{"id":20210,"date":"2019-04-06T21:00:33","date_gmt":"2019-04-06T20:00:33","guid":{"rendered":"http:\/\/uptokids.fredericolopes.com\/?p=20210"},"modified":"2019-04-06T21:00:33","modified_gmt":"2019-04-06T20:00:33","slug":"o-grito-das-criancas-ou-sera-o-grito-dos-pais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/?p=20210","title":{"rendered":"O grito das crian\u00e7as ou ser\u00e1 o grito dos pais?"},"content":{"rendered":"<h3>O grito das crian\u00e7as ou ser\u00e1 o grito dos pais?<\/h3>\n<p>Hoje trago-te uma partilha de uma conversa com uma m\u00e3e. Uma m\u00e3e que decidiu partilhar comigo a dor de uma crian\u00e7a que grita, que chora e que bate. Uma crian\u00e7a igual a tantas outras, com necessidades por preencher. Tal como n\u00f3s, adultos.<\/p>\n<p>Contava-me esta m\u00e3e que na escola da filha existia <a href=\"http:\/\/uptokids.fredericolopes.com\/opiniao\/querida-mae-sobre-aquela-crianca\/\">uma crian\u00e7a<\/a> que demonstrava um comportamento totalmente descontrolado. Que fazia com que os pais das outras crian\u00e7as ficassem sem saber o que fazer e demonstraram at\u00e9 a vontade de retirar os seus filhos daquela escola. Era uma crian\u00e7a com 10 anos que batia em todas as crian\u00e7as e que gritava muito. N\u00e3o conseguia ficar quieta e que usava frases como \u201c<em>Eu sou m\u00e1\u201d<\/em>, repetindo vezes e vezes sem conta.<\/p>\n<p>Esta escola est\u00e1 integrada num contexto que consegue dar \u00e0s crian\u00e7as todos os recursos necess\u00e1rios, excepto um.<\/p>\n<h4>O amor incondicional.<\/h4>\n<p>Eu consigo imaginar o sofrimento desta crian\u00e7a ao colocar na sua identidade esta palavra. Apesar de que eu com a idade dela era o oposto. A t\u00edmida, a caladinha, a sossegada. <strong>Palavras que ficam marcadas na nossa pele, r\u00f3tulos carimbados nos nossos cora\u00e7\u00f5es. <\/strong>Percebo tamb\u00e9m a insatisfa\u00e7\u00e3o dos outros pais. Nenhum pai gosta que os filhos cheguem a casa a dizer outra crian\u00e7a lhes bateu. Enquanto, pais, crian\u00e7a, escola, educadores, pais das outras crian\u00e7as se debatem em pra\u00e7a p\u00fablica, quem mais sofre no meio disto tudo? A crian\u00e7a que at\u00e9 hoje pediu ajuda \u00e0 sua forma e at\u00e9 agora n\u00e3o teve uma resposta que a pudesse ajudar. Em causa, n\u00e3o est\u00e1 o amor destes pais, tamb\u00e9m os pais precisam de ajuda.<\/p>\n<p>Continuamos a conversa e dizia eu a esta m\u00e3e, <strong>que as crian\u00e7as t\u00eam muitos dons e, por vezes, os filhos gritam pelos pais<\/strong>. D\u00e3o voz \u00e0s dores internas, as frustra\u00e7\u00f5es, as insatisfa\u00e7\u00f5es, aos sonhos n\u00e3o concretizados, \u00e0 falta de auto-estima dos pr\u00f3prios pais. Se n\u00e3o queremos que os filhos gritem as nossas dores, \u00e9 o momento exato de pedir ajuda.<\/p>\n<h4>Pais e filhos t\u00eam igual valor mas a responsabilidade por manter a rela\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel \u00e9 dos pais.<\/h4>\n<p>S\u00e3o os pais que t\u00eam os recursos necess\u00e1rios para promover o bem-estar dos seus filhos. E est\u00e1 tudo na rela\u00e7\u00e3o, os pais s\u00e3o a ponte para os filhos conhecerem o mundo, desde do primeiro dia. S\u00e3o a ponte para explorar e e a ponte para regressar quando precisam de amor, <a href=\"http:\/\/uptokids.fredericolopes.com\/educacao\/quero-dar-te-colo\/\">colo<\/a>, cuidados e seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>A conversa continuou a desenvolver-se com esta m\u00e3e at\u00e9 que ela me questionou \u201c<em>Como podem outros adultos e outras crian\u00e7as amar uma crian\u00e7a tal e qual como ela \u00e9, sabendo que tem este comportamento?\u201d<\/em>. E eu pergunto-vos, que respostas dariam? Se fosse na escola dos vossos filhos o que fariam?<\/p>\n<p>A minha resposta foi, em primeiro lugar, a necessidade de toda a comunidade praticar compaix\u00e3o por aquela crian\u00e7a e pelos pais. Perceberem que quando est\u00e3o a coloc\u00e1-la \u00e0 margem de tudo e de todos pelo seu comportamento, n\u00e3o est\u00e3o a ajudar a crian\u00e7a, pois ela pr\u00f3pria j\u00e1 diz \u201c<em>Eu sou m\u00e1<\/em>\u201d.<\/p>\n<p>Se, em alguns momentos das nossas vidas, abrand\u00e1ssemos o ritmo, olh\u00e1ssemos sem julgamento e para al\u00e9m do comportamento, o que ser\u00e1 que vir\u00edamos\u00a0naquela crian\u00e7a que hoje n\u00e3o vemos?<\/p>\n<p>Como podemos ajudar uma crian\u00e7a que j\u00e1 diz \u201c<em>Eu sou m\u00e1\u201d<\/em>, a retirar da sua identidade palavras destrutivas?<\/p>\n<p>Como podemos cuidar da auto-estima de uma crian\u00e7a e, at\u00e9 da auto-estima dos adultos?<\/p>\n<h4>Com palavras, amor incondicional e cuidados.<\/h4>\n<p><strong>Se nos lembrarmos que a crian\u00e7a n\u00e3o \u00e9 um comportamento, mas sim que a crian\u00e7a est\u00e1 a ter um comportamento, os r\u00f3tulos deixam de existir e fica presente o amor incondicional.<\/strong> O amor incondicional \u00e9 pela crian\u00e7a em si e n\u00e3o aparece e desaparece consoante o seu comportamento. Neste caso, esta crian\u00e7a n\u00e3o \u00e9 sempre m\u00e1, mas as palavras e o contexto fizeram-na acreditar que sim. Se n\u00e3o, porque repetiria tantas vezes para si pr\u00f3pria \u201c<em>Eu sou m\u00e1\u201d<\/em>? Nesta escola e noutras escolas, todas as pessoas conhecem os alunos \u201cproblem\u00e1ticos\u201d, s\u00f3 isso diz muito sobre o nosso sistema.<\/p>\n<h4>Que gritos internos dar\u00e3o estes pais? Como se sentem? Como se v\u00eaem? Que pedidos de ajuda j\u00e1 fizeram?<\/h4>\n<p>Pedir ajuda, hoje em dia, ainda \u00e9 tabu, ainda nos leva a pensar o que v\u00e3o pensar de n\u00f3s. Enquanto que pedir ajuda devia ser visto como pedir uma m\u00e3o, pedir um tempo, pedir uma pausa para escutar o que vai na alma dos pais. Por isso, \u00e9 t\u00e3o importante o sigilo e profissionalismo. S\u00f3 assim, os pais sabem que podem contar connosco.<\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio, cada vez mais, existir uma rede de apoio s\u00f3lida e construtiva que veja para al\u00e9m do comportamento da crian\u00e7a, que veja toda a fam\u00edlia. Quando ouvimos uma fam\u00edlia e escutamos cada elemento, ajudamos cada um a encontrar-se no meio daquela fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Aos olhos da <a href=\"http:\/\/uptokids.fredericolopes.com\/educacao\/criar-com-o-coracao\/\">Parentalidade Consciente<\/a>, para al\u00e9m do que olhar para al\u00e9m dos gritos das crian\u00e7as, devemos escutar com compaix\u00e3o, sem julgamento, com total aceita\u00e7\u00e3o, o que est\u00e1 para al\u00e9m dos gritos dos pais. Pois somos n\u00f3s, os adultos que mais precisamos de colo, de carinho, de afecto, de abra\u00e7os, de palavras amigas e de respostas de ajuda. Isso \u00e9 vis\u00edvel nas crian\u00e7as. N\u00e3o precisamos que nos digam como fazer e quando fazer. N\u00e3o precisamos que nos digam que estamos a fazer mal e que h\u00e1 quem fa\u00e7a melhor. Precisamos que nos digam que est\u00e3o connosco.<\/p>\n<p>Quantas crian\u00e7as gritam hoje em dia? Quantos pais gritam? Quantos de n\u00f3s ajudamos quando nos \u00e9 solicitado? E ajudar sem dizer \u201cf<em>az-assim-que-assim-funciona<\/em>\u201d?<\/p>\n<p>Um abra\u00e7o carinhoso.<\/p>\n<p>Uma frase da Virginia Satir, terapeuta familiar muito reconhecida que nos pode ajudar a todos a colaborar em comunidade e em fam\u00edlia:<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u201cEu quero amar-te sem te absorver,<br \/>\nVer-te sem te julgar,<br \/>\nJuntar-me a ti sem te invadir,<br \/>\nConvidar-te mas sem exigir,<br \/>\nDeixar-te ir sem culpa,<br \/>\nCriticar-te sem te ferir e<br \/>\najudar-te sem te insultar.<br \/>\nSe eu puder ter o mesmo de ti, ent\u00e3o podemos realmente encontrar-nos e beneficiarmo-nos mutuamente.\u201d<br \/>\n\u2013 Virginia Satir<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O grito das crian\u00e7as ou ser\u00e1 o grito dos pais? Hoje trago-te uma partilha de uma conversa com uma m\u00e3e. Uma m\u00e3e que decidiu partilhar comigo a dor de uma crian\u00e7a que grita, que chora e que bate. 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