{"id":19650,"date":"2018-10-29T21:00:16","date_gmt":"2018-10-29T21:00:16","guid":{"rendered":"http:\/\/uptokids.fredericolopes.com\/?p=19650"},"modified":"2018-10-29T21:00:16","modified_gmt":"2018-10-29T21:00:16","slug":"mae-a-tempo-inteiro-somos-todas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/?p=19650","title":{"rendered":"M\u00e3e a tempo inteiro&#8230; somos todas!"},"content":{"rendered":"<h3>Nunca gostei da express\u00e3o &#8220;m\u00e3e a tempo inteiro&#8221;.<\/h3>\n<p>Por um lado parece-me que subestima as m\u00e3es que n\u00e3o trabalham fora de casa que, de repente, mais n\u00e3o s\u00e3o que os corpos que deambulam sem vontade pr\u00f3pria de divis\u00e3o em divis\u00e3o da casa com biber\u00f5es em punho e crian\u00e7as ao colo.<\/p>\n<p>Por outro lado fico sempre com a sensa\u00e7\u00e3o de que as m\u00e3es que trabalham fora de casa s\u00e3o como que exclu\u00eddas da maternidade incondicional, quase como se fossem um bocadinho menos m\u00e3es que as outras. Ora m\u00e3e \u00e9 m\u00e3e. Sempre. Longe ou perto.<\/p>\n<p>A trabalhar ou em casa.<\/p>\n<h4>N\u00e3o se deixa de ser m\u00e3e quando se fecha a porta de casa.<\/h4>\n<p>E nessa medida somos todas &#8220;m\u00e3e a tempo inteiro&#8221;. Porque tempo nem sempre significa presen\u00e7a.<\/p>\n<p>Durante os \u00faltimos cinco anos tive a sorte de n\u00e3o estar nem num extremo nem no outro no que \u00e0 defini\u00e7\u00e3o de \u201cm\u00e3e a tempo inteiro\u201d diz respeito. Sempre trabalhei mas com hor\u00e1rio flex\u00edveis que sempre me permitiram ir buscar os meus filhos \u00e0 escola, almo\u00e7ar com eles, acompanh\u00e1-los quando doentes, convidar amigos l\u00e1 para casa ou v\u00ea-los partir na camioneta nos passeios escolares.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, tive tempo e oportunidade para continuar a explorar as minhas outras facetas e pap\u00e9is sociais. Cresci muito profissionalmente. Ser m\u00e3e ajudou-me at\u00e9 a agarrar novos desafios e a desenvolver novas ideias.<\/p>\n<p>Na mesma medida em que ser m\u00e3e me ajudou a ser melhor profissional. Ter um desafio profissional ajudou-me a ser uma m\u00e3e mais feliz. Um equil\u00edbrio perto do perfeito (perto porque a vida n\u00e3o \u00e9, e ainda bem, perfeita).<\/p>\n<h4>Em Portugal s\u00e3o muito poucas as mulheres que t\u00eam esta possibilidade.<\/h4>\n<p>\u00c9 o regime do \u201csim ou sopas\u201d: ou trabalhas e definem-te como\u00a0<em>um bocadinho <a href=\"http:\/\/uptokids.fredericolopes.com\/opiniao\/nao-es-ma-mae\/\">pior m\u00e3e<\/a><\/em>\u00a0que mal v\u00eas os filhos durante a semana, ou n\u00e3o trabalhas e levas com o r\u00f3tulo da mulher pouco interessante que se refugiu na maternidade.<\/p>\n<p>S\u00e3o muitos os bons os exemplos vindos dos pa\u00edses n\u00f3rdicos onde as mulheres s\u00e3o chamadas ao mercado de trabalho sem que isso estrangule a vida familiar. E que bom seria que os pud\u00e9ssemos replicar \u00a0no nosso pa\u00eds sem olhares reprovadores.<\/p>\n<h4>Estou certa de que n\u00e3o estou sozinha nesta vontade.<\/h4>\n<p>Se n\u00e3o nos empurrarmos, se n\u00e3o nos boicotarmos umas \u00e0s outras \u2013 ora porque <em>estas m\u00e3es que n\u00e3o trabalham acham que tenho a vida delas e que posso preparar bolos caseiros para o lanche para os mi\u00fados<\/em>, ora porque <em>aquelas m\u00e3es priorizam o trabalho e mal conhecem a professora dos filhos<\/em> \u2013 podemos ser todas m\u00e3es na nossa mais incondicional forma de o ser. Longe ou perto. Porque l\u00e1 est\u00e1: m\u00e3e \u00e9 m\u00e3e. Sempre. Eu diria mesmo: a tempo inteiro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nunca gostei da express\u00e3o &#8220;m\u00e3e a tempo inteiro&#8221;. Por um lado parece-me que subestima as m\u00e3es que n\u00e3o trabalham fora de casa que, de repente, mais n\u00e3o s\u00e3o que os corpos que deambulam sem vontade pr\u00f3pria de divis\u00e3o em divis\u00e3o da casa com biber\u00f5es em punho e crian\u00e7as ao colo. 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