O norte-americano Hal Taylor sempre gostou de ler. Quando teve filhos começou a ler-lhes histórias desde muito cedo, aliás,  quando ainda estavam na barriga da mãe.

Quando nasceu a sua 3ª filha, a hora do conto tornou-se na “hora da confusão” porque não havia colo suficiente para os três. Não querendo deixar a bebé de fora do grupo de leitura, teria de ser a mais velha a ficar numa posição menos privilegiada. Decidiu assim, criar uma cadeira onde conseguisse sentar os três filhos:

“Bem, eu construo cadeiras de baloiço, hei-de encontrar uma solução para isto” – Agora todos têm um lugar para si na hora do conto!

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A tem um custo aproximado de 7000 a 7500US$. É cara porque é toda esculpida à mão. Só para as costas da cadeira, é necessário cortar mais de 200 peças, o que são mais cortes do que aquilo que seria necessário para fazer 20 cadeiras de baloiço normais.

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“É muito dinheiro, sim. Mas questione-se: – De todas as coisas em que gastei dinheiro nos últimos 20 anos, quantas delas serão usadas pelos meus bisnetos? Esta cadeira será!”

 

Saiba mais no site oficial Hal Taylor | rock@haltaylor.com

 

 

 

Era domingo de manhã, eu tinha uma reunião importante no escritório na segunda-feira, e minhas unhas estavam um lixo. Eu não havia conseguido tempo para ir à manicure desde a semana anterior, enrolada entre trabalho, e vida de mãe/esposa/dona de casa. No sábado preferi passar o dia me divertindo com o meu filhote e o maridão.

Arrisquei, então, telefonar para o salão no domingo mesmo, quem sabe estaria aberto… Para minha surpresa, atenderam! Marquei um horário com minha manicure de sempre.
Chegando lá, perguntei a ela:

– O salão fecha amanhã (segunda-feira)?
– Não, abre todos os dias.
– E que dia você tira folga?
– Nenhum. Trabalho todos os dias.
– Mas você não tem uma filhinha de 2 aninhos? Você nunca fica com ela?
– Não, ela fica com minha mãe enquanto trabalho.
– Você está endividada?
– Nada, moro com minha mãe, mas quando saio para o serviço, e quando chego, minha bebê está dormindo.
– Você está juntando dinheiro para comprar carro ou a casa própria? (insisto, tentando decifrá-la, com a esperança de não ouvir o que vinha a seguir…)
– Não… É que prefiro mesmo trabalhar do que ficar com a minha filha, não levo muito jeito com criança e não tenho muita paciência.

Choquei. Nem sei que cara eu fiz, tentando disfarçar o quão desconsertada fiquei. Não sei bem explicar se o que me chocou mais foi a sinceridade da moça ou o fato de ela realmente não querer ficar com a filha, seja por amor, por culpa ou por responsabilidade/consciência da importância que a presença dela tem para a vida da criança.

Tentei ser generosa com a manicure e justificar tudo isso pela sua idade/imaturidade. Afinal, ela tem apenas 21 anos, não deve ter planejado a gravidez e nem viveu plenamente toda a sua juventude…

Ok, ela nem é tão novinha. Mas, ainda assim, em vez de julgá-la, parei para refletir e me dei conta que, quer saber, ela não é a única. Lembrei de uma colega de trabalho, muito menos sincera (ou menos sem noção) do que minha manicure, que vive se sentindo culpada durante a semana porque passa pouco tempo com a filha de 3 anos, mas todo sábado à tarde ela começa a disparar mensagens desesperadas reclamando: “minha filha tá impossível hoje, vou surtar, o que você está fazendo? Vamos combinar algo? Não aguento mais ficar sozinha com ela!”.

Claramente, minha colega não suporta ficar nem meio período do dia com a filha – apesar de dizer morrer de saudade ao longo da semana.

Diversas outras mães sentem o mesmo. Uma amiga psicóloga que faz estágio em clínica que presta atendimento gratuito para famílias humildes me contou que um problema comum por lá são mães que recorrem à ajuda profissional para se tratar porque estão com uma vontade incontrolável de abandonar o filho e até mesmo com pensamentos recorrentes de planejar o assassinato deles.

Estes podem ser casos mais graves, claro. Mas não duvido que haja diversas mães comuns por aí que preferem trabalhar ou fazer qualquer outra coisa para fugir dos pequenos. Afinal, vamos combinar que cuidar de uma criança não é nada fácil. É um dia inteiro de trabalho, requer um estoque bem grande de energia para brincar, muita criatividade para tornar todos os momentos lúdicos, jogo de cintura para lidar com imprevistos constantes, bom humor e conhecimentos de psicologia para saber lidar com as birras. Enfim, cansa. É estressante.

Às vezes muito mais estressante do que um longo dia de 12 horas em frente ao computador, escalonado por reuniões, telefonemas incessantes e pressão para entregar um documento no prazo.

Não estou defendendo mães que não assumem sua responsabilidade, estou apenas tentando desmistificar a aura de “santidade” e o romantismo que existe em torno da maternidade. Talvez resida aí – nessa visão distorcida do que é a maternidade – a origem do problema.

Ainda há uma pressão social e cultural – atualmente implícita – de que toda mulher de verdade deve querer ser mãe um dia. E a verdade é que nem todas se identificam com a função. E aí sempre tem aquela desavisada que ama seu estilo de vida solteira/alta executiva/baladeira mas resolve entrar para o irreversível mundo da maternidade. E verifica que não é para qualquer um. MESMO.

Mas, espera aí, o amor materno não é incondicional? Uma vez que o bebê nasce, as mulheres não ficam perdidamente apaixonadas por ele?

Há 30 anos já foi provado que isso é mito (vide o livro O mito do amor materno, de Elizabeth Badinter, publicado em 1985).

A mais pura verdade, e nisso não há controvérsias, é o amor incondicional que um bebê sente pela mãe (se preferir, pode chamar de necessidade incondicional). O contrário nem sempre é verdadeiro.

O filme brasileiro Que horas ela volta?, tem esse título justamente porque apresenta filhos eterna e ansiosamente à espera de suas mães.

Crianças pobres e ricas que estão sempre aos cuidados de uma terceira pessoa que não quem as pariu. Enquanto essas mães ausentes tocam suas vidas – com mais ou menos tranquilidade -, os filhos vão cultivando seus irreversíveis traumas e buracos na alma.

Esse cenário não é característico apenas da vida moderna, nem do Brasil. Mães abastadas sempre tiveram amas de leite para amamentar seus próprios rebentos. E, por mais que não trabalhassem em séculos passados, tinham escravas (ou babás, dependendo do país) que tomavam contas de seus filhos. Já as mães pobres, bem, essas sempre tiveram de trabalhar e largar seu filho com… qualquer um!

O que é, sim, característico da atualidade, é a culpa materna. A cobrança que as mães se fazem de amamentar seus bebês pelo menos durante seus seis primeiros meses de vida, e de acompanhar pessoalmente seu desenvolvimento durante a infância, surgiu com a difusão da Psicologia, que divulgou a importância do amor materno para a criação de crianças minimamente saudáveis.

Como estamos todas no mesmo barco, ninguém tem coragem de condenar mães que trabalham fora e passam um tempo ínfimo com seus pequenos.
Desde que sofram, e se sintam culpadas.
Por Bárbara Semerene, em BrasilPost
na Up To Kids®

 

O vencedor do passatempo  “Diário do Benfica”, da Editora Marcador é:

  • Joelma Moniz«“Ser Benfiquista é… “

    vestir a camisola de corpo e alma seguir o nosso sonho, vermelho. O meu clube do coração tem uma águia vitoria  que nos trás sempre muitas glorias

PARABÉNS! Obrigada por ter participado!
Para reclamar o prémio siga as instruções enviadas por e-mail.
Caso não tenha recebido um e-mail, por favor verifique a caixa de spam.

Este passatempo foi oferecido pela Editora Marcador, em parceria com a Up To Kids®.

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O Diário do Benfica, é o livro de sonho para miúdos fanáticos pelo Benfica.

Aqui podes encontrar desde, horário escolar, palavras cruzadas, labirintos, curiosidade, passatempos e muita diversão. Tens espaço para colar os bilhetes dos jogos, fazer o teu 11 ideal, e até para recolheres autógrafos e guardares para a vida!

Se gostas de futebol e adoras o Benfica, este passatempo é para ti!

A  Up To Kids® em parceria com a Marcador Editora vai oferecer um exemplar do livro “Diário do Benfica”, para te acompanhar neste ano letivo!

COMO PARTICIPAR | REGRAS

1. Fazer like na página Up to Lisbon Kids e Marcador
2. Partilhar no Facebook (ao público), com tag para 3 amigos.
3. Preencher os campos obrigatórios,e complete a frase:

“Ser Benfiquista é…”

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O passatempo é válido de dia 7.10.15 até dia 18.10.15.
O autor da frase/quadra mais criativa será o vencedor do passatempo!
O vencedor será anunciado publicamente no dia 21.10.15.
Apenas estarão habilitadas ao sorteio pessoas cumpram as 3 regras de participação.
A partilha deverá ser publica para a podermos seguir.
O mesmo utilizador pode concorrer mais que uma vez (máx 5 participações/pessoa/dia), desde que em cada participação cumpra novamente as regras impostas, e os nomes do tag sejam sempre diferentes.
Ficará habilitado o nº de vezes que concorrer
Os vencedores serão avisados por e-mail, e terão 15 dias a contar da data do envio do mesmo, para responder e reclamar o prémio. Após essa data perderão o direito ao mesmo.
O prémio será enviado por correio após a reclamação do mesmo.

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Querida pessoa de 6 anos: As rodinhas  das bicicletas são para bebés. Tens de te livrar delas de uma vez por todas.
Ass.: uma pessoa 7 anos.

Querida pessoa de 7 anos: Não importa o que os outros dizem. Mantém-te esquisito.
Ass.: uma pessoa de 8 anos.

Querida pessoa de 8 anos: Descobre a fraqueza da tua baby-sitter, e usa-a contra ela.
Ass.: uma pessoa de 9 anos.

Querida pessoa de 9 anos: Não te envolvas com miúdos populares. Eles são narcisistas capitalistas que não sabem nada sobre política.
Ass.: uma pessoa de 12 anos.

Querida pessoa de 12 anos: Convida-a para dançar. Confia em mim nesta questão.
Ass.: uma pessoa de 16 anos.

Querida pessoa de 16 anos: Não deixes a tua mãe atirar fora os legos.
Ass.: uma pessoa de 18 anos.

Querida pessoa de 18 anos: Não exageres na maquilhagem. Não és tão feia como te vês.
Com amor,  uma pessoa de 19 anos.

Querida pessoa de 19 anos: só porque estás num buffet “All you can eat”, não significa que tenhas de comer tudo o que conseguires.
Ass.: uma pessoa de 20 anos.

Querida pessoa de 20 anos: os teus pais cobram juros mais baixos que o teu cartão de crédito
Ass.: uma pessoa de 21 anos.

Querida pessoa de 21 anos: Se ele te diz que tem uma casa de fim de semana nos subúrbios, é casado!

Querida pessoa de 24 anos: Aquela sub-capa anti-ferrugem… vale mesmo a pena.

Querida pessoa de 26 anos: Faças os que fizeres, nunca peças salada num posto de abastecimento

Querida pessoa de 28 anos: Faz um back Up do teu disco rígido. Agora

Querida pessoa de 29 anos: Ser despedido pode ser uma bênção disfarçada.

Querida pessoa de 30 anos: Ser um artista esfomeado só compensa se estiveres mesmo a criar arte.

Querida pessoa de 32 anos: Sê sempre bom para a tua família. Vão precisar uns dos outros quando as coisas se complicarem.

Querida pessoa de 34 anos: Não entres em pânico. Ser mãe solteira é incrível. Eu tinha 22 anos, e tive este bebé. Chamei-lhe Vladomir. Ele tem 14 anos. É o meu orgulho!

Querida pessoa de 36 anos: Pára de te preocupar com o que os outros dizem. Eles estão-se nas tintas para ti!.
Ass.: uma pessoa de 47 anos.

Querida pessoa de 47 anos: Uma crise de meia idade não te fica bem.
Ass.: uma pessoa de 48 anos.

Querida pessoa de 48 anos: Sê sempre honesto. Excepto no teu perfil de encontros on-line.
Ass.: uma pessoa de 51 anos.

Querida pessoa de 51 anos: Um gato é suficiente.
Ass.: uma pessoa de 53 anos.

Querida pessoa de 53 anos: Nunca é tarde demais para começar. Eu decidi pegar no Corvette do meu marido e ir para uma escola de corridas. Se o Paul Newman conseguiu, porque é que eu não haverei de conseguir?
Ass.: uma pessoa de 72 anos.

Querida pessoa de 72 anos: Gasta o teu dinheiro. De outra forma os teus filhos vão gastá-lo por ti.
Sinceramente, uma pessoa de 85 anos.

Querida pessoa de 85 anos: Satisfaz os teus desejos de doces. Vais precisar de dentadura de qualquer forma. A minha falecida mulher fazia a melhor tarte de maçã do mundo. Depois partia finas fatias. Para mim era sempre uma fatia grande.

Querida pessoa de 88 anos: Cultiva amigos mais novos. Senão, os teus vão morrer todos.
Sinceramente, uma pessoa de 91 anos.

Querida pessoa de 91 anos: Não ouças os conselhos dos outros. Ninguém sabe o que raio anda a fazer.
Ass.: uma pessoa de 93 anos.

Faz o que tens a fazer.
Esta é a minha forma de pensar.

Traduzido e adaptado por Up To Kids®, todos os direitos reservados

 

Foi amor à primeira vista. Se for rigorosa apaixonei-me por ti quando ainda tinhas apenas alguns milímetros mas já a força de mudar tudo à tua volta. Não me fiz de difícil, deixei-me arrebatar a cada mudança – e ainda o faço hoje, sou fácil e sei-o.

Não temos, ainda, o que se costuma chamar de um namoro longo.

Começou há treze meses (mais as trinta e nove semanas em que te carreguei dentro de mim) e, tal como nos namoros onde há amor, a cada dia que passa apaixono-me mais um bocadinho. Vamo-nos conhecendo cada vez melhor e temos sido exímias em comunicar sem palavras. Estas começam agora a chegar aos poucos e vejo-te ganhar asas para começares a voar.

Há alguns dias ficaste em casa por causa da febre desses quatro dentes que escolheram nascer todos ao mesmo tempo para te provocar. Houve rabugice, sono, brincadeira e muito mimo. Quando adormeceste na sesta fiquei a olhar-te na penumbra e deitei-me ao teu lado no sofá. Vi com o deleite que só uma mãe sente o teu peito subir e descer compassadamente, inspirei o cheirinho do teu cabelo encaracolado que me faz cócegas no nariz. Acho que nunca tinha visto algo tão bonito, tão pacífico, tão repleto de ternura. Fiquei assim, a ver-te, a sentir-te perto, a fazer-te festinhas, como quando eras recém-nascida e as horas eram todas nossas.

Estás a crescer e queres mimo, mas também queres outras coisas. Desafias, aprendes, erras, cais, levantas-te, acompanhas a música com a tua cabeça, experimentas brinquedos e brincadeiras novas. Eu entendo essa curiosidade, essa vontade de sugar o mundo e tento que esta fase de encantamento contigo não atrapalhe a tua crescente independência.

O nosso namoro sabe-me bem. Há alturas em que puxo por ti, outras em que és tu que o fazes por mim. Desejo que possas olhar para trás e lembrar a tua infância como a soma de momentos mágicos, repletos de afectos. És mimada, não com o mimo que deixa “danos” mas com o mimo que devia ser obrigatório todas as crianças receberem.

Vamos ultrapassando obstáculos um abraço de cada vez, até que os abraços não sejam suficientes e tenhamos de encontrar novas soluções.

Vou estar aqui para descobrir tudo isso contigo. Afinal é um namoro, não é? Com os seus altos e baixos, as surpresas, o tirar o fôlego, a saudade e a partilha.

Ainda vais ver tanto mundo, amar de tantas maneiras, sentir coisas fantásticas. Subir às árvores, fazer perguntas difíceis, correr de braços abertos, fazer “bombas” na piscina. Dançar com os teus amigos, ouvir uma música que te lembra algo bom.

Tudo começou quando tinhas apenas alguns milímetros e ainda tens tanto para crescer. Vai ser bom. Vai ser tão bom!

Promessa de mãe.

 

Por Marta Coelho, para Up To Kids®
Todos os direitos reservados

Não sou – reconheço – muito amigo de soluções mágicas e minimalistas que, com “gotinhas” para adormecer, “gotinhas” para aprender a controlar os esfíncteres e “gotinhas” para estimular a atenção tem vindo a transformar o crescimento numa espécie de felicidade sintética que me preocupa. Nem gosto por aí além das escolas para bebés, nem das escolas de pais, nem da densidade exorbitante por metro quadrado de crianças sobredotados e de crianças «cheias de personalidade» (ou com imensa autoestima, se preferirem) que faz do crescimento um furor pouco amigo da humildade e da sensatez. Em primeiro lugar, porque sinto que essa tendência é, em grande parte, decalcada no mundo dos adultos (que, à custa de não o gerirem, vivem – muitas vezes – intoxicados por efeitos especiais e inquinados por uma angústia que os corrói). E, em segundo lugar, porque, salvo circunstâncias muito excecionais, todo o tipo de soluções que contornem o tempo que a educação precisa de ter para se consolidar (a educação para a saúde, a educação para o amor, ou a educação para o conhecimento, por exemplo) têm uma fatura incalculável – no curto e no médio prazo – que quase nunca é estimada, de forma clara e ponderada, quando se opta por soluções rápidas, seja para o quer for. Afirmar que é urgente a educação pode parecer jurássico (reconheço) mas acaba por distinguir aqueles que delineiam um projeto de vida, e o tornam exequível, com atos de gestão (coerentes e constantes), daqueles que reclamam – agitadamente – por felicidade mais do que lutam, com determinação, por ela.

O crescimento tem vindo a tornar-se muito amigo do silêncio e da educação tecnocrática e as crianças são, sobretudo, educadas para a contenção. O que faz com que elas sintam, imaginem, fantasiem, estruturam uma leitura simbólica sobre tudo, à volta delas… mas não falem. E isso é mau! É por irmos da emoção à palavra, e dela à complexidade das operações mentais, que se geram os gestos empreendedores com que o mundo pula e avança. E é por casarmos complexidade e simplicidade, e por ligarmos singular e plural, que todas as revoluções nos apanham, justamente, desprevenidos.

Como, ainda por cima, cuidamos muito pouco da língua portuguesa e vivemos numa velocidade tão vertiginosa que, quando damos por isso, nos transformamos em ilhéus, numa permanente desertificação relacional, temos vindo a educar os nossos filhos para a iliteracia emocional. (Isto é: em consequência da forma menos hostil e autoritária como educamos, estamos a criar crianças que parecem mais precoces, mais inteligentes e mais personalizadas que os seus pais mas, por outro lado, essa fabulosa competência para a sensibilidade, para o afeto e para o pensamento é atropelada, a torto e a direito, por uma escola, por uma família e por estilos de vida infantil que transbordam em stress e em hostilidade e que, por isso, não escutam, não sentem, nem criam espaços para que essa competência se formate em palavras para que, de seguida, se traduza em gestos empreendedores. Iliteracia emocional é uma espécie de analfabetismo educado para tudo aquilo que compõe a natureza humana que, como se compreende, o futuro não merece.) Um bom exemplo desta atitude tão contraditória diante do crescimento surge quando se repete, com vaidade, que seremos A sociedade do conhecimento, embora as crianças, mal cheguem à escola, deixem de perguntar “porquê”… Ora, quanto mais iliteracia emocional mais angústia e mais hostilidade (que é um 2 em 1: depressividade, por desamparos cumulativos, e violência contida).

Por tudo isto, e embora não discuta a qualidade intrínseca da maioria deles, a maior parte dos pais – ao permitirem tudo isto, ao contrário daquilo que desejam – tem um potencial de bondade a perder de vista, mas… são maus pais.

De que modo podemos, ao mesmo tempo, reivindicar o direito à indignação e desenhar transformações que tornem o futuro das crianças melhor,  mais bonito e mais saudável?

A meu ver, chega-se lá com 10 mandamentos para o amor dos pais:

De que modo podemos, ao mesmo tempo, reivindicar o direito à indignação e desenhar transformações que tornem o futuro das crianças melhor,  mais bonito e mais saudável?

A meu ver, chega-se lá com 10 mandamentos para o amor dos pais:

  1. É urgente que os pais se deixem surpreender pela parentalidade. É precioso que se informem, claro, mas é indispensável que percam o medo dos seus erros (sem os quais  nunca passarão da intenção de serem pais à parentalidade).
  2. É urgente que os pais escutem as crianças mas que decidam por elas. É urgente que opinem mas que não vacilem quando se trata de as obrigar a ser autónomas. Pais presos na sua própria infância não são pais: são crianças à procura de colo. Não educam nem são educáveis. Replicam os erros e os enredos que os atormentaram toda a vida.
  3. É urgente que os pais admirem os filhos – o seu engenho, o lado afoito que eles têm  (que se renova, todos os dias) e a sua mais versátil manhosice – mas que não percam de vista que só a sabedoria dos pais os legitima para amar (e que a ela nunca se chega sem dúvidas, sem dilemas entre gestos de sentido contrário e sem contradições).
  4. É urgente que os pais olhem nos olhos, sempre que falam com a voz e com as mãos, ao mesmo tempo. E que chorem, sempre que lhes apeteça, e que resinguem e se lamuriem, que façam uma ou outra birra e, sempre que querem mimo, que intimem (sem mais explicações) um filho a dá-lo.
  5. É urgente que os pais dêem colo todos os dias. E que falem todos os dias. E que abracem e beijem todos os dias. Que se sentem no chão, inventem uma historieta e contem graçolas todos os dias.
  6. É urgente que os pais, quando não têm nada para falar, não perguntem como correu a escola. E que sempre que não gostam dum desenho não digam que ele é lindíssimo. E que – pelo seu nariz, que seja – quando sentem que uma criança está mais ou menos tristes, estão impedidos de fazer outra coisa que não seja apertá-la (caladinhos!) com muita força, 10 minutos.
  7. É urgente que os pais sejam tão reivindicativos como pais como eram como filhos – e que, apesar disso, sejam eles a Lei – e que exijam que as crianças participem, todos os dias, nos trabalhos da casa (sem os quais as crianças vão de principezinhos a pequenos ditadores).
  8. É urgente que os pais não estejam de acordo, entre si, em relação seja ao que for que represente mais um problema que um filho lhes coloque. Os conflitos dos pais são os melhores amigos de todas as crianças porque é com eles que os pais soltam a intuição e as convicções e deixem cair tudo aquilo que, parecendo compenetrado, não tem nem entusiasmo, nem alma, nem magia.
  9. É urgente que os pais falem sobre os filhos: que desabafem sobre os seus medos e compartilhem as suas dúvidas mais ridículas. E que percam a vergonha de falar das habilidades das crianças e de como se sentiram no céu ao serem lambuzados com um beijo. E que deixem de trazer, como se fosse por esquecimento, todas as fotografias que bem entendam dos seus filhos, sobretudo aquelas que mais os embaracem ou que mais os comovam.
  10. É urgente que os pais reconheçam que jamais deixam de ser filhos e de ser pais. E que se não tiverem tido, vários dias, em que resmunguem contra os filhos e se desapontem com eles é porque os estão a educar à margem da sensibilidade e da fantasia, do afeto e da sabedoria.
    E, se for assim, estão condenados a ler estes 10 mandamentos outra vez.

Por Eduardo Sá, publicado na Pais & Filhos a 06 Fevereiro 2012

imagem@layla.mn

Eles vão crescer e dispensarão nosso colo.
Vai chegar a fase em que os amigos serão mais importantes que os pais.
Que nossas demonstrações de afeto em público serão consideradas um grande ‘mico’.
Que em vez de torcermos para que eles durmam, torceremos para que cheguem logo em casa.
Que não se interessarão mais pelos velhos brinquedos.
Que o alvoroço na hora do almoço vai dar lugar a calmaria.
Que os programas em família serão menos atrativos que os churrascos com a turma.
Que dirão coisas tão maduras que nosso coração irá se apertar.
Que começaremos a rezar com muito mais frequência.
Que morreremos de saudade dos nossos bebés crescidos…

Por isso…
Viva o agora. Releve as birras. Conte até 10.
Faça cosquinhas, conte histórias, dê abraço de urso.
Deite ao lado deles na cama.
Abrace-os quando tiverem medos.
Beije o machucado (sim, beijo de mãe cura de verdade).
Solte pipas, brinque de boneca. Faça gols, comemore.
Divirta-se, acorde cedo nos domingos para aproveitar mais o dia.
Rezem juntos.
Estimule-os a cultivar amizades.
Faça bolos. Carregue-os no colo.
Faça com que saibam o quanto são amados.
Passe o máximo do tempo possível juntos.
Assim, quando eles partirem para seus próprios voos,
Você ainda terá tudo isso guardado no coração.

 

Por Cinthia Moralles, texto sugerido por leitora Kaila Leite

imagem@ask.fm

Leram o artigo que publicamos ontem, e agora pensavam que não havia nada para os pais? Se sim, estavam certos, por isso, hoje a nossa redação apressou-se a fazer esta lista para os nossos “PAItásticos”. Espero que gostem.

  1. PAIsana
    É aquele pai separa a vida profissional da pessoal de tal maneira que, no escritório, ninguém sabe que tem filhos. É workaholic e no fim do dia tem sempre tempo para um copo com os clientes como se não tivesse ninguém à espera em casa. É o mestre dos disfarces no que toca a parentalidade.
  2. aPAIxonado
    É aquele pai babado que quando está com os filhos não os larga: ora são umas cócegas, ou uns beijos bem aviados nas bochechas ou umas festas calorosas pelo cabelo. Quando está sem os miúdos, não há tema senão os filhos dele!
  3. aPAIziguador
    É o pai que desculpa tudo. Sempre que os miúdos fazem asneira ele está lá para meter a água na fervura! Releva tudo! Parece que tem a idade dos filhos e faz caixinha com eles para apaziguar as asneiradas!
  4. PAIteta
    Não sabe fazer nada sozinho. Não sabe das fraldas, não sabe dos biberons, não sabe preparar o leite, não sabe as medidas, não sabe da água, não sabe nada. Precisa de ajuda da mãe para tudo. E quando tem todo o material à mão para mudar uma fralda pergunta “Já que estás aqui não queres mudar tu, que fica melhor?” Pedir já sabe, não é?
  5. ComPAInheiro
    Acompanha os filhos a todo o lado. É o pai companheirão quer-queiras-quer-não. Vai com os filhos à explicação e espera lá fora, assiste a todas as aulas de natação e judo, senta-se no banco de trás nas aulas de conduçã, e só não vai aos jantares com as namoradas, porque há limites! (mesmo para o Compainheiro!)
  6. DesesPAIrado
    Este pai apercebeu-se que está casado há 10 anos e está desesperado por se sentir um jovem outra vez. Está desesperado por sair à noite, desesperado por beber uns copos, desesperado para não ter horários, nem crianças para levar à escola, desesperado por uma vida que não é a dele!
  7. PAIcifico
    Este é o aquele pai tranquilo, zen. Leva os filhos para todo o lado, andam descalços sempre que podem, acampam na praia e comem o que houver, desde que seja biológico! Tudo é tranquilo, e faz questão da passar esse estilo de vida aos filhos.
  8. DePAIprado
    Está sempre de rastos. Trabalha imenso é mal pago e chega tarde a casa. Às vezes pensa em atirar tudo para trás das costas, mas quando olha para os filhos lembra-se do motivo pelo qual engole sapos todos os dias! E então faz tudo sentido!
  9. PAItinho
    Acredita em tudo o que os filhos lhe dizem. Vai ser sempre enganado na quantidade de gomas comidas, nas notas dos testes, e nas horas a que chegaram a casa na noite anterior. Mas é feliz porque nem sequer desconfia.! (Coitado…)
  10. CamPAIão
    Este pai é o melhor em tudo. Tem tempo para tudo. Trabalha, brinca com os miúdos, ensina-os a andar de bicicleta, leva-os ao cinema e adora fazer programas e lutas de almofadas. Nos momentos mortos dá banho a toda a gente, veste-lhes os pijamas entre cantorias e brincadeiras, É o Herói lá de casa. Até mesmo aos olhos da vizinhança!!

Ler também 10 tipos de mãegnificas

Por Up To Kids®, baseado no texto 10 tipos de mãegnificas
Todos os direitos reservados

Mães há muitas, mais que muitas aliás! E porque todas são fantásticas e merecem ser celebradas, aqui estão as descrições de 10 tipos de mães que andam por aí!
  1. Mãeravilhosa
    Sempre impecável, cabelo no sítio, unhas arranjadas,  assim como os filhos que estão sempre limpinhos e penteadinhos. Comem em mesas impecavelmente postas com talheres de prata e baixela de porcelana. Os filhos não usam babete porque nunca se sujam. Este tipo de mãe encontra-se apenas em fotos (ou acompanhada de muita ajuda, nomeadamente maquilhador, cabeleireiro  e babysitter permanente)!
  2. Mãe-natureza
    Teve parto normal, sem epidural e em casa numa banheira ao ar livre, melhor, num lago natural. Amamenta até os filhos irem para a faculdade e só comem produtos que não estão embalados. Não usam roupa tingida porque os corantes fazem mal. Encontra-se em lojas de produtos biológicos.
  3. Mãedricas
    Têm sempre medo de estar a fazer tudo mal. Confirmam 10 vezes a temperatura da água do banho com 5 termómetros diferentes e no fim chamam o pai para ter a certeza que está boa. Encontra-se sempre na net para tirar dúvidas sobre tudo o que acontece.
  4. Mãeteiga
    Derrete-se com tudo o que acontece com os seus filhos ou os filhos dos outros. “Oooh que lindo cocó”. Acha tudo lindo e maravilhoso. Encontra-se sentada no sofá a chorar com o anúncio das fraldas.
  5. Dramãe
    Tudo o que acontece a esta mãe ou aos seus filhos é um drama, que conta detalhadamente a todos que encontra até ao mais ínfimo pormenor. Nunca tentem contar nada que vos tenha acontecido a esta mãe, porque ela tem sempre uma história muito pior. Encontra-se em qualquer sitio onde haja quem oiça as suas histórias.
  6. Mãelhor que tu
    O filho começou a andar com 3 meses, já fala e aliás, já recita os lusíadas de trás para a frente. Tudo o que tu achas que era novidade esta mãe já faz há séculos, e tudo o que tu compraste ultimo modelo esta mãe tem 10x melhor. Encontra-se a treinar o filho para o triatlo, só não vai ganhar a medalha porque não existe a categoria para 18 meses.
  7. Mãeciclopedia
    Sabe tudo sobre os filhos. Sabe que dormiram 4h23 minutos e depois fizeram um coco de volume moderado e voltaram a dormir mais 94 minutos, que comeram 232 ml de sopa e 33 ml de agua e bolçaram 12 ml. Sabe em que dia disseram mamã, papá e nau catrineta. Encontra-se a registar tudo numa aplicação especial para o efeito.
  8. Mãeventureira
    Faz tudo parecer fácil. Sai com os filhos e só com uma fralda no bolso. Faz tudo o que fazia antes de ter filhos. Viaja com 5 filhos e 1 mala de cabine. Também conhecida por mãeguyver. Encontra-se no topo do machu pichu.
  9. Mãe-Sport Billy
    Tem tudo o que é preciso na sua mala mágica : duas mudas de roupa, comida, fraldas, brinquedos, bolas, smartphone, carrinho bengala, casaco para ela e para o marido e uma sanita portátil. Encontra-se na lista telefónica de todas as mães de quem vai em socorro quando se esqueceram das toalhitas.
  10. Super-mãe
    Trabalha todo o dia, leva os filhos à escola, ao ballet e ao teatro, faz o jantar digno da capa da teleculinária e uma sobremesa à masterchef e ainda faz o almoço para os filhos levarem para a escola no dia seguinte. Faz as roupas para os filhos levarem para o Carnaval, halloween e todas as festas da escola, e os cupcakes para as festas dos amigos. Borda o nome dos filhos no interior das roupas e corta todas as etiquetas. Tem a roupa arrumada por cores e tamanhos. Tem a comida etiquetada (e o marido também!). Encontra-se dez km à tua frente.
Eu tenho um bocadinho de todas, e vocês? E mais tipos de mãe?
AMR, do Blog Mães que muitas
S
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Há hoje uma geração de crianças que desde muito tenra idade está habituada e (não raras vezes) viciada na utilização de tablets. Os pais, eles próprios cada vez mais dependentes de tecnologia, estimulam o uso destes dispositivos, que agora estão já a entrar na cama dos mais novos, apesar de todos os alertas, revelou um estudo da britânica Childwise que acompanhou os hábitos de 1034 pais de crianças com idades entre os seis meses e os quatro anos.

O Monitor Pre-School Report, citado pelo Daily Mail, concluiu que uma em cada 10 crianças com menos de quatro anos fica ‘colada’ ao monitor de um tablet a ver programas infantis na cama, apesar de as recomendações dos especialistas serem claras: a cama das crianças deve ser totalmente livre de qualquer dispositivo electrónico. Aliás, nas horas anteriores ao momento de deitar deve mesmo evitar-se ao máximo o uso de aparelhos electrónicos, nunca esquecendo que crianças até aos dois anos não devem de todo ver televisão nem usar tablets.

Conclui ainda o mesmo estudo que cada vez mais crianças em idade pré-escolar [3-5 anos] usam os telefones dos pais para aceder a aplicações e muitos deles têm mesmo o seu próprio tablet ou consola de videojogos.

Com o acesso a programas e jogos infantis cada vez mais facilitados na televisão e tablets, muitos pais recorrem-lhes para ajudar os filhos a adormecer. Mas a preocupação de adição a estes dispositivos é cada vez maior para os especialistas.

O estudo concluiu que nunca os bebés viram tanta televisão como agora, estando já numa média de 2.6 horas por dia, um aumento que se deveu nos últimos anos também à possibilidade de escolher na televisão os programas que se quer ver.

Aos dois anos, a maioria das crianças já está a usar tecnologia, sendo que quase todas aos quatro anos têm acesso total”, lê-se no relatório.

Um especialista em saúde infantil da britânica Royal Society of Medicine, Aric Sigman, apelou aos pais que “parem de estar constantemente a verificar os e-mails nos telemóveis em frente das crianças para tentar travar esta obsessão com tecnologia.

 

Notícia publicada no Sol, a 18.09.15