{"id":17965,"date":"2017-10-23T12:41:09","date_gmt":"2017-10-23T11:41:09","guid":{"rendered":"http:\/\/uptokids.fredericolopes.com\/?p=17965"},"modified":"2017-10-23T12:41:09","modified_gmt":"2017-10-23T11:41:09","slug":"todos-nos-precisamos-de-coisas-diferentes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/?p=17965","title":{"rendered":"Todos n\u00f3s precisamos de coisas diferentes."},"content":{"rendered":"<p>Todos n\u00f3s precisamos de coisas diferentes. Por exemplo, eu preciso das minhas canetas para escrever e o meu filho precisa delas para construir foguet\u00f5es. De todas elas. Eu preciso do meu computador para editar as minhas cr\u00f3nicas e o meu filho precisa de ver document\u00e1rios sobre constru\u00e7\u00e3o de motores. Ao mesmo tempo que eu preciso de trabalhar.<\/p>\n<p>Muitas vezes situa\u00e7\u00f5es como esta podem transformar-se num dilema. Ou numa fonte de conflito.<\/p>\n<p>No entanto, como adulto respons\u00e1vel, cabe-me a mim escolher se quero transformar este momento numa luta de poder. Ou simplesmente parar, olhar para o grande plano das coisas por um segundo \u2013 em vez de reagir imediatamente \u2013 e decidir em consci\u00eancia.<\/p>\n<h3>Isto significa que as crian\u00e7as n\u00e3o tenham limites?<\/h3>\n<p>N\u00e3o. Mas significa que os limites devem ser passados de forma tranquila, com base na empatia, na conex\u00e3o.<\/p>\n<p>Ao dizer: <em>Estou a escutar que gostavas de\u2026. Mas n\u00e3o vai ser poss\u00edvel\u2026 porque | Quem me dera\u2026 | Como \u00e9 podemos fazer? | Estou aqui. Vejo que est\u00e1s aborrecido. Queres ajuda?<\/em> estamos a escolher compreender o que a crian\u00e7a sente antes de estabelecer o limite. Mesmo que n\u00e3o possamos satisfazer a necessidade ou vontade imediata da crian\u00e7a, ela vai receber que somos compreensivos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s suas emo\u00e7\u00f5es e \u00e0s suas vontades.<\/p>\n<p>As crian\u00e7as, tal como n\u00f3s reagem muito melhor a uma energia de conex\u00e3o. Se nos conectarmos primeiro com os sentimentos da crian\u00e7a, distanciando-nos das nossas pr\u00f3prias necessidades, conseguiremos ajud\u00e1-la a construir uma auto-imagem positiva e um verdadeiro sentido de valor.\u00a0 E isso constr\u00f3i-se momento ap\u00f3s momento.<\/p>\n<h3>Isto quer dizer que devemos deixar as crian\u00e7as fazerem tudo o que querem?<\/h3>\n<p>O mais poss\u00edvel. Sou uma defensora do sim. Mais do que do n\u00e3o. O sim expande. O n\u00e3o limita. E se queremos educar uma gera\u00e7\u00e3o melhor, precisamos aprender a expandir com eles.<\/p>\n<p>Verifico que passamos a grande maior parte do tempo a barrar. A travar. A limitar. E tenho observado que o fazemos por medo. Por um caleidosc\u00f3pio de medos. Normalmente medos que residem dentro de n\u00f3s e que ainda n\u00e3o libert\u00e1mos. Ou medos relativamente ao exterior. Medo que caiam. Medo que cheguem atrasados. Medo que fiquem doentes se n\u00e3o comerem a sopa toda. E medos relativamente \u00e0s expectativas dos outros. Da sociedade. Do mundo.<\/p>\n<h3>Todas as crian\u00e7as precisam de sentir-se amadas. Ouvidas. Vistas. Acarinhadas. Apoiadas.<\/h3>\n<p>Quando n\u00f3s adultos temos dificuldade em gerir, controlar as nossas pr\u00f3prias emo\u00e7\u00f5es, abrimos portas e janelas que dificilmente se voltar\u00e3o a fechar facilmente. Com as palavras que usamos e com o tom que as empregamos. Confundimos facilmente firmeza com agressividade, defini\u00e7\u00e3o de limites com hostilidade.<\/p>\n<p>N\u00f3s pr\u00f3prios precisamos de fazer o \u00fanico trabalho de casa realmente relevante: trabalhar as nossas pr\u00f3prias emo\u00e7\u00f5es. Sarar as nossas pr\u00f3prias feridas. Fazer um trabalho de alma profundo. Ganhar uma nova consci\u00eancia. Voltar ao cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 certo que todos n\u00f3s precisamos de coisas diferentes, no entanto todos operamos muito melhor num ambiente de apoio, aceita\u00e7\u00e3o e compreens\u00e3o. Especialmente nos nossos momentos mais dif\u00edceis. Quando estamos \u00e0 espera da resposta de um trabalho que nunca mais chega. Quando queremos sair de casa para dar uma voltinha, mas acabamos por ir para a praia com os tr\u00eas baldes, quatro p\u00e1s, uma mochila cheia de ovos cozidos e hamb\u00farguers em fanicos, um podengo e um basset hound completamente alucinados que mais parecem le\u00f5es enjaulados quando encontram outros c\u00e3es.<\/p>\n<p><strong>Todos n\u00f3s precisamos de coisas diferentes.<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 certo. Mas quantos de n\u00f3s precisamos de serm\u00f5es, opini\u00f5es, conselhos ou o ponto de vista de outros quando estamos a ter um momento menos bom? Quando estamos frustrados, ansiosos ou confusos? Quando somos tratados de uma forma que n\u00e3o merecemos? Quando nos sentimos injusti\u00e7ados?<\/p>\n<p>\u00c9 certo que todos precisamos de coisas diferentes. Por exemplo, quando viv\u00edamos em casa dos meus pais, a minha irm\u00e3 precisava de ter as coisas arrumadas e eu desarrumava tudo. N\u00e3o era por mal. Simplesmente n\u00e3o sou um ser humano organizado.<\/p>\n<p>Mas todos funcionamos melhor \u2013 e nos sentimos melhor &#8211;\u00a0 quando nos sentimos compreendidos, apoiados e aceites.<\/p>\n<p>Por vezes somos mal interpretados por pessoas que n\u00e3o nos conhecem t\u00e3o bem ou n\u00e3o conseguem compreender o nosso mundo interior. Por exemplo a minha irm\u00e3 nunca compreendia porque raz\u00e3o arrumava o lavat\u00f3rio da casa de banho e dois dias depois j\u00e1 estava tudo completamente desarrumado. Como a compreendo agora!!!<\/p>\n<p>Posso nunca ter sido um ser humano organizado, mas sempre consegui encontrar-me na minha desorganiza\u00e7\u00e3o. Quer dize, na maioria das vezes. Mas por precisarmos de coisas diferentes ou funcionarmos de formas diferentes, isso significa que estamos errados? Que merecemos menos?<\/p>\n<p>Um dos maiores desafios da vida \u00e9 saber respeitar os outros como eles s\u00e3o. Mas aprendi que isto talvez aconte\u00e7a porque tamb\u00e9m n\u00e3o sabemos ainda bem como respeitar-nos e aceitar-nos a n\u00f3s pr\u00f3prios, na nossa totalidade. Vivemos ainda num mundo de separa\u00e7\u00e3o e julgamento.<\/p>\n<p>Todos precisamos de coisas diferentes, mas quando estamos cansados, angustiados, frustrados, aflitos ou zangados precisamos de algu\u00e9m que nos oi\u00e7a. Que nos escute activamente. Sem condicionantes. Sem moralismos. Sem cobran\u00e7as. Algu\u00e9m que reconhe\u00e7a a nossa dor interior e nos d\u00ea a hip\u00f3tese de falar ou desabafar da maneira que precisamos. S\u00f3 isso tantas vezes ajuda a que fiquemos menos confusos, menos ansiosos e mais aptos a lidar com os nossos pr\u00f3prios sentimentos e resolver o nosso problema.<\/p>\n<p>O processo n\u00e3o \u00e9 diferente com as crian\u00e7as. Sem tirar nem p\u00f4r. Para conseguirem aprender a encontrar solu\u00e7\u00f5es para lidar com os seus sentimentos, as crian\u00e7as precisam do nosso apoio, a nossa aceita\u00e7\u00e3o e o nosso carinho. N\u00e3o precisam de castigos, repreens\u00f5es, li\u00e7\u00f5es de moral ou serm\u00f5es.<\/p>\n<h3>\u00c9 imperativo aprender a linguagem das crian\u00e7as, como se volt\u00e1ssemos a aprender a ler e a escrever.<\/h3>\n<p>Estudar essa linguagem abre-nos caminhos m\u00e1gicos na arte de educar. Aprender a descodificar cada momento menos bom e saber ler o que est\u00e1 por detr\u00e1s de cada emo\u00e7\u00e3o, de cada explos\u00e3o. De cada manifesta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em todos os momentos, verbal ou n\u00e3o verbalmente, a crian\u00e7a tenta comunicar. Tenho vindo a compreender cada vez mais que para conseguirmos ter uma rela\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel com os nossos filhos, precisamos aprender a compreender como funcionam. Para conseguirmos dar-lhes o que realmente precisam para crescerem de forma saud\u00e1vel. Aprendi que s\u00f3 alterando a forma como olhamos, percebemos e tratamos as crian\u00e7as \u00e9 poss\u00edvel criar novas gera\u00e7\u00f5es de adultos mental e emocionalmente saud\u00e1veis.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Todos n\u00f3s precisamos de coisas diferentes. Por exemplo, eu preciso das minhas canetas para escrever e o meu filho precisa delas para construir foguet\u00f5es. De todas elas. Eu preciso do meu computador para editar as minhas cr\u00f3nicas e o meu filho precisa de ver document\u00e1rios sobre constru\u00e7\u00e3o de motores. Ao mesmo tempo que eu preciso [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":58,"featured_media":17966,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[17,22],"tags":[303,18,246,21,67],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/17965"}],"collection":[{"href":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/58"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=17965"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/17965\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/index.php?rest_route=\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=17965"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=17965"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=17965"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}