“Look at us. Running around, always rushed, always late. I guess that’s why they call it the Human race.” – (Wally Mars, filme “The Switch”)

Vivemos, cada vez mais, submersos e imersos no ritmo alucinante do dia-a-dia.
Cada vez menos temos tempo para o que é realmente importante, pois facilmente somos engolidos pelas exigências profissionais, escolares/académicas, familiares.

Vivemos, pensamos e sentimos a “mil ao minuto” (“à hora” é passado e um privilégio nos dias que correm), e nem nos apercebemos do tanto que perdemos nestas andanças de autómato para que somos empurrados sem nos darmos conta.
Arriscamo-nos a não integrar o que por nós passa e em nós acontece, a não tomar como nosso.
As crianças são, desde que nascem, apresentadas a este mundo de horários a cumprir, de correrias entre creche, escola, casa, t.p.c.’s, atividades extra-curriculares, “ser o melhor dos melhores”, mães e pais “a mil”. E elas, com a sua plasticidade
própria e abertura ao mundo à sua volta, funcionam como esponja, absorvendo o que o que as rodeia tem de bom e menos bom. Não é por acaso, que se verifica um maior número de crianças diagnosticadas com “Hiperatividade”, tantas vezes rotuladas e entupidas com medicação desnecessariamente. As crianças são naturalmente hiperativas, pois são, inegavelmente, seres cheios de energia, uns autênticos “bichinhos-carpinteiros”, com um corpo pequeno. Há que ensiná-las a canalizar bem essa energia e a conhecer o seu enorme potencial.

A importância de pararmos, de nos abstrairmos do que está à nossa volta e de nos focarmos no “aqui e agora”, como se carregássemos no botão “pausa” do tempo, é já reconhecida há muito. E são também reconhecidos os inúmeros benefícios que este “desacelerar o passo” traz ao nosso bem-estar. No anos 70, Jon Kabat-Zinn propôs o conceito de Minfulness, que se refere à capacidade de conscientemente concentrar a atenção no momento presente, com foco no “aqui e agora”, deixando de lado o passado e as inquietações do futuro – o que equivale a ter a nossa mente mais lúcida e presente em todos os momentos da vida. Mas não foi pioneiro. As raízes do Mindfulness assentam nas filosofias orientais milenares: na Budista e no mais ancestral Yoga, em que a meditação ocupa o lugar central, reconhecendo-se, assim, o quão essencial é a sintonia entre corpo e mente.

Como acima escrevi, as crianças são como pequenas esponjas, com a capacidade incrível de absorver o que as rodeia. Se lhes dermos as ferramentas essenciais e o mais cedo possível, o potencial é imenso. Então e como ensinar as crianças a serem Mindful (e igualmente Heartful), a terem uma maior consciência de si próprias, dos seus comportamentos, do seu corpo, das suas emoções, dos seus pensamentos, a estarem menos dispersas e a focarem-se no “aqui e agora”?

Primeiro, importa perceber os principais benefícios que a prática regular do Mindfulness tem em Crianças – o que as crianças e todos nós temos a ganhar:

  • maior concentração e atenção
  • maior e melhor adaptação a situações de ansiedade e stress – maior resiliência
  • aumento da capacidade de memória
  • maior auto-controlo (comportamental, emocional, mental)
  • melhor capacidade de aprendizagem
  • imaginação e criatividade mais férteis
  • maior espírito de colaboração vs. competição
  • maior empatia com o Outro
  • maior lucidez

Agora sim … “mãos à obra”! – sugestões para Mindfulness de todos os dias:

  • Caminhada pela praia ou jardim, desafiando a criança a fechar os olhos e sinta a terra/areia debaixo dos seus pés, enquanto imagina aquele caminho com as características que o adulto descrever (e.g., terra fofinha e castanha; areia dourada e macia).
  • Num jardim, sentar em silêncio, fechar os olhos e concentrar até escutar apenas o som de um passarinho.
  • Deitar de barriga para cima e colocar um patinho de borracha (ou um outro peluche pequeno) na barriga da criança. A barriga será o lago dos patinhos e as ondas do lago a inspiração e expiração da criança (respiração abdominal – ótima para relaxar). Pode acrescentar um ritmo: inspirar contando até 3, expirar contando até 6. Junte-se a ela e vivenciem um momento sereno e relaxado juntos!
  • Deitada ou confortavelmente sentada, convide a criança a encontrar um lugar feliz no seu próprio corpo, onde vive um sorriso feliz. Encontrado o lugar, a criança pode (visualizando esse lugar) viajar até lá e permanecer sempre que quiser, imaginando que lá existe um cofre dourado onde tudo o que a aborrece/irrita/zanga/entristece se transforma em estrelas douradas de felicidade, amizade, tranquilidade, …

Colocando em prática algumas destas sugestões, é possível termos crianças mais felizes, mais conscientes e lúcidas, mais equilibradas e com um desenvolvimento mais harmonioso.

E agora que as férias do verão estão à porta, porque não aproveitar o ritmo mais brando que se aproxima e descobrir o super-ser Mindful que há nas nossas crianças – as “reais” e as “de dentro dos mais crescidos”? Junte-se a elas e mãos à obra! A imaginação é o limite!

Alexandra Pinto, Psicóloga
para Up To Kids®

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A Associação Portuguesa Charcot-Marie-Tooth é uma associação que nasceu para divulgar a existência da doença neuromuscular e degenerativa Charcot-Marie-Tooth, apoiar e orientar os seus portadores.

Foi fundada no dia 27 de Setembro de 2014 com os direitos de autor do livro Contra Baixo de Diogo Lopes, um jovem portador, estudante de Piano e Composição na EMCN e amante de jazz que integra a orquestra-escola de jazz BBJ-Big Band Júnior. É o Presidente Honoris Causa da APCMT.
O livro, conta com prefácios de Maria João, Nilton e Valério Romão.

A nossa missão é Divulgar para Conhecer
[youtube https://www.youtube.com/watch?v=VFyNU_b8TGY]

A que se propõe a APCMT?
A Associação tem como fim divulgar e sensibilizar a população em geral, e a classe médica em particular, sobre a existência da doença degenerativa, Charcot Marie Tooth.

  • Apoiar e orientar os portadores e seus familiares.
  • Promover encontros nacionais entre portadores, familiares e técnicos da saúde.
  • Promover iniciativas e actividades de natureza educativa, profissional, social, cultural, desportiva e outras atividades de várias naturezas.
  • Encetar parcerias com instituições que contribuam para a melhoria da qualidade de vida dos portadores e seus familiares.
  • Angariar fundos para contribuir financeiramente para a investigação da cura/tratamento, bem como, para o desenvolvimento dos fins a que se propõe.
  • Promover tratamentos através da arte -música, dança, etc.
  • Sensibilizar, esclarecer e mobilizar a opinião pública para a amplitude e imperatividade da resolução das necessidades dos portadores de Charcot-Marie-Tooth.

Outros problemas que um portador enfrenta?

  • A falta de informação
  • A demora ou ausência de diagnóstico
  • A falta de um tratamento face à falta de um diagnóstico
  • A parca acessibilidade aos testes genéticos (financeiramente)
  • A dispersão e incoerência relativa aos tratamentos
  • Erros clínicos por desconhecimento por parte da classe médica (como operações desnecessárias ou o contrário e diagnósticos errados)
  • A invisibilidade da doença -numa primeira e longa fase -que conduz a um maior preconceito
  • A falta de/ou parcos apoios

No sentido de divulgar a doença neuromuscular e degenerativa Charcot-Marie-Tooth, criamos dois projetos para que os diferentes públicos possam usufruir de esclarecimento específico, e direcionado.

  • PROGRAMA CMT – Informar para Sensibilizar e Educar. | Publico geral
    Porque o saber não ocupa lugar, porque hoje é o Diogo e amanhã é o nosso filho, o nosso irmão, o nosso amigo. Inscreva a sua escola, Biblioteca, empresa, em ap.charcot.marie.tooth@gmail.com
  • PROGRAMA CMT – Informar para Orientar | Profissionais de saúde
    Com a sua ajuda poderemos chegar a mais casas, a mais pessoas que precisam de apoio.
    Inscreva a sua Clinica, Hospital, Centro de Saúde, Centro de fisioterapia, em ap.charcot.marie.tooth@gmail.com

Para financiar este dois projetos, criamos a campanha 1€/dia não sabe o bem que lhe fazia.
Ajude-nos a ajudar quem mais precisa. Faça o seu donativo. NIB: 003601139991004317936

CONTACTOS: Apartado 1628, 2786-901 São Domingos de Rana | 92 607 44 15  | Visite o nosso site aqui | Siga-nos no Facebook  | Já chegamos ao Twitter | ap.charcot.marie.tooth@gmail.com

Ao pai dos meus filhos, um estranho na pele de família: eu não estou zangada contigo. Estou triste por ti. Estás a perder tudo.

Olhei para ti quando, de coração nas mãos, te entreguei os miúdos que não vias há mais de um mês, e lembrei-me de como tu és. Olhei para ti, e vi o vazio nos teus olhos. O mesmo vazio que sempre vi, e tentei preencher comigo, com o meu amor, com os nossos filhos.

Percebi pela rouquidão da tua voz a quantidade de cigarros que deves ter fumado na noite anterior. Percebi que te sentias mal, que tinhas passado o dia a dormir e que estavas para morrer. Percebi que não era boa ideia cumprires a tua obrigação de passar o fim de semana com os miúdos. Cheiravas a álcool, a ressaca, e só me lembrava de te ver assim todos os fins de semana durante anos.

Senti o coração no estômago por deixares que os miúdos te vejam assim, e por ter de deixa-los contigo nesse estado. A memoria trouxe tudo ao de cima.

Sorri-te  como se estivesse tudo bem, e fingi não perceber o que se passava. Perguntei se estava tudo bem. Disseste que sim, mas eu sabia perfeitamente… Não estava nada bem.

E estás a perder tudo.

Era suposto seres o homem. O homem que eles admiram. O homem que eles querem ser quando crescerem. O homem que os ensina a ser um homem. O homem em quem eles podem confiar. Mas não és.

Sim, eles adoram-te. E neste momento eles até olham para ti. Mas não estás a ser um exemplo, e de certeza que não podem confiar em ti.

Mandaste-me uma mensagem nessa noite, apenas algumas horas depois de eu ter saído. E eu sabia aquilo que te recusaste a admitir.

“Eu sei que não vais querer saber, e que provavelmente irás usar esta mensagem contra mim de alguma forma, mas estou farto de vomitar e de suar. É um bocado assustador, e não, não estive a beber”

Eu sei que estavas mal e a ressacar. Tinha percebido horas antes. Não foi a primeira vez e não será a última. Na verdade até fiquei aliviada por teres mandado mensagem. Mesmo que não tenhas admitido a verdade sobre a tua “má disposição”, eu fiquei contente por ir buscar os meus filhos e leva-los para casa. O meu instinto materno dizia-me que eles estavam a precisar da mãe, e que tu não estavas em condições de passar o dia com eles. Por isso obrigada por teres assumido que não conseguias aguentar até à hora de jantar. Mesmo que não admitas qual o verdadeiro motivo.

Eu já não estou zangada contigo. Pelo menos como costumava estar. Agora é a desilusão que me assola cada vez que estou contigo.

Eu sinto pena por ti, e pelas pessoas que acreditam nas tuas mentiras.

Adorava que fosse diferente. Mas já desliguei.

Não queria que te afastasses dos rapazes, mas a verdade é que já o fizeste.

Enquanto passas o tempo, que deverias estar com eles, a beber, eu aproveito  e desfruto cada minuto das suas companhias. Enquanto destróis tudo à tua volta, eu ensino-os a consertar e construir coisas.

Enquanto dormes a aconchegar a tua ressaca, eu aconchego os nossos filhos.

Enquanto sais com outras pessoas, eu também saio. Com três outras pessoas, para ser mais precisa. A diferença é que eu estou nestas relações para toda a vida, e as tuas duram uma noite.

Enquanto inventas desculpas, eu estou a criar memórias.

Estás a perder tudo.

Quando estás com eles, perdes tempo a mandar-me sms a contar as suas piadas e saídas humorísticas, e esqueces-te que eu estou com eles todos os dias.

Eu sei que eles são espetaculares.

Ficas surpreendido com coisas que eles dizem e fazem e contas-me como se fosse novidade para nós os dois. Eu sei que eles são espertos. Eu é que lhe ensino as coisas que eles sabem.

Ficas surpreendido quando os vês abraçados um ao outro muita cumplices. Eu sei que eles são carinhosos. Eles aprenderam a gostar intensamente, comigo.

Enquanto vives de volta do teu umbigo, perdido nesta vida que tanto dizes adorar, estás a perder tudo.

Não sabes que o Ethan gosta de ser empurrado muito alto no baloiço, mas que tenho de fazê-lo de frente para que consiga sempre ver a minha cara.

Não sabes que o Connor também gosta que o empurre, mas só devagarinho, porque alto é assustador para ele.

Não sabes que eles já se vestem sozinhos, mas que o Ethan veste primeiro os braços e depois a cabeça, e o Connor faz exatamente ao contrário.

Não sabes qual a refeição preferida deles, ou a música preferida ou o jogo preferido. Não sabes que eles os três adoram dançar. Não sabes que o Luke tem tanto de selvagem e forte como de doce.

Não sabes que o Connor se esconde quando está envergonhado.

Não sabes que eles querem jogar futebol e que são bons de bola. E provavelmente não vais estar lá nos treinos, nem tampouco nos jogos. Sou eu que vou estar lá a apoiá-los. É a minha cara que vão procurar no meio das bancadas. Não sabes como ensiná-los a serem cavalheiros, porque tu próprio ainda és um miúdo mimado.

Estás a perder tudo.

Quando eles nasceram o meu mundo mudou. O teu continuou igual. Perdeste a beleza do que é ter filhos e nunca compreendeste o quão importante era o teu papel. Nunca quiseste na verdade assumir esse papel. Mas quiseste ser pai, e agora estás a perder tudo.

Eu já não estou zangada contigo.

Estou triste por ti.

Porque tu estás a perder tudo.

Eu não.

Por Rachael Boley, para Scary Mommy; tradução e adaptação autorizada para Up To Kids®

Quando comecei a pensar em pôr o meu filho na escola lembro-me de, rapidamente, me ter deparado com a questão do método de ensino que iria optar para a sua educação, pelo menos nos primeiros anos escolares.

Sendo eu da área artística, sempre achei que deveria encontrar um método onde identificasse as ideologias em que acredito, para que os miúdos cresçam a saber decidir por vontade própria e ter liberdade para pensar fora da caixa. Tudo este pensamento parece muito simples e coerente… não fosse aquele pequeno pormenor de que estou, assim, a decidir o futuro dos meus filhos, e quando se trata de “filhos” eu, como todas as mãe, tendo a ficar estupidamente criteriosa nas minhas escolhas.

Comecei por informar-me sobre metodologias alternativas, tais como, Waldorf, Montessori, Reggio Emilia, HighScope, Piaget e outros. Já conhecia algumas, outras nem por isso. Depois de pesquisar, de ler, de perguntar, comparar, e ponderar, com receio (para não dizer medo) de entregar a educação dos meus filhos a um método menos convencional, acabei por pô-los no ensino regular. Tal como eu andei. Achei que estava a tomar a decisão certa (ou pelo menos segura) regendo-me pelo que eu vivi e pelo que eu conheço.  Obviamente que, o regime de ensino hoje em dia nada tem a ver com aquele que eu frequentei um dia. E, ainda por cima, as metas curriculares.

As metas curriculares e as avaliações escolares foram as minhas preocupações principais, pois achei que um dia quando saíssem do ensino regular tudo poderia tornar-se mais complicado. (Se calhar a complicação era só na minha cabeça…)

Enquanto mãe e educadora, preocupa-me o facto de poder ter tomado uma opção preguiçosa, e estar assim a condicionar o desenvolvimento dos meus filhos. Por isso procuro descobrir e desenvolver diferentes formas de lhes dar acompanhamento em casa, naquelas áreas que, acredito que sejam menos desenvolvidas na escola. Através da realização de actividades lúdicas e culturais, através da brincadeira, da liberdade, da exploração dos materiais, etc.  Deixando que desenvolvam as suas áreas preferenciais, que no fundo serão os seus talentos e competências inatas e ocultas.

Há dias nesta minha expedição pelas metodologias alternativas descobri um texto que achei extremamente interessante. Foi escrito por uma aluna finalista de Portland, Kate, que frequentou escolas Montessori, e que com este artigo ganhou o prémio Gold key.

Conseguimos perceber o resultado de algo em que muitos educadores investem. Quanto a mim, vou continuar a desenvolver estratégias que os ensine a aprender pelo prazer da aprendizagem.

Deixo-vos para refletir.

“Lembro-me da primeira vez que ouvi aquela pergunta. O ano letivo tinha começado há duas ou três semanas, eu estava no secundário numa aula de ciências e alguém perguntou: “Isto vai sair no teste?” O meu primeiro pensamento foi: “O que é que isso interessa?” Até ao 2ºCiclo andei numa escola que seguia o método Montessori, onde os meus dias eram um mix de lições dadas pelo professor, e o trabalho que eu queria desenvolver. Não havia testes ou sequer notas. Ao invés de aprendermos conteúdos curriculares, ou de sermos preparados para alcançar determinadas metas, eu aprendi sobre temas que me interessavam. Eu estava ansiosa para chegar à secundária. Estava desejosa por ter trabalhos de casa, e acima de tudo de ter notas! Nessa altura pensar nisso era como um romance. Mas rapidamente o entusiasmo desapareceu: as notas não eram divertidas, mas sim preocupantes. Quando iniciei o secundário decidi que não ia tornar-me obcecada por notas. Sabia que eram importantes para entrar na faculdade, mas achei que se desse o meu melhor, e continuasse a aprender pelo aprender em si, que tudo correria bem. Isso resultou apenas no meu primeiro ano de caloiro. As aulas eram básicas e muitas vezes extremamente chatas e aborrecidas. Um dia de aulas não era nada cansativo, e o stress nesse meu primeiro ano foi causado por ter atividades extra curriculares a mais. A minha escola é extremamente competitiva, e tem uma reputação grande a nível de exigencia e rigor académico. Isso tem as suas vantagens. Ninguém sofre bullying por ser inteligente ou nerd. Mas também cria uma cultura de superioridade nos alunos. Eu ouço conversas dos meus colegas que passam noites em claro para terem melhores notas. Talentos, como artes ou desporto estão subvalorizados. A preocupação da maior parte dos estudantes do secundário, é a entrada para a faculdade. Lentamente eu senti-me a ser absorvida por este vortex de classificações, notas e candidaturas à universidade. Tenho uma amiga que, sempre que resolve fazer qualquer coisa de diferente pensa duas vezes se isso será benéfico para a sua candidatura. Quando os professores começam a ensinar para os testes e os alunos começam a aprender para os testes, e aqui, perde-se uma parte fundamental do processo. Um dos maiores elogios que recebi nos últimos dois anos foi relativamente à minha capacidade de resolver problemas, por procurar soluções através de diferentes ângulos. Quando os professores nos ensinam para nos para um teste, perdemos a oportunidade de explorar por nós mesmos. Nós ensinamos-lhes que há uma única resposta correta e que não há apenas uma maneira de chegar a uma solução. Nós desativamos a mente dos professores, pelo menos a parte que interroga e questiona. Eu preciso de saber como as coisas funcionam. Eu não fico contente quando me dizem apenas como tenho de fazer ou responder. Em vez de se concentrar num objetivo final, como um teste ou uma meta, o método Montessori baseia-se no trabalho realizado para alcançar determinado resultado. Eu sou capaz de resolver problemas de diferentes maneiras porque Montessori ensinou-me a pensar fora da caixa, e a fazer sempre o melhor que posso. Nunca foi importante o que tinha feito, desde que eu e os meus professores soubéssemos que estava a fazer o meu melhor, tendo consciência de que o melhor varia de pessoa para pessoa. Eu acredito que as crianças querem aprender, e que se lhes dermos as ferramentas certas, irão exceder todas as expectativas. Em vez de criar marcadores para todos os alunos e implementar testes padronizados que não medem a resolução de problemas, precisamos incutir uma cultura onde os desafios são valorizados. Recentemente ouvi um estudo onde colocaram crianças da China e crianças dos EUA a resolver um problema de matemática. O que os miúdos não sabiam, é que o problema não tinha resolução. A maioria dos alunos americanos parou de tentar resolver o exercício ao fim de um minuto. Os alunos chineses foram interrompidos ao fim de 1 hora, porque era a duração máxima deste estudo. Nos EUA o esforço não é grandemente valorizado. Nós valorizamos a inteligência, e vemos o esforço com um indicador de que um indivíduo é lento, porque a escola não é suposto ser difícil para uma pessoa capaz. Houve uma altura que eu tinha medo de ler em voz alta porque achava que se iam rir de mim cada vez que pronunciasse mal uma palavra. Este ano, tive uma disciplina extremamente desafiante para mim. O professor é conhecido por estragar as médias brilhantes dos alunos. Mas o paradoxo é que ele costuma dizer que as notas não interessam, e que adorava não ter de fazer avaliações. Agora, voltando à questão: “Isto vai sair no teste?” Quando os educadores nos ensinam que os resultados são o produto mais importante de uma experiência, não estão a ajudar-nos. Conforme crescemos, não teremos sempre alguém a dizer-nos quais as metas a atingir para sermos bem sucedidos. O aprender não para quando concluímos os estudos. E ainda bem porque aquilo que aprendemos até então é uma ínfima parte daquilo que temos capacidade de aprender. Ensinar para os testes dá aos alunos ferramentas para serem bem sucedidos nesse teste. Mas ensinar o prazer de aprender dá aos alunos ferramentas para quererem continuar a aprender até ao resto das suas vidas. Muitos pais com crianças em escolas Montessori, receiam que os seus filhos percam qualquer coisa pelo simples facto de não fazerem testes, e não serem avaliados. Acontece que a verdade é exatamente o oposto. Por não serem pressionados com testes e notas, estas crianças aprendem o prazer de aprender, algo que ficará com eles mesmo depois de esquecerem formulas matemáticas e das diferentes partes que compõem uma célula humana.”

Kate é uma  Childpeace Montessori e Metro Montessori Middle School Alumni

Redigido por Up To Lisbon Kids®

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amo-te tanto mas hoje tenho de levar o carro ao mecânico, as rodas fazem um barulho estranho, não deve ser nada mas é melhor prevenir, amanhã prometo que vamos ver que tal se come naquele restaurante novo junto à rotunda, e depois levo-te ao cinema, ai não que não levo,
amo-te tanto mas hoje tenho de ver o treino do miúdo, o treinador ligou e disse-me que temos craque, o nosso menino a jogar como gente grande, vê lá tu, quando chegar com ele vê se tens prontinha aquela comida que ele adora, o puto merece, ai não que não merece,
amo-te tanto mas hoje tenho de ficar até tarde no escritório, há aquele projecto do estrangeiro para fechar, está aqui tudo perdido de nervos, não sei se aguento, daqui a pouco ligo-te para saber como vai tudo, o miúdo e as coisas aí em casa, agora tenho de ir mostrar a esta gente toda como se trabalha, ai não que não tenho,
amo-te tanto mas hoje tenho de me deitar cedo, amanhã é aquela reunião importante de que te falei, se conseguir o cliente vamos ser tão felizes, aquela casa, o carro novo, quem sabe?, só tenho de o conseguir convencer, tenho tudo prontinho na minha cabeça e nada pode falhar, vamos ser ricos, é o que é, ai não que não vamos,
amo-te tanto mas hoje não estás, cheguei à hora combinada para te levar a jantar e tu não estás, o miúdo também não, deve estar no treino, deixa-me cá ligar, ninguém atende, nem tu nem ele, provavelmente deves estar a preparar alguma, sempre foste tão assim, cheia de surpresas, daqui a nada entras pela porta e dizes que me amas, ai não que não dizes,
amo-te tanto mas hoje tenho de assinar este papel, olho-te e peço-te perdão, prometo-te que não vai haver mais mecânicos nem treinos nem clientes estrangeiros nem reuniões entre nós, garanto-te que te quero acima de tudo, olho-te mais uma vez nos olhos e procuro acalmar o que te dói, mas tu só dizes para eu assinar e eu assino, as mãos tremem e até já uma lágrima caiu sobre elas, o nosso filho quando souber vai chorar como um menino pequeno outra vez, o nosso craque, podias ficar pelo menos pelo nosso craque, ou pelo menos por mim, para me manteres vivo, Deus me salve de não te ter comigo, sou uma impossibilidade se não te tiver para gostar, ai não que não sou,
amo-te tanto mas hoje não tenho nada para fazer, a casa escura, um silêncio vazio e nada para fazer, apenas esperar que te esqueças de mim e me voltes a amar, e eu amo-te tanto, ai não que não amo.

Pedro Chagas Freitas
in “Prometo falhar”

encomenda de exemplares autografados através do e-mail
fabricaescrita@gmail.com

A amizade é benéfica para a saúde e bem-estar, especialmente se for presencial, segundo um estudo hoje divulgado.

Através das relações de amizade as pessoas riem-se mais, exprimem mais emoções positivas, sentem-se mais apoiadas e otimistas e sentem que têm alguém em quem confiar em momentos difíceis.

Nas relações indiretas (através das redes sociais) há também uma sensação de pertença que promove o bem-estar, diz o estudo do Centro de Investigação e Intervenção Social do ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa.

O estudo inquiriu 803 pessoas e concluiu também que quem mais usa as redes sociais (Facebook por exemplo) sente-se mais só, sente que tem menos apoio em caso de necessidade e que está menos ligado aos que o rodeiam.

Realizado por uma equipa do ISCTE, o estudo “Amizade e Saúde” procurou perceber se os amigos “virtuais” têm o mesmo impacto positivo do que a amizade ao vivo. E a conclusão é que o impacto é maior nas amizades presenciais.

De acordo com as respostas, na “vida real” 55 por cento dos inquiridos tinha mais de dez amigos, 59 por cento tinha três ou mais amigos íntimos e 48 por cento convivia pessoalmente com eles pelo menos uma vez por semana.

Segundo a amostra 58 por cento disse que raramente se sentia só, 70 por cento disse achar que teria pessoas a quem pedir ajuda se necessário, 45 por cento disse que se sentia socialmente bem integrado e 56 por cento que sentia uma forte conexão social.

Quanto à “vida virtual”, 90 por cento dos inquiridos disse ter Facebook e destes 45 por cento disse ter mais de 300 amigos, ainda que a maioria (80 por cento) tenha reconhecido que apenas 50 ou menos eram amigos verdadeiros.

Diz o estudo que, apesar de a dimensão de amigos nas redes sociais se associar a uma maior integração social, a frequência de contactos no Facebook pode ser um fator de risco para as amizades ao vivo.

fonte 15 mai (Lusa)

Uma ideia giríssima para desenhar as mãos dos miúdos em 3D. O resultado é fantástico e eles adoram todo o processo.

Dica: não lhes mostre o vídeo. Faça com eles, e divirta-se com as reações de espanto, entusiasmo e alegria quando veem o resultado final!

Recorte e ponha numa moldura com a data. As suas mãos em 3D, para “mais tarde recordar!”

Divirta-se em família!

 

Inicio a presente reflexão partindo do pressuposto que o leitor/a nunca esteve no Brasil em negócios e foi chamado à atenção para um eventual erro do seu português por um cidadão brasileiro, que fala e escreve português do Brasil.
Com prepotência ou sem qualquer maldade, qualquer hipótese de estar de acordo com a servil entrada em vigor em Portugal do denominado Acordo Ortográfico cai imediatamente pela base.
Sem politiquices ou conceitos geoestratégicos, a verdade é temos que ter em conta que aos nossos filhos em início de escolaridade, estão a ser transmitidas bases muito diferentes daquelas que nos deram em crianças.
No entanto as bases sejam elas quais forem, são vitais seja para as entrevistas dos futuros empregos do seu filho seja igualmente para a carta de amor que ele irá escrever à sua mais que tudo do momento.
Para um empregador ou para uma qualquer paixoneta não deve, nem pode ser indiferente pronunciar “hades” ou “hás-de”
No meu caso pessoal, estou eternamente agradecido ao meus Pais que providenciaram para que a minha primeira e segunda classe fosse dada numa turma de três alunos, no quarto andar de um prédio da classe média da cidade de Setúbal, em plena década de 70 do século passado.
Aí, com a saudosa Professora Teresinha, havia reguadas complementadas com rigor e reconhecimento e o recreio situava-se nas traseiras do prédio.
Havia exigência e um ligeiro desconforto na ida para a escola, mas as bases, essas ficaram-me para sempre.
É certo que muita coisa mudou desde aí e é expectável que a carta de amor ou bilhetinho vá agora por sms ou Whatsapp, com um lol ou um k, mas para mim e para muitos a primeira impressão conta muito e toda a pirâmide tem uma base.

Por RMPC,
para Up To Lisbon Kids®

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Sabe-se que nem sempre as pessoas bem-sucedidas foram as que obtiveram as melhores classificações no seu percurso escolar, assim como a capacidade intelectual não é necessariamente prognóstico de um bom desempenho pessoal e social.

A habilidade de uma pessoa para compreender os seus sentimentos e os dos outros é uma das capacidades mais importantes do ser humano, designando-se Inteligência Emocional. Trata-se de um conceito que ganhou mais visibilidade após a publicação de Daniel Goleman que, em 1998, definiu Inteligência Emocional como a “capacidade de identificar os nossos próprios sentimentos e os dos outros, de nos motivarmos e de gerir bem as emoções dentro de nós e nos nossos relacionamentos”.

Uma pessoa emocionalmente inteligente identifica as suas próprias emoções, gere as suas reações emocionais de forma adequada, pratica o auto-controlo e a empatia e desenvolve uma aceitação incondicional de si mesmo e dos outros.

Embora exija treino, existem várias formas de estimular a Inteligência Emocional nas crianças, sendo que esta pode e deve ser estimulada desde o nascimento, através das crescentes interações entre o bebé e as figuras de vinculação e, à medida que as crianças vão crescendo, através da qualidade das interações da criança com os outros. A vida diária é uma ótima escola de aprendizagem para o desenvolvimento da Inteligência Emocional, pelo que ajudar a criança a resolver os desafios que surgem diariamente será um excelente ponto de partida para criar uma criança emocionalmente inteligente. Os pais ou cuidadores estão na primeira linha de ação enquanto preparadores emocionais dos seus filhos.

Atente algumas das estratégias mais eficazes para fomentar a Inteligência Emocional na criança:

  • Dê espaço à criança para se expressar abertamente sobre os seus sentimentos e ajude-a a verbalizar o que está a sentir, dando-lhe um nome e significado;
  • Ouça a criança com empatia e fomente a importância do saber escutar;
  • Desenvolva brincadeiras de reconhecimento de emoções nas personagens favoritas da criança em histórias ou desenhos animados;
  • Brinque regularmente com a criança, fomentando a interação e o respeito pela opinião do outro;
  • Fale das situações do dia-a-dia, perguntando-lhe o que faria em determinada ocasião;
  • Fomente o diálogo familiar e oriente a criança nas suas escolhas e decisões, entendendo as suas angústias;
  • Estimule a resiliência, ao explicar à criança que nem sempre tudo irá acontecer como deseja, ensinando-a assim, a lidar com problemas e a superar obstáculos;
  • Imponha limites e ensine a criança a lidar com a frustração dizendo “não”.
  • Perante a desmotivação da criança para enfrentar um desafio mostre-lhe a necessidade de se superar, valorizando o seu esforço acima das suas capacidades;
  • Não negue a sua tristeza como forma de proteger a criança. Encare esse momento como uma oportunidade para ela reconhecer a emoção nos outros, através da empatia.

O uso eficaz das emoções permite que a criança ganhe um maior controlo sobre os seus impulsos, ajudando-a a ser menos agressiva e mais sociável. Ao aprender a comunicar de forma mais adequada o seu estado emocional, a criança desenvolverá relações mais saudáveis ao longo da sua vida, com base no respeito e na assertividade.

As crianças emocionalmente inteligentes são crianças mais seguras na procura de soluções para os seus problemas, bem como na adversidade, isto é, em eventos como perdas de entes queridos, separações ou outros acontecimentos críticos.

Ao permitir que a criança desenvolva a sua Inteligência Emocional estará a dar-lhe a oportunidade de crescer de forma saudável e tranquila, vacinando-a contra possíveis perturbações de foro psicológico, como depressões, ansiedades ou outras, fomentando uma personalidade sólida e significativamente mais impermeável a eventos críticos.

Cristina Reis, Psicóloga Clínica

imagem capa original de Luís Nobre