{"id":18613,"date":"2018-03-13T21:00:43","date_gmt":"2018-03-13T21:00:43","guid":{"rendered":"http:\/\/uptokids.fredericolopes.com\/?p=18613"},"modified":"2018-03-13T21:00:43","modified_gmt":"2018-03-13T21:00:43","slug":"o-nascimento-de-uma-mae","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/?p=18613","title":{"rendered":"O nascimento de uma m\u00e3e"},"content":{"rendered":"<h3>O nascimento de uma m\u00e3e<\/h3>\n<p>No dia em que a minha filha nasceu, eu nasci outra vez. A mulher que eu era ficou na confus\u00e3o do bloco de partos, esquecida entre as conversas dos m\u00e9dicos e a m\u00fasica que estava a tocar e nasceu outra mulher: a m\u00e3e.<\/p>\n<p>Naquele dia, que recordo como um filme que vemos muitas vezes, nascemos as duas e temos vindo a crescer as duas. Sempre de m\u00e3os dadas. Eu dou-lhe a m\u00e3o, enquanto lhe mostro os caminhos poss\u00edveis e ela aperta a minha m\u00e3o com for\u00e7a e ajuda-me a ser a m\u00e3e que sou.<\/p>\n<p>Nunca pensei que m\u00e3e iria ser, nem durante a gravidez, nem depois, n\u00e3o fiz planos, nem tinha certezas absolutas, n\u00e3o li livros, nem procurei teorias. A minha filha nasceu e eu, tal como ela, era um beb\u00e9 rec\u00e9m-nascido a respirar pela primeira vez e tenho vindo a aprender a viver a maternidade por instinto e guiada pelo amor.<\/p>\n<h3>E que m\u00e3e sou eu?<\/h3>\n<p>Sou uma m\u00e3e imperfeita, que se assume imperfeita e que rejeita a culpa com todas as for\u00e7as, fa\u00e7o sempre o melhor que consigo e \u00e0s vezes o melhor que consigo \u00e9 mesmo errar. E ajustar as velas e voltar a tentar.<\/p>\n<p>Sou uma m\u00e3e corajosa e eu n\u00e3o era uma mulher corajosa. Transformei-me no preciso momento em que entrei na sala de partos e me senti estupidamente calma.<\/p>\n<p>Sou uma m\u00e3e meio bipolar, uma m\u00e3e que grita e abra\u00e7a e ralha e d\u00e1 mimo e se enerva e que pede desculpa enquanto se volta a enervar.<\/p>\n<p>A minha filha confia em mim cegamente para a proteger de todos os males, reais e imagin\u00e1rios, para a fazer sentir segura, confiante, para lhe explicar o mundo e os outros. E eu sou uma m\u00e3e leoa, galinha, ursa, loba e todos os bichos do planeta s\u00f3 para a proteger.<\/p>\n<p>Sou a m\u00e3e a quem a minha filha abre buracos no peito quando me confidencia os segredos, as ang\u00fastias, as quest\u00f5es existenciais e as dores de crescimento e com isso me faz crescer tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>A minha filha obriga-me a confrontar-me com a minha impaci\u00eancia, com o meu cansa\u00e7o, obriga-me a reconhecer os meus erros, quando falho e quando lhe exijo demais, mas aceita a minha imperfei\u00e7\u00e3o, amando-me. Aos olhos dela sou a melhor m\u00e3e do mundo e a mais bonita. A m\u00e3e a quem pede desculpa quando erra, a quem sussurra ao ouvido que a adora.<\/p>\n<p>No dia em que a minha filha nasceu, fui aben\u00e7oada com o milagre da vida e tenho vindo a ser aben\u00e7oada com a beleza da presen\u00e7a dela nas nossas vidas, aben\u00e7oada com o amor que transborda do seu pequeno cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ainda hoje, cinco anos depois, olho para ela com o mesmo espanto com que a olhei pela primeira vez, acabada de sair da minha barriga, suja, inchada e cinzenta e eu a dizer-lhe:<\/p>\n<p><em>&#8211; Ol\u00e1, eu sou a tua m\u00e3e.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O nascimento de uma m\u00e3e No dia em que a minha filha nasceu, eu nasci outra vez. A mulher que eu era ficou na confus\u00e3o do bloco de partos, esquecida entre as conversas dos m\u00e9dicos e a m\u00fasica que estava a tocar e nasceu outra mulher: a m\u00e3e. 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