{"id":17516,"date":"2017-07-17T21:00:38","date_gmt":"2017-07-17T20:00:38","guid":{"rendered":"http:\/\/uptokids.fredericolopes.com\/?p=17516"},"modified":"2017-07-17T21:00:38","modified_gmt":"2017-07-17T20:00:38","slug":"as-criancas-so-nos-tem-a-nos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/?p=17516","title":{"rendered":"As crian\u00e7as s\u00f3 nos t\u00eam a n\u00f3s"},"content":{"rendered":"<p><em>\u201cTodos come\u00e7amos esta viagem, cheios de sonhos, de esperan\u00e7a e de amor. Muito antes do mundo nos ensinar o medo temos momentos puros. Momentos em que os ratos s\u00e3o mais espertos que grufalos, vacas conseguem saltar luas e os gatos vivem em chap\u00e9us.\u201d &#8211;\u00a0<\/em>Eric Christian Olsen<\/p>\n<p>Todos n\u00f3s nascemos livres. Seres cristalinos. Seres de amor. Puros. Com uma marca pr\u00f3pria, uma assinatura \u00fanica a deixar no mundo.<\/p>\n<p>Depois, o ambiente que nos acolhe, os lugares onde nos movimentamos, as respostas que vamos recebendo \u00e0s nossas necessidades e as nossas pr\u00f3prias viv\u00eancias, v\u00e3o marcando profundamente as funda\u00e7\u00f5es da nossa exist\u00eancia e conduzindo a nossa jornada.<\/p>\n<p>O in\u00edcio da nossa viagem como pais n\u00e3o \u00e9 muito diferente.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/uptokids.fredericolopes.com\/opiniao\/antes-de-ser-mae\/\">Antes de sermos pais<\/a>, temos uma vis\u00e3o incrivelmente deslumbrante dos pais que vamos ser. Calmos. Pacientes. Controlados. S\u00e1bios.<\/p>\n<p>E de repente\u2026 BOOM. Somos esmagadoramente abalroados pelo despertador da realidade.<\/p>\n<p>Quando somos pais, \u00e9 f\u00e1cil sentirmo-nos arrebatados. Triturados pelo medo. Ofuscados pela rotina. Confusos pela incerteza. Desgastados pelas noites sem dormir. Al\u00e9rgicos com o ch\u00e3o por aspirar. De cabelos em p\u00e9 com os brinquedos espalhados. Descompensados pelos Himalaias de roupa suja para lavar.<\/p>\n<p>Porque que \u00e9 que a roupa n\u00e3o se lava sozinha? Porque \u00e9 que a minha filha n\u00e3o p\u00e1ra de chorar? Porque \u00e9 que n\u00e3o come? Porque \u00e9 que n\u00e3o dorme? Porque \u00e9 que n\u00e3o se veste sozinha? Mas n\u00e3o estava tudo bem agora mesmo? O que \u00e9 que se passa?????<\/p>\n<p>Comecei a aperceber-me recentemente que sermos pais \u00e9 assim como uma longa e surpreendente travessia de mota. E consoante a nossa condu\u00e7\u00e3o, assim as duas rodas nos v\u00e3o respondendo. Consoante o estado da mota que conduzimos e as condi\u00e7\u00f5es do terreno e do tempo, assim a nossa viagem por entre os desertos e os vales, as plan\u00edcies e as encostas vai exigindo uma adapta\u00e7\u00e3o na nossa condu\u00e7\u00e3o. Pode estar chuva. Pode estar sol. E quando chove, podemos sempre decidir se queremos levar o fato de chuva, se queremos seguir caminho ou se paramos um pouco, \u00e0 espera que a chuva passe. Ou se avan\u00e7amos mesmo assim e aproveitamos a ventura.<\/p>\n<p>Apesar da nossa vis\u00e3o antes de sermos pais possa contrastar ofuscantemente com a realidade, no segundo em que escutamos, no momento em que prestamos aten\u00e7\u00e3o, em que nos conseguimos sintonizar com o grande esquema das coisas, conseguimos recordar o in\u00edcio da viagem. Sintonizar com a nossa vis\u00e3o. Com o nosso sonho.<\/p>\n<p>E a\u00ed estamos prontos para dar um novo passo e reconectarmo-nos com o nosso ponto de partida.<\/p>\n<p>Por vezes, encontramo-nos a navegar uma estrada oleosa, esburacada, cheia de curvas e contracurvas. Em rota descendente com curvas bem apertadas. Umas a seguir \u00e0s outras. De repente, a gravilha no caminho parece amea\u00e7ar a resist\u00eancia da nossa condu\u00e7\u00e3o. O \u00f3leo da estrada amea\u00e7a fazer-nos tombar na pr\u00f3xima volta. Literalmente.<\/p>\n<p>E os sonhos, a esperan\u00e7a e o amor que orientaram a vis\u00e3o inicial da nossa viagem parecem ser colocados \u00e0 prova. Momento sim, momento sim.<\/p>\n<p>Maya Angelou dizia que quando sabes melhor fazes melhor. Com conhecimento adequado, podemos mesmo tornar-nos pais calmos. Mesmo quando estamos exaustos. Fora de n\u00f3s. \u00c0 beira de um ataque de nervos.<\/p>\n<p>Por vezes damos por n\u00f3s a ouvir a voz &#8211; uma ou mais vozes &#8211;\u00a0 t\u00e3o longe no tempo, mas t\u00e3o perto agora a ressoar dentro dos nossos ouvidos.<\/p>\n<p>Damos por n\u00f3s, aniquilados pela press\u00e3o, pelo stress, pelos eventos da vida, a fazer exactamente as mesmas coisas que sempre critic\u00e1mos, a dizer aquilo que sempre detest\u00e1mos e que jur\u00e1mos a p\u00e9s juntos que nunca ir\u00edamos fazer.\u00a0 Ficamos mal. Estamos a dar o nosso melhor com o que temos, mas c\u00e1 dentro sabemos que podemos fazer melhor. Queremos fazer melhor.<\/p>\n<p>A nossa inten\u00e7\u00e3o \u00e9 a melhor. No entanto, parece que, por mais que queiramos, no momento, n\u00e3o conseguimos fazer de outra forma. E \u00e9 na fragilidade, na vulnerabilidade, que o nosso piloto autom\u00e1tico fica no comando. Apesar dele nos despertar aquilo que sabemos j\u00e1 n\u00e3o se coadunar com aquilo que queremos fazer, acontece. O piloto autom\u00e1tico fica no comando. Recorremos ao que conhecemos. Ao nosso pr\u00f3prio padr\u00e3o interno. Que na grande maioria das vezes \u00e9 fundado no nosso estado de <em>n\u00e3o- consci\u00eancia. <\/em><\/p>\n<p>Ent\u00e3o, procuramos culpados, culpamo-nos a n\u00f3s pr\u00f3prios. Sentimo-nos incapazes. Um falhan\u00e7o. Ficamos zangados, frustrados.<\/p>\n<h3><span style=\"color: #ff0000;\">LER TAMB\u00c9M&#8230;<\/span><\/h3>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><a style=\"color: #ff0000;\" href=\"http:\/\/uptokids.fredericolopes.com\/educacao\/eu-tornei-me-na-mae-que-gritava\/\">Eu tornei-me na M\u00e3e que gritava<\/a><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><a style=\"color: #ff0000;\" href=\"http:\/\/uptokids.fredericolopes.com\/educacao\/criancas-com-muita-personalidade-e-torcidas-vao-longe-na-vida\/\">Crian\u00e7as com muita personalidade (e torcidas) v\u00e3o longe na vida<\/a><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><a style=\"color: #ff0000;\" href=\"http:\/\/uptokids.fredericolopes.com\/opiniao\/eu-dei-melamil-aos-meus-filhos\/\">Eu dei Melamil aos meus filhos<\/a><\/span><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Falamos em tom de guerra quando sentimos que as nossas pr\u00f3prias necessidades n\u00e3o s\u00e3o satisfeitas. Mesmo que submersa na nossa inten\u00e7\u00e3o resida uma mensagem de paz.<\/p>\n<p>Aprendi que n\u00e3o importa o que a vida nos atire, temos sempre a possibilidade de escolher. E nem sempre fazemos a escolha mais adequada. Apesar de toda a nossa boa inten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No entanto, temos <em>sempre<\/em> a possibilidade de fazer uma escolha consciente do passo que vamos dar a seguir. Da forma como vamos falar. O que vamos dizer. O que vamos fazer.<\/p>\n<h3>Sermos pais \u00e9 uma longa jornada.<\/h3>\n<p>Que n\u00e3o tem de ser penosa. Ter\u00e1 sempre muitos desafios, \u00e9 certo. No entanto pode ser uma jornada simples. O que n\u00e3o quer dizer o mesmo que f\u00e1cil. Mas simples.<\/p>\n<p>As crian\u00e7as s\u00f3 nos t\u00eam a n\u00f3s. Aprendi que somos os adultos respons\u00e1veis pelo seu crescimento e desenvolvimento saud\u00e1vel. N\u00e3o apenas f\u00edsico, mas muito mais importante que isso. Temos uma grande responsabilidade no seu desenvolvimento emocional.<\/p>\n<p>Recentemente vi um v\u00eddeo em que o realizador americano Mark Webber, entrevistado pela sua mulher Teresa Palmer, conta que a sua m\u00e3e o sentava e incentivava-o a dizer: <em>Eu amo-me.<\/em> Nessa altura, Mark e a sua m\u00e3e viviam em estado de extrema pobreza, navegando de ref\u00fagio em ref\u00fagio num dos mais violentos e pobres bairros de Filad\u00e9lfia. Em situa\u00e7\u00e3o extrema, esta m\u00e3e tinha consci\u00eancia do quanto aquele exerc\u00edcio poderia semear no cora\u00e7\u00e3o do seu filho seguran\u00e7a. For\u00e7a. Esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>Ao longo da nossa viagem por esta estrada desconhecida, a forma como reagimos \u00e0 chuva, \u00e0s tempestades, \u00e0s curvas apertadas, tudo isto determina a nossa aventura. N\u00e3o \u00e9 tanto a chegada ao destino, mas a proeza da viagem. \u00c9 necess\u00e1rio um profundo investimento na prepara\u00e7\u00e3o e uma desperta liberta\u00e7\u00e3o de toda a nossa formata\u00e7\u00e3o interna.<\/p>\n<p>Se ajustamos a nossa condu\u00e7\u00e3o \u00e0 mota que temos, se decidimos desacelerar ou at\u00e9 mesmo ir parando simplesmente para observar a beleza da paisagem, depende apenas de n\u00f3s. Se, ao contr\u00e1rio, decidimos acelerar, correndo o risco de sermos obrigados a travar de repente e sofrer um acidente, depende apenas de n\u00f3s. Se decidimos dar um pontap\u00e9 no pneu porque a mota tem um furo ou porque deixa de trabalhar porque nos esquecemos de p\u00f4r gasolina, se chamamos nomes \u00e0 chuva porque decidiu cair no dia em que planeamos sair. Tamb\u00e9m depende de n\u00f3s. N\u00e3o da mota. N\u00e3o da estrada. E com certeza n\u00e3o da chuva.<\/p>\n<p>Muitos de n\u00f3s crescemos numa sociedade de julgamento. A maior parte de n\u00f3s ainda se move em ambientes assim. De buscar no exterior por respons\u00e1veis pelas conting\u00eancias da vida. Mas isso n\u00e3o poderia estar mais longe da verdade. Muito menos no que toca \u00e0s crian\u00e7as.<\/p>\n<p>Como adultos, n\u00f3s <strong>somos os primeiros agentes emocionais das crian\u00e7as<\/strong>. Somos os agentes da constru\u00e7\u00e3o do di\u00e1logo interno com que as crian\u00e7as crescem e se desenvolvem.<\/p>\n<p>Quando imaginamos ser pais, por vezes ainda muito novos, somos guiados pela nossa vis\u00e3o. Mas tal como em todos os sonhos, \u00e9 necess\u00e1rio dedica\u00e7\u00e3o, treino, empenho e trabalho \u00e1rduo cont\u00ednuo e permanente para concretizar a nossa vis\u00e3o. Para se materializar o que sonh\u00e1mos. No entanto, n\u00e3o se aprende <a href=\"http:\/\/uptokids.fredericolopes.com\/educacao\/prefiro-que-os-meus-filhos-aprendam-empatia-em-vez-de-mandarim\/\">empatia na escola<\/a>. Nem gest\u00e3o de emo\u00e7\u00f5es no liceu. Nem conex\u00e3o na Universidade. Precisamos de uma melhor prepara\u00e7\u00e3o para o nosso papel de pais. N\u00e3o uma prepara\u00e7\u00e3o apenas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s necessidades exteriores (de sede, de fome, de conforto) mas tanto ou muito mais revelantes: as necessidades emocionais.<\/p>\n<p>Estarmos preparados para as adversidades, para aprendermos e adaptarmo-nos a uma nova linguagem \u00e9 condi\u00e7\u00e3o fundamental em qualquer viagem. Quando mais preparados estivermos para as condi\u00e7\u00f5es adversas que possamos encontrar, quanto mais dispostos e abertos estivermos, melhor nos conseguiremos adaptar e reajustar a forma como solucionamos ou superamos os momentos mais dif\u00edceis.<\/p>\n<h3><span style=\"color: #ff0000;\">LER TAMB\u00c9M&#8230;<\/span><\/h3>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><a style=\"color: #ff0000;\" href=\"http:\/\/uptokids.fredericolopes.com\/educacao\/as-5-palavras-magicas-da-parentalidade-positiva\/\">As 5 Palavras M\u00e1gicas da Parentalidade Positiva<\/a><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><a style=\"color: #ff0000;\" href=\"http:\/\/uptokids.fredericolopes.com\/educacao\/20-taticas-simples-para-evitares-gritar-com-os-teus-filhos\/\">20 t\u00e1ticas simples para evitares gritar com os teus filhos<\/a><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\">Como comunicar com os filhos de forma positiva e eficaz<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cTodos come\u00e7amos esta viagem, cheios de sonhos, de esperan\u00e7a e de amor. Muito antes do mundo nos ensinar o medo temos momentos puros. Momentos em que os ratos s\u00e3o mais espertos que grufalos, vacas conseguem saltar luas e os gatos vivem em chap\u00e9us.\u201d &#8211;\u00a0Eric Christian Olsen Todos n\u00f3s nascemos livres. Seres cristalinos. Seres de amor. [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":58,"featured_media":17519,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[17,22],"tags":[31,23,67],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/17516"}],"collection":[{"href":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/58"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=17516"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/17516\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/index.php?rest_route=\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=17516"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=17516"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=17516"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}