{"id":18977,"date":"2018-05-16T21:00:47","date_gmt":"2018-05-16T20:00:47","guid":{"rendered":"http:\/\/uptokids.fredericolopes.com\/?p=18977"},"modified":"2018-05-16T21:00:47","modified_gmt":"2018-05-16T20:00:47","slug":"mae-estas-contente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/?p=18977","title":{"rendered":"M\u00e3e, est\u00e1s contente?"},"content":{"rendered":"<h3>M\u00e3e, est\u00e1s contente?<\/h3>\n<p>Os nossos filhos v\u00eaem-nos como somos e n\u00e3o como achamos que somos.<\/p>\n<p>Muitas vezes, ao longo da vida, enganamo-nos. Enganamo-nos para continuarmos o nosso caminho sem nos sentirmos t\u00e3o culpados por aquilo que fazemos e que sabemos que dever\u00edamos fazer de outra maneira.<\/p>\n<p>Ao longo da vida enganamos os outros, volunt\u00e1ria ou involuntariamente, pelo simples facto de aceitarmos a opini\u00e3o que os outros t\u00eam de n\u00f3s sem a corrigirmos, principalmente quando essa opini\u00e3o \u00e9 positiva.<\/p>\n<p>Com os filhos n\u00e3o h\u00e1 nada disso.<\/p>\n<p>Podemos saltitar de pedra em pedra mas eles sabem que n\u00e3o estamos a voar.<\/p>\n<p>V\u00eaem-nos como super her\u00f3is por fazermos coisas que a eles ainda s\u00e3o inacess\u00edveis, v\u00eaem muitas vezes as nossas qualidades quando duvidamos delas, e muitas vezes apontam os nossos defeitos quando menos esperamos.<\/p>\n<p><em>\u201cM\u00e3e, por favor, n\u00e3o fiques zangada. N\u00e3o quero que fiques zangada\u201d.<\/em><\/p>\n<h3>Esta frase tira-me metade do cora\u00e7\u00e3o quando a oi\u00e7o.<\/h3>\n<p>E \u00e0s vezes ela chega para me lembrar que quando chamo a minha filha \u00e0 aten\u00e7\u00e3o ela v\u00ea o que eu n\u00e3o vejo, porque estou dentro de mim. Ela v\u00ea o cansa\u00e7o, ela v\u00ea alguma impaci\u00eancia, ela v\u00ea alguma tristeza.<\/p>\n<p>Acho que \u00e9 importante que ela perceba que os seus actos t\u00eam consequ\u00eancias, acredito que ela tem de perceber que quando me magoa deve ter \u00e0 sua frente algu\u00e9m que demonstra os seus sentimentos sob pena de crescer a achar que a m\u00e3e foi sempre um muro de a\u00e7o perante as coisas menos boas da vida e que demonstrar os nossos sentimentos \u00e9 uma fraqueza. N\u00e3o \u00e9, pelo contr\u00e1rio.<\/p>\n<p>Mas quando ela me v\u00ea naquela culpa e tristeza sinto ainda mais culpa e mais tristeza, essa sina eterna das m\u00e3es.<\/p>\n<p>Quero que perceba que as coisas n\u00e3o desaparecem segundos depois de acontecerem, mas n\u00e3o quero que tenha receio que eu me zangue. Quero que fa\u00e7a as coisas, tome as suas decis\u00f5es pelos motivos certos e n\u00e3o com medo de me deixar triste.<\/p>\n<p>Sei, tamb\u00e9m, que h\u00e1 alguma inevitabilidade em crescermos a n\u00e3o querermos desiludir os nossos pais e que isso faz parte.<\/p>\n<p>E por isso, ao ver-me ao espelho quando me zango, atrav\u00e9s dela, atrav\u00e9s da forma como ela me v\u00ea, sei de imediato aquilo que tenho de tentar mudar.<\/p>\n<h3>E \u00e9 por isso que o di\u00e1logo \u00e9 t\u00e3o importante.<\/h3>\n<p>E \u00e9 por isso que a pergunta \u201cest\u00e1s zangada?\u201d nunca \u00e9 seguida de um \u201cmas \u00e9 claro que sim\u201d, um virar de costas e ir embora.<\/p>\n<p>Eu fico. Eu baixo-me para falar com ela a olh\u00e1-la nos olhos. Eu explico o que estou a sentir e porqu\u00ea. Explico o que acho que devia ter acontecido de outra forma, muitas vezes inclusivamente falando do eu EU deveria ter feito de outra forma, porque aqui n\u00e3o h\u00e1 s\u00f3 um culpado.<\/p>\n<p>E depois abra\u00e7amo-nos. E ela, sem falhar, pede desculpa se tem de o pedir e jura que n\u00e3o volta a fazer.<\/p>\n<p>J\u00e1 percebi que uma das coisas que mais desespera a minha filha \u00e9 sentir que me falhou.<\/p>\n<p>Mas ela n\u00e3o me falha. Simplesmente est\u00e1 a crescer. E crescer custa, d\u00e1 trabalho e \u00e9 um percurso recheado de bons e maus momentos.<\/p>\n<p>Seguimos caminhos errados, testamos limites, somos diferentes do que esperamos que sejamos.<\/p>\n<p>E isso n\u00e3o vai mudar, porque hoje, aos trinta e dois anos, continuo a fazer o mesmo que ela aos quase quatro.<\/p>\n<p>E por isso quero que ela sinta que n\u00e3o vou fingir que n\u00e3o vejo quando ela age de forma errada, mas quero que saiba, que sinta, que n\u00e3o tenha\u00a0 menor d\u00favida que, principalmente nesses momentos espero por ela para lhe dar a m\u00e3o e encontrarmos uma maneira de melhorar. As duas.<\/p>\n<p>Ser m\u00e3e n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, principalmente porque tamb\u00e9m n\u00f3s estamos a seguir o nosso percurso, a evoluir, a mudar, a encontrar novas ferramentas, novas convic\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<h3>Ser m\u00e3e n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil pelo que se espera de n\u00f3s, pelo que esperamos de n\u00f3s.<\/h3>\n<p>Mas sabermos que n\u00e3o fazemos esse crescimento sozinhas ajuda.<\/p>\n<p>E eu n\u00e3o estou sozinha porque a tenho a ela, a aprender comigo e a ensinar-me mais do que dezassete anos de escolaridade me ensinaram.<\/p>\n<p>E n\u00e3o, meu amor, n\u00e3o estou zangada. E se estiver, passar\u00e1.<\/p>\n<p>Porque tudo passa, menos n\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>image@weheartit<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>M\u00e3e, est\u00e1s contente? Os nossos filhos v\u00eaem-nos como somos e n\u00e3o como achamos que somos. Muitas vezes, ao longo da vida, enganamo-nos. 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