, que aceite e se adapte a todas as diferenças contribuindo para o desenvolvimento de futuros cidadãos, responsáveis e autónomos.

 

Por Telma Santos, Psicóloga Clínica, para Up To Kids®

Para poderem compreender melhor este tema irei falar um pouco sobre o que são BNM, quando surgiram, os seus objetivos e as suas principais aplicações.

A BNM surgiu nos anos setenta no continente Asiático, nomeadamente na Coreia e no Japão. A técnica refere que o movimento e a atividade muscular são indispensáveis para a manutenção de um estado saudável. Tendo esta ideia como ponto de partida, foi desenvolvida a Banda Neuromuscular: uma banda elástica, de algodão, que auxilia a função muscular sem limitar amplitudes/movimentos; capa de cola hipoalérgica; elasticidade até 140% (igual à elasticidade da pele); material aderido ao papel com cerca de 10% de estiramento; diversas cores; adere melhor à medida que é aquecido; só pode ser utilizada uma vez; resistente à água; e a sua aplicação dura entre 3 a 4 dias. Com o objetivo final de reproduzir a pele humana e aumentar o apoio externo dos tecidos. A aplicação das BNM apresenta como principais objetivos a capacidade de levantar a pele, ativando a circulação sanguínea e linfática, além da capacidade de auxiliar o trabalho dos músculos, ligamentos e tendões, durante a reabilitação ou atividades desportivas. Segundo algumas perspetivas, as doenças devem-se a desequilíbrios ou necessidade de uma determinada cor no organismo humano. Por isso, as BNM apresentam várias cores específicas, para cada tipo de problema, nomeadamente: bege (mais utilizada para a face, pois tenta disfarçar a sua aplicação na pele); rosa (reflete poder e energia e favorece a circulação sanguínea); e azul (tranquiliza e proporciona harmonia, relaxando a mente). Como em todas as técnicas, esta também apresenta algumas contraindicações, tais como: aplicação em feridas abertas; casos oncológicos; problemas dérmicos; exposição direta da banda à luz solar ou a altas temperaturas; trombos sanguíneos; entre outros. Durante o desenvolvimento desta técnica, rapidamente se descobriu que as aplicações possíveis eram muito variadas, por isso começaram a surgir os estudos sobre a aplicação de BNM na Terapia da Fala.

A Terapia da Fala não é uma profissão que apenas trata problemas na fala, mas que abrange ainda a prevenção, a avaliação e a intervenção em toda a comunicação humana e nas suas perturbações (voz, fala, linguagem oral e escrita), bem como nas alterações referentes às funções estomatognáticas (respiração, fala, mastigação, deglutição e sucção). Por isso, podemos observar que o Terapeuta da Fala trabalha com músculos (faciais e cervicais) e articulações (articulação temporo-mandibular), podendo assim recorrer ao uso de BNM, de forma a otimizar e a acelerar a sua intervenção. Contudo é de ressaltar que estas, só por si, não irão resolver o problema, por isso continua a ser necessário a intervenção do Terapeuta, com ajuda de outras técnicas. Sendo assim, irei expor algumas situações/patologias em que o uso de BNM pode ser benéfico, tais como:

  • Disfunção temporomandibular: a elasticidade permite que os tecidos sejam suportados durante a sua função, permitindo uma completa liberdade de movimento;
  • Sialorreia (perda excessiva de saliva pela cavidade oral): a aplicação da banda permite aumentar a propriocepção local, a frequência do número de deglutições de saliva, atuando diretamente nos músculos supra-hióideos, agindo assim na postura da língua;
  • Disartria: a aplicação da banda diminui significativamente o tónus facial ao longo do dia;
  • Paralisia facial, disfonia, disfagia.

De uma forma conclusiva, a aplicação das BNM em casos específicos que envolvam a intervenção de um Terapeuta da Fala poderá constituir uma forma de maximização dos seus resultados na prática clínica. Nesta técnica são utilizadas bandas que se aderem à pele, com caraterísticas específicas, com o objetivo de suportar os tecidos sem limitar a sua ação. Vários estudos revelam que tal técnica mostra-se eficaz no desempenho das estruturas intervenientes nas funções da voz, deglutição e motricidade oro-facial.

Por fim, terapeutas ou simplesmente todos os interessados neste tema, procurem “saber mais”, pois só assim podem evoluir a nível pessoal e profissional.

Como diria Albert Einstein: “A mente que se abre a uma nova ideia, jamais voltará ao seu tamanho original”.

Por isso, não desistam de procurar ou inovar os vossos conhecimentos, pois todos os dias há novas “descobertas”.

 

Cátia Silva, Terapeuta da Fala

Quando pensa em proteína, pensa imediatamente em produtos animais como carne e queijo? Nem sempre é uma boa ideia ingerir demasiada proteína animal, uma vez que pode causar inflamação e pode contribuir para densidade óssea reduzida.

Uma das principais diferenças entre proteína animal e proteína vegetal é que a proteína animal contem todos os aminoácidos essenciais. Os aminoácidos são os elementos que constituem as proteínas. Existem cerca de 20 aminoácidos no total, dos quais 9 são essenciais, o que significa que, só pode adquiri-los através da alimentação. A proteína vegetal frequentemente não contém todos os aminoácidos essenciais e precisa de ser complementada com diferentes proteínas vegetais de modo a obter uma proteína completa.
Por exemplo, com uma dose de leguminosas, ou seja, grão, feijão, favas ou lentilhas, junta uma mesma dose de cereal, ou seja, arroz massa, centeio, cevada, aveia,ou cuscus. Para obter uma refeição completa não se deve esquecer de incluir em metade do prato, legumes ou vegetais, juntamente com os outros alimentos.

Boas fontes vegetais de proteína incluem, nozes, sementes, leguminosas e tofu.
Outras boas fontes de proteína que podem surpreender incluem, a maçaroca, batatas assadas, brócolos, alcachofras, ervilhas, cogumelos e espinafres. Quinoa, soja e trigo-sarraceno têm proteínas completas.

Drª Camilla Menezes, Nutricionista da Horas de Sonho, apoio à criança e à família

A chegada de um filho desperta dúvidas, medos e inquietações, mas também, inevitavelmente, muita felicidade e inúmeras expectativas. Todos os novos pais imaginam um futuro brilhante para a nova estrela que aí vem iluminar-lhes os dias (e agitar-lhes as noites!). Ao longo de toda a vida, os pais vão rabiscando, inventando e reinventando os sonhos que imaginaram para os seus filhos, mediante as respostas que os mais pequenos vão dando ao mundo que os rodeia…

Mas, e quando a criança não é capaz de responder com palavras? Quando essas palavras (que são a chave para as tão esperadas respostas que os pais tanto anseiam por ouvir) estão trancadas e codificadas na cabeça da criança, e por força das leis da Natureza não se escapam cá para fora? Esta é, talvez, uma das mais proeminentes frustrações do ser humano: tentar comunicar e não conseguir, ao passo que tentamos perceber e não conseguimos automaticamente compreender… Ficam por expressar dezenas de sentimentos, vontades e emoções, devido ao obstáculo natural da inexistência (temporária, ou não) da fala.

Para promover esta tão esperada comunicação, inevitável para o sucesso do relacionamento interpessoal, pois é como as pessoas se relacionam entre si (as trocas de ideias, de experiências, de sentimentos e de informações), têm sido desenvolvidos métodos de comunicação alternativa e aumentativa. Este processo realça formas opcionais e alternativas de comunicação que têm dois objetivos: desenvolver e promover a fala, e garantir uma forma de comunicação eficiente.

Pode considerar-se comunicação alternativa toda e qualquer forma de comunicação que seja diferente da fala e usada por um indivíduo em contexto de comunicação com outro, frente-a- frente. Como exemplo de meios alternativos temos os signos gestuais e gráficos, a escrita, o código morse, entre outros. Estes meios permitem (principalmente às crianças, mas também aos jovens e aos adultos) comunicar com o mundo que os rodeia quando a linguagem oral é ineficiente ou até mesmo inexistente. É um meio que é usado para comunicar com o outro que não a fala (comunicação oral).

No caso da linguagem aumentativa, visa promover e apoiar a fala, de forma a facilitar o desenvolvimento da mesma.

Estes meios alternativos e aumentativos permitem às crianças tornarem-se independentes, pois conseguem assim expressar de forma autónoma os seus interesses e as suas vontades, bem como os seus medos e receios; permite-lhes “dizer” as pequenas palavrinhas que estariam de outra forma trancadas nas suas pequenas cabecinhas.

Quando esta realidade bate à porta dos pais, a palavra de ordem passa a ser “Acreditar”, pois o caminho é longo e trabalhoso, mas sempre com uma luz de possibilidade e esperança, vinda da estrelinha que veio alegrar tanto os seus dias e agitar tanto as suas noites.

É fundamental redirecionar os sonhos e as expectativas para promover o desenvolvimento e a comunicação das crianças, tanto entre elas, como com os pais e restantes adultos presentes nas suas vidas, bem como redefinir pequenas ideias, dando-lhes assim confiança e segurança para comunicar com os seus pares e promover o bem-estar destes pequenos humanos.

Porque na diferença também há lugar para a felicidade!

Por Lídia Fernandes, para Up To Kids®
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A Maria vai cantar a solo no espetáculo de final de ano da sua escola. É um momento muito aguardado pela própria e pelos seus familiares. Ensaiou dias a fio com a professora de música, sabe cada parte da canção e a respetiva coreografia. Chegou o grande dia…entre espectadores atentos e curiosos, quando entra no palco sente um silêncio constrangedor, as suas pernas tremem e de imediato pensa que o melhor seria desistir, sair daquele espaço e correr, correr, correr sem parar, mas enche-se de força e resolve avançar. Segundos após terminar a sua atuação a plateia levanta-se, ouvem-se palmas. A Maria cruza o seu olhar com o dos seus pais, que de olhos brilhantes e sorriso rasgado aplaudem energeticamente o êxito da sua filha.

João estudou imenso para o teste de História, sente alguma dificuldade na aprendizagem dos conteúdos da disciplina, sabendo disso tem que redobrar o seu investimento. Os testes são entregues por ordem alfabética e João sente, à medida que o professor se dirige aos seus colegas, o bater do seu coração a intensificar-se. Quando recebe o seu teste, respira fundo, precisa de ganhar coragem para olhar para a classificação, não vale a pena propagar a sua ansiedade por mais tempo. Quando se enche de coragem, apercebe-se que do seu esforço resultou apenas um 9,4 numa escala de 0 a 20 valores. Sente-se frustrado e pensa que o seu esforço foi em vão.

Joana mudou recentemente de escola. Na antiga escola todos a conheciam pelo seu cabelo ruivo e pele sarapintada. Sentia-se única e especial pelas suas características, era assim que os seus colegas a faziam sentir. Nesta nova escola foi de imediato apelidada de “Pintarola” e todos os dias ouve comentários depreciativos dos seus novos colegas acerca das suas características. Cada dia que passa lhe custa mais ir para a nova escola.

Pedro trabalha há mais de 10 anos numa empresa na área da informática, colaborador dedicado, procura atualizar-se regularmente trazendo novas ideias e dinamismo para a sua equipa, faz o que gosta, dedica-se como se da sua própria empresa se tratasse. Na quinta-feira foi chamado ao gabinete do seu chefe, todos na empresa tinham uma impressão negativa acerca do superior. Pedro desconhecia o motivo de tal pedido, correu a sua memória vezes sem conta para encontrar um motivo que poderia ter desapontado o seu chefe, mas nada. No final da reunião, sentia-se bem consigo próprio e com uma maior vontade de trabalhar e fazer a diferença com o seu trabalho, o seu chefe chamou-o para lhe agradece toda a dedicação que tem mostrado ao longo dos anos, reconhecendo a importância de Pedro para o desenvolvimento da empresa.

 

Ao longo da nossa vida passamos por situações similares ou vivenciamos sentimentos idênticos aos da Maria, do João, da Joana e do Pedro. Da vivência destes momentos poderemos sair felizes e reforçados, cheios de sentimentos positivos acerca de nós próprios ou pelo contrário, poderemos sentir-nos em baixo, derrotados, considerando que não temos competências ou que tudo o que fazemos corre sempre mal. É do equilíbrio dinâmico entre as experiências e momentos positivos e negativos que ao longo das nossas vidas, com base nas relações vividas construímos  a nossa auto-estima.

Todos nós já falámos ou ouvimos falar de auto-estima. É uma palavra presente na linguagem popular regularmente tratada nos media. No entanto, embora  estejamos  mais despertos para este conceito, reconhecendo a importância do mesmo para o bem-estar psicológico do ser humano, está longe de ser um conceito recente. O psicólogo William James foi o pioneiro nesta área e já em 1890 explicou que “ a auto-estima se situa no interior da pessoa e se define pela coesão entre as suas aspirações e os seus êxitos”.

Desde William James aos nossos dias são inúmeros os estudos sobre auto-estima. Com base nesses trabalhos científicos sabe-se que a auto-estima enriquece e modifica-se há medida  das vivências e do desenvolvimento da personalidade do indivíduo, sofrendo alterações ao longo da vida.

Estudos demonstram também que a auto-estima ajuda a prevenir problemas de comportamento e de aprendizagem e protege da depressão, podendo ser vista como um factor de prevenção primário. Por outro lado, a falta de auto-estima considera-se um fator  de risco para o consumo de drogas, condutas delinquentes, suicídio e problemas de stress.

Se a auto-estima é uma das bases fundamentais para o desenvolvimento infantil e simultaneamente causa e efeito de um crescimento saudável,  certamente todos os pais gostariam de saber como contribuir da melhor forma possível para o desenvolvimento da auto-estima dos seus filhos. Tomo assim a liberdade de partilhar algumas noções e estratégias importantes para o desenvolvimento da auto-estima do seu filho.

Antes de mais é fundamental perceber que o que  as crianças solicitam aos pais e adultos que cuidam de si é que reconheçam a sua existência e que reconheçam o seu valor. A auto-estima do seu filho nasce da relação de vinculação que ambos estabelecem. Enquanto criança, a noção que tem de si próprio é criada através das pessoas que o rodeiam.

Há inclusive autores que defendem que antes dos 7/8 anos não se pode falar de uma verdadeira auto-estima. A auto-estima implica a capacidade da criança elaborar juízos lógicos sobre si própria e para tal é necessário desenvolver um pensamento lógico. Antes dos 7/8 anos o pensamento da criança é ingénuo e egocêntrico, por isso os pais e adultos que cuidam são a porta para o desenvolvimento desta auto-estima.

É igualmente importante que os gestos positivos do seu filho sejam assinalados. Se facilmente repreende ou chama a atenção do seu filho quando tem um comportamento desajustado, não se deve esquecer que é  fundamental reforçar os  seus comportamentos positivos. É o reforço constante das conquistas que permite que o seu filho desenvolva as crenças positivas acerca de si próprio e quando se depara com uma situação problema, a sua voz vai soar na sua cabeça e recordará que perante determinada situação lhe disse “Vês, o importante é não desistires, vai haver o momento em que conseguirás”, “quando queres consegues ser mesmo bom”. Desta forma o seu filho enquanto criança, adolescente, jovem e adulto desenvolverá uma atitude  positiva perante as adversidades da vida, procurando alternativas de resposta porque acredita em si.

Os pais têm ainda um papel fundamental em consciencializar o seu filho do seu valor. Há muitas pessoas que dão provas de grandes competências embora possam ter uma fraca auto-estima pois não têm consciência dessas competências. Não basta viver os êxitos se não se tem consciência deles.

Mas atenção, não podemos cair em excessos, o reforço positivo deve ser dado quando merecido, não é saudável, por mais que ame o seu filho reforçar positivamente cada passo que dê, se assim o fizer fará com que o seu filho desvalorize os constantes reforços ou então que os sobrevalorize considerando que é uma Super-Criança. É importante ensinar o seu filho que ninguém é igualmente competente em tudo o que empreende e desenvolver uma boa auto-estima significa ter consciência das suas forças e das suas dificuldades.

Por último, é importante ter em conta que para a criança ter êxito é fundamental que lhe proponha objetivos realistas.

Acredite que enquanto pai e mãe ou adulto cuidador, contribuir para que o seu filho tenha uma boa auto-estima é um dos maiores tesouros que este poderá levar consigo no seu dia-a –dia. Nesse tesouro estão todas as pedras preciosas que o ajudarão a enfrentar as dificuldades ao longo da sua vida, consciente do seu valor pessoal.

 

Por Ana Sofia Nobre – Psicóloga da Educação e da Orientação da Horas de Sonho, para Up To Kids®
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O toque tem na criança benefícios quer a nível físico e emocional, quer a nível social e cognitivo e é essencial para o crescimento e desenvolvimento saudável da criança, pois as que são privadas ao toque no início do seu desenvolvimento apresentam um crescimento e bem-estar emocional comprometido. É muito importante como forma de comunicação e adaptação do bebé ao mundo exterior e com os outros, facilitando assim a estabilidade do sistema nervoso central e a regulação da relação entre o cuidador/terapeuta e o bebé.

A massagem terapêutica, devido ao toque, promove a libertação de hormonas e neurotransmissores que acarretam melhorias ao nível da saúde positiva e mental. Estas substâncias neuro químicas são importantes ao nível cerebral, aumentando os sentimentos positivos e o humor, tal como a excitação e a atenção, que vai influenciar a própria avaliação dos estímulos externos que envolvem o toque.

Mas será que já parou para pensar que benefícios a massagem terapêutica pode ter para as crianças com PEA, que é vista como perturbação do neurodesenvolvimento, sendo que compreende alterações ao nível da comunicação, ao nível da interação social e do comportamento? A realidade é que a massagem é uma intervenção sensorial, que proporciona benefícios psicológicos e fisiológicos, quer para crianças com desenvolvimento típico, mas também para crianças com deficiência, como crianças com PEA.

A massagem terapêutica pode ajudar a criança com PEA a acalmar a ansiedade, a melhorar o contato visual, as vocalizações e a atenção, resultados estes que podem ser observados durante e após a massagem, através de um conjunto de técnicas, como é o caso de pressão profunda, utilização de objetos maleáveis, ou através de movimentos ritmados e balançados (e.g. numa rede ou plataforma).

Tendo em conta as várias queixas, doenças ou patologias, e de encontro aos efeitos que cada massagem oferece, existem alguns tipos de massagem mais indicadas para as crianças com PEA:

  • Qigong Massage ou Massagem Qigong, que é uma massagem focada na compreensão de certos pontos do corpo de modo a permitir um fluxo de energia entre eles.
  • Massagem tradicional tailandesa, que está relacionada com Yoga, contudo utiliza princípios do Shiatsu e da relaxação. Consiste em relaxar o corpo e estimular a energia do mesmo, tendo em conta pontos específicos, estimulando os músculos, a circulação e a flexibilidade. É eficaz na redução de comportamentos estereotipados, responsável pelo aumento da atenção em contexto sala de aula e menos agitação motora. Esta massagem pode aumentar a comunicação não-verbal, e fazer com que as crianças fiquem mais relaxadas e mais tolerantes ao toque.
  • Shiatsu é um tipo de massagem em que se utiliza a pressão dos dedos no corpo, e que tem como objetivo o equilíbrio funcional dos órgãos, bem como atuar como agente preventivo nas doenças.

Compreendido de maneira resumida de que forma a massagem terapêutica, e algumas técnicas específicas podem ser um meio de intervenção recheado de benefícios para as crianças com PEA, importa agora apresentar o impacto positivo que este meio de intervenção apresenta para diversas características base desta perturbação:

  • Comportamentos Estereotipados: Ainda não são muitos os estudos que referem estes benefícios causa-efeito, mas já são relatados casos em que a massagem terapêutica apresenta melhorias ao nível dos comportamentos estereotipados das crianças com PEA, essencialmente na sala de aula e no recreio, o que levou a um aumento da atenção e um menor nível de agitação motora. Deve ser uma massagem com uma pressão moderada de cinco regiões do corpo da criança, na seguinte ordem: braços, mãos, pernas, região abdominal e costas.
  • Comportamento Social e Comunicação: Principalmente a massagem Qigong, duas vezes por semana ao longo de dois períodos de cinco semanas e entre eles, um mês de intervalo, traz benefícios para as crianças com PEA, nomeadamente o desenvolvimento do contacto ocular, aparecimento do sorriso e melhoria da interação social da criança. Verifica-se igualmente efeitos positivos nas interações sociais, com respostas mais adequadas a movimentos e maior disponibilidade para novas atividades. De um modo mais específico, e como já foi referido, as crianças com PEA têm características a nível da comunicação que se manifestam muitas vezes através de uma linguagem diferente, e.g. desenvolvem balbucios, falam tardiamente, pronunciam apenas algumas frases ou palavras, ecolália e uma linguagem idiossincrática. A massagem tradicional tailandesa permite ajudar estas crianças estimulando a comunicação verbal e não-verbal, de modo a proporcionar uma maior interação com os outros. De modo a estimular a comunicação não-verbal, a literatura sugere o Shiatsu.
  • Apego pai-criança – Attachment: O attachment é caraterizado pela busca e manutenção de proximidade, bem como a reciprocidade das trocas verbais e não-verbais, com a sensação de que são geralmente positivas, sendo esta uma das dificuldades em crianças com o PEA. São já alguns estudos com crianças com esta perturbação, que verificaram que a massagem terapêutica pode melhorar a ligação emocional e o apego pais e filho. Através de uma terapia com do toque, os pais sentem essencialmente um aumento de proximidade com os seus filhos, sendo que estes começam a ser mais recetivos ao toque. Mais focado na relação mãe-criança, verifica-se que após programas de massagem terapêutica as crianças aumentam significativamente o apego com a mãe, nomeadamente pelo facto de responderem e obedecerem a ordens da mãe, sorrirem ou rirem quando a mãe se aproximava, e por expressarem interesse pelo contacto com a mãe. As mães também começam a demonstrar um contato mais apropriado, a nível físico e afetivo, existindo um maior envolvimento com criança através de vocalizações direcionadas, para além de ficarem mais conscientes dos sinais vocais e comportamentais da criança, após a massagem terapêutica.
  • Nível Sensorial: Após a intervenção com massagem terapêutica, as crianças apresentaram alterações significativas nas variáveis observadas, nomeadamente a aversão ao toque e a resposta a estímulos sensoriais. Com a massagem Qigong, verifica-se que as crianças que receberam este tipo de intervenção revelam uma resposta mais adequada a diferentes sensações, uma autorregulação comportamental mais adequada e existem melhorias em todos os 5 sentidos.
  • Alterações no Sono: Outros dos benefícios que a massagem terapêutica parece ter para crianças com PEA, é ao nível de problemas no sono, que normalmente estas crianças apresentam. Existem mudanças nos problemas de sono, em que as crianças apresentam níveis mais baixos de agitação, de grito e levantam-se menos vezes da cama durante a noite. É de salientar, que estas melhorias ao nível do sono podem derivar do aumento da atividade do parassimpático, tipicamente observado após a massagem terapêutica.

De forma geral, para serem verificados resultados é aconselhável que sejam realizadas sessões bissemanais. Assim, pais, terapeutas e a todos os interessados, explorem as técnicas de massagem terapêutica com as vossas crianças com PEA, e descubram os benefícios que esta pode trazer na vossa vida diária. Assim a massagem terapêutica trará múltiplos benefícios para estas crianças, comprovados pela literatura e pelas opiniões dos profissionais. No entanto, são ainda necessários mais estudos, e recentes, que possam de certa forma clarificar melhor os benefícios que massagem terapêutica realmente promove na referida população.

De forma conclusiva, importa realçar, que o facto de a massagem levar a um aumento da resposta da criança com PEA e a uma estimulação social, pode facilitar a ligação com a mãe. Ou seja, através de um melhor apego e resposta à estimulação do outro, o comportamento social da criança também pode melhorar e, finalmente mostrar declínios dos comportamentos típicos da PEA.

 

Por Mariana Silva psicomotricista da Horas de Sonho, apoio à criança e à família,
para Up To Kids®

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Crianças transgénero. Uma palavra que nos assusta, seja pela estranheza, seja pela conotação muitas vezes dada. Crianças transgénero são crianças cujo expressão ou identidade de género é diferente da esperada tendo em conta o seu sexo biológico.

Falamos de crianças transgénero, por exemplo, quando uma criança rapaz brinca com bonecas, gosta de se vestir com vestidos ou prefere praticar ballet. Muitos cuidadores não veem (e bem) nisto qualquer problema em termos de desenvolvimento. Outros ficam assustados, com receio de que seja um indicador da orientação sexual dos filhos. No raciocínio de que “quer vestir vestidos e ir para o ballet? É gay”, reprimem os filhos, ensinando-lhes que é “errado” comportarem-se assim (muito baseado no pressuposto infeliz de que “ser gay é mau e/ou inferior”, (o que dará matéria para outro artigo).

Com efeito, a literatura indica-nos que o principal grupo que inflige maus tratos às crianças é o familiar, principalmente familiares mais próximos. Acontece que, muitas vezes, os cuidadores não estão preparadas para aceitar a expressão ou identidade de género não normativa dos seus filhos, o que pode desencadear, por um lado, sentimentos de culpabilização dos pais e conflitos no sistema conjugal (caso um dos pais integre mais facilmente estas questões) ou, por outro, rejeição do membro da família que seja transgénero.

Ler também Nós somos as mães dos homens de amanhã: Educar para a igualdade de género

Desfazendo a primeira confusão, criada com base nos estereótipos existentes: a orientação sexual é independente da expressão/identidade de género. Isto significa, por exemplo, que um rapaz gostar de vestir saias em nada indica qual é a sua orientação sexual. Impedi-lo de se expressar porque “é isto que os meninos/meninas fazem são” apenas o vai tornar mais triste e ensinar-lhe que é errado ser quem ele é.

A importância da família, enquanto instituição social responsável pela transmissão de competências sociais e morais às crianças e aos jovens, é inquestionável. Deste modo, uma comunicação efetiva no âmbito de uma relação positiva é essencial para a promoção de práticas parentais mais adaptativas. No que concerne a vivência de questões de expressão e identidade de género, estudos sugerem que tem um impacto significativo no desenvolvimento destas crianças e jovens, nomeadamente no seu ajustamento psicológico, perceção de suporte e envolvimento no meio social.

Para pais que possam ter dúvidas ou sejam curiosos, deixo-vos dois artigos interessantes de  ler, um com testemunhos na primeira pessoa  e um outro com alguns dos principais mitos sobre estas questões de género.

Andreia Pires Pereira, Psicóloga Clínica da Horas de Sonho, apoio à criança e à família,
para Up To Kids®

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