{"id":2521,"date":"2014-04-08T20:20:56","date_gmt":"2014-04-08T19:20:56","guid":{"rendered":"http:\/\/uptolisbonkids.com\/?p=2521"},"modified":"2014-04-08T20:20:56","modified_gmt":"2014-04-08T19:20:56","slug":"da-gravidez-a-maternidade-a-experiencia-psicologica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/?p=2521","title":{"rendered":"Da gravidez \u00e0 maternidade: a experi\u00eancia psicol\u00f3gica"},"content":{"rendered":"<p>Quando uma mulher engravida, a sua identidade muda. Deixou de ser a Ana, a Maria, a\u00a0Madalena, passa a ser a gr\u00e1vida. Futuramente, ser\u00e1 a M\u00e3e. Isto implica uma integra\u00e7\u00e3o\u00a0de algo novo na identidade da mulher. Este processo pode ser mais ou menos tranquilo,independentemente de a gravidez ter sido desejada e\/ou planeada.<\/p>\n<p>A gravidez \u00e9 um estado que prepara e precede uma modifica\u00e7\u00e3o cont\u00ednua e permanente:\u00a0a maternidade.<\/p>\n<p>O desejo de uma gravidez pode n\u00e3o coincidir com o desejo da\u00a0parentalidade e ser\u00e1 esta uma das tarefas da gr\u00e1vida: preparar-se para uma modifica\u00e7\u00e3o\u00a0na sua identidade. Ensaiar cognitivamente pap\u00e9is e tarefas de parentalidade, iniciar o\u00a0processo de reestrutura\u00e7\u00e3o para incluir o novo elemento, incorporar a exist\u00eancia do filho\u00a0na sua identidade, aprender a aceit\u00e1-lo como pessoa \u00fanica, com vida pr\u00f3pria, s\u00e3o tarefas\u00a0psicol\u00f3gicas da gravidez.<\/p>\n<p>Estar gr\u00e1vida tamb\u00e9m signfica testar a funcionalidade do corpo. Especialmente em\u00a0situa\u00e7\u00f5es de pr\u00e9via infertilidade ou em casos de fantasias relacionadas com este tema, o\u00a0engravidar significa que se \u201c\u00e9 capaz\u201d em termos f\u00edsicos e fisiol\u00f3gicos. Em situa\u00e7\u00f5es em\u00a0que a gravidez est\u00e1 associada a dificuldades na imagem corporal, a mulher pode sentir\u00a0que deixa de ter controlo sobre o pr\u00f3prio corpo, surgindo quest\u00f5es relacionadas com o\u00a0aumento de peso, a produ\u00e7\u00e3o de leite ou quest\u00f5es como: \u201cvoltarei a ter o mesmo\u00a0corpo?\u201d.<\/p>\n<p>Muitas vezes estas situa\u00e7\u00f5es est\u00e3o relacionadas com preocupa\u00e7\u00f5es pr\u00e9vias \u00e0\u00a0gravidez, relativamente \u00e0 imagem corporal.<\/p>\n<p>Durante toda a gravidez e, depois, no puerp\u00e9rio, a mulher ter\u00e1 tarefas de\u00a0desnvolvimento que se relacionam com este importante passo no ciclo de vida. Em\u00a0primeiro lugar tem que existir espa\u00e7o para aceitar a gravidez, o que costuma desenvolver-se no\u00a0primeiro trimestre.<\/p>\n<p>Independentemente do planeamento ou desejo desta\u00a0gravidez, \u00e9 natural que surjam ambival\u00eancias: \u201cser\u00e1 que vai correr bem?\u201d, \u201cvou ter\u00a0apoio?\u201d, \u201cvou-me adaptar a este estado?\u201d.<\/p>\n<p>Por volta do segundo trimestre, a mulher ter\u00e1\u00a0que aceitar a realidade do feto. A m\u00e3e concebe o beb\u00e9 como parte de si e a sua aten\u00e7\u00e3o\u00a0centra-se nas transforma\u00e7\u00f5es corporais. Com os movimentos fetais e ecografias, a\u00a0representa\u00e7\u00e3o do beb\u00e9 vai-se tornando mais aut\u00f3noma e come\u00e7a a aceita\u00e7\u00e3o da\u00a0diferencia\u00e7\u00e3o m\u00e3e-feto, que \u00e9 fundamental para a liga\u00e7\u00e3o emocional. Surgem fantasias\u00a0acerca dos cuidados maternos, imagem f\u00edsica do beb\u00e9, temperamento e nome. A gr\u00e1vida\u00a0acaricia a barriga, fala-lhe e canta-lhe. Esta comunica\u00e7\u00e3o verbal e t\u00e1til \u00e9 o indicador\u00a0externo dos processos intraps\u00edquicos desta etapa.<\/p>\n<p>A gr\u00e1vida tamb\u00e9m ter\u00e1 que reavaliar a rela\u00e7\u00e3o com os seus pr\u00f3prios pais. Os momentos mais gratificantes e tamb\u00e9m os mais dolorosos s\u00e3o revividos e podem conduzir a um\u00a0maior contacto e proximidade com a figura materna (a futura av\u00f3 materna).<\/p>\n<p>A rela\u00e7\u00e3o com o parceiro tamb\u00e9m ser\u00e1 restruturada: ao papel de companheiro rom\u00e2ntico soma-se\u00a0o papel de pai do beb\u00e9. As rotinas, o relacionamento afetivo e sexual ser\u00e3o restruturados\u00a0e a rela\u00e7\u00e3o pr\u00e9via do casal \u00e9 determinante em termos do n\u00edvel de conflito que possa\u00a0surgir durante a gravidez e no puerp\u00e9rio.<\/p>\n<p>No terceiro trimestre e no puerp\u00e9rio vive-se a separa\u00e7\u00e3o f\u00edsica do beb\u00e9, e este ter\u00e1 que\u00a0ser encarado como indiv\u00edduo separado. A\u00ed, a mulher confronta o beb\u00e9 real com o beb\u00e9\u00a0fantasiado e o grande desafio da parentalidade come\u00e7a, sendo a grande exig\u00eancia a de\u00a0saber interpretar e responder adequadamente ao comportamento do beb\u00e9.<\/p>\n<address><em>Dra. Marta Russo, Psic\u00f3loga Cl\u00ednica\/Psicoterapeuta, <a title=\"Healthy Mommy\" href=\"http:\/\/uptolisbonkids.com\/2014\/04\/07\/healthy-mommy\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Healthy Mommy<\/a>,<br \/>\npara Up To \u00a0Kids\u00ae<\/em><\/address>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando uma mulher engravida, a sua identidade muda. Deixou de ser a Ana, a Maria, a\u00a0Madalena, passa a ser a gr\u00e1vida. Futuramente, ser\u00e1 a M\u00e3e. Isto implica uma integra\u00e7\u00e3o\u00a0de algo novo na identidade da mulher. Este processo pode ser mais ou menos tranquilo,independentemente de a gravidez ter sido desejada e\/ou planeada. 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