{"id":15952,"date":"2016-12-06T12:00:44","date_gmt":"2016-12-06T12:00:44","guid":{"rendered":"http:\/\/uptokids.fredericolopes.com\/?p=15952"},"modified":"2016-12-06T12:00:44","modified_gmt":"2016-12-06T12:00:44","slug":"5-dicas-para-acabar-com-as-guerras-as-refeicoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/?p=15952","title":{"rendered":"5 Dicas para acabar com as guerras \u00e0s refei\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<h2>5 Dicas para acabar com as guerras \u00e0s refei\u00e7\u00f5es<\/h2>\n<p>Os momentos das &#8220;grandes&#8221; refei\u00e7\u00f5es s\u00e3o \u00f3ptimos para a crian\u00e7a ter os pais \u00e0 sua volta, atentos, focados e preocupados. E estes momentos \u00e0s vezes s\u00e3o t\u00e3o raros! \u00c9 por isso que tantos pais t\u00eam dificuldades com a alimenta\u00e7\u00e3o dos filhos. Estes, precisam de sentir que t\u00eam algum controlo para acalmar a inseguran\u00e7a provocada pelo desejo de conquistar mais independ\u00eancia. Nada melhor do que ser &#8220;um pisco&#8221; a comer para manter os pais em alerta e poder exercer esta certa forma de &#8220;poder&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Como ultrapassar?<\/strong><\/p>\n<ol>\n<li><strong>T\u00e3o simples e t\u00e3o dif\u00edcil como: &#8220;Quer comer? come. N\u00e3o quer? N\u00e3o come.&#8221;\u00a0<\/strong><br \/>\nChegou o momento de ter coragem para se libertar daquela vozinha interior que lhe diz \u201cmas ele\/a tem que comer, se n\u00e3o, vai ficar magrinho\/a e fr\u00e1gil e vai adoecer e&#8230;, e&#8230;.., e&#8230;..\u201d. Estes pensamentos insistentes, n\u00e3o passam de cren\u00e7as enraizadas que nos levam a sentir medo, sem um verdadeiro fundamento. O primeiro passo \u00e9 sem d\u00favida, n\u00e3o obrigar o seu filho a comer. Se a resist\u00eancia a comer \u00e9 uma forma de oposi\u00e7\u00e3o e luta pelo poder, assim que deixar de ser uma obriga\u00e7\u00e3o, a &#8220;guerra&#8221; deixa de fazer sentido. Salvaguardando alguns casos que ultrapassam a &#8220;normalidade&#8221; (e esses casos devem ser devidamente avaliados e acompanhados clinicamente), a verdade \u00e9 que qualquer crian\u00e7a vai comer exactamente o necess\u00e1rio para estar bem e saciar a sua fome. O meu lema \u00e9 sempre: &#8220;comer tem que ser mais importante para a crian\u00e7a do que para os seus pais&#8221;. Quando os pais ficam muito ansiosos com a alimenta\u00e7\u00e3o de um filho, invertem-se as prioridades. Para os pais, a prioridade \u00e9 fazer a crian\u00e7a comer. Para a crian\u00e7a, a prioridade \u00e9 sentir-se em controlo da situa\u00e7\u00e3o (claro que n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o consciente para ela). O papel do seu filho \u00e9 o de comer porque precisa e, porque tem fome. O papel dos pais \u00e9 o de providenciar as condi\u00e7\u00f5es para que isso aconte\u00e7a. O cen\u00e1rio ideal \u00e9 que ambos colaborem para que tudo se desenrole de forma t\u00e3o saud\u00e1vel, quanto agrad\u00e1vel.<\/li>\n<li><strong>Mude a forma de comunica\u00e7\u00e3o \u00e0 mesa.\u00a0<\/strong><br \/>\nAcabe com as amea\u00e7as do tipo &#8220;vais ficar doente&#8221;. Acabe com as insist\u00eancias do tipo &#8220;come mais um pouquinho&#8221;, &#8220;come a carne&#8221; ou &#8220;come os legumes&#8221;. Todos os temas e conversas s\u00e3o v\u00e1lidos durante os momentos de refei\u00e7\u00e3o (de prefer\u00eancia divertidos) desde que n\u00e3o se toque no assunto &#8220;filho n\u00e3o est\u00e1s a comer nada de jeito\u201d. Nos primeiros dias deixe que o seu filho se surpreenda com a falta de aten\u00e7\u00e3o que o \u201cn\u00e3o comer\u201d desperta. \u00a0J\u00e1 quando acontecer o contr\u00e1rio, e o seu filho come\u00e7ar a comer mais do que o habitual, ent\u00e3o a\u00ed sim, ser\u00e1 interessante refor\u00e7ar com um \u201cest\u00e1s a gostar?\u201d, &#8220;ficou saboroso?&#8221; ou &#8220;parece que estavas mesmo com fome&#8230;&#8221;. Numa fase inicial, pretende que a crian\u00e7a desbloqueie a resist\u00eancia a comer. Por isso, deixe as aprendizagens de &#8220;boas maneiras&#8221; para quando esta etapa estiver ultrapassada.<\/li>\n<li><strong>Tenha em considera\u00e7\u00e3o os gostos do seu filho<\/strong><br \/>\nPense nas coisas que n\u00e3o gosta de comer&#8230; Quando vai a um restaurante \u00e9 isso que pede? Como seria se algu\u00e9m o for\u00e7asse a com\u00ea-las? As crian\u00e7as est\u00e3o numa fase em que ainda est\u00e3o a explorar sabores e para o fazerem de forma mais aberta e ousada, \u00e9 importante que sintam que o est\u00e3o a fazer porque querem. Isso vai dar-lhes mais seguran\u00e7a para arriscarem novos sabores. Importa sim, na medida do poss\u00edvel, manter uma alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel e variada. Mas essa aprendizagem vir\u00e1 do exemplo que houver em casa e n\u00e3o de obrigarmos os nossos \u00a0filhos a comer algo que n\u00e3o gostam.<br \/>\nA minha filha, como tantas outras crian\u00e7as, avalia se gosta ou n\u00e3o de um alimento por &#8220;olh\u00f3metro&#8221; e, s\u00f3 depois de passar neste primeiro teste, segue para a prova efectiva. Devo confessar que esta \u00e9 uma insist\u00eancia da qual ainda n\u00e3o me consegui libertar. Por vezes, l\u00e1 dou comigo a suplicar &#8220;prova s\u00f3 um bocadinho&#8230; vais gostar&#8230;&#8221; e a insistir &#8220;j\u00e1 sabes que se n\u00e3o gostares, n\u00e3o tens que comer&#8230;&#8221;. \u00c0s vezes, por &#8220;caridade&#8221;, l\u00e1 me faz o &#8220;favor&#8221;. Mas a verdade \u00e9 que, quando me sento distra\u00edda a saborear qualquer coisa e me esque\u00e7o de lhe perguntar se quer provar, ela fica curiosa, aproxima-se, observa e pede para eu lhe dar um bocadinho. Foi assim que, s\u00f3 a titulo de exemplo, come\u00e7ou a comer os p\u00eassegos com a casca (porque \u00e9 assim que eu os como) e provou bolinhos de gengibre, canela e lim\u00e3o (que detestou claro).<br \/>\nAinda relativamente ao &#8220;gosto&#8221; e &#8220;n\u00e3o gosto&#8221;, \u00e9 fundamental neste processo que n\u00e3o haja substitui\u00e7\u00e3o do almo\u00e7o e jantar por &#8220;guloseimas&#8221; como biber\u00e3o, bolachas, iogurtes, etc. Essas substitui\u00e7\u00f5es v\u00e3o ter um efeito contraproducente e levar\u00e3o a crian\u00e7a a adquirir maus h\u00e1bitos alimentares. Evite tamb\u00e9m que a crian\u00e7a coma outras coisas antes da hora da refei\u00e7\u00e3o, vai reduzir-lhe o apetite e a vontade de experimentar outros sabores. Ter realmente fome quando chega a hora de comer \u00e9 fundamental para que as coisas corram bem.<\/li>\n<li><strong>Ajude o seu filho a desenvolver outras \u00e1reas de poder<\/strong><br \/>\nSe o seu filho est\u00e1 a sentir necessidade de se afirmar e estabelecer a sua posi\u00e7\u00e3o na estrutura familiar, ent\u00e3o ajude-o a passar por essa etapa de forma saud\u00e1vel. Inclu\u00ed-lo em todo o processo que envolva a refei\u00e7\u00e3o vai valoriz\u00e1-lo. Ajudar a p\u00f4r a mesa, escolher o prato que quer usar (quando existem v\u00e1rios dispon\u00edveis), dar-lhe a hip\u00f3tese de escolher entre v\u00e1rios alimentos (sem exageros), s\u00e3o alguns exemplos. Envolv\u00ea-lo na compra dos ingredientes tamb\u00e9m resulta muito bem. Posso partilhar por exemplo, que as melhores sopas que a minha filha comeu at\u00e9 hoje foram sem d\u00favida aquelas em que ela \u00e9 que escolheu as cebolas e as batatas. Parece que, como que por magia, isso lhes confere um sabor especial. Por outro lado, quando percebi que a A. n\u00e3o gostava da sopa com muita cenoura, fiz quest\u00e3o de lhe dizer &#8220;j\u00e1 vi que n\u00e3o gostas que eu ponha muita cenoura na sopa&#8221;. Desde ent\u00e3o, quando me v\u00ea a fazer sopa ou quando a sirvo, pergunta-me sempre &#8220;tem muita cenoura, m\u00e3e?&#8221; e gosta de me ouvir responder &#8220;n\u00e3o, s\u00f3 um bocadinho. Porque tu n\u00e3o gostas quando ponho muita&#8221;. Isto f\u00e1-la sentir que o gosto dela foi tido em considera\u00e7\u00e3o no planeamento e na prepara\u00e7\u00e3o do jantar.<\/li>\n<li><strong>Aceite que o<\/strong><strong>\u00a0caos pode ser desej\u00e1vel, e assim, preserve a sua sanidade mental.<\/strong><br \/>\nSe queremos verdadeiramente desbloquear certos comportamentos nos nossos filhos, ent\u00e3o \u00e9 fundamental que possamos olhar tamb\u00e9m para n\u00f3s e para as emo\u00e7\u00f5es e dificuldades que trazemos \u00e0 situa\u00e7\u00e3o. Tente perceber como se sente nos momentos da refei\u00e7\u00e3o. Tente perceber se de alguma forma, n\u00e3o existe tamb\u00e9m da sua parte alguma necessidade de controlo e poder. Se assim for, corre o risco de cair em bra\u00e7os de ferro sem sentido, em que todos ficam necessariamente a perder.<br \/>\nLembre-se que insist\u00eancia gera resist\u00eancia, que gera mais insist\u00eancia, e segue em crescendo.<br \/>\n<strong>\u00c9 dif\u00edcil para si ouvir o N\u00c3O do seu filho?<\/strong> Aceite-se como \u00e9 e reconhe\u00e7a as suas pr\u00f3prias dificuldades. Depois, respire fundo. Muitas vezes e muito profundamente. \u00c9 um primeiro passo e, acredite, vai ajudar muito!<br \/>\n<strong>\u00c9 dif\u00edcil para si ver a sua casa num pequeno caos?<\/strong> Acredite que no inicio, quando a crian\u00e7a \u00e9 mais pequena, uma cozinha muito suja depois da refei\u00e7\u00e3o, \u00e9 muito bom sinal. \u00c9 sinal de que o seu filho est\u00e1 a explorar e autonomizar-se. Acredite que limpar uma cozinha (vezes e vezes sem conta) \u00e9 bem mais f\u00e1cil do que lidar com a depend\u00eancia (fora de horas) do seu filho. Claro que estamos a falar de situa\u00e7\u00f5es em que a crian\u00e7a explora, tenta fazer coisas novas e comer sozinha. Quando o comportamento vai para al\u00e9m disso, ent\u00e3o \u00e9 importante estabelecer algumas regras. Mas aten\u00e7\u00e3o, porque \u00e9 preciso saber medir muito bem esta avalia\u00e7\u00e3o. Lembre-se que \u00e9 normal para uma crian\u00e7a (que est\u00e1 ainda a ganhar no\u00e7\u00e3o do seu corpo e do espa\u00e7o) derrubar acidentalmente o copo, o prato ou outras coisas, e \u00e9 importante que n\u00e3o se sinta punida por isso. Aceite que para o seu filho, crescer sujando \u00e9 mais importante do que estar sempre limpinho e com medo de fazer novas conquistas! Hoje pagar\u00e1 o pre\u00e7o de ter a casa num pequeno caos. No futuro, ganha em ter um filho aut\u00f3nomo, com uma boa auto-estima e seguramente mais feliz.<\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>Agora, \u00e9 avan\u00e7ar com seguran\u00e7a e determina\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p>Se est\u00e1 efectivamente a pensar implementar um novo sistema, fale disso com a sua fam\u00edlia. Explique apenas que o mais importante \u00e9 que se sintam todos bem e que os momentos de refei\u00e7\u00e3o possam ser de alegria. Acima de tudo, confie nas suas escolhas e lembre-se que vai precisar de calma e paci\u00eancia. Ser\u00e1 uma conquista gradual para pais e filhos mas, sem d\u00favida uma que ir\u00e1 beneficiar toda a fam\u00edlia num futuro pr\u00f3ximo, quando come\u00e7arem a ter momentos agrad\u00e1veis de refei\u00e7\u00e3o em fam\u00edlia, cheios de respeito, cumplicidade e muitos sorrisos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>5 Dicas para acabar com as guerras \u00e0s refei\u00e7\u00f5es Os momentos das &#8220;grandes&#8221; refei\u00e7\u00f5es s\u00e3o \u00f3ptimos para a crian\u00e7a ter os pais \u00e0 sua volta, atentos, focados e preocupados. E estes momentos \u00e0s vezes s\u00e3o t\u00e3o raros! \u00c9 por isso que tantos pais t\u00eam dificuldades com a alimenta\u00e7\u00e3o dos filhos. 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