Uma Mãe nunca falha quando dá tudo, quando reflete, quando se interroga.

Uma Mãe nunca falha quando sente o laço. Essa magia em farrapos que vive no peito.

Uma Mãe nunca falha quando partilha as suas dores, as suas amarguras os seus “porquês”.

Uma Mãe que pede ajuda é uma Mãe mais próxima do coração dos seus filhos. É uma super lua repousada na janela do carinho, do orgulho, da suprema sensação de dar tudo.

Aquela criança que a Mãe já foi, por vezes ainda chora à noite. Aquela criança está em cada suspiro escondido, em cada inquietação natural.  mae-nunca-falha

Uma Mãe que elogia a vida, procura sentir uma teoria como uma ferramenta. E se não a souber usar? Tenta outra vez. 

Uma Mãe que se arrepende, não falha.

Talvez o papel da Mãe seja apoquentar-se quase sempre. 

A vida passa. Os olhos dos filhos também já não têm o brilho de antes. 

Ninguém nos ensinou sobre a vida. Poucos nos falaram nos impostos. Ninguém explicou a morte. Não sabemos lidar com a saudade. Falamos pouco de sentimentos.

Mas não queremos falhar! Não podemos! 

Vamos dar tudo. Vamos partilhar. Vamos pedir ajuda e perdoar também a criança que já fomos, porque ela teima em não ir embora…

A vida passa. Nada tem o brilho de antes. Só o futuro.

Tentamos outra vez? O laço, ninguém nos tira. Talvez seja propositado ele ser em farrapos. 

 #Manifesto às Mães#

Peso na Consciência ou Falemos de Trump. Quantas vezes?

Quantas vezes ajudou, ou se deixou deslumbrar, com um projecto de uma celebridade, desprezando um projecto de um conhecido, vizinho ou amigo?

Quantas vezes mostrou que a agressividade resolve, ao gritar, ameaçar bater ou dar razão a quem o fez?

Quantas vezes assistiu com os seus filhos a injustiças praticadas na rua, à sua frente e virou a cara fingindo não ver?

Quantas vezes desprezou a visão dos sociólogos e psicólogos que, como eu, alertam para os perigos da falta de sinceridade e honestidade das pessoas quando respondem a questionários, o que alerta para a importância de se escutar o outro, para além de ouvir o outro?

Quantas vezes disse que não se deve insultar, generalizar, e depois fez exactamente o mesmo em relação a alguém?

Quantas vezes deixou a vida passar sem debater com os seus filhos?

Quantas vezes somos capazes de olhar para os nossos umbigos numa competição desenfreada, num existir encenado, num olhar as redes sociais como verdades, no desprezo pelos nossos sentimentos e num desconforto com os sentimentos dos outros?

Quantas vezes acreditei, quando na verdade era hora era de explorar, de investigar e de aprofundar…

Quantas vezes falhei com os outros porque finjo acreditar que a vida é um simples “isto”. A vida não é um simples “isto”. A vida pode ser plena, intensa, feliz, profunda. Posso trabalhar com paixão, com dedicação, posso ser feliz, posso não ter vergonha de ser feliz. Posso pelo menos tentar. As (boas) celebridades somos nós.

Viver intensamente é estar mais atento, mais envolvido. É chorar menos sobre os leites derramados. É pegar nos copos que tombaram e levantá-los. É evitar que eles tombem.

Se foram os desiludidos que votaram, o que tem feito pela sua quimera?

Ralhar ou não ralhar? Gritar ou não gritar? Eis a questão. 

Alguns pais dirão:
“Depende! Por vezes é importante!
Certos professores dirão:
“Não tenho sangue de barata. Há alturas em que é importante para impor a disciplina!“.
Outros, porém, confessarão:
Gostava de ralhar menos. Gostava de me controlar mais.

E é aí que surge a expressão “força de vontade”.

Sobre a “força de vontade” para não ralhar com os filhos ou alunos de forma injusta e descontrolada, muito se debate, muito se reflete. Mas quantidade, como se sabe, nem sempre é…isso mesmo…
Se há expressão que me tira do sério, é a expressão “força de vontade”.  Quem a usa, geralmente está a acusar alguém de não a ter, como se fosse algo simples, como se a pudesse adquirir numa loja de conveniência. Como se os que não a conseguissem exercer, fossem fracos.
Não é bem assim. Fico contente por poder partilhar uma definição de “força de vontade” que acho apropriada, porque estrutura este conceito. Uma definição que fui estudando, ao ler Daniel Goleman.
Primeiro, o pai que está prestas a ralhar, deve ser capaz de desviar de forma clara, intensa e construída, a atenção do mais simples, do mais “à mão”, do mais acessível, que é o tal ralhar…
Igualmente, o professor, perante uma turma “em ebulição” tem que ser capaz de desligar o foco da sua atenção daquela solução que surge cativante, e até, sedutora.
São uns segundos preciosos, onde se joga o desenrolar da situação.
Depois, quem deseja evitar ralhar, gritar de forma injusta, deve ir levando o foco da atenção para o objetivo futuro. Deve conseguir entender o orgulho que vai sentir no futuro, quando analisar o seu comportamento, quanto constatar o seu auto-controlo.
No fundo, deve conseguir trazer para o presente os frutos de uma educação mais pensada, menos gritada, com menos repelões. Deve imaginar a relação positiva com os filhos, e o sucesso de uma autoridade conquistada aos alunos, de forma natural.
Nestes momentos pode ajudar olhar para o infinito. Ou fixar um ponto distante na sala. Pode ser útil olhar pela janela. Cada um poderá desenvolver a sua estratégia. Há quem se concentre uns segundos na respiração.
Estas ideias têm por trás o período de tempo onde a frase (que pode ser dita interiormente!) fará toda a diferença:
Estou prestes a ralhar. Como me vou sentir depois? Quem estou a desiludir? Ralhar é a melhor solução?”
São estradas que nos podem levar ao objetivo do auto-controlo.
São caminhos no córtex pré-frontal que são úteis na educação, mas também, na gestão da alimentação, das finanças e das relações amorosas.
Força de vontade?
Tem muito que se diga. Mas vale a pena o esforço porque gritar, não é uma forma de educar.

Educar, ensinar e liderar – 6 Reflexões

Educar, ensinar, liderar, dirigir, todas são tarefas onde é muito importante as capacidades e os conhecimentos dos executantes. Podemos estar a falar de psicólogos, pais, professores ou de líderes empresariais.

É fantástico quando a arte e o engenho se fundem e temos bons profissionais. Nessas circunstâncias, as crianças ganham, os alunos melhoram as notas, o ambiente é mais positivo.
Mas desejamos ter mais do que apenas bons profissionais! Desejamos ter profissionais excelentes.
É um mundo mais brilhante que começa a emergir, quando os profissionais são excelentes. É ter cérebro, sim, o cérebro é importante. Claro. Mas é ter mais ! Mais alma, mais coração.
É que há algo ainda mais relevante do que as características de cada elemento que intervêm no processo pedagógico , psicológico ou relacional.
Poucos (nenhuns?) conseguem fazer alguma coisa brilhante de forma isolada, sozinhos, sem apoio. A vida não é estanque. Os processos contaminam-se, sofrendo influências de diferentes fatores. Uma criança não é só educada pelo pai. Também há a mãe (na maioria dos casos, claro). Uma criança não é só educada pela mãe. Também há o pai. O professor não ensina sozinho. A Escola está numa comunidade.
Um aluno tem família, avós, tios. Estes são mais ou menos participativos. Uma equipa de trabalho tem diversos atores, cada um com o seu papel.
Por isso, é fundamental saber trabalhar em equipa! Nas minhas (trans) Formações para professores, tentamos sempre dar ferramentas para a melhoria dos processos de trabalho de grupo. Uma andorinha não faz a primavera.
Como estamos todos longe de ser prefeitos, mas como grande parte de nós deseja melhorar, ofereço seis sugestões para reflexão, no sentido de sermos melhores colegas, trabalhando melhor em equipa.

1 – Inspiremo-nos no trabalho da Psicóloga Barbara Fredrickson.

Entre outras coisas, ela demonstra a existência de uma ponte entre as Emoções Positivas e outros comportamentos positivos, tais como a Curiosidade e a Criatividade. Se cada um de nós levar Emoções Positivas para a equipa de trabalho, estamos a melhorar a produtividade, ao incrementar indiretamente esses comportamentos positivos. Também o fazemos em família. E podemos fazer mais e melhor, tendo esta noção, tendo esta clareza.

2 – Há psicólogos que defendem que “as zonas de prazer, não têm ligação com as zonas de aprendizagem”.

Então? Com tanto terreno para ser desbravado sobre o conhecimento do cérebro, vamos aceitar este dado como uma verdade absoluta? Para quê? Para educarmos “à força”? Para gerir uma equipa através do medo? Pessoas com medo trabalham melhor? Há evidência que aponta para o contrário. Podemos fazer a experiência. Coloca-se um grupo de médicos a trabalhar num diagnóstico. A este grupo, ameaça-se com uma punição caso o resultado não surja. A um outro grupo oferece-se um bom ambiente, uma recompensa…e vamos ver os resultados. E cada um de nós pode avaliar também em que momentos da vida foi mais produtivo.
Quando tinha medo ou quando estava tranquilo e feliz no desempenho das funções? Para esta reflexão, é enriquecidor que as pessoas tenham tido experiências em diferentes projetos ou empresas.

3 – As equipas melhoram quando o líder é positivo.

Em casal, a liderança vai alternando. Os professores vivem diferentes momentos. Ora lideram, os são liderado. Tenhamos em conta o nosso papel. Desejamos equipas melhores, por isso, oferecemos o melhor de nós a cada momento da relação. Tentemos ser líderes positivos, com o objetivo final em vista. O objetivo não é ganhar uma discussão, não é ganhar mais um projeto ou ganhar dinheiro a todo o custo. O objetivo é ajudar a estruturar aquelas crianças, sejam filhas, sobrinhas ou alunas.

4 – Conheça as forças de cada elemento do casal.

Conheça as capacidades, de cada professor. Identifique as capacidades dos seus colegas de trabalho. Interesse-se por descobrir em que área cada um pode brilhar mais, trabalhar com mais empenho, explanar melhor as suas capacidades.

5 – Liberdade para agir sem uma visão, sem um foco, sem um plano previamente trabalhado, de nada serve.

O professor precisa conhecer o foco da Escola, o verdadeiro projeto capa de nortear tudo. Os pais precisam chegar a acordo sobre que tipo de família querem. A intervenção psicológica precisa de consenso entre os intervenientes. Os boicotes, as dificuldades de relação entre membros das equipas, surgem quando a liderança falha ao criar um foco. Um empresa sem visão, acaba por desaparecer. Um casal sem um plano para educação, corre o risco de educar ao sabor de uma maré ou corrente que não sabemos onde vai dar. No fundo, tem que estar escrito o que cada um deve fazer e o porquê. Depois é que surge a liberdade. Há casais que pensam nisto e chegam mesmo a colocar por escrito. Não é só nas (boas) empresas.

6 – Um desafio para terminar. Trabalha em equipa? É pai? É professor?

Então conheça a “Betari Box”! Se lhe interessa o tema, se deseja melhorar, faça a sua pesquisa sobre a “Betari Box“. É uma ferramenta muito útil. Pode ser adaptada para o trabalho com crianças e jovens. Pode ser útil se estiver numa empresa.
Para finalizar, uma DICA:
  • Diálogo, sincero e honesto com cada um dos membros da equipa. Fale à parte com cada um deles.
  • Ideias contam. Ouça-as. Se não ouvir as ideias dos seus  colegas, parceiros ou colaboradores, pode estar a perder o melhor…
  • Contribua com Emoções Positivas.
  • Aja com naturalidade, e, por vezes, com “saudável loucura” e irreverência, mas não esqueça de ter foco.

imagem@emaze

Há quem tenha petróleo, nós temos floresta.

Há quem tenha diamantes, nós temos pérolas de bem receber.

Há quem se lembre de Santa Bárbara apenas quando troveja.

Vamos ser outros!

Vamos falar de incêndios durante uma noite de inverno. Vamos apoiar os Bombeiros Voluntários, inventariando a fundo o que lhes falta para trabalharem (ainda) melhor. Quais as necessidades de formação? O que fazem na prevenção? Será que é mesmo de pacotes de leite que precisam? Quais os seus receios? Quais as suas necessidades profundas? Vamos aplaudir o “casal que leva água”, mas sem esquecer as responsabilidades das entidades competentes.
Quantas cartas mandámos? Que soluções propusemos?
Vamos fazer as pazes com a floresta e visitar o quartel dos Bombeiros Voluntários durante o Outono.

Nessa altura, com critério, podemos entender as limitações e exigir que tenham mais, para fazerem (ainda) melhor.
Quem como eu, já teve o fogo a rondar a casa dos avós, quem como eu tem primos Bombeiros Voluntários, sabe que isto não vai lá com “palmadinhas nas costas”.

Há que entender lacunas, denunciar interesses e entender causas profundas.

Ouçamos os Engenheiros Florestais. Criem-se pontes entre estas entidades. Estamos magoados e tristes com os incêndios.

Talvez seja cedo para o rescaldo. Mas a prevenção começa numa noite de inverno. Para que o nosso ouro verde não desapareça.

imagem@bombeiros.pt

Se há profissão especial, essa profissão é a de professor.

São tantas as razões; As horas que passam com os nossos filhos, os segredos partilhados, a base do futuro, o exemplo, a esperança…

E as dificuldades? Imensas; O trabalho burocrático, as turmas demasiado grandes, tantos pais e encarregados de educação ausentes…

E sim, agora, os professores já devem estar de férias. Não, eles não entram de férias ao mesmo tempo que os alunos. Há vida e muito trabalho nas Escolas nas férias dos alunos. Ainda há pessoas que não entendem esta realidade. As reflexões sobre o professor do futuro, são os dados que levam os profissionais a quererem melhorar, são pensamentos sobre o trabalho que é feito em centenas de escolas em Portugal. Demasiadas vezes levado a cabo longe das “luzes da ribalta”, como se fosse um segredo. Segredo que agora revelo.

Reflexão 1

Como Hensel e Gretel fugiam da fome e da miséria, as nossas crianças precisam escapar-se de um tipo de futuro que todos tememos. A ameaça terrorista, as doenças mentais e a falta de felicidade, são os diferentes chapéus da bruxa. O século XXI exige toda a concentração. Exige profundidade nas análises. Também necessita de inspiração. Mas é no trabalho e na reflexão sobre os dilemas que estarão as soluções.

Neste particular, os professores têm essa responsabilidade. Quando a enfrentam, quando procuram ler, refletir, debater e ter formação, eles brilham de tão especiais que são. Quando estão atentos às inteligências múltiplas, às neurociências e à emoção na relação pedagógica, estes professores, por vezes com sacrifício, atingem um caráter particular. Um caráter especial.

Reflexão 2

Precisamos de professores que sejam capazes de educar crianças, de modo a que saibam sozinhas colocar bem as suas migalhas de pão. Precisamos de professores que inventem formas dessas migalhas não serem comidas pelos pássaros. Felizmente, em Portugal, há milhares destes professores.

Claro que também gosto do Cristiano Ronaldo. Claro que vibrei com as conquistas da selecção. Mas não posso de deixar de pensar que há aqui alguma injustiça. Quem são os verdadeiros heróis? Quem deveria ser reconhecido socialmente?

Reflexão 3

Não pretendemos colocar aqui as noções teóricas do trabalho que desenvolvemos com os professores na (trans)Formação “Os Sete Hábitos do Professor do Futuro”. Procuramos produzir sentimentos. Deixo os dados e as relações de causa efeito para o trabalho no terreno. Aí falamos na importância do professor do futuro estar atento à credibilidade das fontes. Aí ajudamos a pensar sobre as formas de lidar com a ansiedade e sobre formas de comunicação que agarrem as crianças e jovens.

Reflexão 4

Trabalhamos em muitas Escolas Públicas, como na EBI do Pinhal Novo e em Instituições como o Centro Comunitário de Carcavelos. Trabalhamos com professores em Colégios em Lisboa, como no “Colégio de Santa Doroteia” e em Escolas Públicas de norte a sul, como no Agrupamento de Escolas Morgado de Mateus em Vila Real.  Correndo o risco de deixar de fora muitos exemplos, arrisco citar alguns, porque é importante. É importante espalharmos a noção de que há muitos professores a fazer o que é certo! Eles já estão no futuro. As mudanças das crianças, as mudanças nos mercados de trabalho, as mudanças no mundo já estão aí. Os desafios já chegaram. E os professores já estão a dar tudo. Muitos professores já estão a dar tudo.

Confissão

As minhas lágrimas brotam no final do trabalho, quando sinto os professores envolvidos, quando os vejo serem agitados e quando eles próprios me agitam. A alegria invade-me quando chego ao carro e sinto que tocámos nas pessoas especiais. Aprendo sempre.

Um grupo de pessoas que trabalha em salas quentes, que trabalha fora da hora de trabalho, um grupo de docentes que investe para melhorar na relação com os alunos, um grupo de pessoas que canta o coro da escola numa manifestação esmagadora de espírito de grupo. Um professor que nos interpela dizendo “não concordo” só porque estava atento, só porque estava a pensar. Um professor que se chega à frente e organiza o evento, preparando tudo, desde as inscrições à marcação da sala.

Vibrei na Escola em Vila Real quando aplaudiram a diretora, a “charming red”.

Boas férias, aos que estão de férias, até breve para mais emoções, para mais trabalho. Há migalhas para ensinar a colocar, há pássaros para afugentar, há bruxas para colocar no forno. Estes são os nossos “golos do Éder”.

Carta de um pai divorciado

Não foi isto que eu sonhei. Sei que o cenário do vestido branco e da festa é uma representação maioritariamente feminina. Talvez seja uma imposição cultural. Como homem, também tive os meus sonhos. Sei que posso ser um pouco conservador (às vezes os meus amigos chamam-me “careta”) mas tenho legitimidade para sonhar. Não tenho?!

Sonhei com um casamento para a vida. Pronto, já disse. Sonhei que íamos ao jardim das estrelas do nosso entendimento. Sonhei com passeios à beira mar em tardes de cinema. Passeios sempre com a temperatura amena. Brisas afáveis e doces, partilha e entendimento.
Sonhei com a concórdia na educação dos nossos filhos. Idealizei uns sogros que ajudavam.
Mas as coisas não foram assim.

Quando recebi a primeira carta do tribunal, já tudo me parecia um pesadelo. Hoje, já não me custa como no primeiro dia. A dor mudou. A dor está diferente. A dor piorou. É quase insuportável.
O pai só não pode amamentar! De resto podemos fazer tudo.
Claro que há pais que não são assim. Conheço demasiados maus exemplos. Mas eu sou diferente!

Quando recebi a segunda carta do tribunal, já nem era eu. O solavanco, as mentiras, as acusações, a maré negra de sentimentos a matar os sonhos. Quero educar os meus filhos. Estou sozinho nesta luta. Até a minha mãe diz que “os filhos são das mães”. Das mães? Os filhos são do mundo! Estou errado? Hoje sou pai em dias alternados. Há a guarda partilhada dos afetos. Há esta expressão sem sentido.

Suponho que tenhas receio que não os saiba educar. Suponho que a advogada te aconselhou mal. Suponho…e custa-me tanto. Quero ser pai a tempo inteiro, quero voltar a sonhar. Posso?

Nem quero acreditar no que me dizem. Algumas das pessoas que me rodeiam falam na hipótese de manipulação da tua parte. É verdade? Eras capaz de manipular os nossos filhos?

Espero que consigas rodear-te de amigos verdadeiros. Amigos capazes de alertar, caso comeces a falhar.

Lembro-me que os psicólogos em Portugal, uma das primeiras intervenções que tiveram, foi exatamente nas questões do divórcio. Só que isto foi há 20 ou 30 anos! Agora, no século XXI ainda há quem instrumentalize as crianças? Ainda há quem ache que a razão está só de um lado? Agora faz algum sentido, eu dar comigo a pesquisar por “Richard Gardner”? Levo os nossos filhos para férias e sinto a condescendência das pessoas. “Ai tão lindo, o pai a tratar deles todos” “Que corajoso, um pai sozinho com tantas crianças.” “Quer ajuda? Onde está a sua mulher?” E as “partilhas de amigos” que fizemos? Muitos ficaram do teu lado.

 

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“Amanhã vamos ao Museu! Logo pelas nove horas, bem cedinho, estamos os três a caminho!” Disse eu num tom formal, pomposo, quase ostentoso.

“Yehhhhhh!” Responderam as duas crianças no seu tom habitual.

E acordámos mesmo cedinho. Eram quase onze da manhã!

Preparámos um cesto com petiscos saudáveis. Grelhei umas tiras de peito de frango e coloquei mozarela no tomate maduro…também não foi bem assim…saímos à pressa e comprámos batatas de pacote. Vingaremos este falhanço ao almoço!

Criámos uma planificação para explorar o Museu. Também não funcionou. Um teve vontade de ir à casa de banho, ainda nem tínhamos começado a visita. O outro quis beber água. Como o fizeram em momentos alternados, a partir daí, quando um queria beber água, o outro queria fazer xixi. E assim sucessivamente. Lá se foi a planificação.

Respirei fundo e olhei para os claustros do inspirador Museu. Agradeci a mim mesmo por ter desistido de juntar a este trio a minha filha mais nova. Ela iria deixar-nos com os nervos em franja, com correrias desenfreadas pelas salas do Museu. Com dois anos também não deve apreciar muito uma visita ao Museu. Ou será que sim?

Como os dois rapazes já têm dez e nove anos, é certo que vão aprender e usufruir da visita. Bem, usufruir talvez, aprender, já não digo nada…

Foram duas horas de correria entre “olha ali o maior aranhiço do mundo!” e “olha o maior dinossauro do mundo!”, salpicadas com “tenho fome” e “quero ir fazer xixi”. O Museu do futuro há-de estar organizado em “top o maior do mundo” e “top mais pequeno do mundo”. Pelo menos estas duas crianças que levei, só queriam saber disto.

Esta senhora é bem chata!”, diz-me o miúdo, como se fizesse uma confissão. E era. Bem, não sei se a condeno. Se eu com dois, já estava atento e preocupado, ela, monitora de uns vinte, deve chegar ao fim do dia de rastos!

Aproveitei para me recordar do meu pai. Ele defendia-me sempre. Defendia os meus ritmos enquanto criança. Tive orgulho em mim, porque senti que herdei alguma dessa paciência. No fundo, há que gostar de crianças! Elas têm fome, acordam demasiado tarde, querem fazer xixi, acordam demasiado cedo, querem ver a maior aranha do mundo…e elas merecem todo o nosso empenho.

Na Sala Um queriam estar na Sala Dois. Na Sala Dois, perguntavam pela Sala Quatro…

O colaborador do Museu foi-nos perseguindo. Será que ele tinha medo que os miúdos estragassem alguma coisa? O Museu do futuro há-de ser à prova de “estraganços”. Ouvir é bom, ler também, mas as crianças precisam de tocar! Querem mexer!

Vamos almoçar!” Digo eu. “Yehhhhhh!” Responderam as duas crianças no seu tom habitual.

“E à tarde vamos onde? E depois?” Diz um deles. “Quero fazer xixi”. Diz o outro.
Adoro.

 

imagem@guiadeviagens

Ler primeiro As mãe não são seres mágicos

Eu confesso que a minha mulher, por vezes, parece mesmo uma mãe mágica. E não, não digo isto para aumentar a responsabilidade dela.
Digo-o porque desde que a Maria chegou, as noites voltaram a ter espaços em branco.

Confesso que me levantei menos vezes do que a minha mulher.
Confesso que usei, a espaços, o velho truque de fingir estar a dormir.
Cheguei até ao ponto de simular um empurrão para ver se ela acordava e ia lá acalmar a miúda.
Está bem, os meus horários não são certos e por vezes viajo. Há noites em que, por esta razão, durmo fora. Poderia ser essa a desculpa para não me levantar tantas vezes como ela.
A minha mulher tem algo de mãe mágica.
Já deixou queimar a sopa. Contudo, não desistiu de a fazer.
Já fez cara feia ao assistir a um jogo do clube do meu coração. Mas já foi aos treinos com o filho, por ser o dia da mãe.
Já se atrasou ao sair do trabalho, mas nesses dias beija-nos com mais força.
Confesso que invejo a forma doce que inventou para brincar com eles.
Já perdeu a calma e a seguir volta a controlar-se.
Confesso que já perdi a razão e ela nunca perdeu o norte.
Confesso que tenho alguma inveja da forma como eles dizem “mãe”. Ela é mágica por isso. E por ela ser mágica eles usam esse tom especial.
A minha mulher tem algo de mãe mágica. Eu conheço muitas que têm, embora sejam todas diferentes.
 E você? Que mães mágicas conhece?
LER PRIMEIRO |
O SAL DA VIDA

Depois da festa acorda-se tarde. Para quem tem filhos, isto quer dizer pouco depois das nove da manhã.

Depois da festa vejo-o pela primeira vez. Lá está ele. Um cabelo branco.
Acordo, vou ao espelho e lá está ele.

Será que surgiu do dia para a noite? Será que ouviu o “parabéns a você” e apareceu como quem grita “Estou aqui! Apanhei-te!”?

Lavo a cara e ouço que os miúdos já acordaram todos. Todos. Um, dois três…Depois não quero estar a ficar ve…Talvez não seja bom usar a palavra. Peço um abraço com força aos três. Afinal, o pai está um ano mais ve…

Lembro-me de um filme em que a personagem interpretada por Tom Cruise, retira um cabelo branco com uma pinça depois de se observar ao espelho. A sorte é que não achei a cena ridícula. Achei premonitório. Recordo-me de ter pensado: “Serei eu a fazê-lo em breve?”.

E também me trouxe questões. Será que a personagem estará a levar o envelhecimento a mal? Será positivo o comportamento de arrancar o cabelo, porque denota preocupação com a imagem? É um pormenor? É um sinal?

A palavra que há pouco evitei era velho. Pesa um pouco. Antes ela (a palavra) do que eu…

Depois da festa, temos de continuar! Arrumar a sala, limpar e começar a pensar na próxima. Claro que não há duas iguais . Como não há dois filhos iguais.

A pinça, entretanto, foi usada. Menos um.

Amanhã há mais. Mais festas, mais abraços aos filhos, mais pinças…amanhã há mais marcas do tempo a passar. Que essas marcas sejam o açúcar da vida.

imagem@klikkmultimedia