{"id":17264,"date":"2017-05-30T21:00:40","date_gmt":"2017-05-30T20:00:40","guid":{"rendered":"http:\/\/uptokids.fredericolopes.com\/?p=17264"},"modified":"2017-05-30T21:00:40","modified_gmt":"2017-05-30T20:00:40","slug":"aprendemos-a-ser-pais-desaprendemos-de-ser-casal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/?p=17264","title":{"rendered":"Aprendemos a ser pais, desaprendemos de ser casal"},"content":{"rendered":"<h2>Aprendemos a ser pais, desaprendemos de ser casal<\/h2>\n<p>Este \u00e9 um assunto que afecta imensos casais, que \u00e9 fortemente abordado na literatura, contudo na realidade parece n\u00e3o afectar ningu\u00e9m pelo menos at\u00e9 se tornar p\u00fablico que a Maria e o Jo\u00e3o se separaram.<\/p>\n<p>A diminui\u00e7\u00e3o da felicidade que a rela\u00e7\u00e3o conjugal nos traz, habitualmente tratada por satisfa\u00e7\u00e3o conjugal, continua a ser um tema tabu que funciona como uma pescadinha de rabo na boca \u2013 ao n\u00e3o ser falado faz com que as pessoas sintam que n\u00e3o \u00e9 suposto falar sobre isto, logo ningu\u00e9m toca no assunto.<\/p>\n<p>Por que \u00e9 que s\u00e3o poucos os casais que assumem que o nascimento do beb\u00e9 os afastou? Penso que existem v\u00e1rios motivos \u2013 entre sentirem que est\u00e3o a culpar o beb\u00e9, algo t\u00e3o positivo nas suas vidas, por um acontecimento negativo; passando pelo sentimento de vergonha em admiti-lo (se ningu\u00e9m fala no assunto \u00e9 porque somos o \u00fanico casal a passar por isto); at\u00e9 \u00e0 cren\u00e7a que desenvolvemos de que as fam\u00edlias t\u00eam de ser felizes quando nasce um beb\u00e9, tal como a Disney nos ensinou nas suas hist\u00f3rias.<\/p>\n<p>S\u00e3o v\u00e1rios os estudos que confirmam que nos primeiros anos de vida o bem-estar do casal \u00e9 inferior comparativamente a casais da mesma idade que n\u00e3o t\u00eam filhos. N\u00e3o se preocupem, existem boas not\u00edcias: \u00e0 medida que as crian\u00e7as crescem o nosso bem-estar torna-se superior ao desses casais sem filhos (<em>Toma!<\/em>\u00a0V<em>ai buscar!).<\/em><em>\u00a0<\/em>Resumindo, com o tempo vamos sentir-nos melhor, s\u00f3 precisamos disso mesmo \u2013 de tempo!<\/p>\n<p>Nos primeiros tempos de vida do beb\u00e9 dedicamo-nos quase em exclusivo a ser m\u00e3es. Aprendemos a ser m\u00e3es, a fazer actividades de m\u00e3es, a conciliar as novas tarefas com outras (dom\u00e9sticas) que j\u00e1 desempenh\u00e1vamos, a centrar o nosso tempo e recursos no beb\u00e9. Naturalmente, investimos tanto neste papel que deixamos de ter vontade, paci\u00eancia e\/ou energia para cuidar igualmente dos outros pap\u00e9is que protagonizamos. Geralmente, a Mulher fica esquecida e com ela leva as mem\u00f3rias dos motivos pelos quais o nosso companheiro j\u00e1 nos fez t\u00e3o felizes. Quanto mais permitimos que esse afastamento aconte\u00e7a, mais sentimos que perdemos pontos em comum e passamos a v\u00ea-lo como o beb\u00e9 o v\u00ea \u2013 apenas como pai.<\/p>\n<p>Enquanto algu\u00e9m que passou por tudo isto na \u201cpele\u201d, gostava de vos deixar algumas palavras de \u00e2nimo e dicas que talvez possam ajudar:<\/p>\n<h3>1- Voc\u00eas n\u00e3o est\u00e3o sozinhos!<\/h3>\n<p>Acreditem que mais perto do que imaginam existe um casal a passar pelo mesmo, a sentir essa tristeza por j\u00e1 n\u00e3o sentir uma liga\u00e7\u00e3o t\u00e3o forte entre si. Aceitem esses sentimentos, tentem perceber porque surgem, ser\u00e1 mesmo que a pessoa mudou ou o meu estado de sonol\u00eancia\/cansa\u00e7o\/irrita\u00e7\u00e3o \u00e9 que n\u00e3o me permite v\u00ea-la da mesma maneira?<\/p>\n<h3>2- Conversem, conversem e conversem!<\/h3>\n<p>Claro que para as mulheres isto \u00e9 mais f\u00e1cil (um dia venho contar-vos porqu\u00ea), mas existem\u00a0<em>timings<\/em>\u00a0em que falar se torna mais f\u00e1cil, tentem encontr\u00e1-los e, sem apontar dedos e culpar ningu\u00e9m, procurem dizer apenas o que sentem.<\/p>\n<h3>3- Partilhem, se poss\u00edvel, com algu\u00e9m que vos aceite.<\/h3>\n<p>Por vezes, quando n\u00e3o exprimimos o que sentimos, nem partilhamos a nossa vis\u00e3o sobre as situa\u00e7\u00f5es, tudo parece mais negro. Damos por n\u00f3s a achar que n\u00e3o existem alternativas para o comportamento daquela pessoa (<em>fez isto com aquela inten\u00e7\u00e3o, sem d\u00favida<\/em>); este tipo de pensamento, conhecido por pensamento preto ou branco, leva-nos a ver as coisas de forma absoluta, quando por vezes existem outras justifica\u00e7\u00f5es bastante razo\u00e1veis. Al\u00e9m disso, falarmos com outras pessoas ajuda-nos a perceber que como n\u00f3s \u2013 numa fase menos boa \u2013 existem muitos.<\/p>\n<h3>4- Invistam em voc\u00eas como casal.<\/h3>\n<p>Confesso-vos que dei este passo com muitas retic\u00eancias, s\u00f3 de me imaginar a ir jantar enquanto a minha filha, embora aos cuidados da excelente av\u00f3 que tem, ficava a chorar, sem saber da m\u00e3e, partia-me o cora\u00e7\u00e3o e trazia grandes sentimentos de culpa (<em>que tipo de m\u00e3e \u00e9s tu que faz isto \u00e0 filha?<\/em>). Na verdade, ela n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o chorou, como eu me diverti imenso. Durante o jantar quase que senti que estava a\u00a0 conhecer o meu companheiro pela primeira vez; no meio de tudo esqueci-me de tantas caracter\u00edsticas positivas que ele tem <em>(se n\u00e3o h\u00e1 partilha de novos momentos, que por sua vez criam novas mem\u00f3rias, como podemos continuar a conhecer-nos?<\/em>). Posto isto, apostem nestes momentos, mesmo que n\u00e3o tenham a minha sorte e o beb\u00e9 chore durante 1 hora, acreditem que quando voltarem para junto dele se v\u00e3o sentir pais mais felizes, revigorados e, por conseguinte, mais dispon\u00edveis para abra\u00e7ar os desafios da parentalidade \u2013 vejam isto como um investimento.<\/p>\n<h3>5- Procurem ajuda profissional.<\/h3>\n<p>Se sentem que j\u00e1 tentaram de tudo e que a rela\u00e7\u00e3o tende a piorar, procurem um psic\u00f3logo que fa\u00e7a terapia conjugal. Acreditem, imensas pessoas recorrem a este tipo de terapia, n\u00e3o tenham complexos. O que existe de errado em fazer de tudo para ficarmos com a pessoa que amamos?!<\/p>\n<p>Espero que consigam continuar a aprender a ser pais, mas que possam, em simult\u00e2neo, reaprender a ser um casal, agora com mais pap\u00e9is e desafios.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><span style=\"color: #ff0000;\">LER TAMB\u00c9M&#8230;<\/span><\/h3>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><a style=\"color: #ff0000;\" href=\"http:\/\/uptokids.fredericolopes.com\/opiniao\/como-sobreviver-em-casal-sendo-pais-de-gemeos\/\">Como sobreviver em casal sendo pais de g\u00e9meos!<\/a><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><a style=\"color: #ff0000;\" href=\"http:\/\/uptokids.fredericolopes.com\/saude-e-bem-estar\/fui-mae-devia-estar-feliz-entao-porque-me-sinto-assim\/\">Fui m\u00e3e, devia estar feliz, ent\u00e3o porque me sinto assim?<\/a><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\">Carta ao meu marido nesta fase complicada do casamento<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aprendemos a ser pais, desaprendemos de ser casal Este \u00e9 um assunto que afecta imensos casais, que \u00e9 fortemente abordado na literatura, contudo na realidade parece n\u00e3o afectar ningu\u00e9m pelo menos at\u00e9 se tornar p\u00fablico que a Maria e o Jo\u00e3o se separaram. 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