{"id":6378,"date":"2015-03-18T20:42:49","date_gmt":"2015-03-18T20:42:49","guid":{"rendered":"http:\/\/uptolisbonkids.com\/?p=6378"},"modified":"2015-03-18T20:42:49","modified_gmt":"2015-03-18T20:42:49","slug":"pai-nao-gosto-de-ti","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/?p=6378","title":{"rendered":"Pai, n\u00e3o gosto de Ti."},"content":{"rendered":"<p>Claro que se pedia uma abertura com esp\u00edrito infantil. N\u00e3o gosto de ti. Adoro-te! \u00c9 assim, com alma de eterna crian\u00e7a que fico quando penso em ti pai.<\/p>\n<p>Sou pai h\u00e1 12 anos. Mesmo assim acho que nunca vou ter altura para entender o mist\u00e9rio. N\u00e3o vou ter palavras para definir. Nem h\u00e1 medidas para tal quantidade de sentimentos.<\/p>\n<p>Aprendi tanto contigo, pai. Mas gostava de deixar aqui registado a lista das dez coisas mais inesperadas que me transmitiste.<\/p>\n<p>1 &#8211; Quando pediste ao av\u00f4 para me levar at\u00e9 ao fim da rua numa volta m\u00e1gica de carro, para que tu e a m\u00e3e tivessem tempo de deixar a \u00e1rvore de natal repleta das prendas desejadas, ensinaste-me o valor do on\u00edrico, o desejo de sonhar, a vertigem do inesperado cheio de humor. Ainda hoje sinto o cora\u00e7\u00e3o a vibrar quando me lembro da cena.<\/p>\n<p>2 &#8211; Quando me perguntaste quais eram as minhas inten\u00e7\u00f5es com aquela que veio a ser a mulher da minha vida, ensinaste-me a responsabilidade, a gentileza e o respeito.<\/p>\n<p>3 &#8211;\u00a0 Quando me perdoaste r\u00e1pido pelo erro grave naquele local onde treinavas, senti a seguran\u00e7a eterna e blindaste-me. Esse amuleto, trago sempre comigo. Para sempre comigo.<\/p>\n<p>4 &#8211; A tua caixa de madeira com moedas raras, os teus perfumes, os teus isqueiros, ensinaram-me o valor dos <em>hobbies<\/em> para a vida plena. A tal vida abrupta e, por vezes, indecorosa \u00a0capaz de roubar o tempo e a presen\u00e7a dos nossos mais preciosos amados. A tal vida que merece ser placada com intelig\u00eancia. Placada com prazeres e interesses.<\/p>\n<p>5 &#8211; Quando te vi no hospital a olhar para a tua neta mais nova com o mesmo brilho com que olhaste para a primeira, ensinaste-me a acordar com for\u00e7a, a investir contra o cansa\u00e7o, a olh\u00e1-la tamb\u00e9m com esse brilho, com essa ternura.<\/p>\n<p>(Sabes, tenho que fazer um par\u00eantese. Hoje li, sem querer, o bilhete que o teu neto me est\u00e1 a escrever para o dia do pai. Estava em cima da secret\u00e1ria dele. Acho que ele partilha connosco alguma fantasia. Ele dizia que eu era o melhor pai do mundo, que n\u00e3o interessavam os erros (acho que a frase \u00e9 tua). Dizia que a nossa estrada \u00e9 infinita, que n\u00f3s estamos lado a lado numa mota em dire\u00e7\u00e3o ao infinito. E que vamos conduzir para sempre. N\u00e3o \u00e9 bonito? Adorei. Depois mostro-te quando ele me der).<\/p>\n<p>6 &#8211; Quando partilhaste comigo o teu ritual dos domingos, reconheci o futuro e uma f\u00f3rmula para perpetuar v\u00ednculos e la\u00e7os. Hoje tamb\u00e9m exer\u00e7o esse ritual. Eu e o teu neto. Por vezes, eu e a tua neta.<\/p>\n<p>7 &#8211; Quando me ias buscar de surpresa \u00e0 escola, senti surpresa. Depois, anos mais tarde, senti que era mais do que um acaso. Era proximidade. Era preven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>8 &#8211; Quando te telefono e ou\u00e7o o tom com que me chamas &#8220;filho&#8221;, reconhe\u00e7o a dist\u00e2ncia. Essa cruel dist\u00e2ncia que nunca ir\u00e1 ganhar, simplesmente porque n\u00e3o existe. N\u00e3o lhe damos confian\u00e7a. Entre n\u00f3s n\u00e3o h\u00e1 dessas coisas.<\/p>\n<p>9 &#8211; Quando me contaste a hist\u00f3ria para adormecer, nem sonhava com o seu poder. Poder de transformar uma cama num barco, um quarto numa selva, um sonho no sonho e um choro num sorriso.<\/p>\n<p>Como este sorriso que tenho ao escrever-te. Como este sorriso por descobrir a aus\u00eancia do ponto n\u00famero dez.\u00a0 N\u00e3o o vou escrever. A lista \u00e9 intermin\u00e1vel. Vou reescreve-la todos os anos por este dia. E pararei sempre no n\u00famero dez. Porque ser teu filho \u00e9 uma hist\u00f3ria intermin\u00e1vel, uma aprendizagem incomensur\u00e1vel, um amor inabal\u00e1vel.<\/p>\n<p>O teu neto tem raz\u00e3o. Tamb\u00e9m acho que a nossa estrada \u00e9 infinita, que n\u00f3s estamos lado a lado numa mota em dire\u00e7\u00e3o ao infinito. E que vamos conduzir para sempre. Vamos embora?<\/p>\n<p><em>Por Alfredo Leite, Mundo Brilhante,\u00a0<\/em><br \/>\n<em>para Up To Lisbon Kids\u00ae<\/em><\/p>\n<p><em>Todos os direitos reservados<\/em><\/p>\n<p><span style=\"color: #808080;\"><em>image@shutterstock<\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Claro que se pedia uma abertura com esp\u00edrito infantil. N\u00e3o gosto de ti. Adoro-te! \u00c9 assim, com alma de eterna crian\u00e7a que fico quando penso em ti pai. Sou pai h\u00e1 12 anos. Mesmo assim acho que nunca vou ter altura para entender o mist\u00e9rio. N\u00e3o vou ter palavras para definir. 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