{"id":15654,"date":"2016-11-01T21:00:50","date_gmt":"2016-11-01T21:00:50","guid":{"rendered":"http:\/\/uptokids.fredericolopes.com\/?p=15654"},"modified":"2016-11-01T21:00:50","modified_gmt":"2016-11-01T21:00:50","slug":"a-escola-e-parte-integrante-da-vida-das-criancas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/?p=15654","title":{"rendered":"A Escola \u00e9 parte integrante da vida das crian\u00e7as"},"content":{"rendered":"<p>A prop\u00f3sito do artigo <a href=\"http:\/\/uptokids.fredericolopes.com\/opiniao\/como-as-criancas-veem-a-escola\/\">aqui<\/a> publicado ontem, um leitor da Up To Kids\u00ae lembrou-se deste texto do pediatra M\u00e1rio Carneiro, e sugeriu a sua partilha. Com bastante pertin\u00eancia, pois o tema que se debateu aqui foi a Escola enquanto modelo de aprendizagem ou local de avalia\u00e7\u00e3o. Fica para reflex\u00e3o:<\/p>\n<p><i><b>\u00abQuando surgir um ministro que entenda que a escola n\u00e3o existe apenas para aprender a ler, escrever e fazer contas, talvez haja uma luz ao fundo do t\u00fanel\u2026<\/b><\/i><\/p>\n<p>A Escola \u00e9 parte integrante da vida das crian\u00e7as, pelo menos at\u00e9 cerca dos 17 anos. O seu dever \u00e9 descobrir talentos e compet\u00eancias, detetar fragilidades, dar informa\u00e7\u00e3o, gerar conhecimentos e, sobretudo, transmitir sabedoria que seja geral e s\u00f3lida, mas respeitando a diversidade individual. Cada um tem as suas compet\u00eancias mas tamb\u00e9m as suas incompet\u00eancias: o objetivo \u00e9 dar o melhor de si pr\u00f3prio e atingir o m\u00e1ximo das suas faculdades, e n\u00e3o ter como meta ser \u201c<a href=\"http:\/\/uptokids.fredericolopes.com\/educacao\/pais-o-mundo-nao-precisa-de-mais-campeoes-olimpicos\/\">o menino do Quadro de Honra<\/a>\u201d\u2026 mal estar\u00e1 a no\u00e7\u00e3o de honra, se esse for o caso!<\/p>\n<p>Outro aspeto tem a ver com os ritmos de ensino, as longas aulas em que os alunos t\u00eam de estar mudos e quedos, com professores que n\u00e3o toleram ser questionados, odeiam argumenta\u00e7\u00e3o e n\u00e3o aceitam que possa haver estudantes que sabem mais do que o mestre, em aulas em que n\u00e3o se respeitam, nem a biologia, nem a psicologia das crian\u00e7as. H\u00e1 professores e professores. Mas ainda se registam muitos casos de \u201censino \u00e0 moda antiga\u201d, com s\u00b4tores papagueando temas e veiculando informa\u00e7\u00e3o, como se abrir a cabe\u00e7a aos alunos e ench\u00ea-la de dados fosse o passaporte para uma vida feliz. A pol\u00edtica atual do minist\u00e9rio, ali\u00e1s, vai ao encontro desta forma bafienta de pensar, dado que a criatividade, a est\u00e9tica, a m\u00fasica, as artes pl\u00e1sticas ou o desporto, por exemplo, s\u00e3o os parentes pobres da Escola.<\/p>\n<p>Para l\u00e1 disso, o que se aprende na Escola tem de ser sedimentado em todos os lados. As fontes de informa\u00e7\u00e3o, conhecimento e sabedoria s\u00e3o cada vez mais vastas, da casa \u00e0 rua, passando pela televis\u00e3o, internet, livros, amigos, vizinhos, casos reais, fic\u00e7\u00e3o&#8230; assim, a Escola n\u00e3o \u00e9 \u201ca \u00fanica que ensina\u201d e tem de ter a humildade de pensar que complementa o resto, designadamente o que \u00e9 feito em casa, e n\u00e3o educa, mas sim desenvolve uma rela\u00e7\u00e3o em que uns aprendem e outros ensinam, e nem sempre os protagonistas s\u00e3o os mesmos. Levar isto \u00e0 pr\u00e1tica faz com que se tenha de repensar praticamente tudo e abandonar alguns dos m\u00e9todos de gera\u00e7\u00f5es anteriores. Querem melhor desafio?<br \/>\n\u00c9 tamb\u00e9m essencial a descoberta de talentos e compet\u00eancias \u2013 exigir\u00e1 uma revis\u00e3o ampla dos objetivos da Escola e dos sistemas de classifica\u00e7\u00e3o. <strong>H\u00e1 compet\u00eancias sociais e humanas que n\u00e3o s\u00e3o classific\u00e1veis, mas o atual sistema \u00e9 \u00ednvio porque conduz, desde o in\u00edcio, \u00e0 conclus\u00e3o de que a performance acad\u00e9mica \u00e9 a \u00fanica que interessa. Basta ser bom a matem\u00e1tica ou a ci\u00eancias, mas pode ser-se um \u201cbandido sem escr\u00fapulos\u201d. O contr\u00e1rio ser\u00e1 bastante penalizador&#8230;<\/strong> A Escola deve estar atenta aos talentos e capacidades, para desenvolver pessoas livres e felizes, <a href=\"http:\/\/uptokids.fredericolopes.com\/educacao\/prefiro-que-os-meus-filhos-aprendam-empatia-em-vez-de-mandarim\/\">assertivas e solid\u00e1rias<\/a>, e sobretudo ecl\u00e9ticas, que vivem uma vida pr\u00f3pria e relacional.<\/p>\n<p>Uma \u00faltima palavra para o ambiente, que tem de ser acolhedor, \u00e0 medida dos alunos e dos professores, onde a explora\u00e7\u00e3o dos limites do corpo possa ser exercitada sem perigos mas com riscos controlados. Onde os alunos se sintam bem e felizes, condi\u00e7\u00e3o indispens\u00e1vel para o sucesso educativo. Um ambiente de qualidade, a todos os n\u00edveis, com regras, normas e rigor, mas com humor, alegria e descontra\u00e7\u00e3o. Uma Escola assim far\u00e1 mais pelo civismo e pela cidadania, e pelo futuro dos estudantes, do que milhares de \u201cprega\u00e7\u00f5es\u201d feitas por adultos em promessas de campanhas eleitorais. \u00bb In<a href=\"http:\/\/www.paisefilhos.pt\/index.php\/destaque\/8535\"> Pais e filhos<\/a>, Pediatra M\u00e1rio Cordeiro<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A prop\u00f3sito do artigo aqui publicado ontem, um leitor da Up To Kids\u00ae lembrou-se deste texto do pediatra M\u00e1rio Carneiro, e sugeriu a sua partilha. Com bastante pertin\u00eancia, pois o tema que se debateu aqui foi a Escola enquanto modelo de aprendizagem ou local de avalia\u00e7\u00e3o. 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