Já reparaste como o tempo passa a voar, meu amor? Como ainda ontem dormias a maior parte do dia e hoje lutas contra o sono por já perceberes como é tão bom estar acordado?

Quero estar ao teu lado ao longo das descobertas que fores fazendo na tua vida. Primeiro a segurar-te a mão, depois a deixar-te seguir o teu caminho e a acompanhar tudo um pouco mais ao longe, como faz parte, sem tristeza e com muito orgulho. Sei que vai ser um caminho longo e é por isso que te peço umas quantas coisinhas…

Promete-me que vais olhar sempre para o mundo com esses teus olhos de azeitona, sedentos de tudo.

Que nos vais ouvir quando te dizemos que não podes fazer isto e que tens de fazer aquilo. É para o teu bem.

Promete-me que vais olhar para os dois lados antes de atravessar a rua.

Que vais estar com atenção nas aulas, o suficiente para aprenderes o que precisas – porque sei que te corre nas veias um gene conversador (eu também o fui e mesmo assim dei-me bem na escola).

Que vais tirar tempo para brincar e ler os teus livros preferidos, praticar o exercício que mais gostares e fazer muitos amigos.

Que não vais ficar triste quando um dos teus amigos te disser que já não o quer ser mais, que vais seguir em frente com a certeza de que amigos desses não fazem falta alguma.

Que vais perceber que às vezes terás de te esforçar mais, que em outras terás de ser menos dura contigo mesma.

Que vais tentar amar-te sempre, independentemente das pequenas inseguranças que vás sentindo.

Que te vais rodear de boas pessoas, de bons exemplos. E que quando escolheres menos bem, isso não te leve demasiado para longe de ti mesma nem te leve a fazer coisas irremediáveis.

Que te vais apaixonar sem medos. Que vais amar a sério pelo menos uma vez.

Que não vais deixar que ninguém te maltrate e que te vais afastar das situações pouco saudáveis – quer seja nas relações de amizade, amor, trabalho, contigo mesma…

Que vais tentar ser independente, pouco carente mas sempre com um coração enorme.

Promete-me que vais ligando, mesmo quando a vida se tornar muito agitada e estiveres a descobrir lugares e coisas que te deixam pouco tempo para pensares em nós.

Que vais conduzir com cuidado.

Que vais ser uma boa amiga. Uma boa filha. Eventualmente uma boa mãe.

Que se fores mãe não vais deixar os teus medos sufocarem os teus filhos, nem os vais prender demasiado a ti, tanto que tenham medo de voar sozinhos. Que nessa altura vás compreender algumas das atitudes que o pai e eu fomos tomando.

Que tentes dar mais aos outros do que recebes.

Que aprendas lições e as deixes fortalecerem-te.

Promete-me que vais tentar ser feliz, mesmo que os tempos não sejam fáceis.

Que vais ser optimista, que o teu nome do meio seja “sorriso”.

Que vais abraçar muito, que vais deixar-te abraçar.

Mas, acima de tudo, promete-me que te vais permitir viver. Com as tuas limitações, conhecendo-te e lidando com o facto de não seres perfeita. Permitindo-te ter os teus momentos maus, os teus erros, as tuas falhas, alturas em que devias ter estado melhor. Que tentes ter uma vida equilibrada, mas onde pese sempre mais o amor.

Foi nessa equação que prometi tentar criar-te. Por isso, enquanto o amanhã não chega, dá-me a tua mão e vamos. Multiplicando o amor a cada passo. Sempre.

Por Marta Coelho, para Up To Kids®

imagem@weheartit

Guia para um Verão feliz, Ou como muitas vezes esquecemos que as coisas mais simples são as que mais marcam e divertem os nossos filhos:

Fazer bolinhas de sabão
Com uma palhinha e um copo de detergente ou com as mais sofisticadas artimanhas que já andam por aí, é tão bom vê-los a perderem-se nas várias cores de uma bolinha de sabão, a tentar apanhá-las e rebentá-las ou deixar cair uma e outra na mão sem que elas explodam.

Dar pão aos patos
É outra das actividades intemporais que é fácil de concretizar. Ver os patos a fazer verdadeiros sprints para apanhar o melhor pedaço de pão enquanto os miúdos batem palmas ou lançam as migalhas o mais longe que conseguem.

Comer fruta à dentada
E esquecer os cotovelos e a postura direita à mesa, deixar os talheres para outra ocasião e deixá-los aproveitar a fruta como ela sabe melhor. Pouco importa se ficam a pingar melancia até aos joelhos ou se “ganham” uma barba de pêssego, há tempo para estarem limpinhos depois.

Chapinhar numa piscina

Ou num alguidar, o efeito é o mesmo. O que importa é que o calor tem um adversário à altura e quando damos por nós há uma dezena de bonecos a boiar e outros como menos sorte que foram ao fundo e o nosso filho acaba o dia sorridente e com as pontas dos dedos enrugadas, como convém.

Contar estrelas cadentes
Depois de um dia longo em que o vento quente entra pela janela, nada melhor do que ficar à espreita. Apontar constelações, quando estão à vista, e preparar os melhores desejos para serem pedidos à estrela mais atrevida que se lançar lá de longe.

Andar de baloiço
Vê-los com as pontas dos pés esticadinhos para tentarem tocar o céu com os dedos, tê-los a pedir para continuarmos a empurrar, mais e mais, umas vezes sem medo, nas outras a fechar os olhos sem ninguém ver.

Fazer corridas de bicicleta
De triciclo, patins ou mesmo a pé, o importante é brincar muito, sempre, que o tempo passa a correr e temos de lhe deitar a língua de fora, de vez em quando.

Dormir longas sestas depois da praia
No colo ou aninhados na cama, com o cabelo a cheirar a mar, a pele queimadinha e cheia de sal. Descansar para aproveitar todos os momentos, sonhar com ondas e estrelas-do-mar, acordar com fome e vontade de fazer castelos na areia.

Brincar ao bem me quer, mal me quer
Esquecer por um dia a regra de não estragar o jardim e arrancar pétala a pétala, sem as contar, para não estragar o efeito do resultado.

Porque apesar do que nos acabe por calhar, sabemos que com os nossos filhos nunca estamos sozinhos. Nós queremo-los muito, mesmo quando eles afirmam que não nos querem nada (adolescência, adolescência…), fazemos o melhor por eles e queremos que sejam sempre felizes. Debaixo de uma lua cheia numa noite de Verão, como num dia frio de inverno, em que os aconchegamos debaixo de uma manta quente. Porque eles crescem um bocadinho todos os dias e adaptam-se a esta vida, lentamente… e nós vamos conjugando tudo, adaptando também as brincadeiras e os ensinamentos, para que nunca lhes falte nada.

As memórias, essas, constroem-se num sopro e ficam para sempre.

Por Marta Coelho, para Up To Kids®
Todos os direitos reservados

imagem@Weheartit

Eu sei que o correcto é dizer coisas que “não gostava” para a minha filha, mas como adulta sei a diferença e hoje, egoisticamente, reservo-me o direito de não querer. Nem para ela nem para os filhos de outro alguém.

Não quero que viva relações vazias de afectos
No outro dia, no Metro, entraram um rapaz e uma rapariga que, por acaso, se sentaram à minha frente. Ambos concentrados nos respectivos telemóveis, ambos alheios ao que se passava à sua volta. Só passadas cerca de cinco estações é que ela levantou o olhar e se inclinou para ele. Até ali não conseguia adivinhar que estavam juntos. Mas estavam. Quero para a minha filha uma relação em que o silêncio existe e não é constrangedor, em que significa uma cumplicidade que ultrapassa as palavras. Mas não quero que tenha uma relação em que o diálogo, o olhar nos olhos, seja substituído pelas tecnologias.

Não quero que ame coisas em vez de amar as pessoas
Quero que saiba a diferença entre querer ter e desejar, gostar de ter (a tal diferença que me gabo de já dominar). Que seja feliz com pouco, com o essencial e que os seus sonhos não sejam coisas materiais, mas sim algo que a motive a chegar mais longe, a conhecer lugares novos, novas culturas, pessoas, histórias, caminhos.

Não quero que trate os outros como se lhe fossem inferiores
Seja quem for, em que circunstância for. Não quero que sinta que pode olhar alguém de cima, que menospreze por preconceito ou ideologia. Quero que saiba respeitar as diferenças, todas elas, que possa viver em liberdade aceitando a liberdade dos outros – convivendo com ela, sem a julgar, para que receba o mesmo tratamento.

Não quero que desista à mínima contrariedade
As coisas não vão ser sempre fáceis e às vezes vai querer desistir. E muitas vezes vai fazê-lo, porque é o mais inteligente a fazer. Que nas outras vezes não se deixe vencer pelo cansaço, pela insegurança ou pelo medo. Que chegue onde pode chegar, por seu próprio mérito.

Não quero que sinta que não é importante, que não é capaz
Infeliz e invariavelmente irá confrontar-se com situações em que os outros ou as circunstâncias da vida a farão duvidar. Que ela tenha força para não se deixar abalar nas suas convicções.

Não quero que faça algo só para impressionar os outros, para se integrar
Sei que faz parte e que muitas crianças passam por isso, em maior ou menor escala, até crescerem. Mas já que me é permitido pedir, que ela não seja uma dessas crianças. Que saiba dizer “não” quando não quer alguma coisa, que não tenha de fazer algo que a deixe desconfortável só para não ser diferente.

Não quero que a minha filha seja infeliz. Que tenha problemas de dinheiro. Não quero que tenha problemas de saúde. Que tenha azar ao amor. Que tenha de viver num ambiente de violência. Não quero que seja maltratada nem maltrate os outros. Não quero que seja tão desprendida que não dê valor à família e aos amigos. Não quero que seja preguiçosa, na escola nem na vida. Não quero que seja amarga nem que afaste os outros por ter um coração de pedra.

Não quero.

Não gostava.

E sei muito bem que nem tudo será como eu gostaria.

Estou aqui para ir aprendendo com ela as muitas lições que ainda me esperam. Para lhe ir iluminando os passos que me forem possíveis. Para lhe responder a algumas perguntas e para a deixar encontrar respostas para muitas outras. Para, por vezes, não a compreender. Para que ela, algumas vezes, também não me compreenda. Para respeitar o seu tempo, as suas ausências, o seu percurso. Para às vezes ter de me retrair para não a proteger em demasia. Para outras vezes me martirizar porque a deveria ter protegido mais.

Há muita coisa que não quero para a minha filha.
Mas há muito mais que quero, na positiva. Porque é assim que a vejo, sempre com um sorriso nos lábios, mesmo quando deveria estar a fazer beicinho.
Porque é essa a vida que quero para ela, cheia de coisas boas, bons sentimentos, boas escolhas.
Para que quando as coisas não correrem exactamente como ela desejaria haja um equilíbrio saudável que faça a sua vida valer a pena ser vivida. Todos os dias.

Por Marta Coelho,
para Up To Lisbon Kids®

Todos os direitos reservados

Meu amor,

Quando a tia nasceu eu tinha Treze anos. Amei-a como se fosse minha filha, apesar de ser minha irmã. Mesmo com aquela idade, mesmo sem o verbalizar ou saber ao certo o que estava a sentir, achei que não ia voltar a amar ninguém daquela forma. E não voltei. Passava os fins-de-semana em casa do avô e era tão bom poder cuidar dela, estar ali de volta daquele bebé que olhava para mim com olhos grandes e um sorriso doce. Mas que também ficava impaciente, pedia muita atenção e queria brincar com coisas que não podia. Ao domingo à noite despedia-se sempre de mim a chorar, a pedir para eu não me ir embora, mas eu tinha de ir. E sentia, do alto dos meus quinze anos, que ter um filho devia ser uma responsabilidade brutal, porque uma criança precisa de disponibilidade, de ser cuidada vinte e quatro sobre vinte e quatro horas.

Tantos anos mais tarde nasceu a prima e mais uma vez uma onda de amor. Mais uma vez um amor diferente. Mais conhecimentos e alguma sabedoria, a mesma vontade de não perder pitada daquele bebé calminho mas o mais esperto que alguma vez conheci. Curiosa e carinhosa, como é ainda hoje com quase três anos.

Fui colecionando grandes amores até te amar a ti.

E percebo as pessoas que têm medo de ter um segundo filho por recearem não o amar como amam o primeiro. Porque é um amor avassalador, algo com que não vivemos durante décadas e que, de repente, dá um sentido verdadeiro à nossa vida.

Percebo-as mas sei, cá dentro, que nenhum destes amores se repete. Que todos têm o seu lugar, que o coração é um órgão elástico que vai esticando mais um bocadinho sempre que nos predispomos a abri-lo.

Há poucas verdades absolutas, mas estas são as minhas. De mim, para ti.

O amor que sinto por ti é irrepetível.

Não há nada que o possa diminuir. Nem mesmo se às vezes me desiludires e fizeres menos por ti do que eu gostaria.

Mesmo que não houvesse luz nenhuma no mundo, conseguiria chegar até ti, só pelo teu cheirinho.

Às vezes, quando estou cansada, basta-me o teu sorriso para ter novamente energia.

Falo muito contigo (e às vezes receio que a tua primeira frase completa seja “cala-te só um bocadinho, mãe, pode ser?”. Mas sei que és demasiado doce para sequer o pensares…).

Quando regrides em qualquer coisa (adormecias sempre tão bem, agora tem custado mais), penso sempre em que é que estou a falhar e tento lembrar-me sempre que o mais importante é respeitar o teu ritmo, o teu crescimento – porque te estás a aperceber de um mundo cada vez maior à tua volta e tens o direito de mudar, de te adaptar à tua maneira, no teu tempo.

Muitas vezes, de manhã, deixo-te demorar mais tempo a fazer as coisas porque sei que te (nos) esperam manhãs com muito stress lá mais para a frente. És um bebé agora e não vais poder brincar com calma, gatinhar atrás de mim com a língua de fora, morder o teu elefante por muito mais tempo.

Tudo o que faço por ti vem cá de dentro, daquele cantinho do meu coração que conquistaste e que será teu até eu deixar de andar por cá.

Espero que um dia sintas este amor tão grande, tão puro. E que gostes de mim, desta miúda que ainda se está a habituar ao título de “mãe” e que tem um orgulho tão grande de ser a tua.

Já reparaste como falo tanto e tantas vezes de amor?
É para que saibas a que ninho pertences, minha querida.

Por Marta Coelho,
para Up To Lisbon Kids®

Todos os direitos reservados


Sabemos que estamos a falhar quando visitamos uma criança e a primeira coisa que ela faz é procurar um saco ou um embrulho nas nossas mãos.

Há já algumas gerações que os pais tentam dar aos filhos mais do que eles próprios tiveram: mais conforto, melhor roupa, mais diversão, mais coisas, enfim, uma vida melhor. Mas esquecemos que as crianças precisam do básico para estarem bem, precisam de pouco para serem felizes. Preferem duas tampas de tachos para fazer barulho do que o mais sofisticado jogo didático estudado para a sua faixa etária. A felicidade faz-se de coisas simples e somos nós, os adultos, que vamos criando necessidades, que vamos acrescentando pequenas características aos dias para que eles possam ser considerados perfeitos. Não o fazemos por mal, queremos que não lhes falte nada. Mas ao estarmos constantemente a dar coisas acabamos por lhes retirar o mais importante: a noção de que o que realmente é essencial é estar junto, estar presente, dar afectos.

Há pouco tempo fui a um aniversário em que a criança tinha feito uma lista de coisas que gostaria de receber. Eu também as fazia, se bem que se recebesse uma dessas coisas era razão para aquilo não sair do meu colo durante uma semana, apertada em abraços e beijos, fosse uma saia rodada, uma boneca ou um jogo. Ao receber um dos presentes mais caros da lista a tal criança limitou-se a rasgar o papel, a olhar para a mãe e a pousar a caixa (do carro telecomandado) do que tinha acabado de receber. O meu coração parou.

Nunca tinha visto uma criança que nem sequer esboçasse um sorriso ao receber uma coisa com que ele próprio tinha sonhado. Lembrei-me do orgulho que senti sempre da minha irmã, que ficava tão feliz com o primeiro presente no Natal, com o rasgar do papel, arrancar o laço, que a noite seria fantástica apenas com aquele presente. Ali foi diferente. Aquele miúdo esperava que as pessoas lhe dessem o que estava na lista. Era obrigação nossa. Não eram sonhos, não houve antecipação, houve uma mecanização das necessidades. Viu os anúncios no intervalo dos desenhos animados, apontou o que queria (e não o que gostaria de ter), a mãe diligentemente tratou de comunicar a toda a gente e ele não esperava outra coisa senão receber. TUDO.

Estava tão habituado a receber coisas que deixou de lhes dar valor. Provavelmente não sabe sequer o valor do que recebeu. Estou a falar de dinheiro, claro, mas também da atenção, da lembrança, do cuidado investido para que aquele carro telecomandado lhe chegasse às mãos. Saí de lá invadida por uma enorme tristeza. A desejar que não seja tarde demais, porque aquele miúdo só tem seis anos e já tem um caminho tão traçado. Ainda há pouco tempo ele ficava feliz quando me deitava de barriga no chão ao seu lado a fazer corridas de carros. Onde foi que ele se perdeu? Onde foi que o perdemos?

Queremos dar. Queremos ver a alegria dos miúdos a receber coisas. Queremos que estejam rodeados de pequenos objectos que lhes alegrem o dia, mas temos – nós, adultos – de perceber quando é que basta. Um presente que se dá só porque sim não pode substituir o carinho de estar lá. Não podemos dar constantemente porque não estamos tanto tempo quanto gostaríamos. As coisas são coisas e têm o seu espaço, a sua utilidade, mas nós é que devemos ser a força motriz da vida das nossas crianças. Nós é que temos de tirar tempo para nos descalçarmos e brincar com eles. De os envolver nas tarefas da casa, para que se apercebam de que as coisas não aparecem feitas como que por artes mágicas. De ir com eles ao supermercado para que percebam o dinheiro que custa aquilo que têm sempre em casa. Para os ouvir (mas não para fazer todas as suas vontades), para conversar com eles, para os habituar aolhar em volta, para que levantem os olhos do próprio umbigo. Para que aprendam a juntar dinheiro para comprar um brinquedo mais caro, que demora a conseguir, mas sabe tão bem. Para que percebam que mais tarde, mesmo que não tenham necessidade disso, ter um emprego de Verão não lhes vai roubar a preciosa adolescência e ainda lhes vai ensinar responsabilidade e o que custa ganhar dinheiro.

Porque o dinheiro custa a gastar e gasta-se muito depressa. Mas dá gozo podermos pagar do nosso bolso algo que gostaríamos de ter e de outra forma não poderíamos. E há quem não possa mesmo trabalhando. Adultos e meninos. Crianças exploradas cujo único indício de serem crianças é a sua idade. Crianças que mesmo não tendo praticamente nada são felizes. Que não se podem dar ao luxo de fazer uma birra.

Queremos tanto bem às nossas crianças que as estamos a estragar. Mas é tempo de irmos aprendendo também as nossas lições. Dizer mais vezes “não” mesmo quando poderíamos dizer mais vezes que “sim”. Educar é um trabalho difícil, pouco reconhecido, por vezes ingrato, mas somos nós que temos de o fazer.

Porque a responsabilidade é nossa quando trazemos uma criança ao mundo. De lhe dar o que precisa, de o mimar com o que talvez não precise tanto, de lhe ensinar o que sabemos e de irmos aprendendo em conjunto para sermos melhores. Para que o facto de hoje haver mais (apesar da maldita crise), não torne o nosso mundo num lugar menos desejável para se viver. O que se pretende é exactamente o contrário.

Eugénio de Andrade dizia:

É urgente o amor
É urgente um barco no mar
É urgente destruir certas palavras,
Ódio, solidão e crueldade,
Alguns lamentos, muitas espadas.
É urgente inventar alegria,
Multiplicar os beijos, as searas,
É urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.

(…) “

Não nos esqueçamos do que realmente importa. Porque o que é urgente está dentro de nós e não há dinheiro que o possa comprar.

Por Marta Coelho,
para Up To Lisbon Kids®

Todos os direitos reservados

Nunca mais acordas com o despertador
O teu novo despertador, que não precisa de ser programado, acorda-te invariavelmente antes da hora. Mas não te importas porque o seu sorriso, o facto de esticar os bracinhos a pedir que lhe pegues, é um milhão de vezes melhor que qualquer melodia que tenhas escolhido para esse efeito.

Passas a ir à praia tão cedo que até as gaivotas estranham
E sais de lá à hora a que normalmente chegavas. Mas é um novo hábito saudável, porque estás ao sol na hora em que é menos prejudicial e voltas a brincar nas poças de água, constróis castelos na areia molhada e até gostas de ficar estilo croquete porque o teu rebento te enche de areia.

Tudo se transforma em música
E com a melodia do Come a Papa inventas versos conforme a necessidade. “Dá o bracinho, Mariana, dá o bracinho. Para vestir e ir embora para o jardim, embora para o jardim…”.

Podes voltar a fazer macacadas na rua sem as pessoas te olharem de lado
Com o bónus de receberes uns olhares cúmplices e sorrisos ternurentos. Voltas a ser criança, sem ligar ao que os outros pensam porque exteriorizas um estado de alma que te acompanha todos os dias: estás completo.

Quando o teu filho te deixa dormir até às oito da manhã sentes que dormiste vinte horas
Mesmo que só tenhas dormido quatro e acordado duas vezes durante a noite. O corpo habitua-se às condições de privação de sono de uma forma incrível e acordas fresca que nem uma alface (nos dias bons, pronto…).

O chão da tua casa tem sempre migalhas de pão, ou bolacha, por mais que a limpes
E fica pegajoso cinco minutos depois de passares a esfregona. E o sofá tem umas manchas que não vinham no produto original. Mas não vives num museu e a razão de teres a casa de cabeça para baixo anda a gatinhar com um sorriso desdentado na cara e sacodes as migalhas e deixas a tarefa de limpar para depois.

Relembras as músicas que estão guardadas num cantinho do teu cérebro há décadas e voltas a cantá-las.
Percebes que houve umas quantas actualizações mas, regra geral, consegues cumprir bem a tarefa. Já não se atira o pau ao gato (porque isso não se faz) mas os pobres filhos da Linda Falua ainda ficam, porque a mãe não os pode sustentar.

A tua roupa nunca mais volta a estar cem por cento impecável (nem vamos falar do cabelo…)
Entre vestires e chegares ao carro, mesmo que só tenham passado cinco minutos, é como se tivesses atravessado um tornado.

Os brincos compridos passam a ser considerados um objecto de tortura chinesa – e arrependes-te de todas as vezes por tentares mais uma vez usá-los porque pode ser que desta vez ela não repare e não os puxe com força.
E as pulseiras. E os colares. Aprendes a usar acessórios de uma forma alternativa e viras ninja para te desviares dos ataques daquelas mãos rechonchudas.

Voltas a brincar e a divertir-te imenso com isso.
A criança que há dentro de ti volta a espreitar e encontras a felicidade numa colher de pau a fazer sons num tuppeware, no simples percurso de uma bola saltitona a bater nas paredes da casa e a voltar para junto de ti.

Passas a relativizar as coisas que antes te tiravam o sono sem razão. E dás valor aos pequenos momentos.
O mar, a areia, os animais, até a forma como as pessoas falam, tudo é uma redescoberta. Passas a ver o mundo pelos olhos das tuas crianças. A questionar coisas que tinhas como adquiridas e de que já não te lembravas de perguntar por que são assim. Olhas para cima, coisa que acabaste por deixar de fazer com a pressa do dia-a-dia. Vês novamente a forma das nuvens, os frisos do último andar dos prédios, a forma como o vento faz dançar as folhas das árvores. Apontas para os bichos-de-conta e dás saltinhos para não os pisares. Observas a forma mágica como os aviões rompem o céu. Dás por ti a reparar no reflexo de uma taça com água no tecto da sala, provocado pelo sol. És feliz por todas estas pequenas coisas. Por o teu filho te adormecer no colo. Por te apertar a mão com força, por se aninhar no teu pescoço. Por sorrir quando te vê, por se mostrar contrariado quando as coisas não correm como esperava. Por não desistir quando quer uma coisa. Por estar a crescer bem, saudável. Por poderes ver isso tudo de perto.

Que privilégio.

Tudo muda, mas não trocavas nada disto pela mais descansada noite de sono.

Afinal, a vida acontece quando estamos acordados.

Por Marta Coelho,
para Up To Lisbon Kids®

Todos os direitos reservados


O amor não se explica. Se se conseguir explicar, é porque não é amor. Vou tentar não te encher de frases feitas, minha querida. Porque o amor está à tua volta, basta estares com atenção.
É amor o que sentes quando o pai chega a casa e queres muito que ele te pegue ao colo.
O que existe entre mim e o pai, em cada gesto, em cada sorriso, em cada piada que trocamos.
O que vês quando chegas perto dos avós e eles largam tudo o que estão a fazer só para te abraçar.

É amor quando não te deixo andar livremente pela cama, porque estás sempre quase, quase a cair para o chão.
Quando te limpo as lágrimas depois de teres mordido a língua por ainda não estares habituada a ter dentes.
Quando o pai e eu te olhamos a levantares-te sozinha na cama e a sorrires triunfante por não teres tido ajuda.
Quando te deito e não queres dormir e queres brincar e insisto, porque tens de descansar.
Quando te canto, nuns dias mais afinada que em outros.

É amor o que aquele menino do café faz à irmã, apertando-lhe o sapato.
O que as nossas vizinhas sentem quando vão passear os seus cães.
O que aqueles amigos mais velhos sentem quando correm, faça frio ou faça sol.
O que o casal de adolescentes sente quando discute, numa cena constante de ciúmes, porque ele não lhe dá a atenção que ela queria.

É amor o olhar melancólico daquela velhota que encontramos à tarde, de cigarro quase apagado pendurado nos lábios, quando nos olha e diz “os meus também já foram assim”.

É amor, e também medo, o que aquela mãe sente quando segura a mão do filho, mesmo por um triz, antes de ele atravessar a rua sem olhar para o lado a ver se vêm carros.

É amor o que aquele rapaz das sardas e sempre de headphones sente quando finge estar a ler um livro e observa a rapariga do 12º andar a passear o seu caniche.
O que sentem as pessoas quando gritam “golo” ou aplaudem no fim de um espectáculo.

É amor o que sentem os pais que se despedem dos filhos no aeroporto, sem saberem quando voltarão a vê-los.
O que sentem os pais, à porta da escola, a segredar ao ouvido dos filhos que eles são capazes, que é só um exame, que estão preparados.
O que sentem os pais que dizem aos filhos, na mesma porta da escola, que deviam ter estudado mais.

É amor quando um grupo de jovens se junta para defender um amigo, vítima de injustiça.
É amor (próprio, tão, tão importante) quando alguém decide dizer basta numa situação de violência.
É amor quando cuidamos dos outros, quando nos lembramos de cuidar de nós.
É amor quando fazemos o que gostamos e aquilo de que gostamos um bocadinho menos, porque é importante que o façamos.

É amor, mesmo quando parece que ele não existe.
Tudo é amor, mesmo na ausência dele.

Que tenhas uma vida cheia de amor, que o consigas encontrar à tua volta e, mais importante de tudo, dentro de ti.

Por Marta Coelho, para Up To Kids®

Todos os direitos reservados

O Roberto tem cerca de dezassete anos e joga futebol.

O seu pai, como tantos outros, está presente nos jogos e acredito que em todos os treinos também. Como tantos outros pais quer que o Roberto singre, que dê mais, que mostre o que vale. Acredito que ame o Roberto, que veja nele impossibilidades infinitas e sinta que está a incentivá-lo a chegar mais longe.

Mas, de fora, o que vejo é um pai que se posicionou junto à linha lateral e dali não sai. Grita a plenos pulmões a cada jogada. Insulta o árbitro, insulta os jogadores que fazem falta sobre o filho, insulta os jogadores que não passam a bola ao filho, insulta o Roberto, dirige-lhe palavras que acredita serem de incentivo (ainda que a maior parte delas lhe aponte os erros que está a cometer). Quando um outro jogador falha um golo certo, solta um palavrão mas apressa-se a dizer em voz alta “força, Miguel, para a próxima marcas”.

O Roberto não tem a sorte de ouvir esse tipo de palavras. Acredito que o pai do Roberto tenha querido jogar à bola quando era miúdo. Pode ter inclusivamente jogado, chegado aos escalões principais, sonhado chegar mais longe. Mas não chegou, porque não o reconheço como sendo um jogador de antigamente.

O Roberto, provavelmente ainda a aprender a andar, apaixonou-se por uma bola de futebol, como tantos outros miúdos. O pai nunca mais o deixou deixar de gostar da bola. Isto digo eu, que não estava lá para ver, mas posso imaginar. Ou pode ter sido o Roberto que sempre gostou de jogar e pediu ao pai para jogar futebol a sério. Seja qual for o cenário, o pai está ao lado dele.

Imagino também o Roberto nos intervalos das aulas a chutar à baliza e o pai chatear-se com ele por se poder magoar a sério a jogar à bola com uma cambada de amadores. Ou se prefere passar os intervalos a ouvir música com os amigos e a falar de miúdas, imagino o pai a dar-lhe na cabeça porque tem de se concentrar, de se focar. O pai do Roberto quer que ele seja o próximo Cristiano Ronaldo. Mas a Dolores não passou todo o seu tempo livre a gritar aos ouvidos do petiz que ele era uma nódoa, que tinha de correr mais, que não se estava a esforçar o suficiente – principalmente porque o Ronaldo não fazia nenhuma destas coisas.

Provavelmente o Roberto nem gosta de jogar à bola. E se gosta, a pressão que sente deve começar a tirar-lhe o prazer de estar dentro de campo. Há miúdos que funcionam bem com pressão, mas deste tipo parece-me contraproducente. Durante muitos anos acompanhei amigos que jogavam em clubes de hóquei em patins, campeonatos de natação, mais tarde futsal com o namorado e estes pais existem aos magotes. Ameaçam o árbitro porque deixou escapar uma falta sobre o seu filho, instigam os treinadores a tirar os seus filhos do banco, durante os jogos gritam e pressionam.

Claro que também há os outros pais, que no jogo do Roberto iam tentando acalmar o pai dele dizendo “deixem os miúdos trocar a bola sem estarem sempre a gritar para marcarem golo” ou “é só um jogo de miúdos, vamos ter calma”. Mas a verdade é que fico sempre a pensar que tipo de adultos serão estes miúdos. Se, face a contrariedades, gritam com os colegas, espelhando a sua frustração nos outros. Se, incapazes de chegar mais longe, apontam o dedo aos que estão à sua volta. E, se sim, se isso não é culpa dos pais.

Ler também O reflexo distorcido e o bárbaro lusitano

Como pais queremos o melhor para os nossos filhos. O que é o melhor será sempre relativo. Acreditamos neles, achamos que são capazes de tudo. Mas não são. Serão raros os casos de crianças capazes de tocar piano, falar mandarim, serem detentores do record olímpico no salto em altura, serem campeões nas olimpíadas de matemática – tudo ao mesmo tempo.

Quando lhes dizemos que podem ser o que quiserem, que basta tentar, talvez devêssemos dizer que devem tentar sempre antes de desistirem daquilo que querem ser.

É diferente, tão diferente. Porque, mais tarde ou mais cedo, eles vão perceber que não são super heróis. Que não são capazes de tudo, que são crianças cheias de potencialidades, sim, mas que têm de encontrar o seu caminho. E é aqui que devemos estar, a orientá-los, a ajudá-los, a deixá-los tentar mesmo sabendo à partida que não vão conseguir. Faz parte do crescimento, faz parte da forma como devem ver o mundo. Se há crianças que têm uma auto-estima muito baixa e precisam de incentivo constante? Há, mas o incentivo deve existir de forma positiva e não encher as crianças de uma ansiedade, receio e insegurança extra.

Voltando ao Roberto, espero que ele seja capaz de filtrar a influência que o pai tem nos seus dias. Que tenha a capacidade de perceber que, apesar de tudo, mesmo que não marque, que deixe passar o central, que não consiga chegar àquela bola, que tem valor. E espero também que haja outra dimensão na vida dele, que goste de fazer outras coisas para além do futebol, porque se não correr como o pai dele quer ou se ele não conseguir corresponder, então poderá ficar sem chão. E sem sonhos.

E sem sonhos, morre-se um pouco todos os dias.

Não é isto que queremos para os nossos filhos.

Queremos que vivam. Que acreditem em si, conhecendo as suas limitações, trabalhando para as minorar. Que percebam que o amor que sentimos por eles não está dependente dos seus sucessos. Que sejam felizes com as pequenas coisas. Mesmo que essas pequenas coisas sejam as brincadeiras que acontecem no balneário depois de uma vitória tão desejada (mesmo que não tenham jogado).

Porque, na vida, nem sempre vamos a jogo. E temos de aprender que todos os papéis são essenciais, cada um à sua maneira.

 

imagemcapa@Weheartit.

No caminho para creche da minha filha passo por um sem número de tipos de mães.

A stressada, que anda a mil à hora e quase arrasta os filhos pelo passeio fora, a delicada, que sussurra palavras doces enquanto os diabretes trepam às árvores, a carinhosa (não deviam ser todas?) que ajeita o laço no cabelo da filha enquanto ela saltita na passadeira, a despachada, que leva dois filhos ao colo e dá indicações ao terceiro para que não se afaste.
Não sei que tipo me atribuem, até porque acho que somos muito mais que um simples rótulo, mas para muita gente sou a chamada “chata”.

  1. Não pego na minha filha ao colo de cada vez que chora
    Ela chora porque quer atenção, porque se saímos da sala sente que ficou sozinha no mundo e chora muito sentida. Está nessa fase e tento não resolver a situação pegando-lhe imediatamente ao colo. Falo com ela, canto, distraio com brinquedos. E às vezes pego-lhe ao colo. Há guerras desnecessárias que não vale a pena comprar.
  2. Não deixo a minha filha comer de tudo
    Não é por mera embirração, simplesmente ela – aos nove meses – ainda não pode comer de tudo, por mais que as pessoas tendam a não conseguir aceitar isso. Não, ela não vai pegar nessa batatinha frita cheia de óleo e sal, comê-la e lambuzar-se.
    Não, ela não precisa de uma pitadinha de sal na sopa nem de uma colher de açúcar no iogurte natural. Está a conhecer os sabores das coisas, aqueles sabores que acabámos por nos esquecer, de tantos aditivos que acrescentamos. Está a deliciar-se com a simplicidade e a complexidade natural da comida. E acredito que o bem que lhe faz compensa os comentários que às vezes ouvimos.
  3. Não deixo a minha filha meter na boca tudo o que apanha
    Agora que começou a gatinhar encontra de tudo um pouco pelo caminho, mesmo quando temos a certeza de que os objectos estão todos arrumados ou bem escondidos. E sim, não a deixo brincar com esferográficas, nem com o carregador do telemóvel ou as chaves de casa – avisei que sou chata, não avisei?
  4. Não dou à minha filha tudo de bandeja
    Sou chatinha e deixo os brinquedos mais longe, para que ela os venha buscar. Se lhe der tudo sem estimular vai ficar uma panhonha. E provavelmente começar a andar só quando entrar para a faculdade.
  5. Ando com uma muda de roupa extra na mala
    Foi um bebé bolsão, ainda o é um bocadinho e não há roupa que resista às bolachas Maria. Quando acaba de comer uma, coisa que demora quase meio século, é como se tivesse enfiado a cara no prato da papa. A cara, as pernas, as mãos… Por isso, sim, gosto de a limpar e de lhe trocar a roupa quando é caso para isso. Nos outros dias ando simplesmente carregada demais.
  6. Ponho-lhe protector solar todos os dias
    Mesmo sendo o maior desafio das nossas manhãs, em que ela vira o demónio da Tazmânia assim que vê a embalagem de protector solar (e percebe que não serve só para morder). Ela tem a pele escura, mas a pele escura apanha sol como as outras. Pode não ser tão sensível, mas a radiação quando nasce é para todos. Mais tarde, quando tiver uma pele saudável e sem rugas espero que me agradeça.
  7. Encho a minha filha de beijos e abraços em demasia
    Esse podia ser outro rótulo para mim, para além de chata. Beijoqueira. Muito beijoqueira. Aperto-a com todas as minhas forças. Inspiro o seu cheiro como se o mundo acabasse em três segundos e precisasse de levar comigo algo muito precioso. Faço cócegas e aperto-lhe a barriga para se rir. Canto-lhe a toda a hora. Explico-lhe coisas que ela não compreende. Aponto-lhe pormenores de coisas que ela não vê. Conto histórias de pessoas que não conhece. Peço-lhe para ser boa com ela, com os outros. Para crescer saudável, mesmo que isso não dependa dela. Para se respeitar. Para ser educada. Para ser feliz. Peço mas tento dar em dobro. Não coisas, mas pequenos gestos que espero que a acompanhem sempre. Cumprimentar as pessoas quando chegamos a algum lado. Agradecer quando nos seguram a porta ou nos deixam passar na passadeira. Reparar quando são simpáticos connosco e desejar termos melhor feitio que algumas pessoas que de manhã já estão muito contrariadas.

Sorrir quando vemos um livro que gostamos de “ler” as duas, dizer em voz alta o nome das pessoas para ela se habituar a eles. Dar bom dia ao sol que nos entra pelo quarto de manhã, todos os dias, independentemente do tempo que está. Pequenos gestos, grandes pegadas. Para que ela se torne uma pessoa decente, que tenha orgulho em quem é, de onde vem, de como cresceu.

 

“Por mais que tentes, não há nada que te possa preparar para o que vais sentir quando tiveres a tua filha nos braços. Será como se tivesses esperado toda a tua vida por esse momento, em que o vosso coração bate em uníssono, em que a mãozinha pequena dela agarra o teu dedo com força e confia que vais cuidar dela.”