{"id":16781,"date":"2017-03-16T12:29:10","date_gmt":"2017-03-16T12:29:10","guid":{"rendered":"http:\/\/uptokids.fredericolopes.com\/?p=16781"},"modified":"2017-03-16T12:29:10","modified_gmt":"2017-03-16T12:29:10","slug":"a-educacao-especial-e-a-inclusao-na-escola","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/?p=16781","title":{"rendered":"A Educa\u00e7\u00e3o Especial e a inclus\u00e3o na Escola"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><em>&#8220;A educa\u00e7\u00e3o especial prossegue, em perman\u00eancia, os princ\u00edpios da justi\u00e7a e da solidariedade social, da n\u00e3o discrimina\u00e7\u00e3o e do combate \u00e0 exclus\u00e3o social, da igualdade de oportunidades no acesso e sucesso educativo, da participa\u00e7\u00e3o dos pais e da confidencialidade da informa\u00e7\u00e3o.&#8221; &#8211; art. 2\u00ba do DL n.\u00ba 3\/2008<\/em><\/p>\n<p>Quando pensamos em escola inclusiva, pensamos numa escola adaptada a todas as crian\u00e7as onde possam desenvolver os temas acad\u00e9micos e simultaneamente compet\u00eancias sociais e pessoais que as ir\u00e3o ajudar a transformar-se em adultos felizes e inseridos.<\/p>\n<p>Resumidamente, a educac\u0327a\u0303o inclusiva assenta num novo conceito de escola, com uma estrutura organizativa pro\u0301pria, inovadora, aberta a\u0300 mudanc\u0327a, e que se baseia no respeito pela diferenc\u0327a. Deve-se assumir a diversidade, criar respostas adequadas atrave\u0301s da realizac\u0327a\u0303o e aplicac\u0327a\u0303o de um curr\u00edculo aberto e flex\u00edvel em construc\u0327a\u0303o permanente perante as necessidades de cada crianc\u0327a. So\u0301 criando uma rede adequada de recursos e privilegiando a coadjuvac\u0327a\u0303o dos intervenientes do processo educativo, e\u0301 que se podera\u0301 conseguir e possibilitar o sucesso de todos. Neste sentido foi publicado o <a href=\"http:\/\/www.inr.pt\/bibliopac\/diplomas\/dl_3_2008.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Decreto-Lei n.\u00ba 3\/2008, de 7 de Janeiro<\/a> que define <strong>os apoios especializados a prestar na educa\u00e7\u00e3o pr\u00e9 escolar<\/strong> e nos ensinos b\u00e1sico e secund\u00e1rio dos setores p\u00fablico, particular e cooperativo.<\/p>\n<p>Mas na verdade, esperando que assim seja em algumas escolas portuguesas, infelizmente n\u00e3o acontece em todas. Basta n\u00e3o funcionar em apenas uma, para ser precisa uma reflex\u00e3o sobre o assunto.<\/p>\n<p>Durante a minha experi\u00eancia enquanto psic\u00f3loga cl\u00ednica em escolas, <strong>o que a\u00ed se faz diariamente s\u00e3o pequenos milagres que resultam do esfor\u00e7o e dedica\u00e7\u00e3o de todos os t\u00e9cnicos e professores que trabalham com crian\u00e7as com necessidades educativas especiais.<\/strong>\u00a0Infelizmente de entre todas estas dificuldades, temos tamb\u00e9m a falta de prepara\u00e7\u00e3o de alguns t\u00e9cnicos e professores nesta \u00e1rea.<\/p>\n<p>A reflex\u00e3o pode levar-nos um pouco mais atr\u00e1s nesta discuss\u00e3o, e pensaremos que na forma\u00e7\u00e3o dos professores deveria ser suposto equacionar-se a tem\u00e1tica assim como estrat\u00e9gias para o ensino na diversidade. Mas n\u00e3o parece ser assim.<\/p>\n<p>Decidi escrever este texto, porque estou a seguir um caso cl\u00ednico\u00a0 em que estas dificuldades s\u00e3o di\u00e1rias, principalmente por parte do meu paciente, um jovem com <strong>\u201cS\u00edndrome de Asperger\u201d<\/strong>, actualmente e de acordo com a nova classifica\u00e7\u00e3o no DSM-V, Trantorno do Espectro Autista (TEA), e respectiva fam\u00edlia.\u00a0 As principais caracter\u00edsticas deste transtorno s\u00e3o:<\/p>\n<p><strong>A &#8211; Deficie\u0302ncias persistentes na comunicac\u0327a\u0303o e interac\u0327a\u0303o social:<\/strong><\/p>\n<p>1.Limitac\u0327a\u0303o na reciprocidade social e emocional;<br \/>\n2.Limitac\u0327a\u0303o nos comportamentos de comunicac\u0327a\u0303o na\u0303o verbal utilizados para interac\u0327a\u0303o social;<br \/>\n3.Limitac\u0327a\u0303o em iniciar, manter e entender relacionamentos, variando de dificuldades<br \/>\ncom adaptac\u0327a\u0303o de comportamento para se ajustar as diversas situac\u0327o\u0303es sociais.<br \/>\n<strong>B &#8211;<\/strong> <strong>Padro\u0303es restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades, manifestadas pelo menos por dois dos seguintes aspectos observados ou pela histo\u0301ria cli\u0301nica:<\/strong><\/p>\n<p>1.Movimentos repetitivos e estereotipados no uso de objetos ou fala;<br \/>\n2.Insiste\u0302ncia nas mesmas coisas, adere\u0302ncia inflexi\u0301vel a\u0300s rotinas ou padro\u0303es<br \/>\nrituali\u0301sticos de comportamentos verbais e na\u0303o verbais;<br \/>\n3.Interesses restritos que sa\u0303o anormais na intensidade e foco;<br \/>\n4.Hiper ou hiporreativo a esti\u0301mulos sensoriais do ambiente.<br \/>\n<strong>C &#8211;\u00a0Os sintomas devem estar presentes nas primeiras etapas do desenvolvimento. Eles podem na\u0303o estar totalmente manifestos ate\u0301 que a demanda social exceder suas capacidades ou podem ficar mascarados por algumas estrate\u0301gias de aprendizado ao longo da vida<\/strong><\/p>\n<p><strong>D &#8211; \u00a0<\/strong>Os sintomas causam prejui\u0301zo clinicamente significativo nas a\u0301reas social, ocupacional ou outras a\u0301reas importantes de funcionamento atual do paciente.<\/p>\n<p><strong>E &#8211;\u00a0Esses distu\u0301rbios na\u0303o sa\u0303o melhores explicados por deficie\u0302ncia cognitiva ou atraso global do desenvolvimento.<\/strong><\/p>\n<p>Quando estamos perante um jovem que tem um comportamento completamente integrado num determinado meio, e n\u00e3o o consegue ter no ambiente escolar, perguntamo-nos automaticamente o que se estar\u00e1 a passar. E o que se est\u00e1 a passar, \u00e9 que este jovem est\u00e1 inserido numa escola, onde os recursos humanos n\u00e3o s\u00f3 s\u00e3o escassos, como n\u00e3o t\u00eam qualquer prepara\u00e7\u00e3o para lidar com a diversidade escolar. Quero apenas salientar que este jovem n\u00e3o \u00e9 diferente por ter uma necessidade educativa especial&#8230;ele \u00e9 diferente porque todos n\u00f3s somos diferentes, quanto mais n\u00e3o seja porque geneticamente somos todos diferentes<\/p>\n<p>A referida falta de recursos, que aparentemente pode parecer n\u00e3o ter grandes repercuss\u00f5es, tem efectivamente um custo muito grande na vida deste jovem. Embora tenha recursos cognitivos, ele n\u00e3o se sente motivado para a escola como seria suposto, n\u00e3o se consegue integrar no grupo, n\u00e3o acede \u00e0 autoridade do adulto, \u00e9 reactivo com os demais da sua idade&#8230;curiosamente algo que n\u00e3o se verifica no contexto do ATL, onde a rotina \u00e9 muito semelhante. Aqui ele interage com o grupo, reage positivamente \u00e0 autoridade do adulto (referindo a teimosia natural de um qualquer adolescente), mant\u00e9m contacto visual e de tacto com os outros, controla os comportamentos repetitivos e estereotipados.<\/p>\n<p><strong>A escola falha sempre que uma situa\u00e7\u00e3o destas acontece.<\/strong><\/p>\n<p>Assim, \u00e9 importante dotar os assistentes operacionais de forma\u00e7\u00e3o espec\u00edfica para acompanhar jovens como o que estamos a falar. <strong>Para terem esta profiss\u00e3o tiveram que ter forma\u00e7\u00e3o espec\u00edfica, mas n\u00e3o tiveram qualquer tipo de forma\u00e7\u00e3o orientada para lidar com crian\u00e7as e jovens com necessidades educativas especiais.<\/strong><\/p>\n<p>Recordo-me a prop\u00f3sito deste assunto, de uma forma\u00e7\u00e3o que fui dar a uma escola em Benavente, que ia receber uma crian\u00e7a com paralisia cerebral em cadeira de rodas, e que queria dotar os assistentes operacionais com essa compet\u00eancia para que o percurso escolar dessa crian\u00e7a fosse adequado.<\/p>\n<p><strong>E\u00a0os recursos financeiros para essas forma\u00e7\u00f5es? <\/strong><\/p>\n<p>Algo fundamental em qualquer sociedade ser\u00e1 sempre a educa\u00e7\u00e3o (a par da justi\u00e7a e da sa\u00fade). E assim sendo n\u00e3o podemos justificar a falta de forma\u00e7\u00e3o com a falta de recursos econ\u00f3micos. Relembro que <strong>o papel da escola \u00e9 formar as crian\u00e7as e jovens com recursos escolares e sociais<\/strong> (Neste caso, essa forma\u00e7\u00e3o foi totalmente oferecida por mim). Referindo novamente a situa\u00e7\u00e3o do meu jovem paciente, eu\u00a0 (em conjunto com a m\u00e3e), fiz proposta para forma\u00e7\u00e3o aos professores e assistentes operacionais, em pro bono novamente, mais que 3 vezes, sendo que s\u00f3 \u00e0 4\u00aa vez \u00e9 que houve disponibilidade para tal. Contudo, e para bem estar emocional do jovem em quest\u00e3o, foi solicitada transfer\u00eancia para outra escola, o que acabou por acontecer.<\/p>\n<p><strong>Igualmente grave \u00e9 encontrarmos professores que n\u00e3o t\u00eam qualquer voca\u00e7\u00e3o para tal<\/strong> (minoria, mas basta que haja um que n\u00e3o tenha para ser relevante). Que revelam, mais ainda, falta de vontade para receberem nas suas aulas crian\u00e7as e jovens com necessidades educativas especiais, referindo muitas vezes que n\u00e3o estudaram para dar aulas a estas pessoas e ou que n\u00e3o sabem o que fazer com eles, pois t\u00eam outras crian\u00e7as e jovens que t\u00eam de aprender o curr\u00edclo escolar.<\/p>\n<p>Seria importante, diria, fulcral, que a forma\u00e7\u00e3o dos professores fosse igualmente exigente nas compet\u00eancias pedag\u00f3gicas para o ensino destes alunos. \u00c9 necess\u00e1rio que psic\u00f3logos, terapeutas da fala, psicomotricistas, terapeutas ocupacionais, professores de educa\u00e7\u00e3o especial, m\u00e9dicos de fam\u00edlia ou pedopsiquiatras, directores de turma, professores, assistentes operacionais e pais, em conjunto, desenvolvam estrat\u00e9gias espec\u00edficas para estes alunos.<\/p>\n<p>Deixo, assim, a reflex\u00e3o de que toda a sociedade civil deve ser responsabilizada <strong>sempre que temos uma pessoa, com ou sem necessidade educativa especial, que n\u00e3o se sente inserida nem feliz na escola<\/strong>. E essa responsabilidade \u00e9 acrescida quando nos referimos aos profissionais que trabalham directamente com essa pessoa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Imagem@fatiguable20.rssing<\/p>\n<h3 style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #000080;\">LER TAMB\u00c9M&#8230;<\/span><\/h3>\n<p><a href=\"http:\/\/uptokids.fredericolopes.com\/educacao\/receber-um-aluno-com-deficiencia-na-sala-de-aula-nao-significa-inclusao\/\">Receber um aluno com deficiencia na sala de aula n\u00e3o significa inclus\u00e3o<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/uptokids.fredericolopes.com\/saude-e-bem-estar\/os-caes-e-as-criancas-com-perturbacao-no-espetro-do-autismo\/\">Os c\u00e3es e as crian\u00e7as com Perturba\u00e7\u00e3o no Espetro do Autismo<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/uptokids.fredericolopes.com\/educacao\/bullying-em-alunos-com-nee-necessidades-educativas-especiais\/\">Bullying em alunos com NEE (necessidades educativas especiais)<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;A educa\u00e7\u00e3o especial prossegue, em perman\u00eancia, os princ\u00edpios da justi\u00e7a e da solidariedade social, da n\u00e3o discrimina\u00e7\u00e3o e do combate \u00e0 exclus\u00e3o social, da igualdade de oportunidades no acesso e sucesso educativo, da participa\u00e7\u00e3o dos pais e da confidencialidade da informa\u00e7\u00e3o.&#8221; &#8211; art. 2\u00ba do DL n.\u00ba 3\/2008 Quando pensamos em escola inclusiva, pensamos numa [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":97,"featured_media":16782,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[17,177],"tags":[18,435,358,359],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/16781"}],"collection":[{"href":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/97"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=16781"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/16781\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/index.php?rest_route=\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=16781"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=16781"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=16781"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}