{"id":20316,"date":"2019-05-02T21:00:23","date_gmt":"2019-05-02T20:00:23","guid":{"rendered":"http:\/\/uptokids.fredericolopes.com\/?p=20316"},"modified":"2019-05-02T21:00:23","modified_gmt":"2019-05-02T20:00:23","slug":"es-um-quadrado-ou-um-circulo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/?p=20316","title":{"rendered":"\u00c9s um quadrado ou um circulo?"},"content":{"rendered":"<h3>\u00c9s um quadrado ou um circulo?<\/h3>\n<p>Desde h\u00e1 uns anos que uso este v\u00eddeo (elaborado a partir do livro \u201cPor quatro esquinitas de nada\u201d, de Jer\u00f4me Ruillier, da Editorial Juventud,\u00a0em algumas das minhas a\u00e7\u00f5es de sensibiliza\u00e7\u00e3o para o autismo, em especial, em escolas ou quando abertas \u00e0 comunidade escolar.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\u00a0<iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/DBjka_zQBdQ\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p>\u00c9 um v\u00eddeo fant\u00e1stico que, muito sucintamente, nos remete para o \u201cenquadrarmo-nos, fazermos parte de\u201d. E, se nos permitirem interpretar, chegar \u00e0 conclus\u00e3o que, em muitos casos, o que precisamos de alterar \u2013 e, \u00e0s vezes, s\u00e3o \u201cumas esquinitas de nada\u201d \u2013 \u00e9 o caminho, o meio para atingir um fim, o que est\u00e1 ali entre um lado e o outro.<\/p>\n<h4>Eu sinto-me um quadrado, vezes demais&#8230;<\/h4>\n<p>E n\u00e3o tenho qualquer sombra de d\u00favida que as piolhas \u2013 e outros tantos indiv\u00edduos como elas \u2013 s\u00e3o uns quadrados. Os que nos rodeiam \u2013 os amigos, a fam\u00edlia, os professores, os t\u00e9cnicos, os estranhos \u2013 s\u00e3o uns c\u00edrculos. Os c\u00edrculos n\u00e3o precisam de mudar pois s\u00e3o a maioria e, tal como em situa\u00e7\u00f5es onde a maioria prevalece, as coisas est\u00e3o constru\u00eddas e preparadas \u00e0 medida dos c\u00edrculos. O que acontece, ent\u00e3o, quando surge um quadrado ou at\u00e9 um tri\u00e2ngulo?<\/p>\n<p>Estes \u00e9 que t\u00eam de se adaptar. Come\u00e7a, ent\u00e3o, toda uma maratona de idas a hospitais, a escolas, a servi\u00e7os de recursos para a inclus\u00e3o.\u00a0 Uma incessante procura da melhor abordagem, da terapia que melhor resultados pode trazer, etc., para que estas figuras diferentes possam entrar naquelas \u00e1reas circulares.<\/p>\n<p>Os c\u00edrculos n\u00e3o precisam de trilhar estes caminhos e, muitos deles, nem fazem ideia de que estas maratonas existem. N\u00e3o \u00e9 por mal, apenas, nunca foi necess\u00e1rio olhar para al\u00e9m daquele aro em que vivem. Uma grande parte dos c\u00edrculos quer estar com os quadrados e os tri\u00e2ngulos, mas, a press\u00e3o da mudan\u00e7a acaba por recair nos que s\u00e3o diferentes. E porqu\u00ea? Porque s\u00e3o diferentes, porque s\u00e3o uma minoria, porque a sociedade tal como ela \u00e9, est\u00e1 feita para a maioria, porque quem quiser que se adapte. Muitas vezes, nem \u00e9 por mal, apenas nunca foi necess\u00e1rio olhar para al\u00e9m daquele aro em que vivem.<\/p>\n<h4>Ora que podemos ent\u00e3o fazer?<\/h4>\n<p>Por que n\u00e3o \u201ccortar quatro esquinitas de nada\u201d para que, por esse aro, por esse c\u00edrculo, possam passar n\u00e3o s\u00f3 os c\u00edrculos, mas tamb\u00e9m os quadrados, os tri\u00e2ngulos, os hex\u00e1gonos, e outros? N\u00e3o ter\u00edamos todos a ganhar se todos fiz\u00e9ssemos um pequenino esfor\u00e7o que, em tantas situa\u00e7\u00f5es, s\u00e3o \u201cumas esquinitas de nada\u201d mas que v\u00eam aliviar as tais maratonas que os quadrados t\u00eam que viver? N\u00e3o podemos todos fazer \u201cumas esquinitas de nada\u201d e vivermos de forma inclusiva sem qualquer tipo de frete?<\/p>\n<h3>Ser um quadrado n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil.<\/h3>\n<p>N\u00e3o cabe na maioria das \u00e1reas. Nem sempre h\u00e1 \u201cesquinitas de nada\u201d que permitam a passagem. Nem sempre h\u00e1 c\u00edrculos compreensivos do outro lado. A quest\u00e3o social \u2013 e, mais al\u00e9m, o pensamento social \u2013 \u00e9 t\u00e3o mais complexo do que apenas estar com algu\u00e9m ou dizer um simples \u201cbom dia\u201d. Quando nos sentimos como um quadrado \u2013 e somos um c\u00edrculo -, estamos a experienciar uma \u00ednfima parte daquilo que sente um quadrado ou um tri\u00e2ngulo, todos os dias, em quase todas as situa\u00e7\u00f5es. E custa sentir este \u201cmisplacement\u201d, este \u201cdesenquadramento\u201d, este \u201cno fit in\u201d, este \u201cn\u00e3o me sinto bem aqui\u201d.<\/p>\n<p>Ontem senti-me o quadrado no mundo dos c\u00edrculos na reuni\u00e3o de entrega de avalia\u00e7\u00f5es das piolhas. Estamos todos perfeitamente integrados e est\u00e1 tudo a correr bem. As \u201cesquinitas de nada\u201d foram as primeiras barreiras quebradas mas o esfor\u00e7o que os quadrados fazem para viver num mundo de c\u00edrculos \u00e9 imenso. Mesmo que, do mundo dos c\u00edrculos, haja reciprocidade.<\/p>\n<p>Isto tudo para dizer que, independentemente, da nossa forma, temos de conseguir colocar-nos no lugar do outro e tentar perceber o esfor\u00e7o que foi necess\u00e1rio para se chegar ali, se houve ou n\u00e3o \u201cesquinitas de nada\u201d ou se esse ainda \u00e9 um caminho que precisamos de desbravar, por entre maratonas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9s um quadrado ou um circulo? 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