Mãe, a vida tem compromissos urgentes e sérios. Obrigada por me teres avisado e mostrado cada um deles. Obrigada por não me teres omitido os dissabores do mundo. Obrigada por não me teres protegido. Preferiste as hipérboles aos eufemismos. Sempre te achei exagerada. Dramática. Eu sei que não foi fácil para ti assistires a cada queda, cada erro meu. Sei que quis culpar-te por não seres como as outras mães que afagavam as filhas. Foste forte. Deixavas-me a chorar sozinha e depois passavas Betadine nas feridas. Betadine ardia imenso, mãe. Dizias que se eu esperneasse era pior. Ainda te posso ouvir a dizer isso. Até hoje, se eu espernear é pior. A vida é um grande levanta-e-cai. Mãe, obrigada por não me teres montado um quarto cor de rosa. Obrigada por não construíres um castelo ilusório ao meu redor.

Obrigada por teres comprado mais pares de livros do que pares de brinquedos.

Obrigada por me mostrares que o pão custava muito, que precisava diminuir o tempo no banho para economizar energia. A vida tem um custo alto, mãe.

Ainda bem que não criaste uma princesa. Eu não saberia fritar um ovo. Ainda bem que não sustentaste nenhuma vaidade, porque me fez ver que eu era maior que isso. Criaste-me para o mundo, e este, o mundo real, não poupa as princesas.

Obrigada por não me teres criado para esperar pelo príncipe encantado no cavalo branco que resolveria todas as minhas aflições. A vida quer-nos de peito aberto, coragem e a cara para bater.

Mãe, a minha cara está dormente, mas não eu desisto. Eu tropeço tantas vezes e tantas vezes eu me levanto de novo.

Mãe, eu mato as baratas medo com mesmo. Eu desafio a esfinge mesmo com medo. Eu encaro o dragão mesmo com medo. Da forma que sei e que posso. O que não posso, mãe, seria negar-te três vezes. Negar o que me ensinaste.

Obrigada por não teres criado uma princesa.

 

Texto de Maria Gabriela Verediano, publicado em Recortes

 

Os avós nunca morrem, tornam-se invisíveis e dormem para sempre nas profundezas do nosso coração. Ainda hoje sentimos a falta deles e daríamos qualquer coisa para voltar a ouvir as suas histórias, sentir os seus mimos e aqueles olhares carregados de ternura infinita.

Sabemos que é a lei da vida, enquanto os avós têm o privilégio de nos ver nascer e crescer, nós temos que testemunhar o envelhecimento e o adeus deles ao mundo. A perda deles é quase sempre a nossa primeira despedida, e normalmente durante a nossa infância. 

Os avós que participam na infância dos netos deixam vestígios da sua alma, legados que irão acompanhá-los durante a vida como sementes de amor eterno para os dias em que eles se tornam invisíveis.

Hoje em dia é muito comum ver os avós envolvidos nas tarefas de criança com os seus netos. Eles são uma rede de apoio inestimável nas famílias atuais. Não obstante, o seu papel não é o mesmo que o de um pai ou de uma mãe, e isso é algo que as crianças percebem desde bem cedo.

O vínculo dos avós com os netos é criado a partir de uma cumplicidade muito mais íntima e profunda, por isso, a sua perda pode ser algo muito delicado na mente de uma criança ou adolescente.

O adeus dos avós: a primeira experiência com a perda

Muitas pessoas têm o privilégio de ter ao seu lado algum dos seus avós até à idade adulta. Outros, pelo contrário, tiveram que enfrentar a sua morte ainda na primeira infância, naquela idade em que ainda não se entende a perda de uma forma verdadeiramente real, e onde os adultos, em certas situações, a explicam mal na tentativa de suavizar a morte ou fazer de conta que é algo que não faz sofrer.

A maioria dos psicopedagogos diz de forma bem clara: devemos dizer sempre a verdade a uma criança. É preciso adaptar a mensagem à sua idade, sobre isso não há dúvidas, mas um erro que muitos pais cometem é evitar, por exemplo, uma última despedida entre a criança e o avô enquanto este está no hospital ou quando fazem uso de metáforas como “o avô está numa estrela ou a avó está no céu“.

  • É preciso explicar a morte às crianças de forma simples e sem metáforas para que elas não criem ideias erradas. Se lhes dissermos que o avô se foi embora, o mais provável é a criança perguntar ou ficar à espera de quando é que ele vai voltar.
  • Se explicarmos a morte às criança a partir de uma visão religiosa, é necessário incidir no fato de que a pessoa “não vai regressar”. Uma criança pequena consegue absorver apenas quantidades limitadas de informação, dessa forma, as explicações devem ser breves e simples.

É também importante ter em conta que a morte não é um tabu e que as lágrimas dos adultos não têm que ficar ocultas perante o olhar das crianças. Todos sofremos com a perda de um ente querido e é necessário falar sobre isso e desabafar. As crianças vão fazer isso no seu tempo e no momento certo, por isso, temos que facilitar este processo.

As crianças irão fazer-nos muitas perguntas que precisam das melhores e mais pacientes respostas. A perda dos avós na infância ou na adolescência é sempre algo complexo, por isso é necessário atravessar essa luta em família sendo bastante intuitivos perante qualquer necessidade dos nossos filhos.

Embora já não estejam entre nós, eles continuam muito presentes

Os avós, embora já não estejam entre nós, continuam muito presentes nas nossas vidas, nesses cenários comuns que partilhamos com a nossa família e também nesse legado verbal que oferecemos às novas gerações e aos novos netos e bisnetos que não tiveram a oportunidade de conhecer o avô ou a avó.

Os avós seguraram-nos nas mãos durante um tempo, enquanto isso ensinaram-nos a andar, mas depois, o que seguraram para sempre foram os nossos corações, onde eles descansam eternamente oferecendo-nos a sua luz, a sua memória.

A presença deles ainda mora nessas fotografias amareladas que são guardadas nos albuns e não na memória de um telemóvel. O avô está naquela árvore que plantou com as suas próprias mãos, e a avó no vestido que nos costurou e que ainda hoje temos.

Estão no cheiro daqueles doces que vivem na nossa memória emocional. A sua lembrança está também em cada um dos conselhos que nos deram, nas histórias que nos contaram, na forma como apertamos os sapatos e até na covinha do nosso queixo que herdamos deles.

Os avós não morrem porque ficam gravados nas nossas emoções de um modo mais delicado e profundo do que a simples genética. Eles ensinaram-nos a ir um pouco mais devagar e ao ritmo deles, a saborear uma tarde no campo, a descobrir que os bons livros têm um cheiro especial e que existe uma linguagem que vai muito para além das palavras.

É a linguagem de um abraço, de uma carícia, de um sorriso cúmplice e de um passeio no meio da tarde partilhando silêncios enquanto vemos o pôr do sol. Tudo isso perdurará para sempre, e é aí onde acontece a verdadeira eternidade das pessoas.

No legado afetivo de quem nos ama de verdade e que nos honra ao recordar-nos a cada dia.

Texto de Valéria Amado

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Os benefícios da parentalidade preguiçosa. Adeus mães helicóptero

Ultimamente, parece que as outras pessoas estão mais interessadas na segurança dos meus filhos do que eu. Vêem um miúdo pendurado a balouçar nas escadas do parque ou a minha filha a fazer recortes com uma tesoura e saltam disparados em seu socorro. Já perdi a conta da quantidade vezes que um estranho me vem dizer que “deixar andar” não é seguro para as crianças. As pessoas tendem a apontar e julgar.

Gostava de poder dizer que isto só acontece on-line. Que é o resultado de ser uma blogger e expor a nossa vida para quem quiser ler e criticar. Mas não é o caso. Na verdade, acontece mais vezes no meu dia-a-dia do que on-line. Há tempos houve uma pessoa que chegou mesmo a acusar-me de abuso e negligência infantil, por deixar o meu filho de dois anos andar sozinho por cima de um murete que não tinha mais de 40 cm de altura.

Eu estou a prestar atenção.

Eu estou ali ao lado, a observa-los, a incentiva-los e a desafia-los, dando-lhes espaço e liberdade para se testarem.

Eu fico afastada em vez de mergulhar de braços abertos atrás deles. Porque quero que eles ganhem confiança nas suas habilidades e competências. Quero que desafiem as suas capacidades. Para que não tenham medo de explorar ou experimentar algo novo. Para que aprendam a entreter-se sozinhos e a usar a criatividade.

Eu mantenho-me à distancia porque quero que eles se tornem autónomos e independentes.

E apesar de muitos pais nos rotularem como preguiçosos, este método resulta muito bem para nós. Quando caem ou batem em qualquer coisa, eu estou lá para lhes pegar ao colo, dar um abraço e os beijinhos que forem precisos. Mas, na maioria das vezes, não é preciso. Na maioria das vezes eles levantam-se sozinhos, correm para o próximo obstáculo enquanto dançam o Gangnam Style sem uma lágrima na cara.

Como é obvio, não vou dar uma faca de mato à minha filha de 7 anos. Nem tão pouco objectos muito pequenos ao meu filho de 2 anos que adora meter tudo na boca.

Mas essa é a vantagem de ser pai… nós conhecemos os nossos filhos.

Sabemos como é que eles agem. Conhecemos os seus pontos fortes e fracos e as suas capacidades para realizar determinada brincadeira sozinhos. Nós sabemos quando é que podemos ficar a acompanhar à distância, e ser “preguiçosos”

Não deixes que um estranho qualquer te impeça de seres pai à tua maneira. A parentalidade deve ser vivida de uma forma que te seja natural e que permita que os teus filhos sejam livres para se descobrirem e se desenvolverem autonomamente, e serem felizes!

 

Por Stephanie Oswald, em Parentingchaos

Desafio: 31 dias/31 atividades rápidas para fazer com os filhos

Ser mãe não é fácil.
Agora que regressamos às rotinas do ano letivo, percebemos que afinal aquele “tempo todo” que estivemos com os nossos filhos nas férias não foi suficiente.
Os dias passam num estalar de dedos e com a rotina instalou-se o Stress. Os TPCs, as lancheiras, os cestos, os casacos que se perdem diariamente na escola, os perdidos e achados que só “acham” coisas dos outros. Os horários, o sono logo de manhã, os miúdos que calçam três vezes a mesma meia com o calcanhar para a frente, os sapatos que já estão apertados, o material escolar que ainda falta mas já tínhamos mandado para a escola. A correria ao longo do dia para conseguir ir buscar as crianças cedo e o tempo que teima em voar. No fim de semana, as festas de anos. Quando nos apercebemos já entramos naquele ritmo frenético de cumprir tarefas, obrigações, horários e afins. E nisto onde fica o nosso tempo entre pais e filhos? E a nossa cumplicidade, os nossos pequenos momentos que são tão importantes para eles como para nós?

Vamos lançar um desafio: 31 dias/31 atividades rápidas para fazer com os filhos

Não precisa de ser por esta ordem, mas no fim (ou a meio) conte-nos o resultado!
E divirtam-se.

  1. Inventar um aperto de mão secreto
  2. Respirar fundo em conjunto e contar até 5
  3. Fazer uma corrida em câmara lenta até à porta de casa
  4. Dar um ou vários abraços
  5. Fazer vozes engraçadas
  6. Partilhar uma guloseima às escondidas do mundo
  7. Inventar um assobio só vosso
  8. Contar histórias engraçadas de quando eram mais pequenos
  9. Ver fotografias das férias no telemóvel
  10. Cantar e dançar no carro com direito a playback e coreografia
  11. Contar uma ou mais piadas “O que é que o tubarão diz à mulher?” – “TU BARALHAS-ME!” 
  12. Criar um código de símbolos e deixar mensagens encriptadas pela casa
  13. Sentar-se em cima dos filhos no sofá (sem fazer peso) e dizer “A mãe quer colo“! – Surpreenda-se com a reação deles.
  14. Dar beijinhos à esquimó
  15. Fazer um pacto com os dedos mindinhos
  16. Fazer sombras chinesas com as mãos
  17. Tirar uma selfie (ou uma dúzia delas)
  18. Fazer um “Pote da Calma
  19. Jogar ao “Rei manda”
  20. Começar uma luta de cócegas
  21. Olhar nos olhos e acenar com a cabeça quando falam contigo, até se desmancharem a rir
  22. Fazer um concurso para ver quem abre mais as narinas! Perde quem rir primeiro!
  23. Ensinar a falar a “língua dos Pês”
  24. Jogar ao sério
  25. Coçar-lhes as costas
  26. Fazer uma luta de polegares
  27. Fazer uma bebida especial para a refeição
  28. Fazer um concurso de caretas
  29. Contar um segredo teu
  30. Partilharem o melhor e o pior do seu dia à hora do jantar
  31. Dizer que os ADORAS até ao infinito e mais além. Muito mais além!

No fim do mês tente perceber o que lhes ficou na memória e verá que grande parte destes pequenos momentos estarão entre os Top 10 deles, e que coisas como o aperto de mão secreto ou o assobio só vosso, possivelmente, nunca serão esquecidos!

 


10. Cantar e dançar no carro com direito a playback e coreografia

Imagem@youtube | Teigan and mom singing open doors

Os benefícios das artes plásticas para as crianças

A arte desempenha um papel importante no universo infantil. Grande parte das crianças gostam naturalmente de pintar, desenhar e brincar com cortes e recortes, mesmo sem serem estimuladas para tal.

À semelhança de todas as experiências culturais, as artes plásticas são uma ótima forma de desenvolver apetências, conhecimentos e valores que os vão acompanhar durante toda a vida. Não é por acaso que as artes plásticas são usadas por terapeutas ocupacionais e integram grande parte do programa de aprendizagem das creches e jardins de infância.

Ensina a importância de fazer

Desenhando, pintando e esculpindo é natural que as crianças guardem uma imagem projetada do possível resultado final, mas é necessário trabalhar essas expetativas. O incentivo das artes plásticas em casa ou na sala de aula é, portanto, uma ótima forma de ensiná-las a desfrutar de cada passo do processo e a saber lidar com a frustração e com a gestão de expetativas. “O importante é participar” dirão alguns, mas mais importante ainda é divertirem-se pelo caminho! Não interessa o resultado final, o que interessa é o processo – esta é uma lição para a vida.

artes plásticas crianças

Aproxima pais e filhos

As artes plásticas são um caminho para a interação e para preencher tempo de qualidade entre pais e filhos. Sentar-se com os seus filhos a pintar, desenhar e a criar coisas novas estreita laços familiares e promove a comunicação, a cooperação, o espírito crítico e a partilha de experiências e opiniões.

 

artes plásticas

 

Abre as portas à criatividade individual 

Desenvolver a imaginação é tão importante como aprender a falar, saber as cores e contar até 100. Além disso, as artes visuais são uma excelente forma das crianças se expressarem, quebrando as barreiras linguísticas, principalmente em idades em que o discurso verbal ainda não está completamente assimilado.

artes plásticas

Resiliência e autoestima

Saber falhar é a regra número 1 de um artista e essa regra é válida também para artistas de palmo e meio. É importante escolher atividades que se adaptem à idade da criança, para que haja sempre superação. Além de desenvolver ferramentas emocionais tão importantes como a resiliência, a paciência e o autocontrolo, todas as artes plásticas incluem uma boa dose de encorajamento para fazer melhor – tendo um papel importantíssimo na construção da autoestima e confiança dos mais pequenos.

Descobrir o mundo e descobrir-se
Os adultos não devem influenciar o processo criativo das crianças, mas podem dar-lhes oportunidades para elas poderem conhecer o mundo e experienciá-lo. Papel, tinta, gesso, argila e elementos naturais como folhas, terra e água são uma ótima maneira de elas terem contacto com novos materiais, objetos, texturas e possibilidades, ao passo que descobrem o mundo através deles. Sujar, claro, faz parte do processo. Aprenda como tirar tinta da roupa facilmente e não deixe de incentivar o sentido de exploração e descoberta dos seus filhos!

 

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Consciência corporal e coordenação motora

Através do tato e da manipulação de objetos os mais pequenos descobrem o mundo, interpretam o que os rodeia e aguçam a curiosidade. O desenho, a pintura e os trabalhos manuais são um excelente “empurrão” no desenvolvimento motor da criança. No topo da lista estão a destreza dos dedos e a coordenação entre o olhar e o movimento das mãos. Logo de seguida, a consciência de si próprios e a aprendizagem de que é preciso cuidar do próprio corpo em todas as ações e atividades.

Precisa de mais argumentos?

 

Por Joana Teixeira para Up To Kids®

Porque é que as mães dormem tão pouco

Eram 8h da noite de sábado e a minha mulher, a Mel, queixava-se de como estava cansada por ter dormido pouco na noite anterior e eu perguntei-lhe a que horas tinha  ido para a cama na véspera.

Nós temos 3 filhos mas eles dormiram a noite completa. Até porque lá em casa dividimos as noites e por isso se tivessem acordado eu teria sabido. Aliás, o Aspen, o nosso filho mais novo só acordou às 7h30, ou seja, cerca de hora e meia mais tarde do que o habitual.

Eu não consigo perceber porque é que ela não dormiu o suficiente, a não ser que se tenha deitado tarde outra vez, que foi o que provavelmente aconteceu.

“Por volta da 1h30” – respondeu-me. Estava com os olhos vermelhos e o cansaço estampado na cara.

Porque é que ficas acordada até tão tarde?” – perguntei-lhe: “Porque é que não vens deitar-te ao mesmo tempo que eu?”

Nessa noite eu fui para a cama por volta das 22h e ao sair da sala ela disse: “Ate já, vou daqui a 5 minutos. ” – Mas não foi.

Fiz-lhe a minha cara de “Temos pena”, até porque não é a primeira vez que a Mel se deita tardíssimo sem necessidade ou razão nenhuma.

Desde que temos filhos, eu comecei a deitar-me mais cedo. Aliás, dormir tornou-se na minha prioridade nº 1. Entre as noites a pé por causa dos miúdos e aguentar dois empregos durante o dia, sempre que tenho uma oportunidade para fechar os olhos não penso duas vezes. Mas a Mel não. A Mel não é assim!

Estamos casados há cerca de 12 anos, e temos filhos há nove. Desde os dois anos do nosso filho mais velho que a Mel se deita, invariavelmente, tarde. Ao longo dos anos chegamos a um ponto que nunca vamos para a cama ao mesmo tempo. Além de que tenho saudades de adormecermos juntos, o que mais me incomoda é o facto de se deitar tardíssimo a fazer sabe Deus o quê, e no dia a seguir queixa-se que está cansada.

Faz-me lembrar os adolescentes que estão diariamente a queimar a vela nas duas extremidades, sem razão aparente.

Estamos os dois a viver com uma dose diária de sono muito baixa. Acordamos os dois à noite para tratar dos miúdos. Eu trabalho durante o dia e a Mel, até há pouco tempo ainda estava a fazer um Doutoramento. Acho que nessa altura eu achava mais normal, talvez estivesse no computador a pesquisar ou a escrever a tese.  Mas hoje em dia, já nem se justifica.

A Mel não me respondeu à minha pergunta e eu assumi que nem ela sabia o porquê de ficar a pé até tão tarde. Ela ainda estava de pijama com o seu rabo-de-cavalo mal-amanhado, e os miúdos estavam a tomar o pequeno-almoço.

A Mel sentou-se no sofá, cruzou as pernas e ficou em silêncio. Sentei-me ao lado dela porque queria ver se chegávamos a uma conclusão para acabar com este cansaço.

Eu passo o dia inteiro com os miúdos. O dia inteiro. E quando eles vão dormir, eu estou contigo… o que é óptimo, mas…” Ficou em silêncio. – “Eu preciso de tempo para mim!”

Deitei-me para trás no sofá e fiquei a pensar no que ela disse. Para mim não faz muito sentido. Eu nunca precisei de tempo para mim. Preciso de dormir mas isso é outra coisa.

“O que é que queres dizer, com tempo para ti?” – Perguntei-lhe

A Mel suspirou. Não percebi se estava irritada ou se lhe seria difícil de explicar.

Eu quero sentar-me no sofá sozinha sem ter ninguém ao colo, a chorar ou a agarrar-me. Eu quero que não me toquem durante algum tempo. Há dias, quando as crianças estão sempre em cima de mim a agarrar-me, que sinto uma sobrecarga sensorial. Quero enfiar-me numa bolha, numa redoma. E sinto falta de me sentar e ver um programa de Tv sem ser infantil ou notícias. Quero aproveitar o tempo que a casa está em silêncio para poder ler um livro em silêncio. Eu só quero um tempo para ser…” – Levantou as sobrancelhas e disse uma coisa que realmente me fez pensar.

“Eu! À noite é o único momento que tenho para me sentir “eu”. “Eu” antes de ser mãe.”

Ao longo destes anos todos nunca me passou pela cabeça que isso pudesse ser questão. Eu assumi que a Mel adorava ser mãe. Não quer dizer que nunca tenhamos falado sobre os desafios da maternidade e como a parentalidade pode ser avassaladora. Mas eu não fazia ideia de que a minha mulher precisava de tempo para se sentir uma não-mãe.

Não gostas de ser mãe” – Perguntei a medo. Nem sabia se estava nervoso porque não queria que nada mudasse – a Mel é uma mãe espectacular! –  ou se era por ter descoberto que havia uma parte da minha mulher que eu, claramente, não conhecia.

A Mel riu-se. “Eu adoro os miúdos, mas isto não tem nada a ver com gostar ou não de ser mãe. Tem apenas a ver com querer estar sozinha. Às vezes nem sequer a ti te quero por perto. Não significa que te ame menos. Nem aos miúdos. Mas eu preciso de me sentir “eu”. Não ter sempre alguém a pedir-me coisas. Não ter sempre alguém a discutir por isto ou aquilo. Não ter sempre alguém à espera e a precisar da minha atenção. Neste momento, para mim, isso é mais importante do que dormir. Faz algum sentido?”

“Nem por isso” – respondi. “Quer dizer, eu não consigo entender porque eu não sinto a mesma necessidade. Mas respeito este teu sentimento”

Abraçamo-nos e ficamos ali um bocado sem falar.

“Então, vais ficar outra vez acordada até tarde esta noite?”

Ela acenou com a cabeça.

Ok. Eu vou certificar-me de que tens esse teu tempo”

 

Por Clint Edwards, Para Scary Mommy

 

Autorizado, traduzido e adaptado por Up To Kids®

Porque prefiro que os meus filhos aprendam empatia em vez de mandarim

“Desde que sou mãe que tenho ouvido diferentes opiniões sobre o que é mais importante que os nossos filhos aprendam para ter sucesso na vida. Programação. Inglês. Xadrez. Ballet. Mandarim. Comunicação. Matemáticas. Desportos de equipa. Música. Artes marciais. “

Estou grávida de sete meses da minha terceira filha e com uma barriga gigante. No fim de um dia de trabalho, sempre que entro no metro a abarrotar é inacreditável a forma como as pessoas viram a cabeça para o outro lado e fingem que não me viram. São muito poucas as pessoas que me olham nos olhos e me cedem o lugar. Não sei se sabem mandarim, programação ou se são uns génios em matemática. Mas todas elas têm algo em comum: empatia. Empatia tal que as move e as leva a fazer algo pelos outros. É chamada Empatia em ação.

Esta é a empatia que move as pessoas a fazer coisas pelo próximo.

A ajudar a construir uma maternidade, a doar o seu tempo e esforço por uma causa em comum. A que leva um jovem a montar uma iniciativa social na sua escola.

A Empatia em Ação é de extrema importancia na formação de uma criança não só por ajudar o próximo, mas também por se tornar uma competência essencial para se ser bem sucedido e feliz. A empatia é o que faz que uma pessoa trabalhe bem em equipa, que seja um bom líder, que uma empresa concentre o seu serviço às verdadeiras necessidades do cliente, ou que um jovem saiba como atuar numa entrevista de trabalho.

A empatia não surge quando olhamos à nossa volta. A empatia faz-nos olhar de outra maneira à nossa volta, focando-nos nas necessidades e preparando a ação.

A Empatia em Ação leva-nos a inovar e torna-nos mais pragmáticos, mais bem sucedidos e mais felizes. E claro, ajuda a tornar o mundo melhor.

A boa notícia é que a empatia se pode aprender e praticar.

Existem empreendedores sociais, como a canadense Mary Gordon, que impulsiona a empatia em escolas há quase 20 anos, e tem promovido os benefícios objetivos da empatia.

Também em Espanha, há colégios que estão a trabalhar a Empatia em Ação com os seus alunos e têm conseguindo resultados excelentes. As crianças do Ensino Fundamental de Canárias, pela primeira vez, terão a sorte de ter a disciplina – obrigatória e avaliativa – “Educação Emocional e para a Criatividade”, onde duas vezes por semana trabalharão a empatia e outras emoções.

Hoje em dia este tipo de indicadores não faz parte dos rankings dos top 100 colégios da Espanha, que continuam, infelizmente, centrados nos resultados quantitativos de avaliação. Mas se todos valorizarmos, praticarmos e ensinarmos a Empatia aos nossos filhos, tal como aconteceu com as regras e outros valores sociais e morais noutros tempos, as coisas irão mudar.

Eu quero que os meus filhos desenvolvam a empatia.

Para que não virem a cabeça para o outro lado. Para que sejam pessoas ativas e que se importam com o que se passa à sua volta. Para que façam algo pelos outros. Para que tenham êxito pessoal e profissional. E para que quando forem à China, sejam capazes de entender os moradores locais com apenas um olhar.

Das crianças que trabalharam a empatia em salas de aula:

  • 78%  incrementaram a sua atitude e conduta perante os colegas;
  • 74% aceitaram melhor os colegas;
  • 71% aprenderam a avaliar as situações em perspectiva;
  • 39% diminuíram a agressividade relativamente aos colegas.

empatia

 

Traduzido e adaptado por Up To Kids®,

Artigo original “Por qué quiero que mis hijas aprendan empatía en vez de chino”, em Forbes

As pessoas que choram são mais fortes

Todas as emoções são diferentes e têm graus diferentes de aceitação na nossa sociedade. A emoção mais prezada é a felicidade, pois é um sinal de segurança, confiança e êxito. Por isso, muitas vezes, por cedermos as pressões sociais vemo-nos obrigados a fingir que estamos felizes.  Quando nos perguntam “Está tudo bem“, assumimos como um cumprimento,  e respondemos que estamos bem e esboçamos um sorriso em piloto automático, mesmo que por dentro estejamos destroçados.

Isto é prova de que, muitas vezes, vivemos de uma imagem e não deixamos que ninguém conheça o que se encontra por detrás da nossa mascara: se a felicidade nos assegura um êxito social e transmite uma imagem de êxito, sejamos felizes!

A tristeza, no entanto, é catalogada como uma emoção negativa, uma emoção que se deve esconder e da qual nos envergonhamos. As expressões corporais e faciais de tristeza como os ombros caídos, o olhar triste e o choro, são considerados sinais de debilidade e insegurança.

Uma sociedade que exige que estejamos felizes e alegres e sempre dispostos a conquistar o mundo é tremendamente injusta para o ser humano. Porque nós não funcionamos assim. Estigmatizar a tristeza só serve para nos fazer sentir pior, para que pensemos que não somos suficientemente fortes para aguentar os problemas ou imprevistos.

Concluiu-se que as pessoas que se atrevem a expressar a sua tristeza e choram quando sentem vontade, têm um maior equilíbrio emocional do que aquelas que reprimem as lágrimas e escondem os seus sentimentos.
As lágrimas derramadas são amargas, mas mais amargas são as que não se derramam”. – Proverbio Irlandês

Então afinal porque é que as pessoas que choram são mais fortes, ou seja, mais equilibradas emocionalmente?

1. Não reprimem suas emoções

Se te sentes eufórico escondes o teu sorriso? Se ouves um som alto em casa à noite, não te assustas? Então, porque é que reagimos de forma controlada ao choro?. As pessoas seguras de si mesmas e com uma Inteligência Emocional elevada, são capazes de reconhecer as suas emoções e expressá-las independentemente de serem ou não consideradas “negativas” pela sociedade. É necessário muita coragem para nadar contra a corrente e expressar quem és realmente ou como te sentes num determinado momento.

Não há maior motivo para chorar que não poder chorar“.– Séneca

Manter a mente fria e reprimir as emoções tem um grande custo não só para nossa saúde psicológica como também física. Alguns estudos tem vinculado a repressão emocional com um maior risco de desenvolver enfermidades como asma, hipertensão e patologias cardíacas. Curiosamente, um estudo realizado na Universidade de Standord descobriu que as pessoas que costumam reprimir as suas emoções reagem à pressão e ao stress de maneira exagerada, com um maior aumento da tensão arterial do que as pessoas catalogadas como ansiosas. Isto indica-nos que essa “calma aparente” na realidade não é boa para o nosso equilíbrio emocional.

2. Aproveitam as lágrimas para mudar a perspectiva

Sabias que as lágrimas aliviam o stresse, a ansiedade, a dor e a frustação?
Na verdade, 70% das pessoas afirmam que chorar é reconfortante. E que o choro nos permite ver a situação através de uma perspectiva mais positiva. Quando paramos de chorar, o nosso pensamento e raciocínio torna-se mais claro e em poucos minutos tornamo-nos capazes de analisar a situação a partir de outro prisma. Isto deve-se ao facto de que as nossas emoções encontram um equilíbrio e a nossa mente racional está preparada para entrar em ação.

3. O choro é terapêutico

Sabias que o choro estimula a libertação de endorfinas no nosso cérebro que nos ajudam a aliviar a dor e também fomentam um estado de relaxamento e paz? É por isto que depois de chorar, nos sentimos muito melhor. Na verdade, confirmou-se que não é positivo cortar o choro mas deixar que flua porque embora a primeira fase do choro só tenha um efeito ativador,  a segunda fase tem um efeito calmante que reduz a frequência cardíaca e respiratória, propiciando um estado de relaxamento. Às vezes, o choro é mais benéfico que o riso.
Um estudo realizado na Universidade da Florida descobriu que o choro é profundamente terapêutico, sobretudo quando se une com um “remédio relacional”, ou seja, quando nos aproxima a outras pessoas que nos dão consolo. Também perceberam que o choro triste, aquele que está destinado a criar novos vínculos depois de uma perda, tem um poder catártico.

4. Não se submetem as expectativas sociais

As pessoas que não tem medo de chorar sentem-se mais livres e são capazes de expressar-se soltando-se dos convencionalismos sociais. Estas pessoas não têm medo de decepcionar nem de se expor perante as que as rodeiam, porque sabem que, na realidade, chorar não diminui ninguém.
As pessoas que choram são mais verdadeiras e não se querem ver maquilhadas pelas expectativas sociais. Esta consciência leva-as a viver pelas suas próprias regras e rédeas.

5. Conectam-se emocionalmente através das lágrimas

O choro é uma das expressões mais íntimas do ser humano. Quando choramos à frente de alguém é como se estivéssemos a despir a nossa alma. Por isso, as lágrimas ajudam a criar um conexão muito especial através do nosso “eu” mais profundo.
Quando outra pessoa “aceita” essa tristeza, sem tentar fugir dela ou nos brindar de falsas palavras de alento, cria-se uma conexão única. Uma das funções das lágrimas é precisamente a de pedir ajuda, mesmo que seja de maneira indireta, mostrando nossa impotência, para que os demais se acerquem e nos confortem.

Portanto, o choro e a tristeza não devem ser entendidos como um sinal de debilidade, mas sim como um sinal de força interior e atenção plena.
Não choramos por sermos débeis ou incapazes, mas sim porque estamos vivos e não nos envergonhamos de expressar o que sentimos.
Chorar a lágrima viva, chorar a choros…..Chorá-lo todo, mas chorá-lo bem.(…) Chorar de amor, de cansaço e de alegria”. – Poeta argentino Oliverio Girondo
Por Jenifer Delgado, em Capricho de mulher

O vencedor do passatempo Tiketa e Up To Kids®, foi:

Ricardo Filipe de Castro Bastos

Verifique a sua caixa de correio, e reclame o seu prémio!

Obrigada por participar!

tiketa

PASSATEMPO TERMINADO

A Up To Kids® em parceria com a Tiketa, vão oferecer 1 Kit Poupança: Especial Regresso às aulas Completo,

Kit Poupança composto por :

  • 40 etiquetas termoaderentes coloridas tamanho regular
  • 20 autocolantes grandes coloridos, à prova de água
  • 20 autocolantes coloridos tamanho regular, à prova de água
  • 80 autocolantes coloridos para lápis e canetas
  • 8 pares de etiquetas para calçado coloridas
  • 4 identificadores de mochilas

As Tiketas são etiquetas giras totalmente personalizáveis com o nome/texto que pretender, onde pode escolher desde o tipo de letra ao desenho ou tema que os seus filhos gostarem mais. Agora com o regresso às aulas, estava mesmo a calhar umas TIKETAS para identificar as roupas, livros e todo o material escolar do seu filho! Concorra!

 

COMO PARTICIPAR | REGRAS

1. Fazer Like páginas Up to Lisbon Kids e Tiketa
2. Partilhar o passatempo no seu FB, e comentar a nossa publicação no nosso FB com o Tag para 3 amigos.
3. Preencher o seguinte formulário e enviar!!

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O passatempo é válido até dia 05.09.16.
O vencedor será sorteado através do programa Random.com.
Apenas estarão habilitadas ao sorteio pessoas cumpram as regras de participação.
A partilha deverá ser publica para a podermos seguir.
O mesmo utilizador pode concorrer mais que uma vez (máx 10 participações/pessoa/dia)
Ficará habilitado o nº de vezes que concorrer
Os vencedores serão avisados por mail, e terão 15 dias após a receção do mesmo para reclamar o direito ao prémio. Passado o prazo, ficará sem efeito.
O vencedores será publicado no site a partir do dia 6 set’16;

 

Os vencedores do passatempo “O Crocodilo que não gostava de água” oferecido pela Livros Horizonte e Up To Kids®, foram:

  • Sara Santos Quintela
  • Rita Oliveira

PARABÉNS!

Verifique a sua caixa de correio, e reclame o seu prémio!

Obrigada por ter participado!

crocodilo

A Up To Kids® em parceria com a Livros Horizonte, vão oferecer 2 exemplares do livro “O Crocodilo que não gostava de água”

Toda a gente sabe que os crocodilos adoram água. Bem, mas este crocodilo não. Este não gosta NADA de água. Na verdade prefere trepar às árvores! Será que este pequeno crocodilo afinal não é nada um crocodilo?

COMO PARTICIPAR | REGRAS

1. Fazer Like páginas Up to Lisbon Kids e Livros Horizonte<a
2. Partilhar o passatempo no seu FB.
3. Preencher o seguinte formulário e no campo “Frase” inserir o nome de dois livros da Livros Horizonte!

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O passatempo é válido até dia 11.09.16.
O vencedor será sorteado através do programa Random.com.
Apenas estarão habilitadas ao sorteio pessoas cumpram as regras de participação.
A partilha deverá ser publica para a podermos seguir.
O mesmo utilizador pode concorrer mais que uma vez (máx 10 participações/pessoa/dia)
Ficará habilitado o nº de vezes que concorrer
Os vencedores serão avisados por mail, e terão 15 dias após a receção do mesmo para reclamar o direito ao prémio.
Passado o prazo, ficará sem efeito.