{"id":4902,"date":"2014-12-08T12:16:04","date_gmt":"2014-12-08T12:16:04","guid":{"rendered":"http:\/\/uptolisbonkids.com\/?p=4902"},"modified":"2014-12-08T12:16:04","modified_gmt":"2014-12-08T12:16:04","slug":"dez-coisas-que-aprendi-com-a-minha-filha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/?p=4902","title":{"rendered":"Dez coisas que aprendi com a minha filha"},"content":{"rendered":"<p>Aprendi que:<\/p>\n<p>1 &#8211; Por mais preparado que eu esteja, por mais conhecimento que tenha da psicologia do\u00a0desenvolvimento, por mais palestras que d\u00ea, por mais confer\u00eancias que frequente, <strong>nunca\u00a0estou preparado para a ver triste<\/strong>. Custa tanto. Pe\u00e7o-lhe para falar, para colocar por palavras os\u00a0sentimentos. Sugiro um di\u00e1rio para desabafar. Acabo por pedir ajuda \u00e0 m\u00e3e e \u00e0s av\u00f3s.<\/p>\n<p>2 &#8211; <strong>Nem sempre a vou poder proteger.<\/strong> Por mais maturidade que eu tenha, ainda me passou pela cabe\u00e7a ir \u00e0 escola\u00a0dizer ao rapaz que a deixou assim, que \u00e9 um grande parvo. N\u00e3o tenho a certeza mas cheguei a dizer\u00a0algo como &#8220;V\u00ea l\u00e1 se queres que o pai v\u00e1 l\u00e1 escola!&#8221;. Que vergonha&#8230;<\/p>\n<p>3 &#8211; <strong>Ela vai for\u00e7ar-me a fazer coisas de que poderei vir a arrepender-me<\/strong>. Como este artigo, por\u00a0exemplo&#8230;tanta confiss\u00e3o&#8230;<\/p>\n<p>4 &#8211; <strong>O tempo passa t\u00e3o depressa, mas t\u00e3o depressa<\/strong>. Algumas \u00e1reas da vida passam a correr.\u00a0Nasceu ontem! Hoje j\u00e1 tem onze anos. E ainda por cima, parece que tem mais. Est\u00e1 t\u00e3o alta! E\u00a0est\u00e1 mesmo, n\u00e3o s\u00e3o os olhos do pai. Bem, talvez seja um pouco.<\/p>\n<p>5 &#8211; <strong>H\u00e1 coisas que ela s\u00f3 fala com a m\u00e3e.<\/strong> Mas h\u00e1 sentimentos que s\u00f3 a mim me faz sentir. Como\u00a0a vergonha de ter os l\u00e1bios lambuzados com batom, apenas porque lhe fiz a vontade numa\u00a0brincadeira.<\/p>\n<p>6 &#8211; Essas brincadeiras, esses momentos em que a adormeci ao colo com uma m\u00fasica pirosa a\u00a0tocar, momentos em que a m\u00e3e estava t\u00e3o cansada e com sono e era s\u00f3 no meu colo que ela\u00a0adormecia, esses momentos passaram a correr. Acho que repeti o ponto quatro&#8230;<\/p>\n<p>7- A teoria do psic\u00f3logo <em>Satoshi Kanazawa<\/em>, cujos estudos apontam para o fato de pessoas bonitas\u00a0terem mais filhas, serve apenas para picarmos os nossos amigos.<\/p>\n<p>8 &#8211; Ouvir &#8220;Daughters&#8221; de John Mayer, tem um significado completamente novo desde que ela\u00a0nasceu. Como \u00e9 completamente novo ler &#8220;A Fada Oriana&#8221;ou contar hist\u00f3rias de princesas\u00a0quase at\u00e9 fartar. Mas muito antes de nos fartarmos j\u00e1 temos saudades. \u00c9 o ponto quatro outra\u00a0vez.<\/p>\n<p>9 &#8211; <strong>H\u00e1 outras meninas, cada uma delas com as suas caracter\u00edsticas pr\u00f3prias de meninas<\/strong>. Umas\u00a0n\u00e3o passam sem o seu boneco, outras fazem filas de bonecos para verem juntos um programa\u00a0na televis\u00e3o, outras colocam brincos desde cedo, outras transformam em real o lugar comum\u00a0que as coloca dentro dos saltos altos da m\u00e3e.<\/p>\n<p>10 &#8211; <strong>Aprendi que as meninas choram<\/strong>. Claro que eu j\u00e1 sabia, mas era um saber com letra\u00a0min\u00fascula.\u00a0O mundo est\u00e1 em mudan\u00e7a abruta e constante. Nunca \u00e9 demais lembrar. A fam\u00edlia tem cada\u00a0vez mais configura\u00e7\u00f5es. Havendo amor, entrega, paci\u00eancia e persist\u00eancia entre os seus\u00a0membros, qualquer configura\u00e7\u00e3o \u00e9 leg\u00edtima. N\u00e3o h\u00e1 fam\u00edlias sem problemas, nem perfeitas,\u00a0nem est\u00e1ticas. E n\u00e3o h\u00e1 pais que n\u00e3o tenham perguntas sobre o futuro das filhas. Ser\u00e1 que o\u00a0casamento vai fazer parte da sua vida? Ter\u00e1 ela os seus pr\u00f3prios filhos? Ir\u00e1 adotar? E a\u00a0profiss\u00e3o? Ser\u00e1 capaz de descobrir os seus talentos? Esta tristeza de hoje passa amanh\u00e3?<\/p>\n<p>Do meu lado tudo farei para estar. Estar. Irei reler este artigo para me ajudar a lembrar do\u00a0qu\u00e3o \u00e9 importante estar. Quero ser amigo dela. N\u00e3o no mau sentido. N\u00e3o naquele sentido\u00a0errado. Os pais t\u00eam que ser pais. Mas quero que ela saiba que pode contar comigo, que pode\u00a0desabafar, ir comigo ver o clube do nosso cora\u00e7\u00e3o e um ou outro concerto. Estarei sempre\u00a0aqui para receber as colegas dela, para sofrer se ela est\u00e1 triste e para ser lamechas e piroso se\u00a0tiver de ser.<\/p>\n<p>Tentei escrever para a tristeza desvanecer-se um pouco. Ela j\u00e1 est\u00e1 melhor, desabafou com a\u00a0m\u00e3e. Chorou na escola. E ela \u00e9 t\u00e3o linda. Lembrar-me de que o sofrimento faz parte da vida\u00a0ajuda-me um pouco. Lembrar-me que ela \u00e9 linda d\u00e1-me ainda mais for\u00e7a. Ter confian\u00e7a no\u00a0futuro dela rasga-me o sorriso. Escrever ajudou-me.<\/p>\n<p>E agora j\u00e1 posso telefonar a um amigo para brincar com ele sobre <em>aquele<\/em> estudo. Pais mais\u00a0bonitos t\u00eam filhas. Ao nascer o rapaz perdi um pouco o argumento. Mas vem a\u00ed a Maria. Outra\u00a0menina.<\/p>\n<p><em>Por Alfredo Leite, Mundo Brilhante<\/em><br \/>\n<em>para Up To Lisbon Kids\u00ae<\/em><\/p>\n<p><span style=\"color: #808080;\"><em>imagemdecapa@onekind<\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aprendi que: 1 &#8211; Por mais preparado que eu esteja, por mais conhecimento que tenha da psicologia do\u00a0desenvolvimento, por mais palestras que d\u00ea, por mais confer\u00eancias que frequente, nunca\u00a0estou preparado para a ver triste. Custa tanto. Pe\u00e7o-lhe para falar, para colocar por palavras os\u00a0sentimentos. Sugiro um di\u00e1rio para desabafar. 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