De repente cresceste, meu filho

De repente cresceste. Tanto que me disseram que o tempo passa rápido, que passou mesmo. E de repente, estás um crescido.

Aproveitei cada minuto e cada segundo. Nunca te neguei mimo ou colo, e fiz tudo para estar cada minuto possível contigo, mas mesmo assim, o tempo passou rápido e tu cresceste.

De repente, já não eras um recém-nascido, tão pequenino, tão frágil e tão dependente de mim.

Já comias sólidos, atiravas a comida ao chão e sujavas tudo à tua volta.

De repente já escolhes o que queres comer, o que gostas e o que não gostas, e não há quem te demova dos teus gostos.

De repente sentaste-te e bateste palminhas… Gatinhavas e eu corria pela casa atrás de ti…

De repente já andas, corres e exploras o mundo, e deslumbras-te com tudo o que vês.

De repente trepas tudo, cais e esfolas os joelhos. De seguida levantas-te, sacudes as mãos e continuas a correr…

De repente disseste mãe, e de repente já dizes um monte de coisas …

De repente começaste a expressar-te. Tornaste-te consciente das tuas emoções, que são tantas e tão intensas e expressas o que sentes da forma que sabes.

De repente concentras-te. Sabes o que queres fazer, e sabes focar-te na tua tarefa abstraindo-te de tudo o resto.

De repente folheias um livro e rabiscas um papel, ou uma parede do teu quarto.

De repente adoras carros, bolas, adoras marcar golos e dizer os sons dos animais.

De repente fazes birras quando não tens o que queres. Gritas, choras, e empurras-nos para demonstrar o teu desagrado.

De repente dás-me um abraço só porque sim, ou empurras-me para que continues a brincar sem que os meus beijos te atrapalhem.

De repente já não és um bebé. De repente cresceste. O tempo passou e por mais que eu queira fazer o tempo parar, não posso. E tu vais continuar a crescer, a aprender, e definir quem és! De repente deixarás de ser o meu bebé pequenino porque de repente és um rapazinho.

E eu estou tão orgulhosa de ti! E eu gosto tanto, mas tanto de ti, mesmo que de repente… tenhas crescido!

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Quando somos mães longe dos nossos, temos que aprender a arte de improvisar. Temos que aprender a relativizar e a plantar raízes muito fortes. Também pensar que se assim o é, só pode ser porque fomos feitas para ser desse jeito.

Ser mãe sem depender de ninguém [para além do pai] é ser-se mãe mais do que a tempo inteiro, é ser-se mãe num todo e num infinito de definições. É ser mãe, tios, primos e avós. Educar como pais, acarinhar como avós e cometer doidices como tios.

É ter que ensinar que se pode crescer assim sendo igualmente ou tão mais feliz. Que não se deve forçar nada que não nos faça sentido e que a saudade tantas vezes existe para se enxergar melhor o que realmente é.

Mas quando a família não está por perto, nem sempre é fácil. Há dias mais solitários e mais fragilizados. Quando a família não está por perto, há muitas coisas que não conhecemos como realidade e que por isso também não nos faz falta, mas que não é por isso que deixamos de pensar nelas.

Se foi este o rumo que escolhemos, é este o caminho que levamos, mas não esquecemos de como poderia ser, se fosse diferente.

Ser mãe longe da nossa mãe e ser mãe longe dos nossos é ter que ser mais do que já somos. É também nós sentirmos saudade de colo e não o termos quando precisamos.

É preciso o embalo da segurança, é preciso o simples conforto de saber que está ali, ao virar da esquina, mas que não está. É termos que escutar em nós essa necessidade e deixá-la silenciada por dentro. É ter que saber gerir essas emoções e até mesmo as suas próprias contradições de quando estou nem sempre quero estar.

Falta a mão que passa na cabeça, faltam as sopas quentinhas e os chás mágicos. Faltam os alguidares de água quente para massajar os pés doridos.

Faltam as gargalhadas das histórias de infância que se contam quando se compara aquele sorriso, aquele gesto, aquela traquinice.

Há o telefonema e as visitas rápidas. Há as fotografias e vídeos que se partilham. Mas não há muito mais do que isso. Não há a cumplicidade serena de quem nos conhece de verdade. Não há a compreensão de quem sabe o que somos e no que nos tornamos.

Nós já não somos os mesmos. A mãe que nasceu em mim, não é a mesma miúda que cresceu perto deles. Agora cresceu longe, diferente e distante. Poucos já a conhecem.

Sou a mãe que quero ser por completo, mas não deixo de ser a menina que está longe do que a vida a viu-se tornar.

Por Mafalda | Meia Lua

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Querida recém mamã, que começas agora esta nova viagem,  inspira…respira!

Não és a única que estás a sentir um turbilhão de coisas. Que estás a explodir de amor e felicidade mas que não sabendo o porquê também choras e sentes melancolia. Não te culpes! Afinal acabaste por passar pela experiência mais sobre-humana que existe! Deixaste de ser grávida, para seres mãe!

Que sensação nova é essa agora? É avassalador! Essa barrigona desapareceu e tens um ser que depende de ti. Sentes dor e desconforto e as hormonas agora falam mais alto que nunca. Vais amamentar e tens medo? Dói? Não sabes? Ele adormece? Calma! Vai com calma… vais descobrir tudo…

O teu filho vai ensinar-te. Ouve-o antes de ouvires todas as outras vozes! Estás cheia de medo de errar, de não saberes fazer o melhor e mais certo? Mais cedo ou mais tarde vais perceber que isso não existe, somente a tua forma de seres mãe, à tua maneira, te vai ensinar a seguires o teu instinto.

Mas e se esse instinto ainda não surgiu? Não te culpes! Afinal nem sempre, ou poucas vezes, esse clique é imediato! Esse clique até poderá dar-se sem que te apercebas..
Estás ansiosa para voltar para casa, mas no dia da alta estás com medo? Afinal em casa não vai haver enfermeiras a quem podes pedir auxílio a cada soluço do teu filho. Não … mas terás o teu conforto, o mimo dos teus e a paz da vossa meia lua. Preserva isso!

Não te culpes a cada espirro que ele der. Fica atenta mas descansa enquanto ele descansa… ele vai estar ali agora e sempre e precisa de ti forte e segura! Não te deixes abalar por coisas insignificantes…ouvir e ler de mais pode fazer-te mal!

Que biberon dar, que roupa vestir, que boneco comprar… explora apenas o essencial… As tuas hormonas vão dar mais valor ao que vais ler e ouvir do que ao teu próprio instinto! Ele muitas vezes fica abafado por uma pressão incrível de sermos perfeitas aos olhos dos outros. E até de nós próprias!

Não projectes as tuas expectativas naquilo que não estás a ser, pois é porque não o és! És outra coisa, e provavelmente muito melhor! Impõe essa voz que vem de dentro e limita o que te faz sentir mal. O apoio é valioso, carinhos, pessoas queridas presentes. A presença sincera de quem nos ama é mais valiosa do que qualquer conselho. Não tenhas vergonha de pedir ajuda. Todas nós  precisamos dela. As Super Mulheres não são as que não pedem ajuda.
Se te apetecer chorar, só porque sim, chora baba e ranho! Liberta-te, verás que logo a seguir estarás de sorriso de orelha a orelha a admirar o teu filho dormir.

O teu filho é a maior bênção que tens na vida e também o maior conhecedor de como seres sua mãe. Afinal de contas, ele conhece-te melhor que ninguém! Gerou-se em ti, nasceu de ti! Ele ouviu-te, ele sentiu-te, sorriu para ti mesmo sem o veres. Deu-te pontapés só para te garantir que estava ali, forte e saudável. Agora vai estar mais sossegado, não se vão compreender logo logo. Vão-se conhecendo. Vai ser o início de uma descoberta pela vida fora. O abraço dele vai apaziguar-te, o cheiro dele é como uma essência para a alma..
Não vais ser mãe por completo já já! Devagar e sem pressões vivam a vossa lua de leite com calma e com muito, muito amor! 

Por Mafalda | Meia Lua

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P A R A B É N S!

Já temos vencedores!

Paula Dinis – Pedrito Coelho- A Festa da Lili
Ana Ribeiro – Os números
Ana Rita Alves –  Pedrito Coelho, O Ladrão Misterioso
Maria Banha Malta – As letras

Por favor envie um e-mail com nome, morada e ordem de preferência dos livros a receber, para reclamar o prémio para
uptokids@gmail.com

De acordo com a ordem de chegada dos mails, iremos distribuir ao primeiro vencedor a reclamar o prémio a sua primeira opção, e aos restantes será de acordo com o que ainda não foi reclamado, e por ordem de preferência.

Obrigada a todos os que participaram, e fiquem atentos aos próximos passatempo!

Up To Kids®

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A pensar nas nossas crianças, a Up To Kids® em parceria com a Bertrand Editora, vai oferecer 4 Livros Infantis. Dois são da coleção Pedrito Coelho e dois da coleção Toca, Criança.

Pedrito Coelho – A festa da Lili
Pedrito Coelho – O Ladrão Misterioso
Toca, Criança – Os Números
Toca, Criança – As Letras

COMO PARTICIPAR

    1. Fazer like na nossa página de facebook Up To Lisbon Kids e instagram aqui e na página de Fb da Bertrand Editora ?
    2. Partilhar este post no vosso facebook
    3. Comentar aqui no FB com link para 3 amigos

 

REGULAMENTO

O passatempo termina às 23h59 do dia 21 de Agosto de 2016.

O vencedor será sorteado aleatoriamente através do programa Random.com, será anunciado tanto no site como no post do passatempo no facebook. Poderá ser pedido ao vencedor o link da partilha bem como o nome de utilizador de instagram.

Não existe um número limite de participações, no entanto será apurado apenas uma participação vencedora por cada participante.

Este passatempo não é patrocinado, aprovado, administrado ou associado ao Facebook, sendo da exclusiva responsabilidade da entidade promotora. O Facebook exonera-se de qualquer responsabilidade relativamente ao passatempo.

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Desde o incêndio de Pedrogão Grande que os fogos têm sido um tema recorrente cá em casa. Aliás, no ano passado, os meus filhos acompanharam as notícias do incêndio da Madeira por termos lá família, mas ainda assim, ficaram com aquela sensação de que este tipo de desgraças só acontece aos outros, e nunca mais pensaram nisso. Não lhes tirou horas de sono.

Desta vez foi diferente. Aperceberam-se de tudo o que aconteceu e sentiram-no bem de perto. O António, um menino de 6 anos que perdeu a vida juntamente com a sua família no incêndio, jogava Rugby no clube deles. Não eram os melhores amigos, nem tão pouco assim tão próximos, mas foi alguém que eles conheciam. E que tinha a idade deles. O meu filho António, também de 6 anos, dizia-me “Eu não sabia que era possível morrer aos 6 anos. Ele ainda vai ao treino despedir-se antes de ir para o céu?” De partir o coração. Eles participaram na homenagem que a equipa fez, e por tudo isto, seria impossível não surgirem 1001 perguntas em torno do “porque é que isto tinha de acontecer?” Esta catástrofe, sim, veio tirar-lhes horas de sono.

Desde então têm uma atenção especial ao fogo. Passaram a ficar atentos a sinais como fumo no céu ou cheiro a queimado. Durante uma viagem que fizemos recentemente passamos por uma queimada ativa. Eu senti o terror nos olhos e nas vozes deles, apesar de estarem com os pais e lhes explicarmos que era um fogo pequeno e controlado.

Estivemos na apresentação do Livro “Bombeiro dos pés à cabeça”, no Palácio da Galveias, em Lisboa. Durante a leitura da história, o meu filho mais velho sentou-se mesmo à frente do contador de histórias.  Apesar de ter entendido que era um livro infantil (e ele já se considera juvenil a nível de leitura) gostou e considerou muito útil para que as crianças aprendessem não só quais os sinais de um incêndio, como prevenir, e acima de tudo que devemos não só respeitar a floresta como dar-lhe resposta às suas necessidades de limpeza e protecção. Quis ele participar neste meu post com um texto seu, que transcrevo aqui:

Este livro é um bom exemplo para as crianças porque proteger a floresta é muito importante. Basta aparecer só uma faísca na floresta para começar um incêndio. O livro chama-se Bombeiro dos pés à cabeça porque, de facto, a Rita tinha imensas qualidades para ser bombeiro. Diz que as mãos, os pés, os joelhos, os braços, o pescoço, as orelhas, o coração etc, são partes fundamentais numa pessoa para ajudar a prevenir os incêndios e a respeitar a natureza. Todos nós temos um bocadinho da Rita no nosso coração, e devemos estar atentos e explorar as nossas capacidades de bombeiro.- José Maria, 10 anos

Bombeiro dos pés à cabeça

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O livro “Bombeiro dos pés à cabeça” está inserido num projeto existente desde 2014, criado pelo Grupo Os Mosqueteiros e pela Liga dos Bombeiros Portugueses. Este é o segundo livro lançado com o objetivo de sensibilizar e envolver os mais novos na causa dos bombeiros, e na necessidade de proteger e preservar as florestas, sendo que as vendas revertem na íntegra para a aquisição de novos equipamentos para os bombeiros portugueses.

Manuel Luís Goucha e Isabel Silva são os embaixadores desta campanha e falaram, sem poupar palavras, da importância de sensibilização ambiental.

“Para a prevenção falta vontade política. Há muitos interesses, nós sabemos, não sejamos hipócritas nem sejamos politicamente corretos. Eu estou farto porque acho que o país está refém do politicamente correto.”- Manuel Luis Goucha

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Cada vez se ouvem mais notícias de crianças e adolescentes que se perderam por causa da net.

Não sejamos tendenciosos que não é só desde o aparecimento da web que temos perdido filhos. Antes disso também acontecia.

Mas antes perdíamos os filhos nos rios, nas estradas, nos mares, e hoje perdemo-los dentro do quarto!
Quando brincavam nos quintais ouvíamos as vozes deles ao longe, as conversas e, mesmo à distância, sabíamos o que se passava naquelas cabeças. Quando entravam em casa não havia uma televisão em cada quarto, nem gadgets nas suas mãos. Quero deixar bem claro que não sou contra tudo, nem excluo da vida dos meus filhos, apenas modero. Mas meus queridos, sejamos sinceros: temos vindo a perder o equilíbrio.

Hoje não ouvimos as vozes deles, nem ouvimos os seus pensamentos e fantasias. As crianças estão ali, dentro dos seus quartos e por isso acreditamos que estejam em segurança. Que imaturidade a nossa.

Fechados nos quartos de phones nos ouvidos, trancados nos seus mundos, a construir saberes sem que saibamos quais são… nem tão pouco orientados por nós.
Alguns têm perdido literalmente a vida, mas há tantos outros que ainda aí andam vivos fisicamente, mas mortos nos seus relacionamentos com os pais, fechados num mundo global de informação e estímulos, de ídolos do youtube, de modas passageiras que em nada contribuem para a formação de crianças seguras e fortes, e se tornam crianças sem qualquer capacidade para tomar decisões moralmente corretas e de acordo com os seus valores familiares.

Dentro dos próprios quartos perdemos os nossos filhos que já não sabem quem são nem qual a sua identidade familiar… Tornam-se numa mescla da informação adquirida em vídeos, personagens e ideias que os influenciam lentamente, até ao dia em que nós, os pais, nos apercebemos que já não reconhecemos os nossos filhos.

Agora podes ler este texto, gostar e taggar amigos. Podes reconhecer aqui verdades e refletir sobre elas. Podes rever-vos nestas palavras. Isso já será excelente.

Desafio Filhos do Quarto

Mas como Psicopedagoga tenho visto tantas famílias com filhos “mortos” dentro do próprio quarto, que vou deixar aqui um convite, e espero que aceites: convido-te a tirares o teu filho do quarto, do tablet, dos phones; convido-te a comprar jogos de mesa, tabuleiros e a ter os teus filhos na sala, ao teu lado no mínimo duas noites fixas todas as semanas  (para além do sábado e domingo). E joga, diverte-te com eles, ouve as suas vozes e falas, os pensamentos e aproveita a grande oportunidade que é  tê-los vivos física e espiritualmente, a dar o trabalho que os filhos dão a educar. Os teus filhos vão aprender a viver em família e vão desenvolver o sentimento de pertença pela família e lar, e não precisarão de se aventurar em “Baleias Azuis” e afins para se sentirem aceites ou para sentirem um pouco da adrenalina que antigamente tínhamos com as brincadeiras na rua!

Adaptação de texto original de Cassiana Tardivo, por Up To Kids®

imagem@ontslog

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Crianças inteligentes sobem às árvores e saltam nas poças

P A R A B É N S!

Já temos vencedores!

Carla Ferreira Neves –  “Os contrabandistas de Cristais”
Mafalda Carvalho –  “Os contrabandistas de Cristais”
Rita Lopes – ”Um estranho caso na Quinta!
Luana Cristina – ”Um estranho caso na Quinta!

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Para organizares a tua leitura de férias, a Up To Kids® em parceria com a Booksmile, vai oferecer 2 exemplares de cada tema da Coleção “Clube dos Cientistas”:

 “Os contrabandistas de Cristais”

”Um estranho caso na Quinta!

COMO PARTICIPAR

  1. Fazer like na nossa página de facebook Up To Lisbon Kids e instagram aqui e na página de Fb da Booksmile 🙂
  2. Partilhar este post no vosso facebook
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REGULAMENTO

O passatempo termina às 23h59 do dia 6 de Agosto de 2016.

O vencedor será sorteado aleatoriamente através do programa Random.com, será anunciado tanto no site como no post do passatempo no facebook. Poderá ser pedido ao vencedor o link da partilha por isso guarde-o ou faça um print screen do mesmo.

Não existe um número limite de participações, no entanto será apurado apenas uma participação vencedora por cada participante.

Este passatempo não é patrocinado, aprovado, administrado ou associado ao Facebook, sendo da exclusiva responsabilidade da entidade promotora. O Facebook exonera-se de qualquer responsabilidade relativamente ao passatempo.

Não ias ao cabeleireiro, porque os teus netos vinham almoçar e foi a eles que te dedicaste de corpo e alma, transmitindo-lhes os verdadeiros valores da partilha e do amor. Dedicação de mãe, ao dobro, que só tem olhos para o amor aos seus.

Ias ao supermercado e compravas o que toda a tua família mais gostava de almoçar, ao domingo, em tua casa. A casa que todos procuravam para desabafar as vicissitudes da vida e as encostas mais íngremes desta escalada que é viver. Aquela casa branca de barras amarelas, com um vaso de feto à porta e um rádio que tocava uma música portuguesa, da qual já não me lembro muito bem. Cantarolavas a músicas e davas alegria à rua toda. Acho até que as tuas malvas cantavam também.

Viver para os outros sem limites e com vontade que as reuniões de família durassem uma eternidade. Todos reunidos à volta da mesa era sinónimo de um sorriso rasgado no teu rosto. Rosto de mulher cansada, mas com uma garra e uma força de viver que transbordavam do balde da esfregona que tinhas à porta da cozinha. E bate-me uma saudade.

Sinto até o cheiro da roupa molhada no estendal, por cima do teu tanque de pedra. Era lá que te encostavas a falar com quem te visitava.

Eterna Mulher Saudade, que hoje vive assombrada por uma vida de passado, de lembranças boas, recordando uma casa cheia de sorrisos, gente feliz, papéis e laços de embrulho que desatavam os nossos sonhos de meninice.

Eterna Mulher Saudade, sempre foste a atriz principal, mas em papel secundário.
Eterna Mulher Saudade, trilhaste o teu caminho, marcando com pegadas de sal o caminho de quem o cruzou contigo. E o meu? Marcaste e marcas ainda, minha Eterna Mulher Saudade.
Eterna Mulher Saudade, que me enche de paz e tranquilidade, sempre que falamos neste mundo de correria e, só por cinco minutos, me dás o teu sorriso mais sincero.
Eterna. Assim serás para mim.

Eterna Mulher Saudade.

Por Dora Nunes, para A mente é Maravilhosa, adaptado por Up To Kids®

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Calma! Calma mães desesperadas, sonolentas, com roupas manchadas de leite e sabe-se lá mais o quê… Calma, mulheres que não vêm um rimel há mais de 6 meses e já desistiram daqueles jeans justos que antes ficavam tão bem… Não se zanguem, mães cansadas de arrumar uma casa onde mais parece que vivem 15 do que 3, e que já não sabem o que mais inventar para fazer uma sopa “diferente”…

Eu sou como vocês! Eu estou como vocês! Estamos todas assim!

Antes que se revoltem comigo por dizer que ser mãe é fácil, deixem-me explicar:

Antes do meu filho nascer tinha medo… Tinha muito medo… E se eu não soubesse cuidar de um bebé?! E como é que se fazia a alimentação dele? E se ele ficasse doente?! E se não fosse boa mãe?! 
Depois, entrei em “modo automático”! Nada do que eu fazia era consciente ou propositado, era puro instinto… Como se estivesse fora do meu corpo sem ter a verdadeira noção das minhas acções… Quase como um sonho, mas sempre com um diabinho na minha cabeça a dizer tudo o que EU TENHO QUE fazer… TENS QUE fazer isto, TENS QUE fazer aquilo… Raio do bicho..

Com o tempo percebi que eu não “TINHA QUE” nada! Nem tinha, nem tenho! Porque ser mãe é tão fácil…

Há alturas complicadas. Há momentos difíceis.Há o cansaço, o não saber o que fazer. A pressa de voltar ao que a vida era (sem ainda sonhar que nunca mais será igual), a necessidade de voltar a sentir outras coisas (sair daquele modo automático que falei mais acima)… É duro! É o papel mais duro nas nossas vidas. Mas é também o mais gratificante e aquele que mais nos preenche! Os momentos bons são muitos mais e sobrepõem-se claramente às dificuldades, e um abraço daqueles pequenos seres cura todos os males do mundo! É mágico…

E na verdade ser mãe é tão fácil… Porque não precisamos de nada. O que faz de nós boas mães está em nós. Cresce em nós, tal como eles!
Porque instintivamente vamos saber como cuidar deles. Vamos saber dar-lhes o que eles precisam, vamos curar todos os males com colo, mimo e abraços… É natural, é instintivo… É algo que vive em nós e que não sabemos até sermos mães… É difícil de explicar, mas na realidade, ser mãe é tão fácil quanto dar um abraço. Porque um abraço entre mãe e filho é o momento mais sereno que há! É onde tudo é certo, tudo é bom, tudo é feliz!
E se o que queremos é que sejam felizes, é tão simples quanto isso. Basta amá-los e o resto acontece!  Porque quando se ama, não é preciso mais nada!

imagem@babble

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O mais difícil de ser mãe, é aceitar que o somos

 

A arte de perder não é difícil de dominar; há tantas coisas que parecem preenchidas com a intenção de se perderem que a sua perda não é nenhum desastre. Perde algo todos os dias. (…) Depois pratica o perder mais e perder mais rápido: lugares e nomes, até de sítios que desejavas conhecer. Nada disso será um desastre”

O poema de Elizabeth Bishop, One art, deveria ser leitura obrigatória e diária para aqueles pais que se recusam a perder os filhos para o mundo. Em vez de acompanhá-los nessa viagem que, à partida, não será desastrosa, querem ampliar o tamanho do mundo que controlam. O mundo em forma de família. O mundo em forma de prisão.

Na arte de imbecilizar crianças, os currículos tiranos, as seleções baseadas em exercícios de mnemónicas e as rotinas escolares pouco significativas concorrem fortemente com o receituário pouco inteligente dos pais. Neste sentido, a primeira tática para imbecilizar crianças consiste em protegê-las exaustivamente de problemas. Evitar contacto com as verdades dolorosas. A bruxa e a madrasta malvada devem ser banidas juntamente com o lobo mau. Em cima do piano já não há um copo com veneno, mas um sumo azedo. A morte é apenas uma viagem. A forma afirmativa, pessoal e direta “Atirei o pau ao gato” deve ser vertida para o mais sóbrio e correto “Não atires o pau ao gato porque isso não se faz”. Corta-se assim o suporte imaginário necessário para que a criança elabore o seu sadismo, bem como o masoquismo social que a cerca. De facto, a palavra “imbecil” provém do latim baculum, bastão de pastor.  Alguém sem bastão é alguém que deve ser pastoreado pelos outros; alguém que não fará uso algum do seu bastão para se defender será, pois, um fraco e frágil… Sem pau para atirar.

A segunda tática para não perder os filhos para o mundo consiste na sua cretinização. Os cretinos eram crianças que habitavam os vales da Suíça, onde o sal continha pouco iodo. Sem iodo desenvolviam uma deficiência cognitiva associada à disfunção da tireóide. Como já não podiam ser educadas pelos pais, eram transferidas para as comunidades religiosas, daí o termo chrétien (cristão). E assim, fazem os pais que entregam seus filhos à escola como se esta tivesse não apenas de os ensinar, mas educar, controlar, disciplinar, cuidar e por aí adiante. E assim concorre com os que terceirizam a educação dos filhos.

A terceira técnica na arte de não perder as crianças para o mundo consiste em mantê-las isoladas, em situação de indivíduo privado ou, como os gregos chamavam, estado de idiotez.  A escola é um obstáculo para o novo espírito do neoliberalismo, que advoga que cada um de nós é uma espécie de livre empresa que deve escolher livremente os seus fornecedores e aplicar os seus investimentos segundo os princípios de otimização de resultados. Esses pais empreendedores sentem-se, segundo a prerrogativa de pagantes e clientes, no direito de elevar os princípios individuais e privados à dignidade da coisa pública. Educação é um empreendimento público, não é uma associação privada de interesses ampliados da família. Contudo é assim que agem os que querem proteger a criança das normas, das leis e das regras, cuja razão de ser é pública.

A arte de imbecilizar crianças, como se vê, é o contrário do que nos recomendava a poeta americana. Esta arte consiste em reter para nós o que devia ser do mundo, em temer desastres quando o pior desastre já está a acontecer. É uma vida sem bastão, sem sal ou sem via pública. Quando percebemos o quanto dominamos esta arte, geralmente já é tarde demais e os nossos filhos já se foram e da pior maneira possível. De modo mais lento para um mundo que os condenou a uma minoria penal perpétua.

Artigo originalmente publicado na edição de Agosto de Mente e Cérebro, , adaptado por Up To Kids®

imagem@shutterstock

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