{"id":16199,"date":"2017-01-09T11:52:36","date_gmt":"2017-01-09T11:52:36","guid":{"rendered":"http:\/\/uptokids.fredericolopes.com\/?p=16199"},"modified":"2017-01-09T11:52:36","modified_gmt":"2017-01-09T11:52:36","slug":"compreender-e-lidar-com-o-ciume-entre-irmaos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/?p=16199","title":{"rendered":"Compreender e lidar com o ci\u00fame entre irm\u00e3os"},"content":{"rendered":"<h3>Quando dizemos que &#8220;<em>um irm\u00e3o \u00e9 um presente que se d\u00e1 a um filho<\/em>&#8221; estamos, naturalmente, a simplificar e a idealizar uma realidade que, a bem da verdade, normalmente \u00e9 sentido como &#8220;presente envenenado&#8221;.<\/h3>\n<p>Se pensarmos bem, com a chegada de um irm\u00e3o, a crian\u00e7a v\u00ea o seu &#8220;reino&#8221; amea\u00e7ado, quando uma criatura pequenina, enrugadinha e que (diga-se de passagem), numa fase inicial come, dorme, chora e pouco mais, se vem instalar na sua casa e pior, nos bra\u00e7os da sua m\u00e3e! Antes do nascimento do irm\u00e3o, s\u00e3o muitas as pessoas que lhe dizem &#8220;agora vais ter um mano para brincar&#8221; e, na sua fantasia, a crian\u00e7a imagina que vai nascer um irm\u00e3o prontinho para a brincadeira.<\/p>\n<p>E assim, a rela\u00e7\u00e3o come\u00e7a logo marcada por uma grande desilus\u00e3o.<br \/>\nEste ser que \u00e9 um estranho, inicialmente, ainda que activando na crian\u00e7a j\u00e1 alguns receios (p.e. perder a m\u00e3e e o pai, perder a exclusividade, perder a propriedade dos seus brinquedos e roupas), \u00a0pode at\u00e9 beneficiar de um enamoramento inicial. Fase em que a &#8220;guerra&#8221;, ainda n\u00e3o foi formalmente declarada.<\/p>\n<p>Depois, por vezes de forma gradual, outras de forma mais violenta, surgem os primeiros sinais de desconforto, com as regress\u00f5es, birras, choros e agressividade com o rec\u00e9m chegado. Ainda assim, justi\u00e7a seja feita, depois de ultrapassado o reboli\u00e7o &#8220;inicial&#8221; (que pode durar alguns tempo), criam-se as condi\u00e7\u00f5es para que se manifestem todas as coisas boas que um irm\u00e3o pode trazer \u00e0 vida de uma crian\u00e7a, em termos de aprendizagem, cumplicidade e companheirismo. Mas primeiro, h\u00e1 que ultrapassar as dificuldades.<\/p>\n<h3>Antes de intervir, compreender<\/h3>\n<p>Com a chegada de um irm\u00e3o, &#8220;baralham-se os amores&#8221; e, por essa raz\u00e3o, inicialmente, mais do que gerir a rela\u00e7\u00e3o, ser\u00e1 importante ensinar os seus filhos a lidarem com as suas pr\u00f3prias emo\u00e7\u00f5es. As queixas dos seus filhos, por mais estranhas ou afastadas da realidade que lhe pare\u00e7am, s\u00e3o formas dele exprimir o que sente e, principalmente, os medos que o perturbam naquele momento.<\/p>\n<p>Por essa raz\u00e3o, \u00e9 importante que as oi\u00e7a, e que as considere como v\u00e1lidas, reagindo com empatia. Durante estes per\u00edodos de &#8220;crise&#8221;, \u00e9 muito importante que escute com particular aten\u00e7\u00e3o para que possa ajudar o seu filho a elaborar, ao seu ritmo, esta nova realidade.<\/p>\n<p>Hoje sabe-se que os sentimentos s\u00e3o sempre melhores manifestos do que reprimidos. No entanto, quando ralhamos, argumentamos ou pressionamos uma crian\u00e7a a deixar de ter determinados comportamentos (de agressividade por exemplo), estamos precisamente a lev\u00e1-la a reprimir a manifesta\u00e7\u00e3o e n\u00e3o o sentimento que lhe \u00e9 subjacente. Este tende at\u00e9 a intensificar-se. Por outro lado, sempre que fazemos ju\u00edzos de valor acerca da forma como a crian\u00e7a est\u00e1 a reagir, punimos e\/ou censuramos, estamos a atingir a crian\u00e7a na sua auto-estima, o que vir\u00e1 confirmar os seus receios de que est\u00e1 a &#8220;perder&#8221; o amor dos seus pais.<\/p>\n<h3>Alguns autores, consideram que a rivalidade entre irm\u00e3os, se deve a uma amea\u00e7a \u00e0 sua individualidade.<\/h3>\n<p>&#8220;Eu devo ser como sou, ou devo ser como o meu irm\u00e3o?&#8221;, &#8220;se formos diferentes, seremos igualmente amados?&#8221; s\u00e3o algumas das quest\u00f5es que, ainda que n\u00e3o seja de forma consciente, inquietam a crian\u00e7a. Respeitar as diferen\u00e7as e ajudar os seus filhos a desenvolver a sua individualidade ter\u00e1 um papel muito importante no processo de aceita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Cada um \u00e9, e deve ser, como \u00e9! Se o seu filho sentir que ser ele pr\u00f3prio n\u00e3o \u00e9 bom e que, o melhor \u00e9 ser como o irm\u00e3o, vai, inicialmente, tentar mudar. <strong>Deste movimento podem surgir as regress\u00f5es como por exemplo, pedir chucha, gatinhar ou querer voltar ao biber\u00e3o, ou a imita\u00e7\u00e3o de gostos, brincadeiras, entre muitas outras coisas.<\/strong> Com o fracasso da tentativa de ser como o irm\u00e3o (porque de facto n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel, nem desej\u00e1vel) vem a zanga, a frustra\u00e7\u00e3o e a rejei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O ideal ser\u00e1 ent\u00e3o que os pais reforcem as diferen\u00e7as, mostrando que todas as formas de ser, sexo e idades, s\u00e3o importantes e t\u00eam lugar na fam\u00edlia. Mostre que essas diferen\u00e7as s\u00e3o precisamente o que torna a fam\u00edlia especial, pois assim, ser como ele \u00e9, \u00e9 ser especial. Ultrapassar os ci\u00fames de um irm\u00e3o corresponde a uma conquista gradual de auto-estima, seguran\u00e7a e individualidade.<\/p>\n<p>A crian\u00e7a percebe que \u00e9 amada como \u00e9, e independentemente do que fa\u00e7a. E pode, a partir da\u00ed, passar a amar livremente e sem medos este pequeno &#8220;invasor&#8221; que, rapidamente, se pode tornar no seu melhor e mais especial amigo.<\/p>\n<h3>Conselhos para lidar com o ci\u00fame entre irm\u00e3os<\/h3>\n<h3>1. Escute sempre as queixas do seu filho de cora\u00e7\u00e3o aberto, sem julgamentos e agindo de forma emp\u00e1tica.<\/h3>\n<p>Diga coisas como &#8220;percebo que estejas triste, a mam\u00e3 tem estado muito tempo com o mano e tu gostarias que pudesse estar esse tempo todo contigo tamb\u00e9m&#8221; e &#8220;compreendo que seja muito chato ter um irm\u00e3o mais novo&#8221;. Note-se que dizer &#8220;ter um irm\u00e3o \u00e9 chato&#8221;, \u00e9 diferente de dizer &#8220;o teu irm\u00e3o \u00e9 chato&#8221;.<\/p>\n<h3><b>2. <\/b>Nunca tome partido nos conflitos e evite interferir.<\/h3>\n<p>Se n\u00e3o for mesmo poss\u00edvel, ent\u00e3o separe-os. N\u00e3o com forma de castigo mas para os levar a fazer actividades diferentes. Se se tiverem magoado, ent\u00e3o envolva os dois na repara\u00e7\u00e3o de igual forma.<\/p>\n<h3>3. N\u00e3o condene o mais velho por ter uma atitude hostil ou exprimir sentimentos negativos.<\/h3>\n<p>Eu sei que \u00e9 dif\u00edcil resistir \u00e0 tend\u00eancia fortemente enraizada para dizer coisas como &#8220;isso \u00e9 feio!&#8221;, &#8220;n\u00e3o digas isso do teu irm\u00e3o que ele gosta tanto de ti&#8221;, &#8220;temos que gostar dos irm\u00e3os e tratar bem deles&#8221;, etc.<\/p>\n<p>Ao inv\u00e9s disso, experimente &#8220;traduzir&#8221; as ac\u00e7\u00f5es, revelando os sentimentos que est\u00e3o por detr\u00e1s do comportamento, usando frases como &#8220;compreendo que estejas irritado porque o teu irm\u00e3o est\u00e1 a estragar a tua brincadeira&#8221; ou &#8220;vejo que est\u00e1s zangado porque o teu irm\u00e3o est\u00e1 a precisar da aten\u00e7\u00e3o da mam\u00e3&#8221;, &#8220;se neste momento n\u00e3o te apetece brincar com o teu irm\u00e3o, n\u00e3o brinques&#8221;.<\/p>\n<h3>4. N\u00e3o tente, de forma alguma, convenc\u00ea-lo que gosta mais do irm\u00e3o do que o que pensa.<\/h3>\n<p>O seu filho est\u00e1 zangado e \u00e9 s\u00f3 nisso que est\u00e1 focado. Se tentar convenc\u00ea-lo do contr\u00e1rio, vai faz\u00ea-lo sentir-se culpado e isso pode agravar ainda mais a situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h3><b>5.<\/b>\u00a0Promova actividades com o filho mais velho.<\/h3>\n<p>Para lidar com as regress\u00f5es, promova actividades com o mais velho que estejam de acordo com a sua idade (brincar com os amigos, fazer jogos mais complexos e que lhe d\u00eaem prazer, ir passear s\u00f3 com o pai ou s\u00f3 com a m\u00e3e).<\/p>\n<h3>6. Se o seu filho acha que o irm\u00e3o est\u00e1 a ser beneficiado relativamente a alguma coisa, n\u00e3o negue.<\/h3>\n<p>\u00c9 assim que ele est\u00e1 a sentir a situa\u00e7\u00e3o e, para j\u00e1, n\u00e3o consegue analis\u00e1-la sob outro ponto de vista. A nega\u00e7\u00e3o s\u00f3 vai aumentar o sentimento de injusti\u00e7a e incompreens\u00e3o. Explique apenas que as coisas n\u00e3o s\u00e3o, nem t\u00eam que ser sempre feitas de forma igual e que, isso nada tem a ver com o que sentimos pelas pessoas.<\/p>\n<p>Pode dizer coisas como &#8220;quando nasceste tamb\u00e9m recebeste muitos presentes como o teu mano est\u00e1 a receber. N\u00e3o sei se foram mais, se foram menos. S\u00f3 sei que foram muitos, muitos&#8221; e &#8220;\u00e9 chato quando sentimos que estamos a ser prejudicados. Eu lembro-me de sentir isso quando era pequenina&#8221;.<\/p>\n<h3>7. D\u00ea exemplos pr\u00e1ticos<b>.<\/b><\/h3>\n<p>Para o ajudar a lidar com as diferen\u00e7as e respectivas vantagens e desvantagens, pode dar exemplos que o ajudem a perceber que tamb\u00e9m ele j\u00e1 viveu as etapas pelas quais o irm\u00e3o est\u00e1 agora a passar.\u00a0Alguns exemplos seriam\u00a0&#8220;as pessoas gostam muito de olhar e falar com os beb\u00e9s na rua. Quando tinhas a idade do teu irm\u00e3o tamb\u00e9m era assim contigo&#8221;, &#8220;quando eras pequenino, n\u00e3o podias brincar no parque como fazes agora. S\u00f3 podias passear no carrinho como o teu irm\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<h3>8. Promova a individualidade e diferen\u00e7a nos seus filhos.<\/h3>\n<p>D\u00ea exemplos de formas de ser diferentes como &#8220;o pap\u00e1 adora lavar o cabelo. J\u00e1 eu sou como tu, n\u00e3o gosto nada&#8221;. Evite comprar roupas iguais ou a combinar. Quando j\u00e1 for poss\u00edvel, pe\u00e7a para que sejam eles a escolher e ajude-os a faz\u00ea-lo de acordo com os seus gostos individuais.<\/p>\n<p>Se poss\u00edvel, evite as heran\u00e7as &#8220;passivas&#8221; de roupa e brinquedos. Pergunte ao mais velho o que \u00e9 que j\u00e1 n\u00e3o quer para ele e que queira dar ao mais novo. Depois, confirme se o mais novo o quer receber ou se interessa.<\/p>\n<h3>9.\u00a0Auto-estima e auto-confian\u00e7a<\/h3>\n<p>Se os n\u00edveis de agressividade s\u00e3o muito intensos, ent\u00e3o pense em ajudar o seu filho a desenvolver uma boa auto-estima e auto-confian\u00e7a e leve-o para actividades ao ar livre e f\u00edsicas que o v\u00e3o ajudar a descarregar alguma energia.<\/p>\n<h3>Do lado dos pais<\/h3>\n<p>Lembre-se de como foi a sua inf\u00e2ncia. Muito da forma como reagimos aos ci\u00fames dos nossos filhos, passa pelo que n\u00f3s pr\u00f3prios experienci\u00e1mos em crian\u00e7a. Foi filho\/a \u00fanico\/a ou tem irm\u00e3os? Tem tend\u00eancia para defender o mais velho? O mais novo? Irrita-se e desvaloriza as queixas? Age passivamente ou \u00e9 demasiado interventivo\/a?<\/p>\n<p>O que \u00e9 que sente em cada um dos momentos de ci\u00fame com que \u00e9 confrontado\/a? Espreite dentro de si mesmo\/a. Depois de encontrar estas respostas, tente separar o que \u00e9 seu e o que \u00e9 dos seus filhos. Cada um deles \u00e9 um ser \u00fanico e especial e v\u00e3o viver a exist\u00eancia de um irm\u00e3o de forma igualmente \u00fanica e especial.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>LER TAMB\u00c9M&#8230;<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><a style=\"color: #ff0000;\" href=\"http:\/\/uptokids.fredericolopes.com\/opiniao\/vem-ai-um-irmao-e-eu-vou-gostar\/\">Vem a\u00ed um irm\u00e3o e eu vou gostar<\/a><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><a style=\"color: #ff0000;\" href=\"http:\/\/uptokids.fredericolopes.com\/opiniao\/irmaos-antidoto-do-egocentrismo\/\">Irm\u00e3os: ant\u00eddoto do egocentrismo<\/a><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><a style=\"color: #ff0000;\" href=\"http:\/\/uptokids.fredericolopes.com\/opiniao\/irmaos\/\">Irm\u00e3os<\/a><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">imagem@espiritbook<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando dizemos que &#8220;um irm\u00e3o \u00e9 um presente que se d\u00e1 a um filho&#8221; estamos, naturalmente, a simplificar e a idealizar uma realidade que, a bem da verdade, normalmente \u00e9 sentido como &#8220;presente envenenado&#8221;. 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