{"id":18487,"date":"2018-02-21T11:59:16","date_gmt":"2018-02-21T11:59:16","guid":{"rendered":"http:\/\/uptokids.fredericolopes.com\/?p=18487"},"modified":"2018-02-21T11:59:16","modified_gmt":"2018-02-21T11:59:16","slug":"chumbar-de-ano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/?p=18487","title":{"rendered":"E seu eu chumbar de ano?"},"content":{"rendered":"<p>Chumbar de ano, falhar e errar!<\/p>\n<p>Sin\u00f3nimos do ponto de vista dos pais, habitualmente. E isto porque pais, filhos e escola \u00e9 uma rela\u00e7\u00e3o triangular que envolve receios e, por norma, muitas expectativas.<\/p>\n<p>Como forma de reduzir os receios parentais, aumenta-se a necessidade de que os filhos tenham uma carreira acad\u00e9mica de sucesso. Isto \u00e9, quando os filhos brindam os pais com boas notas constantes, al\u00e9m do orgulho sentido, os pais vivem uma preocupa\u00e7\u00e3o a menos (j\u00e1 que educar vai suscitando sempre algumas). E isto, do ponto de vista dos filhos, traz por norma a carga das expectativas. Os filhos v\u00e3o sendo muito elogiados pelos resultados, a fam\u00edlia e amigos pr\u00f3ximos refor\u00e7am os elogios e, sem que muitas vezes uns e outros se apercebam, j\u00e1 todos t\u00eam a expectativa da manuten\u00e7\u00e3o daquele estatuto e o pr\u00f3prio aluno vai percebendo que \u201ceste registo agrada\u2026 se vacilar e baixar as notas, agradarei ou n\u00e3o\u2026\u201d.<\/p>\n<p><strong>Afinal, que representa\u00e7\u00e3o acarreta, emocionalmente, uma <a href=\"http:\/\/uptokids.fredericolopes.com\/educacao\/o-sucesso-nao-depende-da-inteligencia-mas-sim-do-esforco\/\">carreira acad\u00e9mica brilhante<\/a>, desde cedo?<\/strong><\/p>\n<p>Sucessos sucessivos e consequentes refor\u00e7os positivos podem facilmente conduzir ao medo de falhar \u2013 o medo de errar. Os famosos \u201cchumbos\u201d!<\/p>\n<p>No fundo, os filhos tendem a sentir sempre alguma expectativa sobre a sua presta\u00e7\u00e3o escolar. Uns esfor\u00e7am-se por corresponder a essa expectativa e podem at\u00e9 viv\u00ea-la com ansiedade, bailando ao som da falha como possibilidade leg\u00edtima (e evitando-a a todo o custo, mas sem desistir); outros a quem a possibilidade de n\u00e3o corresponder \u00e0 expectativa os trava, logo na casa de partida, e nem tentam a sorte \u201cao jogo\u201d.<\/p>\n<p>Falhar e tentar de novo, faz parte do percurso de vida de todas as pessoas. As falhas t\u00eam a vantagem de nos ensinar novos caminhos, permitindo-nos renovar experi\u00eancias e, com isso, crescer e criar autonomia emocional. Incutir aos filhos o trajeto das boas notas; o objetivo do quadro de honra \u00e9 enviesar a realidade.<\/p>\n<p>Na vida real, o caminho n\u00e3o \u00e9 sempre sereno, as surpresas n\u00e3o s\u00e3o todas agrad\u00e1veis, os objetivos n\u00e3o s\u00e3o todos cumpridos e os resultados das circunst\u00e2ncias vividas nem sempre ser\u00e3o um fruto apetecido. Logo, permitir aos filhos espa\u00e7o para falhar sem zangas, \u00e9 criar a oportunidade de se confrontarem com essa frustra\u00e7\u00e3o, originando um trabalho de gest\u00e3o interna de toler\u00e2ncia ao erro, com consequente aprendizagem. \u00c9, acima de tudo, retirar-lhes o medo de errar!<\/p>\n<p>Pode, depois, criar-se a d\u00favida sobre onde fica o limite de n\u00e3o exigir boas notas, mas ensinando que tem de haver empenho e algum esfor\u00e7o. E a resposta a essa d\u00favida \u00e9 a atitude. A atitude de exigir responsabilidade, no entanto sem demonstrar reatividade emocional aos resultados acad\u00e9micos obtidos:<\/p>\n<ol>\n<li>\n<h3>As notas s\u00e3o a \u00fanica e necess\u00e1ria recompensa que os filhos t\u00eam como fruto do esfor\u00e7o investido no estudo.<\/h3>\n<\/li>\n<\/ol>\n<p>Os pais devem demonstrar que a felicidade\/orgulho sentido, \u00e9 consequ\u00eancia daquilo que o pr\u00f3prio filho sente. Exemplo perante uma boa nota: \u201cQue bom que <strong><u>est\u00e1s<\/u><\/strong> contente! Fico t\u00e3o feliz quando est\u00e1s assim. E sei que \u00e9 muito bom vermos o nosso esfor\u00e7o glorificado. Estudaste, conseguiste!\u201d.<\/p>\n<p>Perante uma nota negativa: \u201cComo \u00e9 que te sentes com o <strong><u>teu<\/u><\/strong> resultado?\u201d (esperar a rea\u00e7\u00e3o) \u201cO que achas que podes fazer (ou \u201cpodemos fazer\u201d, de acordo com a idade ou nos casos em que os pais possam sentir assim) para mudar este resultado?\u201d<\/p>\n<p>Evitar demonstrar preocupa\u00e7\u00e3o com os resultados negativos, para controlar o sentimento (dos filhos) de \u201ceu n\u00e3o agrado\u201d, que muitas vezes conduz a um outro sentimento destrutivo \u201ceu n\u00e3o sou capaz\u201d.<\/p>\n<ol start=\"2\">\n<li>\n<h3>O desinvestimento escolar dos filhos, que culminar\u00e1 no insucesso escolar, n\u00e3o \u00e9 necessariamente uma decis\u00e3o volunt\u00e1ria.<\/h3>\n<\/li>\n<\/ol>\n<p>Os pais devem lembrar-se disto, como forma de evitar r\u00f3tulos (nomear defeitos). A esta atitude, segue-se tens\u00e3o na din\u00e2mica familiar, sem quaisquer altera\u00e7\u00f5es desejadas no que \u00e9 sentido como o foco do problema.<\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio um aux\u00edlio especializado para auscultar as raz\u00f5es.<\/p>\n<ol start=\"3\">\n<li>\n<h3>Relembrar sempre que o inverso de alunos \u201cquadro de honra\u201d n\u00e3o s\u00e3o maus alunos e, acima de tudo, n\u00e3o s\u00e3o maus filhos, nem filhos problem\u00e1ticos.<\/h3>\n<\/li>\n<\/ol>\n<p>Podem, simplesmente, ser filhos que n\u00e3o focam nas mat\u00e9rias escolares toda a sua energia, podendo isso at\u00e9 ser uma mais valia. Um foco absoluto no estudo, retirar\u00e1 tempo e capacidade para desenvolver outras \u00e1reas t\u00e3o ou mais importantes na nossa condi\u00e7\u00e3o de humanos: como a \u00e1rea emocional, onde est\u00e1 implicada a necessidade e capacidade de comunica\u00e7\u00e3o e rela\u00e7\u00e3o com o outro.<\/p>\n<ol start=\"4\">\n<li>\n<h3>Alunos n\u00e3o devem ser refor\u00e7ados pelas suas notas positivas ou negativas<\/h3>\n<\/li>\n<\/ol>\n<p>As boas notas s\u00e3o o \u00fanico refor\u00e7o positivo necess\u00e1rio ao investimento de tempo implicado no estudo.<\/p>\n<p>As m\u00e1s notas, ou mesmo negativas, dever\u00e3o ser motivo de reflex\u00e3o entre pais e filhos, sem que implique rea\u00e7\u00f5es emocionais desagrad\u00e1veis. Isto evitar\u00e1 a cria\u00e7\u00e3o de expectativas e, sobretudo valorizar\u00e1 a cren\u00e7a de que, al\u00e9m de os pais serem interessados, atentos e envolvidos nas vidas dos filhos, as notas n\u00e3o t\u00eam qualquer influ\u00eancia no amor incondicional pelo qual se pauta a rela\u00e7\u00e3o pais-filhos.<\/p>\n<p>Os filhos devem estudar porque esse \u00e9 o seu trabalho e porque os ajudar\u00e1 a conseguir com maior facilidade assimilar a mat\u00e9ria que vir\u00e1 a seguir. E esta \u00e9 a \u00fanica exig\u00eancia-base que os pais devem colocar na rela\u00e7\u00e3o, em termos do percurso acad\u00e9mico.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">image@wired<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Chumbar de ano, falhar e errar! Sin\u00f3nimos do ponto de vista dos pais, habitualmente. E isto porque pais, filhos e escola \u00e9 uma rela\u00e7\u00e3o triangular que envolve receios e, por norma, muitas expectativas. 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