Uma mãe é aquele ser estranho e louco capaz de heroísmos e dramas com a mesma intensidade;
Uma mãe escreve cartas ao Pai Natal, é fada dos dentes e coelho da páscoa.
Uma mãe pede autógrafos a artistas deploráveis, assiste a programas e shows horríveis, revê milhares de vezes os mesmos desenhos animados, conta as mesmas histórias centenas de vezes, vai à Disney e A D O R A!
Uma mãe faz escândalos, pede justificações aos professores, grita em público, arma barraca, envergonha-nos.
Uma mãe não dá espaço, é barulhenta, tendenciosa, leoa e dona dos seus filhos.
Uma mãe exalta extremos e ganas, irrita-se, enlouquece, mas… é mãe.
Uma mãe faz promessas, mete-se em prestações e horas extras para que nós tenhamos aquilo que precisamos e aquilo com que sonhamos.
Uma mãe passa-se, ultrapassa limites e diz-nos as verdades mais difíceis de ouvir.
Uma mãe pede desculpas, mortificada… Uma mãe é um bicho de 7 cabeças, louco pelas crias.
Uma mãe chora no espectáculo de balet, na competição de natação, chora quando os filhos se apaixonam, se casam e têm filhos.
Uma mãe quer arrancar a cabeça a todos os desgraçados que fizerem os seus filhos sofrer, enlouquece enquanto espera que cheguem a casa após a sua primeira saída à noite, morre por dentro quando perde um filho.
Uma mãe é uma espécie esquisita que varia entre uma fada e uma bruxa com uma naturalidade espantosa. É competente quando assume culpas e insuperável a distribuir amor, mas por vezes tem um lado B… ou até C, D e E.
Uma mãe é melosa, excessiva, obsessiva, repulsiva, comovente e até histérica. Mas não se é feliz sem uma mãe.
Uma mãe é um contrato irrevogável, vitalício e intransmissível.
Uma mãe lê o pensamento, tem premonições e sonhos estranhos. Reconhece uma cara de choro, cara de gripe ou cara de medo. Entra sem bater, telefona de madrugada, pede favores chatos, dá palpites e implica com os nossos amigos, namorados, com as nossas escolhas.
Uma mãe dá a roupa do corpo, dá o seu tempo, dá dinheiro, dá conselhos, dá cuidados e dá proteção.
Uma mãe dá um jeito, dá castigos, dá ralhetes, dá força.
Uma mãe cura cólicas, ressacas (e bebedeiras), tristezas, cura o pânico nocturno e os nossos medos. Espanta monstros, pesadelos, bactérias, mosquitos e perigos.
Uma mãe tem intuição e é “Messias”: Uma mãe salva. Uma mãe guarda tesouros, conta histórias e cria memórias. Uma mãe é arquivo!
Uma mãe exagera e extrapola. Uma mãe transborda, inunda, transcende. Ama, desmama, desarma, denota, manda, desmanda, desanda, demanda. Rumina o passado, remói dores, dá sempre troco, adora uma cobrança e um perdão em lágrimas.
Uma mãe abriga, afaga, alisa, lambe, conhece as batidas do nosso coração, o toque dos nossos dedos, as cores do nosso olhar e sente música quando nós nos rimos.
Uma mãe tem um coração de mãe! Gigante!
Uma mãe é uma pedra no caminho, é rumo, é pedra no sapato, é rocha, é novela mexicana, tragédia grega e comédia italiana.
Uma mãe é colo, cadeira de baloiço e cadeira de psicólogo…
Uma mãe é o deus-me-acuda, o graças-a-deus, o mãezinha-do-céu, o nosso Deus-me-valha.
Uma mãe é absurda e inexoravelmente para sempre e é, para cada um de nós, apenas uma: não há mistério maior! Só cabe uma mãe na vida de um filho. Às vezes, nem cabe inteira. Porque uma mãe é imensurável.
Uma mãe é a saudade instalada desde o instante em que descobrimos a morte.
Uma mãe é eterna, não morre jamais.

 

Baseado no poema de Hilda Lucas, adaptado por Up To Kids®
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Hoje estava de rastos. Já sem paciência para nada só pensava em ter uns minutos para mim. Mas tu adormeceste no meu peito, e apesar da quantidade de coisas que tinha para fazer, a escolha foi fácil, fiquei contigo ao colo!

Eu ia tirar a loiça da máquina e despachar a pilha que estava no lava-loiça, mas em vez disso fiquei contigo ao colo.

Eu ia tomar um banho rápido, com sorte esticar um bocado o cabelo e pôr um blush na cara, mas em vez disso fiquei contigo ao colo.

Eu ia responder a uns e-mail de trabalho e devolver umas chamadas que perdi nas ultimas 72h, mas em vez disso fiquei contigo ao colo.

Eu ia aspirar os cereais que espalhaste pela casa hoje de manhã, e arrumar os brinquedos que parecem crescer nos cantos da casa, mas em vez disso fiquei contigo ao colo.

Eu ia deixar o jantar temperado e pronto para meter no forno, e aproveitar para abrir a correspondência que não o faço desde segunda-feira, mas em vez disso fiquei contigo ao colo.

Eu ia levar-te para cima e deitar-te na tua cama, que tenho a certeza de que não acordarias, e provavelmente até dormirias mais tranquila, mas em vez disso fiquei contigo ao colo.

Estava a olhar para ti e as tuas pernas já estavam amontoadas no sofá. Ontem, quando ficavas ao meu colo, os teus dedinhos dos pés chegavam-me à cintura.

As tuas mães e braços ficaram tão bem encaixados à volta do meu pescoço, que só conseguia pensar que dentro de uns dias só vais querer estica-los na tua cama júnior.

Concluí que cumprir os meus planos para esta tarde nunca iria compensar o perder este momento contigo.

Eu encontrei a minha calma, a minha paz e a minha satisfação aqui mesmo, agora mesmo em ti, e só por causa de uma escolha simples …

Ter ficado contigo ao colo!

Por Regan Long publicado originalmente em Huffington Post
T
raduzido e adaptado por Up To Kids®

 

imagem@escolhaesaon

Há três anos atrás, o meu marido fez uma promessa unilateral aos meus filhos: cada vez que um de nós dissesse um palavrão poríamos 20cts no frasco das asneiras. Se algum dia o frasco estivesse cheio, o dinheiro ficaria para os miúdos. Quando me transmitiu esta decisão, eu só tive duas coisas a dizer, primeiro que tudo: WTF? E segundo: ´Tás a gozar?!

Meti logo 10€ no frasco e disse-lhes que era um adiantamento para o verão. Os miúdos ficaram baralhados, até porque ainda não têm a noção do valor do dinheiro, e acham que tudo o que são notas vale milhões de euros.

O meu marido, foi mais fiel ao prometido, e antes de chegar ao outono já quase tinha acabado com as nossas poupanças! Por isso, depois dos miúdos fazerem a primeira divisão do dinheiro, sim o frasco estava cheio, alteramos a política dos palavrões lá em casa. As asneiras voltaram livremente e podíamos dizer qualquer merda que nos apetecesse sem nos justificarmos. Aqui estão as cinco razões que nos levaram a pensar assim:

  1. Porque somos adultos
    Claro que isto não traz exactamente as vantagens que o meu “eu de 11 anos” imaginava que traria. (Eu via-me com um ar blasé de copo de vinho na mão a conversar com o meu ator preferido sobre a minha menstruação, enquanto conduzia um carro de golf numa praia deserta.)
    Mas um dos verdadeiros benefícios de ser adulto, é que somos totalmente livres para dizer o que nos der na real gana, sem sermos castigados! São os benefícios da idade!
  1. Porque eles são crianças
    Claro que eu sei que é importante sermos um bom exemplo para os nossos filhos. E é por isso que eu visto umas calças quando os vou deixar ao colégio, apesar de no inverno nem sequer ser necessário porque com o casaco comprido só Deus sabe o que tenho por baixo! Mas enquanto eu estiver no comando, e os estiver a orientar no seu crescimento eles têm de perceber que eles não são adultos e eu sou. Por isso, em relação a determinados assuntos usamos o chavão “faz o que eu digo e não faças o que eu faço”. Por isso eles não estão autorizados a dizer palavrões, a conduzir, a usar a torradeira, a atravessar a estrada sozinhos, nem a beber minis antes do jantar! Um dia poderão fazer tudo isto. Por agora não, mas eu gosto de mostrar-lhes algumas destas merdas para ficarem já com água na boca!
  2. Porque com crianças é só conversas de bebés, eufemismos e códigos cutxie cutxie indecifráveis. Fazer ó-ó, o papão, ter dó-dóis, dar tau-tau, ir papar… e por aí fora! O beneficio de praguejar estrategicamente é que se acaba com essa algarviada toda. O meu filho de 8 anos fez propositadamente a irmã chorar: eu sentei-o, olhei-o nos olhos e disse-lhe calmamente: “Pára de agir como um merdas para a tua irmã!” Pestanejou duas vezes e percebi que a mensagem tinha chegado a bom porto. E nem sequer andei aos alhos e bugalhos!
  3. Porque a parentalidade é todo um conjunto de momentos WTF!
    Eu sinto que preciso de dar voz aos meus sentimentos: quando enfio o lego do Batman, outra vez, pelo calcanhar acima, quando tenho de tirar palmilhas da retrete entupida (mas mãe, pensava que eram toalhetes), quando tenho ficar até às 1h da manhã a fazer 24 cupcakes para a festa da escola às 8h (mas mãe, pensava que tinha avisado), quando tento perceber a matemática do 3º ano (esquece!), quando tenho de atravessar três faixas em plena auto-estrada porque os miúdos estão a ter uma discussão/luta de morte sobre quem é que gosta mais de queijo, então eu preciso que que fiquem todos com o raio da boca calada, e que se deixem de merdas e sosseguem, enquanto a mãe resolve a situação!
  4. Porque eu já desisti de tantas merdas!
    No pico da maternidade, eu já sacrifiquei as noites de sono, a sanidade mental, mamas felizes, conhecimento musical, oportunidades de carreira, unhas impecáveis, todo o nosso dinheiro, andar na moda, actualização sobre o mundo, a energia para conseguir fazer uma maratona de séries de TV, calças slim, e por aí fora.
    Devia abdicar do meu estilo de comunicação e forma como me exprimo genuinamente? Foda-se, não vai acontecer!
    Por isso se vocês mães, conseguiram de alguma forma trazer os vossos queridos filhos a este mundo, sem uivar e gritar todos os palavrões que sabem, e têm conseguido manter o decoro durante a privação de sono, o desfralde, e a beleza da pré-adolescência, então, dou-lhes os meus sinceros parabéns!
    Mas nesse caso, se calhar o melhor é pôrem-lhes uns tampões nos ouvidos quando forem brincar a minha casa, porque aqui são capazes de ouvir algumas palavras de meninos crescidos!

Por Kate Levkoff, em Scary Mommy
Traduzido e adaptado por Up To Kids®

imagem@Wylder Levkoff, Age 8

A maternidade é a recruta das mulheres

Quando me perguntam qual foi a coisa que mais mudou na minha vida depois de ter sido mãe, além da resposta óbvia, – foi só toda a minha vida, desde a forma como a vivo todos os dias, à forma como a quero viver no futuro – eu costumo dizer que, para mim a maternidade foi uma espécie de recruta das mulheres.

Normalmente as pessoas ficam com aquela cara de poker, e então explico: passei a dormir muito pouco e a acordar com as galinhas. Aprendi a fazer tudo aquilo que tinha conseguido adiar durante uns anos, e sim, inclui algumas tarefas domésticas e  muito auto-controlo emocional (da emoções boas e más, porque uma mãe não pode estar sempre a chorar, caramba!). Aprendi a ser enfermeira, bombeira, educadora, professora, moderadora, entre tantas outras. E tudo isto por causa dos meus filhos. E tudo isto enquanto continuo a ser mulher, companheira, amante e amiga. Porque não podemos deixar de nos sentir nós próprias. 

Com a maternidade passamos a ter alguém totalmente dependente de nós.

Não dá para escapar uma refeição por não me apetecer cozinhar, porque a criança tem de comer sempre. Não dá para desligar o despertador para dormir mais uma hora, e sem querer, dormir mais três. Não dá. A criança precisa de acordar e de mudar a fralda, de tomar o pequeno almoço e mudar a fralda, precisa de ouvir uma música ou ler uma história. Hoje fazemos um puzzle logo depois de mudar a fralda. A criança precisa de almoçar e de dormir a sesta. A criança precisa. E nós mães, qual recruta apresentamo-nos ao serviço. Com a diferença que não conseguimos estar impecavelmente fardadas, e nem tão pouco tentamos. Depois de sermos mães, não podemos fingir que somos só nós. E ainda bem porque quando quando éramos só nós, a felicidade tinha outro sabor.

Quando comecei a escrever sobre este tema, como habitualmente faço, pesquisei no google para perceber se já alguém tinha feito esta comparação, e encontrei um artigo publicado no Público em 2013, da Sofia Anjos, chamado “Ser mãe é a tropa da mulheres”.

Será que o li na altura e que a minha expressão adveio daqui? Não faço a menor ideia. Não me lembro. Mas despeço-me aqui, porque tudo aquilo que eu tinha pensado está aqui tão bem descrito. Ora vejam:

“Ser mãe é a tropa das mulheres

Consigo segurar o biberão com o queixo. Foi uma questão de dias, após o bebé nascer, até descobrir umas quantas tarefas que podem ser feitas com uma só mão. Algumas com dois dedos apenas. Penso que se um dia ficar maneta, safo-me.

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Pais violentos deixam marcas para toda a vida

A nossa vida social começa na infância, na companhia dos irmãos e dos pais, mas é o exemplo dos pais que definirá o nosso futuro. Por esse motivo, quando os pais são violentos definem padrões e condutas que irão nos afetar para toda a vida.

Considera-se um pai violento?
Sabe como identificar um?

Definir a violência

Geralmente associamos o termo “violência” com a agressividade física, no entanto, não devemos esquecer-nos da violência psicológica. A violência psicológica manifesta-se através de palavras que ferem moralmente, atitudes que procuram menosprezar os outros, e através da indiferença. Todas estas atitudes acabam por ferir os nossos filhos, quer seja de forma consciente, ou não.

Por que são os pais violentos com os filhos?

As razões para estes comportamentos são várias, e muito particulares em cada caso, mas as mais comuns são:

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Antes de ser mãe

Antes de ser mãe fazia as refeições quentes, não tinha nódoas na roupa e ficava horas a conversar tranquilamente ao telefone durante o serão.

Antes de ser mãe, dormia até me apetecer de manhã, não tinha horas para ir para a cama, e penteava-me e lavava os dentes várias vezes ao dia.

Antes de ser mãe, a minha casa era um brinco, e mesmo assim eu fazia limpezas diárias. Nunca tinha tropeçado em brinquedos espalhados, e sabia as letras das músicas todas.

Antes de ser mãe nunca me preocupei se as minhas plantas seriam ou não venenosas e nunca pensei muito sobre imunidade.

Antes de ser mãe nunca me tinham vomitado em cima, nem feito cocó ou xixi, cuspido, nunca me tinham mordido, e nunca tinha sido beliscada por dedos minúsculos que parecem pinças de lagostim!

Antes de ser mãe eu controlava totalmente os meus pensamentos, o meu corpo e a minha mente. E dormia a noite toda.

Antes de ser mãe nunca tinha pegado numa criança aos gritos para se auscultada ou vacinada. Eu nunca tinha ficado lavada em lágrimas só por ver alguém chorar. Nunca tinha ficado verdadeiramente feliz por ver alguém sorrir. Nunca tinha ficado acordada horas a fio a olhar para um bebé a dormir.

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O que eu quero que os meus filhos se lembrem

Muitas vezes sinto que estou a dar cabo desta coisa chamada maternidade. Há dias que estou tão cansada que não consigo ter um pensamento coerente, quanto mais dizer uma frase com sentido. Estou cansada de mais para brincar com meus filhos. A minha paciência esgotou-se. Sinto que se mais alguém me pedir mais alguma coisa vou ter um ataque de nervos.

Passo os dias atrás dos meus filhos: “Toma o pequeno almoço!”, “Apanha as meias do chão!”, “Faz as pazes com o teu irmão!”, “Para de enfiar papel higiénico no lavatório!”, Por amor de Deus, faz pontaria para não fazeres xixi na tampa da retrete!”  Que cansativo!

Às tantas questiono-me se lhes estarei a proporcionar uma boa infância. Estaremos realmente a criar memórias? 

Quando eles tiverem a minha idade, o que será que lhes ficará na memória sobre a infância? E sobre a mãe?  Será que me vão ver apenas como a pessoa que os alimentou, que lhes deu deu ordens e lhes limpou o nariz? Ou como uma mãe que lhes trouxe felicidade imensa, que tinha sempre ideias giras para partilhar, que foi divertida e brincalhona, atenciosa e gentil?

Tenho a certeza de que se vão lembrar um pouco de tudo. 

Pelo menos, é assim que eu me lembro da minha própria infância e dos meus pais. Lembro-me dos gritos, das lágrimas, das preocupações. Mas há certos momentos que ainda estão guardados religiosamente na minha memória, momentos de pura felicidade e conexão. E espero conseguir dar alguns desses momentos aos meus filhos.

Eu quero que os meus filhos me vejam em primeiro lugar, como uma mãe, mas também como uma mulher, como um ser humano imperfeito com todo este amor incondicional livre e sem pretensões.

Eu sei que ainda faltam alguns anos para que a infância dos meus filhos se torne em memórias distantes. E (bate na madeira) espero, com todas as minhas forças, ainda estar presente em muito anos do crescimento deles. 

Quando penso na nossa vida agora e naquilo que quero que fique na memória dos meus filhos é tudo muito simples e pouco concreto. São pequenas coisas que não consigo dizer por palavras mas que espero que eles estejam a ”apanhar” e a arquivar tudo.

Meus queridos filhos, vou escrever-vos algumas das coisas que quero que se lembrem de mim.

Eu quero que se lembrem das noites em que eu disse repetidas vezes que estava cansada de mais para fazer qualquer coisa divertida mas às 7h da tarde de sábado vestimos os casacos por cima do pijama e fomos à rua comprar guloseimas e sentamo-nos na varanda a comer e sentir a magia da noite.

Que se lembrem das vezes que vos pegava ao colo como se fossem bebés, sempre que estavam doentes. Como vos embalava nos meus braços, enquanto vos cantava as vossas músicas preferidas numa espécie de sussurro e desafinação num tom baixo de mais, até que adormecessem com a cara encostada ao meu peito, ao meu coração. Details

15 Razões para as crianças de 2 anos serem tão rabugentas

As crianças têm uma má reputação. Vivem rodeadas de pessoas que, simplesmente, não entendem que elas precisam de ter as suas sanduiches cortadas em triângulos perfeitos e que o sumo tem de ser servido no copo azul… quer dizer, no encarnado, não na verdade, no azul. A vida é dura para estes ditadorezinhos porque, às vezes, eles precisam de saber qual o som dos cereais a estalar debaixo das solas dos seus sapatos, e toda a gente lhes quer tirar estes prazeres.

Claro que os miúdos ficam irritados. Quem não ficaria?

  1. As crianças estão sempre a cair
    Já reparaste quantas vezes cai uma criança de dois anos por dia? Não há estatísticas que comprovem, mas nós sabemos que são muitas vezes. Eu também ficaria irritada se estivesse sempre a tropeçar!
  2. As mães não acertam uma
    Nem sequer é assim tão difícil: as mães deveriam adivinhar quais são as roupas que picam ou apertam, ou se o seu filho quer entrar no carro sozinho ou ao colo. Se quiser entrar sozinho, o mundo terá de esperar!
  3. Eles têm literalmente mer** nas calças
    E ir ao bacio é para meninos!
  4. Ninguém entende o que eles dizem
    Falar é difícil, e gritar até parece uma boa solução!
  5. Toda a gente os repreende
    Se eles querem gritar histericamente porque não os deixaram tocar no botão do elevador, quem somos nós para lhes dizer qualquer coisa?
  6. Ninguém dá valor às suas conquistas
    Eles não querem ajuda para calçar os sapatos. Só querem que lhes dês um milhão de anos para se calçarem sozinhos!
  7. As calças são o verdadeiro opressor das gerações, e ninguém parece entender isso
    As crianças entendem! As pernas estão preparadas para sentir as diferenças climatéricas das 4 estações!
  8. Os castigos servem tanto como condenar um inocente
    As crianças funcionam por impulso! E o impulso delas diz-lhes para gritarem NÃO sempre que lhes é feita uma pergunta!
  9. Toda a gente quer pô-las a dormir uma sesta
    As crianças não precisam de uma sesta. Precisam apenas de poder pintar o corpo todo com canetas para ficarem de melhor humor!
  10. Até parece que andar nu no meio a rua é um problema
    As crianças gostam de inovar, e no fundo sabem que a nudez será a próxima moda!
  11. Dá-me a mão”, “Não corras na rua”, “Não comas pilhas”, “Não mordas o gato”!
    Tantas ordens! Estas coisas trazem pequenos momentos de felicidade às crianças e os adultos só querem estragar tudo!
  12. As crianças sabem que as escolhas que lhes damos não oferecem opção de escolha
    Sim é verdade. Podem escolher entre dormir a sesta agora ou daqui a 10 minutos! Elas sabem reconhecer uma emboscada quando a vêem.
  13. Há uma série de tarefas que têm de cumprir rotineiramente, e os adultos estão sempre a empurra-los para as realizarem
    Todas as crianças de 2 anos deviam ter um body com o horário escrito! É disso que se trata, cumprir horários!
  14. As crianças não conhecem os pais há muito tempo, por isso precisam mesmo de testá-los até ao limite.
    É uma espécie de experiencia científica chamada: “Quanto tempo a mãe aguenta até se passar”
  15. As Birras são óptimas para destressar
    De acordo com alguns peritos de dois anos. “É melhor do que meditar ou fazer exercício”

Por isso, da próxima vez que vires uma criança de dois anos a perder a cabeça no supermercado, na rua ou em casa, lembra-te que está apenas a tentar viver a sua vida genuinamente. Em vez de tentares controlá-la e contrariá-la, deves ficar a assistir e dar-lhe um valente aplauso. E já agora, um saco de gomas!

 

Por JOELLE WISLER publicado em ScaryMommy
Traduido e adaptado por Up To Kids®

Imagem@Shutterstock

Carta ao meu marido nesta fase complicada do casamento

A nossa vida é complicada neste momento, não é?

Nós não queremos que seja. Mas neste momento é. Trabalhamos para ser pagos para pagarmos contas e parece que há sempre mais meses do que dinheiro. Temos duas pessoas muito pequeninas que parecem nossos chefes, enquanto nos esforçamos por manter o controlo. Somos empurrados de tantas maneiras que, por vezes, damos por nós e estamos em lados opostos.

Acabamos por discutir. Discutimos sobre as decisões parentais e também sobre “quem é a vez de trocar a fralda”. Discutimos sobre dinheiro e sobre as vezes que escolhemos ir almoçar fora na semana passada. Discutimos sobre a roupa para lavar e passar e sobre a limpeza da casa. Discutimos sobre coisas estúpidas que, eventualmente, acabamos por nos desviar do tema e discutimos sobre outras coisas à mistura.

Isto é exaustivo. Exigimos demais de nós próprios. Horários para tudo, programas com a família, obrigações, milhares de copos de sumo de laranja entornados na carpete. Rotinas de biberão de leite e idas à casa de banho às 6h da manhã. Dizer que não a pedidos de lanche 15 minutos antes o jantar, e ter de dizer que não vezes consecutivas ao longo dos quinze minutos. E quando finalmente consigo sentar-me pela primeira vez em duas horas, já há alguém a precisar da mãe outra vez. Às vezes é difícil respirar fundo, muito menos conseguir uma pausa para fazer xixi sem interrupções.

Nós sentamo-nos muito, em frente do outro, em silêncio. Não porque não temos nada para falar, mas simplesmente porque estamos cansados de falar. Às vezes eu apercebo-me de que há coisas importantes que não te disse, simplesmente porque não calhou. Eu tenho saudades da proximidade que tínhamos quando apenas falávamos sobre nós e consumíamos o nosso tempo um com o outro. Neste momento, dormir é melhor do que sexo e jogar jogos no telemóvel é mais relaxante do que conversar.

Isso não é para dizer que eu sou infeliz. Esta é a vida com que sempre sonhamos. Não há nada nem ninguém no mundo que eu ame mais do que a ti e aos nossos filhos. A exaustão das nossas vidas é melhor do que qualquer coisa que eu consigo imaginar.

Mas o meu coração anseia por ti mais do que ninguém.

E eu sei que é tão difícil agora. Mas estou-me a aguentar.

Porque eu vou precisar de ti.

Eu vou precisar de ti para me dizeres que vai ficar tudo bem quando eu chorar no primeiro dia de jardim de infância de um dos nossos filhos. Eu vou precisar de ti para me abraçares quando receber algum telefonema com más notícias.

Eu vou precisar que me conduzas de volta quando formos deixar os nossos filhos à universidade e eles saírem de casa. E que me convenças a não ir a correr salva-los sempre que tomem uma decisão que eu considere errada.

Eu vou precisar de ti para me dares a mão quando estivermos juntos no banco da igreja no casamento dos nossos filhos. E eu vou precisar de ti para dançar comigo toda a noite. E eu vou precisar que me abraces nessa noite enquanto eu me recordar de todas as memórias da vida dos nossos filhos e estiver lavada em lágrimas porque passou tudo a correr!

Vou precisar de ti quando eu já não tiver tantos compromissos. Quando não tiver ninguém  aos gritos por sumo de laranja ou a chorar sobre os dinossauros não-existentes que vivem em seus armários. Quando já não tiver biberões para lavar e brinquedos para pisar. Quando eles só aparecerem aos fins de semana, e em vez de trazerem uma mala de roupa suja, trouxerem os nossos netos. Eu vou precisar que me compres um baloiço para o alpendre e vou precisar que te sentes ao meu lado e me lembres como somos gratos pela vida que temos.

E entre tanta coisa que irei precisar de ti, fica já a saber: eu quero-te comigo. Eu quero-te sempre comigo em todos os passos da minha vida.

Se agora nos sentamos um em frente ao outro num silêncio constrangedor enquanto esperamos esta fase da vida passar, isto é bom. Eu vou estar sempre sentada ao pé de ti para que saibas que não vou a lado nenhum. Até posso dar-te a mão. Claro, com a mão livre que não está a jogar Candy Crush.

Eu amo-te, e eu vou continuar a amar-te apesar de tudo. Para lá de tudo.

O silêncio é bom, desde que eu esteja contigo!.

Por  publicado originalmente em foreverymom

Traduzido e adaptado por Up To Kids®

 

imagem@tumbrl

Mães desnecessárias

“A boa mãe é a que vai se tornando desnecessária com o passar do tempo.”

Um amigo psicanalista costumava dizer esta frase, e sempre me soou estranha.

Agora os meus filhos já não são bebés e chegou a minha vez de reprimir o impulso natural materno de querer manter a cria debaixo da asa. De querer proteger de todos os erros, tristezas e perigos. Uma batalha hercúlea, confesso. Quando começo a esmorecer na luta para controlar a super-mãe que tenho dentro de mim (temos todas!), lembro-me logo desta frase.  Hoje tornou-se absolutamente clara.

Se eu criei os meus filhos para serem adultos autónomos, tenho de me tornar desnecessária.

Antes que alguma mãe mais rápida me acuse de não amar os meus filhos, passo a explicar:

As mães desnecessárias não deixam que o amor incondicional, que sempre existirá, crie vício e dependência nos filhos. Como uma droga ao ponto de não conseguirem ser autónomos, confiantes e independentes. Prontos para traçar o seu rumo, fazer as suas escolhas, superar as suas frustrações e cometer os seus próprios erros.

Em cada fase da vida, vamos cortando e refazendo o cordão umbilical. Em cada nova fase uma nova perda é um novo ganho para os dois lados. Para  a mãe como para o filho. Porque o amor é um processo de libertação permanente e esse vínculo não pára de se transformar ao longo da vida.

Até o dia em que os filhos se tornam adultos, constituem a própria família e recomeçam o ciclo.

O que eles precisam é de ter a certeza de que estamos lá, firmes, na concordância ou na divergência, no sucesso ou no fracasso, com o peito aberto para o aconchego, o abraço apertado, o conforto nas horas difíceis. Mas no dia a dia somos mães desnecessárias.

Pai e mãe solidários criam os filhos para serem livres.

Este é o maior desafio e a principal missão da parentalidade. Ao aprendermos a ser “desnecessários”, transformamo-nos no porto seguro para quando eles quiserem atracar.

 

Por Márcia Neder, Psicanalista e Psicóloga Clínica