Era tão bom que a vida fosse como nos ensinaram quando éramos crianças, quando pegávamos no dente-de-leão e soprávamos para pedir um desejo.

Quando éramos crianças, tínhamos sonhos guardados no bolso e os dentinhos debaixo da almofada para a fadinha dos dentes os levar.

Quando éramos crianças, vivíamos despreocupadas no mundo cor-de-rosa do faz de conta. Ontem, era uma princesa. Hoje, já podia ser a cabeleireira.

Quando éramos crianças, o vento tocava no cabelo, enquanto descíamos de bicicleta a rua da casa da avó.

Quando éramos crianças, sorriamos de forma tão sincera que, por dentro, sentíamos raios de luz.

Quando éramos crianças, adorávamos o sabor do tulicreme, num pão daqueles pequeninos, enquanto assistíamos aos desenhos animados da altura. As gargalhadas eram sonoras, sem vergonhas. Vivíamos despreocupados com o que outros pensavam.

Quando éramos crianças, os pirilampos eram mágicos e as cores tinham mais vida. Não havia horas contadas, nem preocupações que não nos deixassem dormir.

Dizem que o mundo é das crianças e eu acredito que sim. Acredito tanto que sim, na inocência aliada a uma sinceridade, num mundo faz de conta que é tão verdadeiro.

Tenho saudades. Saudades de calçar os saltos altos da minha mãe e de correr pela casa a fazer de conta que era adulta. Hoje, sou adulta e só quero calçar uns ténis confortáveis e fazer de conta que sou uma criança a viver aventuras num mundo de imaginação.

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Um adeus ao meu filho

Passei pelo quarto do meu filho e vi-o a dormir. Entrei para desligar a luz, e quando alcancei o interruptor, olhei para a pessoa que estava deitada na cama e percebi: ele já é um jovem. Já não é um miúdo, é um jovem com tamanho de adulto.

Calma. Pára, respira. Precisei de um segundo para me recompor. Precisei de um momento para me despedir. Para dizer adeus.

Eu sei que não posso parar o tempo e, que aquele miúdo que ainda vivia preso entre o mundo infantil e a adolescência, ia crescer. Tem sido sempre assim. De um bebé pequenino que cabia de corpo inteiro na palma de uma mão, a uma criança sorridente que para onde ia queria levar o Comboio Thomas ou o Faísca McQueen, até ao estudante robusto que andava sempre em corridas, e que me provocou ataques cardíacos consecutivos – eu amei cada fase da maternidade, cada estágio da sua infância, e chorei muitas vezes a perda do que deixamos para trás.

Saber crescer, saber envelhecer

Há pouco tempo, eu pedi a Deus que me desse mais um verão com ele enquanto criança. Eu precisava só mais uns meses do meu filho pequenino. E aconteceu. Ainda tive um verão perfeito com o meu filho criança mas pouco depois, inevitavelmente, ele cresceu. E eu cresci com ele. Não temos escolha. Ou crescia, ou ficava para trás.

E mesmo agora, eu vejo como tudo tem sido maravilhoso. Eu vejo o adolescente incrível em que ele se está a tornar. Há tantas mudanças diárias na vida dele. Parece que cresceu 20 cm numa semana, e de repente tem uma voz profunda e um riso diferente. Até a maneira de pensar mudou. Discutimos politica, por-amor-de-Deus, e ele sabe o que diz.

Ele está a crescer, a seguir em frente, a deixar a infância para trás e a alcançar o todo o seu potencial. Tal como é suposto. E eu estou a fazer alguma coisa bem, porque o meu filho é uma pessoa incrível. Vai ser um homem magnífico.

Eles crescem e a saudade fica

Eu acho que vou sempre ter saudades daquele miúdo de 6 anos com um sorriso apaixonante, com ideias mágicas, e coração de ouro. Ao dizer adeus a cada fase sua, eu despeço-me do que vou deixar para trás mas preparo-me para o que vem a seguir. O meu filho está a crescer e é maravilhoso, é mágico. Ainda temos tantas aventuras pela frente.

Tenho sorte porque ele ainda me acha divertida na maior parte do tempo. Ou, pelo menos finge. E ainda quer sair comigo. Ainda é o meu companheiro de aventuras, mas agora, é ele que sugere os programas. Ele sai com os amigos, mas dar-me sempre um beijo de despedida antes de sair de casa e responde-me  “eu também” sempre que lhe digo que o adoro, independentemente de quem estiver por perto.
Ele ainda me pede opinião, e depois forma a sua própria.

Às vezes ainda me dá a mão ao atravessar a estrada. Só não sei se é para se sentir seguro, ou para me proteger. Seja qual for a razão, eu dou sempre de volta.

 

Wendy Del Monte, para ScaryMommy,
autorizado para, traduzido e adaptado por Up To Kids®

 

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Recentemente circulou na Internet uma imagem de uma mensagem da Lego para os pais na década de 1970, que se tornou viral no Reddit. Especialmente porque apresenta uma abordagem tão diferente do marketing de género da Lego hoje em dia. A mensagem, que segundo confirmação da Lego é de 1974, vinha no conteúdo de um conjunto de uma casa de bonecas destinado a crianças com +4a.

lego
imagem@Reddit user fryd_

A Mensagem dizia:

Aos pais:

o desejo de criar é igualmente forte em todas as crianças. Nos meninos e nas meninas. A imaginação é que é o importante. Não a habilidade. Cada um constrói o que lhe vier à cabeça da forma que quiser. Uma cama ou um camião. Uma casa de bonecas ou uma nave espacial. Muitos meninos gostam de casas de bonecas. São mais humanas que as naves espaciais. Muitas meninas gostam de naves espaciais. São mais emocionantes do que casa de bonecas. O importante é fornecer-lhes as ferramentas certas e deixa-los criar

Fantástico, não é? Houve quem duvidasse da veracidade da mensagem, alegando uma escolha fraca da fonte e uma formatação pobre para umas instruções da Lego. O site PopSugar contactou a Lego, e confirmou que a imagem é original.

Só é pena que com o passar dos anos se tenha perdido esta mensagem sobre igualdade de género. Possivelmente, na época, por haver mais preconceito que nos dias de hoje, a Lego terá considerado necessário incluir esta mensagem nas instruções do brinquedo.

lego2
imagem@Reddit user DrWeeGee

 

 

Fonte PopSugar

“A partir daqui dei-lhes todos os dias Melamil e foi um descanso.”

Eu dei Melamil aos meus filhos

Queridos pais:

Esta carta não pretende ser uma crítica em relação às vossas escolhas ou aos conselhos dos pediatras em relação ao sono dos vossos filhos. Pretende sim, ser um relato de uma mãe que se sentiu a perder o Norte e a afundar-se, numa zona sem pé.

Tenho 3 filhos e fiquei 6 anos sem dormir uma noite completa. Todos sabemos dos efeitos da privação de sono num adulto. Imaginem numa criança.

Os meus filhos mais novos sempre (desde os 4 meses) dormiram a noite completa, mas com a mais velha foi tudo diferente. Amamentei-a até aos 10 meses e, na altura, mamava a cada 4h durante a noite. A introdução de alimentos correu muito bem e as rotinas das refeições sempre foram muito regulares. Inicialmente, não estipulei um horário de sono rigoroso: aos 9 meses fazia 3 sestas por dia, e por vezes ficava acordada ao serão connosco. Era o tempo que tínhamos para estar em família e aproveitámo-lo muito bem. Depois mamava e adormecia. O problema é que, quando estava eu no 1º sono, ela acordava para mamar. Mais tarde, passou aos biberons, mas nunca deixou de beber o seu leite à noite.

Conto isto, porque acredito que se lhe tivesse “tirado” o leite à noite, talvez não crescesse com um ritmo de sono interrompido.

O sono é uma coisa muito estranha que precisa de ter uma rotina estanque.

Mesmo em adultos, nós sabemos que basta uma ou outra noitada para nos estragar o ritmo de sono de uma semana.

Quando a minha filha acordava à noite para beber leite, se não lhe desse o seu biberon chorava estridentemente. Nesta altura, já tinha uma irmã bebé, com quem partilhava o quarto. Sempre foi mais fácil dar o leite do que gerir o problema. Mas não me critiquem, eu já estava num grau de cansaço extremo. E estava grávida do meu 3º filho.

Quando os ia deitar, dava de mamar ao bebé e colocava-o no berço. Depois deitava as meninas. A mais nova adormecia enquanto rezávamos. A mais velha ainda bebia um biberão de leite sozinha e, já na cama, pedia-me que ficasse um bocadinho com ela. Eu sentava-me na sua cama ora a contar uma história, ora em silêncio. A sua dificuldade em adormecer era grande, e veio a piorar com aparecimento dos medos que desenvolveu depois dos 3 anos – da morte, do escuro, de estar sozinha e até medo de não conseguir adormecer. A hora de ir para a cama tornou-se também para ela um problema.

E eu ficava lá.

Porque ninguém quer deixar uma criança aterrorizada à noite. Porque seria pior se chorasse e acordasse os irmãos. Porque me sentia encurralada num túnel de um só sentido.

Deixei de ter serões com o meu marido porque quando acabava de adormecer a minha filha, já só tinha tempo para deixar roupas e almoços preparados para o dia a seguir. Eu chegava a ficar 1h30 ou 2h no quarto com ela e a luz de presença.

Inconscientemente, por cansaço ou preguiça comecei a deitá-los cada vez mais tarde. Acho que o antecipar daquelas 2h começava a deprimir-me. Os meus outros filhos, por consequência, começaram também a deitar-se mais tarde. O que eu não previ foi que, passando a “hora do sono”, vem a excitação. E quando me apercebi disso, tinha os miúdos com 4, 5 e 7 anos, a deitar-se tardíssimo. Passavam metade do dia a chorar por tudo e por nada, começaram a comer MUITO pior, caíam e magoavam-se mais vezes, estavam sempre distraídos na escola, enfim. O cansaço tornou-se visível a olho nu. Tornámo-nos numa família que andava sempre aos gritos. E os miúdos também já gritavam uns com os outros.

Eu estava desesperada e resolvi agir.

Já tinha lido sobre o Melamil mas estava renitente em relação a medicar os meus filhos para dormir. Para quem não conhece, o Melamil  é um “suplemento alimentar natural à base de melatonina que ajuda a diminuir o tempo necessário para conciliar o sono.”

Foi a parte do “natural” que me convenceu. Pensei que sendo natural, mal não iria fazer.

Nem falei com o pediatra. Já estava decidida e agora não queria argumentos para voltar atrás.

Falei com umas amigas que me explicaram: “é maravilhoso para ajudar a adormecer, mas se for uma criança que acorda várias vezes à noite, vai continuar a fazê-lo.”

Tranquila. Agora só queria pô-los na cama cedo. Avancei.

Comprar Melamil

Comprei na farmácia onde não me perguntaram nada – nem se era a primeira vez, nem se foi o médico que recomendou, nada de nada. Parecia  tudo muito natural.

Li a posologia onde indica as doses recomendadas de acordo com as idades e adverte que o suplemento não deve ser administrado sem aconselhamento médico. Por isso, dei a dose mínima à minha filha para ver se resultava: 4 gotas, meia hora antes de se ir deitar.

Diz também que deve ser administrado durante 3 meses sempre à mesma hora. Achei um exagero: só precisava que se voltassem a deitar a horas decentes, e não faria sentido um tratamento tão longo.

No primeiro dia, 15 minutos após tomar as gotas, a minha filha mais velha pediu para ir para a cama. Eram 20h45. Nem queria acreditar. Entre lavar os dentes, deitar-se e eu dar um beijinho, já estava a dormir. Nem rezou. Não fiquei lá até adormecer. Não fiquei sem serão (pensei eu). Eu parecia maluca de radiante. Depois, tinha os outros dois, agora já com horários trocados, ainda a pé. Achei que vendo a irmã a dormir conseguia metê-los na cama sem stress ou demoras. Mas não foi assim. Começaram a chamar-me por tudo e por nada: um quer água, o outro tem frio e foi mais uma hora nisto.

No dia a seguir nem pensei duas vezes: gotas para todos.

Foi a loucura, antes das 21h estavam os três a dormir. Eles nem aguentavam os tais 30 minutos.

A partir daqui dei-lhes todos os dias Melamil e foi um descanso.

Até que um dia o frasco acabou. Nessa noite, sem gotas, tentei deitá-los à mesma hora destas últimas semanas, mas o sono chegou ainda mais tarde do que antes.

Lembrei-me que o tratamento deveria ser de 3 meses, então comprei mais uma embalagem.

E voltou a resultar. Nós começámos a descansar mais, os miúdos ficaram mais bem dispostos porque já estavam a dormir um número de horas apropriado à idade, verificaram-se melhorias a nível de rendimento escolar (nem falo em termos de avaliações, mas o entusiasmo e a concentração eram outros).

As rotinas de sono na nossa casa passaram a ser tão rigorosas como sempre foram as das refeições. Sentia-me feliz e orgulhosa.

Embalagem após embalagem, passaram 3 meses. O tratamento acabou.

Percebi que o tratamento tinha acabado e, sinceramente, nem me preocupei. As rotinas estavam tão bem impostas que seria impossível voltar perder o ritmo. Na verdade eu já nem me lembrava de como era quando eles se deitavam tardíssimo. Que estupidez… nem percebi como é que cheguei a esse ponto. Fui mesmo descuidada.

Às 20h30 pedi-lhes que lavassem os dentes e as mãos para irem para a cama. Assim foi. Mas enquanto estavam na casa de banho, a festa era grande porque um deu um pum e uma delas salpicou o espelho de pasta de dentes com a gargalhada que deu. A excitação era grande, e obviamente,  quando chegaram à cama não tinham sono.

A mais velha, ao aperceber-se que não estava a cair para o lado voltou a pedir que ficasse no quarto a fazer companhia. Não quis voltar atrás, agora já adormecia tão bem sozinha. Disse-lhe que não. Passados 15 minutos estava a chorar de pânico porque não conseguia adormecer. Os outros, mantinham-se na cama mas iam falando entre quartos. E eu, a tentar que acalmassem! Percebi que a confusão estava instalada, e que já não poderia voltar a usar o Melamil. Dei copos de água, fiquei um bocadinho em cada quarto, tinham calor, depois outra coisa qualquer.

O mais novo foi o primeiro a adormecer, eram 22h30. As meninas, adormeceram quase à meia noite.

O suplemento alimentar com melatonina criou nos meus filhos uma habituação tal que deixaram de conseguir adormecer sem ele. Sim, eu sei que dei sem aconselhamento médico. Aqui pensei que se calhar deveria ter dado outra dose, ou ter feito o desmame antes de completar os 3 meses… Mas estava completamente às escuras.

Comecei a imaginar que toda a vida iriam precisar de suplementos para dormir, e que a culpa era minha.

Rotinas

Resolvi então mudar alguns hábitos nas suas rotinas, e ao mesmo tempo, arranjar maneira de começarem a produzir melatonina de forma natural.

Deixaram de ver televisão e brincar com gadgets depois da hora do jantar. Está provado que o uso excessivo de gadgets tira o sono. É chamada a “Insónia tecnológica”(dizem).

A luz, também diminui a produção de melatonina, por isso, passei a luz de presença para o hall e gradualmente fui diminuindo a abertura das portas para os quartos, até que se habituaram a adormecer totalmente à escuras, e sem medos.

Todos os dias à mesma hora, começaram a ir para a cama cada um com o seu livro, para 15 minutos de leitura.

Alimentação

Depois investiguei sobre a alimentação: o que poderia dar-lhes que aumentasse a produção de melatonina (que é o que faz o melamil)?

  • Abacaxis
  • Arroz
  • Aveia
  • Azeite
  • Bananas
  • Cebola
  • Cerejas
  • Cevada
  • Espargos
  • Gengibre
  • Laranjas
  • Milho doce
  • Nozes
  • Sementes de linhaça, sementes de abóbora, sementes de chia
  • Tomates
  • Uvas

Estes foram alguns dos alimentos que descobri que estimulam a produção de melatonina, e que dei aos meus filhos.

É importante ressalvar, que o ideal é dar estes alimentos em cru, para que sofram o mínimo de alterações e cumpram mais eficazmente a sua função.

Estas alterações resultaram e, hoje em dia, os meus filhos deitam-se a horas normais para as idades.

Mas este processo não foi do dia para a noite.

Passámos mais de 6 meses a cumprir rigorosamente uma rotina “tolerância zero” quer fosse fim de semana, férias, ou dia de escola.

Obrigou-me a repensar muitas vezes os menus, para conseguir incluir ao máximo os alimentos em questão, tanto ao almoço como ao jantar. A melatonina estimulada por alimentos não deve ser ingerida apenas ao jantar: “o organismo habitua-se a produzir a hormona e depois torna-se um acto continuado, que sincronizado com as rotinas e um ambiente propício, ajudará a criar e a manter um ritmo saudável do sono.”

Esta é apenas a minha história que já foi criticada por muitas mães de crianças que nunca foram um problema para adormecer e por tantas outras, que tendo o mesmo problema, deram Melamil aos filhos durante um curto período de tempo, e resultou. Sabemos que todas as crianças são diferentes, e o que funciona para umas não funciona para todas.

Por isso, antes de se porem a achar que fui má mãe saibam que fui a mãe melhor que consegui ser. E continuo.

 

Por Margarida Alvim, carta de leitora, para Up To Kids®

As princesas dos nossos dias

Hoje os contos de fadas mudaram, as princesas mudaram de atitudes.

Espantem-se só, hoje em dia já não existe uma Cinderela em casa, a lavar e a esfregar o chão à espera que o príncipe encantado a venha salvar de um trágico destino.

Já não existe a Rapunzel presa numa torre, deixando o seu cabelo crescer até mais não para servir de corda para o seu príncipe a salvar de uma vida de prisioneira.

Já não existe a Branca de Neve, que limpa a casa aos sete anões, lava, cozinha, passa a ferro enquanto foge da malvada madrasta, esperando o beijo do príncipe encantado.

Todos os contos que representavam o fantástico, a magia, o “ser feliz para sempre”, a salvação da princesa (mulher) pelo príncipe encantado, mudaram. Tal como mudou a importância dada à beleza feminina e o grande final: o casamento “e viveram felizes para sempre”.

Deixaram de ser frágeis, submissas, encantadoras, assertivas, ingénuas, doces e conformadas com o destino, acalentando a esperança de serem salvas, libertadas, por um príncipe.

Hoje os contos de fadas são mais reais, colocando a princesa como salvadora de si mesma. Como lutadora. Corajosa. A que sai do castelo sozinha para se salvar. A que bate o pé para falar, mostrando ter opinião própria.

Hoje temos a princesa Mérida de cabelos ruivos que mostra que a mulher pode ser o que ela quiser, protagonista dos seus sonhos.

A Fiona, que é dona do seu próprio destino, da sua vontade, forte e independente. Que come o que lhe apetece, que até dá uns arrotos e se ri de si mesma. Que não tem medo de um sapo!

As princesas Elsa e Anna do filme Frozen, independentes e alegres, que não precisaram de encontrar o príncipe encantado para serem felizes.

A princesa Mulan, que se descolou de todos os estereótipos criados para as princesas, cortando o seu cabelo para ir para a guerra, fingindo ser homem, não esperando que alguém a salve, lutando por aquilo que quer.

Hoje em dia, sim aos contos de fadas, que estão a mudar. Que são mais reais.

A representação, o imaginário, o faz de conta, o “era uma vez” é tão importante na vida de uma criança. Elas precisam de exemplos com os quais se possam identificar e inspirar. O que queremos ouvir de uma menina quando perguntamos “o que queres ser quando fores grande?” Uma princesa? Sim. Que seja! Que vista os vestidos cor-de-rosa e que tenha também a “espada na mão” para ir à luta.

Assistimos então ao desenvolvimento do termo princesa e a adequação à realidade dos nossos dias quando a princesa não espera sentada que o seu príncipe a salve, porque ela hoje salva-se a si própria.

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Trata os teus filhos como gostarias de ser tratado

Anula os teus medos, ajuda-os a identificar as emoções, oferece-lhes o teu tempo, realiza os seus sonhos e faz com que sintam que são as pessoas mais valiosas do mundo.

Atualmente muitas mães/pais encaram o presente e futuro dos filhos com algum receio. Lêem diversos manuais de educação, tentam estar a par das mais recentes teorias e procuram respostas para tudo na internet ou em conversas com amigos (independentemente de serem ou não pais), como se fossem verdadeiros gurus em questões parentais.

Estes pais esquecem-se de dar ouvidos ao mais valioso trunfo que podem ter: o seu instinto natural.

O instinto de uma mãe ou a capacidade natural de um pai no momento de perceber e identificar as necessidades dos seus próprios filhos é, sem dúvida, a melhor estratégia para educá-losOs filhos chegam ao mundo com uma bondade inata, e merecem ser tratados com respeito, encarando com naturalidade e sem medo cada acontecimento que o dia a dia nos traz.

Os filhos devem ser tratados com afeto e sem medos

Existem mães/pais que têm medo de falhar nos seus papéis como progenitores.  Todos querem ser bons pais (os melhores), e a preocupação constante quanto ao bem-estar e à estabilidade dos filhos é muitas vezes confundida e compensada pelo consumismo desenfreado e desnecessário.  Estes pais acreditam que não lhes dar aquela festa de anos top, não ter vaga na melhor (e por vezes mais cara) escola da cidade ou não lhes comprar todas as roupas de marcas xpto que os colegas usam nos intervalos das aulas pode vir a ser uma tragédia Franciscana. No fundo, estes pais querem oferecer aos seus filhos aquilo que eles próprios não tiveram.

Cada um é livre para escolher como educar um filho, mas muitas vezes esquecemo-nos como são as crianças e como se adaptam e vivem as situações.

Andamos obstinados na constante procura dos melhores locais/preços para lhes comprarmos tudo o que inconscientemente acreditamos ser necessário para a sua felicidade, e esquecemo-nos do mais importante, daquilo que os nossos filhos mais precisam e prezam: o nosso tempo.

  • Uma criança não é um adulto em miniatura, é uma pessoa que precisa de perceber o mundo através dos pais.
  • Uma criança age sempre por necessidade e não por manipulação ou malícia como os adultos. Temos que ser intuitivos perante cada situação.
  • Uma criança deve, acima de tudo, ser tratada com afeto.
  • Os nossos filhos não precisam de roupas de marca ou gadgets para serem felizes. Precisam, sim, do nosso tempo, do nosso exemplo, dos nossos abraços de boa noite e das nossas mãos para os guiarem.

A criação autorregulada: compreender e acompanhar

A criação autorregulada baseia-se nas teorias do apego formuladas pelo psiquiatra Wilhelm Reich. Estas teorias exaltam uma série de conceitos-chave mediante os quais é possível aprendermos a conectarmo-nos mais facilmente com a infância, com os seus tempos e as suas necessidades.

A autorregulação é sinónimo de vida, da necessidade de fazer contato pela primeira vez com a nossa própria complexidade pessoal, para entender que a criança também tem suas próprias necessidades, os seus próprios conflitos, por vezes, gerados por uma sociedade que não compreende a infância e nem a criança.

Chaves para uma criação autorregulada

A criação autorregulada defende que uma criança tratada com respeito na sua infância e que também viu como os pais a respeitarem aqueles que os rodeavam será um adulto respeitoso.

Mas como podemos alcançar essa conquista? Como pode a criação autorregulada ensinar-nos a criar adultos felizes para o mundo?

Uma criança deve-se sentir compreendida e acompanhada em todos os momentos. Se a frustração aparece, a criança deixa de se sentir integrada e desadapta-se do modelo familiar.

É preciso educar com um apego saudável baseado no amor e na proximidade. Desta forma, pouco a pouco esta criança vai-se sentir segura para dar os seus próprios passos para a independência.

A voz de uma criança deve ser escutada em todos os momentos, quando ri e quando chora, quando exige ou quando sugere.

A criação autorregulada também nos fala do tempo:  defende que não se deve iniciar a aprendizagem  intelectual até a criança perfazer 7 anos, de forma a permitir que esta goze de uma infância de descobertas através da brincadeiras e da exploração do meio que a rodeia

A interacção através dos cinco sentidos e das relações com os pares, nos ambientes onde a criança está inserida mediante a alegria,  oferece-nos um modo interessante de favorecer o seu desenvolvimento psico-social.

Concluindo: independentemente da abordagem que cada um escolhe para criar os seus filhos, o importante é premiar a simplicidade de trata-los com a mais potente e eficaz fórmula mágica: o amor!

 

Texto de Valéria Amado, em A mente é maravilhosa, adaptado por Up To Kids®

Alunos do 1º ano já podem escrever e pintar nos manuais escolares gratuitos

Quem tem filhos no 1º ano, lembra-se da polémica declaração do Ministério da Educação quando avançou com a notícia de que os manuais escolares para o 1º ano do 1º ciclo distribuídos gratuitamente aos alunos. Posteriormente foi explicado minuciosamente todo o processo: os pais deveriam levantar os livros no início do ano, e assinar uma declaração comprovativa de que iriam devolver os referidos manuais (Português, Matemática e Estudo do Meio) em bom estado no final do ano letivo, para que fossem reutilizados pelas crianças do ano a seguir. Até aqui tudo bem. (Quer dizer, tudo mal, porque muitos pais já tinham assumido que receberiam os manuais de forma gratuita, ponto. Quando perceberam que teriam de devolver no final do ano, independentemente do plano  ser beneficiar outras crianças, reciclar, poupar dinheiro aos cofres do estado, ou salvar as baleias do planeta, os pais ficaram zangados. Mas isto dava para outro artigo!) Ora, então a questão é que os manuais deveriam ser devolvidos em bom estado. Mas quando percebi que os manuais continham exercícios para preencher, autocolantes para colar, figuras para destacar, questionei-me como iriam fazer esta gestão. Na secretaria da escola descansaram-me: “Mãe, ele faz no livro a lápis” – e assim tem sido.

Obviamente, que já me estava a ver no final do ano a entregar os manuais, e ser informada de que não estavam em condições para outra criança utilizar (e não estão. Estão preenchidos e com autocolantes colados). Nesse caso, o que aconteceria, é que eu teria de pagar os manuais na íntegra, e acabava por ficar com eles.

Hoje, o Público avançou com a notícia de que  “O Ministério autoriza alunos a escrever e pintar nos manuais gratuitos”. A questão agora é saber como poderão os livros ser reutilizados nestas condições, conforme intenção inicial do governo.

Segundo o Público “Pais e professores são unânimes na resposta: tal não vai ser possível. E não só com os manuais do 1.º ano, mas igualmente com todos os outros anos do 1.º ciclo que, segundo a proposta de Orçamento do Estado para 2017, serão gratuitos já no próximo ano lectivo.”

Conclui-se que apesar do pressuposto ser uma boa iniciativa, todo o processo deverá ser revisto nomeadamente a criação de manuais cujos exercícios se preenchem num caderno à parte!

 

 

 

 

Há muito tempo que os pais se queixam do excesso de TPC que as crianças trazem diariamente para casa. Se pensava que era um mal do ensino português, desengane-se, porque mesmo aqui ao lado no país vizinho os trabalhos de casa ocupam aos alunos uma média de 6,5 horas/semana, colocando-o como um dos países em que os professores sobrecarregam mais os alunos com os deveres.

Em reação ao cansaço extremo e falta de tempo em família e para brincar, a Confederação Espanhola de Associações de Pais e Mães de Alunos, Ceapa, que representa cerca de 12 mil associações, convidou as famílias das várias comunidades autonómicas espanholas a fazerem uma greve aos TPC´s durante o mês de Novembro.

Os argumentos da Ceapa é que os trabalhos de casa “invadem o tempo das famílias” e “violam o direito ao recreio, à brincadeira e a participar nas atividades artísticas e culturais”, tal como vem descrito no artigo 31 da Convenção dos Direitos da Criança.

O presidente da Ceapa, José Luis Pazos, declarou ao El Mundo que os pais querem “recuperar o tempo familiar dos fins-de-semana”. “Também queremos que o modelo mude e que se dê um salto qualitativo no sistema educativo. Escolas de outros países funcionam sem trabalhos de casa, sem livros de texto e sem exames e obtêm resultados magníficos“, realçou.

A OCDE alerta que os trabalhos de casa “reforçam a disparidade socio-económica entre os estudantes” e “aumentam o intervalo entre os ricos e os pobres”.

Homens desistem de estudo que testa pílula hormonal masculina porque sentiram alterações de humor. Mulheres de todo o mundo – LOL

Um grupo de investigadores desenvolveu um contraceptivo masculino com uma taxa de sucesso de 96%. Os testes humanos terminaram antecipadamente porque 20 dos homens sentiram mudanças de humor.

Os contraceptivos Hormonais são incríveis. Permitem que as mulheres controlem o planeamento familiar. São inúmeras as razões que os tornam num dos mais importantes avanços médicos do séc. XX, mas sabem que mais? A verdade é que ninguém fala do elefante no meio da sala: os contraceptivos Hormonais provocam alterações hormonais, e isso é uma treta!

Ao longo dos anos as mulheres têm lidado com oscilações de peso, alterações de humor, acne e outros efeitos secundários da pílula. E ainda é um método contraceptivo altamente recomendado, claro que sim! É assumido que as mulheres aguentem a dor e algum desconforto. Está implícito na sua maneira de estar. De viver. Precisam de exemplos? Parto natural. Cólicas menstruais. Ah, e cada efeito secundário lembra-nos que somos as responsáveis por evitar uma gravidez não planeada.

Hoje em dia, a tão esperada pilula hormonal masculina, está em vias de teste. Parece que finalmente teremos um contraceptivo eficaz e que ficará à responsabilidade dos homens…Ou talvez não, porque o estudo teve de ser interrompido quando 20 dos 320 homens não conseguiram lidar com os efeitos secundários.

O estudo divulgado na semana passada revelou que uma injecção contraceptiva masculina poderia ser quase tão eficaz quanto a pilula, apresentando uma taxa de sucesso ed 96%. O estudo recrutou 320 homens com idades compreendidas entre os 18 e 45 anos. “20 homens interromperam o estudo devido aos efeitos secundários: deste 20, 6 alegaram ter mudanças de humor, 6 descontinuaram por verificar uma das seguintes situações acne, dor ou pânico na primeira injeção, palpitações, hipertensão e disfunção eréctil. 8 Homens interromperam por sentir mais de um efeito secundário, incluindo várias queixas de mudanças de humor.

No mês passado, um estudo massivo confirmou que as mulheres que tomam contraceptivos orais continuadamente são mais propensas a depressões. Mulheres que tomaram pilula contraceptiva oral combinada são 23% mais propensas a ser diagnosticadas com depressão; mulheres que tomam pílulas de progestagênio (aka “minipílula”) são 34% mais propensas a ser diagnosticadas com depressão; Na adolescência o risco de depressão aumentou 80%  nas jovens que tomaram a pilula combinada, e o dobro nas que tomaram Minipilula.

No entanto, o controlo da natalidade hormonal é amplamente acessível para as mulheres, e os efeitos como aumento de peso, depressão, mudanças de humor e acne, são considerados o preço a pagar.

Um comunicado de imprensa sobre o estudo revelou: “Segundo o novo estudo, os homens já podem tomar uma injecção para evitar engravidar as suas parceiras. Os especialistas ainda estão a trabalhar de forma a aperfeiçoar a combinação de contraceptivos hormonais de forma a reduzir os efeitos secundários leves e moderados, incluindo a depressão e transtornos de humor. Neste processo, seria bom (óptimo) se os investigadores a par das empresas farmacêuticas abordassem a saúde das mulheres de forma semelhante.

A verdade é que as mulheres têm duas vezes mais probabilidades de sofrer de depressão, e os homens precisam de uma pilula com zero efeitos secundário para que seja colocada no mercado. Será que os investigadores, a indústria farmacêutica e “o raio que os parta” pode começar a pensar, também, na nossa saúde mental?

É curioso que ainda assim sejamos constantemente consideradas o “sexo fraco”. Imaginem que eram os homem que tinham de ter os bebés: possivelmente seria a extinção da raça humana porque só estariam dispostos a engravidar se tivessem a garantia de que não teriam dores, oscilações de peso e todos os outros “brindes” que a gravidez e o parto nos trazem.

Homens desistem de estudo que testa pílula hormonal masculina porque sentiram alterações de humor? LOL

 

Por Maria Guido, publicado originalmente em Scary Mommy,

 

autorizado, traduzido e adaptado para Up To Kids®

A propósito do artigo aqui publicado ontem, um leitor da Up To Kids® lembrou-se deste texto do pediatra Mário Carneiro, e sugeriu a sua partilha. Com bastante pertinência, pois o tema que se debateu aqui foi a Escola enquanto modelo de aprendizagem ou local de avaliação. Fica para reflexão:

«Quando surgir um ministro que entenda que a escola não existe apenas para aprender a ler, escrever e fazer contas, talvez haja uma luz ao fundo do túnel…

A Escola é parte integrante da vida das crianças, pelo menos até cerca dos 17 anos. O seu dever é descobrir talentos e competências, detetar fragilidades, dar informação, gerar conhecimentos e, sobretudo, transmitir sabedoria que seja geral e sólida, mas respeitando a diversidade individual. Cada um tem as suas competências mas também as suas incompetências: o objetivo é dar o melhor de si próprio e atingir o máximo das suas faculdades, e não ter como meta ser “o menino do Quadro de Honra”… mal estará a noção de honra, se esse for o caso!

Outro aspeto tem a ver com os ritmos de ensino, as longas aulas em que os alunos têm de estar mudos e quedos, com professores que não toleram ser questionados, odeiam argumentação e não aceitam que possa haver estudantes que sabem mais do que o mestre, em aulas em que não se respeitam, nem a biologia, nem a psicologia das crianças. Há professores e professores. Mas ainda se registam muitos casos de “ensino à moda antiga”, com s´tores papagueando temas e veiculando informação, como se abrir a cabeça aos alunos e enchê-la de dados fosse o passaporte para uma vida feliz. A política atual do ministério, aliás, vai ao encontro desta forma bafienta de pensar, dado que a criatividade, a estética, a música, as artes plásticas ou o desporto, por exemplo, são os parentes pobres da Escola.

Para lá disso, o que se aprende na Escola tem de ser sedimentado em todos os lados. As fontes de informação, conhecimento e sabedoria são cada vez mais vastas, da casa à rua, passando pela televisão, internet, livros, amigos, vizinhos, casos reais, ficção… assim, a Escola não é “a única que ensina” e tem de ter a humildade de pensar que complementa o resto, designadamente o que é feito em casa, e não educa, mas sim desenvolve uma relação em que uns aprendem e outros ensinam, e nem sempre os protagonistas são os mesmos. Levar isto à prática faz com que se tenha de repensar praticamente tudo e abandonar alguns dos métodos de gerações anteriores. Querem melhor desafio?
É também essencial a descoberta de talentos e competências – exigirá uma revisão ampla dos objetivos da Escola e dos sistemas de classificação. Há competências sociais e humanas que não são classificáveis, mas o atual sistema é ínvio porque conduz, desde o início, à conclusão de que a performance académica é a única que interessa. Basta ser bom a matemática ou a ciências, mas pode ser-se um “bandido sem escrúpulos”. O contrário será bastante penalizador… A Escola deve estar atenta aos talentos e capacidades, para desenvolver pessoas livres e felizes, assertivas e solidárias, e sobretudo ecléticas, que vivem uma vida própria e relacional.

Uma última palavra para o ambiente, que tem de ser acolhedor, à medida dos alunos e dos professores, onde a exploração dos limites do corpo possa ser exercitada sem perigos mas com riscos controlados. Onde os alunos se sintam bem e felizes, condição indispensável para o sucesso educativo. Um ambiente de qualidade, a todos os níveis, com regras, normas e rigor, mas com humor, alegria e descontração. Uma Escola assim fará mais pelo civismo e pela cidadania, e pelo futuro dos estudantes, do que milhares de “pregações” feitas por adultos em promessas de campanhas eleitorais. » In Pais e filhos, Pediatra Mário Cordeiro