{"id":17251,"date":"2017-05-28T09:00:42","date_gmt":"2017-05-28T08:00:42","guid":{"rendered":"http:\/\/uptokids.fredericolopes.com\/?p=17251"},"modified":"2017-05-28T09:00:42","modified_gmt":"2017-05-28T08:00:42","slug":"ser-mae-poe-fim-a-dependencia-da-opiniao-alheia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/?p=17251","title":{"rendered":"Ser m\u00e3e p\u00f5e fim \u00e0 depend\u00eancia da opini\u00e3o alheia"},"content":{"rendered":"<h2>Isto de ser m\u00e3e p\u00f5e fim \u00e0 depend\u00eancia da opini\u00e3o alheia<\/h2>\n<p>J\u00e1 chega minha gente. J\u00e1 chega. J\u00e1 percebi a li\u00e7\u00e3o. Agrade\u00e7o a tudo e todos porque chegou a minha vez de descansar. Sim, porque isto\u00a0de depender da opini\u00e3o alheia\u00a0desgasta-nos ao ponto de nem sabermos quem somos.<\/p>\n<p>Imagino que tenha sem d\u00favida muito mais pela frente para desbravar mas por agora estou bem tranquila. Ao longo dos meus 44 anos de vida tenho tido v\u00e1rios n\u00edveis de intensidade desta depend\u00eancia dos olhares e ideias dos outros, mas ser m\u00e3e finalmente acordou-me alegremente para o que EU penso. O que eu penso n\u00e3o formado por um egocentrismo de me ouvir exclusivamente a mim pr\u00f3pria, j\u00e1 que sou pessoa para ouvir muitas opini\u00f5es, pedi-las, saborea-las e depois decidir confiar em quem mais me parece fazer sentido. Mas, na altura de ouvir coment\u00e1rios daqueles tipo\u00a0murro no est\u00f4mago tipo &#8220;N\u00e3o \u00e9 assim que se d\u00e1 de mamar&#8221; ou &#8220;Ana, a tua filha est\u00e1 cheia de fome, v\u00ea-se perfeitamente&#8221; e no mesmo dia passadas umas horas ouvir de outra pessoa &#8220;Acho que ela est\u00e1 a bolsar porque come demais. Eu n\u00e3o fa\u00e7o assim&#8221;.<\/p>\n<p>Chega! A vida tem destas del\u00edcias. Talvez para cada um de n\u00f3s o momento de passarmos a confiar na NOSSA forma de viver chegue em alturas diferentes. No meu caso, tem sido um crescendo de tentativa e erro sempre mais consolidado. E agora com o nascimento da Joana h\u00e1 dois meses cheguei ao limite.<\/p>\n<p>Sinto-me t\u00e3o tranquila na m\u00e3e que sou. Fa\u00e7o tudo o que posso por ela, a quem tanto desejei.<\/p>\n<p>Digo-lhe muitas vezes que pode contar comigo. Quero caminhar com ela segura de que vou errar muito. E contar-lhe. Tanto disparate que j\u00e1 fiz apenas\u00a0nestes dois meses que nem imagino o que ser\u00e1 ao longo da vida. Quando me chegam perto os coment\u00e1rios apavorados de outros, sinto que tocam numa campainha dentro de mim que ainda tem d\u00favida sobre as minhas capacidades e tento n\u00e3o deix\u00e1-la tocar muito alto.<\/p>\n<p>Agrade\u00e7o as sugest\u00f5es mas tento transmitir aos que est\u00e3o perto de mim que n\u00e3o quero (mesmo nada) receber opini\u00f5es que vivem de verdades absolutas.<\/p>\n<p>Gostava muito que a minha filha n\u00e3o sofresse como eu sofri na inf\u00e2ncia e da adolesc\u00eancia&#8230; e, v\u00e1\u00a0na casa dos 20 e dos 30. Apavorada com o erro. A maneira como espero conseguir isto \u00e9 lidar bem com os meus. RIrmo-nos sobre eles, falarmos sobre eles. Aprender.<\/p>\n<p>Em crian\u00e7a nem sabia o que isso era, opini\u00f5es pessoais. Um olhar autorit\u00e1rio deitava-me para o ch\u00e3o. Curiosamente (quase me parece uma contradi\u00e7\u00e3o) sempre fui decidida e sabia bem o que queria, o que acreditava sobre a vida. Penso que simplesmente ia muito a medo com receio de n\u00e3o gostarem de mim. Talvez fosse mais isso.\u00a0Ent\u00e3o, cedo decidi &#8220;Nunca quero fazer sentir a outra pessoa que n\u00e3o se pode expressar livremente&#8221;. A minha opini\u00e3o na altura era &#8220;Eu tenho uma opini\u00e3o!&#8221;<\/p>\n<p>Na adolesc\u00eancia este receio de me fazer ouvir tomou propor\u00e7\u00f5es que s\u00f3 vim a compreender muito mais\u00a0tarde\u00a0enquanto contava hist\u00f3rias da minha vida a algumas pessoas. Contei ent\u00e3o como no autocarro para a escola costumava tentar segurar a respira\u00e7\u00e3o\u00a0com receio de me\u00a0ouvirem respirar. Correram-me as l\u00e1grimas pelo rosto de ter percebido ent\u00e3o o quando n\u00e3o confiava em mim. Mais uma vez, a par disto,\u00a0batia o p\u00e9 para estudar aquilo em que acreditava, fazia ouvir as minhas ideias mesmo que a medo. Sempre uma batalha para n\u00e3o me deixar\u00a0vencer por mim mesma. Curiosa a vida, n\u00e3o?<\/p>\n<p>Nesta batalha, a vida vai vencendo e eu vou ficando mais forte. Recordo-me de estar numa aula de gram\u00e1tica nos EUA durante o meu mestrado para ser professora de ingl\u00eas e de me perguntarem a minha opini\u00e3o sobre uma determinada teoria de lingu\u00edstica. Respondi &#8220;mas eu acho\u00a0que todos t\u00eam raz\u00e3o no que est\u00e3o a dizer. N\u00e3o sei qual \u00e9 a minha opini\u00e3o.&#8221; A professora come\u00e7ou-se a rir e disse-me &#8220;\u00c9s das alunas com mais opini\u00f5es que j\u00e1 conheci&#8221;. O valor deste coment\u00e1rio para o meu crescimento \u00e9 mesmo dif\u00edcil de p\u00f4r em palavras.<\/p>\n<p>Escolhi um percurso de vida de falar em p\u00fablico, de me fazer ouvir. E a solu\u00e7\u00e3o para o pavor do olhar\u00a0alheio foi pensar em dar aos outros. Ter claro porque fa\u00e7o o que fa\u00e7o e n\u00e3o obcecar comigo mesma.<\/p>\n<p>O ano passado, no meu trabalho como coach de comunica\u00e7\u00e3o passei por uma experi\u00eancia que partilhei na altura <a href=\"http:\/\/pravidareal.blogs.sapo.pt\/coaching-focado-em-solucoes-licao-no-5252\">no meu blog<\/a>. Neste percurso de vida descobri como ser menos dura comigo, como cair numa rede de apoio bem macia dentro de mim sempre que n\u00e3o sou perfeita como me tentei\/tentaram convencer que devia ser.<\/p>\n<p>Agora que me tornei m\u00e3e,\u00a0todos desatam a ter opini\u00f5es sem qualquer vergonha de as dar como se fossem verdades 100% \u00e0 prova de bala? Lan\u00e7am-se uma atr\u00e1s da outra de todas as direc\u00e7\u00f5es. J\u00e1 chega! Respirei fundo e escolhi de novo confiar em mim.<\/p>\n<p>At\u00e9 na maternidade, nos quatro dias que l\u00e1 estive ap\u00f3s o nascimento da Joana, em cada turno a enfermeira de servi\u00e7o dava uma opini\u00e3o diferente da do m\u00e9dico daquele dia ou da enfermeira no turno anterior. Escolhi falar sobre isso e tenho mesmo vindo a perceber que at\u00e9 nestas coisas da\u00a0ci\u00eancia nada \u00e9 absoluto.<\/p>\n<p>Ser m\u00e3e e cuidar de uma crian\u00e7a depende de tantos factores. Eu escolhi olhar nos olhos da minha filha, ouvi-la a ela, ao pai dela, fazer todas as perguntas que preciso a quem for preciso e depois confiar na forma de viver que escolho para a minha pequena fam\u00edlia.<\/p>\n<p>O desafio agora \u00e9 n\u00e3o falar com outros m\u00e3es sem o cuidado de partilhar com elas que a minha opini\u00e3o nada mais vale do que a minha experi\u00eancia pessoal. Se for bom para elas, bom. Se n\u00e3o o cora\u00e7\u00e3o e esp\u00edrito de procura delas saber\u00e1 descobrir o que de mais acertado fazer com os filhos.<\/p>\n<p>Por Ana Calha, Blog P<a href=\"http:\/\/pravidareal.blogs.sapo.pt\/e-se-nao-correr-tudo-bem-8225\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">r\u00e1 Vida Real<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">imagem@A minha vida dava um cartoon<\/p>\n<h3><span style=\"color: #ff0000;\">LER TAMB\u00c9M&#8230;<\/span><\/h3>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><a style=\"color: #ff0000;\" href=\"http:\/\/uptokids.fredericolopes.com\/opiniao\/8-coisas-que-as-mulheres-tem-de-parar-de-fazer-nos-grupos-de-maes-no-fb\/\">8 coisas que as mulheres t\u00eam de parar de fazer nos grupos de m\u00e3es no FB<\/a><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><a style=\"color: #ff0000;\" href=\"http:\/\/uptokids.fredericolopes.com\/opiniao\/cada-vez-mais-fartinha-de-maes\/\">Cada vez mais fartinha de M\u00e3es<\/a><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><a style=\"color: #ff0000;\" href=\"http:\/\/uptokids.fredericolopes.com\/opiniao\/6-coisas-que-irritam-na-maternidade\/\">6 coisas que irritam na maternidade!<\/a><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Isto de ser m\u00e3e p\u00f5e fim \u00e0 depend\u00eancia da opini\u00e3o alheia J\u00e1 chega minha gente. 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