Aplicar o método coaching no desenvolvimento dos filhos

Certa noite, na sala de nossa casa, estava uma das minhas filhas e eu.
Eu estava sentado num dos sofás a terminar uma apresentação que teria de fazer no dia seguinte em Aveiro e ela estava ajoelhada no tapete a trabalhar em cima da mesa de centro.
A minha filha frequentava o 3.º ano e tinha descoberto nessa semana o compasso enquanto objeto possibilitador de formas geométricas muito atrativas pela sua perfeição – os círculos. E, nesse momento, estava precisamente a explorar o compasso, concentrada na tarefa de fazer círculos de diâmetros diferentes.
Eu continuava a preparar o trabalho que tinha entre mãos e, num dado momento, a minha filha levanta-se de rompante e diz aborrecida: «Pai, isto não está a funcionar! Está só a escorregar!»
Confrontado com esta reclamação por parte dela, perguntei:

– O que é que não está a funcionar?

Ao que ela me respondeu da seguinte maneira:

– Pai, tenho a folha de papel em cima da mesa, mas a mesa é de vidro e quando tento fazer um círculo grande com o compasso muito aberto, o bico do compasso escorrega por estar em contacto com o vidro da mesa!

E aqui tomei consciência que poderia enveredar por diversos caminhos, nomeadamente explicar-lhe como fazer para solucionar a situação – adotando uma atitude de consultoria, ou, por outro lado, questioná-la no sentido de ser ela própria a descobrir a solução – apelando à melhor atitude Coach.

E assim se desenrolou o seguinte diálogo entre nós:

– Já percebi qual a tua situação, mas diz-me qual é mesmo o teu objectivo?

– Quero que, ao abrir o compasso para desenhar círculos grandes, o bico não escorregue no vidro.

– E como podes solucionar essa situação?

– Bem… se o bico não estiver em contacto com o vidro, fica resolvido!

– E o que podes fazer para que isso aconteça?

– Hummm… Já sei! Posso ir buscar um cartão e pôr debaixo da folha de papel, assim o bico do compasso toca no cartão e não no vidro!

– Se acreditas nessa solução, por que não experimentas?

E aí foi ela em busca de um cartão para colocar debaixo da folha de papel. Claro que todos podemos antecipar o resultado – foi um sucesso! O bico do instrumento deixou de escorregar por já não se encontrar em contacto direto com a mesa de vidro.
Este foi um episódio que ficou muito presente em mim, pois a simplicidade e a espontaneidade com que decorreu, prova que o Coaching pode ser utilizado com naturalidade em qualquer lugar entre quaisquer pessoas. Com a enorme vantagem de provocar descoberta e conhecimento genuíno – que surge de dentro daquele que chega por si mesmo a determinada conclusão; e realização pessoal – quando ao colocar ação na ideia, atinge o que pretende.
Se eu tivesse revelado à minha filha qual a solução para aquele desafio, sem que estimulasse a sua capacidade de o fazer por ela mesma, tudo acabaria por acontecer – o cartão acabaria por aparecer debaixo da folha de papel, etc.

Mas ela própria não se teria explorado interiormente, nem se teria confrontado com aquilo que sabe e aquilo em que acredita, e consequentemente não teria escolhido por ela mesma, mas teria obtido antes uma solução que, apesar de boa, não teria sido dela.
O meu lado ‘aconselhador’ poderia ter saltado de mim e tê-la ‘afogado’ com inúmeras soluções, mas preferi ter feito silêncio e ter dado a oportunidade de ter sido ela a atingir algo que procurava, limitando-me eu a estar na retaguarda, a dar estímulo e apoio, respeitando a vida que acontecia em frente dos meus olhos e fazendo as perguntas adequadas à evolução daquele ser humano.

O mérito foi dela, as escolhas foram dela!

Se estivermos certos de saber o que é melhor para os outros e sentirmos o impulso de fornecer imediatamente soluções, é o momento de nos perguntarmos se, porventura, somos todos iguais e se as soluções que se revelaram boas para nós serão as ideais para os que nos rodeiam. Importa darmos o devido espaço, acreditando que todos os indivíduos têm valor, têm potencial para evoluir utilizando a própria criatividade e são os verdadeiros especialistas da sua própria vida.

Procuremos profundamente explorar o nosso lado Coach, silenciando os nossos impulsos, escutando ativamente e colocando as questões adequadas, ajudando os outros a brilhar.

 

Por Telmo Marques, para Up To Kids®

imagem@bt.dk

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Rosie Dutton, uma professora britânica, explicou de uma forma criativa e bem eficaz os efeitos do bullying.

Rosie apenas precisou de duas maçãs.

Por fora, as frutas eram aparentemente iguais: grandes, muito vermelhas, daquelas que escolhemos nos mercados.

Só que, antes de levá-las para a sala de aula, a professora bateu com uma delas no chão repetidamente, mas de forma delicada. As crianças não souberam disso.

Na sala de aula mostrou as duas maçãs aos alunos, e pediu-lhes que as descrevessem. As semelhanças entre elas eram evidentes.

“Peguei na maçã que tinha atirado ao chão e comecei a dizer às crianças o quanto eu não gostava dela, que eu a achava nojenta, com uma cor horrível e que o pincaro era muito curto. Eu disse-lhes que, por eu não gostar daquela maçã, queria que elas também não gostassem, então elas deveriam insultar a fruta.”

As crianças olharam para Rosie admirados, mas começaram a passar a maçã de mão em mão, e cada aluno fazia um insulto à maçã. “És feia!” “Cheiras mal” “Não prestas”

“Nós ofendemos mesmo aquela pobre maçã. Até me senti mal por ela.”

De seguida, Rosie pediu que passassem a segunda maçã de mão em mão e que todos a elogiassem: “Que maçã adorável”, “A casca é bonita“, “Tens uma cor linda”.

Depois a professora segurou as duas maçãs e, em conjunto com as crianças, falaram sobre as suas semelhanças e diferenças. Aparentemente continuavam iguais..

A professora cortou as duas maçãs ao meio. A maçã elogiada era clarinha, fresca e sumarenta por dentro.

A maçã insultada estava cheia de marcas, nodoas negras, e estava mole por dentro por dentro.

Acho que as crianças tiveram uma espécie de iluminação naquele momento. Entenderam que, o que vimos no interior das maçãs representava cada um de nós quando se sente ofendido, triste por alguém nos maltratar através de ações ou palavras“, explica no post que fez no Facebook.

Quando as pessoas sofrem de bullying, especialmente as crianças, sentem-se péssimas por dentro e muitas vezes não demonstram nem exteriorizam o que estão a sentir. Se não tivéssemos cortado aquela maçã ao meio, nunca teríamos percebido este efeito

Na semana anterior, Rosie havia partilhado com as crianças uma situação em que ficou triste com as ofensas de uma pessoa.

Nós podemos impedir que isso aconteça. Podemos ensinar às crianças que que não devemos insultar, maltratar, ou gozar com os colegas. Podemos ensinar que devemos sempre defender os coleguas e não colaborar com qualquer tipo de bullying, tal como aluna  hoje, que se recusou a insultar a maçã.”

A esclarecedora lição foi dada numa aula chamada Relax Kids. Nesta aula, a professora e a escola oferecem ferramentas e técnicas para as crianças lidarem com os seus sentimentos e emoções, e ajudam os alunos a aprender a lidar com o  stress ou ansiedade.

Rosie Dutton diz que esta postura é transversal a todas as aulas. Mas nesta disciplina, especificamente, fala-se sobre emoções e as atividades realizadas promovem o trabalho em equipa, o respeito, o apoio aos colegas, a resolução de conflitos, a auto-estima e a confiança. Neste espaço pretende-se ainda divulgar espaços e criar elos seguros com as crianças, para que saibam onde e a quem devem recorrer se sentirem que precisam de ajuda.

Esta valiosa lição pode e deve ser transmitida aos nossos filhos na escola, em casa, nas actividades, onde quer que vão. Quanto mais cedo as crianças perceberem o efeito do Bullying, mais depressa estarão atentas ao que se passa em seu redor de forma a poderem proteger alguma vítima, ou protegerem-se a si próprias. É importante que as crianças entendam que se forem postas de parte ou insultadas pelos colegas a culpa dão é delas. Mas deles. E que eles são os bullys.

 

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A obesidade infantil é cada dia mais preocupante. As mudanças nos hábitos de consumo e alimentação têm feito desse mal um problema a nível mundial.

As crianças têm sido vítimas da falta de conhecimento dos pais e da sociedade. Alguns alimentos vendidos como “saudáveis”, na verdade são fontes de carboidratos simples, conservantes, e outros produtos químicos que além de fazerem mal à saúde ainda enchem o organismo de toxinas que podem impedir o funcionamento natural do metabolismo e causar descontrole hormonal.

Por isso, pais, fiquem atentos aos alimentos perigosos para a saúde e peso do seu filho. Aqui estão 5 deles que parecem inocentes, mas não são.

       1. Sumos empacotados

Muitos pais bem-intencionados incentivam os filhos a parar de beber refrigerante substituindo-os por sumos. O problema é que na maioria das vezes o açúcar contido num pacote de sumo é superior ao do refrigerante. Não defendemos o consumo de refrigerantes, aliás, acreditamos que estes deveriam ser banidos da alimentação de qualquer ser humano.

       2. Sumos de fruta

Parecem tão saudáveis, não é? Mas não é bem assim. Vários médicos têm condenado os sumos de frutas. A frutose, que é o açúcar das frutas, é tão prejudicial quanto as bebidas à base de cola, afirma o Dr. Richard Johnson, da Universidade do Colorado, causam obesidade e hipertensão. Para o Dr. Lair Ribeiro, cardiologista e nutricionista, a frutose é um veneno que é combatido pelas fibras das frutas. Por isso, em vez dar sumo aos seus filhos, dê a fruta – moderadamente nos casos de necessidade de perder peso – e água.

        3. Salsichas e enchidos

Relativamente à salsicha os problemas são grandes. Segundo a nutricionista Natália Coelho, “A salsicha tem oito vezes mais gordura e 38 vezes mais sódio que o frango cozido“. Além disso, a salsicha tem nitrato que é cancerígeno, e (…) “gordura saturada, que é também responsável pela obesidade infantil crescendo na nossa população” (…) “problemas de hipertensão arterial e desenvolvimento de doenças crónicas“. O peito de peru industrializado, considerado saudável não fica atrás tanto na questão do nitrato quanto na quantidade de sódio que causa hipertensão e retenção de líquidos.

        4. Pipocas de micro-ondas

Embora seja prático e muito saborosas, as pipocas de micro-ondas têm em média 150 calorias por chávena. Ao contrário das pipocas simples que tem 31 calorias por chávena. Mas, ainda é possível fazer pipocas saudáveis no micro-ondas: Coloque meia chávena de grãos de milho nem um pacote de papel (papel de pão), feche e leve ao micro-ondas por 2 minutos na potência média. Se quiser acrescente uma pitada de sal. Pronto! De um pacote (industrializado) com 490 calorias você reduziu para apenas 100 calorias.

        5. Pão

O nosso inocente pãozinho de cada dia é responsável por um índice glicémico equivalente a 2 colheres e meia de açúcar! O Índice glicémico mede o quanto um determinado carboidrato pode elevar o nível de glicose no sangue e em quanto tempo. Quando um alimento tem o índice glicémico até 75, é considerado de baixo IG. Já aqueles com mais de 95 de índice glicémico são considerados de alto IG. O pãozinho francês tem um índice aproximado de 95 a 100. Isso significa mais glicose no sangue, mais liberação de insulina pelo pâncreas e o resultado é ganho de peso.

Antigamente, ou seja, antes da junk food, quando as pessoas faziam refeições completas, a obesidade era algo raríssimo. O que se comia nos anos anteriores à segunda metade do século XX? Geralmente arroz, carnes, ovos, frutas, legumes e verduras, queijo, etc – tudo orgânico ou feito com alimentos orgânicos. Tratava-se de uma alimentação muito mais paleo do que a de hoje em dia, com pouco uso dos alimentos processados. Os doces eram compotas de frutas adoçadas com rapadura ou melado, eram servidas como sobremesa e consumidas em pouca quantidade. O segredo para deter a obesidade infantil é voltar-se a uma alimentação sem açúcar refinado, sem gordura trans, sem conservantes e outros aditivos químicos, enlatados, salgadinhos, enchidos (antigamente o único enchido eram as linguiças caseiras sem conservantes). Quanto mais primitiva a alimentação, mais saudável ela será.

Além disso, as crianças brincavam ao ar livre todo o dia. Mexiam-se, corriam, saltavam, e brincavam ao sol e à chuva, ao contrário do que vemos hoje.

Por Stael Ferreira Pedrosa, publicado em Familia.com.br, adaptação de Up To Kids®

 

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imagem@camagroup

Uma criança difícil é, geralmente, uma criança insegura que procura reconhecimento constante.

Por trás de cada criança difícil esconde-se um caos emocional revestido de raiva e até de desobediência, que nunca é fácil de abordar por parte dos pais ou professores.

Recorrer ao castigo ou às palavras num tom mais elevado e agressivo, apenas conseguirá intensificar ainda mais as emoções negativas, a sua frustração e até a sua baixa autoestima.

Nunca saberemos o porquê de algumas crianças nascerem com uma personalidade mais complexa do que outras.

No entanto, em vez de perdermos tempo a perceber a razão para a personalidade difícil das nossas crianças, devemos entender, simplesmente, que há pessoas que têm mais necessidades, que precisam de mais atenção.

Façamos uma reflexão sobre isto.

Crianças difíceis são crianças exigentes

Uma criança difícil não ouve, não obedece e costuma reagir de forma desmedida a certas situações. Isto faz com que mergulhemos num círculo de sofrimento onde o vínculo com esta criança vai sendo carregado de tensões, ansiedade e muitas lágrimas.

Muitos pais e mães acabam por se questionar. “Serei um mau pai/mãe?” “Estarei a fazer algo errado?”

Estas questões são perfeitamente normais, mas irão apenas alimentar ainda mais a frustração. Antes de cairmos nest espiral, esperimentemos algumas estratégias.

Assumir que temos um filho mais exigente

Há crianças que crescem sozinhas, que sem sabermos como nem porquê são mais maduras, receptivas, obedientes e autónomas. No entanto, é perfeitamente normal que algum dos irmãos desta mesma criança demonstre, desde os primeiros meses de vida, mais necessidades e requeira mais atenção dos pais. São bebés que choram mais do que o normal, que dormem pouco e que vão do riso ao choro em poucos segundos.

  • Temos de assumir que há crianças “super-exigentes”. Precisam de mais reforços, mais apoio, palavras e segurança.
  • Longe de nos culparmos por termos “feito algo errado”, devemos entender queo estilo de criação nem sempre é o responsável por moldar uma criança difícil.

No entanto, é da nossa responsabilidade saber (pelo menos tentar) dar uma resposta a esta criança exigente e isso requer paciência, esforços e muito carinho.

Saber lidar com uma criança difícil

Se para os adultos já é difícil poder compreender e controlar as nossas emoções, para uma criança exigente isso será ainda mais complicado. Por isso, analisemos quais necessidades imediatas de uma criança difícil.

  • Uma criança difícil procura sentir-se reconhecida em tudo o que faz. São crianças inseguras que precisam de reforços com muita frequência. Quando não os encontram ou não os recebem, sentem-se frustradas e incompreendidas.
  • A autoestima baixa faz com que sintam ciúmes(até dos irmãos), com que procurem atenção para se sentirem bem, com que sintam tudo de forma mais intensa, nomeadamente emoções como o medo e a solidão.
  • Conforme vão crescendo, a sensação de insegurança pessoal e de falta de reconhecimento traduz-se em raiva e em reações desproporcionais quando, no fundo, o que existe é apenas medo, tristeza e angústia.
  • É necessário canalizar estas emoções e oferecer estratégias para que a criança deixe de precisar de tantos reforços externos para se sentir bem. Esta criança deve ser capaz de controlar o seu próprio mundo emocional com a nossa ajuda.

Chaves para ajudar uma criança difícil

  1. O poder do reforço positivo
    O reforço positivo não consiste em dar um abraço quando uma criança faz algo que não deve. É mais que isso: trata-se de não fazer uso do castigo ou do grito porque isso despoletará uma reação ainda mais negativa na criança.
    Devemos aproximar-nos da criança e perguntar-lhe porque teve determinada atitude, ou porque reagiu de determinada forma. Com calma, iremos explicar que o ato cometido não é correto, e iremos explicar também o porquê. A seguir, iremos indicar como devemos agir nesta situação.
    Por último, iremos fazer uso do reforço positivo:“eu confio em ti”, “eu sei que tu podes fazer melhor do que isso”, “eu apoio-te, amo-te e fico triste por te ver a ter essas reacções. Tu és muito melhor que isso, confia em ti”.
  2. Oferecer confiança, dar responsabilidades e estabelecer limites
    A criança deve entender desde muito cedo que todos temos limites, e que para ter direitos é preciso cumprir com algumas obrigações.
    É necessário que a criança se habitue a alguma rotina e que saiba o que pode esperar de cada momento.
    Uma  criança exigente precisa de segurança e se a educarmos em ambientes muito estruturados onde o reforço positivo esteja presente, iremos ajudá-la a sentir-se mais tranquila.
    Dê-lhe confiança, convença-a de que é capaz de fazer muitas coisas, incentive-a assumir responsabilidades com as quais poderá aumentar a sua autoestima.

A importância da Inteligência Emocional

Inteligência Emocional deve estar presente na criação de todas as crianças. É necessário ajudá-la a identificar as suas emoções e traduzir em palavras o que sente.

Desde muito pequenos iremos habituá-los a esta comunicação emocional falando sobre “o que se sente”. Os miúdos precisam de saber expressar a tristeza, a raiva e o medo.

Deste modo poderão desabafar emocional quando sentirem necessidade mas, para isso, devemos criar uma relação de confiança e proximidade ente pais/filho. Nunca julgue os seus filhos pelos que dizem nem se ria, em tom de gozo, deles. É necessário ser receptivo e propiciar sempre um diálogo fluido, ameno e cúmplice.

Texto original em Melhor Saúde, adaptado por Up To Kids®

imagem@INNs HOLZ

 

As Crianças inteligentes também sobem às árvores e saltam nas poças. São crianças e gostam de brincar.

Numa época em que as crianças nascem rodeadas de gadgets, cada vez mais nos esquecemos da importância de brincar ao livre e estar em contacto com a natureza.

Hoje em dia, derivado da concorrência extrema ao mercado de trabalho os pais, preocupados com o futuro, tendem a sobrecarregar os filhos com actividades académicas. Pressupõe-se que se desenvolverem mais competências do foro intelectual serão, um dia, mais competentes, melhores profissionais e conseguirão estar um passo à frente dos demais nesta corrida desenfreada ao sucesso.

Melhores avaliações escolares não é preditor de adultos bem sucedidos.

As competências profissionais, como todos sabemos, ganham-se essencialmente com a experiência, e não na faculdade. Um profissional competente compreende todo um conjunto de qualidades que vão muito além do que vem nos livros.

Por outro lado os pais vivem sobrecarregados de trabalho sobrando muito pouco tempo livre para proporcionar aos filhos actividades de lazer e brincadeiras ao ar livre. Obviamente, que neste contexto, as actividades extra-curriculares, os ATLs, os centros de explicação, em conjunto com os tablets, smartphones e programas de TV são a salvação de muitas famílias.

Pensar fora da caixa

Parece-me que com o pretexto de estarmos a preparar as crianças para o futuro (e o cansaço acumulado), estamo-nos a esquecer do elemento mais importante para o desenvolvimento de uma criança durante a primeira infância: brincar.

Brincar é a ferramenta mais importante no desenvolvimento de uma criança. Uma criança inteligente tem necessidade de brincar, de estar ao ar livre, de conhecer e de experimentar. Uma criança inteligente é curiosa por natureza e a brincar explora o seu potencial máximo livremente.

Brincar livremente (à antiga)

Subir às árvores, saltar nas poças, jogar às escondidas ou procurar insectos debaixo das rochas. Isto é fundamental no desenvolvimento dos nossos filhos. Ao ar livre vão aprender a explorar e experimentar o espaço, a respeitar os outros, a partilhar, a sociabilizar.

Vão aprender a cair e a levantar-se, algo que lhes será muito útil ao longo da vida.

O contacto com a natureza vai ensinar-lhes a  respeitar o meio ambiente e as outras espécies. Vão tornar-se mais destemidos e desenvolvidos a nível motor, e vão desenvolver competências que são impossíveis de adquirir fechados entre quatro paredes. Competências que só se aprendem com a experiência.

As crianças precisam de viver aventuras, brincar ao faz de conta, ganhar asas e soltar a imaginação. Se é tão importantes as pessoas saberem pensar fora da caixa, porque emparedar a criatividade dos nossos filhos? Deixemo-los sonhar, e larguemos os estereótipos. Não estamos a criar robots, mas sim crianças. E o nosso objetivo enquanto pais é que os nossos filhos sejam crianças felizes, que cresçam e se tornem adultos bem resolvidos, capazes e felizes. Fácil. O que não é tão fácil nem óbvio, é o caminho a percorrer.

Tratar cada criança com um individuo único

Cada criança é uma criança diferente, com ritmos diferentes e que precisa de estímulos diferentes. É urgente que aprendamos a entender os nossos filhos para lhes respondermos com soluções de acordo com as suas necessidades.

Há dias dizia-me uma amiga que o filho era muito trapalhão a nível motor e que não se entendia com os baloiços do parque. Também não gostava de jogar à bola, nem de brincar no exterior. E eu perguntei-lhe: ”Já foste brincar com ele para a rua?”
– Ele não quer…”, respondeu-me.

Pois, porque ele não sabe brincar sozinho, num espaço onde não tem brinquedos (aparentes porque depois do hábito criado fazem de pedras brinquedos), onde não se sente seguro e confortável.

Cabe aos pais proporcionarem a experiência do parque infantil ou do parque natural. Quer seja a mãe sentada no banco, a que empurra o baloiço ou a histérica anda a correr atrás das crianças (das dela e das dos outros) e ainda enxota os pombos com pontapés no ar e gritos, estes hábitos devem ser criados desde bebés. Porque são hábitos positivos e necessários para a evolução mental, física e comportamental dos nossos miúdos, os adultos do amanhã.

Lembre-se do quanto fomos felizes a brincar na rua. Apesar dos perigos e do frio, com supervisão, vestuário adequado, podemos e devemos deixar que os nossos filhos se atirem de corpo e alma para as poças de chuva.

 

Por Up To Kids®

 

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Babywearing no dia-a-dia, uma perspetiva familiar: pai

A perspetiva do pai é bastante diferente da de uma mãe. Tanto os pais que praticam babywearing como aqueles que preferem não o fazer têm uma abordagem muito pragmática, muito focada no resultado a curto prazo: carregamos os bebés para atingir algo dali a poucos minutos. Mas todos, carregadores ou apoiantes, reconhecem os benefícios e afirmam ser uma atividade fascinante.

Alguns pais não carregam

As razões para não carregar os bebés podem ser variadíssimas e todas absolutamente legítimas. A razão pode ser um mero encolher de ombros. Ou porque parece ser coisa de mulher. Ou porque não gosta destas coisas. Ou porque dá demasiado nas vistas. Ou porque o pai não se ajeita. Ou porque têm medo de se enforcar em tanto pano. Ou porque para trajetos curtos, não justifica fazer uma amarração. Ou porque têm carrinho-de-bebé. Ou porque a mãe carrega. Ou porque tentou uma vez e o menino chorou.

É natural que as famílias não ajam da mesma maneira e que existam objeções que sustentem que o babywearing possa não ter um papel central na vida familiar.

Outros fazem-no, desde que seja simples

Mesmo os que decidem acompanhar as mulheres na prática do babywearing, por vezes fazem-no apenas em trajetos mais longos, passeios ou caminhadas, quando a mãe está cansada, ou  à espera de outra criança e precisa de ajuda do marido, ou simplesmente porque a mãe insistiu muito e lá cedemos.

Estes procuram essencialmente a liberdade para fazer coisas, como passear o cão, despejar o lixo ou ter as mãos livres para executar tarefas, bem como a facilidade de acalmar as crianças, lidar com as suas birras em alturas em que estão mais cansados ou rabugentos e até pô-los a dormir. Usam mochilas ergonómicas ou mei-tais, por serem fáceis e rápidos de colocar.

Outros tomam-lhe o gosto

Quando saem de casa habituam-se a carregar os seus miúdos ao ponto da mãe ter quase que implorar para os poder levar. Têm sempre um porta-bebés no porta-bagagens do carro e quando os miúdos crescem e começam a insistir ir pelo próprio pé, ficam tristes. Usam qualquer porta-bebés, mas quando experimentam um pano, não há retorno.

Por fim, os mais entusiastas, acabam por ser eles a assumir a liderança do assunto. São eles que pesquisam as opções e analisam os vários tipos de porta-bebés, logo durante a gravidez. Por vezes acabam por sofrer um pouco com o nível de dependência da criança à mãe porque querem envolver-se no dia-a-dia e não conseguem esse espaço. Acabam por praticar para equilibrar essa balança e fazer uma ligação forte ao bebé, logo desde a nascença. Usam vários tipos de porta-bebés e não perdem uma oportunidade para dizer “isto existe e é o melhor para os bebés”

Simples e prático

Seja para dar uma pausa à mãe, para evitar a confusão dos carrinhos nas ruas e espaços mais apertados ou seja para ter maior liberdade de movimentos, desde que seja confortável, simples de usar e prático os pais vão aderindo. Alguns sentem que tiveram de perder a vergonha, mas outros afirmam que até mesmo o mei tai rosa com padrão de sereia lhes fica a matar. E as mães concordam! Qualquer que seja o porta-bebés, fica-nos sempre a matar.

Por Nuno César Nunes

Imagem@Stefanie Archer

Meu querido,
eu sei que me estás a julgar. Quando te sentas com o nosso filho a brincar depois do jantar, eu vejo a cara que fazes quando eu me estou a rir para o telemóvel. Eu ouço os sons que fazes quando me vês a dar banho ao bebé de telefone na mão ou quando estou a descansar com o mais velho enquanto escrevo mensagens. Eu reconheço o meu vício, mas há muito a dizer quanto à minha dependência deste pequeno aparelho.
Eu admito: eu sou viciada no meu telemóvel. Já falamos sobre o assunto e já lemos artigos sobre o horrível que isto pode ser para uma pessoa enquanto individuo, pior ainda enquanto casal. Também estou ciente do péssimo exemplo que transmito aos miúdos. Eu sei que estabelecemos objectivos relativamente ao uso excessivo dos gadgets, mas eu falhei redondamente. Eu tento não abusar do telemóvel quando estou com os nossos filhos mas como mãe a tempo inteiro, o meu dia-a-dia é muito diferente do teu. Eu não converso com adultos regularmente, e as minhas únicas companhias são um miúdo de 2 anos, um bebé e um cão.
Lembras-te quando passávamos os fins-de-semana completos com amigos?
Desde que me lembro de mim, a minha vida eram festas de pijama e acampamentos. Depois de acabar o curso, casamo-nos, mudamos de estado e tivemos filhos. A minha vida social deixou de existir. Hoje em dia não consigo estar com amigas tanto quanto preciso, por isso, conversamos nas redes sociais e por mensagens.
Lembras-te de como eu sou extrovertida? Eu sei que sabes disso, mas não sei se compreendes realmente o sentido disso. Eu sinto-me feliz por estar com pessoas, de preferência pessoas com mais de 5 anos. Quando passo muito tempo sozinha com os miúdos, o que é maravilhoso mas muito solitário, fico impaciente e arranjo desculpas para sair de casa só para falar com adultos. Já conheço metade das caixas do supermercado. Mesmo uma conversa de circunstância, neste momento, sabe-me bem.
Há 11 anos atrás, quando me tornei mãe, os grupos de mães das redes sociais foram a minha salvação. Hoje, com três crianças, nada mudou. Estas mulheres mudaram a minha vida em vários sentidos, apesar de não passar muito tempo com elas pessoalmente. É nelas que me apoio quando preciso de saber que sopas já posso dar ao bebé, ou se reconhecem aquelas borbulhas misteriosas na perna do de dois anos. Também são elas que me apoiam quando tenho um dia verdadeiramente desastroso com os miúdos, porque elas sabem exactamente o que estou a sentir. Conhecem as minhas frustrações porque já percorreram o mesmo caminho.
Não é que não queira estar mais presente quando estamos todos juntos, mas ser prisioneira de uma casa deixa-me com ganas de ter mais vida social. Eu estou sozinha e isolada e sair de casa com três crianças a reboque, mesmo que seja só para fazer um recado, requer tanto esforço que, às vezes, não compensa. Às vezes é mais fácil render-me ao meu café frio, e amamentar o bebé de pijama enquanto trato da casa. Às vezes estou a morrer de vontade de me sentir mais eu, mais a mulher que sou, mas é tão desgastante que acabo por desistir.
Quando me vês, sempre ao telemóvel, normalmente estou a pedir conselhos a algumas amigas ou simplesmente estou a rir-me dos disparates que dizemos em privado. O meu sistema de apoio é virtual e apesar disso ter as suas desvantagens também é extraordinário. Eu sei que te sentes frustrado por estar muito no telemóvel, mas quando não estás, eu estou com os miúdos, não estou com o telemóvel. Quando te vejo com eles, é a altura que posso pôr-me a par do que se passou todo o dia. Sei que ficas preocupado e valorizo a tua opinião. Mas estes grupos tornaram-se mesmo importantes para mim porque tem sido difícil adaptar-me a esta vida, a este papel de mãe (que amo ser), mas que às vezes parece ser tão inadequado para mim. E é óptimo ter alguém que nos diz que estamos a fazer um bom trabalho, e eu preciso de ouvir isso de fora, não é só de ti.
Eu não espero que percebas exactamente como me sinto, mas acredita que eu estou a tentar. Estou à espera que um dia eu comece a dormir melhor, recupere forças e me sinta de volta outra vez.
Até lá o meu café é frio, a minha paciência curta, e a minha vida social cabe no bolso de trás das calças.

 

Por Jessica, para Scary Mommy, traduzido e adapatado com autorização por Up To Kids®

 

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O meu nome é Uva Passa, sou mãe, e sou Dependente.

Sacar do telemóvel durante uma conversa, é como erguer uma parede entre duas pessoas

És mãe a tempo inteiro? O que é que fazes todo o dia?

Parem de pedir à mãe tudo e mais alguma coisa. Peçam ao pai!

Estava eu sentado no sofá com o meu filho de 9 anos, quando ele me mostrou que o Pikachu de peluche que recebeu no Natal estava roto. Foi o presente preferido dele e desde então tem andado com o boneco para todo o lado. Quando me ofereci para o coser, ele olhou para mim como um contrabandista olha para a autoridade quando percebe que vai ser apanhado. Os olhos ficaram gigantes. E depois abraçou o boneco, e encerrou-o entre braços para que não lho tirasse.

Os pais não costuram!” disse ele, como se fosse uma verdade universal!

Revirei os olhos. A minha mulher estava na sala a escrever no portátil e disse: “O pai sabe coser, aliás, até cose muito bem que eu já vi!”

O meu filho foi direto à mãe e enfiou-lhe o Pikachu ao colo, como se ela fosse obrigada a parar tudo o que estava a fazer para arranjar o estúpido boneco.

Todos os nossos filhos fazem isto: se querem um copo de leite, arranjar um boneco, ou calçar umas meias, vão sempre pedir a mãe. Agem como se a mãe fosse a única pessoa existente em casa, quando na verdade eu sou perfeitamente capaz de ajudar.

Só vêm ter comigo para perguntar onde está a mãe.

Eu oiço muitas vezes mães a queixarem-se de quão frustrante é estarem a cozinhar ou a terminar um orçamento, e os filhos interromperem para pedir que lhes sirva um copo de água, enquanto o pai está mesmo ao lado do frigorífico.

E vejo isso a acontecer na minha casa, em frente do meu nariz, e não me agrada.

Eu gosto de tratar dos meus filhos e sei que muitos outros pais pensam como eu.

E sinceramente não percebo porque é que tenho de forçar os meus filhos a deixarem-me ajuda-los!

Se a mãe não está, é uma coisa. Mas quando estamos os dois em casa eles agem como se tudo o que eu faço esteja contaminado. Já recusaram beber um copo de leite porque fui eu a servir e não a mãe e já tive de me debater à séria, corpo a corpo, para lhes calçar os sapatos, porque queriam que fosse a mãe, e não eu. É de loucos.

A Mel trabalha em part-time por isso está mais tempo em casa. Mas quando eu estou presente, apesar de resmungar com algumas coisas e obriga-los a realizar as tarefas que sei que conseguem fazer sozinhos, como pôr a água do banho a correr, eu gosto de sentir que faço mais alguma coisa pela minha família do que trazer parte do dinheiro para casa. Mas normalmente preciso de insistir muito para fazer alguma coisa por eles e mesmo assim ficam contrariados.

Peguei numa agulha e linha e pedi ao meu filho que me desse o Pikachu. Tive de argumentar pelo menos durante uns 5 minutos. Inventei que havia uma disciplina na escola chamada economia doméstica onde aprendi costura. Lá entregou o boneco. .

Enquanto eu cosia, ele olhava com atenção para o que estava a fazer como se tratasse de uma complicada cirurgia. Senti-me mesmo bem. Fiquei contente por o meu filho perceber que um pai também pode saber costura: coisa que obviamente ele achava ser uma tarefa da mãe.

E sinceramente eu nem sei onde é que aprendi estas coisas. Mas para mim é tão importante como ensinar ao meu filho a trabalhar com um martelo ou a fazer furo na parede.

É importante que, um dia que saiam de casa, os meus filhos sejam completamente autónomos e capazes de realizar quaisquer tarefas independentemente do género, e que não tenham vergonha quer venham a ser pais a tempo inteiro ou mães que trabalham muitas horas.

Os homens são perfeitamente capazes de acalmar uma criança a meio da noite, de gerir uma casa, de limpar rabos, e de realizar todas as outras funções que as crianças ainda consideram da responsabilidade da mãe.

No ano anterior ensinei ao meu filho a limpar uma casa de banho a fundo, a  preparar uma refeição básica, separar e dobrar roupa, a tratar do jardim,  e outras tarefas domésticas.

E cada vez que ele olha para mim com um ar suspeito eu acredito que, eventualmente, um dia há-de aprender comigo que a sua função como pai será muito mais do que simplesmente sair de casa todos os dias para ir trabalhar.

Quando acabei de coser os buracos, rematei com um nó apertado, e como era junto à costura do pescoço, nem sequer se notava. Devolvi-lhe o boneco e disse-lhe:

“Está como novo!” – Ele esboçou um daqueles sorrisos forçados dos miúdos que revelam um misto de felicidade e vergonha. – “Para a próxima, quero ver-te a coser!” – Disse-lhe, e dei-lhe um soco no braço. Ele revirou os olhos! O costume, vocês sabem como é!

Por Clint Edwards, para Scary Mommy, traduzido e adaptado com autorização por Up To Kids®

Uma criança que mente precisa de ser educada, e não receber menos carinho

Talvez levando em consideração uma fantástica frase do Dr. Seuss que diz que “os adultos são simplesmente crianças obsoletas” seja mais fácil entender porque mente uma criança. A empatia com os mais novos é uma arma poderosa, porque também nós, adultos, mentimos de vez em quando.

Todos os pais gostam de saber porque razão os seus filhos mentem. Às vezes poderia ser tão simples como tentar pensar como eles. Será que nossos filhos são conscientes da gravidade da mentira? Sabem diferenciar o tipo de mentira que contam? Vamos tentar responder a estas perguntas.

O estudo sobre as mentiras das crianças

Não, uma criança que mente não é menos afável. De facto, segundo a psicóloga Victoria Talwar da Universidade McGill, no Canadá, nem sequer consideram a mentira como algo objetivo: dizer uma verdade ou uma mentira depende apenas das consequências da mensagem, ou seja, do dano que estas causarão.

Segundo o estudo de Talwar, a criança optará por mentir ou não, consoante o castigo ou a consequência a que será sujeita. As crianças não mentem de propósito, simplesmente tentam evitar uma situação negativa.

No entanto, quando a mentira é por parte do progenitor para a criança, o dano é muito maior. Nesse sentido, os nossos filhos consideram que estão a ser traídos.

O estudo realizado com 100 crianças de 6 a 12 anos e os respetivos pais, resume que os progenitores costumam ensinar aos filhos que não se deve/pode mentir. No entanto, os pais como educadores também mentem, mesmo que seja para tornar a vida mais fácil aos filhos, ou poupar-lhes alguma tristeza. Esta é uma atitude que confunde os filhos, especialmente quando se trata de crianças de tenra idade, que estão em fase de aquisição de exemplos comportamentais.

As crianças têm em mente a motivação da mentira na hora de julgá-la?

No estudo realizado por Talwar, foram exibidos diversos vídeos às crianças com situações nas quais alguém era castigado. Numas situações uma pessoa mentia e um inocente era castigado; noutras, ao dizer a verdade o culpado que recebia o castigo.

Depois de terem visto o vídeo, as crianças respondiam a questões sobre os diferentes personagens. A intenção da investigadora era conhecer o julgamento moral que as crianças retinham das situações apresentadas e analisar os estágios de desenvolvimento de cada criança a este respeito.

As respostas foram muito variadas e levaram a diferentes interpretações. Embora não haja nenhuma idade específica para distinguir entre a verdade e a mentira, foram observadas nuances em termos desta variável:

  • As crianças menores que participaram da experiência em geral avaliaram a mentira como negativa. No entanto, também foram mais condescendentes quando a mentira evitava ou reduzia um dano ou castigo.
  • Para as crianças de idades compreendidas entre 10 e 12 anos, a diferença entre verdade e mentira era mais difusa. Eram conscientes das consequências tanto de dizer uma verdade como de não dizê-la, e agiam segundo seus interesses com total consciência.

Uma criança que mente tem os seus motivos?

Quando uma criança mente, sobretudo segundo sua idade, não devemos ver isso como uma traição ou um ato digno de indignação. Segundo Alicia Banderas, autora do livro “Pequenos Tiranos”, as crianças mentem para evitar para evitar castigos. Outros motivos poderiam ser: a vergonha de ter agido mal ou para aproveitar alguma atividade que elas adoram mas que sabem que está proibida ou restringida nesse momento.

Por outro lado, as pesquisas revelam que  crianças com um desenvolvimento cognitivo mais avançado já começam a mentir aos dois anos. O normal é começar a fazê-lo a partir dos 3 ou 4 anos e fazem-no da mesma maneira que mergulham no resto dos terrenos desconhecidos. Isto não é mais do que a experiência por tentativa e erro, dizer uma mentira e comprovar até onde chega o drama das suas consequências.

Além disso, em determinadas situações e já com certa idade, a mentira pode ser provocada por querer chamar a atenção. Ou até mesmo por pura proteção da intimidade da criança ou até por puro desejo.

Assim, enquanto pais, devemos estar conscientes do que fazemos sempre que mentimos aos nossos filhos. Se descobrirem a mentira, provavelmente vão se sentir traídos. Além disso, se usarmos a mentira para manipular as crianças com promessas que depois não cumpriremos, um dia a nossa palavra não terá qualquer valor.

Por isso ficamos com a conclusão do estudo de Talwar.

Os pais e educadores têm que comunicar mais com os filhos e explicar as diferenças entre a mentira e a verdade. Como na maioria das situações, o diálogo é a melhor solução.

imagem@depositphotos

Por Pedro Liberdade em A mente é maravilhosa, adaptado por Up To Kids®

 

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imagem@depositphotos.com

Transformar a educação em Portugal. De uma vez por todas

Ao longo dos anos surgem, no nosso sistema de ensino, inúmeras mudanças e alterações que não reflectem uma verdadeira mudança de paradigma na educação. São quase sempre ajustes ou remendos a um funcionamento que está, por si só desgastado, antiquado e obsoleto. É preciso reconstruir, colocar em causa toda uma base que está frágil, virar do avesso, utilizar os avanços científicos e experiências diferenciadoras ao serviço de práticas educativas actualizadas, eficazes e que vão ao encontro das crianças e do respeito pelo seu desenvolvimento integral.

ASSIM, ambiciosamente mas realisticamente:

  • Queremos que as escolas e os professores tenham autonomia e liberdade para adequar as suas práticas às necessidades e características dos alunos, com a prioridade de seguir os seus interesses e motivações, por oposição ao seguimento cego de metas curriculares(…)
  • Queremos que as salas de aula deixem de ser mesas e cadeiras alinhadas, viradas para um quadro onde o professor é acima de tudo um transmissor inquestionável de conhecimentos. A evolução no acesso à informação faz com que as crianças não precisem que lhes transmitam saberes mas que as ajudem a estimular a criatividade, o pensamento crítico e a flexibilidade de pensamento. As crianças precisam de ficar viradas umas para as outras, em grupos heterogéneos dentro da sala de aula, de forma a aprenderem umas com as outras com o material que lhes é fornecido. (…)
  • Queremos que as avaliações sejam qualitativas, sem rankings ou exames que levam à comparação do que é incomparável, à frenética procura de melhorar a posição de uma escola e à destruição completa da intencionalidade educativa com números e médias. Os professores sentem-se obrigados a modular as suas aulas de forma a corresponderem a uma série de tópicos previamente estipulados e que fazem com as nossas escolas pareçam fábricas de conhecimentos que são iguais de Norte a Sul. (…)
  • Queremos que todos os espaços escolares deixem de ser edifícios rodeados de cimento, estéreis, demasiado planos e arranjados, sem terra, árvores ou elementos naturais que não respeitam as necessidades motoras e simbólicas das nossas crianças, tão essenciais para a integração das aprendizagens mais formais. Os recreios são pobres e cinzentos, sem riqueza de estímulos, possuindo apenas escorregas ou baloiços que levam à brincadeira programada e não permitem que as crianças acedem ao imaginário. (…)
  • Queremos que se pratique uma comunicação positiva por parte dos profissionais de educação. Não acreditamos em castigos, gritos, ausências de recreios, mesas viradas para a parede, tabelas de bom ou mau comportamento ou “palmadas pedagógicas”. A punição ensina a punir, não ensina a mudar. Acreditamos na autoridade do adulto, e não no autoritarismo, enquanto responsável pelo bem-estar da criança mas envolvendo-a no seu processo de socialização como um ser independente e com voz activa, nomeadamente construindo-se as regras do espaço escolar em conjunto com elas, com a nomeação do que é necessário para uma convivência saudável entre todos e com as consequências previsíveis quando isso não acontece.(…)
  • Queremos que a escola faça realmente parte da comunidade e que seja uma extensão das famílias. Que os pais que querem e têm disponibilidade para participar, possam ser envolvidos em actividades do quotidiano e que o acesso à mesma não lhes seja vedado. (…)
  • Queremos que os profissionais de educação tenham estabilidade profissional. Que sejam oferecidas condições para exercerem, sem concursos que os fazem leccionar longe da família e dos filhos e que a satisfação decorrente disso se reflicta na motivação para ensinar. Que seja retirada a carga burocrática e que se dê tempo e espaço para que possam fazer formação, nomeadamente tendo contacto com outras pedagogias alternativas. (…)
  • Queremos que as turmas sejam mais pequenas e que as crianças com necessidades especiais ou com dificuldades de aprendizagem tenham um acompanhamento diário no contexto de sala de aula e equipas multidisciplinares (psicólogos, terapeutas da fala, terapeutas ocupacionais, assistentes sociais) com um rácio de alunos adequado para que possam intervir significativamente. Os professores de ensino especial passam muito pouco tempo com as crianças e estas acabam por não conseguir atingir o seu potencial pela impossibilidade do professor titular chegar a todos os alunos, que são numerosos e muito diferentes entre si.(…)
  • Queremos apostar nas competências sociais e emocionais dos nossos alunos, tanto quanto nas disciplinas propriamente ditas – não nos interessa formar crianças tecnicamente competentes que não se sabem relacionar e que saem de um sistema educativo que promove cada vez mais o individualismo;
  • Queremos dar mais foco a actividades artísticas, musicais, manuais e desportivas numa proporção semelhante à matemática, português ou ciências, mesmo porque as disciplinas estão todas interrelacionadas, e com vista a terminar gradualmente com as disciplinas fixas e estanques.(…)
  • Queremos cargas lectivas mais reduzidas e menos actividades programadas fora do tempo lectivo. Que o tempo livre seja isso mesmo, assente em brincadeira livre.(…)
  • Queremos afastar os argumentos constantes de que o ensino funciona melhor noutros países, nomeadamente nos países nórdicos, porque a cultura e mentalidade são diferentes e que não seria possível replicar no nosso país. (…)
  • Queremos que as famílias tenham maior liberdade de escolha na educação dos filhos, legislando-se práticas que actualmente não têm enquadramento legal mas que estão a proliferar pelo país, como as comunidades de aprendizagem constituídas por grupos de pais e/ou profissionais que querem oferecer às suas crianças uma maior diversidade de opções educativas. (…)
  • Queremos preparar e formar cidadãos para a vida prática, para a empatia, para a comunidade, para a honestidade social e empresarial – se formamos para a competição, formamos para o umbiguismo, para a acumulação de riqueza, para o fosso cada vez maior entre ricos e pobres, para o insucesso interior, para a noção de que a felicidade está intimamente relacionada com bens materiais e estatuto social.

Se concorda com o exposto, não continue de braços cruzados. 

Leia a petição completa aqui, e assine aqui.

Pelo futuro dos nossos filhos.

Esta petição foi criada por Ana Rita Dias e Membros do Grupo “Escolas Alternativas e Comunidades de aprendizagem em Portugal”