{"id":18028,"date":"2017-11-16T21:00:32","date_gmt":"2017-11-16T21:00:32","guid":{"rendered":"http:\/\/uptokids.fredericolopes.com\/?p=18028"},"modified":"2017-11-16T21:00:32","modified_gmt":"2017-11-16T21:00:32","slug":"questoes-existenciais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/?p=18028","title":{"rendered":"Quest\u00f5es existenciais"},"content":{"rendered":"<p>A ver uma fotografia minha e do pai:<\/p>\n<p><em>&#8211; Onde \u00e9 que eu estava quando tiraram aquela fotografia?<\/em><\/p>\n<p><em>&#8211; Ainda n\u00e3o tinhas nascido.<\/em><\/p>\n<p><em>&#8211; Estava na tua barriga?<\/em><\/p>\n<p><em>&#8211; Ainda n\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p><em>&#8211; Ent\u00e3o onde \u00e9 que eu estava?<\/em><\/p>\n<p>As quest\u00f5es existenciais t\u00eam sido uma constante. Onde \u00e9 que ela estava quando eu nasci, para onde foi o gato que estava morto na rua, onde \u00e9 que o irm\u00e3o estava antes de estar na minha barriga, se h\u00e1 vida nos outros planetas ou s\u00f3 no nosso e porque \u00e9 que o tempo passa. Diz tamb\u00e9m que a lua \u00e9 o sitio onde est\u00e1 a av\u00f3 do pai e que nunca vai querer morrer porque quer ficar com a fam\u00edlia dela para sempre. Pede muitas vezes para eu a abra\u00e7ar e prometer que a vou proteger de tudo. E eu digo que sim.<\/p>\n<p>Ela ainda n\u00e3o sabe, mas eu sei que n\u00e3o a vou conseguir proteger de tudo, nem vou ter resposta para as quest\u00f5es que hoje vou respondendo como se estiv\u00e9ssemos num conto de fadas. A vida n\u00e3o \u00e9 um conto de fadas, mas aos quatro anos ela ainda pode acreditar em sapatinhos de cristal, em princesas que com um beijo transformam sapos em pr\u00edncipes, em bruxas m\u00e1s e meias-irm\u00e3s feias e malvadas.<\/p>\n<p>Eu \u00e9 que j\u00e1 n\u00e3o posso acreditar e penso muitas vezes naquele momento em que perdemos a inoc\u00eancia e a ideia da morte passa a viver connosco para sempre. Ainda me lembro da dor terr\u00edvel e do desespero que senti da primeira vez que tomei consci\u00eancia do fim, do meu e dos que amo. Um sentimento que s\u00f3 aliviou com o nascimento dos meus filhos e que me invade novamente com as perguntas feitas pela minha filha.<\/p>\n<p>Eu n\u00e3o acredito em Deus, em igrejas ou religi\u00f5es e talvez para quem n\u00e3o cr\u00ea seja ainda mais dif\u00edcil acalmar essa dor em n\u00f3s e nos nossos filhos porque n\u00e3o tenho hist\u00f3rias b\u00edblicas e para\u00edsos para lhes oferecer. Talvez a religi\u00e3o sirva como um ansiol\u00edtico que nos acalma as ang\u00fastias e torna o mundo um lugar mais f\u00e1cil. N\u00e3o sei, nunca experimentei esse sentimento porque, por muito que tente, n\u00e3o vejo mais do que aquilo que os meus olhos alcan\u00e7am.<\/p>\n<p>Um dia as perguntas dos meus filhos deixar\u00e3o de poder ter respostas inocentes, o gato morto continuar\u00e1 morto para sempre e vai doer-lhes, como me doeu a mim e eu n\u00e3o poderei fazer mais que os amar e abra\u00e7ar, como a minha m\u00e3e o fez a mim tantas vezes.<\/p>\n<p>O amor n\u00e3o cura tudo, mas \u00e9 a melhor ferramenta que tenho.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>imagem@inforegi<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A ver uma fotografia minha e do pai: &#8211; Onde \u00e9 que eu estava quando tiraram aquela fotografia? &#8211; Ainda n\u00e3o tinhas nascido. &#8211; Estava na tua barriga? &#8211; Ainda n\u00e3o. &#8211; Ent\u00e3o onde \u00e9 que eu estava? 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