Livro | Pais Atentos, Crianças Seguras | Sinais de Fogo

Da leitura interessada e inesperada da publicação “Pais Atentos, Crianças Seguras” de Rebecca e Elisabeth Bailey, enquanto Pai de três crianças, todas menores, com 3, 5 e 7 anos de idade, fiquei convicto que afinal um antigo governante estaria a falar verdade quando afirmou que, e passo a citar:
“…O Mundo mudou…”
Cada capítulo do livro mexe com tudo aquilo, que são as convicções e ideias pré ou pós concebidas de qualquer Pai e Mãe.
No meu caso, constatei que aquilo que é dito pelos autores de forma escorreita, não é nada mais, nada menos do que a exteriorização dos meus piores e mais sórdidos pensamentos.
Sim, não vou negar, eu sou um Pai potencialmente securitário e sim, desde o nascimento dos meus filhos fico profundamente consternado com filmes ou livros que abordem qualquer sofrimento físico ou psicológico de crianças.
No entanto quando as autoras advogam de que se deve alertar e falar abertamente com as crianças 4, 5, 6, 7 ou 8 anos sobre os raptos de crianças, não posso deixar de reflectir e opinar que provavelmente estas têm razão.
Assim sendo, o “caminho certo” ao que tudo indica é dizer-lhes que a maior parte das pessoas são boas, mas existem e existirão sempre pessoas más que lhes querem fazer mal.
Partilhava anteriormente da opinião que isso era expor sem necessidade e prematuramente as crianças à dura realidade e que um “estarei sempre contigo” ou um “és a coisa mais importante para mim e nunca te deixarei que te façam mal” seriam suficientes.
No entanto tal ideia é errada conforme as autoras o dizem abertamente.
E é errada porque ainda que nada se diga às crianças, elas virão sempre a saber, seja por um amigo, seja por um livro ou um jornal ou por certo por um qualquer apresentador de TV a soldo das audiências.
Vivemos actualmente numa sociedade em que a notícia em que o bombeiro que tira o gato da árvore não dá audiências e, ao invés, o filho que metralha e mata toda a sua família abre uma semana de Telejornais.
Portanto, devo responder abertamente às questões do meu filho de 7 anos sobre a desparecida Maddie?
A resposta é sim, porque se eu lhe responder mais ou menos “à bruta” talvez ele, e os irmãos, claro está, possam encerrar esse dossier nos respectivos “discos rígidos”.
Assim sendo uma das maiores e mais úteis mensagens do livro é a seguinte:
Conforme o Mundo está, o melhor é com alguma parcimónia esquecermos a sua versão cor-de-rosa e dizer que a Maddie está por certo morta ou encontra-se a ser escravizada por alguém que é inconcebivelmente mau.
É demais para os putos?
É!
Tal conversa poderá vir a ser vital para o futuro das crianças?
Sim!
O meu filho de 7 anos vai dormir sozinho e sem medos?
Não sei!
Tendo como assente que as próprias crianças já sabem ou virão a saber que todos os dias morrem e desaparecem crianças, acho que o livro serve para preparar a penosa “recruta” das nossas crianças, para alguma situação de risco.
Todos nós sabemos infelizmente que já nenhuma criança vai brincar sozinha para as traseiras do prédio, como antigamente.
Assim sendo as dicas securitárias do livro, que devem ser transmitidas às crianças são bastante úteis, mas têm um óbice tremendo que é a própria maturidade da criança, que é na minha opinião um conceito indeterminado.
Por outro lado, existe uma afirmação no livro com a qual não concordo e que é mais ou menos a seguinte:

“…Serão os próprios pais que melhor saberão o grau de maturidade dos filhos, contando-lhe aquilo que acham que elas próprias estarão capacitadas para assimilar…”
Esta é uma equação do meu ponto de vista dramática e altamente falível.
No entanto entendo que não há uma melhor.
A lista de pessoas de confiança e os seus telefones é um bom estratagema, assim como o estabelecimento de um código de segurança para a criança sair da escola ou ir a algum lado, com uma terceira pessoa.
No entanto, como todos os pais sabem, a esmagadora maioria das crianças tem uma bondade e uma curiosidade quase inatas, e serão sempre presas fáceis para alguém que efectivamente lhes queira fazer mal.
Qualquer um dos meus filhos, em campo aberto e vulnerável iria ajudar uma senhora ou um senhor que perdeu o cão ou o gato ou que simplesmente lhe pede uma informação.
Embora perceba a mensagem do livro que propugna que a criança deve dizer não, afastar-se, chamar alguém, ou ainda ser mal-educado ou rude para terceiros, não posso deixar de pensar que na calma do lar ou em ambientes seguros, os pais incitam precisamente as crianças a fazerem o contrário, ou seja, transmitimos às crianças a ideia de que devem cumprimentar os velhinhos ou ajudar as pessoas, tal como os bombeiros e os polícias fazem.
Acerca destes últimos, muitas vezes, eu, como pai “faço uso” dos agentes de autoridade para que os meus filhos se portem bem em locais públicos e eles lá se encolhem perante os “Srs. Leis”!
Percebi, graças ao livro, que isso por vezes dá jeito mas pode revelar-se como um erro trágico.
Em conclusão, gostei e recomendo a leitura deste livro que é ideal para todos os pais e avós mas essencialmente, para aqueles que como eu são Pais securitários e que estão sempre desconfiados ou de “pé atrás” com tudo e com todos.
Este livro faz-nos sentir melhor, por que nos esbofeteia violentamente com realidade e desconfiança e legitima todas ou muitas das nossas acções para proteger aquilo que são os nossos tesouros mais preciosos.

P.S.  Após a leitura desta obra instaurei com sucesso um procedimento lá em casa que é o seguinte:
Toco à porta de casa e o meu filho mais velho pergunta:
– Quem é?
Eu respondo:
-É o Pai, abre a porta.
O meu filho daqui em diante irá sempre perguntar:
-Como te chamas?
Se a resposta não for o meu nome, ele não abre a porta.
É estúpido, mas julgo que poderá fazer toda a diferença!

Por RMPC, para Up To Lisbon Kids

FICHA TÉCNICA
Título: Pais Atentos, Crianças Seguras – O que os Pais
Precisam de Saber para Manter os Filhos em Segurança
Autor: Rebecca Bailey e Elizabeth Bailey
Colecção: extra
Formato: 14 X 21 cm
Nº páginas: 220
Data de publicação: Janeiro 2014
Tema: educação/segurança
Preço: € 13,50

Rebecca Bailey, é uma conceituada psicóloga e terapeuta familiar.
Trabalhou como directora do programa de assistência à juventude e família
junto da Polícia e fundou o programa Innovative Transitioning Families. Tem sido
entrevistada por diversos órgãos de comunicação social.
Elizabeth Bailey, é enfermeira psiquiátrica credenciada e é licenciada pelas
Faculdades de Hampshire e Santa Monica.
Terry Probyn foi uma das fundadoras e é membro da direcção da Fundação JAYC
(Just Ask Yourself to Care), sendo presença regular na comunicação social sobre
temas de segurança infantil, rapto e direitos da vítima, após o rapto da sua própria
filha, em 1990.

 

«A todos os níveis, uma fonte extremamente útil.»
– Colleen Mondor, Booklist

«Um trabalho inestimável e essencial para pais e filhos.»
– Jaycee Dugard, autora bestseller do New York Times

«Maravilhosamente subtil, poderoso e directo. (…) Com amor e cuidado, ajuda habilmente os pais a lidarem de forma positiva e eficaz com as questões dos filhos, mantendo-os seguros. Uma leitura obrigatória.»
– John B. Rabun, fundador e antigo Vice-Presidente | Executivo do National Center for Missing & Exploited Children

«Um livro que todos os pais devem ler. Ensina-os a ajudar as crianças a lidarem com a realidade dos predadores enquanto ajuda a construir a sua autoconfiança e evita o medo desnecessário.»
– Dr. Richard A. Warshak, autor de Divorce Poison

«Pais Atentos, Crianças Seguras ajuda os pais a compreenderem a importância da informação e da comunicação, explicitando formas de dar às crianças a capacidade de se manterem seguras. Fornece excelentes exemplos de perigos actuais e ensina pais e filhos a trabalharem em conjunto para minimizar os riscos.»
– Philip Stahl, psicólogo, autor de Parenting After Divorce

«Um livro que não pode ser ignorado.»
– Kirkus Reviews

«Um trabalho que destaca a importância das crianças se sentirem amadas e que dá aos pais a confiança de que podem fazer escolhas seguras. A estratégia de comunicação das autoras baseia-se numa abordagem proactiva e ajudará os pais a construírem uma relação de confiança que encorajará os filhos a falarem abertamente.»
– Publishers Weekly

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=SB_0vRnkeOk]

A SMART, marca associada já a diversas campanhas de sensibilização na área da prevenção rodoviária, realizou uma bastante divertida no passado dia 18 de Julho, na Praça do Rossio, em Lisboa. A pensar na elevada taxa de atropelamentos, especialmente infantis, inventou uma forma das pessoas esperarem pelo sinal verde nas passadeiras sem pressa de atravessar.

A ideia consistia numa grande instalação montada em plena praça, onde as pessoas podiam entrar e dançar bem à moda das atuais consolas de jogos que entretêm miúdos e graúdos. No ecrã, os movimentos  das pessoas eram transmitidos em tempo real e eram também replicados para o boneco vermelho do semáforo da passadeira em frente. Enquanto as pessoas esperavam pelo verde, em vez de olharem para um peão vermelho parado em posição de stop, viam um peão dinâmico e ritmado a dançar ao som da música.

Conclusão, mais de 81% das pessoas pararam no vermelho para ver o boneco vermelho a dançar, e para, também elas darem um pézinho de dança!.

HOMENAGEM ● 16 Set ’14 ● todo o dia ● @Portugal e portugueses residentes no estrangeiro que se queiram juntar a esta iniciativa ● GRATUITO ● Toda a Família ●

Em homenagem à Nono e como gesto de solidariedade para com todas as crianças que também lutam para vencer esta doença, dia 16 de Setembro vamos vestir-nos a rigor:

SEXO FEMININO camisola COR-DE-ROSA;
SEXO MASCULINO, poderão juntar-se a nós , vestindo uma t-shirt/camisola/camisa BRANCA.

Homenageando, assim, todos aqueles que ao contrário dos nossos filhos não poderão ir para a escola amanhã, ou depois, ou no próximo ano;

Homenageando, os pais que travam batalhas diárias pela saúde dos seus filhos;

Homenageando, todas as pessoas e instituições envolvidas no apoio a crianças doentes de cancro. Obrigada pelo trabalho prestado.

Ver o evento aqui.

 

Este fim de semana não estamos para passeios.

Nem festejos.

Nem saídas divertidas e museus educativos.

Este fim de semana estamos apáticos.

Tristes.

Tristes demais.

Tive de contar aos meus filhos.

Já tinham ouvido qualquer coisa e perguntaram-me.

Foi difícil.

É muito difícil dizê-lo em voz alta.

Surgiram muitas perguntas.

Muitas dúvidas.

Medos e inseguranças.

E a pergunta inevitável surgiu: “podia ter sido eu, mãe?”

Ouço um “Sim” tremido a sair da minha boca, e nem queria acreditar que sim.

Que podia ter sido um dos meus filhos.

Que PODE ser um dos meus filhos.

Deus esfrangalha-nos num segundo.

Descansa em paz, princesa Côderosa

Paraonde

 

À parte algumas exceções, ninguém consegue responder com certeza absoluta à pergunta que dá título a este livro.

“Para onde vamos quando desaparecemos?” aproveita a ausência de respostas “preto no branco” para lançar novas hipóteses – mais coloridas e poéticas, mais sérias ou disparatadas, conforme o caso… – e assim iluminar um tema inevitavelmente sombrio.

 

desaparecemos_1

Felizmente (ou infelizmente sei lá) não somos os únicos a desaparecer.
Com todas as outras coisas do mundo, acontece o mesmo.
O Sol, as nuvens, as folhas e até as férias
Estão sempre
A começar e a acabar,
A aparecer e a desaparecer.

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O que propõe este livro?
Observar as coisas do mundo e nelas procurar novas pistas e possibilidades (que nos sirvam a nós e àqueles de quem mais gostamos).
Atenção: nesta procura, nada deve ser ignorado – das meias que se evaporam misteriosamente ao sol que todos os dias se vai embora – em tudo pode haver ideias interessantes que ajudem a preencher o espaço deixado em aberto por esta grande interrogação.

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“Para onde vamos quando desaparecemos?” aborda de forma subtil o tema da ausência, do desaparecimento e da morte.
Não trazendo respostas definitivas, abre as portas à imaginação, tornando o tema (mesmo que por breves instantes) um pouco mais leve.

Este livro consegue o impossível: apresentar o tema inquietante da ausência, do desaparecimento e da morte às crianças da forma mais adequada. Partindo de exemplos como o sol, as nuvens ou mesmo as férias que estão sempre a começar e acabar, coloca uma interrogação a que ninguém consegue responder com certeza absoluta. A qualidade e imaginação das ilustrações de Madalena Matoso e a subtileza poética do texto, não isento de humor, tornam leve e apetecível um assunto doloroso e improvável. Um livro que ajuda a crescer. Luís Almeida Eça, Agenda Cultural de Lisboa (Câmara Municipal de Lisboa)

FICHA TÉCNICA
Planeta Tangerina
Para onde Vamos quando desaparecemos
Isabel Minhós Martins · Madalena Matoso
48 páginas · 195 x 220 mm
PVP: 12,50 €

Faria hoje 7 anos.
Parece que foi há 10!…
Era uma menina! 25 anos… Carregada de sonhos e sem saber nada da vida. Jurei perante Deus constituir família e amar aquela pessoa até ao fim da minha vida.
Dois anos depois do fim, adoro a vida que tenho hoje. Esta adolescência adulta de poder voltar a viver coisas com outra cabeça e com outra disposição. Confesso que me sabem a mel os fim‑de‑semana sem filhos onde posso descansar e divertir-me à vontade. É a vantagem que tenho em relação às mães casadas. Sem horas, sem ter de dar satisfações a ninguém, com amigos ou sozinha. Conversar, beber, comer, flirtar ou mesmo namorar. Aos 30 sabe bem melhor do que aos 20.
Mas hei de carregar para sempre a sensação de falhanço e a frustração por não ter conseguido levar a promessa até ao fim. Era o meu projecto de vida. Bem mais importante do que o trabalho. Casar, ter filhos, formar uma família feliz! Nunca pensei vir a ser uma mulher divorciada e há algum tempo atrás, essa expressão tinha uma carga bem maior e mais negativa do que hoje em dia. Talvez por isso diga que sou solteira. Mas com filhos!
O melhor de tudo, e não foi nada fácil lá chegar, foi que percebi que afinal, o meu projecto de vida passa por me fazer feliz a mim mesma antes de fazer feliz outra pessoa. E só assim, depois de aprendermos a olhar para nós próprios, de gostarmos de nós próprios e de sabermos ser felizes sozinhos, poderemos fazer outra pessoa feliz. Como é que eu conseguia viver sem saber isto?

(Pelo menos não passámos pela crise dos 7 anos!!)

 

  KIKI | FAMÍLIA DE 3 E 1/2
 Delírios de uma mãe! Louca pelos filhos! Que adora viver! E tem sempre uma opinião a dar! Mesmo que a  mesma não seja consensual… E que às vezes solta umas bojardas pela boca fora!

Peço desculpa.

Para o homem por quem me apaixonei nos tempos em que não tinha preocupações, para os meus filhos que tornam a vida mais colorida, para a minha família que faz com que tudo seja mais fácil e fluido com o seu apoio incansável, e para os meus amigos que descurei há tempo demais, eu peço desculpa.

Peço desculpa por ter gritado.

Peço desculpa por ser rabugenta.

Peço desculpa por não ser tão divertida como já fui.

Peço desculpa por chorar.

Peço desculpa por nem sempre conseguir ver o lado bom.

Peço desculpa por não rir como costumava fazer.

Às vezes depois de trocar um milhão de fraldas e de ficar acordada toda a noite preocupada com um dos meus filhos; às vezes depois de ficar sem Tylenol e me esquecer de uma consulta médica; às vezes depois de não conseguir convencer o meu filho de 2 anos a comer a sopa ou o bebé a parar de chorar; às vezes, depois de responder 17000 vezes a “porquês” naquele dia que estou com uma enxaqueca gigante – às vezes é difícil ver o lado bom das coisas e é difícil ter uma perspectiva racional da nossa vida.

Eu não quero inventar desculpas para nada. Os meus filhos têm meses e 2 anos. Eu já nem sequer sou uma mãe recente. Mas sou uma mãe de duas crianças muito pequenas que ainda não tem noção do que está a fazer. Ainda estou a aprender a ser mãe. Ainda estou a navegar pelo labirinto da maternidade. E faço muitas asneiradas.

Eu não quero inventar desculpas. Mas com este pedido de desculpas eu quero que saibam que esta mulher com poucas horas de sono, distraída, rabugenta, impaciente e esquecida, não é a mulher que eu pensava vir a ser.

Eu gostava de continuar a ser aquela mulher que vos fazia rir porque estava sempre divertida. Eu gostava de continuar a ser aquela mulher que não se preocupava com as consequências – a diversão em primeiro lugar! Eu gostava de continuar a ser aquela mulher que me ria como se não houvesse amanha com uma piada seca qualquer. Eu gostava de continuar a ser aquela mulher confiante que acreditava em si própria e acreditava que tudo iria sempre acabar bem. Eu gostava de continuar a ser aquela mulher que tinha a energia, paciência e criatividade para tornar a vida ainda mais divertida.

Talvez um dia, eu a encontre novamente.

Mas, neste momento, ela está perdida. Deixou-se derrotar pela mãe que está cansada e preocupada. Deixou-se derrotar pela mãe que apenas quer uns dias de descanso.

Por isso, tenham paciência, sorriam e continuem a acreditar em mim. Eu nem sei se mereço, mas dêem-me mais uma hipótese.

A outra mulher estará de volta qualquer dia.

Por Kiran Chug, para Scary Mommy,
traduzido e adaptado por Up To Lisbon Kids

“No infantário do meu filho existe uma regra relativamente às partilhas. É uma escola co-gerida por pais, por isso temos de ter regras e politicas para que os mesmos assuntos sejam tratados da mesma maneira por todos os pais. A regra da partilha é que uma criança pode brincar com um brinquedo o tempo que quiser. Se outra criança quiser o mesmo brinquedo terá de esperar que a primeira se farte dele e o entregue. Nós até guardamos brinquedos se uma criança quiser ir à casa de banho para garantir que nenhuma outra lho tira antes da primeira o qerer de facto largar. Esta regra também se aplica a tudo o que está no jardim, incluindo baloiços e triciclos/carrinhos.

Inicialmente nem me ocorreu questionar esta regra. Porque era assim que funcionava e, apenas respeitei a regra. Na verdade nem me pareceu nada do outro mundo. Todos os miúdos conhecem a regra, talvez, ao fim de duas semanas de aulas, por isso ninguém faz birra quando lhes dizemos “Podes brincar quando a Sally Jo se fartar”. Mas ultimamente apercebi-me que nas outras escolas e locais onde vamos as coisas funcionam de maneiras completamente diferente. E comecei a perceber exactamente porque é que esta regra foi criada.

Duas práticas de partilha questionáveis

Recentemente assisti a dois exemplos de práticas de partilha questionáveis:

O primeiro passou-se com uma amiga. Ela e o seu filho, de quase dois anos, foram ao parque. Ele tinha levado um carrinho pequeno para brincar, e outro miúdo um bocadinho mais velho queria brincar com o carro dele, e estava exigir-lhe que lhe emprestasse o brinquedo. A minha amiga não interferiu, e desencadeou-se uma birra típica de crianças dessa idade. A mãe da outra criança às tantas diz ”deixa lá, a mãe desse menino não o deve ter ensinado a partilhar…” A outra mãe ignorou o facto do brinquedo ser do filho da minha amiga e o facto de que quando alguém lhe pede para partilhar, “Não” é uma resposta perfeitamente legítima.

O segundo foi no centro recreativo da nossa zona. À sexta-feira de manhã o ginásio é todo equipado com mini-paredes de escalada, carros de plástico para conduzir, triciclos, bolas gigantes e até um castelo insuflável. Basicamente um espaço de brincadeira de sonho de qualquer criança. Há um carro encarnado, que o meu filho adora brincar e da última vez que fomos ele conduziu-o durante toda a hora e meia que lá estivemos. Enquanto a maior parte das mães que lá estão andam atrás dos filhos enquanto brincam, o meu tem idade suficiente para eu ficar a vê-lo a brincar ao longe. À distância eu vi uma mãe a ir ter com o meu filho, vezes sem conta, e a dizer-lhe “Pronto, é a vez de dares o carrinho a este menino” Obviamente, ele ignorou-a, e eventualmente ela acabou por desistir. Havia imensos outros carros para o filho dela andar, inclusivamente um quase igual àquele… se não, talvez eu tivesse intervindo.

Lições da vida real

Eu não concordo com a abordagem destas mães em nenhuma das situações. Eu acho contraproducente ensinar a uma criança que pode ter algo que outra criança tem, só porque ela quer. Eu percebo o desejo dos pais que os filhos consigam ter o que querem nem que seja por uns minutos para os verem felizes. Mas é uma boa lição a reter para o futuro: nem sempre temos ou alcançamos aquilo que queremos, e não é correto passar por cima de tudo e de todos para consegui-lo.

Além disso, não é assim que as coisas funcionam no mundo real. Receio que estas crianças cresçam a achar que vão ter tudo o que querem sem esforço. Isto já começa a acontecer nas gerações mais novas. Li um artigo fascinante sobre como os jovens esperam ser promovidos nas empresas onde trabalham por motivos como “eu vou trabalhar todos os dias e nunca falto”.

Se o meu raciocino parece errado, pense no seu dia-a-dia, e para a realidade que deveríamos estar a preparar os nossos filhos: nós não passamos à frente numa fila do super-mercado só porque não nos apetece esperar, e não ficamos com o iphone de um colega só porque queríamos muito ter um… quer dizer, há algumas pessoas que ficam, mas se você for uma delas, então este post não é para si.

Com tanta literatura disponível sobre a importância de ensinar a partilhar e o problema de criarmos crianças egoístas, torna-se difícil aplicar esta regra. Mas temos de ensinar os nossos filhos a lidar com a decepção, porque acontece e vão lidar com isso muitas vezes. E nós não vamos estar sempre lá para resolver os problemas por eles. É importante ensinar-lhes a conseguir o que querem através de diligência, paciência e esforço.

O que é que vocês pensam sobre a partilha entre as crianças? Eu sei que não devem ter uma regra criada, tal como eu não tinha antes do meu filho entrar na infantil e, eu ter adotado esta política.

Mas depois de estar atenta às diferentes formas de ensinar a partilhar, questiono-me se não será necessário debater este assunto um pouco mais…”

Por Beth para Pop Sugar
Traduzido e adaptado por Up To Kids®

 

Nota: Todos os artigos traduzidos, adaptados e publicados na Up To Kids® obtiveram a autorização prévia do autor e/ou foram comprados os direitos dos mesmos.

 

Todos os direitos reservados

Ana Marques, apresentadora de televisão, mãe de Laura e Francisca, acaba de lançar o seu primeiro livro: as minhas gémeas. 33 Dias de internamento na Maternidade Alfredo da Costa, retratados na primeira pessoa, num livro comovente e realista.

Um olhar atento e uma nova perspetiva sobre a gravidez e a maternidade, sem esquecer a inelutável condição das mulheres. Ana: a mãe coragem que transformou a sua experiência num livro de sucesso. A Up to Lisbon Kids foi conhecê-la.

Olá Ana,
Como surgiu a ideia de tornares pública uma experiência tão pessoal?

Olá. O livro já existia mesmo antes de ser um livro escrito, pois na realidade sempre contei a experiência do nascimento das minhas filhas. Fui sempre contando estas histórias e episódios. Em várias ocasiões, à família ou em jantares, por exemplo. Contava este meu cárcere na Maternidade Alfredo da Costa de forma desdramatizada e até um pouco humorística. Aliás, quando voltei da licença de maternidade, a almoçar com algumas colegas da SIC, comecei a contar estes episódios. As pessoas que trabalhavam comigo estavam longe de imaginar que tinha estado internada e passado alguns momentos tão complicados. Existe, contudo, uma colega que se interessa pela história e me diz que deveríamos fazer uma curta-metragem. Ainda tentámos, mas depois a ideia foi sendo adiada. Há cerca de um ano e meio, o Manuel Fonseca (da Editora Guerra e Paz) propôs-me escrever um romance. Disse-lhe que não era a primeira pessoa que me falava em escrever um livro, no entanto talvez ainda fosse prematuro. Tenho muito respeito por quem escreve e acho que ainda sou um pouco imatura. Falámos sobre o nascimento das minhas filhas e todos estes episódios que vivi na maternidade e acabei por escrever sobre esta experiência marcante e esta fatia da minha vida. O Manuel gostou, concordou e surgiu assim a ideia do livro.

 

Foi fácil passar para o papel todas as recordações? A memória continuou fresca após estes anos?

As recordações estavam muito frescas. As minhas filhas vão fazer cinco anos, portanto tudo isto aconteceu em 2009. Escrever estas memórias, anos depois, foi como se tivesse sido ontem. Ainda pensei em conversar com as minhas colegas e amigas da maternidade para me lembrar de alguns detalhes. No entanto, não precisei. Acabei por lhes ligar pouquíssimas vezes. Na verdade, julgo que tinha matéria para escrever o dobro das páginas do livro. Contudo, há coisas que vou continuar a querer guardar só para mim. Foi uma experiência muito marcante. O facto de ter estado internada, de repente, numa altura em que estamos em suposto “estado de graça”, onde parece que nada de mal nos acontece, é difícil de lidar. É impactante. Nós, mães casulo, com problemas, sentimos que não estamos à altura, que não protegemos bem as nossas crias. Psicologicamente é muito duro. O internamento é um momento complicado. A sensação de internamento, por acidente, de um momento para o outro e grávidas, deixa-nos viradas do avesso.

 

A intenção do livro poderá ter sido, também, denunciar situações que se assemelham com as que viveste na maternidade?

A intenção não era, de todo, denunciar situações. Eu levei algum tempo para escrever o livro e hesitei inúmeras vezes, enquanto o escrevia. Questionava-me: será que vai afastar as pessoas porque tem muito da minha experiência? Será que tem um lado que não é politicamente correto de se falar? Será que sou das únicas mães que escreve sobre esse lado menos bom? O facto é que o livro, apesar de não ter nenhum objetivo pedagógico (nunca foi essa a minha intenção), toca e levanta questões relacionadas com tabus da maternidade que nós, mulheres, não falamos habitualmente umas com as outras e que não nos foram contadas sequer pelas nossas mães ou avós. Parece que vivemos todas com um compromisso de segredo quando as coisas não correm tão bem. Na realidade o feedback que tenho recebido, na sua maioria, são mulheres mais velhas que passaram por maus momentos, que tinham acabado de ser mães, de cumprir um desejo de uma vida inteira mas que não sabiam o que sentiam, nem tão pouco, tinham falado sobre isso. Achamos que é tudo maravilhoso e sentimo-nos pequeninas e impotentes, quando surge o inesperado. Tenho recebido muitas mensagens confessionais de quem já leu o livro, pessoas que depois de lerem o livro se começaram a compreender. Ora, isto é muito positivo para mim.

 

Portanto, o teu livro descreve a tua experiência de 33 dias de internamento como dias que jamais irás esquecer…

Quando estamos na maternidade, estamos numa espécie de prisão e numa nova realidade. Estamos privadas de fazer tudo aquilo que gostaríamos de fazer, como a mala da maternidade, construir e preparar o ninho para o bebe que aí vem. Sentimos que nós, as mulheres internadas, somos fracas. Esta emancipação feminina trouxe a muitas mulheres um certo exibicionismo de que a gravidez não é doença e que, na verdade, conseguem estar grávidas e fazer tudo o resto. Ora, nem sempre é assim. Há complicações e problemas que existem na gravidez, tais como pré-eclampsia, diabetes gestacional, placenta prévia, entre outras. Há doenças que são só de gravidez e que podem ser um mau totoloto para qualquer grávida. Acho que o livro passa esta mensagem.

O livro não é um elogio à maternidade Alfredo da Costa, mas também não vai contra ela. Julgo que, nos 33 dias de internamento na maternidade, passei por várias maternidades. Existem formas de estar e tratar as mulheres que são completamente diferentes. Há realmente um conceito de maternidade que não concordo. Sem me alongar muito, pois é preciso ler o livro para perceber, o que é facto é que somos mulheres grávidas heroínas mas também somos puérperas heroínas. Lembro-me de estar nos cuidados intensivos e, após ter passado à enfermaria, tinha que tratar da minha filha com muita dificuldade, sem estar minimamente capaz. Permanece a ideia, de que o maior vínculo da mãe ao seu bebé é estar sozinha com ele e tratar dele, mesmo sem o conseguir fazer.

Na aldeia mais recôndita do país, as mulheres do antigamente descansavam, assim que tinham os filhos. As mulheres ajudavam-se umas às outras. As mães ficavam numa espécie de recobro dois ou três dias e outras pessoas tratavam dos bebés. Nós, hoje em dia, temos que estar logo a postos para tratar dos bebes e, por vezes, não estamos preparadas, nem o conseguimos fazer. Aí, claro está, abre-se um espaço às depressões pós-parto, baby blues ou rejeição. Eu não me senti bem e explico no livro porque é que não concordo com essa ideia de ficarmos completamente sozinhas, sem condições, a tratarmos dos nossos filhos. Saí da maternidade e fui pra casa, fui com as peças do puzzle por organizar e senti que, esse momento, foi o momento mais desgastante.

 

É um livro que tem ajudado as outras mães e isso reflete-se pela aceitação do público. Está no top de vendas nacional. Tens sido muito acarinhada?

Tenho sido muito acarinhada e recebo muitas mensagens de pessoas. Eu acho que a minha história acabou por tocar muita gente. Também pela forma como foi contada, não esquecendo um toque de humor, que faz parte da minha personalidade. Tenho uma tendência para brincar e desdramatizar.

 

“Apesar de amar imenso os meus pais, o meu irmão e amar visceralmente a minha mãe, amar os nossos filhos é diferente: dá-nos medo mas também a sensação de que a nossa vida começa a ter sentido.”

 

Com este livro, não se consegue colocar, de parte, o lado emocional. O que se alterou com a maternidade?

Para mim, ficou claro que a minha ansiedade duplicou mas que o meu coração se encheu ainda mais de amor. Após sermos mães ficamos com a sensação de concretização. O que é facto é que a maternidade dá este misto de ansiedade e de híper responsabilidade. O nosso coração transborda de amor. Apesar de amar imenso os meus pais, o meu irmão e amar visceralmente a minha mãe, amar os nossos filhos é diferente: dá-nos medo mas também a sensação de que a nossa vida começa a ter sentido.

 

Este livro pode ser o primeiro de outras publicações?

Este livro começou com a encomenda de um romance, que acabou por originar As minhas gémeas. Provavelmente, poderá abrir caminho a explorar outras questões relacionadas com a temática da maternidade ou histórias de vida.  Sinto que este livro tem funcionado com uma catarse de sentimentos para algumas pessoas. Está a ajudá-las e isto é muito bom. Sinto que vou levantando várias “tampinhas” de algumas realidades que até então estavam escondidas ou que ninguém falava sobre elas. A grande surpresa do livro foi exatamente esta, pois receava que ninguém compreendesse o que escrevi e da forma como o escrevi. Neste momento, começam até a surgir alguns convites para falar em conferências sobre estes temas relacionados com a maternidade. Estou disponível para participar em debates e outras iniciativas. As imensas mensagens que tenho recebido são tão positivas, o que me dá mesmo muita força para continuar.

 

Em relação ao facto de seres mãe de gémeas, tens algum conselho que possas transmitir?

Ter dois bebes ao mesmo tempo e o facto de serem prematuras cria em nós, pais, uma fragilidade que se mantém por muito tempo. Há uma ansiedade maior e parece que o mundo é ainda mais ameaçador. No início, é assustador. Eu, por exemplo, até as minhas filhas terem um ano de idade não saia sozinha com elas. Usei sempre carrinhos diferentes e não o carrinho duplo de gémeos. Acabei por me programar e sair sempre com alguém e ter, então, dois carrinhos. Acabou por ser a estratégia de logística que segui. Como tenho duas filhas muito diferentes tenho que me lembrar constantemente que são gémeas. E esta questão remete para uma outra essencial quando se tem gémeas: respeitar sempre as diferenças de cada uma. Portanto, o conselho que dou é o seguinte: respeitar a identidade de cada uma das crianças. Outra das dicas que dou é aproveitar, de vez em quando, para se fazer um programa com apenas uma delas. Estar sozinha com cada uma, é importante. Acho que nos faz bem, às três.

 

BI

NOME: Ana Marques

IDADE: 42 anos

FILHAS: Laura e Francisca

PROFISSÃO: Apresentadora de televisão

UM LIVRO: As minhas Gémeas

UM DESEJO: que o livro continue a permitir que tanta gente se identifique com ele.

 

 

 

SUGESTÕES DA ANA MARQUES:

Um programa favorito com as tuas filhas,

no verão: Ir à praia. É o que nos sabe melhor.

no inverno: Ir a espetáculos e ao teatro.

um livro infantil O Dia em que os Lápis Desistiram, Oliver Jeffers. Um autor estupendo que elas adoram.

Portal infantil: uptokids.pt

 

Obrigada Ana.

Por Selma Pereira Rocha,  para Up to Lisbon kids

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