{"id":5647,"date":"2015-02-03T19:29:26","date_gmt":"2015-02-03T19:29:26","guid":{"rendered":"http:\/\/uptolisbonkids.com\/?p=5647"},"modified":"2015-02-03T19:29:26","modified_gmt":"2015-02-03T19:29:26","slug":"afinal-as-maes-nao-envelhecem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/?p=5647","title":{"rendered":"Afinal as m\u00e3es n\u00e3o envelhecem"},"content":{"rendered":"<h2>Afinal as m\u00e3es n\u00e3o envelhecem<\/h2>\n<p>Escrevemos muito sobre os filhos, sobre os sentimentos que temos por eles e o que significa para n\u00f3s ter aqueles dois olhinhos pequeninos ali, primeiro ao n\u00edvel das nossas pernas, depois da cintura, depois do peito, e sempre a subir\u2026 olhos t\u00e3o curiosos e brilhantes, bonitos, risonhos, e desdobramos-nos em mil temas sobre a responsabilidade de os ensinar a viver, de os fazer crescer at\u00e9 que se tornem adultos, completos, felizes, enfim, futuros cidad\u00e3os que criamos com enlevo e com a esperan\u00e7a de que queiram bem aos outros, e que nos queiram sempre bem, a n\u00f3s.<br \/>\nE escrevemos muito sobre n\u00f3s, e o que \u00e9 ser m\u00e3e, a gravidez e o parto, a complexa metamorfose do corpo, o peito que descaiu, o casamento que esfriou, o trabalho que se empina na secret\u00e1ria, a vida de todos os dias envolta em mil tarefas dom\u00e9sticas chatas e rotineiras, e o que isto nos custa a cumprir.<br \/>\nE como custa!<\/p>\n<p>Mas hoje fa\u00e7o diferente.<br \/>\nHoje decido afastar-me de mim, da minha filha, da minha maternidade e dos meus pequenos tormentos di\u00e1rios, e encosto o meu corpo ao corpo da minha m\u00e3e, para lhe sentir o calor, a vida pulsada que me envolveu e me criou, e que me ajuda todos os dias, na dif\u00edcil tarefa de me manter \u00e0 tona como mulher e como m\u00e3e, mas sobretudo que nunca me abandona como filha.<\/p>\n<p>A minha m\u00e3e fez 61 anos.<br \/>\n\u00c9 praticamente imposs\u00edvel acreditar que a nossa m\u00e3e fa\u00e7a anos, quanto mais 61.<\/p>\n<p>Quando eu era s\u00f3 filha, ouvia muito dizer que para as m\u00e3es os filhos nunca crescem.<br \/>\n\u00c9 uma tremenda injusti\u00e7a pensar nisto unilateralmente, j\u00e1 que eu, como filha, tamb\u00e9m creio que a minha m\u00e3e nunca envelhece.<br \/>\nParece-me que para ambos, m\u00e3es e filhos, houve um momento l\u00e1 atr\u00e1s que ficou cristalizado no tempo. Houve ali um segundo em que o tempo das m\u00e3es e dos filhos parou, exatamente no mesmo momento.<br \/>\nE para ali ficaram os dois, para sempre.<br \/>\nPara mim, a minha m\u00e3e est\u00e1 l\u00e1 atr\u00e1s, naquele tempo, e quando a procuro, vou ainda ao encontro duma m\u00e3e muito alegre, que me abria tomates com sal, e segurava sedutora o seu cigarro pequenino com m\u00e3os sapudas, mesmo que por estes dias a encontre pachorrenta, com uma m\u00e3o segurando uma cara redonda e com a outra fazendo festas num gato, t\u00e3o l\u00e2nguido como ela.<br \/>\nContinuo no entanto sorvendo dela os ensinamentos de outros tempos, agora com mais aten\u00e7\u00e3o, com mais cuidado, mas gosto de pensar que tenho a m\u00e3e que sempre tive, e que tenho a mesma m\u00e3e de sempre.<br \/>\nA minha m\u00e3e n\u00e3o envelhece e n\u00e3o est\u00e1 velha. Coleciona os anos, as viv\u00eancias, as durezas da vida, mas \u00e9 ela, aquela m\u00e3e.<br \/>\nOutros h\u00e1, que ilusionados pela torpeza da maternidade v\u00eam dizer que s\u00f3 quando uma mulher se torna m\u00e3e \u00e9 que descobre e entende, finalmente, a import\u00e2ncia da sua pr\u00f3pria m\u00e3e.<br \/>\nDiscordo.<br \/>\nEsta descoberta, que muitos atribuem erradamente \u00e0 maternidade, \u00e9 feita ao longo de toda a vida com o apurar e o afinar dos ensinamentos filiais, que desde crian\u00e7a fomos sorvendo.<br \/>\nCreio que a maior descoberta de uma mulher n\u00e3o \u00e9 a maternidade, mas sim a descoberta do amor filial que consegue sentir pelos outros, que consegue dar aos outros, filhos ou n\u00e3o, e que sem se aperceber aprendeu com a sua m\u00e3e.<br \/>\n\u00c9 no fundo a m\u00e3e que nos ensina como amar.<br \/>\nE ningu\u00e9m ensina como ela.<\/p>\n<p>Percebo porque escrevemos tanto sobre os filhos, e sobre n\u00f3s.<br \/>\nUma vida inteira n\u00e3o chegaria para (des)escrever as palavras minha-m\u00e3e, o que me fez a mim, o que fez por mim.<br \/>\nDe todas as vezes que me senti na escurid\u00e3o (da imaturidade), na loucura (da idade), no desespero (do amor), no desconhecido (da maternidade), e na incerteza (da vida), foi ela que me deu as ferramentas para que eu conseguisse abrir as minhas janelas, e muitas das vezes abriu-as ela por mim.<br \/>\nCrescemos juntas, as duas, a minha m\u00e3e e eu.<br \/>\nSomos as duas da mesma idade, porque somos s\u00f3 uma.<br \/>\nL\u00e1 atr\u00e1s naquele tempo.<\/p>\n<p>Quem \u00e9 ela?<\/p>\n<p>Sou eu.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"color: #808080;\"><em>imagem capa@iheartinspiration.com\/<\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Afinal as m\u00e3es n\u00e3o envelhecem Escrevemos muito sobre os filhos, sobre os sentimentos que temos por eles e o que significa para n\u00f3s ter aqueles dois olhinhos pequeninos ali, primeiro ao n\u00edvel das nossas pernas, depois da cintura, depois do peito, e sempre a subir\u2026 olhos t\u00e3o curiosos e brilhantes, bonitos, risonhos, e desdobramos-nos em [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":23,"featured_media":5648,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[11,9],"tags":[10,29,25,61,81],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5647"}],"collection":[{"href":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/23"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=5647"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5647\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/index.php?rest_route=\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=5647"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=5647"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=5647"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}