{"id":17030,"date":"2017-04-24T21:18:52","date_gmt":"2017-04-24T20:18:52","guid":{"rendered":"http:\/\/uptokids.fredericolopes.com\/?p=17030"},"modified":"2017-04-24T21:18:52","modified_gmt":"2017-04-24T20:18:52","slug":"ser-mae-sem-ter-mae-o-clube-a-que-nunca-quis-pertencer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/?p=17030","title":{"rendered":"Ser m\u00e3e sem ter m\u00e3e: O clube a que nunca quis pertencer"},"content":{"rendered":"<h2>Ser m\u00e3e sem ter m\u00e3e: O clube a que nunca quis pertencer<\/h2>\n<p>Perder algu\u00e9m de quem gostamos muito \u00e9 uma das maiores trag\u00e9dias que podemos enfrentar um dia. No meu caso, esta perda representa um vazio que simplesmente nunca voltar\u00e1 a ser preenchido.<\/p>\n<p>H\u00e1 uns meses atr\u00e1s vivi a infelicidade de perder a minha m\u00e3e. Esta perda fez-me experimentar todo um conjunto de emo\u00e7\u00f5es que nem sequer sabia que existiam. Apesar de ter tido a sorte de ter a minha m\u00e3e durante 41 anos, eu sinto-me muito nova para viver sem ela.<\/p>\n<p>A verdade \u00e9 que, sendo tamb\u00e9m m\u00e3e, sinto que me roubaram a possibilidade de partilhar os momentos m\u00e1gicos que vivo com os meus filhos, com a \u00fanica pessoa que os viveu comigo. E isto \u00e9 um cruz dif\u00edcil de carregar.\u00a0 E agora tenho de viver num mundo onde o amor eterno e incondicional da minha m\u00e3e j\u00e1 n\u00e3o faz parte dele.<\/p>\n<p>N\u00f3s t\u00ednhamos uma rela\u00e7\u00e3o especial. Eu sei que a maior parte das pessoas da minha idade n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o pr\u00f3ximas da m\u00e3e como eu era, mas agora posso olhar para tr\u00e1s e agradecer por cada momento que passamos juntas.<\/p>\n<p>Muitos do meus amigos j\u00e1 perderam os dois pais. Eu, ainda tenho o meu pai comigo, e \u00e9 simplesmente maravilhoso, adoro-o mais do que tudo. Mas este amor n\u00e3o compensa nem ameniza as saudades sem fim que tenho da minha m\u00e3e.<\/p>\n<p>Nesta minha curta experiencia pela dor de perder uma m\u00e3e, e sei que este primeiro ano sem a minha m\u00e3e vai transformar-se rapidamente no segundo, quinto, decimo e por a\u00ed fora, aprendi que:<\/p>\n<ol>\n<li>\n<h3>Independentemente do tipo de relacionamento, perder a m\u00e3e \u00e9 duro.<\/h3>\n<p>Eu tinha uma rela\u00e7\u00e3o \u00f3ptima com a minha m\u00e3e mas, na verdade, nem sempre foi perfeita. Como toda a gente passei pela fase do arm\u00e1rio (e outras) e, muitas vezes, fui a verdadeira mi\u00fada insuport\u00e1vel. \u00c0 medida que cresci e amadureci percebi a import\u00e2ncia de ser menos absorto e foi assim que criamos v\u00ednculos e conex\u00f5es ainda mais fortes.<br \/>\nEm conversas com amigos apercebi-me que, independentemente da rela\u00e7\u00e3o que cada um tem com a sua m\u00e3e, quer fale com ela todos os dias (como eu) ou fale uma vez por ano, a perda que sentes \u00e9 dura.<\/li>\n<li>\n<h3>As datas comemorativas s\u00e3o dif\u00edceis, especialmente o 1\u00ba ano<\/h3>\n<p>As primeiras vezes que passei por datas comemorativas sem a minha m\u00e3e foi como se faltasse uma parte importante do meu corpo. J\u00e1 passei o 1\u00ba dia da m\u00e3e sem m\u00e3e. Eu temi este dia, e a tristeza crescia em mim com o aproximar desta data, que ainda por cima, sendo m\u00e3e, n\u00e3o podia passa-lo enfiada na cama a sentir pena de mim pr\u00f3pria. Ent\u00e3o, meti na cabe\u00e7a que tinha de estar bem para os meus filhos. Porque isso \u00e9 o que as m\u00e3es fazem: colocam os filhos em 1\u00ba lugar. Sempre.<br \/>\nO que eu n\u00e3o esperava que me afectasse tanto foi o primeiro anivers\u00e1rio dos meus filhos sem a minha m\u00e3e ao lado. N\u00f3s organiz\u00e1vamos tudo em conjunto. A minha m\u00e3e estava sempre comigo, e nos anivers\u00e1rios acabamos sempre por recordar o dia em que os mi\u00fados nasceram.<\/li>\n<\/ol>\n<ol start=\"3\">\n<li>\n<h3>As outras pessoas tamb\u00e9m t\u00eam saudades da minha m\u00e3e<\/h3>\n<p>Eu n\u00e3o sou a \u00fanica a sentir a sua falta. Os meus filhos t\u00eam imensas saudades da av\u00f3. Apesar de vivermos a alguma dist\u00e2ncia de caminho eles sempre sentiram que a av\u00f3 estava a um telefonema de n\u00f3s. A minha irm\u00e3 tamb\u00e9m sente a sua falta. E os seus filhos. O meu pai mais do que tudo. Nem sequer consigo explicar como \u00e9 que ele se sente. E a lista n\u00e3o p\u00e1ra por aqui: h\u00e1 muitas outras pessoas que conheceram a minha m\u00e3e e que sentem e sentir\u00e3o muito a sua falta. Por amor de Deus, o funeral estava repleto de amigos. \u00c9 importante que me lembre que eu n\u00e3o sou a \u00fanica que est\u00e1 de luto.<\/li>\n<\/ol>\n<ol start=\"4\">\n<li>\n<h3>O sofrimento \u00e9 diferente de pessoa para pessoa.<\/h3>\n<p>O processo do sofrimento \u00e9 t\u00e3o diferente como\u00a0cada indiv\u00edduo que o experimenta. Lembro-me de que no dia do funeral a minha irm\u00e3 e o meu pai estavam de rastos. Eu mal verti uma l\u00e1grima, o que \u00e9 estranho porque usualmente choro por tudo e por nada. Mas todos n\u00f3s processamos a dor de forma diferente. Pensei que estava qualquer coisa de errado comigo. Como se eu n\u00e3o tivesse tantas saudades da minha m\u00e3e como a minha irm\u00e3. E assim aprendi que, com o passar do tempo tudo se tornou mais dif\u00edcil para mim do que foi aquele dia do funeral em que me despedi da minha m\u00e3e. Independentemente da tua reac\u00e7\u00e3o, dor \u00e9 dor, e suga-nos por dentro, mesmo que ningu\u00e9m o veja por fora.<\/li>\n<li>\n<h3>\u00c0s vezes vais esquecer-te que a tua m\u00e3e j\u00e1 partiu<\/h3>\n<p>Independentemente de terem passado uns dias ou uns anos, um dia vais inadvertidamente pegar no telem\u00f3vel para ligar \u00e0 tua m\u00e3e e\u00a0lhe contares uma trivialidade qualquer.<br \/>\nQuando nos est\u00e1vamos a preparar para o funeral, a minha irm\u00e3 queria colocar um foto onde aparec\u00edamos os 3 com a minha m\u00e3e. Como n\u00e3o encontrava, pensou em perguntar \u00e0 minha m\u00e3e pela foto. S\u00f3 me contou este epis\u00f3dio mais tarde, e eu contei-lhe que tinha vivido momentos id\u00eanticos sem aviso pr\u00e9vio. Quando os meus filhos faziam qualquer coisa parva ou querida pensava logo em contar \u00e0 minha m\u00e3e. N\u00f3s costum\u00e1vamos partilhar estes momentos com alegria e riamo-nos em conjunto. Tenho tantas saudades disso. Muito mais do que eu sonhava. Haver\u00e3o sempre momentos gatilho que trar\u00e3o dolorosas mem\u00f3rias. E temos de estar preparados para eles, porque n\u00e3o podemos evit\u00e1-los: \u00e9 importante passar por isso para que consigamos resolver a nossa parte emocional em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 perda. S\u00e3o os nossos fantasmas que nos ir\u00e3o acompanhar.<\/li>\n<li>\n<h3>Ver adultos a interagir com as suas m\u00e3es vai-te p\u00f4r em l\u00e1grimas<\/h3>\n<p>N\u00e3o te vais aguentar sempre que vires outros adultos a passar tempo com as suas m\u00e3es. \u00c9 um misto de ci\u00fames e gratid\u00e3o. Ci\u00fames porque queria ter a minha m\u00e3e aqui, e queria estar a passar tempo com ela.<br \/>\nA Gratid\u00e3o, primeiro porque me sinto grata e aben\u00e7oada por tudo o que pude viver com a minha m\u00e3e. Em segundo, porque fico feliz pelos meus amigos que ainda t\u00eam a sua m\u00e3e, porque s\u00f3 eu sei o quanto sinto falta da minha, e gra\u00e7as a Deus que eles ainda n\u00e3o tiveram de passar por isto.<\/li>\n<li>\n<h3>\u00c9 bom pedir ajuda \u00e0queles que j\u00e1 passaram pelo mesmo<\/h3>\n<p>A \u00faltima coisa que eu quero \u00e9 partilhar o meu sofrimento com aqueles que ainda t\u00eam as suas m\u00e3es. Adorei que estivessem comigo e chorassem comigo enquanto eu a acompanhei nos seus \u00faltimos dias de vida. Mas a verdade \u00e9 que nenhum deles, consegue compreender a dimens\u00e3o da minha dor, porque simplesmente nunca cal\u00e7aram estes sapatos, e ainda bem.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Quando era mi\u00fada lembro-me de termos ido um funeral de uma crian\u00e7a. A m\u00e3e, sentou-me a mim e \u00e0 minha irm\u00e3 e disse-nos que nenhuma m\u00e3e deveria perder um filho. Hoje em dia, que era suposto haver uma progress\u00e3o natural na vida, e embora eu odeie esse termo, sendo m\u00e3e, concordo inteiramente com essa afirma\u00e7\u00e3o. Eu sei que era isso que a minha m\u00e3e queria: que os filhos sobrevivessem a ela. Que mantiv\u00e9ssemos a sua mem\u00f3ria viva. E eu sei, que a minha m\u00e3e iria ficar orgulhosa de saber que o fazemos todos os dias.<\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Por Leigh Reagan, para<a href=\"http:\/\/www.scarymommy.com\/motherless-mother-heartbreaking-club\/?utm_source=FB\"> Scary Mommy, <\/a>traduzido e adaptado por Up To Kids\u00ae<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ser m\u00e3e sem ter m\u00e3e: O clube a que nunca quis pertencer Perder algu\u00e9m de quem gostamos muito \u00e9 uma das maiores trag\u00e9dias que podemos enfrentar um dia. No meu caso, esta perda representa um vazio que simplesmente nunca voltar\u00e1 a ser preenchido. H\u00e1 uns meses atr\u00e1s vivi a infelicidade de perder a minha m\u00e3e. 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