{"id":15452,"date":"2016-10-12T12:00:34","date_gmt":"2016-10-12T11:00:34","guid":{"rendered":"http:\/\/uptokids.fredericolopes.com\/?p=15452"},"modified":"2016-10-12T12:00:34","modified_gmt":"2016-10-12T11:00:34","slug":"falhar-e-para-fracos-o-importante-e-vencer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/uptokids.fredericolopes.pt\/?p=15452","title":{"rendered":"Falhar \u00e9 para fracos, o importante \u00e9 vencer"},"content":{"rendered":"<p>\u201c<em>No mundo hipercompetitivo em que vivemos n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para perdedores!<\/em>\u201d &#8211; Este \u00e9 o &#8220;chav\u00e3o&#8221; que tem vindo, inconscientemente, a atormentar a cabe\u00e7a dos pais, educadores e treinadores ao longo dos tempos. Cada vez mais nos deparamos com comportamentos inusitados de adultos perante as suas derrotas. Que exemplo estamos a dar \u00e0s nossas crian\u00e7as?<\/p>\n<p>Vivemos num mundo onde as frustra\u00e7\u00f5es afectivas s\u00e3o desde cedo mascaradas pelos bens materiais &#8211; recompensas de pais que est\u00e3o no mercado de trabalho muitas vezes preocupados demais em \u201cvencer na vida&#8221; e sem tempo (e por vezes paci\u00eancia) para dar amor e brincarem com os filhos.<\/p>\n<p>Onde os\u00a0pais come\u00e7am a projectar <a href=\"http:\/\/uptokids.fredericolopes.com\/educacao\/slow-parenting-pais-sem-pressa\/\">o futuro dos filhos<\/a>, muitas vezes antes das crian\u00e7as nascerem. Pretendem que sejam fortes e lutadores, e ambicionam que tenham sucesso na vida. Que sejam uns vencedores!<\/p>\n<p>Inscrevemos os nossos filhos no ingl\u00eas, nas artes marciais, na nata\u00e7\u00e3o, no mandarim, na m\u00fasica para beb\u00e9s, e por a\u00ed fora. Tudo isto porque acreditamos que quanto mais os estimularmos mais se desenvolvem? Ou porque no fundo estamos inconscientemente a prepara-los para um mundo cada vez mais competitivo e pouco nos importa se j\u00e1 t\u00eam maturidade emocional ou n\u00e3o para lidar com uma <a href=\"http:\/\/uptokids.fredericolopes.com\/educacao\/a-minha-agenda-atividades-extra-curriculares-check\/\">agenda t\u00e3o preenchida<\/a>?<\/p>\n<p>Assim, vamos educando crian\u00e7as que cada vez t\u00eam menos<a href=\"http:\/\/uptokids.fredericolopes.com\/educacao\/o-direito-das-criancas-a-brincar\/\"> tempo para brincar<\/a>. Desde que nascem,\u00a0 s\u00e3o jogos did\u00e1cticos, desportos, treinos, competi\u00e7\u00e3o! Queremos criar verdadeiros Puro-sangue.<\/p>\n<p>Come\u00e7amos, desde cedo, a &#8220;treinar&#8221; os nossos filhos atrav\u00e9s de uma educa\u00e7\u00e3o baseada em castigos e recompensas, para terem sucesso na vida (seja isso o que for!).<\/p>\n<p>Refor\u00e7amos os <a href=\"http:\/\/uptokids.fredericolopes.com\/educacao\/principio-da-caneta-verde\/\">comportamentos positivos <\/a>num quadro de smiles\/medalhas, ou at\u00e9 com brinquedos, e castigamos sempre n\u00e3o se comportam de acordo com os padr\u00f5es que definimos ou que apresentam comportamentos que consideramos incorrectos.<\/p>\n<p>Atrav\u00e9s das nossas atitudes e do nosso exemplo estamos constantemente a transmitir aos nossos filhos que s\u00f3 ter\u00e3o valor e s\u00f3 ser\u00e3o amados se forem os melhores\u00a0e atingirem as metas e objetivos que N\u00d3S\u00a0estipul\u00e1mos.<\/p>\n<h2>Falhar \u00e9 para fracos, o importante \u00e9 vencer.<\/h2>\n<p>Nas escolas, o sistema de ensino segue o mesmo princ\u00edpio: avalia todos os alunos<a href=\"http:\/\/uptokids.fredericolopes.com\/educacao\/avaliacoes-escolares\/\"> segundo o mesmo padr\u00e3o<\/a> e n\u00e3o valoriza a resposta individual considerando as singularidades da aprendizagem de cada crian\u00e7a.<\/p>\n<p>Somos todos tratados como n\u00fameros e no entanto queremos todos ser o n\u00famero 10. E aqueles que pensam fora da caixa e tentam marcar a diferen\u00e7a s\u00e3o postos \u00e0 margem, quer se trate de um artista de renome, um escritor ou um m\u00e9dico.<\/p>\n<p>O americano Alfie Kohn, especialista em educa\u00e7\u00e3o, critica amplamente este modelo de educa\u00e7\u00e3o baseado no <a href=\"http:\/\/uptokids.fredericolopes.com\/educacao\/a-grande-diferenca-entre-castigo-e-consequencia\/\">castigo e recompensa<\/a>. Defende que os pais devem preocupar-se menos em arranjar estrat\u00e9gias para que os filhos ajam como os pais querem, e mais a procurar formas de perceber o que os filhos precisam e como lhes podem fornecer as ferramentas para que alcancem os seus objectivos.<\/p>\n<p>Segundo Kohn, a vis\u00e3o de que somos <a href=\"http:\/\/uptokids.fredericolopes.com\/educacao\/entre-os-pais-permissivos-e-os-pais-autoritarios\/\">pais permissivos<\/a> e vivemos numa sociedade centrada nas crian\u00e7as \u00e9 errada. Defende que as crian\u00e7as se tornam frustradas porque regra geral, o seu ponto de vista n\u00e3o \u00e9 valorizado. Muitos pais destratam\u00a0os filhos, simplesmente porque lhes exigem\u00a0mais do que est\u00e3o preparados para alcan\u00e7ar. E acreditam que se forem mais r\u00edgidos, obter\u00e3o uma resposta mais imediata dos filhos.<\/p>\n<p><strong>As crian\u00e7as n\u00e3o precisam de pais mais exigentes, mas sim de pais que passem mais tempo com elas, que as tratem com respeito e as orientem.<\/strong><\/p>\n<p>Kohn defende uma educa\u00e7\u00e3o menos centrada em estrat\u00e9gias que fa\u00e7am as crian\u00e7as agir como queremos a curto prazo. &#8220;<em>Se n\u00e3o comeres sopa, n\u00e3o comes sobremesa.&#8221;<\/em> &#8220;<em>Se tirares excelentes a tudo no fim do per\u00edodo, dou-te um Iphone&#8221;<\/em>,<br \/>\nH\u00e1 pais que chegam mesmo a renegar o amor: o filho perde um ano e o pai\/m\u00e3e come\u00e7a a despreza-lo; o filho d\u00e1 uma resposta parva pr\u00f3pria da idade, o pai\/m\u00e3e insulta-o e coloca-o de castigo ficando o resto da tarde sozinho.<\/p>\n<p>Volte e meia, dou por mim a ter este tipo de comportamento com o meu filho de 4 anos. N\u00e3o o renegar o amor, porque isso seria incapaz, mas a estimular descaradamente a competitividade. De manh\u00e3, para que se despache a vestir, por vezes desafio-o para uma corrida.<\/p>\n<p><strong>Agora<\/strong>\u00a0<strong>ando mais atenta \u00e0s mensagens que estou a transmitir com cada desafio que proponho: \u201ccompetir \u00e9 bom\u201d?, &#8220;s\u00f3 gostam de mim se cumprir todas as ordens&#8221;, &#8220;se amea\u00e7ar os outros eles ir\u00e3o fazer o que eu quero&#8221;. <\/strong><\/p>\n<p>Segundo Kohn, ao usarmos o castigo como regra para correc\u00e7\u00e3o de comportamentos, estaremos a criar adultos que acreditam que as suas ac\u00e7\u00f5es ter\u00e3o consequ\u00eancias apenas em si, e n\u00e3o nos outros, e defende que o castigo impede a reflex\u00e3o moral. Al\u00e9m disso, estimular a competitividade gratuitamente fomenta que cada crian\u00e7a olhe para o colega como um potencial obst\u00e1culo para o seu sucesso. <strong>Os resultados previs\u00edveis s\u00e3o: aliena\u00e7\u00e3o, agressividade, inveja.<\/strong><\/p>\n<p>Quando o sentido de compet\u00eancia da crian\u00e7a depende de triunfar sobre os outros, esta, na melhor das hip\u00f3teses, apenas se sentir\u00e1 segura pontualmente porque sabe que nem todos podem ser vencedores, logo a hip\u00f3tese de \u201cfalhar\u201d \u00e9 matem\u00e1tica.<\/p>\n<p>A competitividade condiciona o desenvolvimento<a href=\"http:\/\/uptokids.fredericolopes.com\/educacao\/comunicar-como-transmitir-ordens-as-criancas-sem-ferir-a-sua-autoestima\/\"> da autoestima<\/a> e tem repercuss\u00f5es tanto no que perde como no que ganha. Devemos evitar posicionar os nossos filhos como superiores \u00e0s outras crian\u00e7as. Temos de ser pais mais cooperantes no sentido de valorizar o esfor\u00e7o, do que controladores que apenas procuram que os filhos alcancem as vit\u00f3rias.<\/p>\n<p>Ter orgulho nas vit\u00f3rias do seu filho \u00e9 algo positivo, mas se \u00e9 daqueles pais que o faz exaustivamente e com um entusiasmo extremo, \u00e9 poss\u00edvel que esteja a colar as vit\u00f3rias dele aos\u00a0seus fracassos. Evite atrelar a sua pr\u00f3pria identidade \u00e0s conquistas do seu filho.<\/p>\n<p>Em casa, sou daquelas m\u00e3es que n\u00e3o deixam o filho ganhar sem m\u00e9rito e assim tamb\u00e9m aprende a perder com dignidade e com a felicidade de ter jogado e participado.<\/p>\n<p>Durante muito tempo, o meu filho queria repetir a jogada quando lhe saia um ou dois no dado no jogo do ganso, e chegou mesmo a chorar e a dizer que a jogada n\u00e3o tinha valido porque eu falei enquanto ele lan\u00e7ava os dados. Inventava sempre uma desculpa para acabar com o jogo quando estava a perder.<\/p>\n<p>Aos poucos, tenho-lhe explicado e exemplificado que o importante \u00e9 divertir-se e participar. E refor\u00e7o que o amo independentemente de ganhar ou perder. Eu quero que ele se sinta amado s\u00f3 por existir, e n\u00e3o por ser um campe\u00e3o em tudo.<\/p>\n<p><strong>Lembrem-se, o mundo n\u00e3o precisa de mais campe\u00f5es ol\u00edmpicos. Precisa \u00e9 de bons perdedores.<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Baseado num artigo de Barbara Semerene, jornalista no Huffpodt Brasil, e nos textos do escritor\u00a0Alfie Kohn<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cNo mundo hipercompetitivo em que vivemos n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para perdedores!\u201d &#8211; Este \u00e9 o &#8220;chav\u00e3o&#8221; que tem vindo, inconscientemente, a atormentar a cabe\u00e7a dos pais, educadores e treinadores ao longo dos tempos. 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