Dizem que se ele matasse nada seria igual. É vê-lo de mãos dadas com o “amargo de boca”. Nunca tem relógio, por isso, ou chega em cima da hora ou passados minutos. Outras vezes demora dias a chegar. Há até casos registados em que ele demorou anos a chegar! Se a felicidade fosse um lugar (não é, mas falarei sobre isso em breve) poderíamos dizer que chegava lá (à felicidade) quem não o sentisse na hora de morrer.

Senhoras e senhores, apresento o “Arrependimento”!

Sete arrependimentos (pouco) mortais:

  1. Logo pela manhã, vê-a experimentar umas calças largueironas (serão corsários?!)“Ficam-te muito bem!” A afirmação já saiu. Instintivamente. Ligeira. Breve. Esta tríade só pode levar a ele. Ao arrependimento.
  2. Está a acabar de jantar. Os miúdos perguntam se podem ir ver televisão. A ideia parece excelente. Assim, acaba de comer tranquilo, põe a conversa em dia com calma. Até namora um bocado. Os minutos de silêncio são interrompidos pelos ruídos incómodos de uma guerra pelo telecomando. Acaba por se levantar e mandar os miúdos para o quarto. Para a próxima, não vai dizer que podem ir ver televisão, sem antes deixar claro algumas regras. Ou para a próxima, vai exigir que fiquem na mesa até todos terminarem.
  3. No parque, as crianças estão todas a subir pela aranha. O seu filho hesita. Tinha dormido mal, estava cansado e não lhe pareceu uma aventura digna para essa manhã.
    “És um totó! Não vês os outros a brincar?!” Os olhos dele ficam cobertos com as lágrimas próprias de quem sentiu. Próprias de quem tem sentimentos. Próprias de quem não é totó. Sempre que passa no parque e vê a aranha, lembra-se das palavras que não devia ter dito. E pensa: – “Fui um totó!”
  4. A água sai do chuveiro com força. A temperatura é a ideal. Está tudo bem, até que repara num pato amarelo abandonado num canto da banheira. Se o comprou, porque resolveu dizer logo “não” quando o seu filho lhe pediu na véspera se podia brincar um pouco na banheira? Agora sempre que vê o pato, lembra-se das vezes que criticou os pais que compravam brinquedos para depois os arrumarem no armário.
  5.  A viagem de carro segue tranquila. Pelo menos com a tranquilidade possível para quem viaja em família. Aquele colega de trabalho resolve ligar para o seu telemóvel. Atende, faz conversa de circunstância e depois diz: – “Este tipo é mesmo chato…” Joga a seleção e os amigos reúnem-se lá em sua casa. Entra o tal amigo. O seu filho olha para ele, olha para si, volta a olhar para ele, e diz: – “O meu pai acha que és um chato!” Talvez tenha sido a vingança por não o ter deixado brincar um pouco no banho. A verdade é: arrependeu-se do comentário.
  6. Sempre que há um casamento, lembra-se do casamento do seu primo. Tinha recebido um extra naquele mês, o seu primo até tinha “a mania”, por isso justificava-se : sapatos novos para toda a família! Nem foi preciso muito tempo para o arrependimento surgir como uma bolha. Como uma equipa de bolhas. No seu pé e nos pés de toda a sua família.
  7. Assim que dá luz verde para o seu filho trazer os amigos para dormir lá em vossa casa, lembra-se logo da ultima vez. Dois é bom, três já é difícil, quatro é impossível!

E de arrependimento em arrependimento lá vamos andando.
Uns serão incontornáveis.
Outros farão crescer.
E fica a questão: na hora de morrer terá sido feliz quem não tem arrependimentos ?
Ou será que precisamos deles para sermos felizes?

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(TRABALHO PARA DISCIPLINA DE CIDADANIA)

Metade da minha família vive em Angola. Umas dessas pessoas são os meus avós paternos.

Como muita gente, eles tiverem que emigrar para terem uma vida melhor e um melhor emprego. Eles já lá estão há cinco anos. Há cinco anos que eles não me vêem crescer, que não passo um fim-de-semana com eles, que não vão a uma festa de anos minha.

Tenho muitas saudades deles e eles minhas, quando eles vêm cá passar férias sinto que já não os conheço muito bem e sinto que eles também já não me conhecem muito bem. Mas é normal, eles foram para Angola quando eu tinha sete anos, agora tenho doze anos, já não sou nenhuma criança, já tenho outro comportamento.

Como eles estão longe não me vêem a crescer e não percebem muitas vezes porque ando mais com o telemóvel, porque é que tenho “instagram” e outras coisas.

Gostava muito que eles estivessem comigo e que me ajudassem a crescer e a tornar-me uma boa cidadã. Para eles também não deve ser nada fácil não verem os netos a crescer.

Apesar de eles estarem longe, falo muito com eles e conto-lhes o que se passa na minha escola e como vão as minhas notas. Claro que preferia poder falar sobre isto pessoalmente.

Eu e o meu irmão estamos-lhes sempre a perguntar quando é que vêm para cá, eles nunca nos dão uma resposta concreta. Eu acredito que qualquer dia eles vêm.

Queria muito tê-los ao pé de mim, mas a vida é mesmo assim.

Longe ou perto vão ser sempre os meus avós e vão estar sempre prontos a ajudar-me

 

RESPOSTA DO PAI (O FILHO DOS AVÓS)

Obrigado filha por teres escrito tão bem. Lembraste-me de tantas coisas importantes. Lembraste-me de estar mais atento aos teus silêncios. Os silêncios dos pré-adolescentes. Não falando, dizem tanto. Pensam tanto. Sabem tanto. Os pais devem estar alerta!

Os teus avós, como a maioria dos emigrantes, são das pessoas com mais fibra, porque nos ensinam que nunca é tarde. Ensinam-nos a importância de lutar. Dão um exemplo de persistência. Demonstram capacidade para perseguir sonhos. É o que devemos fazer.

Os avós estão “na terra”. Uma “terra” agridoce, mas a “terra”. Persigamos a nossa!

Tu lembras-te pouco da tua vida até aos sete anos, mas acredita que é uma fase muito importante do desenvolvimento. Uma grande base para a vida. E eles estiveram sempre. E bem. Muito bem! Aprendi muito com eles e hoje sou melhor pai por isso.

E temos que ver isso do telemóvel. Como diz a músic: “ Também não exageres…”

Adoro-te. E também sinto a falta deles. É, no fundo, bom sinal. Longe ou perto, vão estar sempre prontos a ajudar. Tens razão. E qualquer dia eles vêm.

Casais que também são Pais. E não Pais que também são Casais. Sabemos que há diferentes tipos de famílias. Para aqueles que vivem “em casal” deixamos aqui sete dilemas fundamentais. Porque para termos crianças felizes e saudáveis, a raiz deve estar bem regada.

 

Dilema 1: Espontaneidade vs Programação
Os dias passam a correr. Então agora com a chuva, o tempo parece ainda mais precioso. Os carinhos que surgem de forma não programada, os acasos felizes e jantares a dois, são brisas do mar. Mas raras. Brisas raras (há uma música assim, não há?). Por isso, os casais devem ser capazes de programar. Programar momentos a dois, jantares ou passeios, finais de tarde ou pequenos-almoços. Só o ato de programar já é motivador. Por vezes vem a ingrata da preguiça…(re)programe-se outra vez!

Dilema 2: Andar à vontade vs Vestir aquela roupa
Chega o domingo e com ele o frio. As castanhas não estão a apetecer. O geladinho da moda também está fechado. A roupa descontraída pode e deve ser usada com aqueles que nos são mais próximos. Com aqueles com quem não temos vergonha. Mas não se pode. Vamos vestir os miúdos, mesmo que seja para passar a tarde em casa, vamos vestir-nos a nós. Vamos ficar mais bonitos e…às tantas, lá apetecem as castanhas, lá apetece a volta de fim da tarde, e enquanto eles brincam, lá se namora um bocado.

Dilema 3: Ficar calado vs Elogiar
Já se conhecem tão bem. Já disseram tanto. Já trocaram juras, cartas, sinais de fumo e tudo. Já não há elogios novos. Um olhar basta. Mas não basta. Há que colocar em palavras os sentimentos. Uma e outra vez. Até é permitido ser lamechas. É urgente elogiar a mãe em frente aos filhos, em frente aos sogros, em frente aos amigos…é urgente elogiar o pai sem ser apenas para as amigas. É urgente elogiar ao ouvido…

Dilema 4: Tabuleiro vs Refeições
Uma vez por outra, até não há problema. Suja-se menos loiça. Vamos para o sofá. Não se cozinha. Manda-se vir a refeição. Toca a sirene de alerta. Muitas vezes não temos consciência da frequência do uso do sofá para refeições. Os casais devem comer ao mesmo tempo e na mesa. E com os filhos. Se os miúdos acabarem mais cedo, depois de um bocado para partilharem o momento com os Pais, até podem levantar-se para eles terminarem sozinhos. E aí, os casais partilham as suas piadas, recuperam as suas energias, relembram o encanto mútuo. Uma refeição é muito importante para o casal e, por consequência, para os filhos.

Dilema 5: Não dar “parte fraca” vs Engolir o orgulho
Temos razão. E quando temos razão não há nada a fazer. Temos razão e pronto. Agora não vou falar. Não me vou rebaixar. Ouve a sirene? Se cada um pensar que tem razão, começa uma luta ingrata. Nesta altura à que relembrar os motivos da união. Os motivos e os sentimentos. Os alicerces. E falar. Em simultâneo é improvável…alguém deve dar o primeiro passo.

Dilema 6: A galinha da vizinha vs A nossa família
Aqueles são perfeitos. Ela é linda. Ele, lindíssimo. Não falam alto. Andam arrumados. Nós não. Nós estamos sempre a discutir. Há que olhar menos para as janelas alheias. Pelo menos se o objetivo for criticar a forma como a nossa “cara metade” educa, ou a forma como resolvemos os nossos problemas, ou a forma física do nosso parceiro…

Dilema 7: Trabalho vs Ir para a cama
Mais um email. Mais uma linha, mais…desculpem, mas acho que eu hoje vou ficar por aqui…

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Uma das queixas que mais ouço dos pais de adolescentes, é a de que eles não falam. Os pais tentam puxar algum assunto e nada. Muitos pais (e com toda a razão) ficam preocupados com este silêncio.

Falar é fundamental. Queremos estar inteirados das suas desventuras, dos seus sonhos, mas também sabemos que falar desenvolve a consciência.

Aqui vão dez pistas para colocar os adolescentes a falar.

1 – Lembre-se, a adolescência é uma fase difícil…
Pelo simples facto de estar preocupado com o seu adolescente, isso já é positivo. Por outro lado, não leve demasiado a peito este comportamento dele, provavelmente não está a falhar como pai ou como professor.

2 – Procure falar de si, para poder ouvi-lo falar dele.
Demasiadas vezes começamos as frases com “Conta-me o teu dia…” ou “Fala-me dos teus amigos…”. É importante o esforço de iniciar as frases por “eu”. Fale dos seus problemas, fale do seu dia, fale dos seus amigos e dê o exemplo. Claro que não é desejável que se transforme num adulto “secante”, capaz de falar do passado durante horas. No entanto, se oferecer um bom assunto, pode ser que receba na mesma moeda.

3 – Enfrente as suas vulnerabilidades sempre que desejar comunicar com um adolescente.
Ao contar episódios onde mostra algum erro ou alguma fraqueza, passa a ideia de que é humano e isso é positivo. Há quanto tempo não partilha um erro?

4 – Seja curioso.
Qual é a série que o adolescente costuma assistir?
Como se chama o pai do cantor preferido dele?
Descubra isto ainda hoje e tenha um tema de conversa.

5 – Evite ser demasiado crítico em relação aos gostos do adolescente.
Não será necessário invocarmos (até porque é polémica) a expressão “gostos não se discutem”, mas se for demasiado crítico, só irá afastar o adolescente.

6 – Faça perguntas. “O quarto está desarrumado” vs “O que podes fazer para melhorar o aspeto do teu quarto?” ou “As notas estão uma tristeza” vs “ Como te posso ajudar a estudar melhor?’”. As perguntas abrem pontes. As perguntas levam as soluções.

7 –  O adolescente não é o que fez, o adolescente não é uma ação.
Aprenda a distinguir “o que ele fez”, daquilo que “ele é”. Lembre-se: quanto melhor fizer esta distinção, mais hipótese está a dar ao adolescente de se desenvolver de forma saudável.

8 – Tenha os seus valores bem claros.
Se puder, escreva-os. Um adulto com valores (definidos e escritos) consegue educar melhor.
Um adolescente com valores, estará mais apto a comunicar.

9 – Se tiver demasiados constrangimentos, defina alguém de confiança para o ajudar a abordar as questões da sexualidade com o adolescente. Entendas as razões profundas das suas limitações sobre este tema. Se fizer esta reflexão, vai ficar um pouco mais apto para falar.

10 – Reescreva “O Principezinho” mas desta feita com um adolescente em vez de uma criança.

A – Acordar cedo e cedo acalmar, antes da cama abraçar.

O ditado popular que aqui altero, faz todo o sentido. O sono está a ser maltratado por muitos lares em todo o país. Sabemos que a “higiene do sono” é fundamental. E todos os dias nos defrontamos com crianças com marcas de noites mal dormidas.

As famílias devem refletir:

  • Porque nos deitamos cada vez mais tarde?
  • Porque não retiramos (ganhamos!) dez ou quinze minutos antes das crianças se deitarem para podermos estar com eles de corpo e alma?
  • Porque há televisões ligadas até tão tarde?

Fica o desafio:
Sabemos as cilindradas dos carros, sabemos números de cidadão na ponta da língua.
Qual é o número de horas que o seu filho deve dormir? Devemos saber isso também.

B – Brincar, brincar, brincar…

Em todas as idades brincar é fundamental! Dá saúde, desenvolve, aproxima pais e filhos. Como quase tudo na vida, é simples mas fundamental. E, por vezes, (demasiadas vezes) parecemos desprezar este grande pormenor. Uma criança feliz, uma criança que brinca, fica com o seu sistema imunitário mais poderoso.

Um lar onde se brinca, onde se dá atenção às emoções positivas, os dias passam mais felizes. Um sorriso, uma brincadeira, um momento de atenção, não devem estar condicionados pelos problemas do dia-a-dia!

Questões:

  • Alguém já pagou uma dívida por não brincar com o filho?
  • Algum problema já foi solucionado porque se colocou uma cara de zangado?
  • Alguma vez já se arrependeu por ter tido uma brincadeira com o seu filho?

Fácil é rir quando tudo corre bem. E quem disse que a vida é sempre fácil?

C – Comer com cabeça, cozinhar com coerência.

Cada vez que abrimos uma lata à pressa (a não ser que seja uma de atum em água) corremos o risco de estar a comer mal. Comer bem é fundamental para a concentração, para o desenvolvimento, para ter boas notas, no entanto, precisamos de usar o cérebro na hora de cozinhar.

Muitas vezes, precisamos começar na lista de compras. Retirar algum tempo para pensar na lista, diminui a probabilidade de comprarmos os ingredientes errados.

Falava de coerência na cozinha porque se formos partilhar com amigos o que achamos ser saudável, até costumamos dizer as coisas certas. O problema começa na hora de concretizar. No meio de tanta informação, naturalmente que cada família deve ser capaz de tomar as suas decisões.

 

Notas finais

 

Custa-me que haja escolas com horários terríveis para o ritmo natural das crianças. Como alterar este dado está, mais ou menos, fora do nossa alcance, resta-nos ser determinados na defesa do sono dos nossos filhos. É no sonho, é no sono que se entrelaçam as redes para um dia feliz.  

Não há idade para deixar de brincar. Nunca é tarde para aprender a brincar. Acho inspiradora aquela frase: “Será que a criança que foi teria orgulho do adulto em que se tornou?”

Eu sonho com um mundo onde os pais também debatem qual a lancheira ideal para os filhos levarem para a escola ou qual o jantar saudável e saboroso que criam em menos de 15 minutos.

 

Por Alfredo Leite, para Up To Kids®
Todos os direitos reservados

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NOTA INTRODUTÓRIA: DESABAFOS DE UM PAI PREOCUPADO

Agora que a minha filha mais nova foi para o Berçário, é natural que eu esteja mais sensível a todo este universo. Este universo onde há um turbilhão de sentimentos no peito de milhares de mães e pais que todos os dias levam os seus filhos para o Berçário, Creche ou Pré-Escolar.

É o tal paradoxo: sabemos que estão bem, sentimos a importância, somos bem acolhidos, contudo, há separação, ainda que temporária.

Só que, como sabemos, o tempo é relativo. Uma hora com dor de cabeça parece uma eternidade. Uma hora a assistirmos à nossa série preferida, passa a voar. Afastados dos filhos, fazemos do tempo um inimigo. E lá vem com malícia a “dona  culpa”, e lá vem com estrondo o “senhor peso no peito”. E lá surge traiçoeira a “menina lágrima”.  

Para me ajudar (pode ser que também ajude a si) lembrei-me de uma história. Fala de um conjunto de Educadoras muito especiais. E elas andam por aí, espalhadas pelo país. Acolhendo os nossos filhos. Ajudando-nos a fazer as pazes com o tempo. Lutando para termos menos dores de cabeça.  Elas dão-nos lições.  

 

Era uma vez as princesas de hoje…,
ou
As lições mais importantes que as educadoras podem dar a um mundo carente de otimismos.

Era uma vez um conjunto de destemidas Educadoras que resolveram fazer uma reunião para melhorarem ainda mais as suas práticas. Estas são as verdadeiras heroínas. As “princesas” do século vinte e um. A bruxa má é o descrédito, o desistir, o trabalhar por trabalhar…

O castelo escolhido para a reunião, foi uma sala de formação. Curiosamente, ou talvez não, a sala era num farol! Não é preciso ser muito sensível para descortinar o simbólico na palavra farol, certo?

A reunião impunha-se porque a bruxa má criou um monstro chamado “estagnar na profissão”. A reunião visava aniquilar o monstro, destruir a bruxa e libertar do perigo centenas de crianças. E, como uma espécie de extra, libertar da angustia centenas de mães e pais. O plano tinha sido traçado. Para se atingir os objetivos, as armas usadas seriam as da Psicologia Positiva. O estudo científico das forças e das virtudes impunha-se para contrariar as más vibrações. O trabalho sustentado no otimismo surgia como resposta para constranger a crise, as crises e a descrença no futuro.

  • As Educadoras desejam actualizar-se para serem capazes de ajudar as crianças a abraçar a magnificência do mundo.
    O mundo muda a uma grande velocidade. A sociedade altera-se e as crianças também. É importante lembrarmos que, biologicamente, as crianças estão iguais às nascidas há milhares de anos. Só que o ser humano está longe de ser só Biologia. É aqui que entra a cultura. O mundo está em mudança e isso afeta as crianças. Quem trabalha na Educação deve estar atento e actualizado, caso contrário, corre o risco de ficar ultrapassado.

  • As Educadoras estão atentas às forças, às emoções positivas, ao optimismo, à psicologia positiva.
    A psicologia sempre estudou o que estava mal no comportamento humano, sempre se dedicou aos problemas, à depressão, ao comportamento agressivo e à toxicodependência, por exemplo. No entanto, também se dedicava a ajudar as pessoas. E não precisa só de ajuda quem está mal. Quem está bem, também pode precisar de ajuda para melhorar. Para crescer. Para desenvolver competências. Só que a determinada altura da história a balança ficou desequilibrada. Estudava-se muito a depressão e pouco a felicidade. Estudava-se o problema, as possíveis soluções e falava-se pouco do que nos faz ser felizes.
    A reunião mal tinha começado e foi notório que a maioria das Educadoras tinha ido em grupos formados por outras Educadoras. Mas uma das Educadoras, fez questão de trazer as pessoas com quem trabalhava, mesmo elas não sendo Educadoras.
  • As boas Auxiliares também nos dão lições. E as outras Educadoras, por serem brilhantes, foram para as suas instituições partilhar tudo com as Auxiliares.
    A equipa é fundamental ! Claro que há hierarquia, claro que deve haver liderança, organogramas bem definidos e noção do papel de cada um. Mas é fundamental o líder envolver. E por outro lado, é determinante a equipa querer colaborar. As Educadoras que nos dão boas lições, envolvem os elementos da Equipa. As Auxiliares que nos dão boas lições, também desejam melhorar.
    Durante os trabalhos, sentiu-se que uma das Educadoras foi sozinha.
  • As Educadoras têm coragem para enfrentar sozinhas as suas guerras.
    É confortável termos um parceiro, uma amiga para partilharmos momentos. Isso ajuda.  Mas a boa Educadora quando  acredita, vai. Se ninguém quer ir, ela vai sozinha. Se querem puxá-la para baixo, dizendo que não vale a pena, ela não deixa.
    Na pausa da reunião, duas das Educadoras que tinham chegado com bastante tempo de antecedência à reunião, voltaram a ser as primeiras a entrar. E com um sorriso. Sereno e sincero.
  • As Educadoras são pontuais, gostam de o ser, gostam de ter tempo para preparar os pormenores, a sala, a música que vão colocar. Gostam de confirmar se as janelas estão como devem estar e recebem com leveza e serenidade.
    Uma das Educadoras interrompia, questionava, punha em causa, dava as suas ideias e colocava o seu melhor ar crítico. A capacidade de refletir criticamente é essencial para avançarmos na profissão. Estar atento ao que se lê, ser capaz de lançar pedras ao charco, é estimulante.
  • Os pais e educadores também dão lições. Há um caminho a percorrer até se acertarem as práticas. Por isso, não podemos deixar de colocar em causa. Avançamos, somos proativos, mas não desligamos o cérebro. Assim também vamos ser um bom modelo para as nossas crianças. Elas vão precisar de alguém capaz de as inspirar a pensar pelas próprias cabeças.
    A determinada altura, surge a questão: estávamos a fugir do tema, por falarmos pouco de crianças? A dúvida era legítima. No entanto…
  • As Educadoras entendem que na Psicologia do Desenvolvimento, podemos falar de estágios, de marcas do desenvolvimento.
    Quando falamos de Psicologia Educacional, podemos falar de dificuldades de aprendizagem. Quando abordamos a Psicologia Positiva temos que falar muito do Educador. Estamos a falar de prevenção. De atitudes dos adultos. De atitudes que irão influenciar a forma como as crianças olham para os problemas. Por isso, necessariamente falamos muito do Educador. Da forma como o Educador pode colocar em prática a “educação positiva”. Da forma como o Educador pode ajudar a desenvolver a resiliência nas crianças.

Abordar a Psicologia Positiva não é uma moda. E tenho a certeza de que não é para todos. Temos que ter vida. Experiência. Temos que praticar. Não basta decorar conceitos. E devemos aplicar nas nossas profissões com crianças. E nas nossas casas, devemos aplicar também. E assim, morre a bruxa, foge o monstro e desaparece o peso no peito. Pelo menos uns gramas. Graminhas.

NOTA FINAL: VERDADES DE UM PAI ESPERANÇADO

As crianças, todas as crianças, têm as suas forças;
Ficarei sempre tranquilo, enquanto sentir que andam por aí as Educadoras que desejam conhecer formas de ajudar os meus filhos a desenvolverem essas forças;
As emoções positivas elevam a criança numa espiral (ver Dra. Barbara Fredrickson);
Preciso de Educadores mestres nas emoções positivas;
As Educadoras, algumas Educadoras, também são mães. É bom lembrar!;
Como pai, preciso ser mais positivo em relação ao trabalho realizado na Creche;
As Educadoras que nos dão lições, são pétalas da Chocolate Cosmos com perfume raro;
Tenho que lutar para transformar em quilos os gramas retirados ao peso no peito.

 

Por Alfredo Leite, para Up To Kids®
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Acordas um pouco antes do despertador tocar. Um momento apenas. Chegas a mão ao telefone e constatas que, afinal, são duas da manhã. Estás sozinho na cama. A ausência dela, revela que os sons sentidos (mais do que ouvidos) eram da bebé a chorar. Ela já lá foi. Acalmá-la. Ou dar de mamar…talvez sejam sinónimos. Custa-te. A tentativa de voltares a dormir tranquilo é vã, mas a frase não te sai da cabeça: “Que noite horrível! Não pode ficar pior!”

O resto já não é sono, é uma espécie de nada. Um par de horas mais tarde, o do meio (ai o tanto para dizer sobre o filho do meio…) acorda mal disposto. Levantas-te e dás-lhe água. Ainda ficas na dúvida. Pode ser medo. Estás de volta ao quarto e ouves o barulho que te faz voltar para trás. Chegas e percebes que o teu filho vomitou. “Uns choram, uns vomitam…o que vão fazer mais?!”

O resto já não é noite, é uma espécie de manhã antecipada.

Sais para o trabalho depois de constatares que a balança não ajudou nessa manhã. Culpas a retenção de líquidos. Culpas os genes. Culpas a noite mal dormida. Culpas os miúdos. Talvez pela falta de segurança, não cativas as pessoas com quem te cruzas no trabalho. Sentes que não gostam de ti. “Estes não estão mesmo a ir com a minha cara…

Enfrentas o dia de trabalho no teu pior. Com sono. Cansado. Com olheiras. Com calor. Com um frio no estômago, causado pela dúvida sobre a causa da má disposição do teu filho do meio. Dás por ti a deixar o carro descair, quase batendo no de trás. Os pensamentos estão num turbilhão. Em vez de teres a cabeça “limpa” para chegar bem para apanhar o teu filho, aumentas as probabilidades de não chegares por teres um acidente.

Apanhas o miúdo e ainda chegas a casa com mais vontade da corridinha da ordem. Nada te vai impedir. Os miúdos já têm lá a mãe, já podes. Sais disparado. Sentes uma fisgada no gémeo. Voltas para casa lesionado. O miúdo continua mal disposto. A bebé chorou na Escola. A tua companheira tem um aspirador para andar a tiracolo. Achas estranho. Gritas com todos!

Pegas no copo de vinho e sabe mal. Está quente. Ou frio. A culpa deve ser também da retenção de líquidos. A bebé parece estar especialmente rabugenta. O rapaz, bem, o rapaz, passou o dia a vomitar…pede para vestir um pijama de inverno e nem está frio. Também deve ter febre. Ou é friorento. Deve ser dos genes, dado que também lhe custa um pouco levantar, como à mãe.

Voltas à questão base: Será que sei viver? Será que sei educar? Será ?! Precisas virar o jogo. Ou ir dormir. O que podes fazer?

Há duas saídas. Ou deixas o dia andar, e vais-te deitar. Ou arriscas. Ou sonhas. Ou tentas brilhar. Tentas sorrir. Podes telefonar àquela pessoa, podes dar um beijo prolongado à pessoas que amas, podes pedir um abraço de grupo ou podes falar com a tua mãe. Também podes pegar no teu livro. Ou ouvir a tua música. Podes ir para a rua tentar conhecer alguém. A sério. Podes arriscar. Foi o que eu fiz. Guardo para mim os pormenores da opção que escolhi, mas o risco fez-me viajar até às questões essenciais. E as frases, as respostas, nem sempre vêm completas. Por vezes, há uma frase misteriosa capaz de catapultar um bom sentimento.

 “Se ouvires essa música com atenção, vais encontrar um pouco da nossa história.”

Pus a música a tocar, e assim relembrei que a vida tem a cor que tu lhe dás. Sete cores de um arco-íris imaginado.

  • Nem sempre dizemos aquilo que queremos dizer. Nem sempre as nossas palavras, a nossa linguagem, consegue expressar tudo aquilo que estamos a sentir. E o outro, o que nos ouve, também vai interpretar à sua maneira. É a complexidade da comunicação a perigar o nosso bem-estar.
  • Por vezes, também dizemos para nós mesmos coisas que não devíamos dizer. Somos vítimas do nosso pensamento. Vítimas de um mau diálogo interior. “Que noite horrível! Não pode ficar pior!” Esta frase, estas palavras, estes pensamentos, fizeram-me bem? Ajudaram a minha mulher? A minha família? E, já agora, ninguém vomita por querer.
  • “ Estes não estão mesmo a ir com a minha cara…”. E depois? Será que todos têm que gostar de mim? Claro que não. E mesmo os filhos, se eu estiver no bom caminho, vão ter momentos em que “não gostam de mim”. Agradar a todos não é para todos. Talvez não seja para ninguém. Há-que tirar da cabeça o querer “agradar a gregos e troianos”.
  • Pensar leva a agir. E pensar no momento errado nas coisas erradas leva a más ações. Em alguns momentos, deves agir (guiar com calma, com assertividade) para colocar o cérebro a pensar no essencial. A ação repetida também leva a modificações nos sentimentos e nos pensamentos. Concentra-te nas mudanças, nos pedais, na estrada…
  • Pede desculpa. Tão simples quanto isto. Se gritaste com alguém que não tinha culpa, pede desculpa. Assume que erraste. E, se for rotura muscular, coloca gelo. Lembra-te sempre: Quando o casal está bem, os filhos estão também, por isso, pede desculpa.
  • Arranja um despertador para os miúdos. Um para acordarem e, porque não, um com um alarme para a hora de deitar! Se lhe custa levantar, pode ser sono. Pode ter dormido pouco.
  • Completa os enigmas que a vida te apresenta. “Se ouvires essa música com atenção, vais encontrar um pouco da nossa história.” Se leres com atenção o que escrevi, vais encontrar algumas das tuas perguntas. Sim, perguntas. São, quase sempre, mais importantes do que as respostas.

E assim, o dia terminou. Mais do que perfeito.

 

Por Alfredo Leite, para Up To Kids®
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Quero ajudar os meus filhos a serem seguros, fortes e capazes.

As dúvidas em excesso, o medo de errar e a inveja são como ervas daninhas. Talvez esteja a escrever este texto para mim, para relembrar-me do principal. Por vezes esquecemo-nos do mais importante, do mais simples.

E você? Além de saber ponto por ponto estas regras, tem conseguido aplicá-las?

Talvez este texto também esteja a ser escrito para si. Na minha reflexão, organizei estas 10 regras básicas para educar contra a insegurança.

1. Distinga o que o seu filho fez de errado daquilo que ele é. Ele não é trapalhão, apenas entornou o copo de leite. Ele não é distraído, apenas se esqueceu de puxar o autoclismo. Ele não é preguiçoso, apenas ainda não tem o cérebro preparado para poder lembrar-se de todas as suas tarefas. Sei que, por vezes, as pessoas dizem que isto são “só palavras”. Que é “uma questão semântica”. Tenho a certeza da importância destas palavras. Pode pensar que é apenas um pormenor…também não custa tentar, certo? Assim, discipline-se e não confunda: Uma coisa é o que ele é, outra é o que ele fez.

2. Ajude-o a ter uma boa imagem. A imagem corporal é importante. Cuidado com a obesidade infantil. Aprenda, por exemplo, a fazer a sua massa para pizza e encontre o equilíbrio entre a farinha “tradicional” e a farinha integral, à partida, bastante mais saudável.

3. Quando quiser dar uma instrução, ou mesmo uma ordem, tente usar um nome carinhoso no meio da frase.
Educar a confiança é usar um nome carinhoso, mesmo quando se quer dar uma ordem ou fazer um reparo.

4. Ironizar não é o caminho correto na hora de educar. Nomeadamente com crianças mais pequenas, as possibilidades da ironia ser mal interpretada são grandes. Esse problema de comunicação pode minar o amor-próprio. Guarde o sarcasmo para comunicar (brincar) com os seus amigos.

5. Não é preciso (nem saudável) que ele seja sempre o centro das atenções. Mas deixe-o brilhar. Se ele quiser contar uma história ou anedota numa reunião de família, dê-lhe algum espaço. Dê-lhe espaço para brilhar.

6. Se ele lhe disser que está a namorar, mesmo que seja um namoro de brincadeira, até porque ele pode ter apenas 8 ou 9 anos, não dê demasiada importância. Mas também não despreze! As crianças conseguem ter sentimentos diferentes em relação a diferentes colegas. Se ele acha que há alguém especial, não vai fazer disso um bicho- de-sete-cabeças, mas também não vai impedi-lo de falar dos seus sentimentos. Quer dizer, ficamos tristes quando se fala de violência e desprezamos quando os miúdos falam de sentimentos especiais?!

7. Tenha cuidado com os comentários que faz quando está a ver televisão. Se for demasiado impulsivo e falar mal de tudo à sua volta, o mais certo é a sua criança estar a ser educada num meio intolerante. Ser capaz de entender a beleza da diferença, o valor da diversidade, ajuda a compreender melhor o valor da própria individualidade.
Fale com o seu filho sobre ele “ser único”. Esta capacidade de, sem exageros, nos apaixonarmos pelo facto de sermos ímpares, faz maravilhas pela auto-estima.

8. Lembre-se: Só a intenção não chega! Se gosta dele, diga-lhe. Se gosta dele, abrace-o. Se gosta dele, chame-o para perto de si. Se gosta dele, vá para perto dele e brinquem. Se gosta dele, melhore. Se gosta dele, inventem um cumprimento só vosso. Se gosta dele, joguem ao sério. Se gosta dele, fale-lhe do dia em que descobriu que estava grávida.

9. E se um extraterrestre começasse a falar consigo e lhe pedisse para descrever como são as crianças da terra? O que dizia? E se lhe pedisse para falar de si? Quais os seus pontos fortes e as suas qualidades? Esta pode ser uma forma de estimular o seu filho a olhar para dentro. Se soubermos quem somos, seremos mais seguros. Invente formas de ajudar o seu filho a conhecer-se melhor. Claro que é importante conhecer as fraquezas, mas primordial é conhecer as forças! Não queremos crianças arrogantes, mas também não queremos falsas modéstias.

10. Descubra se lhe dá espaço, mas não o abandone. Quando ele pratica desporto, por exemplo, vai assistir porque, no fundo, gostava de estar no lugar dele? Ou ele participa para poder aprender a trabalhar em equipa e melhorar competências? Na atividade extra curricular, ele participa para ter oportunidades de sucesso ou deixa-o lá apenas para poder ir às compras ou ficar preso numa qualquer rede social?

Quero ajudar os meus filhos a serem seguros, capazes de pensar e agir sobre o mundo. A rede de relações em que eles estão inseridos é, por isso, fundamental. A ação dos pais é muito importante, mas pode não ser suficiente. Tenho uma secreta esperança. Seria muito importante estas ideias chegarem também às Escolas, dado o seu enorme peso no desenvolvimento das crianças e jovens.

E, já agora, também seria importante que os nossos filhos pudessem estar rodeados de outros adultos, tais como amigos, tios ou avós, capazes de olhar para si mesmos, e encontrar as suas luzes de qualidade. Pode ser que esses adultos tenham a capacidade de (re) ler estas “regras”.

Pode ser que consigam traduzi-las, de forma a conseguirem aplicar à sua própria formação, ao seu próprio desenvolvimento.

Aceita o desafio?

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P.R.O.F.E.S.S.O.R | Pessoa, resiliente, obstinada, forte, empenhada, sábia, sacrificada, orgulhosa e resistente.

É também Peça, Régua, Oráculo, Ferradura, Espelho, Sino, Saco, OVNI e Roda.

  • O Professor é a peça para completar o coração das crianças em risco de se tornarem futuras “Constanças” (de quem já muitos se esqueceram).
  • O Professor é a régua que nos vai fazer medir as palavras quando vemos agressões de polícias a pessoas inocentes, ou agressões de pessoas marginais a polícias.
  • O Professor é o oráculo que nos vai ajudar a reflectir sobre o futuro desejado para as crianças do nosso país.
  • O Professor é a ferradura. Não a da sorte. Nem a antiga, mas a ferradura inovadora. É uma ferradura de cortiça (invenção nacional), símbolo de que somos capazes de descobrir novos caminhos (novas práticas pedagógicas) e prevenir lesões (e indisciplina).
  • O Professor é o espelho do mundo, da sociedade, da participação dos pais e encarregados de educação na escola…mas às vezes é um espelho daqueles dos provadores de algumas lojas, já que tem a capacidade de alterar a imagem para melhor.
  • O Professor é o sino que alerta, acorda, inquieta, e ressoa bem no fundo da alma.
  • O Professor é saco. Saco do sport billy. Algumas vezes sem reconhecimento, tem de ter várias competências, diferentes materiais, algumas surpresas na manga,…
  • O Professor é OVNI. Poucos conseguem explicar o mistério: fazer tanto com tão pouco?
  • O Professor é roda. Por vezes está para cima, outras vezes para baixo. Em vários aspectos. Também nas suas práticas pedagógicas, tem altos e baixos. Mas o que nos dá esperança é que quer sempre melhorar.

P.A.I | Pessoa altamente importante.

É também Partícula, Ampulheta e Íman…

    • O Pai é a “partícula de Deus”. Também conhecida como bóson de Higgs, esta partícula determina as propriedades básicas da matéria. Ela é fundamental. Como também são fundamentais as regras, os afetos, a disciplina e a criatividade que os pais passam para os filhos.
    • O Pai é ampulheta. Não tanto pela grande capacidade de gerir o tempo de qualidade que passa com os filhos, mas porque já sabe que na vida as coisas são transitórias. A morte, essa inevitabilidade, leva os pais a darem o seu melhor, a passarem os melhores valores aos seus filhos e a ensinarem-lhes o valor da vida e da fé.
    • O Pai é íman. Podia ser por também ter dois pólos. Podia ser por ter o melhor e o pior. Preferimos dizer que é pelo campo magnético existente á sua volta. À volta dos pais sentimos a calma, a proteção e só vêem coisas boas. Bolachinhas, carinhos, beijinhos, miminhos, estórias de encantar,…

Por Alfredo Leite, Mundo Brilhante, 
para Up To Lisbon Kids®

Todos os direitos reservados

Anda a circular um vídeo que nos dói na alma. Vemos jovens que podiam ser os nossos sobrinhos ou filhos, os filhos dos nossos vizinhos ou os colegas dos nossos filhos, a levarem a cabo um conjunto de atividades violentas. Vemos uma vítima (ou serão todos vítima?) a ser esbofeteada e esmurrada várias vezes. A sua passividade também nos inquieta. Tudo é perturbador naqueles minutos. O vídeo deixa-nos tristes, com medo, deixa-nos impotentes e revoltados. No rosto do jovem agredido ficarão marcas. Ficarão marcas também na sociedade?

Serão essas marcas capazes de nos impelir a mudar alguma coisa?

Proponho algumas notas e reflexões para nos ajudar a lidar com a situação, com o choque, com este verdadeiro “murro no estômago”:

NOTA 1 – Nas Escolas o número de Assistentes Operacionais está a diminuir. Os Professores têm cada vez mais trabalho burocrático, os Psicólogos nas Escolas são uma miragem e outros estão mal preparados. Como se fosse pouco, as exigências são cada vez maiores e há a contaminação natural das convulsões sociais típicas da crise e das crises que vivemos.

REFLEXÃO – O que podemos fazer para forçar o poder a dar mais condições às Escolas? As Escolas precisam de mais Assistentes Operacionais, mais Formação (de qualidade, claro!) para os Professores, de mais espaço para se trabalharem as competências sociais, as emoções. E como sociedade civil, o que podemos fazer para ajudar as Escolas? Quais as salas que podemos ajudar a pintar, quais as sessões de sensibilização que podemos dinamizar, quais as associações que podemos criar?

NOTA 2 – Este tipo de acontecimento surge com alguma frequência. Só que a máxima “longe da vista, longe do coração” aplica-se de forma perversa. Como foi filmado e reproduzido nas redes sociais, torna-se mais evidente. Mais real. Mas não podemos esquecer que já aconteceu outras vezes e ninguém gravou. Há números que indicam mais de mil agressões por ano a Professores, Alunos e Funcionários. Os números são assustadores, mas importa reforçar que, no geral, as Escolas conseguem proporcionar ambientes positivos.

REFLEXÃO – Este tipo de acontecimento surge independentemente do nível social ou do tipo de Escola. Devemos estar atentos aos sinais. Porque temos a ideia de que “a mim é que não”?

Não precisamos de Pais ansiosos. Não é positivo demasiada preocupação. Mas ocupemo-nos das questões. Na alegoria da caverna a realidade são as sombras. Era a visão da realidade para os prisioneiros. Libertarmo-nos da escuridão necessita de esforço, de mudança de paradigmas.
Quais são as suas verdades sombra? Porque não põe em causa as suas certezas? O seu filho nunca vai ser vítima? Nunca vai ser agressor? Refletir com conta peso e medida sobre estas questões vai faze-lo estar mais atento. Mais presente. Vai faze-lo ir mais vezes ao quarto dele quando ele estiver entretido com as coisas da Escola. Vai ajudá-lo a quebrar mais vezes o silêncio. Vai dar-lhe mais motivação para o ajudar nas áreas que por vezes não se aprendem na Escola, como a área das emoções.

NOTA 3 – A frase “para educar uma criança é preciso toda uma aldeia” faz todo o sentido.

REFLEXÃO – Mas quantas vezes nos fechamos nos nossos apartamentos, quantas vezes nos limitamos ao nosso mundinho? Quantos de nós viram a cara, se por ventura assistem a um ato desprezível perpetrado por um jovem? E quantos de nós ficamos demasiado ofendidos, quando um estranho, num local público repreende a nossa criança por estar a fazer o que, supostamente, não devia?

A agressividade nasce com o ser humano. É a Educação, o contato com a família, com os pares, é a socialização que vai dando capacidade ao jovem de escolher comportamentos não agressivos.

Onde estão aqueles pais a falhar? Ainda tive receio de usar a palavra falhar, a situação está ainda “a quente”, irmos demasiado à pressa arranjar culpados, pode ser contraproducente. No entanto, terá que se fazer, mais tarde ou mais cedo, esta reflexão.

As marcas da violência estão na cara daquele jovem. Ficarão também na sua alma? Ficarão na minha? Ou amanhã já me esqueci? Farei alguma coisa de diferente?

Um dos meus grandes desafios como Psicólogo, é dar ferramentas para ajudar os Pais ou Professores a passar à ação. Para dar um exemplo, até porque o verão está a chegar, usaremos a questão das dietas. Não basta ler o livro das dietas, é preciso começar a comer melhor. Não basta querer comer melhor, deve começar-se pela qualidade da lista de compras. Com as competências sociais é semelhante, não basta ler, há-que praticar. Há, no entanto, uma boa notícia. Se lermos bastante, se lermos com atenção, se pensarmos sobre o assunto, começamos a abrir portas à mudança. Já aconteceu comigo começar a comer legumes salteados, sem entender bem de onde tinha vindo a ideia. Passados uns dias, descobri um livro onde estava essa sugestão e uma receita de legumes salteados. Eu já tinha lido e relido. Demorou um pouco até colocar em prática, mas aconteceu.

Ajude o seu filho a compreender melhor este mundo das competências sociais, das emoções, para não ser vítima nem agressor. Impelindo-o a passar a ação, dá uma “aula prática” e desenvolve nele algumas competências. Há quatro componentes fundamentais neste mundo de emoções. Conhecê-las ajuda a prevenir a violência. Pratica-las ajuda ainda mais. Tenha atenção a elas e veja ideias de atividades para ajudar os seus filhos a praticar.

1) A emoção dá sinais. Podemos sentir o coração a bater ou o aumento da transpiração. Podemos sentir “borboletas” na barriga. Ajude o seu filho a fazer uma lista destes “sinais”. Pensem em conjunto sobre alguma situação recente em que tenham sentido essas mudanças fisiológicas. Treine-o a ouvir o corpo. Melhor, treine-o a escutar o corpo. Converse com ele sobre a diferença entre escutar e ouvir. Reflita sobre a aceleração do dia-a-dia e da forma como este ritmo pode impedir que sejamos capazes de sentir estes sinais, de ter noção destes sinais. Tentem identificar outras expressões como “borboletas” na barriga para poderem conversar sobre os significados.

2) As emoções são boas ou más. Agradáveis ou desagradáveis. Não quer dizer que sejam simples. Geralmente, o leque de emoções conhecido pelas pessoas, é reduzido. É importante aumentarmos esse leque. Assim, não ficaremos pelo “estou bem” e pelo “estou mal”. Vamos abrir o leque. O espelho da alma (ou dos centros de prazer e desprazer do cérebro) é a face.

3) As expressões faciais são capazes de denunciar as seis emoções básicas e universais. Já agora, sabe quais são as seis? Pesquise com o seu filho em sites de referência ou em livros quais são essas seis emoções. Fale-lhe da importância de estarmos atentos às expressões faciais das outras pessoas. Conte-lhes estórias de detetives e de espiões. Debata com ele a importância de sabermos a cada momento se a nossa expressão está a dizer o que estamos a sentir.

4) As emoções costumam desencadear comportamentos. Geralmente comportamentos de fuga ou aproximação. De luta ou de combate. De ternura ou agressão. As emoções estão ligadas a comportamentos. Conversem sobre os possíveis comportamentos que podem advir das diferentes emoções. Conversem sobre as formas de controlar esses comportamentos. Conversem sobre os momentos em que devemos controlar esses comportamentos e os momentos em que nos podemos deixar ir.

Por Alfredo Leite, Mundo Brilhante, 
para Up To Lisbon Kids®

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