Janeiro de 2015.

Uma família passeia, descontraidamente, num centro comercial/jardim/parque e a hora do almoço aproxima-se. A criança começa a dar sinais de impaciência motivada pela fome. Face a isto, seria natural que esta família decidisse comer algo nas imediações do local onde se encontra, certo?

Bem, se tivermos em conta que esta família em passeio é a minha família e a criança impaciente é o meu filho, alérgico à proteína do leite de vaca, isto poderá não estar tão certo assim.

O grande desconhecimento sobre a questão das alergias alimentares, em Portugal, é extensivo também aos profissionais da restauração. Acredito que haverá excepções, mas, prefiro não arriscar.

A realidade é que há profissionais que continuam a recusar dizer os ingredientes de determinado prato, alegando que “não revelam o seu segredo”, mesmo que se explique que o que está em causa é a vida de uma pessoa. E apesar disto parecer quase anedótico, corresponde à mais pura das verdades e já aconteceu a várias pessoas que eu conheço.

Assim sendo, opta-se simplesmente por não fazer refeições fora de casa ou, optando por fazê-las, tem que existir um planeamento prévio, de modo a levar-se tudo já feito de casa. (Sim, nós somos aquele tipo de família que se apresenta nos restaurantes munidos de termos e tupperwares).

Posto isto, um dos meus desejos para 2015 é que o sector da restauração comece a despertar para estas problemáticas, de modo a oferecer opções seguras e válidas para todas as pessoas com alergias alimentares.

Desejo que seja um ano cada vez mais “up to new places” e cada vez menos “up to our kitchen”.

Por Marlene Pequenão, do Blog O Copinho de leite,
para Up To Lisbon Kids®

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Ingredientes para 1.5l

Amêndoa (natural) 30g
Arroz 60g
Água 1500g
Açucar Light 20g

Preparação:

  • Triturar a amêndoa 10s/Vel9 e reservar;
  • Pulverizar o arroz 20s/Vel9;
  • Adicionar a água e programar 18 Min/90º/Vel3;
  • Adicionar a amêndoa, o açúcar e programar 2Min/90º/Vel3;
  • Triturar durante um 1,30m até Vel7;
  • Coar e guardar no frigorífico (cerca de cinco dias)

Por Marlene Pequenão, Autora do blogue O Copinho de Leite
em Up To Lisbon Kids®

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Quando se pensa em aniversários de criança, nos dias de hoje, é quase inevitável não pensar nos bolos decorados com os heróis infantis do momento e guloseimas de ordem variada. Mas terá de ser mesmo assim? Será esta uma condição essencial para que as crianças se divirtam e, mais tarde, recordem com carinho estas datas?

Esta é a questão que fiz a mim mesma, por ocasião do terceiro aniversário do meu filho.

Comecei por pesquisar tudo o que havia no mercado que fosse isento de proteína do leite de vaca e que eu pudesse usar na confecção de um bolo (coberturas, recheios, decorações, etc). Depois, dediquei-me  a procurar guloseimas, para oferecer aos amiguinhos do colégio, mas sob a condição que ele também pudesse comer. Uma tarefa muito complicada, mas não impossível.

Todavia, foi um comentário do meu marido, com o pragmatismo tão característico do sexo masculino, que me fez “descer à terra”:

– Porque é que vais fazer um bolo e oferecer guloseimas que ele nem gosta sequer?

Ele tinha toda a razão. O nosso filho só gosta de bolos simples e não aprecia, particularmente, guloseimas de espécie alguma. Mas, afinal, a quem é que eu queria agradar? Não me chegava a sensação agridoce de trazer para casa os saquinhos de doces oferecidos pelas outras crianças e ter de escondê-los, sob pena de colocar em risco a vida dele?

Conclusão: seguiu para o colégio um bolo simples, sem cobertura nem recheio, decorado com items não comestíveis, alusivos a um personagem infantil  muito apreciado cá em casa. Os amiguinhos receberam máscaras e desenhos para colorirem.

Consta que correu tudo bem e que o aniversariante estava muito feliz.

Por ocasião do Dia Mundial da Alimentação, que se assinalou há umas semanas com iniciativas de ordem variada, dei por mim a pensar o quanto mudou a alimentação da minha família, após o diagnóstico da alergia alimentar do meu filho.

As mudanças começaram pela óbvia supressão do alergénio: a proteína do leite de vaca, neste caso. Eu fui a primeira a adoptá-la, pois à altura do diagnóstico ainda amamentava e tive de fazer a evicção como se eu também fosse alérgica.

Creio que ao longo do processo a maior mudança sucedeu, justament, ao nível da nossa relação com os alimentos, bem como, ao nível das experiências a eles associadas.

Do plano “isto faz bem/faz mal” mais ou menos comum a todas as famílias, passámos a escrutinar todos os rótulos e a dominar a, por vezes hermética, linguagem dos mesmos. Aos poucos, começámos a “tratar por tu” a caseína, a lactoalbumina, a lactoglobulina e afins – ainda que os seus nomes complexos remetessem para uma certa formalidade. Este escrutínio dos rótulos (incluindo os dos produtos não alimentares), passou do plano “vamos lá ver se isto tem proteína do leite”, para um outro ainda mais detalhado e, creio, foi neste ponto que sucedeu a grande mudança. Começámos a determo-nos nos gramas absurdos de açúcares e gorduras de certos produtos, na quantidade preocupante de corantes, aromatizantes e conservantes e a reflectir, seriamente, sobre aquilo que andamos a comer.

Citando George Orwell, “Ver aquilo que temos à frente do nariz, requer uma luta constante”.

No caso da alimentação, não poderia ser mais verdade.

Por Marlene Pequenão, Autora do blogue Copinho de Leite
para Up To Lisbon Kids®

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