{"id":15947,"date":"2016-11-30T21:00:28","date_gmt":"2016-11-30T21:00:28","guid":{"rendered":"http:\/\/uptokids.fredericolopes.com\/?p=15947"},"modified":"2016-11-30T21:00:28","modified_gmt":"2016-11-30T21:00:28","slug":"criancas-superprotegidas-adultos-frageis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/?p=15947","title":{"rendered":"Crian\u00e7as superprotegidas, adultos fr\u00e1geis"},"content":{"rendered":"<h2>Crian\u00e7as superprotegidas, adultos fr\u00e1geis<\/h2>\n<p>Muitos pais privam os filhos da possibilidade de enfrentar riscos, tanto f\u00edsicos como emocionais. Qual \u00e9 o limite sadio entre a simples supervis\u00e3o e o controle exagerado das atividades dos filhos?<\/p>\n<p><strong>Retrato dos \u201cpais helic\u00f3ptero\u201d, e conselhos \u00fateis para n\u00e3o te tornares num deles<\/strong><\/p>\n<p>Os americanos chamam \u201chelicopter parents\u201d, em portugu\u00eas \u201cpais helic\u00f3ptero\u201d \u00e0queles pais que controlam constantemente os seus filhos quando brincam, quando interagem com os outros, quando escolhem o que v\u00e3o vestir naquela manh\u00e3, sempre. Aqueles pais que, se nos olharmos sinceramente no espelho, teremos uma grande hip\u00f3tese de v\u00ea-los refletidos. \u201c<em>Tornamo-nos t\u00e3o obcecados pela seguran\u00e7a que, inadvertidamente, privamos nossos filhos da possibilidade de assumir riscos e de sofrer as consequ\u00eancias dos seus atos, quer a n\u00edvel f\u00edsico quer emocional<\/em>\u201d, explicou a psic\u00f3loga social\u00a0Hanna Rosin, autora de um artigo sobre crian\u00e7as superprotegidas, recentemente publicado na <a href=\"http:\/\/www.theatlantic.com\/magazine\/archive\/2014\/04\/hey-parents-leave-those-kids-alone\/358631\/\">revista The Atlantic<\/a>.<\/p>\n<p>A psic\u00f3loga enfatiza as enormes mudan\u00e7as que se verificam no decorrer da \u00faltima gera\u00e7\u00e3o: \u201c<em>Comportamentos de pais considerados paran\u00f3icos nos anos Setenta, tal como acompanhar \u00e0 escola crian\u00e7as de 9 anos, ou proibir o jogo \u00e0 bola nas ruas, hoje constituem a regra. S\u00e3o, por sinal, considerados um sinal de responsabilidade paternal<\/em>\u201d.<\/p>\n<p>A medida da postura hiperprotetora a que se chegou pode ser lida naquele espa\u00e7o reservado por excel\u00eancia \u00e0 liberdade que s\u00e3o os jogos e as brincadeiras infantis. Um recente estudo da Universidade da Calif\u00f3rnia (Ucla), por exemplo, certifica que os filhos das fam\u00edlias de classe m\u00e9dia de Los Angeles passam <strong>90% do seu tempo livre trancados em casa, empenhados em atividades como ver televis\u00e3o, jogar v\u00eddeo jogos e usar o computador<\/strong>. No espa\u00e7o aberto, os espa\u00e7os para jogos e brincadeiras reservados \u00e0s crian\u00e7as s\u00e3o seguros, coloridos, homogeneizados e previs\u00edveis, e tamb\u00e9m destitu\u00eddos de qualquer desafio.<\/p>\n<p>Em Wrexham, na regi\u00e3o norte do Pa\u00eds de Gales, o parque <a href=\"http:\/\/www.bbc.com\/news\/uk-wales-north-east-wales-24741977\">\u201cThe Land\u201d<\/a> \u00e9 uma exce\u00e7\u00e3o \u00e0 regra. The Land \u00e9 um parque \u00e9 de materiais deitados doados, prontos para serem reciclados. \u201c<em>Nesse espa\u00e7o, as crian\u00e7as n\u00e3o precisam de se adequar ao sentido de ordem dos adultos, podem modificar tudo aquilo que quiserem. N\u00e3o existe um valor monet\u00e1rio atribu\u00eddo aos materiais, e as crian\u00e7as podem construir e destruir. A brincadeira que resulta disso \u00e9 uma cria\u00e7\u00e3o coletiva, uma co-cria\u00e7\u00e3o\u201d,<\/em> explica Claire Griffiths, gerente do The Land. A institui\u00e7\u00e3o acaba de ser premiada entre os melhores parques de divers\u00e3o do Reino Unido pela Sport and Recreation Alliance. The Land\u00a0n\u00e3o foi pensado de forma\u00a0a separar as crian\u00e7as com base na faixa et\u00e1ria: \u201c<em>Uma das maiores satisfa\u00e7\u00f5es \u00e9 ver as crian\u00e7as chegarem sozinhas e desenvolverem dentro de poucos dias uma verdadeira rede de amigos<\/em>\u201d, completa Griffiths, coisa que n\u00e3o acontece na imensa maioria dos espa\u00e7os de brincadeiras nas grandes cidades, que tendem a segmentar e a separar grupos e a n\u00e3o facilitar as trocas.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>The Land &#8211; New Day Films &#8211; Children, Youth, &amp; Families &#8211; Anthropology<\/em>\u00a0<iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/kR7QeqLhhSA\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p><strong>Seis comportamentos irresist\u00edveis<\/strong><\/p>\n<p>Essas op\u00e7\u00f5es que anulam os riscos n\u00e3o s\u00e3o, na realidade, destitu\u00eddas de contra indica\u00e7\u00f5es. Segundo Ellen Sandseter, professora de educa\u00e7\u00e3o infantil no Queen Maud University College de Trondheim, na Noruega, <strong>as crian\u00e7as t\u00eam uma necessidade sensorial de experimentar o perigo e a excita\u00e7\u00e3o que dele deriva<\/strong>. \u201c<em>N\u00e3o se trata de coisas perigosas em si mesmas, mas sim de experi\u00eancias que, do ponto de vista das crian\u00e7as, parecem perigosas<\/em>\u201d, completa Ellen Sandeter.<\/p>\n<p>Autora do ensaio \u201cAs brincadeiras de risco das crian\u00e7as a partir de um ponto de vista evolutivo: O efeito antif\u00f3bico das experi\u00eancias excitantes\u201d. Sandeter evidencia no ensaio seis comportamentos \u201carriscados\u201d que exercem grande fasc\u00ednio sobre nossos filhos, a sua poss\u00edvel fun\u00e7\u00e3o e seu consequente efeito antif\u00f3bico. <strong>Por exemplo, andar depressa ajuda a desenvolver a percep\u00e7\u00e3o espacial e redimensiona o medo de enfrentar as pr\u00f3prias emo\u00e7\u00f5es<\/strong>. Os outros comportamentos irresist\u00edveis s\u00e3o: <strong>enfrentar as altitudes; manipular instrumentos; estar perto de for\u00e7as da natureza, como a \u00e1gua, o fogo ou um <\/strong>precip\u00edcio; brincar de luta e explorar um territ\u00f3rio por conta pr\u00f3pria.<\/p>\n<p>Como escreveu o te\u00f3rico holand\u00eas Johan Huizinga, \u201c<em>a brincadeira serve para muito mais do que brincar<\/em>, e <strong>enfrentar um obst\u00e1culo que do ponto de vista da crian\u00e7a parece arriscado e super\u00e1-lo, permite \u00e0s crian\u00e7as desenvolver a coragem e incrementar o sentimento de seguran\u00e7a e confian\u00e7a na sua pr\u00f3pria capacidade de enfrentar os problemas.<\/strong> \u201cEmbora sem querer, pais excessivamente presentes e protetores produzem crian\u00e7as e adolescentes com muita dificuldade de se perceber a si pr\u00f3prios e de pensar em si mesmos como pessoas aut\u00f3nomas, com caracter\u00edsticas e limites pr\u00f3prios\u201d, observa Francesca Broccoli, psic\u00f3loga e psicoterapeuta italiana.<\/p>\n<p>Privar as crian\u00e7as da possibilidade de enfrentar desafios e correr riscos enquanto\u00a0brincam pode ter consequ\u00eancias a longo prazo: \u201c<strong>As crian\u00e7as que n\u00e3o puderam fazer experi\u00eancias, conhecer-se a si mesmas e aos seus pr\u00f3prios limites ser\u00e3o pessoas fr\u00e1geis e com baixa autoestima. Recordemos, para come\u00e7ar, que ser superprotegido significa ser desvalorizado e n\u00e3o reconhecido como adequado, capaz e competente<\/strong>\u201d, prossegue Broccoli. Essa fragilidade poder\u00e1 \u00a0exprimir-se atrav\u00e9s de comportamentos de passividade, inseguran\u00e7a, depend\u00eancia, e tamb\u00e9m atrav\u00e9s de fracassos consecutivos, raiva, atitudes desafiadoras e provocadoras e incapacidade de tolerar qualquer frustra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<figure id=\"attachment_15949\" aria-describedby=\"caption-attachment-15949\" style=\"width: 375px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a class=\"dt-single-image\" href=\"http:\/\/uptokids.fredericolopes.com\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/atlantic.jpg\" data-dt-img-description=\"\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-15949 size-full\" src=\"http:\/\/uptokids.fredericolopes.com\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/atlantic.jpg\" alt=\"atlantic\" width=\"375\" height=\"500\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-15949\" class=\"wp-caption-text\"><em>Capa da revista The Atlantic, com artigo sobre crian\u00e7as superprotegidas<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por fim, quando se passa da simples supervis\u00e3o ao controle, o resultado \u00e9 algo que n\u00e3o faz bem nem sequer \u00e0s m\u00e3es. Uma pesquisa da University of Mary Washington, publicada no Journal of Child and Family Studies, revelou como uma maternidade \u201cintensiva\u201d \u2013 feita de est\u00edmulos constantes e incapacidade de delegar a supervis\u00e3o dos filhos \u2013 se traduz numa sobrecarga psicol\u00f3gica que impacta sobre a sa\u00fade mental das m\u00e3es. \u201cA sugest\u00e3o mais importante para os progenitores \u00e9 a de confiar nos pr\u00f3prios filhos, no fato que n\u00e3o se ir\u00e3o magor deliberadamente e no fato de que devem experimentar o risco para aprender a super\u00e1-lo\u201d, conclui Griffiths.<\/p>\n<p>Artigo de\u00a0<em>Stefania Medetti, jornal La Repubblica<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Crian\u00e7as superprotegidas, adultos fr\u00e1geis Muitos pais privam os filhos da possibilidade de enfrentar riscos, tanto f\u00edsicos como emocionais. Qual \u00e9 o limite sadio entre a simples supervis\u00e3o e o controle exagerado das atividades dos filhos? 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