{"id":20092,"date":"2019-03-04T21:00:26","date_gmt":"2019-03-04T21:00:26","guid":{"rendered":"http:\/\/uptokids.fredericolopes.com\/?p=20092"},"modified":"2019-03-04T21:00:26","modified_gmt":"2019-03-04T21:00:26","slug":"a-importancia-de-ouvir-as-nossas-criancas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/?p=20092","title":{"rendered":"A import\u00e2ncia de ouvir as nossas crian\u00e7as"},"content":{"rendered":"<h3>A import\u00e2ncia de ouvir as nossas crian\u00e7as<\/h3>\n<p>Hoje trago-vos um tema um pouco diferente, que sai um tanto de dentro do nosso espa\u00e7o terap\u00eautico e abre antes as portas da sala de aula e da escola, mostrando a import\u00e2ncia que tem escutarmos as nossas crian\u00e7as no seu processo de ensino e de aprendizagem.<\/p>\n<p>Mas antes de chegarmos \u00e0 voz delas, importa compreender alguns conceitos primeiro.<\/p>\n<h4>O processo de ensino<\/h4>\n<p>Em primeiro lugar temos de compreender que o processo de ensino e <a href=\"http:\/\/uptokids.fredericolopes.com\/saude-e-bem-estar\/dificuldades-de-aprendizagem-avaliar-e-intervir\/\">aprendizagem<\/a> n\u00e3o \u00e9 algo t\u00e3o linear e direto como poderia parecer. Numa primeira vis\u00e3o, temos um aluno, receptor, que escuta uma fonte de conhecimento, sendo ela o professor. No entanto, esta \u00e9 uma vis\u00e3o unidirecional e que n\u00e3o reflete assim tanto o que realmente acontece numa sala de aula.<\/p>\n<h4>O espa\u00e7o\/local de aprendizagem<\/h4>\n<p>A sala de aula, ou escola, ou mesmo em casa e ainda a terapia, s\u00e3o espa\u00e7os compostos por indiv\u00edduos, com as suas pr\u00f3prias caracter\u00edsticas e oportunidades de interven\u00e7\u00e3o.\u00a0 No caso da escola, temos os professores, com as suas pr\u00f3prias caracter\u00edsticas cognitivas e afetivas e com os seus atos pedag\u00f3gicos e curr\u00edculo para aplicar. Por outro lado, temos a crian\u00e7a, que tem tamb\u00e9m as suas pr\u00f3prias caracter\u00edsticas afetivas e cognitivas, e que tem as suas necessidades de participa\u00e7\u00e3o e as suas manifesta\u00e7\u00f5es comportamentais.<\/p>\n<p>Ou seja, temos efetivamente o professor que pretende ensinar, mas depois temos de ter em conta um conjunto de processos mediadores socioafetivos, cognitivos, motores, emocionais, at\u00e9 se chegar \u00e0 aprendizagem da crian\u00e7a.<\/p>\n<h4>Caracter\u00edsticas e envolvente<\/h4>\n<p>Estas caracter\u00edsticas, tanto da crian\u00e7a, como do professor, ou do espa\u00e7o e do pr\u00f3prio curr\u00edculo podem levar a situa\u00e7\u00f5es de maior stress ou de questionamento, sendo que algumas caracter\u00edsticas podemos alterar e trabalhar, mas outras n\u00e3o. Ou seja, podemos mudar uma crian\u00e7a de lugar caso ela n\u00e3o consiga ver o quadro, mas dificilmente conseguimos alterar um diagn\u00f3stico que traga, ou o seu envolvimento social e econ\u00f3mico.<\/p>\n<p>Mais importante ainda, temos algumas quest\u00f5es que s\u00e3o vis\u00edveis e que reparamos logo, como por exemplo a crian\u00e7a ter uma cadeira de rodas, ou n\u00e3o vir asseada de casa, ou mesmo chegar notoriamente com fome; mas h\u00e1 quest\u00f5es que n\u00e3o s\u00e3o vis\u00edveis, que continuam a ser de extrema import\u00e2ncia, como a briga que a crian\u00e7a assistiu antes de chegar \u00e0 escola, ou a medica\u00e7\u00e3o que tem de tomar, algum diagn\u00f3stico relacionado com o seu comportamento, ou mesmo uma dificuldade que tenha na aprendizagem, e que se sinta inibida de dizer.<\/p>\n<p>Neste caso, n\u00f3s, enquanto adultos ou professores, temos v\u00e1rias escolhas.<\/p>\n<h4>Ser diretivo ou ouvir as crian\u00e7as<\/h4>\n<p>Podemos optar por um processo mais fechado em que n\u00e3o partilhamos objetivos, em que decidimos tarefas e tempos, em que somos diretivos e em que decidimos tudo. Ou por outro lado, podemos optar por ouvir o que as crian\u00e7as t\u00eam a dizer sobre as suas pr\u00f3prias hist\u00f3rias, dificuldades ou formas de alcan\u00e7ar os objetivos propostos.<\/p>\n<p>Esta escolha, que n\u00e3o \u00e9 linear e que n\u00e3o se situa no preto ou no branco, pode ser vista como uma op\u00e7\u00e3o por levar a crian\u00e7a a ser o foco do processo de ensino e aprendizagem, aumentando a sua motiva\u00e7\u00e3o para a escola ou para a aprendizagem, e ainda tornando a mesma significativa para ela.<\/p>\n<h4>Criar objetivos em conjunto com as crian\u00e7as<\/h4>\n<p>Assim, partilhando com a crian\u00e7a os objetivos que pretendemos que esta alcance e partilhando a tomada de decis\u00f5es neste processo de ensino e aprendizagem, temos a oportunidade de apresentar tarefas que s\u00e3o mais desafiantes e diversificadas. Oferecemos op\u00e7\u00f5es de escolha e promovemos a autonomia e lideran\u00e7a da crian\u00e7a dentro do seu pr\u00f3prio desenvolvimento. Por outro lado, temos um processo de feedback que \u00e9 individualizado e n\u00e3o por compara\u00e7\u00e3o. Aqui a pr\u00f3pria crian\u00e7a tamb\u00e9m pode entrar e permite que o professor, pai, auxiliar ou terapeuta v\u00e3o, junto com a crian\u00e7a, ajustar os objetivos interm\u00e9dios e atividades consoante as suas pr\u00f3prias capacidades e necessidades.<\/p>\n<p>Claro que este processo \u00e9 um desafio, e claro que muitas vezes as pr\u00f3prias infraestruturas ou sistemas colocam em causa esta altera\u00e7\u00e3o. Mas pensemos, serve de muito pouco ensinar uma crian\u00e7a a escrever, se ela n\u00e3o vir a possibilidade que tal abre para a cria\u00e7\u00e3o das suas pr\u00f3prias hist\u00f3rias. Serve de muito pouco aprender os n\u00fameros se a crian\u00e7a n\u00e3o conseguir contar as suas conquistas. E serve de muito pouco mandar uma crian\u00e7a sentar-se e calar-se, quando falamos do seu caminho e da sua hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Por isso, fica o desafio:<\/p>\n<p>Que consigamos ultrapassar-nos e ouvir as nossas crian\u00e7as sobre algo que nos interessa mutuamente, o seu crescimento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em><a href=\"https:\/\/pixabay.com\/photos\/kids-book-retro-apples-girls-894787\/\">Image<\/a>\u00a0by\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/users\/mozlase__-1218014\/\">mozlase__<\/a>\u00a0on Pixabay\u00a0 <\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A import\u00e2ncia de ouvir as nossas crian\u00e7as Hoje trago-vos um tema um pouco diferente, que sai um tanto de dentro do nosso espa\u00e7o terap\u00eautico e abre antes as portas da sala de aula e da escola, mostrando a import\u00e2ncia que tem escutarmos as nossas crian\u00e7as no seu processo de ensino e de aprendizagem. 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