{"id":18580,"date":"2018-03-05T19:18:41","date_gmt":"2018-03-05T19:18:41","guid":{"rendered":"http:\/\/uptokids.fredericolopes.com\/?p=18580"},"modified":"2018-03-05T19:18:41","modified_gmt":"2018-03-05T19:18:41","slug":"nao-falamos-muito-dos-nossos-mortos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/?p=18580","title":{"rendered":"N\u00e3o falamos muito dos nossos mortos"},"content":{"rendered":"<h2>N\u00e3o falamos muito dos nossos mortos<\/h2>\n<p>N\u00e3o falamos muito deles, pois n\u00e3o? Dos nossos mortos.<\/p>\n<p>\u00c0s vezes, durante o banho, vem uma sensa\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o morreu.<\/p>\n<p>Outras vezes, \u00e0 noite, choramos sozinhos com <a href=\"http:\/\/uptokids.fredericolopes.com\/opiniao\/tenho-saudades-da-minha-mae\/\">saudade<\/a>. Outras ainda, sonhamos um sonho real em que est\u00e3o vivos. Tinha sido engano. Depois, quando acordamos, a verdade chega outra vez.<br \/>\nUm dia, pareceu-me que esperava que telefonasse. Que, simplesmente aparecesse. N\u00e3o falamos muito deles. E d\u00f3i.<br \/>\nEste dia repete-se.<br \/>\nMas n\u00e3o queremos chatear. Desej\u00e1vamos saber mais. Lembrar mais.<br \/>\nEste n\u00e3o querer chatear os outros, n\u00e3o querer partilhar, deixa os nossos mortos s\u00f3 para n\u00f3s.<br \/>\nNingu\u00e9m imagina a falta.<br \/>\n\u00c0s vezes, tento pensar nas \u00faltimas palavras que troc\u00e1mos. \u00c0s vezes, em v\u00e3o&#8230;<br \/>\nE a\u00ed, resolvemos abra\u00e7ar os que est\u00e3o. Dizer o que falta. Que fazem falta.<br \/>\nE \u00e0s vezes n\u00e3o falamos muito com eles, pois n\u00e3o?<br \/>\nQuando morrer n\u00e3o gostava que dissessem que parti. N\u00e3o usem eufemismos. Digam morreu. Digam, l\u00e1 est\u00e1 ele com aquelas coisas. Mesmo assim deitado, l\u00e1 est\u00e1 ele.<br \/>\nE falem de mim.<br \/>\nN\u00e3o me guardem.<br \/>\nAbracem quem amam.<br \/>\nN\u00e3o me culpem. J\u00e1 n\u00e3o vai valer a pena. N\u00e3o usem frases feitas e aborrecidas*. Comam.<br \/>\nN\u00e3o te culpes, claro. Como \u00e0s vezes fazemos com os nossos mortos.<br \/>\nSei que sofres mais do que eu. \u00c9 assim mesmo. H\u00e1 sempre algu\u00e9m que sofre mais.<br \/>\nMas isso n\u00e3o ileg\u00edtima a nossa dor.<br \/>\n\u00c0s vezes, no sonho, n\u00e3o queremos acordar.<br \/>\nS\u00f3 \u00e0s vezes.<br \/>\n*Amanh\u00e3 \u00e9 outro dia.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>image@AdrianMurrey<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><span style=\"color: #ff0000;\">LER TAMB\u00c9M&#8230;<\/span><\/h3>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><a style=\"color: #ff0000;\" href=\"http:\/\/uptokids.fredericolopes.com\/saude-e-bem-estar\/a-morte-contada-as-criancas\/\">A morte contada \u00e0s crian\u00e7as<\/a><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><a style=\"color: #ff0000;\" href=\"http:\/\/uptokids.fredericolopes.com\/educacao\/morreu-e-agora-como-vou-dizer-ao-meu-filho\/\">Morreu. E agora? Como vou dizer ao meu filho?<\/a><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><a style=\"color: #ff0000;\" href=\"http:\/\/uptokids.fredericolopes.com\/opiniao\/mas-quando-eu-morrer-como-e-que-vos-encontro-como\/\">Mas, quando eu morrer, como \u00e9 que vos encontro, como?<\/a><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><a style=\"color: #ff0000;\" href=\"http:\/\/uptokids.fredericolopes.com\/opiniao\/as-maes-tambem-tem-medo\/\">As m\u00e3es tamb\u00e9m t\u00eam medo<\/a><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>&#8220;Comportamo-nos como se as pessoas de quem gostamos fossem durar para sempre. Em vida n\u00e3o fazemos nunca o esfor\u00e7o consciente de olhar para elas como quem se prepara para lembr\u00e1-las. Quando elas desaparecem, n\u00e3o temos delas a mem\u00f3ria que nos chegue. Para as lembrar, que \u00e9 como quem diz, prolong\u00e1-las. A mem\u00f3ria \u00e9 o sopro com que os mortos vivem atrav\u00e9s de n\u00f3s. Devemos cuidar dela como da vida. &#8221;\u00a0 Miguel Esteves Cardoso<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o falamos muito dos nossos mortos N\u00e3o falamos muito deles, pois n\u00e3o? Dos nossos mortos. \u00c0s vezes, durante o banho, vem uma sensa\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o morreu. Outras vezes, \u00e0 noite, choramos sozinhos com saudade. Outras ainda, sonhamos um sonho real em que est\u00e3o vivos. Tinha sido engano. 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