Os primogénitos são os mais inteligentes, e de acordo com um estudo efectuado, há uma razão para tal.

O site Today revela que um novo estudo conclui que os pais dão a mesma quantidade de amor e carinho aos filhos, mas o irmão mais velho recebe mais estímulos cerebrais que os restantes. Este estímulo vai-se perdendo de filho para filho.

O estudo concluiu que os pais passam menos tempo a ler para os outros filhos e a ensinar conceitos com as letras e o alfabeto. Também não proporcionam aos mais novos tantas actividades e jogos didácticos.

Esta pesquisa conclui que os primogénitos são preparados mais cedo para o sucesso académico e intelectual. O Jornal Human Resources afirma que, é provável que seja por esta questão que os irmãos mais velhos apresentam, regra geral, resultados superiores aos mais novos nos testes cognitivos.

Os pais de primeira viagem preocupam-se em fazer tudo “by the book”, e normalmente investem mais e têm maior consciência quando interagem com o filho mais velho”, diz Jee-Yeon K. Lehmann, economista do Grupo de Análise em Boston e co-autor de o estudo. “Com cada criança subsequente, os pais tendem a relaxar com o que não consideram essencial para os seus filhos.

Além disso, o estudo desmontou o mito de que a ordem de nascimento molda a personalidade de uma criança. Lehmann e seus colegas descobriram que não há impacto sobre o temperamento de uma criança, excepto os primogénitos demonstrarem-se mais confiantes no seu desempenho académico.

Como pais, pensem como provavelmente foram obcecados para mostrar tudo ao vosso filho primogénito: as cores, as formas, as letras, etc, e comparem com o segundo, terceiro, quarto ou quinto filho. A novidade desaparece depois de algum tempo. Para além de que as exigências da maternidade com cada criança subsequente são simplesmente desgastantes e consumidoras do nosso tempo.

A lição aqui para os pais é que os tipos de investimentos que são feitos com os filhos são muito importantes, especialmente aqueles nos primeiros anos de vida das crianças“, diz Lehmann. “Todas essas atividades de aprendizagem que fizeram ‘Com o primeiro filho, tão animados, nervosos e com excesso de zelo parecem ter algum impacto positivo a longo prazo, no desenvolvimento da criança

Sem ofensa para os investigadores, que de certeza são todos os primogénitos brilhantes, mas ninguém que viva a paternidade nos dias de hoje, poderia ter atestado este fenómeno.

O nosso tempo e os nossos recursos estão mais limitados do que os de qualquer outra geração anterior. O nosso estilo de vida vida desenfreado dos dias de hoje, impossibilita-nos de ter o tempo que precisávamos e muitas vezes, a calma e a paciência que gostávamos para estimular os nossos filhos através de actividades, brincadeiras e tempo de ócio em família, como queriamos.

Quer gostemos quer não, este estudo aponta para uma dura realidade: estamos a adaptar a nossa atitude e comportamento parental à velocidade do nosso dia a dia para conseguirmos andar com a nossa vida, o que poderá ter um impacto negativo no desenvolvimento dos nossos filhos.

Bom, pelo menos dos mais novos.

 

Por Sarah Hosseini, Scary Mommy

Traduzido, adaptado e autorizado para Up To Kids®

 

LER TAMBÉM…

A importância dos irmãos mais velhos no desenvolvimento dos irmãos mais novos

Irmãos: Antídoto do Egocentrismo

Compreender e lidar com o ciúme entre irmãos

imagem@VirgilaDale´sPhotography

De que vale rezar o terço, se passas a vida a dizer mal dos outros?

É incrível como, às vezes, nos enganamos com as pessoas, somos iludidos pelas aparências e pelos discursos inchados que sopram aos quatro ventos. É incrível como existem indivíduos que conseguem dissimular, fingir, propalar oratórias rebuscadas que em nada condizem com a forma como agem, como vivem. É raro encontrarmos pessoas genuínas – o chamado  “what you see is what you get” – quem age de acordo com o que acredita e prega, quem respira as verdades que pulsam dentro de si.

O mundo está cheio de falsos moralistas, que condenam o comportamento dos outros mas não respeitam os filhos, a família. Falsos pregadores, que discursam sobre ética e princípios aos quais fogem pelas sombras de atividades escusas. Falsos beatos, que pregam os ensinamentos cristãos ao seu próprio modo, condenando todos aqueles que não se adequam ao que impõem, quando nem os próprios se comportam segundo suas regras.

A exposição mais explícita da própria vida através das redes sociais, acaba por forçar  supostos comportamentos politicamente corretos, fazendo posts exemplares das regras quer da sociedade, quer da parentalidade, merecedores de vários emojis, aplausos e likes, mesmo que não sejam reflexo da sua sua forma de viver nem das suas convicções. Sentem-se tentados a expor ideias e opiniões que sejam mais condizentes com o que a maioria espera, com o que a sociedade julga como aceitável.

Neste contexto, muita gente acaba fatalmente por se dissociar de si própria, mantendo uma vida dupla, uma dicotomia dentro de si, uma vez que vivem uma realidade diferente daquilo que partilham, daquilo que fingem viver de forma transparente.

Por isso é que vermos tanta gente a rezar o terço e a debitar versículos enquanto cuscam, maldizem, invejam e fazem mal aos outros; tantos que condenam a homossexualidade mas que não são fieis no seu próprio casamento.

Uma coisa é certa: o importante é a forma como vivemos as nossas vidas diariamente, a maneira como nos relacionamos com todos, tanto com quem temos proximidade como com aqueles de quem não precisamos, de quem não recebemos nada em troca.

O que cada um diz sobre a sua vida, no fim de contas, é apenas conversa. A verdadeira provação está nos nossos atos. Isso sim, é a maior prova de fé que alguém pode dar.

 

Artigo de Marcel Camargo, para A mente é maravilhosa. adaptado por Up To Kids®

 

LER TAMBÉM…

Sou um homem de ciência! Sempre fui!

Às vezes os milagres acontecem aos pares

O Baptismo: O pecado não mora aqui. Nem ao lado.

 

Há pessoas que, certas de ser uma virtude, dizem tudo o que têm para dizer.

Percebe-se que não lhes importa mais nada a não ser dizer tudo aquilo que lhes atravessa a alma naquele instante. Percebe-se também que tomam o ‘dizer tudo’ como coisa boa e que experimentam alívio quando o fazem.

Esta visão do discurso inter-relacional é, quanto a mim, limitadora e passível de originar cenários destrutivos no seio de uma família – onde a diversidade de perfis e idades coexistem.

Se um filho nosso for intolerante à lactose ou ao glúten, é incontornável que, quanto à sua alimentação a nossa atitude de pais seja a escolha de alimentos alternativos que não contenham nenhum dos dois. Porquê? Porque sabemos que, se não for assim, a saúde do nosso filho sofrerá consequências indesejáveis e nós não queremos isso.

Tal como na alimentação, também na comunicação existem conteúdos, formas e momentos que causam ‘alergias’ e ‘complicações digestivas’.  Cada um de nós tem a sua resistência e sensibilidade; cada elemento de uma família tem as suas particularidades ao nível do caráter; cada um de nós pode fazer ‘reações alérgicas’ ou ficar ‘doente’ quando confrontado com determinado discurso num dado momento.

Comunicação adequada

Tendo consciência da pessoa com quem estou a falar, poderei adequar as ideias, as palavras, a forma de me exprimir e até refletir se é o momento oportuno para o fazer. A comunicação é algo magnífico que permite fazer chegar ao outro aquilo que habita em nós. Mas para comunicar é imprescindível que consigamos pôr-em-comum e isso só acontecerá se, no outro, existir a capacidade de integrar o que eu tenho para partilhar naquele momento. Assim, para que não provoquemos danos no outro por ‘alergia’ ou ‘indigestão’, é importante comunicarmos personalizadamente, ou seja, de maneira adaptada à pessoa a quem nos dirigimos.

Se, não cuidando das particularidades de que se reveste cada ser humano, eu disser tudo o que tenho para dizer sempre que me apetece, arrisco-me a ser violento e a magoar seriamente quem me rodeia. Em vez de comunicar, estarei simplesmente a debitar ideias, palavras e emoções que podem não se adequar ao contexto, à pessoa e à sua natureza. Estarei a ser egoísta e estarei a exigir que seja o mundo a adaptar-se a mim em vez de ser eu a procurar adaptar-me.

Numa família, esta atitude de vigilância quanto à comunicação faz a diferença. Seja quando falamos com outros adultos ou quando falamos com crianças, pôr-em-comum exige que se vá ao encontro do outro, que se procure conhecer o outro e se respeite a sua condição para que, revestida de compreensão, tolerância e amor, a comunicação seja efetiva e construtiva. Assim, os nossos filhos irão crescer, sabendo que existem formas saudáveis de nos comunicarmos com os outros e levarão para as suas vidas esta mais-valia tão importante nas relações.

Que nós – mães e pais, consigamos sentir a cada momento o pulsar de cada filho para, assim, conseguirmos chegar-lhes mais perto do coração e lhes sussurrarmos que para comunicar é importante saber usar o espaço, o tempo, o sol e a chuva, as palavras e o silêncio.

Vamos dar-lhes o melhor que temos – nós próprios!

 

Por Telmo Marques, para Up To Kids®

O pai que cuida, que acalma o bebé quando está a chorar, que o embala ao colo, que troca as fraldas e que lhe ensina as primeiras palavras não está a “ajudar” a mãe, está a exercer o papel mais maravilhoso e responsável de sua vida: o da paternidade. Quando nos perguntam se o pai “ajuda”, é uma armadilha da linguagem em que muitas vezes caímos e que é necessário transformar.

Nos dias de hoje, e para a nossa surpresa, continuamos a ouvir muitas pessoas a dizer a clássica frase “o meu marido/namorado ajuda com as tarefas de casa” ou “eu ajudo a minha mulher a cuidar das crianças”É como se as tarefas e as responsabilidades de uma casa e de uma família tivessem património, uma característica associada ao género e que ainda não evoluiu nada nos nossos padrões de pensamento.

A figura do pai é tão relevante quanto a da mãe na criação dos filhosNo entanto, é natural que o primeiro vínculo de apego do recém-nascido durante os primeiros meses de vida se centra na figura materna. Atualmente a clássica imagem do progenitor cujo foco é a férrea autoridade e o sustento básico do lar deixou de ser sustentável e deve ser restituída.

É preciso acabar com o sistema patriarcal ultrapassado em que as tarefas são sexualizadas em cor-de-rosa ou azul para provocar mudanças reais na nossa sociedade. Para isso, devemos semear a mudança no âmbito privado das nossas casas e, acima de tudo, na forma como nos expressamos.

O pai não “ajuda”, o pai não é alguém que vai lá a casa e facilita o trabalho da mãe  de vez em quando. Um pai é alguém que sabe estar presente, que ama, que cuida e que se responsabiliza por aquilo que dá sentido à sua vida: a sua família.

O cérebro dos homens durante a criação dos filhos

É sabido que o cérebro das mães passa por várias alterações durante a criação de um bebé. A própria gravidez, a amamentação, e a tarefa de cuidar da criança todos os dias favorecem uma reestruturação cerebral com fins adaptativos. É algo impressionante. Além de a oxitocina aumentar, as sinapses neuronais mudam para aumentar a sensibilidade e a percepção para que a mulher possa reconhecer o estado emocional de seu bebé.

Mas o que é que acontece com o pai? Será que é um mero espectador biologicamente imune a este acontecimento? Claro que não. O cérebro dos homens também muda, e fá-lo de uma forma simplesmente espetacular. Segundo um estudo realizado pelo “Centro de Ciências do Cérebro Gonda da Universidade de Bar-Ilan”, se um homem exerce um papel primário ao cuidar do seu bebé, experimenta a mesma mudança neuronal que uma mulher.

Através de várias imagens do cérebro, retiradas em estudos realizados tanto em pais heterossexuais como homossexuais, foi possível ver que a atividade das amígdalas cerebrais era 5 vezes mais intensa do que o normal. Esta estrutura está relacionada com a advertência do perigo e com uma maior sensibilidade ao mundo emocional dos bebés.

Assim, surpreendentemente, o nível de oxitocina secretada por um homem que exerce o papel de cuidador primário é igual ao de uma mulher que também cumpre seu papel como mãe. Tudo isso nos revela algo que já sabíamos: um pai pode relacionar-se com os filhos no mesmo nível emocional que a mãe.

A paternidade e a maternidade responsável

Existem pais que não sabem estar presentes. Existem mães tóxicas, pais maravilhosos que criam seus filhos sozinhos, e mães extraordinárias que deixam marcas inesquecíveis no coração de seus filhos. Criar um filho é um desafio e pêras, algo para o qual nem todos estão preparados e que muitos outros enfrentam como o desafio mais enriquecedor das suas vidas.

A boa paternidade e a boa maternidade não têm a ver com géneros, mas com pessoas. Além disso, cada parceiro tem consciência das suas próprias necessidades e irá realizar as suas tarefas de criação e atenção com base nas suas características. Ou seja, são os próprios membros do casal que estabelecem a partilha e as responsabilidades do lar com base na disponibilidade de cada um.

Chegar a acordos, ser cúmplices uns do outro e deixar claro que o cuidado dos filhos é responsabilidade mútua e não exclusividade de um só irá criar uma harmonia que promoverá a felicidade da criança, pois terá acima de tudo um ótimo exemplo.

Da mesma forma, e além dos grandes esforços que cada família realiza, é necessário que a sociedade também seja sensível a este tipo de linguagem que alimenta os rótulos sexistas e os estereótipos.

As mães que continuam com a sua carreira profissional e que lutam para ter uma posição na sociedade não são “más mães”, e nem estão a deixar de cuidar dos seus filhos. Por outro lado, os pais que dão biberons, que procuram remédios para as cólicas dos seus bebés, que vão comprar fraldas ou que dão banho às crianças todas as noites não estão a ajudar: estão a exercer sua paternidade.

Por Valeria Amado, em A mente é maravilhosa, adaptado por Up To Kids®

LER TAMBÉM…

O Pai perfeito não é só para os dois primeiros anos

Parem de pedir à mãe tudo e mais alguma coisa. Peçam ao pai!

Ser Pai

imagem@giphy

A ritalina é conhecida nas escolas como “comprimido da inteligência”

Psiquiatras e psicólogos criticam banalização do uso do medicamento para tratar a hiperactividade e défice de atenção.

As vendas do medicamento habitualmente utilizado para tratar perturbações de hiperactividade e défice de atenção (PHDA), o metilfenidato, cuja designação comercial é ritalina, duplicaram entre 2010 e 2016. Segundo o Jornal de Notícias deste domingo, em 2010 venderam-se 133 mil embalagens daquele que é conhecido como “comprimido da inteligência”, porque ajuda as crianças a concentrarem-se e a melhorarem os seus resultados escolares. Um número que mais que duplicou em 2016, quando as vendas rondaram as 270 mil embalagens.

Ainda assim, o diário, que cita dados fornecidos pela consultora QuintilesIMS e pelo Infarmed (a autoridade que regula e supervisiona o mercado dos medicamentos) nota que em 2016 houve uma descida de vendas face a 2015, quando o número de embalagens vendidas atingiu as 283 mil. No entanto, o JN também nota que surgiu no mercado uma nova molécula para tratar as mesmas perturbações, a atomoxetina, cujas vendas mais que duplicaram de quatro mil embalagens em 2015 para nove mil em 2016.

“São muitas as crianças medicadas porque foram consideradas desatentas e problemáticas. O que era excepção tornou-se habitual”, declarou o presidente da Associação Nacional de Directores de Agrupamentos de Escolas Públicas, Filinto Lima, considerando que se trata de “um exagero”.

“Só em casos extremos se deveria recorrer a fármacos”, disse ao JN o bastonário da Ordem dos Psicológos, Francisco Miranda Rodrigues. O especialista defende que o efeito da medicação “não proporciona uma mudança de comportamento” e sustenta que a intervenção psicológica nas crianças poderia corrigir grande parte dos problemas.

O responsável pelo Programa Nacional para a Saúde Mental, Álvaro Carvalho, adiantou que o tema é motivo de preocupação e adiantou que há muitos pais que se queixam aos médicos que os filhos são hiperactivos, instáveis ou irrequietos. Mas o psiquiatra frisou que “o sofrimento mental na criança é muito inespecífico” e que estas podem apresentar “os mesmos sintomas para uma grande variedade de situações”, pelo que não significa forçosamente que tenham PHDA.

O responsável pela consulta de hiperactividade no Centro de Desenvolvimento em Coimbra, José Boavida Fernandes, defende que o metilfenidato pode ser um protector social da criança ao evitar outros comportamentos problemáticos. Se a perturbação existe e afecta a vida da criança por um longo período de tempo, o melhor é medicar, mas é preciso fazer um bom diagnóstico e evitar os “maus usos da medicação”, alerta.

O pediatra também assegura que “o metilfenidato tem um padrão de segurança e eficácia enorme” e que “não há um único estudo científico que alerte para efeitos negativos e já lá vão mais de 50 anos de uso”.

Notícia publicada no Público a 19.0.2017

LER TAMBÉM…

Carta de um pai sobre o efeito da medicação no tratamento da Hiperatividade

Hiperatividade? Medicar? E depois?

HIPERATIVIDADE: Diagnóstico ou Sintoma?

 

imagem@fansdapsicanalise

“Ensinar não é transferir conhecimentos, mas criar possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção.” – Paulo Freire

Uma criança não pode ser um depósito de conhecimentos, de matemática, língua portuguesa, estudo do meio etc.

As emoções são fundamentais na vida de uma criança. Trabalhar desde cedo com elas é uma mais valia para estas perceberem o que sentem, o que pensam de si e sobre o mundo que as rodeia. 

Trabalhar e entender as emoções desde cedo vai fazer com que a criança esteja mais activa e vai proporcionar empatia, compaixão bem como a capacidade de se meter no lugar dos outros. 

É importante perceber que este trabalho pode ser feito em casa e continuado na escola, a fim de obter mais êxito. 

“As emoções são todo um conjunto de reacções, variáveis na duração e na intensidade, que ocorrem no corpo e na mente. Pode ser uma reacção física ou moral.”

Chorar, por exemplo é uma das primeiras emoções que o ser humano sente. Muitas crianças, choram quando estão tristes, quando tem fome, quando querem alguma coisa, quando fazem um birra. Esta emoção é, portanto, a mais disponível aos olhos da criança. Por isso é extremamente importante dar a conhecer outros tipos de emoção e trabalhar com elas, de forma a formar crianças e adolescentes sociáveis, com empatia, livres para poder sentir e sobretudo saber sentir. 

Hoje em dia existem muitas crianças reprimidas pelos sentimentos. Os pais escondem as emoções, os professores/educadores tendem a ser menos emotivos, e é importante perceber que não há mal algum em se ser emotivo, porque somos seres humanos e ter emoções faz parte de nós. 

A educação emocional tem que ser desenvolvida desde tenra idade de forma a que a criança desenvolva competências sociais e emocionais. De outra forma, estaremos a formar crianças e adolescentes incapazes de sentir, impávidos, insensíveis e imunes de sentir empatia pelo outro.

Como desenvolver e trabalhar as emoções dos nossos filhos?

Os pais podem ajudar e orientar a criança de forma a que reconheça a emoção que está a sentir.  Explicar. Exemplificar com exercícios. Fazendo uso a brincadeiras, até com um pouco de teatro, de imaginação. É importante não esquecer que as crianças apreendem o mundo conforme o vêem, conforme o recebem, portanto estejam sempre atentos à imagem que querem passar. 

A melhor lição que podemos dar às nossas crianças, será o exemplo. 

Muitas vezes os pais chegam a casa sem paciência, cansados, irritados, por várias razões, mas as crianças não conseguem perceber o mau humor, a irritação, o clima de tensão no ar.

Simples será explicar com calma: “Hoje a mãe/pai está cansada/o tive um dia de trabalho longo.” Esta mensagem que vai ser passada à criança vai fazer com que ela entenda que o adulto está cansado e irritado.  Explicar o dia a dia, inteirar a criança das suas emoções é fundamental. Falar baixinho, ao mesmo nível da criança também é uma forma calma de fazer com que a criança fique mais atenta e entenda o pedido ou a mensagem que lhe foi transmitida. 

Outra forma de falar sobre emoções, é na hora do conto, o que as personagens sentiram, as emoções, a imitação do sentimento, é uma forma leve de abordar a educação emocional e de proporcionar conhecimento sobre as emoções. 

Elaborar um dicionário de emoções é também uma forma de explicar as crianças as emoções, seja através de desenhos, ou palavras.

Por exemplo, o educador/professor pode pedir à criança para desenhar o significado de alegria, e construir assim um dicionário de emoções.

A comunicação, é também uma ferramenta indispensável para chegar às emoções das crianças: pergunte-lhe como se sente, e deixe-o libertar-se para se expressar quer seja na sala de aula ou em casa.

Crianças que sentem, são crianças felizes. 

LER TAMBÉM…

Ensina o teu filho a gerir emoções negativas

Quando as emoções dos nossos filhos movem o nosso mundo

Divertida Mente: emoções, para que vos quero?!

imagem@rhonline

As crianças não vêem a síndrome de Down do meu filho. Os adulto sim

Se te perguntassem quem ou o que é que te deu a maior lição de vida até hoje, a resposta seria, provavelmente, um professor que foi uma grande inspiração, os tempos de faculdade, o ano que passaste a viajar, um melhor amigo, um adulto influente, um familiar muito querido ou os teus avós. Todas estas pessoas e experiências com certeza influenciaram a minha visão do mundo e, sem sombra de dúvidas, moldaram a pessoa em quem me tornei hoje.

Mas a maior aprendizagem na minha vida aconteceu nos últimos sete anos. O nascimento de meu primeiro filho, com um diagnóstico de Síndrome de Down, abriu-me completamente os horizontes.

Com esta experiência aprendi muito – sobre mim e os outros, sobre prioridades e igualdade. Mas foi o próprio Seb e as crianças à sua volta que mais me ensinaram sobre a vida.

Tenho lembranças tristes de quando fui informada de que meu filho tinha Síndrome de Down, tinha ele um dia de vida. Fiquei arrasada. A minha cabeça foi invadida pelo medo do que o futuro nos reservava e imaginei uma vida de exclusão e impotência, de isolamento, com ele a ser constantemente alvo de olhares e a sentir-se “diferente”.

Por um tempo acreditei que aquela dor nunca iria acabar. Naquele momento, o meu bebé não tinha apenas Síndrome de Down, ele era a Síndrome de Down. Eu associei-o a uma série de estereótipos e não consegui ver que, na verdade, ele era um bebé, e o meu bebé. Seb.

Aos poucos comecei a ficar mais tranquila à medida que me apaixonei pelo meu bebé. A cada dia que passava ele mostrava-me algo novo sobre si mesmo. Ele passou de um lindo bebé para uma criança adorável, ainda que às vezes desafiador – e depois tornou-se um rapaz – igualmente adorável (e igualmente desafiador).

Hoje em dia adora futebol e andar de skate, adora gelados e batatas fritas, mas odeia lavar o cabelo e ir para a cama. Aprendeu a ler e a escrever, ama ir ao cinema e brincar com seus amigos. A nossa vida em conjunto não poderia estar mais distante das perspectivas sombrias que eu tinha imaginado.

Mas infelizmente deparo-me, frequentemente, com os preconceitos de adultos bem intencionados. As pessoas dizem-me que “crianças como Seb” são amorosas, generosas ou dizem que o Seb tem “aquilo” mas é muito leve. E, se digo a alguém pela primeira vez que tenho um filho com Síndrome de Down, a reação mais comum é essa pessoa dizer “Ah!” com um desconforto palpável e, mais do que uma vez, seguido por “que pena”.

Mas com as crianças é diferente. Há uma inocência maravilhosa no olhar infantil. Elas vêem a pessoa, não a síndrome.

Seb frequenta uma escola comum. As crianças da escola não sabem que ele tem um “rótulo”. Não têm ideias pré-concebidas do que ele pode fazer e o que deveria fazer. Ele é apenas o Seb.

Se pedirmos para o descreverem, os amigos dizem que ele é bom a andar de skate, que ama futebol, que corre rápido ou que precisa de uma ajuda extra na escola. Se perguntassemos a mesma coisa aos pais destas crianças, acredito que “Síndrome de Down” estaria na primeira frase dita por eles.

Hoje o Seb tem dois irmãos mais novos, e eu nunca lhes disse que o mano tem Síndrome de Down. Quero que eles cresçam a ver o Seb como Seb. Não quero que ele seja rotulado ou que o tratem de forma especial.

Por isso, fiquei meio desconcertada quando o irmão de 4 anos de idade do Seb, do nada, diss-me: “Mãe, o Seb é engraçado a falar, não é?”. Eu não estava nada preparada para esta pergunta e tive que pensar rápido.

“Bem, sabes, alguns de nós são bons em algumas coisas, outros são bons em outras”, disse eu a ganhar tempo para a verdadeira explicação..

Por exemplo, sabes como o Seb é bom a jogar futebol, e tu és bom a falar? Então, somos todos bons em coisas diferentes.

Ah, sim!”, respondeu animado. “Se calhar ele estava a falar espanhol. Ele é bom a espanhol!”

Mais nada. Aceitou esta explicação e não falou mais no assunto.

Quando fui informada do diagnóstico do Seb, adorava ter conseguido ver o mundo pelos olhos de uma criança.

A notícia teria tido muito menos impacto em mim, ou se calhar não me tinha afectado nada. Fico triste por ter desperdiçado aqueles primeiros dias preciosos com um medo tão desnecessário. O pânico que tomou conta de mim foi, sem dúvidas, fruto da minha ignorância.

Cresci numa época em que crianças (e adultos) com alguma deficiência de aprendizagem raramente eram vistas. Não me lembro de ter tido a oportunidade de falar ou de conhecer alguma pessoa com uma deficiência durante minha infância. Crianças com dificuldades de aprendizagem e deficiências em geral não eram vistas na escola, nas festas, no café, no campo de futebol ou no cinema.

De facto, as pessoas com deficiência ficavam segregados à sua própria comunidade. Eu nunca tive a chance de ver para além do rótulo que lhes era dado. E, no fim de contas, quando o meu filho foi diagnosticado com Síndrome de Down, fiquei arrasada e desconfortável com isso.

Envergonho-me disso até hoje, e provavelmente para sempre.

Por Caroline White, para BBC.com

 

LER TAMBÉM…

Cá em casa#Rótulos são para as embalagens

São tempos de rótulos | Ver As Crianças Com Olhos De Cão

A ponte para a diversidade – crianças com necessidades educativas especiais

imagem@CarolineWhite

Eu preservo e valorizo as amizades. Mas prefiro quase sempre passar o meu tempo com a minha família do que com qualquer outra pessoa do mundo…

Eu gosto da minha família.

Eu sei que passo mais tempo com eles do que com qualquer outra pessoa do mundo, e é uma opção minha.

Eu passei muito tempo e gastei muita energia para escolher o homem com quem queria partilhar a vida e ele é a pessoa de quem mais gosto no planeta inteiro. E também invisto muito tempo para garantir que os meus filhos se tornem no tipo de pessoas com quem eu quero e gosto de estar. Somos definitivamente um projeto em andamento, mas ainda assim,

eu vou sempre escolhe-los.

Eu escolho estar com eles em vez de ir sair e ir beber um copo com adultos vivos e reais, porque à sexta-feira à noite fazemos um programa de Tv e pipocas em família.

Escolho passar o sábado de manhã com eles em vez de ir a um brunch com amigas. Eu passo a semana toda a correr de um lado para o outro, a manda-los fazer os TPC, arrumar a mochila, a dar banhos e refeições, e quero aproveitar esse nanosegundo do fim de semana para poder estar presente a 100% antes de nos enfiarmos em mais uma semana louca.

Eu escolho estar com eles porque, sejamos sinceros, para estar com as minhas amigar tenho de me vestir à séria.

Eu escolho ir de férias com eles, porque mesmo nos piores momentos, quando estão a fazer birras, a chorar ou implicar, entendo-os. Eu sei quem tem fome, quem está com sono e quem está em baixo e precisa de ser animado. E sim, normalmente sou eu. Eu sei que um de nós está proibido de se descalçar no carro e que outro precisa de comer poucos segundos depois de acordar da sesta. Nós conhecemos os nossos ritmos e particularidades como se fossem as nossas.

Eu escolho-os porque eles são exactamente tudo o que eu sempre quis mesmo antes de saber o que é que queria.

Eu escolho-os porque eles me entendem. Eu sou alegre mas irritante de manhã e normalmente adormeço a meio de um filme ao serão. Eles sabem que adoro manteiga de amendoim, que sou uma versão ansiosa de uma mãe helicóptero quando os vejo a nadar, que eu odeio ter frio e que a desordem me tira do sério. Eles conhecem as minhas falhas todas e amam-me incondicionalmente, na mesma.

Eu escolho-os porque, apesar das suas piadas serem secas, de estarem constantemente a implicar, terem as mãos e caras muitas vezes pegajosas, e cantarem pessimamente a versão do “Take Me Home, Country Roads,” a minha família diverte-me mais do que qualquer concerto, programa fashion, ou qualquer filme no cinema.

Eu escolho-os porque, meu Deus, este tempo está a passar a voar. Pestanejei. Ele fez 10 anos. Ela tem 5. Até tenho medo de pestanejar novamente. Fico aqui com palitos nos olhos a aguentar as pálpebras. Obrigado.

Eu escolho-os porque, nos divertimos à grande a viajar e a fazer ski todos juntos mas também gostamos de ficar um dia em casa, na ronha, sem fazer nada de especial. Estamos juntos apenas e esses são os meus dias favoritos. Os dias de preguiça total que nos enfiamos no sofá confortavelmente com livros, filmes e snacks. Eu escolho este programa a qualquer outro.

Eu escolho-os, porque nesta fase também eles me escolhem. Pelo menos por mais uns tempos, porque assim que tenham carta de condução  vão escolher o mundo inteiro menos a mãe, e isso é normal. Talvez agora chore um bocadinho.

Eu escolho-os porque eles são meus. Tal como as restantes famílias, nós não somos perfeitos, mas estamos a crescer em conjunto. Eles são a minha família.

Por isso os meus amigos que me desculpem por andar a perder algumas coisas. Provavelmente muitas coisas. Mas entendam, eu só tenho este curto período de tempo para escolher os meus filhos, porque brevemente, eles não me escolhem a mim.

E eu quero aproveitar esta fase ao máximo.

Por Joelle Wisler, publicado em Scary Mommy

imagem@shutterstock

As conclusões do trabalho de investigação que traça o perfil ideal dos alunos portugueses na escolaridade obrigatória foram apresentadas este fim de semana, em Lisboa.

Dominar a linguagem, a comunicação, o raciocínio, ter pensamento crítico, fomentar a criatividade e trabalhar as relações interpessoais são algumas das metas que o aluno português deve alcançar até ao 12º ano.

O “Perfil do aluno para o Século XXI” foi apresentado este fim de semana pelo coordenador e antigo ministro da Educação Guilherme d’Oliveira Martins, no Pavilhão do Conhecimento, em Lisboa. Como alerta o responsável no prefácio, este perfil não é “um mínimo nem o ideal, mas do que se pode considerar desejável” para os alunos que concluem a escolaridade obrigatória.

Por escolas mais autónomas

A flexibilização de currículos escolares é um dos pontos mais sublinhados no documento e deverá entrar em vigor já no próximo ano letivo, para os alunos do 1º. 5º, 7º e 10º anos, de acordo com o secretário de Estado João Costa, também presente na cerimónia.

É proposta uma maior autonomia das escolas, para que possam adaptar a prática docente às características dos discentes. Cada estabelecimento de ensino deve procurar valorizar o saber e incutir a curiosidade intelectual nos estudantes portugueses.

A equipa de peritos recomenda que a autonomia na definição dos currículos escolares aumente em 25% e permita um reforço da interdisciplinaridade e do aprofundamento de matérias.

A prática faz a perfeição

O Ministério da Educação quer promover uma escola mais presente na vida dos alunos, dentro e fora dela.

O documento assinado pelo Governo considera o trabalho experimental como base fundamental para o bom exercício escolar e profissional. Segundo a equipa de investigação responsável pelo “Perfil do aluno para o Séc. XXI”, o ensino deve ter por base a interdisciplinaridade e a prática, para que, no futuro, o aluno seja um profissional capaz de trabalhar em cruzamento com outras áreas além da sua.

O documento reflete ainda sobre a necessidade de “educar ensinando com coerência e flexibilidade”.

No centro, a dignidade do aluno

O trabalho prevê uma visão mais humanista da educação, em que a pessoa e a sua dignidade devem ser o centro disciplinar. Dignificar o aluno passa, por isso, por trabalhar a inclusão, os conceitos de democracia e de igualdade.

Cabe às escolas a responsabilidade “de dotar os jovens de conhecimento para a construção de uma sociedade mais justa”, lê-se no documento. A definição de inclusão deve ser trabalhada no corpo discente, pelo que o Governo prevê ainda uma nova legislação sobre educação especial.

Na apresentação que decorreu no sábado, em Lisboa, João Costa disse aos jornalistas que está ainda em curso um processo de “gestão flexível” que será, em breve, colocado em discussão. “Muito brevemente estaremos a apresentar a estratégia da educação para a cidadania. Teremos a proposta de decreto-lei sobre educação inclusiva”, esclarece.

São estes os princípios-chave abordados no perfil traçado pela equipa de investigação, liderada pelo antigo ministro da Educação e atual administrador da Fundação Gulbenkian, Guilherme d’Oliveira Martins. A criação do documento surge no seio de algumas dificuldades que apareceram desde que o ensino obrigatório em Portugal foi alargado até ao 12º ano.

O documento conclui que os alunos devem abandonar este ciclo com as bases necessárias para se tornarem cidadãos “livres, autónomos e responsáveis”.

Notícia de U.Porto

imagem@elizabethalbert

LER TAMBÉM…

Metas Curriculares do 1º Ciclo | Conteúdo programático excessivo

Alunos do 1º ano já podem escrever e pintar nos manuais escolares gratuitos

Receber um aluno com deficiencia na sala de aula não significa inclusão

A perspetiva da criança sobre o babywearing é uma perspectiva imediata. Não tem curto, médio nem longo prazo, só tem o agora. Considerar o babywearing no dia-a-dia sem equacionar a perspetiva da criança, incorre-se o risco de rapidamente olhamos para esta prática apenas como uma rotina para ter mãos livres ou para adormecer as crianças.

O mundo dos graúdos

Uma das vantagens do babywearing é trazer a criança para o nosso plano. Vê o mundo da nossa perspetiva, cá de cima. Vê coisas que não vê lá de baixo, e vê o lá de baixo cá de cima.

Mas também permite à criança interagir com o mundo na vertical, e aproximar-se ou mesmo participar em atividades com os pais, como arrumar a louça, cozinhar, limpar o pó e aspirar. E também é assim ao sair à rua. Vê os carros de forma diferente e chegam às árvores e as sebes do jardim já não são uma parede, são um obstáculo superado.

Um esconderijo

Além de virem cá para cima para experimentarem o mundo ao máximo, encontram no babywearing um esconderijo para repousar, um porto seguro.

Quando o cansaço aperta ou quando o sono está a chegar ou simplesmente porque estão menos pacientes, o porta-bebés ajuda-os a acalmar. Mas onde está a perspetiva da criança aqui? É que muitos de nós iremos ficar surpresos quando repararmos que frequentemente os nossos miúdos vêm ter connosco a pedir para ir para o pano, para descansarem um pouco, conscientes do bem que lhes faz e de como os acalma e os faz sentir melhor.

Um hábito

O repetir da rotina vai criando hábitos e a criança vai interiorizando esses hábitos, tomando-os como dela. O mesmo acontece com o babywearing. Ao introduzir esta prática na família e ao repeti-la com regularidade, vamos também marcar a rotina da nossa criança com esse momento. E vamos perceber que na hora da sesta vai resistir estoicamente contra o pano ou à mochila, mas no momento de ir dar um passeio ao parque, o porta-bebé é o seu melhor aliado e quase que salta para dentro do pano.

Por Nuno César Nunes

Artigo elaborado com base em recolha de informação feita no grupo do FB Babywearing Love Portugal 

imagem@Kristi Hayes-Devlin