{"id":17052,"date":"2017-05-02T13:58:58","date_gmt":"2017-05-02T12:58:58","guid":{"rendered":"http:\/\/uptokids.fredericolopes.com\/?p=17052"},"modified":"2017-05-02T13:58:58","modified_gmt":"2017-05-02T12:58:58","slug":"castigo-ou-consequencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/?p=17052","title":{"rendered":"Castigo ou Consequ\u00eancia?"},"content":{"rendered":"<h2>O \u201ccastigo\u201d faz parte do processo educativo de qualquer crian\u00e7a.<\/h2>\n<p>\u00c9 fundamental a crian\u00e7a perceber que, quando faz algo que quebra as regras sociais impostas pela cultura e pelos pais, estas a\u00e7\u00f5es t\u00eam de ter uma repercuss\u00e3o. Essa fun\u00e7\u00e3o serve para que ela possa apreender o que deve e pode, ou n\u00e3o deve e n\u00e3o pode fazer, sempre com a finalidade de vir a sentir-se integrada na sociedade enquanto adulta. Mas ser\u00e1 que a palavra castigo ter\u00e1 realmente este valor na cabe\u00e7a de uma crian\u00e7a em forma\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<h3>Quando nos debru\u00e7amos sobre o valor lingu\u00edstico da palavra castigo deparamo-nos com o seguinte significado:<\/h3>\n<p><em>\u201cpuni\u00e7\u00e3o\u00a0que\u00a0se\u00a0inflige\u00a0a\u00a0um\u00a0culpado; mortifica\u00e7\u00e3o, tarefa\u00a0penosa\u00a0ou\u00a0grande\u00a0dificuldade; dar\u00a0castigo; punir; obrigar\u00a0(fonte: in Dicion\u00e1rio Priberam da L\u00edngua Portuguesa, 2008-2013)<\/em> que, por si s\u00f3, \u00e9 j\u00e1 penoso e negativo.<\/p>\n<p>A crian\u00e7a sabe que a m\u00e3e, o pai ou o educador a vai p\u00f4r de castigo se fez algo negativo e errado, sendo que na cabe\u00e7a de muitas crian\u00e7as isso at\u00e9 pode ter um efeito aterrador, potenciando a<a href=\"http:\/\/uptokids.fredericolopes.com\/saude-e-bem-estar\/porque-mente-uma-crianca\/\"> mentira como um fator de fuga<\/a> ao castigo (se eu n\u00e3o disser que\u00a0 tive m\u00e1 nota, n\u00e3o irei ser castigado, por exemplo).\u00a0 Contudo, se usarmos a palavra consequ\u00eancia, encontramos como significado: \u201c<em>resultado natural, prov\u00e1vel ou for\u00e7oso, de um facto; dedu\u00e7\u00e3o tirada por meio de racioc\u00ednio de um princ\u00edpio ou de um facto; conclus\u00e3o dimanada das premissas; [Figurado]\u00a0 import\u00e2ncia, alcance (fonte: in Dicion\u00e1rio Priberam da L\u00edngua Portuguesa, 2008-2013)<\/em>\u00a0 que tem um valor mais educador, construtor, digamos assim, potenciando a aprendizagem.<\/p>\n<h2>Castigo ou Consequ\u00eancia &#8211; O peso da palavra<\/h2>\n<p>O valor e o peso da palavra t\u00eam muita import\u00e2ncia no entendimento do significado da mesma, ainda mais para uma crian\u00e7a. Dito isto, a utiliza\u00e7\u00e3o da palavra consequ\u00eancia cumpre mais o objetivo j\u00e1 referido, fazendo com que a crian\u00e7a aprenda que o que acabou de fazer n\u00e3o est\u00e1 certo, por forma a que ela n\u00e3o volte a realizar a mesma a\u00e7\u00e3o, apreendendo a raz\u00e3o pela qual n\u00e3o deve voltar a faz\u00ea-la. Assim, a palavra consequ\u00eancia, porque se alia a coisas mais construtivas, permite \u00e0 crian\u00e7a sentir que para qualquer situa\u00e7\u00e3o h\u00e1 consequ\u00eancias, positivas e negativas, com as quais ela tem de lidar, enquanto que o \u201ccastigo\u201d tem um valor muito limitado porque a crian\u00e7a n\u00e3o reage por compreens\u00e3o mas sim por medo.<\/p>\n<h3>Uma crian\u00e7a em situa\u00e7\u00e3o de castigo n\u00e3o reflete, apenas reage emotivamente e sente a rea\u00e7\u00e3o do castigador (zangado, furioso, chateado&#8230;).<\/h3>\n<p>Por isso, o castigo n\u00e3o pode atuar adequadamente, porque n\u00e3o exige entendimento. Em vez de se \u201ccastigar \u201cdeve-se levar a crian\u00e7a a sofrer as consequ\u00eancias do seu agir percebendo o que a levou a cometer a a\u00e7\u00e3o, e permitir-lhe um movimento de repara\u00e7\u00e3o. Pedir desculpa ou consertar o que estragou podem ser medidas eficazes, n\u00e3o culpabilizam e aliviam a crian\u00e7a da press\u00e3o do ato. Em suma, queremos acima de tudo que a crian\u00e7a compreenda o que fez e porque n\u00e3o deve voltar a fazer, n\u00e3o apenas que ela tenha medo da consequ\u00eancia, sem refletir sobre o que fez.<\/p>\n<h2>O envolvimento dos pais ou educadores<\/h2>\n<p>H\u00e1 contudo um pormenor que pode ou n\u00e3o ajudar a crian\u00e7a neste processo construtivo: a exist\u00eancia ou n\u00e3o de uma rela\u00e7\u00e3o\/disponibilidade entre a crian\u00e7a e o adulto. Para que a crian\u00e7a consiga fazer este percurso de entendimento das consequ\u00eancias das suas a\u00e7\u00f5es, o adulto tem de estar em rela\u00e7\u00e3o com ela, demonstrando disponibilidade afetiva e capacidade de empatia.<\/p>\n<h3>E isto porqu\u00ea?<\/h3>\n<p>Porque, muitas vezes, quando um adulto atribui uma consequ\u00eancia negativa, essa consequ\u00eancia vai refletir apenas uma defesa do adulto face ao que tem de investir na rela\u00e7\u00e3o com a crian\u00e7a ou adolescente. Ou seja, muitas vezes a tal consequ\u00eancia \u00e9 mais uma rea\u00e7\u00e3o de raiva ou frustra\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio adulto face ao acontecimento, sendo at\u00e9 muitas vezes desmedida essa rea\u00e7\u00e3o. E, quando isto acontece, quando os adultos atuam sob o sentimento da raiva ou da vingan\u00e7a pela impot\u00eancia que sentem face \u00e0 crian\u00e7a ou adolescente que desautorizou ou infringiu alguma regra, ele passa a estar presente na vida da crian\u00e7a, mas de forma negativa. Isto porque ou a ignoram ou reagem de forma desmedida.<\/p>\n<h3>Chamadas de aten\u00e7\u00e3o<\/h3>\n<p>Certamente que j\u00e1 observaram a cena em que adultos se divertem e conversam, esquecendo-se das crian\u00e7as ao lado. De repente uma crian\u00e7a parte algo para chamar a aten\u00e7\u00e3o dos adultos.<\/p>\n<p>Esta a\u00e7\u00e3o inconsciente da crian\u00e7a ( fazer uma asneira como chamada de aten\u00e7\u00e3o) na verdade, pretende castigar a atitude dos adultos que a ignoraram. Tal como um objeto que a crian\u00e7a partiu para reclamar aten\u00e7\u00e3o do adulto, tamb\u00e9m o comportamento indesejado, por exemplo mentir, roubar, fazer xixi na cama, agressividade entre outros, tem sempre motivos inconscientes (pese embora a no\u00e7\u00e3o de que essa mesma asneira tem um objectivo concreto na cabe\u00e7a da crian\u00e7a).<\/p>\n<h3>\u00c9 fundamental que o adulto esteja dispon\u00edvel para perceber por que a crian\u00e7a teve uma rea\u00e7\u00e3o descontextualizada.<\/h3>\n<p>Se n\u00e3o estiver dispon\u00edvel, a consequ\u00eancia n\u00e3o tem o seu valor, a\u00a0 crian\u00e7a n\u00e3o aprendeu nada e o adulto lavou as m\u00e3os. N\u00e3o se envolveu. E passa uma mensagem de desamor, o que pode ter \u00a0consequ\u00eancias catastr\u00f3ficas para a vida social futura da crian\u00e7a. N\u00e3o se pensa, apenas se reage ou age! E como podemos pedir a uma crian\u00e7a que consiga controlar o seu comportamento, quando o adulto n\u00e3o o consegue fazer? <strong>\u00c9 igualmente importante refletir sobre o facto de o mais forte levar o outro apenas a calar-se mas s\u00f3 depois de ter perdido a raz\u00e3o, passando-se assim a uma n\u00e3o rela\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<h2>A palmada na hora certa<\/h2>\n<p>Da\u00ed a ideia de que, muito embora possamos naturalmente dar uma palmada (refiro que jamais uma chapada, porque tem um peso ofensivo e pessoal) em situa\u00e7\u00f5es em que a crian\u00e7a se comporta de forma desadequada, na verdade n\u00e3o \u00e9 elemento fundamental \u00e0 educa\u00e7\u00e3o de uma crian\u00e7a. Podemos, e at\u00e9 arrisco dizer que devemos, educar sem usar a for\u00e7a f\u00edsica e naturalmente a verbal.<\/p>\n<p>As crian\u00e7as refugiam-se no seu cativeiro da imagina\u00e7\u00e3o, da solid\u00e3o e reagem segundo a sua personalidade e a sua rela\u00e7\u00e3o com os educadores.<\/p>\n<h3>O amor e a estima, s\u00e3o fundamentais para toda a educa\u00e7\u00e3o, e s\u00e3o muitas vezes ignorados.<\/h3>\n<p>O amor e a admira\u00e7\u00e3o adquirem-se por identifica\u00e7\u00e3o e n\u00e3o por consequ\u00eancias. O educador que d\u00e1 consequ\u00eancias de forma desmedida e n\u00e3o explicada, n\u00e3o sabe amar nem serve de modelo positivo para que a crian\u00e7a tenha um crescimento mental saud\u00e1vel. Nestes casos acontece muitas vezes que a ado\u00e7\u00e3o de regras e limites se fa\u00e7am por interioriza\u00e7\u00e3o e imita\u00e7\u00e3o das atitudes e dos valores de um outro que n\u00e3o o educador, de uma figura de refer\u00eancia mais pr\u00f3xima, pais, educadores, professores, \u00eddolos da juventude, entre outros.<\/p>\n<p>Se os adultos, pais ou educadores t\u00eam atitudes repressivas em vez de\u00a0educativas, at\u00e9 podem conseguir resultados, mas ser\u00e1 sempre pela via do medo (castigo), onde a crian\u00e7a tem medo de perder o amor do adulto e reprime o comportamento. Torna-se pois, fundamental, mudarmos de paradigma. \u00c9 necess\u00e1rio abandonar os modelos de educa\u00e7\u00e3o pela for\u00e7a, pela lei do mais forte! \u00c9 urgente educar num ato construtivo positivo, pela compreens\u00e3o e pela aten\u00e7\u00e3o e disponibilidade interna dos educadores para escutarem ativamente as crian\u00e7as e os seus apelos!<\/p>\n<p>Acima de tudo, educar com amor e humildade.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>imagem@vix<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Revisto\u00a0por\u00a0<a href=\"http:\/\/www.babelia.pt\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Babelia Tradu\u00e7\u00f5es<\/a> para Up To Kids\u00ae<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a class=\"dt-single-image\" href=\"http:\/\/uptokids.fredericolopes.com\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/loGoBabelia.gif\" data-dt-img-description=\"\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignleft wp-image-16817\" src=\"http:\/\/uptokids.fredericolopes.com\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/loGoBabelia.gif\" alt=\"logobabelia\" width=\"200\" height=\"96\" \/><\/a><\/p>\n<h3><\/h3>\n<h3><\/h3>\n<h3><\/h3>\n<h3><\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><span style=\"color: #000080;\">LER TAMB\u00c9M..<\/span>.<\/h3>\n<p><a href=\"http:\/\/uptokids.fredericolopes.com\/educacao\/a-grande-diferenca-entre-castigo-e-consequencia\/\">A (GRANDE) diferen\u00e7a entre castigo e consequ\u00eancia<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/uptokids.fredericolopes.com\/educacao\/4-atitudes-que-enfraquecem-o-vinculo-emocional-com-os-filhos\/\">4 atitudes que enfraquecem o v\u00ednculo emocional com os filhos<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/uptokids.fredericolopes.com\/educacao\/de-mae-a-momster-consequencias-de-reprimir-as-nossas-emocoes\/\">De m\u00e3e a Momster; Consequ\u00eancias de reprimir as nossas emo\u00e7\u00f5es<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O \u201ccastigo\u201d faz parte do processo educativo de qualquer crian\u00e7a. \u00c9 fundamental a crian\u00e7a perceber que, quando faz algo que quebra as regras sociais impostas pela cultura e pelos pais, estas a\u00e7\u00f5es t\u00eam de ter uma repercuss\u00e3o. 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