{"id":17799,"date":"2017-09-21T21:18:48","date_gmt":"2017-09-21T20:18:48","guid":{"rendered":"http:\/\/uptokids.fredericolopes.com\/?p=17799"},"modified":"2017-09-21T21:18:48","modified_gmt":"2017-09-21T20:18:48","slug":"viver-sem-pressa-ser-mae-sem-pressa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/?p=17799","title":{"rendered":"Viver sem pressa. Ser m\u00e3e sem pressa."},"content":{"rendered":"<h3>O dia em que deixei de dizer despachem-se<\/h3>\n<p>Cada vez mais, as pessoas vivem constantemente apressadas. Desde que acordas at\u00e9 que te deitas \u00e9 um desenrolar que rotinas e tarefas que s\u00f3 te apetece despachar tudo para poderes descansar.<\/p>\n<p>Sentes que est\u00e1s sempre a cumprir uma tarefa da lista, a olhar para um ecr\u00e3 ou a saltar de compromisso em compromisso. Independentemente da forma como distribuis o teu tempo e do n\u00famero de obriga\u00e7\u00f5es que realizas em multi-tasking, nunca h\u00e1 tempo suficiente para nada.<\/p>\n<p>Isto foi a hist\u00f3ria da minha vida durante dois anos. O meu c\u00e9rebro e consequentemente as minhas ac\u00e7\u00f5es foram controlados por notifica\u00e7\u00f5es electr\u00f3nicas, toques de telem\u00f3vel e uma agenda superlotada. O militar que h\u00e1 em mim queria que conseguisse ter um grau de efic\u00e1cia de 200% e cumprisse todas as actividades em agenda, mas nunca consegui estar \u00e0 altura.<\/p>\n<h3>Sempre que os meus filhos faziam algo que me desviasse da minha agenda principal, eu pensava: \u201c<em>N\u00e3o temos tempo para isto.\u201d<\/em><\/h3>\n<p>Tenho 4 filhos que, como todas as crian\u00e7as, n\u00e3o t\u00eam a no\u00e7\u00e3o de urg\u00eancia. Podemos estar atrasad\u00edssimos para qualquer coisa e um pede para parar para comer um bolo no caf\u00e9, outro quer ir ao parque brincar, p\u00e1ra numa montra para ver capas de telem\u00f3veis!<\/p>\n<p>Quando temos de sair de casa, primeiro que consiga reunir os 4 \u00e0 porta com tudo o que \u00e9 necess\u00e1rio (mais o que cada um quer levar quer seja um brinquedo ou uma lancheira cheia de cuecas, como j\u00e1 aconteceu) \u00e9 um verdadeiro desafio (aka caos).<\/p>\n<p>Quando estou atrasada para qualquer coisa, mesmo que seja, para uma festa de anos de amigos deles (pensas que est\u00e1s a favor da mar\u00e9, mas n\u00e3o!), parece que est\u00e1 tudo contra n\u00f3s. At\u00e9 perdem tempo a p\u00f4r o cinto do carro \u00e0 bola de futebol em vez de o porem a si pr\u00f3prios.<\/p>\n<p>Se vamos a um fast-food comer qualquer coisa r\u00e1pida para nos despacharmos, querem trocar o boneco 10 vezes, comer um gelado, e ficam a falar com amigos que acabaram de conhecer.<\/p>\n<h3>Os meus filhos, crian\u00e7as felizes sem quaisquer preocupa\u00e7\u00f5es, foram a maior chamada de aten\u00e7\u00e3o para o meu estilo de vida.<\/h3>\n<p>Eu tinha uma vis\u00e3o da vida em forma de t\u00fanel, como os cavalos que andam com palas nos olhos. O meu dia-a-dia era um cumprir de compromissos e obriga\u00e7\u00f5es, sem parar para pensar ou respirar. Qualquer coisa que n\u00e3o me permitisse fazer um check na minha lista de tarefas era, simplesmente, \u00a0uma perda de tempo.<\/p>\n<p>Sempre que os meus filhos me faziam perder o foco da minha agenda principal, eu pensava: <em>\u201cN\u00e3o temos tempo para isto.\u201d<\/em><\/p>\n<p>Consequentemente, a palavra que mais lhes dizia era: \u201c<em>Despachem-se\u201d.<\/em><\/p>\n<p>Come\u00e7ava o dia a dizer:<\/p>\n<p><em>Despachem-se, estamos atrasados! <\/em><br \/>\n<em> Despachem-se e vistam os casacos!<\/em><\/p>\n<p>e terminava a dizer:<\/p>\n<p><em>Despachem-se, lavem os dentes e, xixi cama!<\/em><\/p>\n<p>Ainda que o refor\u00e7o \u201c<em>despachem-se\u201d<\/em> pouco ou nada fizesse para aumentar a velocidade dos meus filhos, eu passava a vida a gritar, \u201cDESPACHEM-SE\u201d. Na verdade repetia mais estas palavras do que lhes dizia o quanto gosto deles. <em>Daqui at\u00e9 \u00e0 lua<\/em>, dizem antes de dormir, sempre \u00e0 espera de mais mimo e mais amor.<\/p>\n<p><em>Despachem-se!<\/em><\/p>\n<h3>A verdade \u00e9 dif\u00edcil de reconhecer e de aceitar, mas ajuda-nos a crescer e aproximou-me da m\u00e3e que EU quero ser.<\/h3>\n<p>At\u00e9 que em um dia fat\u00eddico, as coisas mudaram. Eu tinha ido buscar os meus filhos ao col\u00e9gio e est\u00e1vamos a sair do carro. Um dos meus filhos disse para o mais novo na altura (o 3\u00ba agora): \u201c<em>\u00c9s muito lento! Est\u00e1s a atrasar tudo\u201d<\/em><\/p>\n<p>Cruzou os ba\u00e7os e suspirou com ar de enfado. Neste momento eu revi-me ali. Foi uma sensa\u00e7\u00e3o horr\u00edvel. EU ERA ASSIM!<\/p>\n<p><strong>Eu era a bullyer que empurrava, pressionava e apressava 3 crian\u00e7as (na altura), que simplesmente n\u00e3o estavam (ainda) minimamente formatadas para a obriga\u00e7\u00e3o de cumprir hor\u00e1rios.<\/strong><\/p>\n<p>Foi um abre olhos; eu vi com clareza o dano que a minha forma de viver estava a causar aos meus filhos.<\/p>\n<p>Com a voz tr\u00e9mula, olhei para o meu filho mais novo e disse: \u201c<em>Desculpa querido por te apressar constantemente. Eu adoro-te tal como \u00e9s, leva o teu tempo e quem me dera ser mais como tu!<\/em>\u201d.<\/p>\n<p>Os outros olharam para mim com um ar surpreso com a minha dolorosa confiss\u00e3o, mas a cara do mais novo sustentava o inequ\u00edvoco brilho da aceita\u00e7\u00e3o e do reconhecimento.<\/p>\n<p><em>\u201cA m\u00e3e promete ser mais paciente a partir de hoje<\/em>\u201d, disse-lhe enquanto abra\u00e7ava o meu filho ca\u00e7ulo. Ele estava radiante diante da promessa rec\u00e9m-descoberta de sua m\u00e3e.<\/p>\n<h3>Foi fac\u00edlimo banir o <em>\u201cDespachem-se<\/em>\u201d do meu vocabul\u00e1rio.<\/h3>\n<p>O que n\u00e3o foi nada f\u00e1cil foi adquirir a paci\u00eancia para esperar pelos meus filhos. Para nos ajudar a lidar com o tempo que o mais novo precisa para realizar as suas tarefas, comecei a acorda-los mais cedo, a ir busca-los mais cedo e a dar-lhes os tempos que precisavam para que n\u00e3o and\u00e1ssemos todos a toque de caixa. Mesmo assim, a maior parte das vezes ainda nos atrasamos mas, pelo menos, os meus filhos n\u00e3o est\u00e3o sujeitos a press\u00f5es constantes.<\/p>\n<p>Agora, quando vamos a algum lado, deixo que o mais novo, o 4\u00ba filho, defina o ritmo. Quando p\u00e1ra para ver qualquer coisa (descoberta), eu simplesmente fico a estudar as express\u00f5es que faz, muitas delas que EU nunca tinha visto com olhos de ver. Adoro ver como consegue fazer tantas coisas e \u00e9 t\u00e3o habilidoso, apesar da idade, e do tamanho m\u00ednimo das suas m\u00e3os. Percebi que as pessoas lhe respondem quando ele p\u00e1ra para conversar. Raparei que todos os dias ele descobre novos insectos ou flores na rua. Ele \u00e9 um mi\u00fado observador e isso \u00e9 uma qualidade a preservar. Devemos estimular essa vontade dando-lhe o tempo que precisa.<\/p>\n<p>Desde este epis\u00f3dio, que aconteceu h\u00e1 cerca de 3 anos,\u00a0 comecei simult\u00e2neamente a minha jornada de me soltar de distra\u00e7\u00f5es di\u00e1rias e agarrar-me ao que importa na vida. E viver sem pressa, num ritmo mais calmo obriga a um esfor\u00e7o extraordin\u00e1rio. Os meus filhos s\u00e3o o lembrete vivo do porque \u00e9 que tomei esta op\u00e7\u00e3o de vida.<\/p>\n<p>E de facto, h\u00e1 dias,\u00a0o meu filho\u00a0accionou o lembrete: t\u00ednhamos ido ao parque e no fim paramos para comer um gelado. Os irm\u00e3os j\u00e1 tinham terminado o deles e de repente ficou a olhar para mim e perguntou: \u201c<em>Tenho de me despachar,\u00a0n\u00e3o \u00e9 m\u00e3e?<\/em>\u201d<\/p>\n<h3>Deu-me vontade de chorar. Se calhar as cicatrizes de uma vida\u00a0stressada nunca desaparecem completamente.<\/h3>\n<p>Enquanto ele olhava para mim \u00e0 espera de resposta, eu percebi que tinha duas op\u00e7\u00f5es. Ou continuava ali sentada melancolicamente a pensar na quantidade de vezes que o apressei at\u00e9 hoje, ou\u2026 eu podia celebrar o facto de que hoje estou a tentar fazer as coisas de outra maneira.<\/p>\n<p>Eu escolhi viver o hoje.<\/p>\n<p>\u201c<em>N\u00e3o. Come o gelado com calma. Temos tempo\u201d<\/em>. O sorriso foi imediato, enquanto os ombros desciam de alivio.<\/p>\n<p>Ficamos ali sentados a falar sobre coisas que, por vezes, o tempo \u00e9 curto para partilharmos.<\/p>\n<p>Decidi que nunca mais quero dizer: \u201cN<em>\u00e3o temos tempo para isto<\/em>\u201d.<\/p>\n<p>Pode ter sido tarde, mas percebi que esta frase basicamente assume que n\u00e3o temos tempo para viver.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><span style=\"color: #808080;\">Adapta\u00e7\u00e3o do artigo\u00a0publicado em <a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/www.handsfreemama.com\/2013\/07\/16\/the-day-i-stopped-saying-hurry-up\/\">handsfreemama<\/a><\/span><\/em><\/p>\n<h3><\/h3>\n<h3><span style=\"color: #ff0000;\">LER TAMB\u00c9M&#8230;<\/span><\/h3>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><a style=\"color: #ff0000;\" href=\"http:\/\/uptokids.fredericolopes.com\/educacao\/slow-parenting-pais-sem-pressa\/\">Slow Parenting | Pais sem pressa<\/a><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><a style=\"color: #ff0000;\" href=\"http:\/\/uptokids.fredericolopes.com\/educacao\/esta-e-a-expressao-proibida-ca-em-casa\/\">Esta \u00e9 a express\u00e3o proibida c\u00e1 em casa<\/a><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><a style=\"color: #ff0000;\" href=\"http:\/\/uptokids.fredericolopes.com\/opiniao\/antigamente-era-mais-facil-ser-mae\/\">Antigamente era mais f\u00e1cil ser m\u00e3e<\/a><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O dia em que deixei de dizer despachem-se Cada vez mais, as pessoas vivem constantemente apressadas. Desde que acordas at\u00e9 que te deitas \u00e9 um desenrolar que rotinas e tarefas que s\u00f3 te apetece despachar tudo para poderes descansar. Sentes que est\u00e1s sempre a cumprir uma tarefa da lista, a olhar para um ecr\u00e3 ou [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":17800,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[545,9],"tags":[61,21,63,504],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/17799"}],"collection":[{"href":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=17799"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/17799\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/index.php?rest_route=\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=17799"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=17799"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=17799"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}