{"id":18638,"date":"2018-03-19T20:30:28","date_gmt":"2018-03-19T20:30:28","guid":{"rendered":"http:\/\/uptokids.fredericolopes.com\/?p=18638"},"modified":"2018-03-19T20:30:28","modified_gmt":"2018-03-19T20:30:28","slug":"eu-pai-eu-psicologo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/?p=18638","title":{"rendered":"Eu pai. Eu psic\u00f3logo."},"content":{"rendered":"<h3>Eu pai. Eu psic\u00f3logo.<\/h3>\n<p>O dia do Pai chegou e para assinalar esta data que se esfor\u00e7a por recordar aos pais a import\u00e2ncia do seu papel na educa\u00e7\u00e3o e vida dos filhos, mas que tamb\u00e9m, curiosamente, se esfor\u00e7a por incentivar os filhos a dizerem o quanto gostam e amam os pais, foi-me pedido um pequeno texto com o t\u00edtulo \u201ceu Pai, eu Psic\u00f3logo\u201d. Logo eu, cuja experi\u00eancia em ambas as facetas \u00e9 ainda t\u00e3o jovem.<\/p>\n<p>N\u00e3o considero que ambos os papeis sejam compar\u00e1veis e se o s\u00e3o, s\u00e3o-no tanto ou t\u00e3o pouco como a experi\u00eancia de escrever algo (de opini\u00e3o) atrav\u00e9s do qual me irei expor a tantas outras perspetivas e opini\u00f5es. Um pouco como pai, que acaba por aqui ou ali ficar debaixo do olho de quem observa a \u201carte de quem educa\u201d, principalmente quando a exig\u00eancia das circunst\u00e2ncias assim a dita (refiro-me aquelas desconfort\u00e1veis experi\u00eancias que, imagino que a tantos pais tamb\u00e9m, e m\u00e3es, nos reportam e quase transportam para uma viv\u00eancia emocional quase adolescente).<\/p>\n<p>A responsabilidade entre escrever um texto e educar uma crian\u00e7a s\u00f3 seria pr\u00f3xima se eu fosse um g\u00e9nero de Dalai Lama, ou Papa Francisco, que quando falam tocam milh\u00f5es. Lembro-me de ter assistido num document\u00e1rio (n\u00e3o me lembro qual nem quando), que estimava o n\u00famero de pessoas que em m\u00e9dia uma pessoa conhece em vida (tamb\u00e9m n\u00e3o me recordo quantas). Onde quero chegar \u00e9 que uma crian\u00e7a tem um potencial tremendo, e como pai sinto-o como uma responsabilidade enorme que de certa forma tenho de relativizar para n\u00e3o cair em dramas. Enquanto psic\u00f3logo, a responsabilidade \u00e9 igualmente grande, ou n\u00e3o existiria um c\u00f3digo \u00e9tico e deontol\u00f3gico que procura nortear a pr\u00e1tica, nem uma vontade interior de fazer a diferen\u00e7a na vida de pessoas que de certa forma n\u00e3o est\u00e3o a conseguir melhor (por si ou por meio de outras estrat\u00e9gias). \u00c9 certo que se vejo um filho meu como crian\u00e7a com potencial tremendo, assim o vejo toda e qualquer outra crian\u00e7a, e ter assumido o papel de psic\u00f3logo de crian\u00e7as, jovens e adolescentes\u2026. Acho que o fiz com a mesma ideia que tinha quando enquanto adolescente dizia convicto \u201cEu? Quero ter uns 5 filhos!\u201d. Que vontade de rir me d\u00e1 agora ?<\/p>\n<p>Pensar no ter sem pensar na manuten\u00e7\u00e3o que esse algo que se tem implica pode revelar-se uma verdadeira aventura. O p\u00e2nico que senti quando soube que vinha o segundo (sim, porque nenhum dos dois foi planeado), bateu numa parede que soou a m\u00fasica para os meus ouvidos e algod\u00e3o doce para o meu cora\u00e7\u00e3o \u201cNa vida tudo se cria!\u201d. Que bom, talvez a filosofia Carpe Diem se aplique \u00e0 parentalidade como uma luva.<\/p>\n<p>Como psic\u00f3logo, a responsabilidade que sinto ainda n\u00e3o encontrou parede semelhante. Antes pelo contr\u00e1rio! Sedento de Agostinho da Silva por quanto mais o conhecia, que acabei, durante a forma\u00e7\u00e3o, perante um enorme precip\u00edcio. \u201cA psicologia \u00e9 uma ci\u00eancia pela qual tive sempre a maior das desconfian\u00e7as porque sempre me pareceu uma detest\u00e1vel e conden\u00e1vel interven\u00e7\u00e3o na vida alheia, uma quebra do que existe de mais sagrado, a intimidade espiritual de cada um.\u201d Que tinha feito eu ao escolher tal via profissional? Que papel poderia eu desempenhar que melhor serviria a determinadas necessidades da crian\u00e7a, que os pais n\u00e3o pudessem suprimir?<\/p>\n<p>A responsabilidade para com os pais sinto-a como um enorme desafio. Responsabilidade pelo respeito \u00e0 individualidade de cada um e \u00e0 sua historia. Respeito porque quando percebo\u2026 tenho os meus telhados de vidro. Deparar-me com crian\u00e7as com as mais diversas dificuldades, sejam sociais, comportamentais, psicol\u00f3gicas ou emocionais, e constatar que tantos dos pais procuraram e procuram dar o melhor de si, numa luta que se estende a tantos outros dos seus papeis. Pai e m\u00e3e, marido e esposa, trabalhador e trabalhadora, homem e mulher, filho e filha\u2026 Hoje li que pai presente ser\u00e1 sempre um her\u00f3i para o seu filho (Acho que queriam escrever presente com letra mai\u00fascula). Assim o ser\u00e1 cada m\u00e3e, e provavelmente com poderes mais complexos e polidos.<\/p>\n<p>Que erros estarei eu a cometer enquanto pai achando que estou a fazer o melhor? E como psic\u00f3logo? Sim, porque um psic\u00f3logo tamb\u00e9m \u00e9 pessoa e tamb\u00e9m erra. Ainda que agarrado \u00e0 responsabilidade e brio de querer e fazer por ser melhor profissional a cada dia.<\/p>\n<p>Como psic\u00f3logo, gosto de me ver como um facilitador da condi\u00e7\u00e3o humana.<\/p>\n<p>Como pai, n\u00e3o consigo encontrar as palavras. Talvez, e l\u00e1 est\u00e1 o drama, como um corajoso que diariamente procura estar para eles (s\u00e3o dois, um de 3 anos e meio e outro de 5 meses). Serei tamb\u00e9m aqui um facilitador da condi\u00e7\u00e3o humana?<\/p>\n<p>De certa forma soa a redutor num papel de pai. Mas n\u00e3o ser\u00e1 mesmo isso ainda que numa escala diferente?<\/p>\n<p>Como pai e como psic\u00f3logo, espero estar a contribuir para um mundo melhor. Sem grandes certezas, o que me recorda uma passagem do livro A insustent\u00e1vel leveza do ser de Milan Kundera. \u201cO homem, porque n\u00e3o tem sen\u00e3o uma vida, n\u00e3o tem nenhuma possibilidade de verificar a hip\u00f3tese atrav\u00e9s de experimentos, de maneira que n\u00e3o saber\u00e1 nunca se errou ou acertou ao obedecer a um sentimento. Tudo \u00e9 vivido pela primeira vez e sem prepara\u00e7\u00e3o. Como se um ator entrasse em cena sem nunca ter ensaiado\u201d \u2026 e continua \u201cNunca saberemos, de facto, se a intui\u00e7\u00e3o que nos determinou seguir certo sentimento foi correta ou n\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1 tempo para essa verifica\u00e7\u00e3o. Por isso, precisamos de cuidar as nossas emo\u00e7\u00f5es com um carinho muito especial\u201d<\/p>\n<p>N\u00e3o quero concordar ou discordar, mas a reflex\u00e3o leva-me a que podemos e devemos fazer o nosso trabalho de casa para que enquanto pais e profissionais consigamos antecipar a antecip\u00e1vel.<\/p>\n<p>Enquanto pai e enquanto psic\u00f3logo, cuidar das minhas emo\u00e7\u00f5es com um carinho muito especial, sem esquecer, cuidar dos outros com a mesma dedica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Um feliz dia do pai a todos os pais!<\/p>\n<p>Um feliz dia a todas as m\u00e3es!<\/p>\n<p>Um feliz dia a todos!<\/p>\n<p>Por Nuno Duarte<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eu pai. Eu psic\u00f3logo. 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