{"id":5904,"date":"2015-02-20T16:47:08","date_gmt":"2015-02-20T16:47:08","guid":{"rendered":"http:\/\/uptolisbonkids.com\/?p=5904"},"modified":"2015-02-20T16:47:08","modified_gmt":"2015-02-20T16:47:08","slug":"violencia-juvenil-em-casais-de-namorados-bates-forte-ca-dentro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/?p=5904","title":{"rendered":"Viol\u00eancia Juvenil em casais de namorados &#8211; Bates forte c\u00e1 dentro!"},"content":{"rendered":"<p>Isto de falar sobre viol\u00eancia dom\u00e9stica, assunto que nos toca fundo, deve ser escrito com as ideias assentes, sem d\u00favidas, de um modo circunscrito, balizado, incisivo, sem dar largas \u00e0 especula\u00e7\u00e3o infantil que toca na <strong>parede mestra<\/strong> das liberdades e direitos, e a derruba. A leviandade com que se fala de viol\u00eancia \u00e9 t\u00e3o ou mais perigosa do que a viol\u00eancia em si, porque na minha opini\u00e3o toca em <strong>dois pontos<\/strong> que n\u00e3o se encontram totalmente claros na cabe\u00e7a de muita gente.<br \/>\n\u00c9 muito f\u00e1cil atribuir a culpa da agress\u00e3o ao agredido, e neste campo s\u00e3o as mulheres a ganhar caminho contra outras mulheres, prof\u00edcuas em proteger os homens, os filhos, os maridos, os irm\u00e3os, deitando por terra o longo e sinuoso caminho que entende a viol\u00eancia dom\u00e9stica como consequ\u00eancia e n\u00e3o como causa.<br \/>\nEscrever sobre viol\u00eancia dom\u00e9stica \u00e9 perigoso. Ou o autor resvala para a autocomisera\u00e7\u00e3o e para a vitimiza\u00e7\u00e3o da mulher, fraca e oprimida, \u00e0 merc\u00ea do macho viril qual inseto debaixo da sola, ou resvala para a culpa da mulher, que em todo o caso &#8216;mereceu&#8217; a agress\u00e3o, \u2018estava a pedi-las\u2019, ou calibra a viol\u00eancia de acordo com a situa\u00e7\u00e3o, isto \u00e9, deixa a culpa onde o senso comum e o seu n\u00edvel de preconceito se encontra melhor adaptado.<br \/>\nQuero com isto dizer que ou ficamos definitivamente do lado da mulher, mesmo que ela seja uma perdida, uma tonta, uma qualquer, ou lhe metemos as culpas, culpando-a por ser fr\u00e1gil, por perdoar, por se deixar bater, e por n\u00e3o reagir denunciando.<br \/>\nNos caminhos que tracei como \u00fanicos (n\u00e3o podemos ser <em>nim<\/em> e nem Charlie) estou radicalmente do lado da mulher, mesmo que me aflorem raivinhas-de-dentes quando algumas &#8216;se p\u00f5e a jeito&#8217; dando uma segunda oportunidade ao agressor, mas isso sou eu a destilar o meu veneno anti-submiss\u00e3o, e esta deriva\u00e7\u00e3o canina n\u00e3o me deixa lugar \u00e0 viol\u00eancia, seja ela qual for, em qualquer dos casos.<\/p>\n<p>Escrever sobre viol\u00eancia dom\u00e9stica \u00e9 perigoso.<br \/>\nEscrever sobre <strong>viol\u00eancia juvenil <\/strong>\u00e9 um p\u00e2ntano.<\/p>\n<p>As d\u00favidas sobre o que leva um mi\u00fado a agredir a namorada eleva o problema a um outro patamar. N\u00e3o \u00e9 suposto que um mi\u00fado com 18 anos seja alco\u00f3latra, que esteja no desemprego, que sinta ganas de matar por ci\u00fame, que tenha um historial frustracional capaz de partir para a viol\u00eancia gratuita, derivado de recalcamentos antigos, que sempre atribu\u00edmos \u00e0 viol\u00eancia adulta.<br \/>\nA profundidade do p\u00e2ntano \u00e9 desconhecida, n\u00e3o sabemos se a \u00e1gua podre se fica por ali, ou se vai desaguar em viol\u00eancia crescida, viol\u00eancia assumida, ao chegar a idade adulta.\u00a0 \u00c9 que vede, para mim a juventude \u00e9 uma parede branca. Um inicio. Um maravilhoso inicio para tudo o que pode vir a ser, e a esperan\u00e7a que traz uma parede branca, imaculada, onde nos podemos perder em pinturas, quadros, estantes, ou apenas abrir nela um buraco e fazer uma janela, deve ser de todas a mais protegida. Manter a parede mestra de p\u00e9, urge. Sem parede ningu\u00e9m pinta, sem parede v\u00e3o-se os sonhos.<br \/>\nE as janelas.<br \/>\nA parede mestra [na viol\u00eancia juvenil] \u00e9 aquela que divide o mais forte do mais fraco, o mais cool do mais tot\u00f3, o mais abonado do mais endinheirado, o mais esperto do mais inteligente. \u00c9<strong> a que trava impulsos infantis do g\u00e9nero tau-tau, do g\u00e9nero filial, sem consequ\u00eancia ou consequ\u00eancia banal.\u00a0<\/strong> \u2018Levas agora um estalo como me dava a minha m\u00e3e, que isso depois passa\u2019. E n\u00f3s a ver que n\u00e3o, que a raiva juvenil \u00e9 como um animal acossado, e do estalo ao murro&#8230; enfim, j\u00e1 sabemos onde vamos bater com a cabe\u00e7a.<br \/>\nA parede mestra que urge proteger \u00e9<strong> que evita a domestica\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia<\/strong>.<br \/>\nO t\u00edtulo do post: &#8216;bates forte c\u00e1 dentro&#8217; surgiu-me de forma espont\u00e2nea quando tentava fazer a liga\u00e7\u00e3o entre o exemplo que retiramos diariamente dos reality shows (e das redes sociais que comentam este tipo de programas) e o aumento da viol\u00eancia entre namorados, por um lado, e esclarecer o leitor quanto a este meu conceito de \u2018domestica\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia\u2019.<br \/>\n<strong>O que \u00e9 isso de bater numa mi\u00fada em\u00a0frente dos amigos? E na televis\u00e3o?<br \/>\n<\/strong>O que leva um fedelho de 20 anos, que mal segura as cal\u00e7as nos il\u00edacos, a dar uma tareia na namorada, com instintos de macho alfa,<em> entesuado <\/em>por exemplos dom\u00e9sticos, qui\u00e7\u00e1 inocentes, permitidos socialmente atrav\u00e9s das televis\u00f5es e coment\u00e1rios na internet?<br \/>\nQue fraca parede foi esta, que in\u00fatil muro \u00e9 este, que ao despontar da maturidade imberbe, como desponta a barba mal semeada, n\u00e3o foi capaz de evitar o caminho funesto da viol\u00eancia fortuita, experimentativa, curiosa, como o \u00e9 a adolesc\u00eancia, e que ocupa todo o espa\u00e7o da rela\u00e7\u00e3o, caindo desamparado e deixando entulho suficiente para enterrar uma fam\u00edlia inteira?<br \/>\nPoderia esculpir aqui uma teoria baseada no aumento da mis\u00e9ria humana, da pobreza, nas ra\u00edzes secas desta gente, sem eira e nem beira, sem ch\u00e3o. Delinquentes, perdidos nesses bairros sociais, repletos de problemas irresol\u00faveis, engolfados pelo sistema vigente, pobres tamb\u00e9m no esp\u00edrito acomodado.<br \/>\n<strong>Mas cai-me por terra a parede que tento erguer entre a plebe cicatrizada e a classe menos vadia, entre o bairro social e a classe mediana do sub\u00farbio nascido rente ao Centro Comercial, entre os mal formados e os pouco formados, entre os que se criam na rua sem muros e sem janelas, e os que se criam em casa, atr\u00e1s de &#8216;janelas&#8217;, que partem muros e partem tudo.<br \/>\n<\/strong>Nas redes sociais n\u00e3o se distinguem. Escrevem todos pessimamente mal, cabe\u00e7as de galinha e grandes unhas de gel apoiam com ternura um estalo bem dado a uma que j\u00e1 &#8216;andava a pedi-las&#8217;, e aplaudem a atitude correta e inevit\u00e1vel do namorado que deu um pux\u00e3o de cabelos para dar a li\u00e7\u00e3o maternal, e para a ensinar &#8216;a ter ju\u00edzo&#8217;.<br \/>\nMeninas, mas que \u00e9 isso?<br \/>\nQuereis ser filhas ou mulheres?<br \/>\nE confundem-me, porque os que escrevem muito bem, os cultos, os interessantes, os participativos, tamb\u00e9m gostam de pancadaria, que eu bem os vejo&#8230; por a\u00ed.<br \/>\nBates forte c\u00e1 dentro! Pois parece que j\u00e1 nem o pudor e o cuidado de bater &#8216;como deve ser&#8217; se fica entre quatro paredes.<br \/>\nE agora bates forte tamb\u00e9m c\u00e1 fora!, bates forte nos coment\u00e1rios!, bates forte atr\u00e1s do anonimato!, bates forte escondendo a cara!.<br \/>\nE bates forte na discoteca com um telem\u00f3vel a gravar o gajo a apertar-lhe o pesco\u00e7o.<\/p>\n<p>Foi-se a parede mestra.<br \/>\n<strong>Domesticou-se a viol\u00eancia.<br \/>\n<\/strong>E assim vai a juventude.<br \/>\nComo eu, que vim agora do Facebook, precisamente de uma caixa de coment\u00e1rios que comenta alarvemente a agress\u00e3o &#8216;nada de especial&#8217; de um rapazola \u00e0 sua namorada da Casa dos Segredos, m\u00e3ezinha do c\u00e9u! o que para ali vai de apoio feminino ao rapaz que agrediu a mi\u00fada \u00e0 chapada e de rapazolas cheios de tudo, nos peitos vazios.<br \/>\nBatem-me forte c\u00e1 dentro, estes que no fundo andam \u00e9 a bater muito mal!<\/p>\n<p><em>Por Uva Passa, no Blog Uva Passa<\/em><br \/>\n<em>autorizado para\u00a0Up To Lisbon Kids\u00ae<\/em><\/p>\n<p>imagem capa@dig.do<\/p>\n<p><em>Todos os direitos reservados<\/em><\/p>\n<p class=\"yt watch-title-container\"><em><span id=\"eow-title\" class=\"watch-title long-title\" dir=\"ltr\" title=\"Campanha contra a viol\u00eancia no namoro \u2013 Quem te ama, n\u00e3o te agride!\"><br \/>\nCampanha contra a viol\u00eancia no namoro \u2013 Quem te ama, n\u00e3o te agride!<\/span><\/em>[youtube https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=yUzMM_2ZV5A]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Isto de falar sobre viol\u00eancia dom\u00e9stica, assunto que nos toca fundo, deve ser escrito com as ideias assentes, sem d\u00favidas, de um modo circunscrito, balizado, incisivo, sem dar largas \u00e0 especula\u00e7\u00e3o infantil que toca na parede mestra das liberdades e direitos, e a derruba. A leviandade com que se fala de viol\u00eancia \u00e9 t\u00e3o ou [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":23,"featured_media":5905,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[11],"tags":[42,272,273],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5904"}],"collection":[{"href":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/23"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=5904"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5904\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/index.php?rest_route=\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=5904"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=5904"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=5904"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}