{"id":18331,"date":"2018-01-25T20:14:37","date_gmt":"2018-01-25T20:14:37","guid":{"rendered":"http:\/\/uptokids.fredericolopes.com\/?p=18331"},"modified":"2018-01-25T20:14:37","modified_gmt":"2018-01-25T20:14:37","slug":"verbalizar-o-amor-sempre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/?p=18331","title":{"rendered":"Verbalizar o amor? Sempre!"},"content":{"rendered":"<p>A cena \u00e9 habitual nos percursos escola-casa e casa-escola: a minha filha e eu vamos sentadas lado a lado e depois de alguns segundos em sil\u00eancio ela pega-me na m\u00e3o e d\u00e1-lhe um beijinho, sem que eu fa\u00e7a ou diga alguma coisa. E depois acrescenta: \u201c<em>gosto de ti<\/em>\u201d. \u00c9 uma ternura que me derrete o cora\u00e7\u00e3o e de quem assiste.<\/p>\n<p>Desta vez estava sentada \u00e0 nossa frente uma senhora de cerca de 70 anos, que levou a m\u00e3o ao peito. \u201c<em>A minha filha nunca, nem em adulta, me disse que gostava de mim\u2026\u201d,<\/em> disse enternecida e algo triste.<\/p>\n<p>Fiquei a pensar no assunto. Ser\u00e1 esta gera\u00e7\u00e3o, a minha, mais expansiva no que toca aos sentimentos? Falaremos mais de amor?<\/p>\n<p>A conclus\u00e3o a que cheguei \u00e9 que depende muito das fam\u00edlias, \u00e9 certo, mas acredito que sim. N\u00e3o \u00e9 preciso recuar muito para perceber que n\u00e3o era habitual esta troca afectiva de palavras em p\u00fablico, havia muito o \u201cn\u00e3o dito\u201d, para o bom e para o mau.<\/p>\n<p>Eu pr\u00f3prio n\u00e3o cresci a dizer aos meus av\u00f3s que gostava deles, por exemplo. E isso n\u00e3o significava que n\u00e3o gostasse, simplesmente n\u00e3o era suposto dizer-se, falar-se desse sentimento\u2026 Ainda h\u00e1 um ano sussurrei ao ouvido do meu av\u00f4 paterno o quanto gostava dele. Foi a primeira vez e infelizmente n\u00e3o consigo ter a certeza se ele me conseguiu ouvir. Disse-o, eventualmente, tarde demais.<\/p>\n<p>Mas tamb\u00e9m cresci a acreditar que o amor \u00e9 muito mais que uma palavra, que \u00e9 nos gestos e atitudes que ele vive e permanece. Quantas vezes vi um \u201camo-te\u201d na boca de algu\u00e9m que o dizia sem o sentir? Nunca o quis para mim e para mim \u00e9 sagrado: se o sinto, digo-o, mas essa aprendizagem veio com o nascimento da minha filha.<\/p>\n<p>Foi ela que me ensinou a viver o amor desta forma de gritar aos quatro ventos como somos sortudos. E ensino-lhe, atrav\u00e9s do exemplo, a dizer que gosta de mim dizendo-lhe que gosto dela. Vai sempre dormir depois de ouvir que a amo. Nunca a fa\u00e7o dizer, nunca lhe digo que diga a algu\u00e9m s\u00f3 para deixar essa pessoa feliz. Ela j\u00e1 percebeu que h\u00e1 um momento para o dizer e pessoas a quem o dirigir. Portanto, se somos bafejados com essa sorte, aproveitemos. Se n\u00e3o somos, nada de ficar tristes, todos amamos as pessoas de formas diferentes e expressamos os nossos sentimentos de formas diferentes.<\/p>\n<p>Deixei de esperar pela altura certa para dizer aos que me s\u00e3o importantes, que o s\u00e3o. Acho que a bolha de amor que se cria ao saber que somos gostados ajuda \u00e0 nossa auto-estima, por exemplo. Ajuda um dia cinzento a receber alguns raios de sol. Ensina que devemos priorizar o positivo em vez do negativo.<\/p>\n<p>Os dias nem sempre s\u00e3o f\u00e1ceis, mas se algu\u00e9m, onde quer que esteja, nos fizer chegar a mensagem de que somos importantes para eles, ent\u00e3o h\u00e1 coisas que valem a pena. Mesmo num dia mau.<\/p>\n<p>Por isso, sempre que a minha filha me disse \u201cgosto de ti\u201d, eu responderei de volta \u201ceu \u00e9 que gosto de ti\u201d e estaremos nesta espiral do eu gosto mais at\u00e9 que nos cansemos e haja beijos nas bochechas e um abra\u00e7o a selar o acordo: gostamos ambas, como haver\u00edamos de n\u00e3o gostar?<\/p>\n<p>Porque o amor \u00e9 mesmo o melhor do mundo (ent\u00e3o na boca dos nossos filhos, torna-se o para\u00edso\u2026).<\/p>\n<p>Amem muito. E n\u00e3o deixem para amanh\u00e3 se o puderem dizer hoje.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">imagem@weheartit<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A cena \u00e9 habitual nos percursos escola-casa e casa-escola: a minha filha e eu vamos sentadas lado a lado e depois de alguns segundos em sil\u00eancio ela pega-me na m\u00e3o e d\u00e1-lhe um beijinho, sem que eu fa\u00e7a ou diga alguma coisa. 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