Resposta ao artigo Hiperactividade? Medicar, e depois?
Sou pai. Apenas isso. Apaixonado pela matemática, sou engenheiro e gosto do raciocínio lógico.
Sem jeito para escrever conto em poucas palavras que justificam o meu pavor à Ritalina, ou concretamente ao Rubifen. Porque não entendo nada de medicina e porque no meu tempo a irrequietude era tratada pelo chinelo da mãe ou pelas palmatoadas dos professores, partilho na minha leiga opinião o seguinte:
Tive há 14 ou 15 anos atrás o meu filho diagnosticado como hiperactivo, e concordo com os sintomas supra descritos, como plausíveis para esse diagnostico. Foi tratado com Rubifen que reliogiosamente comprava em Espanha pois não era comercializado em Portugal.
Após o desmame aconselhado pelo clínico assistente, aos 13 anos, depois de 6 de “tratamento”, o meu filho começou a ter um comportamento estranho, apresentando ausências de, e fenómenos de mastigação.
Depois de um conjunto exaustivo de exames foi-lhe então diagnosticada, por exclusão de outras patologias, epilepsia benigna.
Iniciou um tratamento com um fármaco Zigabal, que o prostrava como um zombie, sem que todavia os fenómenos de mastigação se atenuassem. Suspendemos essa medicação e ficou algum tempo sem tomar qualquer fármaco.
Entretanto o seu rendimento escolar baixou drasticamente.
A sua postura social pautou-se pelo isolamento.
Não tinha amigos e só se relacionava com “velhos”.
Até que subitamente começou a ter convulsões. A primeira, tinha ele 16 anos de idade.
Foi-lhe diagnosticada, no hospital de Matosinhos, decorrente dessa convulsão, pela primeira vez, epilepsia do lobo frontal.
Receitado com o Topiramato Tomix, a postura de zombie foi exponencialmente acrescida.
Exames, tacs, ressonancia, EEG, tudo foi feito sem que contudo um diagnostico claro e inequivoco lhe fosse feito.
As convulsões foram-se repetindo, cada vez mais graves e frequentes, entremeadas, com os fenómenos de mastigação.
Recorri então a um médico de Pontevedra neurologista, psiquiatra, a conselho de um amigo, porque o seguimento que obtive do hospital de Matosinhos era péssimo, não dando qualquer solução com consultas semestrais e fármacos que sempre de uma forma, diria, experimental, não produziam qualquer efeito.
Quando disse, ao clínico espanhol, do tratamento com o Rubifen, em criança, este, fez uma cara muito feia.
O médico após exames no seu consultório, e de posse dos dados que possuímos dos testes e exames anteriores feitos em Portugal, “confirma” (?) a epilepsia do lobo frontal.
Medicou-o, com Depakine, Bialminal e Nootropil.
Desde então até agora, com 21 anos de idade, não pára de ter convulsões, mas agora só e quando, por distracção, se esquece de tomar a medicação atempadamente.
Todavia fica aqui uma dúvida que na minha ignorância coloco:
O meu filho era hiperactivo ou não?
Até que ponto essa hiperactividade não seria já uma primeira revelação da sua epilepsia?
Terá o Rubifen provocado secundariamente a epilepsia?
Hoje o meu filho é um inapto.
Não gosta de nada, nada o apaixona nem capta a sua atenção a não ser uns quantos jogos “on line” na internet.
Não concluiu o 12ºano escolar, apesar de ter sido um excelente aluno em criança.
Onde é que eu falhei? Onde é que a medicina me traiu?
A quem ler isto, sugiro.
Para mim, como leigo, a eleger um motivo da minha (e dele) desgraça actual, elegeria a Ritalina.
Tenham cuidado, para que a minha historia não se repita em mais lar nenhum do meu pais.
Obrigado e desculpem.
José Pereira, leitor da Up To Kids®,
publicado com autorização do leitor
imagem@ptmedical

















Comentários recentes