{"id":19720,"date":"2018-11-20T13:51:58","date_gmt":"2018-11-20T13:51:58","guid":{"rendered":"http:\/\/uptokids.fredericolopes.com\/?p=19720"},"modified":"2018-11-20T13:51:58","modified_gmt":"2018-11-20T13:51:58","slug":"quadros-de-honra-queremos-educar-para-a-excelencia-academica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/?p=19720","title":{"rendered":"Quadros de honra, queremos educar para a excel\u00eancia acad\u00e9mica?"},"content":{"rendered":"<p>Desde h\u00e1 algum tempo, os quadros de honra fazem parte das escolas (felizmente, n\u00e3o de todas) e, consequentemente, das fam\u00edlias (algumas!).<\/p>\n<p>Instituiu-se este m\u00e9todo como um refor\u00e7o positivo \u00e0s boas notas e um incentivo ao empenho, para quem n\u00e3o as alcan\u00e7a.<\/p>\n<p>Atente-se ao facto de que pertencer ao quadro de honra implica nunca escorregar do patamar das \u201cboas notas\u201d abaixo, ou seja, n\u00e3o \u00e9 permitido falhar \u2013 h\u00e1 uma nota m\u00ednima definida!<\/p>\n<p>Esta modalidade das escolas, com o objetivo de promover e parabenizar a excel\u00eancia de uns, e despertar o interesse e empenho de outros, \u00e9 uma fal\u00e1cia! Nem os que conquistam o estatuto precisam da pompa com que s\u00e3o brindados, nem os demais se empenham mais para alcan\u00e7ar essa meta.<\/p>\n<h3>Educar para a excel\u00eancia acad\u00e9mica, sim ou n\u00e3o?<\/h3>\n<p>Os quadros de honra acabam por passar duas grandes e erradas mensagens. Uma \u00e9 a de que n\u00e3o se deve falhar. Como se a vida se escrevesse toda em papel imaculado, sem n\u00f3doas ou riscos; como se fosse poss\u00edvel crescer, de modo harmonioso e sereno, sabendo que n\u00e3o pode errar-se.<\/p>\n<p>A outra a \u00e9 a de fazer estes mi\u00fados acreditarem na excel\u00eancia do seu potencial. \u00c9 sabido que, para pertencer ao quadro de honra, t\u00eam de ter, no limite, a nota m\u00ednima, em todas as disciplinas. E \u00e9 poss\u00edvel ser bom a tudo?<\/p>\n<p>Alguns destes mi\u00fados, na sua s\u00e1bia capacidade de ler nas entrelinhas, percebem que a sua inclus\u00e3o no quadro de honra, se deve a batotices dos professores que, naquelas disciplinas que s\u00e3o os parentes pobres do curr\u00edculo acad\u00e9mico (m\u00fasica, E.T., E.V., Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica, etc), sobem as notas dos alunos para compor o ramalhete junto dos \u201cparentes ricos\u201d (matem\u00e1tica, portugu\u00eas, etc\u2026).<\/p>\n<p>Tendo o nosso sistema de ensino como lema privilegiar o \u201couve, regista e repete\u201d (promovendo mais papagaios do que seres pensantes), deixar os mi\u00fados acreditarem na sua excel\u00eancia, encerra o erro de os frustrar no futuro \u2013 fora da escola, o sucesso \u00e9 ditado por uma maior multiplicidade de fatores, sendo que muitos desses fatores fogem do controlo de a\u00e7\u00e3o de cada um.<\/p>\n<p>Educar para a excel\u00eancia acad\u00e9mica, \u00e9 n\u00e3o preparar esses supostos excelentes a lidar com a frustra\u00e7\u00e3o de errar.\u00a0 E vive-se sem errar? Aprende-se sem falhar?<\/p>\n<h3>A competitividade promovida nos moldes errados<\/h3>\n<p>O que se ensinamos com estes quadros de honra? Preparamos as crian\u00e7as para a vida profissional? Ou condicionamo-las a acreditar numa realidade ilus\u00f3ria que, quando confrontados com o mundo real, e com as vicissitudes do quotidiano, se amedrontam; se diminuem; se sentem invadidos por uma ansiedade para a qual, na maioria das vezes, n\u00e3o desenvolveram recursos para gerir?<\/p>\n<p>Paralelamente, tamb\u00e9m n\u00e3o preparamos para o mercado de trabalho e para uma vida em sociedade mais equilibrada, quando, a t\u00edtulo da excel\u00eancia, se promove a competitividade em excesso.<\/p>\n<p>O desejo de pertencer e manter este patamar de m\u00e9rito, promove uma maior competitividade, o que acaba por perder-se em coopera\u00e7\u00e3o com os pares. <strong>O mais alarmante \u00e9 perceber que se criam seres que olham muito para os outros, mas n\u00e3o pelos outros.<\/strong> Olham para os outros como se estivessem em constante corrida e tivessem de manter o rival debaixo de olho \u2013 porque quem baixa a guarda, perde velocidade.<\/p>\n<h4>A competitividade \u00e9 importante e saud\u00e1vel.<\/h4>\n<p>Cria o desafio que nos impele a prosseguir caminhos e que, com isso, nos desenvolve; acrescenta conhecimento e fornece recursos. <strong>No entanto, a competitividade dever\u00e1 ser estimulada do ponto de vista interno. N\u00e3o tanto na compara\u00e7\u00e3o com os outros mas, antes, como posso desafiar-me a procurar novas metas. <\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o ser\u00e1 de maior louvor fazer com que os mi\u00fados, por si, reconhe\u00e7am as diferen\u00e7as relativamente aos demais, e ajud\u00e1-los, individualmente, a quererem superar-se a si pr\u00f3prios, em vez de competir com a nota do colega? Despertar-lhes a motiva\u00e7\u00e3o pela supera\u00e7\u00e3o pessoal, conquistando o orgulho, mais do que a vaidade, como diz o professor Eduardo S\u00e1. At\u00e9 porque as notas n\u00e3o traduzem intelig\u00eancia, nem conhecimento. E tamb\u00e9m n\u00e3o predizem o sucesso da caminhada profissional.<\/p>\n<h3>Refor\u00e7o, reconhecimento e resultados<\/h3>\n<p>O refor\u00e7o positivo deve sempre surgir como gratifica\u00e7\u00e3o do esfor\u00e7o, refletindo-o. Na inf\u00e2ncia \/ adolesc\u00eancia, o reconhecimento dos adultos \/ cuidadores tem uma dimens\u00e3o de relevo. Serve de fio condutor da postura a manter \/ ter \/ criar. Na escola, e falando especificamente sobre o desempenho escolar, o melhor refor\u00e7o positivo a ter s\u00e3o as notas, somado ao apoio dos familiares pr\u00f3ximos. E basta!<\/p>\n<p>Verdade seja dita que, nem sempre a nota \u00e9 diretamente proporcional ao empenho. Ainda assim, poder\u00e1 servir de reflex\u00e3o sobre o facto incontorn\u00e1vel de as nossas viv\u00eancias n\u00e3o estarem sob o nosso controlo total.<\/p>\n<h4>Devemos deixar de enaltecer resultados e focarmo-nos nos processos:<\/h4>\n<ul>\n<li>ensinar a escutar (a si e aos outros);<\/li>\n<li>aprender o prazer da autonomia e da responsabilidade;<\/li>\n<li>despertar a motiva\u00e7\u00e3o pelo conhecimento. (Na humildade de que a diferen\u00e7a do outro \u00e9 um valor acrescentado, e n\u00e3o o querer ser melhor);<\/li>\n<li>promover a aprendizagem atrav\u00e9s do erro, em vez de querer colmatar a falha por antecipa\u00e7\u00e3o (ex: fazer trabalhos pelos filhos; fazer-lhes os resumos\u2026).<\/li>\n<\/ul>\n<p>Mais do que preconizar quadros de excel\u00eancia, urge que se preconize a intelig\u00eancia emocional. Mais do que louvar o desempenho cognitivo em exclusivo, impera a import\u00e2ncia de promover o equil\u00edbrio entre a raz\u00e3o e a emo\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h3>De que serve o 20 a matem\u00e1tica se n\u00e3o tiver prazer num conv\u00edvio social?<\/h3>\n<p>Precisamos com urg\u00eancia que os mi\u00fados desenvolvam <a href=\"http:\/\/uptokids.fredericolopes.com\/desenvolvimento\/prefiro-que-os-meus-filhos-aprendam-empatia-em-vez-de-mandarim\/\">a empatia<\/a>\u00a0 &#8211; que se reconhe\u00e7am na felicidade e na dor do outro; que descodifiquem as suas emo\u00e7\u00f5es; que consigam parar para pensar, sem fugir para o evitar; que aprendam a respeitar o espa\u00e7o dos outros, reservando o direito \u00e0 opini\u00e3o de cada um, sem que isso implique conflito; saber conviver com a diferen\u00e7a e aceit\u00e1-la pacificamente, seja de ordem f\u00edsica, atitudinal, religiosa, etc.<\/p>\n<p>Neste mercado globalizado, a multiculturalidade das equipas, exige intelig\u00eancia emocional. E, se o foco nas mat\u00e9rias escolares for excessivo, alguma coisa fica por aprender e por treinar\u2026 A base do trabalho em equipa \u00e9 a capacidade de escutar os outros, compreender e saber dialogar e ceder. Isto requer discuss\u00e3o de diversas perspetivas \/ \u00e1reas. E n\u00e3o \u00e9 uma competi\u00e7\u00e3o!<\/p>\n<p>Grandes empresas come\u00e7aram j\u00e1 a cruzar informa\u00e7\u00e3o dos resultados obtidos na avalia\u00e7\u00e3o de desempenho dos seus profissionais, contratados pelo m\u00e9rito. A conclus\u00e3o a que t\u00eam chegado \u00e9\u00a0<strong>n\u00e3o existir qualquer rela\u00e7\u00e3o entre o bom aluno e o bom profissional<\/strong>. Ou seja, enquanto t\u00eam passado uma vida a recrutar para os seus quadros com base na sele\u00e7\u00e3o dos melhores resultados acad\u00e9micos, percebem agora que este crivo tem conduzido os melhores profissionais para a concorr\u00eancia.<\/p>\n<p>Que prop\u00f3sito servem, afinal, os Quadros de Honra? N\u00e3o sei!&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde h\u00e1 algum tempo, os quadros de honra fazem parte das escolas (felizmente, n\u00e3o de todas) e, consequentemente, das fam\u00edlias (algumas!). Instituiu-se este m\u00e9todo como um refor\u00e7o positivo \u00e0s boas notas e um incentivo ao empenho, para quem n\u00e3o as alcan\u00e7a. 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